quarta-feira, outubro 11, 2006

Comentário de Lúcia Hipólito tem 100% de margem de erro

Hoje, quarta-feira dia 11 de outubro, vale comentar um comentário que ouvi na CBN às 8 da manhã. Lúcia Hipólito, a dublê de cientista política e militante anti-petista ultrapassou todos os limites da razoabilidade e expôs a classe dos cientistas políticos - à qual pertenço - ao descrédito total, tamanha a falta de rigor e partidarismo (como sempre) de que se valeu para examinar a última pesquisa Datafolha publicada no jornal Folha de São Paulo que está nas bancas.

Ela (mais a Miriam Leitão, sua colega de "rádia") decretaram ontem que "o Geraldo" vencera o debate. Estabeleceram, de suas próprias axilas, que este teria sido o saldo da peleja, depois de auscultar, sabe-se lá como, o clima de opinião entre os telespectadores.

Uma vez enfiada a idéia (jericoacoara, diga-se de passagem) na cabeça, hoje Hipólito se confrontou com a pesquisa Datafolha, que trouxe poucas mas singelas informações: apenas 41% do público assistiu o embate. Entre os que assistiram, deu empate técnico: 43 a 41 pró-Alckmin. Seria interessantíssimo se a comentarista abordasse a novidade destacada pelo diretor do instituto: "se o debate exerceu alguma influência foi entre os que têm renda e escolaridade mais altas". "O fato novo entre as duas pesquisas [a de hoje e a de sexta-feira passada] foi o debate, e foi nesses segmentos que Alckmin caiu mais", ele diz. Entre os eleitores que têm nível superior de escolaridade, 45% disseram ter visto vitória de Alckmin, contra 25% que consideraram Lula o vencedor do debate. Nessa faixa do eleitorado, as intenções de voto de Alckmin caíram de 56% nos dias 5 e 6 para 53% ontem.

Não obstante os fatos, questionada por um Heródoto Barbeiro indisfarçadamente mau-humorado, Lúcia Hipólito afirmou, categórica, que Alckmin venceu o debate e - pior - que esta nova pesquisa não trazia NADA de novo, desconsiderando a variação claramente negativa de Alckmin, para além da margem de erro de 2 pontos.
"Nada mudou. Alckmin venceu o debate". Com 100% de erro, a assertiva hipoliteana é cômica e trágica ao mesmo tempo, especialmente porque vem de alguém que, não faz muito tempo, soltava foguetes quando constatadas variações positivas mínimas do Picolé de Chuchu, ainda que dentro das margens de erro.

Cordialmente,
Ricardo

(enviado por email pelo cientista político Ricardo Arreguy, primeiro para a própria Lúcia Hipólito, e depois para este blog)

2 comentários:

Godô disse...

Todo mundo que lê e pensa neste país fala mal do governo Lulla, quem defende, ou é advogado criminalista ou cumplice da roubalheira...

Ricardo disse...

Godô errou em cheio, No caso, é um cientista político que opinou. E ele fala mais bem do que mal do governo. Como diz a canção do Skank, porque "tudo tem 3 lados".