quinta-feira, outubro 12, 2006

O telhado de vidro de Alckmin

Se a eleição presidencial fosse hoje, Lula venceria com 56% dos votos válidos. Este foi o resultado apontado pela pesquisa Datafolha, no dia 11 de outubro.

Os apoiadores de Lula recebem a pesquisa com alegria. Mas não subiremos no salto alto: faltam 18 dias para a eleição e a direita brasileira já demonstrou que não brinca em serviço.

Um exemplo disso é a revista Veja e a revista Época, que colocaram Alckmin na capa.

Veja foi além: espalhou outdoors por todas as cidades brasileiras, com reproduções gigantes da fotografia de Alckmin, numa propaganda eleitoral tão descarada, que o Tribunal Superior Eleitoral atendeu ao pedido da coligação "A força do povo" e mandou a editora remover os cartazes da rua.

O jornal O Estado de S.Paulo não deixou por menos. Além da cobertura tendenciosa, o jornal declarou em editorial que Alckmin teria vencido o debate entre os candidatos a presidente, realizado pela TV Bandeirantes, no dia 8 de outubro.

O Estadão é tão descarado, que chegou ao ponto de citar o debate realizado pela Globo, no segundo turno de 1989, como suposta demonstração de que Lula seria "despreparado para o debate político em público".

Naquela ocasião, a Rede Globo divulgou em seu noticiário cenas do debate, editadas de forma a favorecer Collor.

De toda forma, ao citar o debate de 1989, o Estadão comete um ato falho, pois lembra as semelhanças entre o Collor de 1989 e o Alckmin de 2006. Entre as semelhanças, estão a hipocrisia e o moralismo de ocasião.

Só para lembrar: Alckmin questionou Lula sobre as denúncias de corrupção e disse que o presidente deveria obter respostas junto aos "seus amigos mais íntimos".

Alckmin não deveria colocar o debate neste nível.

Afinal, alguém poderia perguntar se ele sabia que sua filha era funcionária de uma empresa acusada de contrabando, a Daslu, ou se tinha conhecimento que sua esposa ganhou de presente 400 vestidinhos chiques.

Se mesmo assim Alckmin achou melhor correr o risco, é porque sabe que os oito anos de FHC no governo federal e os 12 anos de governo tucano em São Paulo não são um bom contraponto aos quatro anos de governo Lula.

3 comentários:

Marcos Paulo disse...

'Vou com Alckmin', diz irmão de Lula



"Jackson Inácio da Silva, um dos irmãos do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já definiu seu voto. Ao contrário do que se poderia imaginar, o mestre de obras de 52 anos - nove a menos do que o irmão presidente - vai repetir no dia 29 o que já fez no primeiro turno: votar em Geraldo Alckmin (PSDB).


Dizendo-se decepcionado com a gestão do irmão, 'que não vê desde a posse (em 1º de janeiro de 2003), Jackson afirmou que a administração de Lula é marcada pela escolha de uma equipe ruim.


'Ele é muito mal assessorado. Começou errando quando não soube escolher sua equipe', avaliou. 'Não sou só eu quem está decepcionado com o governo Lula. É o Brasil inteiro', prosseguiu."

Ricardo disse...

O meio-irmão do presidente Lula realmente não lhe saiu... Pergunto ao Marcos Paulo: tem lido nossos posts? Seja bem-vindo, colabore sempre pois aqui o espaço é democrático, acolhe com prazer as opiniões divergentes, como a do meio-irmão do presidente, que claramente conflita com a de 56% dos brasileiros, segundo o irrepreensível Datafolha ;-)

adriano disse...

Democracia é assim, meu pai nunca votou no Lula e eu sempre votei, mas mesmo assim nós nos amamos como pai e filho e respeitamos nossas opiniões antagonicas!

Mesmo eu não aceitando seus argumentos e muito menos ele os meus, principalmente referente a questão ética, respeitamo-nos e identificamos os equivocos tanto do atual governo quanto do anterior quanto a questão.

Mas a impressão que eu tenho, é que quando se discute a apuração e atitudes relacionadas aos desvios cometidos meu pai não consegue defender o PSDB/PFL.

Eu sei que ele é esclarecido, não faz discursos vazios, não trata a questão como uma briga de torcida, tem seus motivos para votar no Picolé, mais de carater histórico, pois é remanescente da Luta de alguns PSDEbistas contra a ditadura do que de carater anti-petista.

Respeito-o, e ele me respeita, nunca me chamou de burro, de desinformado, de ignorante ou de eleitor sem consciencia como muitos me chamam, ele me conhece, sabe dos meus ideias, das minhas lutas e dos meus desejos, pode até não concordar comigo, como eu não concordo com ele, mas o respeito prevalece! De acordo com Voltaire.

Deveria ser assim, mas volta e meia, vejo uns pseudos intelectuais que nunca leram um livro me condenarar por defender o Governo Lula. Vejo "eleitores esclarecidos" elegerem Maluf, Clodo, Russomano, Collor...

Vejo adesivos em carros bacanas discriminarem um Presidente que por acidente de trabalho perdeu um dedo...

Vejo um candidato mentir, escamotear suas propostas para não perder votos...

Vejo corruptos notórios se declararem arautos da moralidade...

Hipocrisia, certeza da impunidade, mau-caratismo...

É meu pai, foi-se o tempo que o PSDB era um partido ideológico!

Espero um dia ve-lo mudar suas conviccções!