terça-feira, outubro 24, 2006

Alckmin é arrasado no debate da Record

(Por Miguel do Rosário, reproduzido do Blog da Reeleição)

"Por ocasião do primeiro debate, fui bem franco acerca de minhas impressões. Relatei aqui o que achei serem várias deficiências na participação de Lula. A imprensa corporativa, fortemente engajada na candidatura tucana, denunciaram o que seria a incapacidade de Lula para o "embate político" direto. Afirmavam que Alckmin teria inflingido uma grande derrota à Lula naquele debate.

As pesquisas indicaram outra coisa. Depois do debate, as intenções de voto em Alckmin cairam brutalmente.

Sugeriram que ele mudasse o figurino no segundo debate. Mudou. Entrou um Alckmin mansinho, propositivo.

Entretanto, a partir do segundo debate, Lula já estava bem mais seguro, bem mais preparado. Como se diz, os marketeiros de Alckmin haviam esquecido de combinar com os russos, e o tucano prosseguiu seu bucólico passeio ladeira abaixo.

Neste terceiro debate, dia 23, segunda-feira, na rede Record, Lula jogou o punhado de terra que faltava para enterrar de vez a candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República. Noblat, blogueiro do Estadão, opinou o seguinte:

Um fala para o povão - e fala cada vez mais a vontade à medida que está perto de se reeleger. O outro fala para os mais bem informados - sem emoção, mas com objetividade e argúcia. Como é o povão que decide, Lula vai bem. Para seus eleitores, Alckmim vai melhor do que foi no debate do SBT.

Acho que, desta vez, Noblat forçou a barra. Alckmin foi horrível. Parecia um papagaio louco, repetindo as mesmas coisas, com as mesmas palavras, a mesma entonação. O robô deu pane.

Olha, vou falar para o telespectador, é importante que vocês vejam a diferença.

Objetividade e argúcia têm Noblat, que sabe muito bem como agradar seus patrões.

Neste debate, Lula conseguiu desmascarar Alckmin, principalmente nas questões relativas à política externa. Alckmin se mostou desinformado e incoerente. Falou que iria privilegiar mercado e não ideologia na política externa, mas seu discurso sinalizou uma atitude oposta. Eleito, Alckmin irá, ele sim, ideologizar a nossa política externa, ao impor uma agenda de direita, americanófila, isolando-nos do resto da América do Sul. Fez um discurso agressivo contra a Bolívia. Levantou o nacionalismo mais rasteiro e oportunista. Vamos defender o Brasil, o interesse nacional. Como se a defesa de nossos vizinhos não acarretasse em benefícios econômicos para o Brasil. É a direita mais burra e retrógrada. O Brasil aumentou mais de 200% suas exportações para o Mercosul, lembrou Lula, e se tornou nosso principal mercado comprador. Esse é fracasso do Mercosul?

Alckmin defendeu uma relação preferencial do Brasil com os Estados Unidos, falando que os EUA são uma economia aberta, que compra manufaturados. É, pode ser.

Em primeiro lugar, a política de Lula não é hostil aos EUA. O Brasil tem relações perfeitamente amigáveis com os EUA, que respeitam a nova postura altiva da política externa brasileira. Altivez que não é retórica. O Brasil fechou parcerias importantes com China, Índia, Oriente Médio, União Européia e, repito, exporta mais para o Mercosul que para os EUA. Ou seja, o Brasil é respeitado pelos EUA porque superou sua dependência.

O pagamento da dívida com o FMI foi outro ato simbólico. Por oito anos, o governo tucano humilhou o povo brasileiro com suas idas constantes aos EUA para pedir dinheiro emprestado, e aceitando uma agenda econômica imposta pelo credor. Pedir emprestado ao FMI é choque de gestão?

A estabilidade econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, tão louvada pelos colunistas conservadores de hoje e outrora, foi adquirida às custas de brutal endividamento público, aumento da carga tributária, imposição de juros estratosféricos, enxugamento do crédito, arrochos salariais para o funcionalismo público, privatização do patrimônio público, pouco investimento social. Desemprego.

Estabilidade de moribundo, isso sim.

A estabilidade econômica de Lula está sendo consolidada de maneira bem diferente: interrompeu o processo de privatização, valorizou estatais, aumentou salário do funcionalismo público, aumentou o salário mínimo e as aposentadorias. Fez cair os juros, agora em seu momento mais baixo da história. Pagou a dívida externa e reduziu a dívida pública interna.

E investiu, como nenhum outro governo, em políticas sociais.

Aliás, quando Alckmin fala que Lula só mudou o nome de programas sociais anteriores, unificando-os sob o nome Bolsa Famíia, está tentando, é claro, vender seu peixe. É triste, porém, ver jornalistas comprando esse lambarizinho podre.

Um programa social não se mede pelo nome que tem, mas pela quantidade de verba que recebe. O governo Lula foi o primeiro a alocar, de maneira ousada, um volume expressivo de recursos para os programas sociais. Os jornalistas que esquecem disso são desonestos. O que importa aqui é a quantidade de recursos e o número de pessoas atendidas. Isso é real. Isso afeta a vida as pessoas.

No debate, Alckmin mostrou-se incoerente. Reclamou do pagamento dos juros, esquecendo que é ele o candidato que mais reza a oração da "segurança jurídica". Ora, todo mundo sabe que, se o Brasil tem que sangrar recursos bilionários no pagamento de juros da dívida, devemos isso ao senhor Fernando Henrique Cardoso, que entregou um governo endividado, e com contratos a serem cumpridos. Alckmin quer que Lula descumpra os contratos? É um incoerente. E deve nos achar uns idiotas, ao pensar que acreditamos que, neste ponto, ele faria diferente. Pior, toca nesse tema para, de maneira vil e oportunista, atacar o veto que Lula deu ao aumento de 16% aos aposentados que ganham mais de 1 salário mínimo. Ora, acompanhamos esse assunto pela imprensa. Vimos Antonio Carlos Magalhaes e outros próceres do PFL brigando por esse aumento, só para obrigar Lula a vetá-lo, pois já tinha dado aumento de 5% acima da inflação, de acordo com uma negociação justa com os sindicatos e associações de aposentados. A intenção era eleitoral. Reflete uma grande irresponsabilidade política e fiscal. Por que Alckmin não deu, então, aumento para seu próprio funcionalismo público, quando era governador? Por ocasião da crise da segurança pública em São Paulo, vimos que o policial paulista é um dos que ganha menos em todo país, apesar do estado ser o mais rico da nação.

Alckmin é um hipócrita, um demagogo, um representante do que há de pior na política nacional. Não sei como a imprensa tem a cara de pau de defender um candidato desse.

O tucano também se ferrou bonito quando tentou fazer o telespectador acreditar que Lula prejudicou o nordeste. Ficou óbvio que Alckmin, que tem desempenho pífio no nordeste, tentou ganhar alguns votos. Perdeu. Desinformado e mal intencionado como sempre, omitiu que o nordeste vem crescendo a um ritmo "chinês", sobretudo os segmentos mais pobres.

Falando em crescimento, abordemos esse tema em profundidade. Uma das maiores críticas da campanha presidencial tucana é que o Brasil cresceu pouco. Só 2% ao ano, acusa Alckmin. Ora, em primeiro lugar, durante a gestão tucana, o crescimento foi bem pior. Em segundo, parte do obstáculo ao crescimento está no próprio golpismo da oposição, incluindo aí donos de jornais, que quase paralisaram o país com a espetacularização de crises políticas. Em terceiro lugar, é preciso avaliar o que cresceu e o que cresceu pouco. Os segmentos pobres da população tiveram um crescimento bem superior a 2%, o que levou milhões a saírem da miséria, outros milhões a ingressarem na classe média, e outros milhões (mais especificamente 7,5 milhões) a arrumarem um emprego.

Lula é o candidato que possui maior apoio político de governadores, prefeitos, presidentes de outros países, intelectuais, artistas, movimentos sociais, centrais sindicais. Conseguiu, às duras penas, ganhar o PMDB, agora o maior partido do Congresso Nacional. Só não tem apoio da mídia corporativa, dominada por meia dúzia de famílias golpistas, que temem, com razão, perder os privilégios que possuem há décadas.

Aí entramos no tema proposto pelo grande jornalista Bob Fernandes, que participou do debate de ontem na Record. Só mesmo Bob para fazer uma pergunta desse quilate. Lula, de início, se esquivou, pois o assunto, de fato, é extremamente delicado. Mas deu uma boa resposta, lembrando que a TV digital deverá alterar relações de poder na mídia televisiva e, nos comentários - depois de Alckmin, virtualmente, desperdiçar seu tempo para não dizer nada - fez observações ácidas sobre os monopólios dos canais de tv em mãos de poucas famílias.

Alckmin nada falou de relevante sobre o tema.

Por fim, nas considerações finais, Alckmin gastou seus 2 minutos com um discurso vazio, bem ao estilo picolé de chuchu, sem emoção, sem conteúdo, no mesmo tom e com o mesmo vocabulário usado ao longo do debate.

Lula, por sua vez, fez um discurso emocionando, autêntico, tocando, pela primeira vez, num ponto sensível: que nunca um presidente foi tão perseguido pela mídia, pelas elites e pela oposição. O que não disse, porque não precisava dizer, é que, enquanto os outros perseguidos se suicidaram (Vargas), não elegeram sucessores (JK) ou foram apeados do poder pelos golpistas (Jango), ele deverá se eleger com uma votação monstruosa, em meio a um governo com aprovação popular em níveis recordes.

Mas não fiquem tristes, tucanos. Com Lula, o Brasil será melhor para todos, inclusive para vocês.

4 comentários:

João Batista disse...

PF ignorou regra interna ao não exibir dinheiro


Da Folha de S.Paulo, hoje:



"A Polícia Federal descumpriu a instrução normativa 006/DG/DPF -assinada em 26 de agosto de 2004 pelo seu próprio diretor-geral, Paulo Lacerda- ao proibir a apresentação de imagens do dinheiro apreendido com ex-petistas na operação do dossiê contra o candidatos do PSDB.


O documento, que "institui a política de Comunicação Social do Departamento de Polícia Federal", determina que materiais apreendidos sejam exibidos para ilustrar reportagens e evitar estimativas equivocadas.


O inciso VII do artigo 31 da norma é explícito: "Em consonância com os princípios, diretrizes e fundamentos jurídicos e regimentais da política de Comunicação Social do DPF, deverão ser adotadas as seguintes condutas na divulgação: A apresentação de material apreendido em operações policiais, visando ilustrar reportagens, evitando-se em tais atribuir-se valores estimativos.""



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"A hipótese mais provável com a qual a PF trabalha sobre a origem do dinheiro para a compra do dossiê contra tucanos é que os recursos tenham vindo do caixa dois do PT, segundo a Folha apurou.


São muitos os elementos considerados pela PF nessa direção. O dinheiro apreendido com os emissários do PT Gedimar Passos e Valdebran Padilha, ao que tudo indica, tem origem irregular. Os recursos não foram computados na contabilidade do partido e há sinais de que o dinheiro não saiu diretamente do sistema bancário para as mãos da dupla, podendo ter passado, por exemplo, por bancas do jogo do bicho no Rio.


Há notas altas, pequenas e parcela em dólar, o que denota arrecadação em várias fontes. Segundo os indícios já levantados, o dinheiro (R$ 1,75 milhão) veio de praças distintas, entre as quais Rio, São Paulo e possivelmente Santa Catarina."



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"A suposta operação montada pela Polícia Federal para tentar abafar o caso do dossiê -que envolve ex-membros do comitê eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva numa negociação frustrada de documentos contra candidatos tucanos- virou alvo de investigação criminal movida pelo Ministério Público Federal em São Paulo.


Os procuradores que cuidam do controle externo das atividades da PF buscam saber se a cúpula do órgão ajudou os investigados a construir uma versão comum, que preservasse a campanha petista."

José Justino de Souza Neto disse...

Ministério Público(?) de São Paulo? He! He! He! Não seria o Ministério Privado de São Paulo? Como é que eles sabiam que o dinheiro veio do bicho? Se veio do bicho, não deveria estar sob custódia como prova de contravenção? Ou algum delegado "patriota" tratou de plantar algumas notinhas naquela pilha "imensa"?
Que tamanho deve ter a pilha de mais de 100 bilhões de dólares das contas CC5? Qual deve ser o tamanho do prejuízo do patrimônio brasileiro com a doação do patrimônio público mais os generosos "empréstimos" do BNDES? Como ficaria o desenho de uma pilha de 1 bilhão desviado da PREVI para atender os interesses do ACM Corleone?
Afinal de contas quem é o corrupto nisso tudo? Pode ser qualquer um, menos o Serra, o Barjas Negri, o Abel e os Vedoin, não é mesmo? Então, tá!

Anônimo disse...

CC5 ??? não teve uma CPI pra ver a grana desviada pelo BANESTADO e presidida pelo petista mensaleiro Mentor que levou uma grana e a CPI foi pra debaixo do tapete???

Todos são corruPTos inclusive o Lulla-lau e sua familia (mulher empresta jóias e não devolve, esqueceu...) Filho intermedia contatos e leva bolada ( um ronaldinho que nunca jogou bola na vida e foi contratado pelo Real Madrid após o pai virar presidente) e o irmão ensaiando uma de lobista...

Vão acabar inaugurando o Novo pre´sidio federal!

M Farias disse...

Cartilhas: Lula é réu em ação popular
O juiz Marcos Augusto de Sousa, da 2ª Vara Federal, de Brasília, determinou nesta quinta-feira a citação do presidente Lula e de mais 20 pessoas e empresas acusadas, em ação popular, pelo desvio de R$ 12,5 milhões das cartilhas da Secretaria de Comunicação da que nem sequer teriam sido impressas. A citação será feita por Oficial de Justiça ou por cartas precatórias, dependendo do caso. O autor é Vinícius Rodrigues Bijos e o advogado é seu pai, Jairo Rodrigues Bijos, residentes em Taguatinga (DF). A ação popular pede também a “declaração de nulidade de ato lesivo ao patrimônio”, revogação e anulação de ato administrativo e a nulidade dos contratos referentes às tais cartilhas. Além de Lula, são processados na Justiça Federal o ex-ministro Luiz Gushiken (Secom), doze funcionários do governo Lula, as agências de propaganda Matisse e Duda Mendonça, as empresas Web Editora Ltda, Editora Gráficos Burti Ltda, Pancrom Indústria Gráfica Ltda, Kriativa Gráfica e Editora Ltda, Takano Editora Gráfica Ltda, além de Cid Marques Faria.

PEGA LADRÃO!!!