domingo, fevereiro 11, 2007
Imagens e palavras: a arte da política, por Gilberto Kassab
O texto abaixo dignifica o dignatário, quer dizer, limpa bastante a barra do prefeito de São Paulo. Acho que é extremamente positivo ele ter botado a mão na consciência e feito o mea culpa. Sinal de que não é de todo desajuizado. Um exercício de humildade vindo de um dos mais destacados quadros do PFL é de se reparar e abrir o devido espaço. Fica o registro.
"Errei. Não tinha o direito de perder a calma, e perdi. Peço desculpas ao senhor Kaiser, à cidade e aos brasileiros. Faço-o de coração aberto"
POLÍTICA é persuasão, é convencimento. Política é a arte e a ciência de transformar vontade e esforço coletivos em ações em favor do bem comum. Assim, desde sempre, e mesmo numa época e numa sociedade em que a imagem tem supremacia, o principal instrumento da política é a palavra. A palavra que convence, que agrega, que dá rumo e sentido aos desejos da sociedade e os transforma em realizações destinadas a melhorar a vida das pessoas.
Engenheiro e economista por formação, político e administrador público por vontade e vocação, eu acredito na palavra e na persuasão. Acredito no convencimento. Acredito que o papel do político é formar maiorias que permitam à sociedade avançar. E que dêem ao administrador público o as condições para materializar esses avanços. Acredito que a principal tarefa é desenhar um projeto que melhore as condições coletivas de vida e, a partir daí, usar a palavra, o convencimento para fazer valer a vontade da sociedade por uma vida melhor.
A essa atividade de tornar sonhos coletivos em realidade pela via democrática -pela palavra, pelo convencimento- se dá, genericamente, o nome de liderança política. Como prefeito de São Paulo, é nisso que penso ao sair de casa, todos os dias, para trabalhar. Minha missão é transformar sonhos e desejos em ações que ajudem a melhorar a vida da imensa maioria dos paulistanos.
E era isso o que eu estava fazendo quando o destino me pregou uma peça. No último dia 5, fui ao bairro de Pirituba, na zona norte, para inaugurar mais uma AMA, as unidades de assistência médica ambulatorial que estamos implantando. As AMAs são dessas realizações que dão alegria a um homem público. São unidades médicas intermediárias entre os postos de saúde (as UBS) e os hospitais. Têm especialistas, fazem exames e pequenas cirurgias. Foram criadas nesta administração para aliviar o caos dos postos de saúde e hospitais municipais.
Em menos de dois anos, já entregamos 41 AMAs, com a de Pirituba. Juntas, elas atendem mais de meio milhão de paulistanos por mês. O problema do atendimento de saúde no município foi resolvido? Não. Mas avançamos: além das 41 AMAs, já reformamos 194 UBSs e 21 hospitais e prontos-socorros e estamos construindo dois novos hospitais, além do programa Remédio em Casa, da contratação de novos médicos etc.
Foi com esse espírito que fui à inauguração da AMA de Pirituba, convicto de que era mais um passo no árduo trabalho de melhorar a vida dos paulistanos. Visitava a unidade quando fui informado que uma pessoa, o microempresário Kaiser da Silva, se encontrava na recepção protestando contra o projeto Cidade Limpa.
O Cidade Limpa é outra das boas iniciativas que vão melhorar a vida na nossa cidade. Aprovado pela Câmara Municipal, tem o objetivo de diminuir a poluição visual e acabar com a propaganda irregular ao ar livre. Como era de esperar, algumas pessoas foram contra o projeto, pois ele altera condições de sobrevivência econômica de empresas. Não tenho dúvida de que, a curto prazo, pessoas como o sr. Kaiser tiveram prejuízos. Mas o Cidade Limpa tem um mérito inegável: sobrepõe os interesses da maioria ao interesse individual ou de grupos.
São, portanto, dois bons projetos e duas boas realizações: inaugurar AMAs, melhorando o atendimento de saúde, e implantar o Cidade Limpa, diminuindo a poluição visual.
Então, fica a pergunta: como é que duas boas notícias para a cidade descambaram no descontrole do prefeito? Não tem explicação, a não ser no âmbito das imperfeições humanas, das minhas, na esteira das vastas emoções e pensamentos imperfeitos.
Não vou tergiversar, não uso meias-palavras. Errei, me excedi. Perdi a cabeça. Não tenho sangue de barata e reajo, às vezes, como muitos reagiriam. Não tinha o direito de perder a calma, e perdi. Foi um acidente. Mas nada o justifica. Mostrei-me como não sou. No dia seguinte, pedi desculpas. Não tenho problemas em reconhecer um erro. Faço-o novamente agora, por escrito. Peço desculpas ao senhor Kaiser, à cidade e aos brasileiros. Faço-o de coração aberto.
O prefeito de São Paulo vive sob a pressão das demandas de uma metrópole gigantesca, mas necessitada; milionária, mas miserável; pujante, mas carente. Vive sob marcação cerrada de adversários que nem sempre agem com espírito público. Vive sob a angústia dos recursos escassos.
Mas isso é próprio do cargo, como os de controladores de vôo, médicos, bombeiros e outros profissionais que vivem sob pressão. Como prefeito, sou -e serei- sensível às opiniões, cobranças e queixas dos paulistanos.
E agirei como sempre agi (até a escorregada desta semana): com serenidade, ouvindo, argumentando, persuadindo, acreditando no poder da palavra e no trabalho que está sendo feito.
Como prefeito, tirarei do episódio uma lição que, tenham certeza, me ajudará a melhorar nossa cidade e a vida dos cidadãos. Vamos em frente!
"Errei. Não tinha o direito de perder a calma, e perdi. Peço desculpas ao senhor Kaiser, à cidade e aos brasileiros. Faço-o de coração aberto"
POLÍTICA é persuasão, é convencimento. Política é a arte e a ciência de transformar vontade e esforço coletivos em ações em favor do bem comum. Assim, desde sempre, e mesmo numa época e numa sociedade em que a imagem tem supremacia, o principal instrumento da política é a palavra. A palavra que convence, que agrega, que dá rumo e sentido aos desejos da sociedade e os transforma em realizações destinadas a melhorar a vida das pessoas.
Engenheiro e economista por formação, político e administrador público por vontade e vocação, eu acredito na palavra e na persuasão. Acredito no convencimento. Acredito que o papel do político é formar maiorias que permitam à sociedade avançar. E que dêem ao administrador público o as condições para materializar esses avanços. Acredito que a principal tarefa é desenhar um projeto que melhore as condições coletivas de vida e, a partir daí, usar a palavra, o convencimento para fazer valer a vontade da sociedade por uma vida melhor.
A essa atividade de tornar sonhos coletivos em realidade pela via democrática -pela palavra, pelo convencimento- se dá, genericamente, o nome de liderança política. Como prefeito de São Paulo, é nisso que penso ao sair de casa, todos os dias, para trabalhar. Minha missão é transformar sonhos e desejos em ações que ajudem a melhorar a vida da imensa maioria dos paulistanos.
E era isso o que eu estava fazendo quando o destino me pregou uma peça. No último dia 5, fui ao bairro de Pirituba, na zona norte, para inaugurar mais uma AMA, as unidades de assistência médica ambulatorial que estamos implantando. As AMAs são dessas realizações que dão alegria a um homem público. São unidades médicas intermediárias entre os postos de saúde (as UBS) e os hospitais. Têm especialistas, fazem exames e pequenas cirurgias. Foram criadas nesta administração para aliviar o caos dos postos de saúde e hospitais municipais.
Em menos de dois anos, já entregamos 41 AMAs, com a de Pirituba. Juntas, elas atendem mais de meio milhão de paulistanos por mês. O problema do atendimento de saúde no município foi resolvido? Não. Mas avançamos: além das 41 AMAs, já reformamos 194 UBSs e 21 hospitais e prontos-socorros e estamos construindo dois novos hospitais, além do programa Remédio em Casa, da contratação de novos médicos etc.
Foi com esse espírito que fui à inauguração da AMA de Pirituba, convicto de que era mais um passo no árduo trabalho de melhorar a vida dos paulistanos. Visitava a unidade quando fui informado que uma pessoa, o microempresário Kaiser da Silva, se encontrava na recepção protestando contra o projeto Cidade Limpa.
O Cidade Limpa é outra das boas iniciativas que vão melhorar a vida na nossa cidade. Aprovado pela Câmara Municipal, tem o objetivo de diminuir a poluição visual e acabar com a propaganda irregular ao ar livre. Como era de esperar, algumas pessoas foram contra o projeto, pois ele altera condições de sobrevivência econômica de empresas. Não tenho dúvida de que, a curto prazo, pessoas como o sr. Kaiser tiveram prejuízos. Mas o Cidade Limpa tem um mérito inegável: sobrepõe os interesses da maioria ao interesse individual ou de grupos.
São, portanto, dois bons projetos e duas boas realizações: inaugurar AMAs, melhorando o atendimento de saúde, e implantar o Cidade Limpa, diminuindo a poluição visual.
Então, fica a pergunta: como é que duas boas notícias para a cidade descambaram no descontrole do prefeito? Não tem explicação, a não ser no âmbito das imperfeições humanas, das minhas, na esteira das vastas emoções e pensamentos imperfeitos.
Não vou tergiversar, não uso meias-palavras. Errei, me excedi. Perdi a cabeça. Não tenho sangue de barata e reajo, às vezes, como muitos reagiriam. Não tinha o direito de perder a calma, e perdi. Foi um acidente. Mas nada o justifica. Mostrei-me como não sou. No dia seguinte, pedi desculpas. Não tenho problemas em reconhecer um erro. Faço-o novamente agora, por escrito. Peço desculpas ao senhor Kaiser, à cidade e aos brasileiros. Faço-o de coração aberto.
O prefeito de São Paulo vive sob a pressão das demandas de uma metrópole gigantesca, mas necessitada; milionária, mas miserável; pujante, mas carente. Vive sob marcação cerrada de adversários que nem sempre agem com espírito público. Vive sob a angústia dos recursos escassos.
Mas isso é próprio do cargo, como os de controladores de vôo, médicos, bombeiros e outros profissionais que vivem sob pressão. Como prefeito, sou -e serei- sensível às opiniões, cobranças e queixas dos paulistanos.
E agirei como sempre agi (até a escorregada desta semana): com serenidade, ouvindo, argumentando, persuadindo, acreditando no poder da palavra e no trabalho que está sendo feito.
Como prefeito, tirarei do episódio uma lição que, tenham certeza, me ajudará a melhorar nossa cidade e a vida dos cidadãos. Vamos em frente!
Estadão se corrige sobre ‘antiamericanismo’; Veja omite.
O Estado de S.Paulo de hoje cai fora do barco furado que embarcou ao dar como verdadeiros os erros a que fora induzido pela entrevista editorializada do ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur à revista Veja. O jornal comprara gato por lebre, e investiu pesado na denúncia de antiamericanismo e promoções por afinidade ideológica que a revista magnificou. Até editorial rendeu criticando a “agenda embolorada” da política externa.
Mas aconteceu que as denúncias do encerramento melancólico da carreira diplomática de Abdenur seriam desmentidas dias depois com a visita do subsecretário de Estados dos EUA, Nicola Burns. Ele trouxe o assentimento dos EUA à proposta brasileira para que ambos os países investiam juntos, no Brasil e em países pobres da América Latina e da África, num projeto global de produção de etanol que, agora, com a luz de emergência acesa pelo aquecimento global, ganha proporções globais. Brasil e EUA respondem, hoje, por 70% do etanol vendido em todo o mundo.
Ocorre que a tecnologia utilizada pelos EUA é de etanol extraído de grãos, particularmente milho, cuja prioridade é alimentar seres humanos e rebanhos para abate. A demanda por milho combustível poderia estourar as economias de países onde o milho é ingrediente básico da alimentação da população, como é o caso do México, ou de países que dependem da importação de grãos para a segurança alimentar, como é o caso da Argélia e outros países africanos.
O início das negociações para a criação do projeto Brasil-EUA transformam em pó-de-traque as denúncias do triste ex-embaixador.
Em sua edição de hoje, o jornal repara o equívoco ouvindo os dois principais atores desse início de entendimentos – Burns e Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Várias perguntas do jornal a Burns enfocam as “denúncias” de Abdenur. Por assunto, ele disse o seguinte:
DIÁLOGO SUL-SUL
Disse o ex-embaixador à revista:
“Existe um elemento ideológico muito forte presente na política externa brasileira. A idéia do Sul–Sul como eixo preponderante revela um antiamericanismo atrasado.”
(…)
“A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado.”
Diz o subsecretário na entrevista ao Estado:
“Achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, muito cooperativa, muito positiva na América do Sul e na relação Sul-Sul”.
(…)
“Parece que o Brasil está certo em ter uma orientação Sul-Sul porque é hoje um dos grandes líderes do mundo. O Brasil tem apelo para alguns países pobres porque eles vêem que o Brasil teve sucesso. O Brasil tem laços étnicos e de língua com países africanos, além de com países europeus. Então, se o Brasil pode ter uma boa relação Sul-Sul com países da América Latina e da África, é positivo”.
Na entrevista do ministro brasileiro Estado, várias denúncias são desmentidas:
Afinidade ideológica e promoções no Itamaraty
“É leviano afirmar que as promoções no Itamaraty obedeçam a critérios ideológicos. Isso é uma ofensa”.
Antiamericanismo na diplomacia brasileira
“Não há antiamericanismo. Muito pelo contrário. A busca de parceria não é só a discussão em torno de acordos bilaterais como o do etanol, mas a busca de um diálogo sobre o mundo. Se os EUA percebessem uma atitude antiamericana, você acha que isso ocorreria? A melhor resposta está nos fatos.”
(…)
“Os contatos intensos do presidente Lula com o presidente George W. Bush, muitas vezes por nossa iniciativa e muitas vezes por iniciativa deles. Sempre de maneira produtiva e amistosa. Por exemplo, na discussão em torno do biocombustível, temos o interesse comum em criar o mercado global do etanol. Isso foi uma iniciativa brasileira. Temos também trabalhado juntos no Haiti, sobre o qual eles nos ouvem muito. Há uma relação madura e positiva em relação aos temas do continente.”
Já a revista Veja desta semana omite completamente a vinda da missão dos EUA ao Brasil, bem como o projeto comum entre os dois países para a produção de etanol em escala global. Seus leitores são brindados com a reportagem que remete para a suspensão da bibliografia recomendada pelo secretário-geral do Itamaraty na reportagem
“Sururu no Itamaraty
Está suspensa a leitura engajada. Já a política externa…”
Nela, sobre a “doutrinação”, que
“Até a leitura obrigatória, que Amorim mandou suspender diante da entrevista de Abdenur, foi minimizada pelo chanceler. Ele disse que, de três obras obrigatórias (Chutando a Escada, do chinês Ha-Joon Chang, Rio Branco, de Álvaro Lins, e Brasil, Argentina e Estados Unidos – Da Tríplice Aliança ao Mercosul, de Luiz Alberto Moniz Bandeira), apenas a última poderia ter algum viés esquerdista. Ainda assim, Amorim afirmou que decidiu suspender as leituras apenas para evitar o que chamou de “mal-entendidos” explicitados pela entrevista de Abdenur a VEJA”.
No parágrafo abaixo, a revista acrescenta:
A leitura obrigatória de obras alinhadas com a doutrina nacional-terceiro-mundista do chanceler Amorim foi introduzida pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, no início de 2004. A leitura é parte de um cursinho de duas semanas a que Pinheiro Guimarães submete todos os diplomatas que estão sendo transferidos de posto.
O viés ideológico das aulas, apelidadas no Itamaraty de ‘Escolinha do Professor Samuel’, é inequívoco.
O apelido não é do Itamaraty. Em setembro de 2004, a revista trouxe a reportagem “Escolinha do professor Samuel”, cujo alvo era precisamente o secretário-geral do Itamaraty.
Por Alceu Nader, do blog Contrapauta
Mas aconteceu que as denúncias do encerramento melancólico da carreira diplomática de Abdenur seriam desmentidas dias depois com a visita do subsecretário de Estados dos EUA, Nicola Burns. Ele trouxe o assentimento dos EUA à proposta brasileira para que ambos os países investiam juntos, no Brasil e em países pobres da América Latina e da África, num projeto global de produção de etanol que, agora, com a luz de emergência acesa pelo aquecimento global, ganha proporções globais. Brasil e EUA respondem, hoje, por 70% do etanol vendido em todo o mundo.
Ocorre que a tecnologia utilizada pelos EUA é de etanol extraído de grãos, particularmente milho, cuja prioridade é alimentar seres humanos e rebanhos para abate. A demanda por milho combustível poderia estourar as economias de países onde o milho é ingrediente básico da alimentação da população, como é o caso do México, ou de países que dependem da importação de grãos para a segurança alimentar, como é o caso da Argélia e outros países africanos.
O início das negociações para a criação do projeto Brasil-EUA transformam em pó-de-traque as denúncias do triste ex-embaixador.
Em sua edição de hoje, o jornal repara o equívoco ouvindo os dois principais atores desse início de entendimentos – Burns e Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil.
Várias perguntas do jornal a Burns enfocam as “denúncias” de Abdenur. Por assunto, ele disse o seguinte:
DIÁLOGO SUL-SUL
Disse o ex-embaixador à revista:
“Existe um elemento ideológico muito forte presente na política externa brasileira. A idéia do Sul–Sul como eixo preponderante revela um antiamericanismo atrasado.”
(…)
“A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado.”
Diz o subsecretário na entrevista ao Estado:
“Achamos que o Brasil está seguindo uma agenda muito responsável, muito cooperativa, muito positiva na América do Sul e na relação Sul-Sul”.
(…)
“Parece que o Brasil está certo em ter uma orientação Sul-Sul porque é hoje um dos grandes líderes do mundo. O Brasil tem apelo para alguns países pobres porque eles vêem que o Brasil teve sucesso. O Brasil tem laços étnicos e de língua com países africanos, além de com países europeus. Então, se o Brasil pode ter uma boa relação Sul-Sul com países da América Latina e da África, é positivo”.
Na entrevista do ministro brasileiro Estado, várias denúncias são desmentidas:
Afinidade ideológica e promoções no Itamaraty
“É leviano afirmar que as promoções no Itamaraty obedeçam a critérios ideológicos. Isso é uma ofensa”.
Antiamericanismo na diplomacia brasileira
“Não há antiamericanismo. Muito pelo contrário. A busca de parceria não é só a discussão em torno de acordos bilaterais como o do etanol, mas a busca de um diálogo sobre o mundo. Se os EUA percebessem uma atitude antiamericana, você acha que isso ocorreria? A melhor resposta está nos fatos.”
(…)
“Os contatos intensos do presidente Lula com o presidente George W. Bush, muitas vezes por nossa iniciativa e muitas vezes por iniciativa deles. Sempre de maneira produtiva e amistosa. Por exemplo, na discussão em torno do biocombustível, temos o interesse comum em criar o mercado global do etanol. Isso foi uma iniciativa brasileira. Temos também trabalhado juntos no Haiti, sobre o qual eles nos ouvem muito. Há uma relação madura e positiva em relação aos temas do continente.”
Já a revista Veja desta semana omite completamente a vinda da missão dos EUA ao Brasil, bem como o projeto comum entre os dois países para a produção de etanol em escala global. Seus leitores são brindados com a reportagem que remete para a suspensão da bibliografia recomendada pelo secretário-geral do Itamaraty na reportagem
“Sururu no Itamaraty
Está suspensa a leitura engajada. Já a política externa…”
Nela, sobre a “doutrinação”, que
“Até a leitura obrigatória, que Amorim mandou suspender diante da entrevista de Abdenur, foi minimizada pelo chanceler. Ele disse que, de três obras obrigatórias (Chutando a Escada, do chinês Ha-Joon Chang, Rio Branco, de Álvaro Lins, e Brasil, Argentina e Estados Unidos – Da Tríplice Aliança ao Mercosul, de Luiz Alberto Moniz Bandeira), apenas a última poderia ter algum viés esquerdista. Ainda assim, Amorim afirmou que decidiu suspender as leituras apenas para evitar o que chamou de “mal-entendidos” explicitados pela entrevista de Abdenur a VEJA”.
No parágrafo abaixo, a revista acrescenta:
A leitura obrigatória de obras alinhadas com a doutrina nacional-terceiro-mundista do chanceler Amorim foi introduzida pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, no início de 2004. A leitura é parte de um cursinho de duas semanas a que Pinheiro Guimarães submete todos os diplomatas que estão sendo transferidos de posto.
O viés ideológico das aulas, apelidadas no Itamaraty de ‘Escolinha do Professor Samuel’, é inequívoco.
O apelido não é do Itamaraty. Em setembro de 2004, a revista trouxe a reportagem “Escolinha do professor Samuel”, cujo alvo era precisamente o secretário-geral do Itamaraty.
Por Alceu Nader, do blog Contrapauta
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O debate sobre a anistia a José Dirceu
Confusões importantes e muitas vezes sacanas vêm sendo feitas no debate sobre a possível anistia a José Dirceu. Como o cara é muito articulado, não serei eu quem vai apontar os argumentos sofísticos e as inverdades que um certo setor da mídia e seus porta-vozes têm se utilizado. Neste domingo, 11 de fevereiro, leio este texto de José Dirceu e fico cada vez mais ao lado dele na denúncia da má-fe que move muitos de seus críticos - muitos dos quais ajudaram a criar o mito do mensalão, dando ouvidos, ainda que seletivamente, às denúncias de Roberto Jefferson. O mesmo que confessou ser a lista de Furnas verdadeira no que tange a ele e ao dinheiro que ali estava indicado como sendo pra ele. Mas a nossa mídia, neste caso, fez ouvidos moucos, pois a tal lista incluía também a mais fina flor do tucanato e do pefelismo.
Por José Dirceu
Continua o debate democrático sobre minha anistia. Hoje no Estadão (só para assinantes) dois artigos - um de Gaudêncio Torquato, "Anistia requer nervos de aço"; outro de Fábio Ulhoa Coelho, "O julgamento do julgamento". Recomendo a leitura, mas faço, com a devida vênia, alguns reparos e comentários.
Há uma tentativa dos articulistas de vincularem minha anistia à de Roberto Jefferson. Mas é preciso destacar que o ex-deputado do PTB é réu confesso. Não é o meu caso. Isso pode não contar legalmente para a anistia, mas é importante para a legitimidade e justiça do pedido de anistia dos que me apóiam.
Os dois articulistas também insistem na tese de que a anistia beneficiará os outros denunciados pelo Procurador Geral da Republica. Não vejo como. Eles sequer foram processados. Na verdade, os articulistas estão fazendo um pré-julgamento. O que é imperdoável, no caso de um advogado.
Não vejo nenhuma relação entre a anistia e o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Aliás, pelos mesmos argumentos que Fábio Ulhoa desfila ao definir o que é anistia.
Quero reparar erros factuais. Como, por exemplo, a afirmação de Fábio Ulhoa de que somente eu e Roberto Jefferson fomos cassados. Não é fato. Pedro Correa também foi cassado. Ou, a afirmação de Gaudêncio Torquato de que eu era fiador de um suposto esquema do mensalão (não comprovado até hoje. Aliás, Roberto Jefferson, segundo o relatório da Comissão de Ética, foi cassado exatamente por não provar a existência do mensalão e por ter quebrado o decoro com tal acusação) e o ex-deputado do PTB beneficiário desse esquema. Salta à vista o absurdo da afirmação, já que Roberto Jefferson se apresentou denunciando o suposto esquema, não como beneficiado por ele. Jefferson sempre afirmou que não aceitou e não aceitaria participar desse suposto esquema. Que, reitero, nunca existiu.
Além disso, nada ficou comprovado pelas CPIs do Mensalão e dos Correios, que nos denunciaram, mas cujo objeto sequer era o chamado mensalão, mas sim as denúncias de corrupção nos Correios.
Afirmar que a anistia, se concedida a mim, seria automaticamente benéfica para todos os acusados, é desconhecer que o que está sendo anistiado é a inelegibilidade por oito anos. Não os supostos ilícitos que cada denunciado teria praticado, segundo o Procurador Geral da República.
Já que, como os próprios articulistas reconhecem, nós não perdemos os direitos políticos. O que só acontecerá a todo denunciado, se condenado pelo STF. Vale lembrar que apenas 6 dos denunciados são parlamentares. Ou seja, perderiam o mandato e os direitos políticos. Pena que atingiria todos condenados pela suprema corte.
É preciso informar corretamente os leitores e leitoras dos jornais que a anistia não tem nenhuma relação com a denúncia no STF. Que, se aceita, todo aquele que for condenado perderá os direitos políticos e, portanto, a elegibilidade.
Seria mais honesto apenas se opor à anistia, sem falsos argumentos jurídicos e informações incorretas. Mas aí, já é pedir demais. Vamos ao debate.
Por José Dirceu
Continua o debate democrático sobre minha anistia. Hoje no Estadão (só para assinantes) dois artigos - um de Gaudêncio Torquato, "Anistia requer nervos de aço"; outro de Fábio Ulhoa Coelho, "O julgamento do julgamento". Recomendo a leitura, mas faço, com a devida vênia, alguns reparos e comentários.
Há uma tentativa dos articulistas de vincularem minha anistia à de Roberto Jefferson. Mas é preciso destacar que o ex-deputado do PTB é réu confesso. Não é o meu caso. Isso pode não contar legalmente para a anistia, mas é importante para a legitimidade e justiça do pedido de anistia dos que me apóiam.
Os dois articulistas também insistem na tese de que a anistia beneficiará os outros denunciados pelo Procurador Geral da Republica. Não vejo como. Eles sequer foram processados. Na verdade, os articulistas estão fazendo um pré-julgamento. O que é imperdoável, no caso de um advogado.
Não vejo nenhuma relação entre a anistia e o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Aliás, pelos mesmos argumentos que Fábio Ulhoa desfila ao definir o que é anistia.
Quero reparar erros factuais. Como, por exemplo, a afirmação de Fábio Ulhoa de que somente eu e Roberto Jefferson fomos cassados. Não é fato. Pedro Correa também foi cassado. Ou, a afirmação de Gaudêncio Torquato de que eu era fiador de um suposto esquema do mensalão (não comprovado até hoje. Aliás, Roberto Jefferson, segundo o relatório da Comissão de Ética, foi cassado exatamente por não provar a existência do mensalão e por ter quebrado o decoro com tal acusação) e o ex-deputado do PTB beneficiário desse esquema. Salta à vista o absurdo da afirmação, já que Roberto Jefferson se apresentou denunciando o suposto esquema, não como beneficiado por ele. Jefferson sempre afirmou que não aceitou e não aceitaria participar desse suposto esquema. Que, reitero, nunca existiu.
Além disso, nada ficou comprovado pelas CPIs do Mensalão e dos Correios, que nos denunciaram, mas cujo objeto sequer era o chamado mensalão, mas sim as denúncias de corrupção nos Correios.
Afirmar que a anistia, se concedida a mim, seria automaticamente benéfica para todos os acusados, é desconhecer que o que está sendo anistiado é a inelegibilidade por oito anos. Não os supostos ilícitos que cada denunciado teria praticado, segundo o Procurador Geral da República.
Já que, como os próprios articulistas reconhecem, nós não perdemos os direitos políticos. O que só acontecerá a todo denunciado, se condenado pelo STF. Vale lembrar que apenas 6 dos denunciados são parlamentares. Ou seja, perderiam o mandato e os direitos políticos. Pena que atingiria todos condenados pela suprema corte.
É preciso informar corretamente os leitores e leitoras dos jornais que a anistia não tem nenhuma relação com a denúncia no STF. Que, se aceita, todo aquele que for condenado perderá os direitos políticos e, portanto, a elegibilidade.
Seria mais honesto apenas se opor à anistia, sem falsos argumentos jurídicos e informações incorretas. Mas aí, já é pedir demais. Vamos ao debate.
Revista Época terá que indenizar bispos da Renascer
Notícia deste tipo é de uma raridade tamanha no Brasil que resolvemos publicar aqui. Não que tenhamos qualquer simpatia pelos famosos bispo e bispa da Igreja Renascer, mas porque se trata da condenação de um importante veículo por causa de abuso na utilização da liberdade de imprensa. Imaginem se a punição imposta à Editora Globo se torna mais comum. Imaginem se a Veja começar a pagar pelas calúnias que publica?
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que condenou a Editora Globo a pagar indenização por dano moral de R$ 410,6 mil ao casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, foi mantida. O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Peçanha Martins, negou nesta segunda-feira pedido de liminar para que a execução da sentença fosse suspensa.
A ação, ajuizada em 2002, diz respeito a matérias publicada pela revista Época. O casal alega que foi atingido em sua honra pelo conteúdo de reportagens publicadas nas edições de números 209 e 210. Com a medida cautelar, a Editora Globo pretendia suspender o pagamento da multa até o julgamento definitivo do recurso.
Intimada a pagar a indenização no prazo de 15 dias, sob o risco de multa de 10% por inadimplência, a Editora Globo recorreu ao STJ alegando que será submetida a riscos de "danos irreparáveis" caso efetue o pagamento e o TJ-SP mude de decisão posteriormente. A empresa sustentou ainda o interesse público da matéria, uma vez que seus repórteres apenas exerceram a "crítica inspirada pelo interesse público" e legalmente prevista na Lei de Imprensa.
Ao negar o pedido de liminar, o ministro Peçanha Martins ressaltou que o efeito suspensivo em recurso especial só é concedido em "casos excepcionalíssimos, quando manifestadamente contaminados por flagrante ilegalidade ou para evitar dano irreparável".
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que condenou a Editora Globo a pagar indenização por dano moral de R$ 410,6 mil ao casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, foi mantida. O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Peçanha Martins, negou nesta segunda-feira pedido de liminar para que a execução da sentença fosse suspensa.
A ação, ajuizada em 2002, diz respeito a matérias publicada pela revista Época. O casal alega que foi atingido em sua honra pelo conteúdo de reportagens publicadas nas edições de números 209 e 210. Com a medida cautelar, a Editora Globo pretendia suspender o pagamento da multa até o julgamento definitivo do recurso.
Intimada a pagar a indenização no prazo de 15 dias, sob o risco de multa de 10% por inadimplência, a Editora Globo recorreu ao STJ alegando que será submetida a riscos de "danos irreparáveis" caso efetue o pagamento e o TJ-SP mude de decisão posteriormente. A empresa sustentou ainda o interesse público da matéria, uma vez que seus repórteres apenas exerceram a "crítica inspirada pelo interesse público" e legalmente prevista na Lei de Imprensa.
Ao negar o pedido de liminar, o ministro Peçanha Martins ressaltou que o efeito suspensivo em recurso especial só é concedido em "casos excepcionalíssimos, quando manifestadamente contaminados por flagrante ilegalidade ou para evitar dano irreparável".
sábado, fevereiro 10, 2007
O silêncio de Serra e da imprensa
O acidente na estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, que assustou os paulistanos, aconteceu há 23 dias. E até hoje, esperamos uma manifestação convincente do governador de São Paulo, José Serra, sobre as medidas que serão tomadas para apurar as responsabilidades e punir os culpados. A tentativa de instalar uma CPI na Assembléia Legislativa sobre o Metrô de São Paulo não anda porque os tucanos não deixam.
Até hoje, como disse Paulo Henrique Amorim, em seu blog Conversa Afiada, Serra foi incapaz de dizer ao povo de São Paulo, que o elegeu no primeiro turno, o que pretende fazer da obra, quais são as medidas de segurança adicionais, qual a responsabilidade do ex-governador Geraldo Alckmin, que medidas tomará, em defesa do povo de São Paulo e de seu patrimônio.
No mesmo texto, Paulo Henrique Amorim registra que o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, também criticou, numa aula inaugural na Universidade Mackenzie, o silêncio do governador: “Serra não fala com o povo nem com a imprensa. O tucano deixa de aparecer quando surgem problemas”, disse Lembo.
Na verdade, Serra não fala com a imprensa, e a imprensa não fala com Serra sobre questões espinhosas, como essa, porque o protege. Nesse caso, o silêncio não é só de Serra. É também da mídia que não fez nenhum esforço para apurar o que efetivamente aconteceu na estação Pinheiros e quem são os responsáveis.
Os paulistanos continuam esperando que Serra venha a público para dizer o que foi feito e o que pretende fazer com as obras do Metrô de São Paulo.
Por José Dirceu
Até hoje, como disse Paulo Henrique Amorim, em seu blog Conversa Afiada, Serra foi incapaz de dizer ao povo de São Paulo, que o elegeu no primeiro turno, o que pretende fazer da obra, quais são as medidas de segurança adicionais, qual a responsabilidade do ex-governador Geraldo Alckmin, que medidas tomará, em defesa do povo de São Paulo e de seu patrimônio.
No mesmo texto, Paulo Henrique Amorim registra que o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, também criticou, numa aula inaugural na Universidade Mackenzie, o silêncio do governador: “Serra não fala com o povo nem com a imprensa. O tucano deixa de aparecer quando surgem problemas”, disse Lembo.
Na verdade, Serra não fala com a imprensa, e a imprensa não fala com Serra sobre questões espinhosas, como essa, porque o protege. Nesse caso, o silêncio não é só de Serra. É também da mídia que não fez nenhum esforço para apurar o que efetivamente aconteceu na estação Pinheiros e quem são os responsáveis.
Os paulistanos continuam esperando que Serra venha a público para dizer o que foi feito e o que pretende fazer com as obras do Metrô de São Paulo.
Por José Dirceu
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
EUA desprezam noticiário e convidam Brasil para projeto estratégico na América Latina
Alceu Nader, 8 de Fevereiro de 2007 - Blog Contrpauta
Jornais que apostaram na criação de crise, a partir de entrevista publicada na revista Veja, ficam sem ter o quê dizer sobre iniciativa norte-americana
Ontem, editorial do O Estado de S.Paulo condenava:
"As aventuras da nova diplomacia brasileira, vagamente antiamericana, antiglobalização e comprometida com uma embolorada agenda do passado, foram denunciadas com grande elegância pelo embaixador Roberto Abdenur numa entrevista publicada pela revista Veja”.
Hoje, o jornal traz como manchete principal que: “EUA querem novo papel do Brasil na AL”. Na verdade, o “novo papel” é a oferta ao Brasil de coordenar, junto com os EUA, um projeto continental de expansão da produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar. Dando certo, os países pobres da América Latina que não têm reservas de gás ou petróleo (leia-se a Bolívia, de Evo Morales, e a Venezuela, de Hugo Chávez) teriam nova fonte para combater a pobreza. De quebra, tornaria dispensável a ajuda que Chávez vem oferecendo aos países latino-americanos.
A curva para a direção contrária ao noticiário dos últimos dias deixa, de inicio, várias dúvidas:
Como pode ser que o país mais poderoso do mundo não tenha lido na isenta imprensa brasileira que, na verdade, o governo Lula alimenta hostilidades contra os EUA?
Como pode, por cima de tudo, querer como sócio esse insidioso governo para um projeto estratégico de produção de etanol de proporção continental?
Outra integrante do primeiro escalão do governo dos EUA, a secretária de Estado Condoleezza Rice, também não deve estar a par das denúncias da nossa imprensa. Segundo informam todos os jornais de hoje, ela desembarcará em breve no Brasil para acertar detalhes do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush.
Outra dúvida: Bush quer se encontrar com Lula para cobrar pessoalmente as razões do nefasto trabalho do Itamaraty?
Para não dar por nulo tudo que publicou nos três últimos dias, na mesma página em que traz o desmentido ao seu noticiário, o Estado usa o senador Jefferson Peres (PDT-AM), mostrando-o indignado com a “doutrinação ideológica” que corre solta no Itamaraty. A reportagem também informa que o ex-embaixador Roberto Abdenur foi convidado a comparecer no Senado na próxima terça-feira, para explicar suas denúncias na revista Veja. O convite atende ao requerimento apresentado pelo ilibado, quase beato, senador Eduardo Azeredo (PDSD-MG).
Outra pergunta se apresenta: O requerimento de Azeredo seria retribuição à solidariedade da maioria dos grandes jornais e revistas durante a apuração das origens do valerioduto?
A Folha de S.Paulo, que não embarcou na mesma canoa furada do Estado e do Globo (este, por obra da colunista Miriam Leitão), acrescenta que o requerimento foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores, chefiada por outro senador acima de qualquer suspeita, o ilibado Heráclito Pontes (PFL-PI).
Deve-se à Folha, mais precisamente ao repórter e comentarista Clóvis Rossi, a aproximação dos fatos noticiados com a realidade. Ontem, Rossi apontou as contradições do discurso de Abdenur na entrevista. Hoje, ele entrevista o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e revela quais são os perigosos autores da bibliografia que o secretário-geral do Itamaraty, vice-chanceler Samuel Pinheiro Guimarães, tentou ao Itamaraty:
"Amorim cita alguns dos livros recomendados por seu secretário-geral como prova de que não há um viés ideológico no método.
Um dos livros é do embaixador Álvaro Lins e trata do Barão do Rio Branco, o patrono da diplomacia brasileira. Nada tem, portanto, de esquerdista ou de texto de um simpatizante do atual governo (Álvaro Lins morreu em 1975).
Outro dos livros recomendados é “Chutando a Escada”, do acadêmico chinês Ha-Joon Chang, hoje na Cambridge University, do Reino Unido, que não é exatamente um templo esquerdista. A “escada” do título são ações protecionistas adotadas pelos países hoje ricos, na escalada para a riqueza, mas que, agora, “chutam” para impedir que os países em desenvolvimento as utilizem.
Amorim acha que o ruído despertado pelas recomendações de Guimarães se deve a um livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira, professor emérito da Universidade de Brasília, o único dos recomendados que teria um viés esquerdista.
(…)
O Itamaraty adota indicações de leitura em todas as etapas do curso de preparação para a carreira diplomática, desde o Instituto Rio Branco até o curso de Altos Estudos, uma espécie de segundo vestibular, indispensável para ascender na hierarquia. Por isso, recomendações fora da estrutura dos cursos são contraproducentes.
Na reportagem, o ministro ainda apresenta a nomeação de vários embaixadores ligados ao governo de FHC para desmentir a denúncia de privilégios aos que têm a mesma afinidade ideológica.
O Estado também traz entrevista com Amorim, mas não traz palavra sobre os esclarecimentos publicados pela Folha:
Ao falar com a imprensa, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu em defesa da maneira como o atual governo conduz sua política externa. “Vocês falam muito nisso”, disse aos jornalistas. “Não sei se estão impressionados com entrevistas recentes, mas o diálogo Brasil-Estados Unidos é o melhor possível. O presidente Lula fala com o presidente Bush com relativa freqüência. Meu diálogo com a Condoleezza Rice e os diálogos em variados níveis não podiam ser melhores”, reagiu.
E amanhã, o que trarão os jornais que apostaram na geração da crise no Itamaraty a partir da entrevista na Veja? Vão se desculpar pela má informação aos seus leitores ou dirão que, infelizmente, o governo dos EUA não põe fé na imprensa brasileira?
Jornais que apostaram na criação de crise, a partir de entrevista publicada na revista Veja, ficam sem ter o quê dizer sobre iniciativa norte-americana
Ontem, editorial do O Estado de S.Paulo condenava:
"As aventuras da nova diplomacia brasileira, vagamente antiamericana, antiglobalização e comprometida com uma embolorada agenda do passado, foram denunciadas com grande elegância pelo embaixador Roberto Abdenur numa entrevista publicada pela revista Veja”.
Hoje, o jornal traz como manchete principal que: “EUA querem novo papel do Brasil na AL”. Na verdade, o “novo papel” é a oferta ao Brasil de coordenar, junto com os EUA, um projeto continental de expansão da produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar. Dando certo, os países pobres da América Latina que não têm reservas de gás ou petróleo (leia-se a Bolívia, de Evo Morales, e a Venezuela, de Hugo Chávez) teriam nova fonte para combater a pobreza. De quebra, tornaria dispensável a ajuda que Chávez vem oferecendo aos países latino-americanos.
A curva para a direção contrária ao noticiário dos últimos dias deixa, de inicio, várias dúvidas:
Como pode ser que o país mais poderoso do mundo não tenha lido na isenta imprensa brasileira que, na verdade, o governo Lula alimenta hostilidades contra os EUA?
Como pode, por cima de tudo, querer como sócio esse insidioso governo para um projeto estratégico de produção de etanol de proporção continental?
Outra integrante do primeiro escalão do governo dos EUA, a secretária de Estado Condoleezza Rice, também não deve estar a par das denúncias da nossa imprensa. Segundo informam todos os jornais de hoje, ela desembarcará em breve no Brasil para acertar detalhes do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush.
Outra dúvida: Bush quer se encontrar com Lula para cobrar pessoalmente as razões do nefasto trabalho do Itamaraty?
Para não dar por nulo tudo que publicou nos três últimos dias, na mesma página em que traz o desmentido ao seu noticiário, o Estado usa o senador Jefferson Peres (PDT-AM), mostrando-o indignado com a “doutrinação ideológica” que corre solta no Itamaraty. A reportagem também informa que o ex-embaixador Roberto Abdenur foi convidado a comparecer no Senado na próxima terça-feira, para explicar suas denúncias na revista Veja. O convite atende ao requerimento apresentado pelo ilibado, quase beato, senador Eduardo Azeredo (PDSD-MG).
Outra pergunta se apresenta: O requerimento de Azeredo seria retribuição à solidariedade da maioria dos grandes jornais e revistas durante a apuração das origens do valerioduto?
A Folha de S.Paulo, que não embarcou na mesma canoa furada do Estado e do Globo (este, por obra da colunista Miriam Leitão), acrescenta que o requerimento foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores, chefiada por outro senador acima de qualquer suspeita, o ilibado Heráclito Pontes (PFL-PI).
Deve-se à Folha, mais precisamente ao repórter e comentarista Clóvis Rossi, a aproximação dos fatos noticiados com a realidade. Ontem, Rossi apontou as contradições do discurso de Abdenur na entrevista. Hoje, ele entrevista o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e revela quais são os perigosos autores da bibliografia que o secretário-geral do Itamaraty, vice-chanceler Samuel Pinheiro Guimarães, tentou ao Itamaraty:
"Amorim cita alguns dos livros recomendados por seu secretário-geral como prova de que não há um viés ideológico no método.
Um dos livros é do embaixador Álvaro Lins e trata do Barão do Rio Branco, o patrono da diplomacia brasileira. Nada tem, portanto, de esquerdista ou de texto de um simpatizante do atual governo (Álvaro Lins morreu em 1975).
Outro dos livros recomendados é “Chutando a Escada”, do acadêmico chinês Ha-Joon Chang, hoje na Cambridge University, do Reino Unido, que não é exatamente um templo esquerdista. A “escada” do título são ações protecionistas adotadas pelos países hoje ricos, na escalada para a riqueza, mas que, agora, “chutam” para impedir que os países em desenvolvimento as utilizem.
Amorim acha que o ruído despertado pelas recomendações de Guimarães se deve a um livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira, professor emérito da Universidade de Brasília, o único dos recomendados que teria um viés esquerdista.
(…)
O Itamaraty adota indicações de leitura em todas as etapas do curso de preparação para a carreira diplomática, desde o Instituto Rio Branco até o curso de Altos Estudos, uma espécie de segundo vestibular, indispensável para ascender na hierarquia. Por isso, recomendações fora da estrutura dos cursos são contraproducentes.
Na reportagem, o ministro ainda apresenta a nomeação de vários embaixadores ligados ao governo de FHC para desmentir a denúncia de privilégios aos que têm a mesma afinidade ideológica.
O Estado também traz entrevista com Amorim, mas não traz palavra sobre os esclarecimentos publicados pela Folha:
Ao falar com a imprensa, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu em defesa da maneira como o atual governo conduz sua política externa. “Vocês falam muito nisso”, disse aos jornalistas. “Não sei se estão impressionados com entrevistas recentes, mas o diálogo Brasil-Estados Unidos é o melhor possível. O presidente Lula fala com o presidente Bush com relativa freqüência. Meu diálogo com a Condoleezza Rice e os diálogos em variados níveis não podiam ser melhores”, reagiu.
E amanhã, o que trarão os jornais que apostaram na geração da crise no Itamaraty a partir da entrevista na Veja? Vão se desculpar pela má informação aos seus leitores ou dirão que, infelizmente, o governo dos EUA não põe fé na imprensa brasileira?
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quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Quem adere ao PT diz: "oPTei". E quem aderir ao novo PD, dirá o quê?
É verdade que, para muitos, não cheira muito bem a mudança de nome do PFL. É até possível entender que a medida é produto de um movimento que vem se acumulando desde as entranhas do partido, que não conseguiu segurar a vontade de se renovar, de fechar um ciclo, expelindo aquela imagem excessivamente identificada com os setores mais putrefatos da política brasileira, como Herr Bornhausen e o Coroné Malvadeza.
É possível ainda que a mudança possa desfraldar um novo horizonte político para os membros da legenda, sempre dispostos a levar para a vida pública tudo aquilo que fazem na privada. É plausível até que o eleitorado possa digerir bem a mudança, com toda a sua fé - em alguns casos, fé de mais, em outros, fé de menos - mas sempre confiantes de que os próceres do partido e as lideranças que estão emergindo manterão com toda a força a doutrina liberal como norte de sua atuação.
Não resta dúvidas, entretanto, de que o partido continuará apertado se não satisfizer, o mais rapidamente possível, sua urgente necessidade de alívio no próximo pleito eleitoral, fazendo isso mesmo que seja à custa de interesses fisiológicos.
POr fim, que fique o alerta para que o novo PD evite ser pisado pelos adversários logo na entrada desse novo tempo. Tampouco fique boiando, sem entender o dinamismo inigualável da política nacional, oferecendo ao país uma renovada descarga de civismo e tradição.
É possível ainda que a mudança possa desfraldar um novo horizonte político para os membros da legenda, sempre dispostos a levar para a vida pública tudo aquilo que fazem na privada. É plausível até que o eleitorado possa digerir bem a mudança, com toda a sua fé - em alguns casos, fé de mais, em outros, fé de menos - mas sempre confiantes de que os próceres do partido e as lideranças que estão emergindo manterão com toda a força a doutrina liberal como norte de sua atuação.
Não resta dúvidas, entretanto, de que o partido continuará apertado se não satisfizer, o mais rapidamente possível, sua urgente necessidade de alívio no próximo pleito eleitoral, fazendo isso mesmo que seja à custa de interesses fisiológicos.
POr fim, que fique o alerta para que o novo PD evite ser pisado pelos adversários logo na entrada desse novo tempo. Tampouco fique boiando, sem entender o dinamismo inigualável da política nacional, oferecendo ao país uma renovada descarga de civismo e tradição.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Aécio nega acordo para vitória de Chinaglia na Câmara
Não sei o que é pior: negar o inegável ou contar com a ajuda do PSDB para eleger o presidente da Câmara. Uma coisa é certa: esse Aécio é uma raposa. Fica esperto, Pimentel, se não ele vai te engolir!
da Folha Online
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que não houve um acordo entre o PSDB e o PT para eleger o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) presidente da Câmara.
"Não [houve acordo]. Houve um entendimento no segundo turno, já que foi logo em seguida do primeiro, e uma parcela do PSDB deve ter votado em relação ao Chinaglia. Mas, como eu disse, essa era uma eleição entre dois candidatos da base de governo. Se me perguntassem, eu diria que preferiria outro resultado. Eu preferiria que o Gustavo Fruet [PSDB-PR] pudesse ter ganho a eleição."
Para Aécio, a disputa foi entre dois importantes candidatos da base de sustentação do governo --Chinaglia e Aldo Rebelo (PC do B-SP). "Nunca foi uma disputa nossa, do PSDB. O que nós devemos agora é ter uma estratégia com outros partidos da oposição. Eu conversei hoje com o até então líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, que veio para um almoço conosco hoje em Belo Horizonte, sobre a estratégia de termos uma ação efetiva, mais próxima durante esses próximos anos no Congresso Nacional."
O tucano disse ainda esperar que Chinaglia compreenda que quando se assume a Câmara, "a mais importante da democracia brasileira", é preciso ser presidente da instituição e não apenas um aliado do governo. "Essa é a expectativa que nós da oposição temos."
PAC
Questionado sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o governador de Minas admitiu que o pacote tem aspectos positivos.
"O PAC tem vários aspectos positivos. E o próprio clima que gera de que o Estado vai retomar o processo de crescimento é importante. Mas nós temos de agir com responsabilidade no sentido de propor novas medidas, de propor correções de rumo para que ele não seja um investimento só do governo federal, mas de toda a sociedade brasileira."
da Folha Online
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que não houve um acordo entre o PSDB e o PT para eleger o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) presidente da Câmara.
"Não [houve acordo]. Houve um entendimento no segundo turno, já que foi logo em seguida do primeiro, e uma parcela do PSDB deve ter votado em relação ao Chinaglia. Mas, como eu disse, essa era uma eleição entre dois candidatos da base de governo. Se me perguntassem, eu diria que preferiria outro resultado. Eu preferiria que o Gustavo Fruet [PSDB-PR] pudesse ter ganho a eleição."
Para Aécio, a disputa foi entre dois importantes candidatos da base de sustentação do governo --Chinaglia e Aldo Rebelo (PC do B-SP). "Nunca foi uma disputa nossa, do PSDB. O que nós devemos agora é ter uma estratégia com outros partidos da oposição. Eu conversei hoje com o até então líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, que veio para um almoço conosco hoje em Belo Horizonte, sobre a estratégia de termos uma ação efetiva, mais próxima durante esses próximos anos no Congresso Nacional."
O tucano disse ainda esperar que Chinaglia compreenda que quando se assume a Câmara, "a mais importante da democracia brasileira", é preciso ser presidente da instituição e não apenas um aliado do governo. "Essa é a expectativa que nós da oposição temos."
PAC
Questionado sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o governador de Minas admitiu que o pacote tem aspectos positivos.
"O PAC tem vários aspectos positivos. E o próprio clima que gera de que o Estado vai retomar o processo de crescimento é importante. Mas nós temos de agir com responsabilidade no sentido de propor novas medidas, de propor correções de rumo para que ele não seja um investimento só do governo federal, mas de toda a sociedade brasileira."
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Suicídio de países
Por Luis Nassif
Ano de 2002. O presidente do Banco Central Armínio Fraga me telefona, para reclamar de coluna em que apontei erros graves na condução da política monetária em 2002. A conversa envereda para a Argentina, poucas semanas antes de explodir o Plano Cavallo:
Diz Armínio:
- A Argentina resolverá seus problemas rapidamente com a dolarização.
- Dolarizar nesse nível de paridade cambial significará liquidar com toda a indústria argentina.
- Eles têm bom nível educacional. Terão que se conformar em serem exportadores de grãos e carne, e produtores de serviços.
- Você já combinou isso com eles?
Moral da história: apesar de todas as acusações de onda populista na América Latina, apesar de todas as desqualificações contra os políticos, é a política que têm impedido países de se suicidarem.
Ano de 2002. O presidente do Banco Central Armínio Fraga me telefona, para reclamar de coluna em que apontei erros graves na condução da política monetária em 2002. A conversa envereda para a Argentina, poucas semanas antes de explodir o Plano Cavallo:
Diz Armínio:
- A Argentina resolverá seus problemas rapidamente com a dolarização.
- Dolarizar nesse nível de paridade cambial significará liquidar com toda a indústria argentina.
- Eles têm bom nível educacional. Terão que se conformar em serem exportadores de grãos e carne, e produtores de serviços.
- Você já combinou isso com eles?
Moral da história: apesar de todas as acusações de onda populista na América Latina, apesar de todas as desqualificações contra os políticos, é a política que têm impedido países de se suicidarem.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Serra, acredite, eleva imposto sobre produtos da cesta básica em São Paulo
Essa é de doer. Mas podem esperar que o tucanato vai defender a medida. "É por causa do Requião, no Paraná, e da guerra fiscal que ele promove. É a defesa do produtor paulista".
Querem apostar?
Folha Online
Comer um prato feito no Estado vai ficar mais caro em 30 dias. Esse é o prazo estimado por especialistas para que um aumento de imposto decretado pelo governo paulista comece a afetar o preço de pelo menos 17 produtos. Dentre eles, arroz, feijão, pão francês, lingüiça e ovo.
O decreto, da semana passada, eleva para 18% a alíquota de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrada sobre diversos itens que compõem a cesta básica ou bastante consumidos, como arroz, farinha de mandioca, feijão, pão francês, ovo, lingüiça, mortadela, salsicha, vinagre.
Até então, esses produtos eram beneficiados por uma alíquota de 7%. A regra estava prevista no regulamento do ICMS, publicado em 2000.
A cobrança de um imposto menor de certos tipos de produtos obedece a uma regra constitucional, segundo o advogado Anis Kfouri.
"A Constituição determina que as mercadorias mais essenciais devem ter alíquota menor", afirma o advogado. Além dos alimentos, a medida revogada beneficiava também os preservativos.
A redução no imposto tem o objetivo de fazer com que esses produtos cheguem mais baratos ao consumidor final.
Já aos itens considerados mais supérfluos, como um carro de valor mais elevado, é aplicada uma taxa maior, acima dos 18% _a taxa-padrão.
"Embora o imposto seja recolhido pelo empresário, é o cidadão que paga. Por isso, o aumento deve chegar ao consumidor", diz Kfouri.
A opinião é semelhante à do também tributarista Osmar Marcili Júnior. "O decreto retira a alíquota que beneficiava produtos da cesta básica. Necessariamente, você terá um aumento para o consumidor."
Segundo os especialistas, o repasse não deve ser linear --ou seja, os comerciantes não devem aplicar aos produtos o mesmo aumento do imposto.
"Que vai refletir no preço, não há dúvida. Mas o comerciante não pode aumentar muito, sob pena de perder o cliente", diz Kfouri.
O repasse, de acordo com os dois advogados, deve começar em cerca de 30 dias, após o fim dos estoques de produtos comprados ainda na vigência da alíquota menor.
O governo do Estado orientou a reportagem a procurar a Secretaria da Fazenda, que não respondeu às perguntas até a conclusão desta edição --às 23h30.
Outro lado
Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que não via se manifestar.
Para a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), trata-se de uma medida de arrumação na legislação tributária que em breve deve ser revista.
"Assim que tivemos a notícia do decreto falamos com o secretário da Fazenda [Mauro Ricardo Costa]. Ele se comprometeu a rever a medida", disse o assessor jurídico da presidência da Fiesp, Helcio Honda.
"Pedimos que isso fosse feito o mais breve possível", afirmou. Para Honda, o governo deve restabelecer a alíquota de 7% antes mesmo que o impacto possa chegar ao bolso do consumidor.
A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) não se pronunciou.
Querem apostar?
Folha Online
Comer um prato feito no Estado vai ficar mais caro em 30 dias. Esse é o prazo estimado por especialistas para que um aumento de imposto decretado pelo governo paulista comece a afetar o preço de pelo menos 17 produtos. Dentre eles, arroz, feijão, pão francês, lingüiça e ovo.
O decreto, da semana passada, eleva para 18% a alíquota de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrada sobre diversos itens que compõem a cesta básica ou bastante consumidos, como arroz, farinha de mandioca, feijão, pão francês, ovo, lingüiça, mortadela, salsicha, vinagre.
Até então, esses produtos eram beneficiados por uma alíquota de 7%. A regra estava prevista no regulamento do ICMS, publicado em 2000.
A cobrança de um imposto menor de certos tipos de produtos obedece a uma regra constitucional, segundo o advogado Anis Kfouri.
"A Constituição determina que as mercadorias mais essenciais devem ter alíquota menor", afirma o advogado. Além dos alimentos, a medida revogada beneficiava também os preservativos.
A redução no imposto tem o objetivo de fazer com que esses produtos cheguem mais baratos ao consumidor final.
Já aos itens considerados mais supérfluos, como um carro de valor mais elevado, é aplicada uma taxa maior, acima dos 18% _a taxa-padrão.
"Embora o imposto seja recolhido pelo empresário, é o cidadão que paga. Por isso, o aumento deve chegar ao consumidor", diz Kfouri.
A opinião é semelhante à do também tributarista Osmar Marcili Júnior. "O decreto retira a alíquota que beneficiava produtos da cesta básica. Necessariamente, você terá um aumento para o consumidor."
Segundo os especialistas, o repasse não deve ser linear --ou seja, os comerciantes não devem aplicar aos produtos o mesmo aumento do imposto.
"Que vai refletir no preço, não há dúvida. Mas o comerciante não pode aumentar muito, sob pena de perder o cliente", diz Kfouri.
O repasse, de acordo com os dois advogados, deve começar em cerca de 30 dias, após o fim dos estoques de produtos comprados ainda na vigência da alíquota menor.
O governo do Estado orientou a reportagem a procurar a Secretaria da Fazenda, que não respondeu às perguntas até a conclusão desta edição --às 23h30.
Outro lado
Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que não via se manifestar.
Para a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), trata-se de uma medida de arrumação na legislação tributária que em breve deve ser revista.
"Assim que tivemos a notícia do decreto falamos com o secretário da Fazenda [Mauro Ricardo Costa]. Ele se comprometeu a rever a medida", disse o assessor jurídico da presidência da Fiesp, Helcio Honda.
"Pedimos que isso fosse feito o mais breve possível", afirmou. Para Honda, o governo deve restabelecer a alíquota de 7% antes mesmo que o impacto possa chegar ao bolso do consumidor.
A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) não se pronunciou.
Kassab e o "esporrão" escandaloso
Sempre tão zelosa da defesa do povo, a direita tem um jeito todo histérico de reagir a tudo que, na sua visão, agride "o país", ou "a cidade". A mídia por sua vez, é sempre irremediavelmente seletiva na hora de direcionar a sua enérgica indignação. A folclórica reação do prefeito de São Paulo à simplória manifestação de um pobre coitado, num posto de saúde, ilustra bem todo o velho e desgastado enredo feito para nos enganar. Primeiro, foi a tímida defesa ao cidadão. Hoje pela manhã não tivemos o Jabor na CBN, tampouco a Lúcia Hoppólito ou a Miriam Leitão a detectar no ocorrido um fenômeno que normalmente nos passaria desapercebido (nós, que não somos cientistas políticos, nem economistas, tampouco geniais cineastas) . O que diria ele e elas se fosse um prefeito petista que tivesse perdido a cabeça diante do cidadão indefeso? E se fosse a Angela Guadagnin? Cadê a dupla Gabeira & Jungmann para defender o moço? O que acha o Bornhausen? Cadê o Bob Jefferson pra cunhar um nome "sonoro" pro ocorrido, digamos "esporrão"? O que o Diogo Mainardi, aquele que de povo tem nojo, disse? Pior de tudo foi aquele intelectual da horta orgânica do PFL, o Reinaldo Azevedo. Pergunto pra ele, se o cara fosse um modesto caseiro, seria chamado, como chamou, de "Frajola em cima do telhado"? Sim, porque a culpa pelo destempero do prefeito, para ele, é seguramente coisa do PT. Tenha dó.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
De volta, a Lei Ricupero às avessas
5 de Fevereiro de 2007 @ 18:21 por Alceu Nader, do blog Contrapauta
Veja distorce entrevista com ex-embaixador para reforçar sua idéia pré-concebida sobre política externa do governo Lula
Um dos instrumentos costumeiros que a grande mídia utiliza para impor sua opinião é destacar aquilo que pretende transferir ao público nas partes mais visíveis e lidas de uma reportagem, como título, subtítulo, legendas etc.
Pesquisas, de circulação restrita entre os diretores de redação e editores, confirmam: quase a totalidade dos leitores pesquisados lê o que se destaca nesses campos da página, ao passo que o percentual de leitores que lê as reportagens propriamente diminui na medida em que avança o texto da matéria.
O truque de realçar a informação conveniente ou encomendada pela diretoria, na maior parte das vezes, provoca distorce o que é a pura verdade. Além disso, exige malabarismos extras dos editores que, muitas vezes, entregam-se nas contradições evidentes que surgem depois de uma leitura mais ou menos atenta.
Poucas publicações desempenham essa prestidigitação com a mesma desenvoltura da revista Veja, quando o tema é adesão à Alca. A vítima da semana é a política externa do governo Lula, sobre a qual a empresa e a direção responsáveis pela revista têm opinião formada. Para enfatizar o que já publicou inúmeras vezes nos últimos anos – a idéia de que a política externa dos últimos quatro anos é um rosário de fracassos – a revista traz o embaixador Roberto Abdenur, aposentado na semana passada, na entrevista das páginas amarelas.
O diplomata serviu aos propósitos da revista, embora tenha sido peça importante da mesma política externa que parece condenar– era embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O primeiro truque aparece já na capa:
“’Nem na ditadura’ – embaixador denuncia doutrinação no Itamaraty”.
A violência embutida na “denúncia” desconhece a história. Durante a ditadura, diplomatas foram cassados e presos, não faltando, inclusive, a presença de pelo menos um filho de diplomata nas listas de desaparecidos políticos.
Nos campos privilegiados das páginas mencionados no início desse comentário, voltam os demais truques mencionados. O título, na falta de um argumento mais sólido para a “denúncia”, repete a mentira da capa: “Nem na ditadura”. No subtítulo, a “doutrinação” é aprofundada, segundo palavras atribuídas ao entrevistado: “O diplomata diz que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica”.
Na legenda da foto do entrevistado, o reforço da idéia pré-concebida baseia-se em uma impressão pessoal do entrevistado: “’Há um sentimento generalizado de que hoje os diplomatas ao promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência’”.
Os truques se repetem nos dois olhos que se destacam nas perguntas e respostas.
O primeiro intertítulo diz:
“A minha maior crítica está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Isso é um substrato ideológico, vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado”.
O segundo:
“Existe um elemento ideológico muito forte na política externa brasileira. Está havendo um esforço de doutrinação. Diplomatas de categoria são forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília. É uma coisa vexatória”.
Não é bem isso o que o ex-embaixador enfatizou, como se verá na reprodução fiel das perguntas e respostas publicadas. Para facilitar a visualização das conclusões manipuladas da revista, os trechos que desmentem o que a revista ressalta estão em recuo.
Veja – Substantivamente, houve pontos positivos na política externa brasileira no primeiro mandato do presidente Lula?
Abdenur – Sim, sem dúvida. O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos…
(Perceberam o truque do “enfim, houve acertos”? Parece até que o entrevistado reconheceu apenas um ou dois avanços da política externa. Mas tem mais:)
Veja – E os erros substantivos?
Abdenur – A minha maior crítica à atuação do Itamaraty está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Com a queda do Muro de Berlim, desapareceu completamente o paralelo que dividia o mundo em Ocidente e Oriente. O meridiano Norte-Sul não desapareceu de todo, mas se desvaneceu. O diálogo Norte-Sul é uma realidade. A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado. A nossa relação com a China e com a Índia também apresenta equívocos. É preciso ter parceria com os dois países, mas eles não podem ser considerados nossos aliados.
(…)
Veja – Como o senhor avalia a relação do Brasil com os Estados Unidos nos três anos em que serviu como embaixador em Washington?
Abdenur – Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil.
Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: “Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países”. Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.
Veja – O senhor não deixou o cargo de embaixador espontaneamente, correto?
Abdenur – Há no Brasil setores, embora minoritários, que têm aversão aos Estados Unidos, inclusive dentro do governo e do Itamaraty. Há esse ranço, mas isso não atrapalhou meu trabalho. A relação Brasil-Estados Unidos nunca esteve tão bem. Lula inclusive deve visitar o presidente Bush nos próximos meses.
Veja – Apesar dessa relação forte com os Estados Unidos, a Alca está em compasso de espera.
Abdenur – O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro.
Veja – Qual é a imagem do presidente Lula nos Estados Unidos? Ele ainda é um político respeitado ou sua imagem foi deteriorada pelos escândalos de corrupção?
Abdenur – É uma imagem positiva, os escândalos de corrupção não repercutiram muito por lá. Ele é o líder de uma democracia estável, um governante que tem uma biografia louvável. O governo Lula tem merecido respeito mundo afora por conciliar uma política econômica pragmática com políticas sociais efetivas e uma política externa séria. Isso começou com Fernando Henrique, mas o governo Lula avançou.
A íntegra da entrevista – que desqualifica o título que lhe foi dado, assim como a denúncia de “doutrinação” – pode ser lida, pelos assinantes, no site da revista. Aliás, com o patrocínio do BNDES, do mesmo governo federal que, segundo a revista, persegue os diplomatas com mais violência do que na ditadura
Veja distorce entrevista com ex-embaixador para reforçar sua idéia pré-concebida sobre política externa do governo Lula
Um dos instrumentos costumeiros que a grande mídia utiliza para impor sua opinião é destacar aquilo que pretende transferir ao público nas partes mais visíveis e lidas de uma reportagem, como título, subtítulo, legendas etc.
Pesquisas, de circulação restrita entre os diretores de redação e editores, confirmam: quase a totalidade dos leitores pesquisados lê o que se destaca nesses campos da página, ao passo que o percentual de leitores que lê as reportagens propriamente diminui na medida em que avança o texto da matéria.
O truque de realçar a informação conveniente ou encomendada pela diretoria, na maior parte das vezes, provoca distorce o que é a pura verdade. Além disso, exige malabarismos extras dos editores que, muitas vezes, entregam-se nas contradições evidentes que surgem depois de uma leitura mais ou menos atenta.
Poucas publicações desempenham essa prestidigitação com a mesma desenvoltura da revista Veja, quando o tema é adesão à Alca. A vítima da semana é a política externa do governo Lula, sobre a qual a empresa e a direção responsáveis pela revista têm opinião formada. Para enfatizar o que já publicou inúmeras vezes nos últimos anos – a idéia de que a política externa dos últimos quatro anos é um rosário de fracassos – a revista traz o embaixador Roberto Abdenur, aposentado na semana passada, na entrevista das páginas amarelas.
O diplomata serviu aos propósitos da revista, embora tenha sido peça importante da mesma política externa que parece condenar– era embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O primeiro truque aparece já na capa:
“’Nem na ditadura’ – embaixador denuncia doutrinação no Itamaraty”.
A violência embutida na “denúncia” desconhece a história. Durante a ditadura, diplomatas foram cassados e presos, não faltando, inclusive, a presença de pelo menos um filho de diplomata nas listas de desaparecidos políticos.
Nos campos privilegiados das páginas mencionados no início desse comentário, voltam os demais truques mencionados. O título, na falta de um argumento mais sólido para a “denúncia”, repete a mentira da capa: “Nem na ditadura”. No subtítulo, a “doutrinação” é aprofundada, segundo palavras atribuídas ao entrevistado: “O diplomata diz que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica”.
Na legenda da foto do entrevistado, o reforço da idéia pré-concebida baseia-se em uma impressão pessoal do entrevistado: “’Há um sentimento generalizado de que hoje os diplomatas ao promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência’”.
Os truques se repetem nos dois olhos que se destacam nas perguntas e respostas.
O primeiro intertítulo diz:
“A minha maior crítica está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Isso é um substrato ideológico, vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado”.
O segundo:
“Existe um elemento ideológico muito forte na política externa brasileira. Está havendo um esforço de doutrinação. Diplomatas de categoria são forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília. É uma coisa vexatória”.
Não é bem isso o que o ex-embaixador enfatizou, como se verá na reprodução fiel das perguntas e respostas publicadas. Para facilitar a visualização das conclusões manipuladas da revista, os trechos que desmentem o que a revista ressalta estão em recuo.
Veja – Substantivamente, houve pontos positivos na política externa brasileira no primeiro mandato do presidente Lula?
Abdenur – Sim, sem dúvida. O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos…
(Perceberam o truque do “enfim, houve acertos”? Parece até que o entrevistado reconheceu apenas um ou dois avanços da política externa. Mas tem mais:)
Veja – E os erros substantivos?
Abdenur – A minha maior crítica à atuação do Itamaraty está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Com a queda do Muro de Berlim, desapareceu completamente o paralelo que dividia o mundo em Ocidente e Oriente. O meridiano Norte-Sul não desapareceu de todo, mas se desvaneceu. O diálogo Norte-Sul é uma realidade. A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado. A nossa relação com a China e com a Índia também apresenta equívocos. É preciso ter parceria com os dois países, mas eles não podem ser considerados nossos aliados.
(…)
Veja – Como o senhor avalia a relação do Brasil com os Estados Unidos nos três anos em que serviu como embaixador em Washington?
Abdenur – Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil.
Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: “Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países”. Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.
Veja – O senhor não deixou o cargo de embaixador espontaneamente, correto?
Abdenur – Há no Brasil setores, embora minoritários, que têm aversão aos Estados Unidos, inclusive dentro do governo e do Itamaraty. Há esse ranço, mas isso não atrapalhou meu trabalho. A relação Brasil-Estados Unidos nunca esteve tão bem. Lula inclusive deve visitar o presidente Bush nos próximos meses.
Veja – Apesar dessa relação forte com os Estados Unidos, a Alca está em compasso de espera.
Abdenur – O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro.
Veja – Qual é a imagem do presidente Lula nos Estados Unidos? Ele ainda é um político respeitado ou sua imagem foi deteriorada pelos escândalos de corrupção?
Abdenur – É uma imagem positiva, os escândalos de corrupção não repercutiram muito por lá. Ele é o líder de uma democracia estável, um governante que tem uma biografia louvável. O governo Lula tem merecido respeito mundo afora por conciliar uma política econômica pragmática com políticas sociais efetivas e uma política externa séria. Isso começou com Fernando Henrique, mas o governo Lula avançou.
A íntegra da entrevista – que desqualifica o título que lhe foi dado, assim como a denúncia de “doutrinação” – pode ser lida, pelos assinantes, no site da revista. Aliás, com o patrocínio do BNDES, do mesmo governo federal que, segundo a revista, persegue os diplomatas com mais violência do que na ditadura
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domingo, fevereiro 04, 2007
Mídia e fundos - um possível escândalo envolvendo Aécio Neves
Governador de Minas, Aécio Neves, paga US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light
Este post do Blog do Luis Nassif faz referência à matéria que circula na internet dando conta de uma operação ilegal e fraudulenta envolvendo a Light, a Cemig, fundos off shore e bancos de investimento sediados em paraísos fiscais.
É, meu amigo, se vc achava que o valerioduto era uma maquinação perversa para operar dinheiro ilícito, vai agora sentir que aquilo ali foi uma coisa simplória, risível, inocente como a história da Branca de Neve. Leia o texto do Nassif (naturalmente ele é prudente e não vai a fundo, mas indica o potencial do escândalo) e confira no link lá em baixo os primeiros detalhes do próximo grande escândalo da república.
"Mídia e fundos
Está na hora de começar a analisar melhor as relações entre grupos de comunicação e alguns fundos criados em paraisos "offshore", alguns bancos de investimento. Já começam a se avolumar muitos indícios de operações entre eles.
Ainda são indícios. Mas, se comprovados, ousaria dizer que é a maior ameaça à democracia brasileira em todos os tempos. Algo que poderá mexer profundamente não apenas nos negócios da mídia, como também no das concessões e em todo esse universo de interesse dos fundos "offshore". "
Confira o caso sem censura aqui: http://www.novojornal.com.br/politica_noticia.php?codigo_noticia=1519
Este post do Blog do Luis Nassif faz referência à matéria que circula na internet dando conta de uma operação ilegal e fraudulenta envolvendo a Light, a Cemig, fundos off shore e bancos de investimento sediados em paraísos fiscais.
É, meu amigo, se vc achava que o valerioduto era uma maquinação perversa para operar dinheiro ilícito, vai agora sentir que aquilo ali foi uma coisa simplória, risível, inocente como a história da Branca de Neve. Leia o texto do Nassif (naturalmente ele é prudente e não vai a fundo, mas indica o potencial do escândalo) e confira no link lá em baixo os primeiros detalhes do próximo grande escândalo da república.
"Mídia e fundos
Está na hora de começar a analisar melhor as relações entre grupos de comunicação e alguns fundos criados em paraisos "offshore", alguns bancos de investimento. Já começam a se avolumar muitos indícios de operações entre eles.
Ainda são indícios. Mas, se comprovados, ousaria dizer que é a maior ameaça à democracia brasileira em todos os tempos. Algo que poderá mexer profundamente não apenas nos negócios da mídia, como também no das concessões e em todo esse universo de interesse dos fundos "offshore". "
Confira o caso sem censura aqui: http://www.novojornal.com.br/politica_noticia.php?codigo_noticia=1519
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O dia em que o Brasil foi invadido
sábado, fevereiro 03, 2007
O dicionário dos tucanizados
O terceiro mandato de Lula, a mutação do PFL e a preguiça no caso do Valerioduto do PSDB...
Redação CartaCapital
Modesta contribuição à leitura dos jornais da última semana, início, talvez, de um dicionário dos tucanizados:
Terceiro Mandato – É o atual tema preferido de certos jornalistas e determinados “cientistas políticos”. Segundo a tese, o PAC é o primeiro passo para o verdadeiro, inconfessável, senão único projeto de Lula: obter um terceiro mandato. Não se sabe de onde surgiu a versão. Negativas, por mais veementes, vindas do governo, são solenemente ignoradas. Seria, na acepção dos que a sustentam, estratégia para pegar o País desprevenido e solapar as instituições. Na falta de evidências internas, recorrem à Venezuela de Hugo Chávez. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Os dois, Lula e Chávez, têm muitas afinidades etc. e tal. E lá se vão rolos de papel e litros de tinta. Nenhuma linha sobre Fernando Henrique Cardoso, que inventou a reeleição no Brasil, votação até hoje cercada de dúvidas sobre os meios de convencimento dos parlamentares. Ele continua a ser o nosso maior democrata.
Partido Democrata – Por falar em democracia, os caciques da pefelândia estudam mudar o nome da legenda. O mais cotado é Partido Democrata. Apropriado. A agremiação está repleta de fervorosos defensores dos preceitos democráticos. Jorge Bornhausen e Antonio Carlos Magalhães são os luminares.
Caixa 2 de Eduardo Azeredo – A Polícia Federal concluiu que houve uso de caixa 2 e desvio de recursos públicos para a campanha à reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Azeredo foi o primeiro a utilizar os serviços do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Entender a gênese do Valerioduto poderia ser fundamental para entender os escândalos tão discutidos no último ano e meio. Mas o caso continua a merecer pé de página nos jornais e o mínimo esforço de reportagem. Não se gasta nem um décimo da tinta e do papel usados para analisar e apontar os riscos do “terceiro mandato de Lula”.
Redação CartaCapital
Modesta contribuição à leitura dos jornais da última semana, início, talvez, de um dicionário dos tucanizados:
Terceiro Mandato – É o atual tema preferido de certos jornalistas e determinados “cientistas políticos”. Segundo a tese, o PAC é o primeiro passo para o verdadeiro, inconfessável, senão único projeto de Lula: obter um terceiro mandato. Não se sabe de onde surgiu a versão. Negativas, por mais veementes, vindas do governo, são solenemente ignoradas. Seria, na acepção dos que a sustentam, estratégia para pegar o País desprevenido e solapar as instituições. Na falta de evidências internas, recorrem à Venezuela de Hugo Chávez. E o que uma coisa tem a ver com a outra? Os dois, Lula e Chávez, têm muitas afinidades etc. e tal. E lá se vão rolos de papel e litros de tinta. Nenhuma linha sobre Fernando Henrique Cardoso, que inventou a reeleição no Brasil, votação até hoje cercada de dúvidas sobre os meios de convencimento dos parlamentares. Ele continua a ser o nosso maior democrata.
Partido Democrata – Por falar em democracia, os caciques da pefelândia estudam mudar o nome da legenda. O mais cotado é Partido Democrata. Apropriado. A agremiação está repleta de fervorosos defensores dos preceitos democráticos. Jorge Bornhausen e Antonio Carlos Magalhães são os luminares.
Caixa 2 de Eduardo Azeredo – A Polícia Federal concluiu que houve uso de caixa 2 e desvio de recursos públicos para a campanha à reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998. Azeredo foi o primeiro a utilizar os serviços do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. Entender a gênese do Valerioduto poderia ser fundamental para entender os escândalos tão discutidos no último ano e meio. Mas o caso continua a merecer pé de página nos jornais e o mínimo esforço de reportagem. Não se gasta nem um décimo da tinta e do papel usados para analisar e apontar os riscos do “terceiro mandato de Lula”.
Primeira página
Mino Carta está ligado. Se exaspera, como nós nos exasperamos, com o tratamento parcial e ideológico que a chamada (por mera convenção) grande imprensa dá ao governo Lula. Gente menor. No caso da Globo, por causa direta da decisão do governo de não mais autorizar a Secom a irrigar os cofres das Organizações com o dinheiro de costume. É por isso, brasileiros que leêm este blog, que a Globo está direcionando suas artilharias jornalísticas contra o governo. Afinal, o capital não tem ideologia, ou, como vi o GW Bush num curta-metragem hoje, "dinheiro é sagrado". Eu retirava a concessão.
Por Mino Carta
Deliciosa a primeira página de O Globo de hoje. Debaixo do título Eles Voltaram, temos um desfile de imagens de personalidades presentes à eleição do presidente da Câmara. Fernando Collor aparece em três fotos. Sarney, Renan Calheiros, Roberto Jefferson, Professor Luizinho, José Mentor, José Genoino e Palocci em uma. Sinto no título toques de ironia, fastio, crítica. Desalento, talvez. O que não deixa de me surpreender no caso de alguns fotografados, e não de outros. Estes são obviamente os petistas envolvidos no chamado escândalo do mensalão. Mas o petista Palocci já gozou da simpatia do jornal dos senhores Marinho. Que, por exemplo, apoiou a posse de José Sarney, quando Tancredo morreu, e, em perfeito delírio, o governo de Fernando Henrique, do qual fez parte Calheiros, com a pasta, nada mais, nada menos, da Justiça. E Collor? Fica na mira de O Globo, que incentivou e inflou a sua campanha à Presidência da República. É que se tratava de derrotar nas urnas o Sapo Barbudo, e nestas situações os graúdos agarram em fio desencapado, se for preciso. Sinto nisso tudo nesta primeira página, peremptória, a mão dos tucanizados. Também, pudera. Só eles sabem onde moram o Bem e o Mal, sem pretender que tenham endereço definitivo. O Bem pode de súbito virar Mal, e vice-versa.
Por Mino Carta
Deliciosa a primeira página de O Globo de hoje. Debaixo do título Eles Voltaram, temos um desfile de imagens de personalidades presentes à eleição do presidente da Câmara. Fernando Collor aparece em três fotos. Sarney, Renan Calheiros, Roberto Jefferson, Professor Luizinho, José Mentor, José Genoino e Palocci em uma. Sinto no título toques de ironia, fastio, crítica. Desalento, talvez. O que não deixa de me surpreender no caso de alguns fotografados, e não de outros. Estes são obviamente os petistas envolvidos no chamado escândalo do mensalão. Mas o petista Palocci já gozou da simpatia do jornal dos senhores Marinho. Que, por exemplo, apoiou a posse de José Sarney, quando Tancredo morreu, e, em perfeito delírio, o governo de Fernando Henrique, do qual fez parte Calheiros, com a pasta, nada mais, nada menos, da Justiça. E Collor? Fica na mira de O Globo, que incentivou e inflou a sua campanha à Presidência da República. É que se tratava de derrotar nas urnas o Sapo Barbudo, e nestas situações os graúdos agarram em fio desencapado, se for preciso. Sinto nisso tudo nesta primeira página, peremptória, a mão dos tucanizados. Também, pudera. Só eles sabem onde moram o Bem e o Mal, sem pretender que tenham endereço definitivo. O Bem pode de súbito virar Mal, e vice-versa.
O sucesso pela palavra fácil ou "Gabeira, cada vez mais babaca!"
Depois que escolheu Raul Jungaman pra ser seu partner político, depois que, por vaidade, abandonou o barco do governo Lula pra fazer coro com a família ACM, depois de ajudar a colocar e apear Severino Cavalcanti da presidência da Câmara, agora o grande babacão da chamada "terceira via" nos vem com essas pérolas anti-Brasília. Gabeira, vai catar coquinho! Por Zé Dirceu
Em tempos de sucesso pela palavra fácil
Da colunista Tereza Cruvinel, ontem no Globo:
"Fala fácil
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) declarou que a noite de Brasília é infestada por deputados, lobistas e prostitutas. Vinda de quem vem, a frase choca por sua carga de preconceito e generalização, que ofende todos os que freqüentam a noite na capital. Em relação às prostitutas, soa estranhíssimo porque Gabeira é também autor do polêmico projeto que regulamenta essa antiga e deprimente atividade, o que para muitos pode servir de estímulo à sua expansão. Para quem acaba de submeter-se a uma nova eleição, colhendo grande êxito, é também estranha a estigmatização da figura do deputado, como se a função tornasse desprezíveis todos os que a exercem. Já os lobistas, existem em Brasília e em qualquer outra arena de poder. Estamos mesmo no tempo do sucesso pela palavra fácil."
Em tempos de sucesso pela palavra fácil
Da colunista Tereza Cruvinel, ontem no Globo:
"Fala fácil
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) declarou que a noite de Brasília é infestada por deputados, lobistas e prostitutas. Vinda de quem vem, a frase choca por sua carga de preconceito e generalização, que ofende todos os que freqüentam a noite na capital. Em relação às prostitutas, soa estranhíssimo porque Gabeira é também autor do polêmico projeto que regulamenta essa antiga e deprimente atividade, o que para muitos pode servir de estímulo à sua expansão. Para quem acaba de submeter-se a uma nova eleição, colhendo grande êxito, é também estranha a estigmatização da figura do deputado, como se a função tornasse desprezíveis todos os que a exercem. Já os lobistas, existem em Brasília e em qualquer outra arena de poder. Estamos mesmo no tempo do sucesso pela palavra fácil."
Vivendo e aprendendo
Republico aqui artigo de José Dirceu, o cara mais sacaneado com toda a história do chamado mensalão, que foi cassado por causa dele, sem provas, e que, com a eleição de Arlindo Chinaglia para comandar a Câmara, deve ter facilitada sua pretensão - justa - de ser anistiado. Ou não. Mas que o cara manda bem, lá isso manda.
(Por José Dirceu - Artigo publicado no Jornal do Brasil, em 01 de fevereiro de 2007)
Quem se lembra da batalha na mídia e na opinião pública, no início do governo Lula, sobre os programas sociais ou sobre o factóide que o PT aparelhava o Estado, por nomear petistas? Depois, quando chegaram as eleições de 2006 e o Bolsa Família já era um sucesso inegável, passaram a acusá-lo de assistencialismo e de ser o único responsável pela eleição de Lula, nova fase da campanha para desqualificar os programas sociais e o resultado das urnas. Mas a mesma mídia que tenta associar o Bolsa Família à esmola esqueceu-se de mencionar a nomeação, em estados governados por tucanos, de tucanos para cargos públicos, inclusive de derrotados nas eleições. Ou seja, se o PT nomeia petistas é aparelhamento do Estado, se o PSDB nomeia tucanos é a ordem natural das coisas.
Como vemos, trata-se de uma disputa política, da construção ou desconstrução de imagens do governo federal e de seus objetivos. O alvo, agora, é o PAC, o Programa de Aceleração Econômica. O que estamos assistindo -- e o governo, o PT, os partidos aliados e mesmo as entidades empresariais e populares que apóiam o programa ainda não se deram conta -- é uma verdadeira guerra de entrevistas, artigos, editoriais, com um único objetivo de desconstruir o PAC.
Ora, se o PAC é, como tem dito o presidente Lula, a bússola do segundo mandato que dará norte à coalizão para a governabilidade e à constituição de uma maioria no Parlamento, como é possível que os ministros, os líderes e o próprio PT não priorizem a divulgação, defesa e consolidação desse verdadeiro Programa de Governo? Como é possível o PT se reunir para discutir a expulsão ou não de dois filiados, quando quase toda a mídia concentra seu poder de fogo na luta contra o PAC? Como é possível que, no governo, a todo momento, surjam iniciativas isoladas de ministros que desviam sua pauta e agenda do PAC, para temas como a reforma política ou outros, internos do PT?
O que a oposição pretende é desmobilizar a importante base de apoio que o governo conquistou, com o lançamento do PAC, tanto no empresariado como no meio sindical e popular. Afinal, o programa traz medidas reais de aumento de investimentos na infra-estrutura e na área social, acompanhadas de desaceleração tributária para os investimentos e com uma clara direção de política industrial.
A direita e seus porta-vozes na mídia vão ocupando todo o espaço, pregando o corte de despesas, as reformas trabalhista e previdenciária, desqualificando o PAC e acusando o governo e Lula de autoritarismo, estatismo e até, mais um factóide, de estar gestando um terceiro mandato. Ou seja, querem que o governo assuma o programa derrotado nas urnas, querem deslegitimar o mandato, recebido por Lula, de fazer o país crescer e retomar o desenvolvimento nacional. Na prática, querem dar um golpe branco na vontade popular expressa nas eleições de 2006.
Como se não bastasse, a maioria da diretoria do BC diminui o ritmo da queda dos juros, sem justificativa técnica, só para se impor como verdadeira direção da economia brasileira e bastião do conservadorismo. E dá mais munição aos críticos do PAC, que se apóiam na decisão do BC para argumentarem que o programa não passa de um instrumento de propaganda.
Fica evidente a necessidade de um freio de arrumação dentro do governo para viabilizar o PAC. Sem unidade no governo e em sua base de apoio em torno do PAC e de seus objetivos, será difícil sua aprovação no Congresso. Vem pela frente uma dura batalha, na qual será disputada também a aprovação da prorrogação da DRU e da CPMF. E, para isso, será necessário negociar com governadores, empresários e entidades sindicais.
Sem uma intensa mobilização na sociedade e sem o debate público e a disputa, através da mídia, da opinião pública, não criaremos as condições para que o PAC seja, de fato, o que é: o início de um novo ciclo de desenvolvimento e uma mudança de rumo para o país. Essa é a verdadeira razão da oposição feroz da direita e da mídia conservadora ao PAC. Quem não entender isso não está entendendo nada do que está em disputa, hoje, no Brasil.
(Por José Dirceu - Artigo publicado no Jornal do Brasil, em 01 de fevereiro de 2007)
Quem se lembra da batalha na mídia e na opinião pública, no início do governo Lula, sobre os programas sociais ou sobre o factóide que o PT aparelhava o Estado, por nomear petistas? Depois, quando chegaram as eleições de 2006 e o Bolsa Família já era um sucesso inegável, passaram a acusá-lo de assistencialismo e de ser o único responsável pela eleição de Lula, nova fase da campanha para desqualificar os programas sociais e o resultado das urnas. Mas a mesma mídia que tenta associar o Bolsa Família à esmola esqueceu-se de mencionar a nomeação, em estados governados por tucanos, de tucanos para cargos públicos, inclusive de derrotados nas eleições. Ou seja, se o PT nomeia petistas é aparelhamento do Estado, se o PSDB nomeia tucanos é a ordem natural das coisas.
Como vemos, trata-se de uma disputa política, da construção ou desconstrução de imagens do governo federal e de seus objetivos. O alvo, agora, é o PAC, o Programa de Aceleração Econômica. O que estamos assistindo -- e o governo, o PT, os partidos aliados e mesmo as entidades empresariais e populares que apóiam o programa ainda não se deram conta -- é uma verdadeira guerra de entrevistas, artigos, editoriais, com um único objetivo de desconstruir o PAC.
Ora, se o PAC é, como tem dito o presidente Lula, a bússola do segundo mandato que dará norte à coalizão para a governabilidade e à constituição de uma maioria no Parlamento, como é possível que os ministros, os líderes e o próprio PT não priorizem a divulgação, defesa e consolidação desse verdadeiro Programa de Governo? Como é possível o PT se reunir para discutir a expulsão ou não de dois filiados, quando quase toda a mídia concentra seu poder de fogo na luta contra o PAC? Como é possível que, no governo, a todo momento, surjam iniciativas isoladas de ministros que desviam sua pauta e agenda do PAC, para temas como a reforma política ou outros, internos do PT?
O que a oposição pretende é desmobilizar a importante base de apoio que o governo conquistou, com o lançamento do PAC, tanto no empresariado como no meio sindical e popular. Afinal, o programa traz medidas reais de aumento de investimentos na infra-estrutura e na área social, acompanhadas de desaceleração tributária para os investimentos e com uma clara direção de política industrial.
A direita e seus porta-vozes na mídia vão ocupando todo o espaço, pregando o corte de despesas, as reformas trabalhista e previdenciária, desqualificando o PAC e acusando o governo e Lula de autoritarismo, estatismo e até, mais um factóide, de estar gestando um terceiro mandato. Ou seja, querem que o governo assuma o programa derrotado nas urnas, querem deslegitimar o mandato, recebido por Lula, de fazer o país crescer e retomar o desenvolvimento nacional. Na prática, querem dar um golpe branco na vontade popular expressa nas eleições de 2006.
Como se não bastasse, a maioria da diretoria do BC diminui o ritmo da queda dos juros, sem justificativa técnica, só para se impor como verdadeira direção da economia brasileira e bastião do conservadorismo. E dá mais munição aos críticos do PAC, que se apóiam na decisão do BC para argumentarem que o programa não passa de um instrumento de propaganda.
Fica evidente a necessidade de um freio de arrumação dentro do governo para viabilizar o PAC. Sem unidade no governo e em sua base de apoio em torno do PAC e de seus objetivos, será difícil sua aprovação no Congresso. Vem pela frente uma dura batalha, na qual será disputada também a aprovação da prorrogação da DRU e da CPMF. E, para isso, será necessário negociar com governadores, empresários e entidades sindicais.
Sem uma intensa mobilização na sociedade e sem o debate público e a disputa, através da mídia, da opinião pública, não criaremos as condições para que o PAC seja, de fato, o que é: o início de um novo ciclo de desenvolvimento e uma mudança de rumo para o país. Essa é a verdadeira razão da oposição feroz da direita e da mídia conservadora ao PAC. Quem não entender isso não está entendendo nada do que está em disputa, hoje, no Brasil.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Reflexões sobre as eleições da Câmara e do Senado
Franklin Martins
Apesar das paixões, dos discursos e da efervescência, deu a lógica nas eleições para as presidências do Senado e da Câmara. As vitórias de Renan Calheiros e Arlindo Chinaglia representaram uma volta ao princípio da proporcionalidade: cada partido tem no comando do Legislativo um peso compatível com a fatia do eleitorado que conquistou nas urnas.
Nos últimos anos, esse princípio havia sido deixado de lado, não só em Brasília como em muitas assembléias legislativas, com os resultados que todos conhecemos, o que despertou na maioria dos partidos – pelo menos, nos grandes partidos – um forte anseio pelo retorno á normalidade. Foi esse sentimento que prevaleceu ontem. Algumas outras conclusões podem ser tiradas das disputas na Câmara e no Senado:
1) Por incrível que pareça, pessoalmente, os três candidatos a Presidência da Câmara saíram no lucro.Gustavo Fruet, do PSDB, obteve uma votação maior do que se esperava. Saiu da disputa bem maior do que entrou, tornando-se um dos principais nomes do seu partido. Aldo Rebelo levou o confronto para o segundo turno e perdeu por uma diferença relativamente pequena. Embora derrotado, não foi humilhado. Ainda que pertencendo a um pequeno partido, com apenas 13 deputados, firmou-se como uma das principais lideranças do parlamento. Não é pouca coisa. Já Chinaglia elegeu-se presidente da Câmara. Não era o candidato de Lula, mas tornou-se o candidato da maioria da base governista. Apesar do susto, foi o grande vitorioso de ontem.
2) Durante a disputa, o PT e o PMDB uniram-se para atingir seus objetivos. O do PT era sair do isolamento político, não permitindo que o confinassem ao gueto em que se meteu e foi metido durante o escândalo do mensalão. Já o PMDB pretendia ganhar um mínimo de unidade interna, voltar para o centro do jogo político e entrar na coalizão governista como uma estrela de primeira grandeza. Os dois partidos alcançaram seus objetivos. Mais do que isso: descobriram que, pelo menos durante um bom tempo, têm mais a ganhar caminhando juntos do que separados. A meta de ambos agora é ser o eixo político do governo.
3) O PSB, o PCdoB e o PDT também firmaram uma aliança nesse processo, para não ser engolidos pela ação coordenada dos dois maiores partidos da coalizão, o PT e o PMDB. Tendem a se constituir como um pólo de esquerda não-petista. Sua força não deve ser desprezada. Reúnem mais de 70 deputados, oito senadores, cinco governadores e exercem uma razoável influência na sociedade. E têm um nome visível para 2010: Ciro Gomes. Saíram da sombra e querem seu lugar ao sol.
4) As eleições de Renan e Chinaglia foram, simultaneamente, boas e ruins para Lula. Boas, porque ele terá aliados no comando das duas casas e ficou claro que o poder de fogo da oposição, no momento, é pequeno. Ruins, porque a base do governo dividiu-se na disputa pela presidência. Não se trata de uma divisão irremediável, mas tampouco é algo que se cure com um pouco de mercúrio cromo, como disse ontem o presidente. Há braços na tipóia, pernas engessadas, nervos à flor da pele e, mais grave, corações partidos. As seqüelas não se limitam a um outro arranhão. Seu tratamento exigirá um salto de qualidade na articulação política do governo.
5) A eleição de Chinaglia, longe de obrigar Lula a ceder mais espaço para o PT no ministério, como avaliam alguns analistas, dará ao presidente mais liberdade para estabelecer um novo equilíbrio político no governo. O PMDB terá provavelmente quatro ministérios. O bloco formado pelo PSB, PCdoB e PDT, também. Já o PT perderá posições, mas seguirá sendo o partido com maior presença no primeiro escalão, até porque vários ministros petistas (Dilma Roussef, Luis Dulci, Tarso Genro, Guido Mantega e Paulo Bernardo) são hoje da cota do presidente e não da legenda.
6) A oposição também saiu bem machucada das disputas. No Senado, o PFL e o PSDB, juntos, tinham 30 votos. Somando-se esse total aos quatro senadores da base governista que haviam anunciado publicamente que apoiariam José Agripino Maia, o candidato da oposição deveria ter recebido, pelo menos, 34 votos. Obteve 28. Ou seja, houve, no mínimo, 6 defecções entre os senadores oposicionistas – o coeficiente de traição, de 20%, foi altíssimo. O veneno e o fel destilados ontem entre os senadores da oposição daria para intoxicar meia Brasília. Na Câmara, o PSDB, como era de se esperar, dividiu-se no segundo turno. Metade da bancada, mais ligada aos governadores José Serra e Aécio Neves, votou em Chinaglia, em nome do princípio da proporcionalidade. A outra metade, que reverbera o estado de espírito do núcleo duro do eleitorado de Geraldo Alckmin, apoiou Aldo Rebelo. É uma divisão que ainda vai dar pano para as mangas.
Apesar das paixões, dos discursos e da efervescência, deu a lógica nas eleições para as presidências do Senado e da Câmara. As vitórias de Renan Calheiros e Arlindo Chinaglia representaram uma volta ao princípio da proporcionalidade: cada partido tem no comando do Legislativo um peso compatível com a fatia do eleitorado que conquistou nas urnas.
Nos últimos anos, esse princípio havia sido deixado de lado, não só em Brasília como em muitas assembléias legislativas, com os resultados que todos conhecemos, o que despertou na maioria dos partidos – pelo menos, nos grandes partidos – um forte anseio pelo retorno á normalidade. Foi esse sentimento que prevaleceu ontem. Algumas outras conclusões podem ser tiradas das disputas na Câmara e no Senado:
1) Por incrível que pareça, pessoalmente, os três candidatos a Presidência da Câmara saíram no lucro.Gustavo Fruet, do PSDB, obteve uma votação maior do que se esperava. Saiu da disputa bem maior do que entrou, tornando-se um dos principais nomes do seu partido. Aldo Rebelo levou o confronto para o segundo turno e perdeu por uma diferença relativamente pequena. Embora derrotado, não foi humilhado. Ainda que pertencendo a um pequeno partido, com apenas 13 deputados, firmou-se como uma das principais lideranças do parlamento. Não é pouca coisa. Já Chinaglia elegeu-se presidente da Câmara. Não era o candidato de Lula, mas tornou-se o candidato da maioria da base governista. Apesar do susto, foi o grande vitorioso de ontem.
2) Durante a disputa, o PT e o PMDB uniram-se para atingir seus objetivos. O do PT era sair do isolamento político, não permitindo que o confinassem ao gueto em que se meteu e foi metido durante o escândalo do mensalão. Já o PMDB pretendia ganhar um mínimo de unidade interna, voltar para o centro do jogo político e entrar na coalizão governista como uma estrela de primeira grandeza. Os dois partidos alcançaram seus objetivos. Mais do que isso: descobriram que, pelo menos durante um bom tempo, têm mais a ganhar caminhando juntos do que separados. A meta de ambos agora é ser o eixo político do governo.
3) O PSB, o PCdoB e o PDT também firmaram uma aliança nesse processo, para não ser engolidos pela ação coordenada dos dois maiores partidos da coalizão, o PT e o PMDB. Tendem a se constituir como um pólo de esquerda não-petista. Sua força não deve ser desprezada. Reúnem mais de 70 deputados, oito senadores, cinco governadores e exercem uma razoável influência na sociedade. E têm um nome visível para 2010: Ciro Gomes. Saíram da sombra e querem seu lugar ao sol.
4) As eleições de Renan e Chinaglia foram, simultaneamente, boas e ruins para Lula. Boas, porque ele terá aliados no comando das duas casas e ficou claro que o poder de fogo da oposição, no momento, é pequeno. Ruins, porque a base do governo dividiu-se na disputa pela presidência. Não se trata de uma divisão irremediável, mas tampouco é algo que se cure com um pouco de mercúrio cromo, como disse ontem o presidente. Há braços na tipóia, pernas engessadas, nervos à flor da pele e, mais grave, corações partidos. As seqüelas não se limitam a um outro arranhão. Seu tratamento exigirá um salto de qualidade na articulação política do governo.
5) A eleição de Chinaglia, longe de obrigar Lula a ceder mais espaço para o PT no ministério, como avaliam alguns analistas, dará ao presidente mais liberdade para estabelecer um novo equilíbrio político no governo. O PMDB terá provavelmente quatro ministérios. O bloco formado pelo PSB, PCdoB e PDT, também. Já o PT perderá posições, mas seguirá sendo o partido com maior presença no primeiro escalão, até porque vários ministros petistas (Dilma Roussef, Luis Dulci, Tarso Genro, Guido Mantega e Paulo Bernardo) são hoje da cota do presidente e não da legenda.
6) A oposição também saiu bem machucada das disputas. No Senado, o PFL e o PSDB, juntos, tinham 30 votos. Somando-se esse total aos quatro senadores da base governista que haviam anunciado publicamente que apoiariam José Agripino Maia, o candidato da oposição deveria ter recebido, pelo menos, 34 votos. Obteve 28. Ou seja, houve, no mínimo, 6 defecções entre os senadores oposicionistas – o coeficiente de traição, de 20%, foi altíssimo. O veneno e o fel destilados ontem entre os senadores da oposição daria para intoxicar meia Brasília. Na Câmara, o PSDB, como era de se esperar, dividiu-se no segundo turno. Metade da bancada, mais ligada aos governadores José Serra e Aécio Neves, votou em Chinaglia, em nome do princípio da proporcionalidade. A outra metade, que reverbera o estado de espírito do núcleo duro do eleitorado de Geraldo Alckmin, apoiou Aldo Rebelo. É uma divisão que ainda vai dar pano para as mangas.
A não-democracia dos números
Luis Nassif, Coluna Econômica, 02/02/2007
Com poucos dias de divulgação, quais os resultados concretos dos novos critérios de contabilização das despesas da Previdência Social?
1. Os analistas passam a trabalhar os dados da previdência pública separados do Regime Geral da Previdência.
2. O Ministro da Previdência Social Nelson Machado anuncia que a Previdência não mais aceitará conceder isenções a programas não previdenciários, se não houver a garantia de cobertura dos incentivos pelo Tesouro.
3. Quando se fala em ajuste da Previdência, é para resolver um déficit que no ano passado foi de R$ 3,8 bi, e não mais os R$ 40 bi que eram brandidos por economistas pouco comprometidos com dados reais.
Nos anos 80, havia uma barafunda nos números do setor público brasileiro. Existia apenas um orçamento que englobava o orçamento propriamente dito (aquele que passava pelo Congresso), mais as contas da Previdência, mais as contas das estatais. Era impossível avaliar corretamente o tamanho do déficit público. Houve uma longa disputa para separar os orçamentos.
Havia também a conta movimento do Banco do Brasil. O governo criava programas em cima de programas, subsídios em cima de subsídios, e jogava para o BB. Este, por sua vez, lançava tudo nessa conta-movimento, que era um buraco sem fundo. O Tesouro simplesmente cobria o que caía na conta. Foi uma longa luta para acabar com essa confusão e falta de transparência.
Não há diferença conceitual entre a conta movimento do BB e a conta movimento da Previdência. Do jeito como se contabilizam os gastos da Previdência, o governo pode criar a isenção que quiser, beneficiar o setor que quiser, e lançar à conta da Previdência. Essa promiscuidade acabou elevando o déficit da Previdência a números fantasiosos e incorretos.
Porque os bravos economistas que brandiam esses números como tacapes pré-históricos jamais cuidaram de apresentar as contas corretas? Porque muitos colunistas econômicos repetiam esses clichês sobre o buraco de R$ 40 bi, e cotinuam repetindo, sendo que quase todos louvaram o fim da conta movimento?
É porque a manipulação de números jogava toda a conta em cima dos contribuintes do INSS, não apenas dos trabalhadores como das empresas. Esse foi o grande engodo em que embarcaram muitas federações industriais, ao aceitar esse discurso falso.
A maneira como alguns colegas reagiram à nova contabilidade é inacreditável. Ainda ontem insistiam que se tratava de manipulação contábil para esconder o déficit público. Esconder como? O tamanho do déficit final não será alterado. O que mudará será esse procedimento falso de jogar todo esse déficit na conta da Previdência.
É uma clara manipulação de quem não sabe analisar política econômica em ambiente democrático. Abusam do engodo para passar a conta para frente, jogando nas costas da parcela mais fraca da população.
Durante trinta dias, o economista Fábio Giambiagi foi presença diária em todos os veículos do Sistema Globo, fazendo seu proselitismo em cima de dados manipulados.
Admitir o engano, seria uma maneira de engrandecer o jornalismo do sistema Globo. Vamos ver o que Ali Kamel diz sobre isso.
Com poucos dias de divulgação, quais os resultados concretos dos novos critérios de contabilização das despesas da Previdência Social?
1. Os analistas passam a trabalhar os dados da previdência pública separados do Regime Geral da Previdência.
2. O Ministro da Previdência Social Nelson Machado anuncia que a Previdência não mais aceitará conceder isenções a programas não previdenciários, se não houver a garantia de cobertura dos incentivos pelo Tesouro.
3. Quando se fala em ajuste da Previdência, é para resolver um déficit que no ano passado foi de R$ 3,8 bi, e não mais os R$ 40 bi que eram brandidos por economistas pouco comprometidos com dados reais.
Nos anos 80, havia uma barafunda nos números do setor público brasileiro. Existia apenas um orçamento que englobava o orçamento propriamente dito (aquele que passava pelo Congresso), mais as contas da Previdência, mais as contas das estatais. Era impossível avaliar corretamente o tamanho do déficit público. Houve uma longa disputa para separar os orçamentos.
Havia também a conta movimento do Banco do Brasil. O governo criava programas em cima de programas, subsídios em cima de subsídios, e jogava para o BB. Este, por sua vez, lançava tudo nessa conta-movimento, que era um buraco sem fundo. O Tesouro simplesmente cobria o que caía na conta. Foi uma longa luta para acabar com essa confusão e falta de transparência.
Não há diferença conceitual entre a conta movimento do BB e a conta movimento da Previdência. Do jeito como se contabilizam os gastos da Previdência, o governo pode criar a isenção que quiser, beneficiar o setor que quiser, e lançar à conta da Previdência. Essa promiscuidade acabou elevando o déficit da Previdência a números fantasiosos e incorretos.
Porque os bravos economistas que brandiam esses números como tacapes pré-históricos jamais cuidaram de apresentar as contas corretas? Porque muitos colunistas econômicos repetiam esses clichês sobre o buraco de R$ 40 bi, e cotinuam repetindo, sendo que quase todos louvaram o fim da conta movimento?
É porque a manipulação de números jogava toda a conta em cima dos contribuintes do INSS, não apenas dos trabalhadores como das empresas. Esse foi o grande engodo em que embarcaram muitas federações industriais, ao aceitar esse discurso falso.
A maneira como alguns colegas reagiram à nova contabilidade é inacreditável. Ainda ontem insistiam que se tratava de manipulação contábil para esconder o déficit público. Esconder como? O tamanho do déficit final não será alterado. O que mudará será esse procedimento falso de jogar todo esse déficit na conta da Previdência.
É uma clara manipulação de quem não sabe analisar política econômica em ambiente democrático. Abusam do engodo para passar a conta para frente, jogando nas costas da parcela mais fraca da população.
Durante trinta dias, o economista Fábio Giambiagi foi presença diária em todos os veículos do Sistema Globo, fazendo seu proselitismo em cima de dados manipulados.
Admitir o engano, seria uma maneira de engrandecer o jornalismo do sistema Globo. Vamos ver o que Ali Kamel diz sobre isso.
Os governos e a história
Mino Carta
Aos internautas que perguntam se, de fato, o governo de FHC foi o pior da história, esclareço, de saída: não me refiro aos 21 anos da ditadura dos generais. Ali situo a segunda maior tragédia do Brasil. Primeira, a escravidão. Segunda, o golpe de 1964 e suas conseqüências. As conseqüências destas desgraças perduram até hoje. Quem sabe, devesse incluir outra tragédia, a colonização predatória e assassina. O pecado original, digamos assim, de uma nação. No mais, penso nos primeiros governos republicanos dentro da moldura temporal em que aconteceram. Que se podia esperar daquele Brasil? O Estado Novo, aos meus olhos, tem o irreparável defeito de resultar de mais um golpe. Não entra no meu rol, portanto, embora considere Getulio Vargas o único estadista brasileiro, com uma visão importante, contanto que, em certos pontos equivocada, daquilo que teria de ser a modernização do País. Juscelino foi presidente de uma época muito favorável ao mundo todo, e aproveitou-se disso. A construção de Brasília não me entusiasma, nem de longe, mas, no conjunto, o saldo é positivo. Jânio não chegou a governar, praticamente. Seria um desastre, creio eu, os fados e seus próprios maus humores (ou seria o caso de falar de loucura?) o evitaram. Jango não teve chances, ficou com o papel de vítima. Sarney não foi eleito, entrou de carona, passou um bom tempo a dormir, ali começou a debacle econômica de um País que deveria crescer 5% ao ano para ficar na mesma. O pior, contudo, ainda viria. Collor dá sua contribuição negativa. Prepara a cama, contudo, para FHC. Durante o governo tucano, o Brasil quebrou três vezes. É preciso explicar mais
Aos internautas que perguntam se, de fato, o governo de FHC foi o pior da história, esclareço, de saída: não me refiro aos 21 anos da ditadura dos generais. Ali situo a segunda maior tragédia do Brasil. Primeira, a escravidão. Segunda, o golpe de 1964 e suas conseqüências. As conseqüências destas desgraças perduram até hoje. Quem sabe, devesse incluir outra tragédia, a colonização predatória e assassina. O pecado original, digamos assim, de uma nação. No mais, penso nos primeiros governos republicanos dentro da moldura temporal em que aconteceram. Que se podia esperar daquele Brasil? O Estado Novo, aos meus olhos, tem o irreparável defeito de resultar de mais um golpe. Não entra no meu rol, portanto, embora considere Getulio Vargas o único estadista brasileiro, com uma visão importante, contanto que, em certos pontos equivocada, daquilo que teria de ser a modernização do País. Juscelino foi presidente de uma época muito favorável ao mundo todo, e aproveitou-se disso. A construção de Brasília não me entusiasma, nem de longe, mas, no conjunto, o saldo é positivo. Jânio não chegou a governar, praticamente. Seria um desastre, creio eu, os fados e seus próprios maus humores (ou seria o caso de falar de loucura?) o evitaram. Jango não teve chances, ficou com o papel de vítima. Sarney não foi eleito, entrou de carona, passou um bom tempo a dormir, ali começou a debacle econômica de um País que deveria crescer 5% ao ano para ficar na mesma. O pior, contudo, ainda viria. Collor dá sua contribuição negativa. Prepara a cama, contudo, para FHC. Durante o governo tucano, o Brasil quebrou três vezes. É preciso explicar mais
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Arlindo Chinaglia, do PT, é o novo presidente da Câmara dos Deputados
O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) é o novo presidente da Câmara. Ele foi eleito na noite de hoje (1º) para o biênio 2007/2008, ao vencer Aldo Rebelo (PCdoB-SP) no segundo turno por 18 votos de vantagem: 261 a 243. Seis deputados votaram em branco.
Pela primeira vez, a votação para a Mesa Diretora da Câmara foi eletrônica. Antes, ela era realizada em cédulas de papel, o que dificultava a votação e a apuração dos votos. O processo, que já chegou a durar 14 horas em outras ocasiões, desta vez foi concluído em pouco mais de quatro.
A apuração dos votos foi rápida, durava apenas alguns segundos. Entre o primeiro e o segundo turno, não deu tempo sequer para os dois candidatos mais votados, Chinaglia e Aldo, costurarem acordos no sentido de garantir votos. A apuração dos demais cargos da Mesa (vice-presidências, secretarias e suplências) ainda não ocorreu. Deve ser realizada dentro de alguns instantes, pois será comandada pelo novo presidente.
No primeiro turno, Arlindo Chinaglia saiu na frente dos outros dois candidatos, com 236 votos. Aldo Rebelo ficou em segundo, com 175. O candidato Gustavo Fruet (PSDB-PR) teve 98 votos e foi eliminado.
Do Terra
Pela primeira vez, a votação para a Mesa Diretora da Câmara foi eletrônica. Antes, ela era realizada em cédulas de papel, o que dificultava a votação e a apuração dos votos. O processo, que já chegou a durar 14 horas em outras ocasiões, desta vez foi concluído em pouco mais de quatro.
A apuração dos votos foi rápida, durava apenas alguns segundos. Entre o primeiro e o segundo turno, não deu tempo sequer para os dois candidatos mais votados, Chinaglia e Aldo, costurarem acordos no sentido de garantir votos. A apuração dos demais cargos da Mesa (vice-presidências, secretarias e suplências) ainda não ocorreu. Deve ser realizada dentro de alguns instantes, pois será comandada pelo novo presidente.
No primeiro turno, Arlindo Chinaglia saiu na frente dos outros dois candidatos, com 236 votos. Aldo Rebelo ficou em segundo, com 175. O candidato Gustavo Fruet (PSDB-PR) teve 98 votos e foi eliminado.
Do Terra
Choque de gestão tucano, greve do funcionalismo público
(Tatiana Merlino, site Brasil de Fato)
Desde o dia 16, uma greve do funcionalismo público praticamente paralisa o Estado de Alagoas. Cerca de 30 mil trabalhadores da saúde, educação e segurança cruzaram os braços. O motivo? O custo social do ajuste fiscal. Logo após assumir, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), com uma canetada suspendeu integralmente o reajuste salarial negociado por diversas categorias do serviço público ao longo do ano de 2006.
O tucano alegou que a correção dos vencimentos dos trabalhadores faria com o que o gasto de Alagoas com a folha de pagamento ultrapassasse o limite de 49% da receita do Estado, descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A medida, viabilizada por um decreto, detonou uma grave crise em Alagoas. Revoltados, os servidores prometem manter a grave até o governador aceitar a instituição de planos de carreiras e salários para o funcionalismo estadual - que foi aprovada pela gestão anterior e, agora, revogada pela tucano.
Durante uma semana, os manifestantes ocuparam o prédio da Secretaria da Fazenda em Maceió e contaram com o apoio de trabalhadores municipais e movimentos sociais. Pressionado, o governo concordou em repor integralmente os reajustes suspensos, por meio de uma folha suplementar. Os professores, categoria que teve participação definitiva na mobilização, ficaram de fora da proposta. Aos docentes, Vilela ofereceu um reajuste 80% menor do que o definido pela lei.
O tucano argumenta que reajustar o salário dos professores no mesmo nível dos outros servidores produziria um impacto de R$12 milhões na folha do Estado. Ele propôs uma fórmula escrúxula para completar a correção salarial: liberar mais 5% e pagar o restante (75%) na medida em que a arrecadação do Estado melhorar. De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Isac Jacson, essa proposta de pagamento "a perder de vista" não será aceita pelos servidores e só a revogação do decreto acaba com a greve geral.
O corte dos reajustes atingiu cerca de 80% do funcionalismo, segundo a Secretaria de Administração. Alagoas tem 51 mil servidores na ativa e 17 mil aposentados e pensionistas. Os salários de dezembro de 2006, que começaram a ser pagos no meio de janeiro, já sofreram cortes. Segundo o governo, os reajustes concedidos no ano passado desequilibraram as contas do Estado. No entanto, os ex-governadores Ronaldo Lessa (1999 a 2006) e Luís Abílio (2006) negaram que os reajustes aos servidores tenham ultrapassado os limites da LRF.
Categorias mobilizadas
Os servidores da saúde (exceto os médicos, que voltaram à ativa) e os policiais civis também resolveram manter a paralisação até o governador revogar o decreto. De acordo com eles, mesmo tendo voltado atrás quanto aos reajustes dessas categorias, com o decreto em vigor o governador teria autonomia para suspender os pagamentos a qualquer momento. "Com a manutenção do decreto, ele pode alegar a falta de orçamento mais uma vez", aponta Mário Jorge dos Santos, presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de Alagoas. Apesar de ter devolvido o salário dos servidores da saúde, diz, ficou faltando fazer a devolução do pagamento de 30% das férias dos trabalhadores.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policias Civis de Alagoas (Sindpol), Carlos Jorge da Rocha, os profissionais da área decidiram mover uma ação civil pública contra o Estado. O objetivo é que a categoria seja ressarcida por danos morais e prejuízo financeiro. O Ministério Público Estadual de Alagoas também entrou com uma ação civil pedindo a nulidade do decreto, alegando que ele é inconstitucional "por exorbitar o poder e os limites que a Constituição Estadual confere ao representante do Poder Executivo".
Choque de gestão
Segundo os grevistas, o modelo de gestão que está sendo implementado pelo governador Vilela segue os mesmos moldes dos também tucanos governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul - onde diversas categorias de servidores públicos gaúchos começam a se mobilizar contra a política de arrocho fiscal do novo governo.
De acordo com os governos tucanos, o chamado "choque de gestão" tem como objetivo equilibrar as contas do Estado, mas é duramente criticado pelos servidores, que afirmam que esse modelo reduz os investimentos nas áreas públicas, penaliza os servidores públicos estaduais, a pequena e média indústria e a agricultura. "O que há é um projeto do governos do PSDB para desmontar os serviços públicos. Mas as causas da dívida pública e desacertos na economia, reconhecidas por todos, não foram originados pelo aumento dos servidores públicos, como pretende induzir o governo. São fruto, em parte, das políticas públicas de arrocho fiscal impostas aos Estados da federação", aponta Mário Jorge dos Santos, do sindicato de Enfermagem.
"Que choque de gestão é esse que diz que ignora a lei de responsabilidade fiscal, não cobra os inadimplentes e, assim, acaba não investindo na educação e nem no trabalhador?", questiona Girlene Lázaro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Alagoas (Sinteal), que afirma que os recursos da educação não estão sendo aplicados como deveriam.
Bolsa Escola
Outra medida polêmica tomada pelo governador de Alagoas foi a suspensão, por decreto, do programa de transferência de renda para famílias carentes. O projeto Bolsa Escola Cidadã, criado em 2000, repassava R$75,50 para famílias carentes com a contrapartida de manterem os filhos de até 14 anos na escola. Nove mil famílias recebiam o benefício.
Segundo a secretária-adjunta da Educação, Márcia Valéria Santana, a atual administração detectou que cerca de 20% das famílias atendidas pelo projeto eram beneficiadas também pelo Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo federal. No início do ano letivo, disse Santana, será feito o recadastramento de famílias.
Desde o dia 16, uma greve do funcionalismo público praticamente paralisa o Estado de Alagoas. Cerca de 30 mil trabalhadores da saúde, educação e segurança cruzaram os braços. O motivo? O custo social do ajuste fiscal. Logo após assumir, o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), com uma canetada suspendeu integralmente o reajuste salarial negociado por diversas categorias do serviço público ao longo do ano de 2006.
O tucano alegou que a correção dos vencimentos dos trabalhadores faria com o que o gasto de Alagoas com a folha de pagamento ultrapassasse o limite de 49% da receita do Estado, descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A medida, viabilizada por um decreto, detonou uma grave crise em Alagoas. Revoltados, os servidores prometem manter a grave até o governador aceitar a instituição de planos de carreiras e salários para o funcionalismo estadual - que foi aprovada pela gestão anterior e, agora, revogada pela tucano.
Durante uma semana, os manifestantes ocuparam o prédio da Secretaria da Fazenda em Maceió e contaram com o apoio de trabalhadores municipais e movimentos sociais. Pressionado, o governo concordou em repor integralmente os reajustes suspensos, por meio de uma folha suplementar. Os professores, categoria que teve participação definitiva na mobilização, ficaram de fora da proposta. Aos docentes, Vilela ofereceu um reajuste 80% menor do que o definido pela lei.
O tucano argumenta que reajustar o salário dos professores no mesmo nível dos outros servidores produziria um impacto de R$12 milhões na folha do Estado. Ele propôs uma fórmula escrúxula para completar a correção salarial: liberar mais 5% e pagar o restante (75%) na medida em que a arrecadação do Estado melhorar. De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Isac Jacson, essa proposta de pagamento "a perder de vista" não será aceita pelos servidores e só a revogação do decreto acaba com a greve geral.
O corte dos reajustes atingiu cerca de 80% do funcionalismo, segundo a Secretaria de Administração. Alagoas tem 51 mil servidores na ativa e 17 mil aposentados e pensionistas. Os salários de dezembro de 2006, que começaram a ser pagos no meio de janeiro, já sofreram cortes. Segundo o governo, os reajustes concedidos no ano passado desequilibraram as contas do Estado. No entanto, os ex-governadores Ronaldo Lessa (1999 a 2006) e Luís Abílio (2006) negaram que os reajustes aos servidores tenham ultrapassado os limites da LRF.
Categorias mobilizadas
Os servidores da saúde (exceto os médicos, que voltaram à ativa) e os policiais civis também resolveram manter a paralisação até o governador revogar o decreto. De acordo com eles, mesmo tendo voltado atrás quanto aos reajustes dessas categorias, com o decreto em vigor o governador teria autonomia para suspender os pagamentos a qualquer momento. "Com a manutenção do decreto, ele pode alegar a falta de orçamento mais uma vez", aponta Mário Jorge dos Santos, presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Estado de Alagoas. Apesar de ter devolvido o salário dos servidores da saúde, diz, ficou faltando fazer a devolução do pagamento de 30% das férias dos trabalhadores.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Policias Civis de Alagoas (Sindpol), Carlos Jorge da Rocha, os profissionais da área decidiram mover uma ação civil pública contra o Estado. O objetivo é que a categoria seja ressarcida por danos morais e prejuízo financeiro. O Ministério Público Estadual de Alagoas também entrou com uma ação civil pedindo a nulidade do decreto, alegando que ele é inconstitucional "por exorbitar o poder e os limites que a Constituição Estadual confere ao representante do Poder Executivo".
Choque de gestão
Segundo os grevistas, o modelo de gestão que está sendo implementado pelo governador Vilela segue os mesmos moldes dos também tucanos governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul - onde diversas categorias de servidores públicos gaúchos começam a se mobilizar contra a política de arrocho fiscal do novo governo.
De acordo com os governos tucanos, o chamado "choque de gestão" tem como objetivo equilibrar as contas do Estado, mas é duramente criticado pelos servidores, que afirmam que esse modelo reduz os investimentos nas áreas públicas, penaliza os servidores públicos estaduais, a pequena e média indústria e a agricultura. "O que há é um projeto do governos do PSDB para desmontar os serviços públicos. Mas as causas da dívida pública e desacertos na economia, reconhecidas por todos, não foram originados pelo aumento dos servidores públicos, como pretende induzir o governo. São fruto, em parte, das políticas públicas de arrocho fiscal impostas aos Estados da federação", aponta Mário Jorge dos Santos, do sindicato de Enfermagem.
"Que choque de gestão é esse que diz que ignora a lei de responsabilidade fiscal, não cobra os inadimplentes e, assim, acaba não investindo na educação e nem no trabalhador?", questiona Girlene Lázaro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de Alagoas (Sinteal), que afirma que os recursos da educação não estão sendo aplicados como deveriam.
Bolsa Escola
Outra medida polêmica tomada pelo governador de Alagoas foi a suspensão, por decreto, do programa de transferência de renda para famílias carentes. O projeto Bolsa Escola Cidadã, criado em 2000, repassava R$75,50 para famílias carentes com a contrapartida de manterem os filhos de até 14 anos na escola. Nove mil famílias recebiam o benefício.
Segundo a secretária-adjunta da Educação, Márcia Valéria Santana, a atual administração detectou que cerca de 20% das famílias atendidas pelo projeto eram beneficiadas também pelo Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo federal. No início do ano letivo, disse Santana, será feito o recadastramento de famílias.
Luis Nassif "puxa orelha" de Míriam Leitão: é preciso contabilizar corretamente as contas.
Que a credibilidade de Míriam Leitão já tinha ido pro saco a muito tempo, por causa da sua teimosia em repetir, como uma autômata, a velha cartilha de FHC e dos neoliberais, disso já estamos cansados de saber. Mas a grande visibilidade dessa "Controladora Geral da União", como apelidou Paulo Henrique Amorim, incomoda outros jornalistas econômicos, como o sempre lúcido Luis Nassif. É briga de cachorro grande. Na questão sobre a Previdência, Nassif denuncia a confusão entre análise econômica e ideologia. E desmascara a Leitão.
O disco (quase) virou
Já virou o disco, na discussão sobre a Previdência. Todos os jornais passaram a trabalhar em cima dos conceitos corretos de déficit. Inclusive a “Folha” de hoje, em editorial, defendeu a medida.
Aliás, quase virou. Permanece na trincheira apenas minha amiga Mirian Leitão, para quem defender a contabilização correta de despesas é posição dos “dos que diziam que o déficit público era uma ilusão de ótica na época da hiperinflação”.
Mirian, Mirian, herdeiros da bagunça inflacionária dos anos 80 são aqueles que acreditam que a contabilização correta de receita e despesa é exercício inútil, porque o pagador é um só. Era assim que o pessoal pensava naquele período, esqueceu?
Seu raciocínio é idêntico aos que resistiam em separar orçamento da União do orçamento previdenciário e do orçamento das estatais, porque tudo recaia nas costas do Tesouro.
É da mesma natureza do que viram com desconfiança a criação da Secretaria do Tesouro, dos defensores de deixar tudo em um balaio só, porque o pagador é o mesmo.
Parafraseando um leitor do blog: é inacreditável que em pleno século 21 ainda existam pessoas contrárias à contabilização correta das contas.
Pergunta ela: “se forem mudados todos os guichês pagadores que diferença faz? O Brasil continuará sendo um país extremamente jovem com a previdência quebrada”.
(Suspiro) O que a ideologia não faz.
1. Mantenha todas as variáveis de idade, e comece a curva atuarial com um rombo de R$ 40 bi. Depois, mantenha todas as variáveis e comece a curva atuarial com um rombo de R$ 3,7 bi. Não é preciso dominar as planilhas, basta ter sensibilidade para os grandes números para entender que a mudança altera completamente os cálculos atuariais, o tamanho do ajuste necessário. Ou a Mirian acha que não há diferença em um ajuste para um rombo inicial de R$ 40 bi e outro para um rombo inicial de R$ 3,7 bi?
2. Há uma discussão técnica se o déficit no período hiperinflacionário existia ou se era decorrente exclusivamente da conta de juros. Havia economistas de renome sustentando que existia; economistas de renome sustentando que não. Sem mergulhar nas discussões da época, não ousaria desqualificar nenhum dos dois grupos sem estudar o tema antes.
3. Se contabilizar corretamente o déficit da Previdência, a Mirian continuará defendendo que todo o peso do déficit geral de R$ 40 bi recaia sobre os contribuintes da Previdência? É claro que não. Então quem é que se perdeu no descaminho: o Ministério, ao clarear as contas, ou quem não admite se curvar aos fatos, por mais claros e objetivos que eles sejam?
PS – Pessoal, quem for postar comentários, por favor, evite ataques pessoais. Estamos discutindo idéias, conceitos.
O disco (quase) virou
Já virou o disco, na discussão sobre a Previdência. Todos os jornais passaram a trabalhar em cima dos conceitos corretos de déficit. Inclusive a “Folha” de hoje, em editorial, defendeu a medida.
Aliás, quase virou. Permanece na trincheira apenas minha amiga Mirian Leitão, para quem defender a contabilização correta de despesas é posição dos “dos que diziam que o déficit público era uma ilusão de ótica na época da hiperinflação”.
Mirian, Mirian, herdeiros da bagunça inflacionária dos anos 80 são aqueles que acreditam que a contabilização correta de receita e despesa é exercício inútil, porque o pagador é um só. Era assim que o pessoal pensava naquele período, esqueceu?
Seu raciocínio é idêntico aos que resistiam em separar orçamento da União do orçamento previdenciário e do orçamento das estatais, porque tudo recaia nas costas do Tesouro.
É da mesma natureza do que viram com desconfiança a criação da Secretaria do Tesouro, dos defensores de deixar tudo em um balaio só, porque o pagador é o mesmo.
Parafraseando um leitor do blog: é inacreditável que em pleno século 21 ainda existam pessoas contrárias à contabilização correta das contas.
Pergunta ela: “se forem mudados todos os guichês pagadores que diferença faz? O Brasil continuará sendo um país extremamente jovem com a previdência quebrada”.
(Suspiro) O que a ideologia não faz.
1. Mantenha todas as variáveis de idade, e comece a curva atuarial com um rombo de R$ 40 bi. Depois, mantenha todas as variáveis e comece a curva atuarial com um rombo de R$ 3,7 bi. Não é preciso dominar as planilhas, basta ter sensibilidade para os grandes números para entender que a mudança altera completamente os cálculos atuariais, o tamanho do ajuste necessário. Ou a Mirian acha que não há diferença em um ajuste para um rombo inicial de R$ 40 bi e outro para um rombo inicial de R$ 3,7 bi?
2. Há uma discussão técnica se o déficit no período hiperinflacionário existia ou se era decorrente exclusivamente da conta de juros. Havia economistas de renome sustentando que existia; economistas de renome sustentando que não. Sem mergulhar nas discussões da época, não ousaria desqualificar nenhum dos dois grupos sem estudar o tema antes.
3. Se contabilizar corretamente o déficit da Previdência, a Mirian continuará defendendo que todo o peso do déficit geral de R$ 40 bi recaia sobre os contribuintes da Previdência? É claro que não. Então quem é que se perdeu no descaminho: o Ministério, ao clarear as contas, ou quem não admite se curvar aos fatos, por mais claros e objetivos que eles sejam?
PS – Pessoal, quem for postar comentários, por favor, evite ataques pessoais. Estamos discutindo idéias, conceitos.
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