segunda-feira, outubro 09, 2006

Polícia descobre ligação entre sanguessugas e PSDB

A revista IstoÉ desta semana traz uma reportagem em que trata das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre as contas bancárias do empresário Abel Pereira, apontado como o operador tucano na máfia das ambulâncias. De acordo com a reportagem "Devassa sobre Abel", assinada pelo jornalista Hugo Marques, Pereira é apontado pelos chefes dos sanguessugas como operador de Barjas Negri (PSDB), o último ministro da Saúde na gestão de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo a matéria, a Polícia Federal e o Ministério Público investigam um lote de documentos que poderão levar à efetiva participação de Barjas Negri no esquema de superfaturamento na compra de ambulâncias. "São cheques e depósitos bancários que comprometem o empresário paulista Abel Pereira, apontado pelos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin - os chefes dos sanguessugas - como o operador do ex-ministro. Ainda essa semana, Abel será chamado para depor e terá que explicar as suas relações com os Vedoin", informa a reportagem.

Durante o depoimento, devem ser colocadas diante do empresário as cópias de 15 cheques que totalizam R$601,2 mil. "Esses cheques teriam sido entregues a Abel como propina pela venda das ambulâncias superfaturadas. As respostas dadas por Abel serão confrontadas futuramente com os dados obtidos a partir da quebra do sigilo bancário do empresário, solicitada à Justiça Federal pelo Ministério Público e pela PF. Além disso, a polícia também está trabalhando no rastreamento desses cheques. Dessa forma, mesmo que eles não tenham passado pelas contas do empresário, se descobrirá o destino que tiveram e os favorecidos terão que prestar esclarecimentos", aponta a IstoÉ.

De acordo com a revista, a documentação e os depoimentos prestados pelos Vedoin somam-se às gravações telefônicas que vinham sendo efetuadas na investigação dos sanguessugas. "Há o registro de diversos telefonemas entre Abel e Luiz Antônio. Segundo o depoimento de Vedoin, Abel agia em nome do ministro Barjas Negri, ex-secretário executivo do Ministério na gestão de José Serra e seu sucessor a partir de março de 2002". Hoje, Negri é prefeito de Piracicaba, no interior de São Paulo.

Segundo a IstoÉ, "quanto mais os investigadores remexem na máfia dos sanguessugas, mais descobrem ligações com o PSDB". "Em 2001, segundo documentos disponibilizados pelos Vedoin, toda a bancada do partido estava unida em torno da liberação de dinheiro para a compra de ambulâncias. Quem indicava os municípios a serem contemplados pelo Ministério da Saúde era o deputado Lino Rossi, do PSDB. Entre os parlamentares que autorizavam Lino a operar o dinheiro das emendas com a máfia estão os ex-deputados Ricarte Freitas e Pedro Henry, além do senador Antero Paes de Barros. Todos estavam no PSDB".

(Agência Informes)

Um comentário:

Humberto Capellari disse...

A verdadeira história do dossiê-armação
Um dia desses, recebi mais um destes emails não solicitados, enviado por algum cidadão de bem, indignado com "toda esta corrupção que envolveu o país, desde que a máfia petista assumiu o poder (sic)"...
Bem, acho que por terem visto meu endereço eletrônico nas cartas publicadas em jornais ( quando, na verdade, costumo descer o cacete na tucanalha ) , acharam que encontravam ali mais um de seus pares.
Eu não costumo responder a quem não conheço e que tenta estabelecer contato, mas, desta vez, não pude deixar para lá. E aí, desenvolvi a "verdadeira história do dossiê" que, sinceramente, acho que foi o que aconteceu.
E, canalhamente, enviei para as pessoas cujos endereços apareciam na mensagem que havia sido enviada. O cara deixou tudo à disposição.

Aí vai:

"Estimados,

Tomei a liberdade de, como vosso colega endereço@aasp.org.br, enviar emails não solicitados a pessoas que não conheço e nunca vi.
Trata-se da resposta à conclamação cívica pela troca da "máfia" atualmente no poder por uma melhor apresentada pela imprensa.
Aproveitem!!!

"Já que suposições todos podemos ter, aí vai a minha: os Vedoin ofereceram a Abel Pereira, Serra e Barjas Negri documentos que deveriam ser entregues à PF ou à CPI. Abel topou comprar estas provas (crime 1) - Deve-se considerar que existem 2 contatos telefônicos de Vedoin registrados no telefone de Abel, no dia da entrega do "suposto dossiê" aos petistas.
Acontece que Abel deve ter proposto o seguinte, já conhecendo as boas relações que Serra tem na PF e na Abin: agentes da PF informam aos tucanos o monitoramento dos telefones dos Vedoin. Estes podem saber disso ou não. Abel oferece dinheiro para que estes contatem membros das campanhas petistas, prometendo fornecer a estes provas contra Serra e Alckmin. Os Vedoin entram em contato com os petistas, pelos telefones grampeados. A banda boa da PF fica sabendo de tudo e arma a cama-de-gato. A compra é combinada. Abel garante a bolada que apareceria, depois, nas capas dos jornais, vazada por um amigo na PF. Os petistas carregam um notebook para assistir um DVD apontado como uma das provas e 25 mil dólares para a aquisição do DVD e do suposto dossiê que não seria, de fato, verdadeiro.
A PF pega a "operação" no flagra. Os Vedoin participaram da farsa como beneficiários de algum acordo envolvendo a já famosa "delação premiada".
A mídia explora o caso à exaustão, omitindo a parte que incomoda os tucanos.
Está dado o golpe."