quinta-feira, agosto 03, 2006

pois é, né?

No blog do Fernando Rodrigues, fotos de José Serra, então ministro da Saúde, junto com os deputados Lino Rossi (PP-MT), Pedro Henry (PP-MT) e Ricarte de Freitas (PTB-MT), citados na lista fornecida por Darci Vedoin sobre os sanguessugas à Polícia Federal, em cerimônia de entrega de ambulâncias no Mato Grosso, realizada em maio de 2001.

Se as ambulâncias eram da Planan, a empresa dos sanguessugas, não se sabe. Mas o blog traz também o seguinte trecho do depoimento de Darci Vedoin à PF, em 23/07/06: "...QUE o pagamento de comissão a parlamentares já era uma praxe existente anteriormente, no Congresso Nacional; QUE para o exercício de 2000, o deputado Lino Rossi apresentou essas emendas, através das quais foram vendidos no Estado de Mato Grosso mais de 60 unidades móveis de saúde; QUE as unidades, adquiridas com as emendas individuais, foram entregues paulatinamente; QUE as unidades adquiridas com as emendas de bancada, cerca de 50 unidades, foram entregues em um evento preparado especialmente pela cidade de Cuiabá, inclusive com a presença do Ministro da Saúde". O ministro da Saúde era nós já sabemos quem era.

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Enquanto isso, outro nome a figurar na lista de Vedoin é o de Emerson Kapaz, presidente do instituto Etco, integrante da Transparência Brasil e, até antes da divulgação da lista, um dos principais arrecadadores da campanha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB). O afastamento de Kapaz da função foi decidido pela cúpula tucano-pefelista, mas não mereceu dos jornais mais que um mero registro, sem qualquer destaque. O prefeito de Diadema, José Fillipi, tesoureiro da campanha do presidente Lula à reeleição, foi alvo de um massacre diário por um antigo processo de suposta promoção pessoal em outdoors públicos, processo sobre o qual Fillipi nunca se negou a dar todos os esclarecimentos solicitados.

Ficam as perguntas do jornalista Luiz Antonio Magalhães, do Observatório da Imprensa: E se o arrecadador de recursos do PT estivesse na lista dos sanguessugas? Os grandes jornais não se interessariam pela pauta? Dariam apenas um registro no meio das reportagens sobre a máfia das ambulâncias, sem um mísero título vinculando uma coisa à outra? E será que nenhum jornalista vai perguntar a Geraldo Alckmin se ele acredita na palavra de Kapaz ou na do empresário Luiz Antonio Vedoin, que acusou o ex-arrecadador da campanha tucana? Ou tentar descobrir, se ficar provado que Kapaz é realmente um sanguessuga, que punição Alckmin prevê para este tipo de episódio?

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E ainda, no blog Cidadania.com, Eduardo Guimarães faz um levantamento das notícias sobre Fillipi e Kapaz publicadas na Folha de São Paulo. E depois há quem diga que não há parcialidade na mídia! Como ele mesmo diz, leiam e revoltem-se:

28/06 - Lula convida prefeito para ser tesoureiro
Jornal anuncia que prefeito de Diadema, José de Filippi, será o tesoureiro da campanha de Lula e relembra acusações contra o tesoureiro da campanha do presidente em 2002, Paulo Okamoto

29/06 - TCE contesta contas de novo tesoureiro
24 horas depois de José de Filippi ser indicado tesoureiro da campanha de Lula, jornal encontra e publica dados do Tribunal de Contas do Estado governado pelo principal adversário do presidente, Geraldo Alckmin, que "contestam" as contas da gestão do prefeito de Diadema. Tratava-se de questionamentos pelo TCE de percentuais investidos pela prefeitura em Educação, de uma licitação e de anúncios publicitários.

05/07 - Tesoureiro de Lula terá que explicar origem de R$ 183 mil
Jornal noticia, logo após a indicação de José de Filippi para ser tesoureiro da campanha de Lula, que o Ministério Público Estadual de São Paulo, que teve a procuradoria indicada por Geraldo Alckmin, abriu inquérito para investigar Filippi. Acusações ao prefeito de Diadema e vinculações dele com o PT e com a campanha de Lula são fartamente repetidas no texto.

06/07 - Tesoureiro do PT diz que dinheiro é do tio
Em tom irônico, jornal dá a versão de Filippi para a acusação desencadeada depois de sua indicação como tesoureiro da campanha de Lula.

07/07 - Em reportagens contendo reproduções de declarações de adversários de Lula, o caso Filippi, já perdendo força, é mencionado de passagem. Desse dia em diante o assunto some do noticiário, sobretudo depois que o tio do tesoureiro de Lula confirma o empréstimo e mostra documentos.

26/07 - Ex-mulher de Kapaz confirma ter recebido depósito atribuído à Planam
Jornal noticia laconicamente que Emerson Kapaz, um dos arrecadadores da campanha de Alckmin, está sendo investigado pela CPI dos sanguessugas e que sua ex-mulher reconhece ter recebido dinheiro do esquema criminoso. Porém, o fato de Kapaz ser arrecadador da campanha do candidato tucano à presidência não é mencionado.

27/07 - Em nota, Kapaz se diz surpreendido e nega envolvimento com sanguessugas
Jornal reproduz "explicações" de Kapaz para as emendas de ambulâncias que apresentou enquanto era deputado federal e que o envolvem no escândalo dos sanguessugas. Condição de tesoureiro da campanha de Alckmin continua a não ser mencionada pela Folha.

29/07 - Baixas na tesouraria atrapalham Alckmin
Reportagem de título ambíguo dá conta de que Kapaz se afastou da campanha de Alckmin e finalmente revela ser ele "um dos arrecadadores da campanha de Alckmin". Em nenhuma das manchetes publicadas até esse dia Kapaz apareceu vinculado a Alckmin ou ao PSDB. E esta reportagem foi a primeira que mencionou sua relação com a campanha tucana.

Um comentário:

Pedro Batista disse...

Tá feia a coisa... não tem ninguém honesto 100%??