Com mais 226 mil pessoas que passaram a ter carteira assinada em seis regiões metropolitanas em agosto, o Brasil registra umas das maiores taxas de emprego formal da história. A análise é do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quinta-feira, dia 21 (aguarde o áudio).
“A população ocupada subiu 1,1%, isso é praticamente uma das maiores variações de mês a mês que a pesquisa mensal de emprego aqui do IBGE tem mostrado nos últimos anos da pesquisa”, explicou Azeredo. Segundo ele, 472 mil brasileiros conseguiram um emprego com carteira assinada no último ano.
O desemprego caiu de 10,7 para 10,6% de julho para agosto. Já o rendimento médio do trabalhador brasileiro cresceu 3,5% de agosto de 2005 para agosto de 2006, segundo o IBGE.
Leia os principais pontos da entrevista com Cimar Azeredo:
O mercado de trabalho contrata mais e o nível da ocupação sobe. Há mais pessoas que trabalham com carteira assinada.
O mercado está mais formal e com rendimento mais alto. A situação no mercado de trabalho é favorável hoje.
Com o rendimento maior, a população ocupada passa a ter um poder de compra maior. Isso pode ser considerado um estímulo para as pessoas entrarem no mercado de trabalho.
O setor de serviços cresceu 2,5% de julho para agosto. São trabalhadores ligados às áreas de hospedagem, turismo, alimentação, setor cultural, de recreação, e também de pessoas contratadas para trabalhar na campanha eleitoral, como os cabos eleitorais.
O IBGE não consegue separar quanto desses 2,5% se devem às contratações no período da campanha eleitoral.
Os meses de agosto de 2006 e de 2002, anos eleitorais, são períodos bastante similares, ou seja, a taxa de ocupação aumenta. A eleição dá emprego, mas também gera expectativa que gera a taxa de desemprego.
Cimar Azeredo traçou o perfil dos desempregados. A maioria é jovem; pessoas que buscam o primeiro emprego. Há ainda grande parcela de mulheres que não são responsáveis pelo seu sustento na procura por emprego.
Fonte: http://conversa-afiada.ig.com.br, de Paulo Henrique Amorim
quinta-feira, setembro 21, 2006
AntiGOLPE
"Um GOLPE, urdido pelas mais arcaicas lideranças deste país, está em andamento, e não 'apenas' contra o atual governo, mas contra o PAÍS e suas GENTES.
Como de hábito, os $inhôs de um phoder exercido por 502 anos, têm o abjeto apoio de $inhá mídia e suas cunhã$.
Esse blogue deve servir como uma LIVRE e DEMOCRÁTICA mídia, bem como para servir de trincheira de resistência para todos que se recusam a ser E$CRAVO$.
Divulguem, se acharem digno de, e, se quiserem, participem (comentando, opinando, repassando textos e reproduções de matérias sobre o assunto); afinal, a casa é nossa - e o PAÍS também!"
O amigo Pirata criou o blog AntiGOLPE e eu dou o maior apoio! É uma aberração o descaramento com que a sujeira está sendo armada bem debaixo do nosso nariz!
Como de hábito, os $inhôs de um phoder exercido por 502 anos, têm o abjeto apoio de $inhá mídia e suas cunhã$.
Esse blogue deve servir como uma LIVRE e DEMOCRÁTICA mídia, bem como para servir de trincheira de resistência para todos que se recusam a ser E$CRAVO$.
Divulguem, se acharem digno de, e, se quiserem, participem (comentando, opinando, repassando textos e reproduções de matérias sobre o assunto); afinal, a casa é nossa - e o PAÍS também!"
O amigo Pirata criou o blog AntiGOLPE e eu dou o maior apoio! É uma aberração o descaramento com que a sujeira está sendo armada bem debaixo do nosso nariz!
quarta-feira, setembro 20, 2006
Estamos ao lado da Justiça
O episódio do dossiê é uma ótima oportunidade para reafirmar os princípios e motivações que nos levam a votar em Lula de novo para presidente do Brasil.
Estamos ao lado da Justiça e da Constituição.
Acreditamos que o governo Lula tem sido o único capaz de dar respostas concretas aos anseios que temos por um país menos injusto, menos desigual economicamente, mais solidário, mais generoso com os humildes e excluídos - a quem, historicamente, tem sido negado o mínimo para sobreviver com decência e dignidade. Lutar com Lula e por Lula é satisfazer este impulso por Justiça na acepção maiúscula, cristã, ético-filosófica, da expressão.
Não aceitamos a ilegalidade. Reprovamos e protestamos contra o uso de expedientes que contrariam as regras do jogo. Optamos por mudar o país (e o mundo) submetendo-nos a estas regras - nem sempre as melhores regras - de convivência e conduta. Optamos por fazer o embate cotidiano para melhorar tais regras, para democratizar a sua feitura, ampliando o espaço - e as condições de participação - daqueles a quem o país deixou de lado desde o avistamento do Monte Pascoal.
O grosso da oposição ao governo Lula é feito por gente para quem a noção de Justiça a que me refiro não faz o menor sentido, e que pouco se lixa para o respeito às regras do jogo. Em inúmeras oportunidades isto pôde ser testemunhado, em grandes e pequenos "momentos" de nossa vida republicana. Um exemplo grande: a aprovação da reeleição, sem incompatibilização, para beneficiar os então ocupantes dos cargos majoritários. Um exemplo pequeno: a recente obstrução da votação do Orçamento da União para 2006, em desrespeito da Carta Magna e a uma secular tradição do Congresso.
Não nos iludimos. Como em toda agremiação, também no PT há gente - uma minoria - que não tem enraizada esta noção fundante da democracia, fundamental para a co-existência da diversidade, do "outro". Talvez se pensem legitimados por um pretenso sentimento de Justiça que carregam. Para o nosso alívio, e para a boa sorte do Brasil, Lula não faz parte desta pequena parcela, que ao nosso ver prejudica o partido, prejudica o projeto democrático-popular, prejudica Lula, ofende a opinião pública, municia os adversários políticos, sempre oportunistas a vociferar a similitude dos costumes do PT aos seus próprios.
Isto dito, aprofundamos a defesa de Lula em relação ao episódio. Temos sua história pessoal. Temos o cumprimento cabal, eficiente e efetivo, pela Polícia Federal - que Lula dirige em última instância - das suas funções. Dito de outra forma: foi o governo quem abortou a malfadada operação, pois coisas como esta, hoje, não são admitidas pelos responsáveis que dirigem as instituições garantidoras da lei. É um alívio para nós que defendemos a Justiça e valorizamos o respeito às regras eleitorais, saber que neste governo a PF desarma golpes como este antes mesmo que se concretizem.
Pra nós é lamentável que os autores do golpe frustrado pela PF tenha ligações com o PT, com a campanha do presidente. É lamentável também porque causa inegável prejuízo para a imagem do partido fundado pelo presidente, já tão hostilizado em função da confissão, no ano passado, de que também o PT fez uso de caixa-dois em campanhas eleitorais, quebrando assim o monopólio dos partidos adversários sobre as fontes de financiamento ilegal do país. Mas é alvissareiro que o "doa a quem doer" típico das bravatas de ontem tenha se transformado hoje em rotina no âmbito do governo federal (e, esperamos, contagie rapidamente o próprio PT).
É triste ver que a mídia se esforça para dar a máxima ressonância a este sério erro da militância petista e, ao mesmo tempo, realize esforço ainda maior para diminuir ou simplesmente omitir o papel de um importante veículo de comunicação - a revista Istoé - na armação do "dossiê", bem como para deixar de lado - como se não fosse parte do escândalo - o conteúdo deste dossiê.
Incomoda os diversificados pesos e medidas da mídia, dos jornalões, dos blogueiros comerciais, dos comentaristas profissionais e amadores na TV e no rádio.
Pois o dossiê não deixa de ser um testemunho que envolve Serra no esquema dos Sanguessugas tanto quanto, há cerca de dois meses, envolveu (e enlameou)o ex-ministro petista e candidato a governador de Pernambuco Humberto Costa. Ao contrário de Serra, entretanto, Costa está pagando caro pela sanha da mídia e a fé - naquele momento cega - que ela depositou nas tristes histórias dos Vedoin. Agora que os Vedoin se tornaram "traficantes de provas forjadas", Serra se torna vítima de maledicência e Costa... bem, sendo Costa do PT, não é merecedor do benefício da dúvida.
Estamos ao lado da Justiça e da Constituição.
Acreditamos que o governo Lula tem sido o único capaz de dar respostas concretas aos anseios que temos por um país menos injusto, menos desigual economicamente, mais solidário, mais generoso com os humildes e excluídos - a quem, historicamente, tem sido negado o mínimo para sobreviver com decência e dignidade. Lutar com Lula e por Lula é satisfazer este impulso por Justiça na acepção maiúscula, cristã, ético-filosófica, da expressão.
Não aceitamos a ilegalidade. Reprovamos e protestamos contra o uso de expedientes que contrariam as regras do jogo. Optamos por mudar o país (e o mundo) submetendo-nos a estas regras - nem sempre as melhores regras - de convivência e conduta. Optamos por fazer o embate cotidiano para melhorar tais regras, para democratizar a sua feitura, ampliando o espaço - e as condições de participação - daqueles a quem o país deixou de lado desde o avistamento do Monte Pascoal.
O grosso da oposição ao governo Lula é feito por gente para quem a noção de Justiça a que me refiro não faz o menor sentido, e que pouco se lixa para o respeito às regras do jogo. Em inúmeras oportunidades isto pôde ser testemunhado, em grandes e pequenos "momentos" de nossa vida republicana. Um exemplo grande: a aprovação da reeleição, sem incompatibilização, para beneficiar os então ocupantes dos cargos majoritários. Um exemplo pequeno: a recente obstrução da votação do Orçamento da União para 2006, em desrespeito da Carta Magna e a uma secular tradição do Congresso.
Não nos iludimos. Como em toda agremiação, também no PT há gente - uma minoria - que não tem enraizada esta noção fundante da democracia, fundamental para a co-existência da diversidade, do "outro". Talvez se pensem legitimados por um pretenso sentimento de Justiça que carregam. Para o nosso alívio, e para a boa sorte do Brasil, Lula não faz parte desta pequena parcela, que ao nosso ver prejudica o partido, prejudica o projeto democrático-popular, prejudica Lula, ofende a opinião pública, municia os adversários políticos, sempre oportunistas a vociferar a similitude dos costumes do PT aos seus próprios.
Isto dito, aprofundamos a defesa de Lula em relação ao episódio. Temos sua história pessoal. Temos o cumprimento cabal, eficiente e efetivo, pela Polícia Federal - que Lula dirige em última instância - das suas funções. Dito de outra forma: foi o governo quem abortou a malfadada operação, pois coisas como esta, hoje, não são admitidas pelos responsáveis que dirigem as instituições garantidoras da lei. É um alívio para nós que defendemos a Justiça e valorizamos o respeito às regras eleitorais, saber que neste governo a PF desarma golpes como este antes mesmo que se concretizem.
Pra nós é lamentável que os autores do golpe frustrado pela PF tenha ligações com o PT, com a campanha do presidente. É lamentável também porque causa inegável prejuízo para a imagem do partido fundado pelo presidente, já tão hostilizado em função da confissão, no ano passado, de que também o PT fez uso de caixa-dois em campanhas eleitorais, quebrando assim o monopólio dos partidos adversários sobre as fontes de financiamento ilegal do país. Mas é alvissareiro que o "doa a quem doer" típico das bravatas de ontem tenha se transformado hoje em rotina no âmbito do governo federal (e, esperamos, contagie rapidamente o próprio PT).
É triste ver que a mídia se esforça para dar a máxima ressonância a este sério erro da militância petista e, ao mesmo tempo, realize esforço ainda maior para diminuir ou simplesmente omitir o papel de um importante veículo de comunicação - a revista Istoé - na armação do "dossiê", bem como para deixar de lado - como se não fosse parte do escândalo - o conteúdo deste dossiê.
Incomoda os diversificados pesos e medidas da mídia, dos jornalões, dos blogueiros comerciais, dos comentaristas profissionais e amadores na TV e no rádio.
Pois o dossiê não deixa de ser um testemunho que envolve Serra no esquema dos Sanguessugas tanto quanto, há cerca de dois meses, envolveu (e enlameou)o ex-ministro petista e candidato a governador de Pernambuco Humberto Costa. Ao contrário de Serra, entretanto, Costa está pagando caro pela sanha da mídia e a fé - naquele momento cega - que ela depositou nas tristes histórias dos Vedoin. Agora que os Vedoin se tornaram "traficantes de provas forjadas", Serra se torna vítima de maledicência e Costa... bem, sendo Costa do PT, não é merecedor do benefício da dúvida.
Crônica de um golpe anunciado
(Lula Miranda, na Agência Carta Maior)
Vimos acompanhando todos, já faz alguns meses, inúmeros pedidos de impeachment sendo plantados e acalentados pela grande imprensa, semana sim semana também. O esdrúxulo e extemporâneo impeachment não colou, pois, além de não haver base legal que justificasse o impedimento do presidente da República, como se sabe, Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo têm altos índices de aprovação junto à população. A "vocalização" do impedimento do presidente na grande imprensa parecia ter apenas a intenção de causar ao governo algum desgaste político. Parecia. Mas, percebe-se agora, visava preparar o terreno para um golpe que pretende desalojar Lula do Palácio do Planalto "na raça", na base do golpe sujo, utilizando-se de métodos escusos.
Os velhos "donos do poder" (utilizando-se de expressão cunhada por Faoro) desejam a chefia do executivo federal de volta às suas mãos de qualquer jeito - pois o poder seria deles "de direito", algo que lhes seria devido, inato. Como a candidatura do "decepcionante" Alckmin não decolou, a última cartada seria mesmo "ganhar no tapetão".
Primeiro, a 15 dias das eleições, arma-se uma arapuca "fatal" para Lula e o PT (seu partido). Com a devida manipulação do episódios na mídia, cria-se um clima de comoção, decepção e desalento, e faz-se, em seguida, pesquisas no calor da hora. Se nem assim o candidato dos "coronéis" (os cordatos e os nem tanto) subir, manipulam-se algumas pesquisas. E, se nem com essa bem urdida "arapuca", conseguirem acabar com a candidatura Lula, o jeito seria embargar sua candidatura na Justiça ou, se eleito, impedi-lo de governar criando várias CPIs e revivendo o turbilhão político do último ano e meio de seu primeiro mandato. O lance é não permitir um segundo mandato, de qualquer jeito. Vamos à cronologia e etapas dos últimos acontecimentos.
Na semana do feriado de 7 de setembro, começaram a circular boatos de que uma "bomba" envolvendo o presidente Lula estava por ser detonada pela oposição - envolveria pessoa muito próxima ao presidente e seria avassaladora. Como esse tipo de "chantagem", boatos e ameaças são comuns ao jogo eleitoral, não lhes dei muita atenção e importância. Na semana seguinte ao 7 de Setembro, já na segunda-feira, 11, porém, os boatos começaram a se intensificar.
Foi quando, para minha surpresa, no dia 14, surgiu pela primeira vez na "blogosfera", mais precisamente no blog do Noblat, a notícia de que vinha, sim, uma bomba, mas era, ao contrário do esperado, um artefato que explodiria no colo da candidatura de José Serra: em entrevista os Vedoin (pai e filho) comprometiam José Serra com a chamada máfia dos "sanguessugas", mostrando, inclusive, farta documentação comprobatória. Noblat postou essa notícia às 21h12 do dia 14 como já dito. Acompanhei a repercussão dessa notícia, durante todo o dia 14, nos sites das grandes empresas jornalísticas. Não houve. Não saiu uma nota sequer. No dia seguinte, procurei nos jornais dos grandes grupos de comunicação: nem uma notinha de pé de página (registro que o "blog do Noblat" é acolhido pelo grupo O Estado de São Paulo, um jornal, todos sabem, "de direita", conservador). Curiosamente, a notícia, inicialmente postada pelo Noblat, só começou a ser veiculada na Folha e em outros "jornalões" quando já se tinha a notícia de que duas pessoas supostamente ligadas ao PT haviam sido presas com R$1,7 milhão que seriam utilizados para comprar um tal dossiê envolvendo José Serra e Geraldo Alckmin (esse seria supostamente o ingrediente novo: o envolvimento de Alckmin) com a máfia das ambulâncias (ou dos "sanguessugas", como queira). O que antes parecia algo restrito a atingir a candidatura de José Serra ao governo do estado de São Paulo, também resvalava em Alckmin. Na verdade, comprovar-se-ia depois, a intenção daquele episódio todo era atingir a candidatura Lula - agora, com a citação em depoimento de um assessor do presidente isso ficou evidenciado. Bingo! O petardo havia então acertado o alvo. O foco central, a notícia sobre o envolvimento de Serra com a máfia dos "sanguessugas", foi abandonado, deixado de lado. O foco da notícia agora passava a ser o Partido dos Trabalhadores e o governo Lula. O PT e Lula estavam de volta ao patíbulo.
O que estava ocorrendo, afinal? - perguntavam-se todos, entre incrédulos e perplexos. Uma bem urdida armação? Uma orquestração? Uma "arapuca" armada pelos tucanos e/ou pefelistas, que haviam buscado aproximar os Vedoin de petistas desavisados? Compraram alguns "petistas" na bacia das almas? - na verdade, pessoas infiltradas no partido? Ou seria mais uma "tremenda vacilada" de algum petista incauto? Para quem ainda se lembrava do inverossímil episódio dos tais dólares na cueca, tudo era possível. Mas, algumas perguntas restam ser respondidas, pois há indícios sérios, mais ou menos evidentes, que nos causam estranheza ou, no mínimo, desconfiança de uma armação.
1. Por que um dos cidadãos detidos foi logo dizendo, de imediato, que era do PT? Só faltou, para ficar bem na foto, a camisa do PT vestindo o meliante. Lembram do seqüestro de Abílio Diniz - hoje com Lula? Não seria esperado que ele, o cidadão detido em flagrante, caso estivesse realmente a serviço do partido, não revelasse essa informação nem sob tortura?
2. Por que supostos petistas comprariam por, repito, R$1,7 milhão um "dossiê" que continha fatos e informações que não valiam nem um tostão furado - disseram que pediram inicialmente R$20 milhões? Aquelas fotos já haviam saído na imprensa e sido amplamente divulgadas.
3. Por que os petistas, sabendo que os Vedoin estavam sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, não avisariam a própria PF e ao MP sob a tentativa dos indiciados de vender-lhes essas provas? - assim eles obteriam as provas graciosamente e ainda incriminariam mais os verdadeiramente envolvidos com a máfia (os Vedoin e agora, ao que parece, José Serra).
4. Por que só agora resolveram denunciar José Serra? Estavam negociando o dossiê antes com o PSDB?
5. Por que envolveram, de imediato, um assessor da Presidência da República nessa mal contada história - se o depoente não sabia sequer precisar o nome da pessoa. Por que na acareação o acusador tão falante até então, calou-se?
6. Afinal, quem negociou por parte do PT foi o Diretório Estadual, como se disse no início, ou o Nacional, como se diz agora? Não é estranho que um militante recém-ingressado no partido (filiou-se em 2004) seja destacado para tão importante, delicada e "suicida" missão às vésperas da eleição?
7. E esse novo episódio do grampo nos telefones dos ministros do TSE? Não lhes parece estranho? Por que a varredura foi feita? Por que foi divulgada sem que antes houvesse uma necessária investigação? A quem interessaria a essa altura conturbar o processo eleitoral? É da democracia que o presidente do TSE reúna-se com políticos da oposição para estudarem juntos uma forma de impugnar a candidatura do presidente em exercício? Certamente que não!
Enfim, prezado leitores, é tão absurda e impensável toda essa situação que só mesmo aguardando uma competente e acurada investigação da Polícia Federal. Não precipitemos o julgamento. Foi armação? Teria sido uma contramedida de uma dos "gestapos" incrustados no Estado para favorecer José Serra - lembram-se do caso Lunus, que destruiu a candidatura de Roseana Sarney? Lembram do Dossiê Cayman - era verdadeiro ou não? E a lista de Furnas? E a pasta rosa? Há uma vasta oferta de Dossiês no mercado negro da política.
Só que, passado o calor do momento, para o dia 1º de outubro, o estrago na campanha à reeleição de Lula já terá sido fato consumado. Ao passo que a campanha de Alckmin, e, principalmente, a do Serra, passam incólumes. Quem foi a priori condenado nesse episódio, pela grande imprensa, foi, de novo, o PT. Será esse episódio suficiente e necessário para servir como um novo pretexto a um recrudescimento do já evidente parcialismo da grande imprensa pró-Alckmin e pró-Serra? Só nos restar aguardar, e, de olhos bem atentos e vigilantes, reclamar um tratamento mais equânime às candidaturas na mídia. E denunciar, sempre.
E que não insistam em velhas receitas e estratégias golpistas, pois, essa democracia que aí está, com toda sua fragilidade e podridão, hipocrisia e "gansgsterianismo" das máfias políticas, é a que temos, por enquanto, enquanto a tão necessária reforma política não vem. E se o "rei" tentar derrubar o "peão" "no tapetão" sairemos todos às ruas para, como nas Diretas-Já, fazer valer a vontade do povo.
Vimos acompanhando todos, já faz alguns meses, inúmeros pedidos de impeachment sendo plantados e acalentados pela grande imprensa, semana sim semana também. O esdrúxulo e extemporâneo impeachment não colou, pois, além de não haver base legal que justificasse o impedimento do presidente da República, como se sabe, Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo têm altos índices de aprovação junto à população. A "vocalização" do impedimento do presidente na grande imprensa parecia ter apenas a intenção de causar ao governo algum desgaste político. Parecia. Mas, percebe-se agora, visava preparar o terreno para um golpe que pretende desalojar Lula do Palácio do Planalto "na raça", na base do golpe sujo, utilizando-se de métodos escusos.
Os velhos "donos do poder" (utilizando-se de expressão cunhada por Faoro) desejam a chefia do executivo federal de volta às suas mãos de qualquer jeito - pois o poder seria deles "de direito", algo que lhes seria devido, inato. Como a candidatura do "decepcionante" Alckmin não decolou, a última cartada seria mesmo "ganhar no tapetão".
Primeiro, a 15 dias das eleições, arma-se uma arapuca "fatal" para Lula e o PT (seu partido). Com a devida manipulação do episódios na mídia, cria-se um clima de comoção, decepção e desalento, e faz-se, em seguida, pesquisas no calor da hora. Se nem assim o candidato dos "coronéis" (os cordatos e os nem tanto) subir, manipulam-se algumas pesquisas. E, se nem com essa bem urdida "arapuca", conseguirem acabar com a candidatura Lula, o jeito seria embargar sua candidatura na Justiça ou, se eleito, impedi-lo de governar criando várias CPIs e revivendo o turbilhão político do último ano e meio de seu primeiro mandato. O lance é não permitir um segundo mandato, de qualquer jeito. Vamos à cronologia e etapas dos últimos acontecimentos.
Na semana do feriado de 7 de setembro, começaram a circular boatos de que uma "bomba" envolvendo o presidente Lula estava por ser detonada pela oposição - envolveria pessoa muito próxima ao presidente e seria avassaladora. Como esse tipo de "chantagem", boatos e ameaças são comuns ao jogo eleitoral, não lhes dei muita atenção e importância. Na semana seguinte ao 7 de Setembro, já na segunda-feira, 11, porém, os boatos começaram a se intensificar.
Foi quando, para minha surpresa, no dia 14, surgiu pela primeira vez na "blogosfera", mais precisamente no blog do Noblat, a notícia de que vinha, sim, uma bomba, mas era, ao contrário do esperado, um artefato que explodiria no colo da candidatura de José Serra: em entrevista os Vedoin (pai e filho) comprometiam José Serra com a chamada máfia dos "sanguessugas", mostrando, inclusive, farta documentação comprobatória. Noblat postou essa notícia às 21h12 do dia 14 como já dito. Acompanhei a repercussão dessa notícia, durante todo o dia 14, nos sites das grandes empresas jornalísticas. Não houve. Não saiu uma nota sequer. No dia seguinte, procurei nos jornais dos grandes grupos de comunicação: nem uma notinha de pé de página (registro que o "blog do Noblat" é acolhido pelo grupo O Estado de São Paulo, um jornal, todos sabem, "de direita", conservador). Curiosamente, a notícia, inicialmente postada pelo Noblat, só começou a ser veiculada na Folha e em outros "jornalões" quando já se tinha a notícia de que duas pessoas supostamente ligadas ao PT haviam sido presas com R$1,7 milhão que seriam utilizados para comprar um tal dossiê envolvendo José Serra e Geraldo Alckmin (esse seria supostamente o ingrediente novo: o envolvimento de Alckmin) com a máfia das ambulâncias (ou dos "sanguessugas", como queira). O que antes parecia algo restrito a atingir a candidatura de José Serra ao governo do estado de São Paulo, também resvalava em Alckmin. Na verdade, comprovar-se-ia depois, a intenção daquele episódio todo era atingir a candidatura Lula - agora, com a citação em depoimento de um assessor do presidente isso ficou evidenciado. Bingo! O petardo havia então acertado o alvo. O foco central, a notícia sobre o envolvimento de Serra com a máfia dos "sanguessugas", foi abandonado, deixado de lado. O foco da notícia agora passava a ser o Partido dos Trabalhadores e o governo Lula. O PT e Lula estavam de volta ao patíbulo.
O que estava ocorrendo, afinal? - perguntavam-se todos, entre incrédulos e perplexos. Uma bem urdida armação? Uma orquestração? Uma "arapuca" armada pelos tucanos e/ou pefelistas, que haviam buscado aproximar os Vedoin de petistas desavisados? Compraram alguns "petistas" na bacia das almas? - na verdade, pessoas infiltradas no partido? Ou seria mais uma "tremenda vacilada" de algum petista incauto? Para quem ainda se lembrava do inverossímil episódio dos tais dólares na cueca, tudo era possível. Mas, algumas perguntas restam ser respondidas, pois há indícios sérios, mais ou menos evidentes, que nos causam estranheza ou, no mínimo, desconfiança de uma armação.
1. Por que um dos cidadãos detidos foi logo dizendo, de imediato, que era do PT? Só faltou, para ficar bem na foto, a camisa do PT vestindo o meliante. Lembram do seqüestro de Abílio Diniz - hoje com Lula? Não seria esperado que ele, o cidadão detido em flagrante, caso estivesse realmente a serviço do partido, não revelasse essa informação nem sob tortura?
2. Por que supostos petistas comprariam por, repito, R$1,7 milhão um "dossiê" que continha fatos e informações que não valiam nem um tostão furado - disseram que pediram inicialmente R$20 milhões? Aquelas fotos já haviam saído na imprensa e sido amplamente divulgadas.
3. Por que os petistas, sabendo que os Vedoin estavam sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, não avisariam a própria PF e ao MP sob a tentativa dos indiciados de vender-lhes essas provas? - assim eles obteriam as provas graciosamente e ainda incriminariam mais os verdadeiramente envolvidos com a máfia (os Vedoin e agora, ao que parece, José Serra).
4. Por que só agora resolveram denunciar José Serra? Estavam negociando o dossiê antes com o PSDB?
5. Por que envolveram, de imediato, um assessor da Presidência da República nessa mal contada história - se o depoente não sabia sequer precisar o nome da pessoa. Por que na acareação o acusador tão falante até então, calou-se?
6. Afinal, quem negociou por parte do PT foi o Diretório Estadual, como se disse no início, ou o Nacional, como se diz agora? Não é estranho que um militante recém-ingressado no partido (filiou-se em 2004) seja destacado para tão importante, delicada e "suicida" missão às vésperas da eleição?
7. E esse novo episódio do grampo nos telefones dos ministros do TSE? Não lhes parece estranho? Por que a varredura foi feita? Por que foi divulgada sem que antes houvesse uma necessária investigação? A quem interessaria a essa altura conturbar o processo eleitoral? É da democracia que o presidente do TSE reúna-se com políticos da oposição para estudarem juntos uma forma de impugnar a candidatura do presidente em exercício? Certamente que não!
Enfim, prezado leitores, é tão absurda e impensável toda essa situação que só mesmo aguardando uma competente e acurada investigação da Polícia Federal. Não precipitemos o julgamento. Foi armação? Teria sido uma contramedida de uma dos "gestapos" incrustados no Estado para favorecer José Serra - lembram-se do caso Lunus, que destruiu a candidatura de Roseana Sarney? Lembram do Dossiê Cayman - era verdadeiro ou não? E a lista de Furnas? E a pasta rosa? Há uma vasta oferta de Dossiês no mercado negro da política.
Só que, passado o calor do momento, para o dia 1º de outubro, o estrago na campanha à reeleição de Lula já terá sido fato consumado. Ao passo que a campanha de Alckmin, e, principalmente, a do Serra, passam incólumes. Quem foi a priori condenado nesse episódio, pela grande imprensa, foi, de novo, o PT. Será esse episódio suficiente e necessário para servir como um novo pretexto a um recrudescimento do já evidente parcialismo da grande imprensa pró-Alckmin e pró-Serra? Só nos restar aguardar, e, de olhos bem atentos e vigilantes, reclamar um tratamento mais equânime às candidaturas na mídia. E denunciar, sempre.
E que não insistam em velhas receitas e estratégias golpistas, pois, essa democracia que aí está, com toda sua fragilidade e podridão, hipocrisia e "gansgsterianismo" das máfias políticas, é a que temos, por enquanto, enquanto a tão necessária reforma política não vem. E se o "rei" tentar derrubar o "peão" "no tapetão" sairemos todos às ruas para, como nas Diretas-Já, fazer valer a vontade do povo.
Gregório Fortunato?! Só Freud explica!
O "ato falho" existe e serve para revelar o que realmente passa pela cabeça das pessoas. E das forças políticas. Quando FHC clama por um Carlos Lacerda e quando parte da imprensa compara Freud Godoy com Gregório Fortunato, convém aos apoiadores da campanha Lula entrar em estado de alerta.
Para quem não lembra: Gregório Fortunato, "anjo da guarda" de Getúlio Vargas, foi acusado de ter planejado um atentado contra Carlos Lacerda. A Aeronáutica, que teve um de seus oficiais vitimado no atentado, montou uma investigação paralela para descobrir os responsáveis. Desde o início, o objetivo da investigação estava claro: derrubar Getúlio Vargas. Para furar o cerco, Vargas optou pelo suicídio, precedido da redação da famosa Carta-Testamento.
Feito este lembrete, analisemos o comportamento do governo Lula: foi a Polícia Federal, dirigida por Paulo Lacerda, subordinado ao ministro Márcio Thomaz Bastos, ministro do governo Lula, quem prendeu duas pessoas acusadas de negociar a compra de um dossiê contendo informações relativas ao chamado escândalo das ambulâncias.
Portanto, as instituições funcionam e isto ocorre por determinação e com o total apoio do governo. Não há nenhum, absolutamente nenhum, movimento no sentido de encobrir o que quer que seja.
Na Polícia Federal, um dos presos citou Freud Godoy, assessor do presidente da República. Freud Godoy negou qualquer envolvimento no caso. Mesmo assim, pediu demissão do cargo, deu entrevista à imprensa, apresentou-se à Polícia Federal e colocou todos os seus sigilos à disposição. A P olícia Federal prossegue as investigações e a verdade virá à tona.
Mas o que interessa à oposição tucano-pefelista não é a verdade; o que interessa é atingir a pessoa do presidente da República. Por isso parte da imprensa estabeleceu forçadas analogias entre Freud Godoy e Gregório Fortunato. Por isso, também, o PSDB e o PFL foram ao TSE, colocando em questão o registro da candidatura Lula.
Quais os reais motivos da oposição? Eles são muitos e não dizem respeito apenas às eleições. O fato é que, vindo à luz toda a verdade, pode se confirmar o envolvimento dos tucanos, José Serra e Geraldo Alckmin incluídos, com o chamado esquema dos Vedoin.
Um dos que apontou isto foi o jurista e professor de Direito da Universidade de São Paulo, Dalmo Dallari, que em entre vista ao Terra Magazine disse que o pedido do PSDB e do PFL ao TSE é "pura encenação eleitoral. Esse pedido não tem a mínima consistência. Um dado que me chama a atenção é que essas ameaças de ação judicial estão sendo usadas como cortina de fumaça para que não se pergunte sobre o conteúdo do dossiê. Que tipo de acusações ele tem? Seria essencial conhecer isso".
Para quem não lembra: Gregório Fortunato, "anjo da guarda" de Getúlio Vargas, foi acusado de ter planejado um atentado contra Carlos Lacerda. A Aeronáutica, que teve um de seus oficiais vitimado no atentado, montou uma investigação paralela para descobrir os responsáveis. Desde o início, o objetivo da investigação estava claro: derrubar Getúlio Vargas. Para furar o cerco, Vargas optou pelo suicídio, precedido da redação da famosa Carta-Testamento.
Feito este lembrete, analisemos o comportamento do governo Lula: foi a Polícia Federal, dirigida por Paulo Lacerda, subordinado ao ministro Márcio Thomaz Bastos, ministro do governo Lula, quem prendeu duas pessoas acusadas de negociar a compra de um dossiê contendo informações relativas ao chamado escândalo das ambulâncias.
Portanto, as instituições funcionam e isto ocorre por determinação e com o total apoio do governo. Não há nenhum, absolutamente nenhum, movimento no sentido de encobrir o que quer que seja.
Na Polícia Federal, um dos presos citou Freud Godoy, assessor do presidente da República. Freud Godoy negou qualquer envolvimento no caso. Mesmo assim, pediu demissão do cargo, deu entrevista à imprensa, apresentou-se à Polícia Federal e colocou todos os seus sigilos à disposição. A P olícia Federal prossegue as investigações e a verdade virá à tona.
Mas o que interessa à oposição tucano-pefelista não é a verdade; o que interessa é atingir a pessoa do presidente da República. Por isso parte da imprensa estabeleceu forçadas analogias entre Freud Godoy e Gregório Fortunato. Por isso, também, o PSDB e o PFL foram ao TSE, colocando em questão o registro da candidatura Lula.
Quais os reais motivos da oposição? Eles são muitos e não dizem respeito apenas às eleições. O fato é que, vindo à luz toda a verdade, pode se confirmar o envolvimento dos tucanos, José Serra e Geraldo Alckmin incluídos, com o chamado esquema dos Vedoin.
Um dos que apontou isto foi o jurista e professor de Direito da Universidade de São Paulo, Dalmo Dallari, que em entre vista ao Terra Magazine disse que o pedido do PSDB e do PFL ao TSE é "pura encenação eleitoral. Esse pedido não tem a mínima consistência. Um dado que me chama a atenção é que essas ameaças de ação judicial estão sendo usadas como cortina de fumaça para que não se pergunte sobre o conteúdo do dossiê. Que tipo de acusações ele tem? Seria essencial conhecer isso".
segunda-feira, setembro 18, 2006
Lula: "a única frustração que tenho é que os ricos não estejam votando em mim"
Terra Magazine - No dia em que se completava o centésimo dia do seu governo, em abril de 2003, o senhor me disse, no Alvorada, que não iria fazer investigações sobre o governo do PSDB, o longo período de Fernando Henrique Cardoso na presidência. O senhor, tendo vivido o que viveu nesse último ano, se arrepende de não ter mandado investigar o governo passado?
Lula: Não, não me arrependo. O Brasil se encontrava naquele momento numa situação muito delicada. Na situação em que se encontrava o país não suportaria isso. A situação não era boa. Se a gente parasse para ficar fazendo guerra interna, quem ganharia com isso? Eu já vi prefeitos e governadores pararem tudo um ano para investigar os adversários e aí, o que acontece? Perdem um ano de governo, não fazem o que devem fazer. O que tem para ser investigado não é função de governo investigar. Eu tinha clareza de que não tinha tempo a perder fazendo investigação. O país tem instrumentos e instituições para investigação, o que eu queria, e fiz, era governar o Brasil. Não me arrependo nem um pouco.
Independente dos fatos, da corrupção, se ela é, foi maior ou menor do que anunciada, o senhor esperava enfrentar a reação que enfrentou?
Olha, eu sempre soube que a política brasileira é isso: lamentavelmente ela é isso...
Isso o quê?
Vive de denúncia, acusações, dossiês, coisas que muitas vezes depois não são comprovadas, nem desmentidas, e ninguém nem faz reparo, as coisas não têm prosseguimento. Todo mundo que é denunciado tem que ter o direito à defesa plena. Se valesse isso, se fosse feito assim em outros tempos, o Vladimir Herzog não teria sido morto. Na medida em que você se precipita no julgamento, você pode condenar um inocente e, da mesma forma, absolver o culpado.
Claro que há inocentes e culpados, mas o senhor não nega que tenha havido mensalão ou algo do gênero?
Eu não nego e nem confirmo. Acho que as coisas têm que ser apuradas, nós precisamos é criar mecanismos para que uma denúncia, quando sai, seja investigada corretamente. Que se ouçam todas as pessoas. Nós vivemos um momento em que as pessoas chegaram a tirar da cadeia bandido condenado a 26 anos para poder dizer coisas contra o ministro da justiça. Eu ficava pensando: quando os deputados vão à cadeia para ouvir um bandido condenado a 26 anos para saber da vida do Márcio Thomaz Bastos, que país é esse?
Um movimento é dos que denunciavam, acusavam o governo por corrupção. O que, na política, impede o presidente de dizer quem fez isso e quem fez aquilo? O que impede um outro movimento, o de um presidente dizer aquilo que todo mundo sabe sobre aqueles que todos conhecem, dizer claramente quem é quem? Qual é a regra da política que impede as coisas de serem ditas com toda a clareza?
O presidente da República não é eleito para criar confusão, é eleito para tentar ajudar a resolver a confusão. Ora, tanto quanto você, vocês, eu conheço a realidade da política brasileira, mas não pode ser assim. Eu não posso ficar acusando. Eu sempre ponderei que toda e qualquer denúncia tem que ser investigada, com o maior cuidado possível. Eu acompanhei o drama daquela família da Escola de Base, que era inocente. Destruíram uma escola, uma família, para depois constatar que o cara era inocente.
Mas o senhor acha que tem alguém que foi cassado, por exemplo, o José Dirceu, ou o Palocci, que foi demitido pelo senhor até, que pode ser comparado ao caso da Escola Base?
Acho que são coisas diferentes... O Palocci cometeu um erro diferente de outros erros. Porque ele teve o problema da quebra do sigilo. E eu entendi que o ministro da Fazenda não tinha o direito de utilizar o poder do ministro para ir atrás do caseiro investigar. E o José Dirceu... veja, eu não sei por que o José Dirceu foi cassado. Vocês sabem?
Porque ele foi acusado de chefiar...
interrompendo) Mas qual é a prova contra isso? Por que o Roberto Jefferson foi cassado?
Ele admitiu que pegou dinheiro.
Não. Foi por quebra de decoro parlamentar. Foi porque ele mentiu. Ora, se ele mentiu significa que parte das coisas que ele falou não era verdade. Ora, eu acho que julgamento eminentemente político pode cometer erros gravíssimos. Chega uma hora em que as pessoas querem condenar o político, sabe, a gente não pode confundir se foi dinheiro para campanha com mensalão...
E o mensalão...
Veja, eu quero ver alguém poder provar. Porque para provar precisava ter quebrado o sigilo bancário dos deputados.
Então o senhor diferencia o erro do Palocci do erro do José Dirceu?
São duas coisas distintas. O Palocci, eu entendia que tinha que ser afastado porque era impossível que o ministério da fazenda tivesse pedido para quebrar o sigilo do caseiro.
Depois o senhor o elogiou...
Elogiei, não. Elogio até hoje. Acho que o Brasil deve ao Palocci. E o Brasil precisa agradecer o que o Palocci significou para este país.
Nesse processo todo houve erros e...
Este momento é desagradável na medida em que você percebe que a sociedade não é informada corretamente. As pessoas fazem julgamentos a toda hora. Você é julgado 24 horas por dia, em 24 manchetes diferentes por dia. Você não tem chance sequer de se defender. O pior momento da minha vida foi quando descobri que tinha gente que torce para que o Brasil não dê certo.
O pior momento foi quando acusaram sua família, seus filhos? Aquilo ajudou, levou-o a reagir quando já parecia batido?
É lógico que sim, é claro que sim...
O senhor não come cenoura (o almoço é servido) porque engorda?
Cenoura tem carboidrato. O Kalil ( médico particular, de São Pulo) era contra eu fazer o meu regime, perdi quinze quilos.Aprendi o seguinte. Faço regime mais duro de domingo à noite até sexta-feira à noite. De sábado a domingo até meio-dia eu relaxo. Se ganhar um quilo no fim de semana, perco na terça e na quarta. Já aprendi que é mais fácil perder um quilo do que quinze.
O que o senhor come?
Eu não janto mais à noite. De noite tomo uma sopa, creme de cebola, creme de aspargos, uma sopa de legumes.
A cerveja o senhor cortou?
Nunca gostei de cerveja. Tomo uma latinha e parece que comi um elefante.
Depois da posse o senhor falava em mudar as leis trabalhistas, o FGTS. O senhor desistiu daquilo?
Eu criei um grupo de trabalho com empresários, com trabalhadores e com o governo. Esse grupo, chamado Fórum Nacional do Trabalho, produziu a reforma da estrutura sindical brasileira, que está no Congresso Nacional. Esse mesmo fórum tem que discutir a reforma trabalhista. Essas reformas são fáceis de falar e difíceis de fazer. Porque as pessoas acham que têm direitos adquiridos e que não pode mexer. As pessoas não percebem a revolução tecnológica, a revolução da informática. As pessoas agem como se fosse 1940, quando foi criada a legislação trabalhista. Eu acho que ela tem que passar por uma adequação. E ninguém melhor do que os trabalhadores para saber qual é o problema. Eles têm essa incumbência.
E tá andando?
Tá.
O palanque é o lugar onde o senhor se sente mais à vontade, não é? É, é onde me sinto bem à vontade.
O senhor disse que um presidente não pode expor o cargo aos adversários. Isso significa que o senhor não vai ao debate (da TV Globo)? Veja, eu acho engraçada a inquietação que as pessoas têm. Em 1998 ninguém perguntou para o Fernando Henrique Cardoso (o motivo de ele não ir aos debates).
O senhor perguntava. Eu não perguntava. Ele não ia, não ia.
Mas o senhor reclamava. É um direito democrático alguém convidar (para um debate) e é tão democrático quanto a recusa. A democracia não é uma moeda que só tem uma face. Ela tem duas faces.
Então o senhor não vai?
Não sei. Eu quero saber o que eu ganho, o que eu perco. Sou presidente da República independentemente de estar candidato. Eu não posso expor a instituição da Presidência. E veja que não é um problema de estar na frente (nas pesquisas). Em 2002 eu estive na frente durante a campanha inteira e fui a todos os debates. Adoro debates. Aliás, sou fissurado em debates.
Pelo que falou, o senhor não vai.
Eu quero saber quais são as regras.
Num discurso para intelectuais, outro dia em São Paulo, o senhor falou que a fase da posse foi pacífica porque o senhor não quis ficar cutucando. Mas aqueles momentos de emoção na posse foram reais, com o Fernando Henrique. Quando isso se quebrou, em que momento essa percepção mudou? Eu nunca deixei de reconhecer o significado que representou a minha vitória. Não na eleição brasileira. Mas o significado para o setor que eu representava, do qual sou originário, que são os trabalhadores brasileiros. Eu sempre tive isso muito forte. Eu perdi três eleições porque o povo tinha medo de que um igual a ele não pudesse fazer as coisas. Hoje é o contrário. O povo vê que um igual a ele faz mais que os outros.
Seria isso que explicaria o fato de o povo hoje puxar a classe média, e não o contrário? Inventaram o tal de formador de opinião aí. O cara escreve artigo de jornal e forma opinião. E o cara da CUT, não forma opinião? O cara da colônia de pescadores, não é formador de opinião?
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso forma opinião? Forma negativamente. Porque quem tem a rejeição que ele tem, era melhor não dar opinião.
Como o senhor avalia as últimas atitudes dele? Eu não sei. Eu lamento. Procurei o Fernando Henrique Cardoso em 1978, quando ele não era ninguém, para apoiá-lo. Ele estava de regresso ao Brasil. Fomos eu e minha turma, o Alemãozinho. Fomos procurá-lo para apoiá-lo em 1978 contra o Montoro e contra o Cláudio Lembo, que era da Arena. E eu achava que era preciso renovar a política.
Ele reclama porque diz que o senhor nunca o chamou nem para um café.Mas ele também nunca me chamou...
O senhor foi chamado, sim.Ele só me chamou preocupado em saber se eu conhecia alguma coisa das Ilhas Cayman. E eu fui sincero com ele. Quando eu soube, eu falei: não vou entrar nessa, não vou me prestar, na minha idade, a ser porta-voz de denúncia de Paulo Maluf contra o Mário Covas e o Fernando Henrique Cardoso. Chamei o Márcio Thomaz Bastos, entreguei o dossiê para ele. Ele foi conversar com o Serra, com o Fernando Henrique Cardoso. Vamos deixar as coisas claras.
O senhor foi visitá-lo com o Cristovam Buarque no Palácio da Alvorada. Isso foi em dezembro, depois da reeleição dele. Ele pediu para conversarmos. Então ele está sendo muito pessimista. Não estamos em dezembro ainda.
Vencendo as eleições, o senhor vai igualmente chamá-lo para uma conversa? Veja, eu sou uma pessoa que a coisa que eu dou mais valor é a amizade. A única coisa que a gente leva da vida é a relação de amizade que constrói. É mais ou menos a única coisa que sobra. Eu não tenho nada contra o Fernando Henrique Cardoso. Absolutamente nada. A única coisa que eu lamento é que ele não tenha sabido se comportar como ex-presidente da República. Eu espero dar uma lição a ele quando eu deixar a Presidência, sobre como um ex-presidente deve se comportar. Um ex-presidente não dá palpite, um ex-presidente fica quieto. Um ex-presidente, antes de julgar os outros, olha o que fez. Sabe, no Brasil, o único cara que sabe se portar é o presidente Sarney. Ele foi achincalhado pelo Collor e nunca fez julgamento do Collor. Nunca deu palpite sobre o Fernando Henrique Cardoso.
O Itamar Franco sabe se comportar? Melhor que o Fernando Henrique.
O senhor se considerava amigo dele? Eu sei que ele fica ofendido quando eu faço comparações do meu governo com o dele. Mas eu não tenho com quem comparar. Não posso me comparar com o Getúlio Vargas. Se eu ganhar as eleições, não vou mais comparar com ele. Vou me comparar comigo mesmo, comparar o mandato de 2007 a 2010 com o mandato de 2003 a 2006.
E enquanto se compara com ele (FHC), o senhor não cita o Geraldo Alckmin. Não, eu não quero... veja, eu não tenho nada contra o Alckmin, gente. Vocês sabem o seguinte: eu nunca, nunca, tive problemas com pessoas. Eu não pessoalizo. Eu tive uma relação institucional com o Alckmin muito boa. Eu não tive amizade com o Alckmin. Eu tive amizade com o Mário Covas, com o José Serra, com o Fernando Henrique Cardoso. Não tive com o Alckmin, mas tive uma relação institucional muito civilizada. Então eu quero preservar isso. Se ele não quer, o problema é dele. Eu vou manter a minha linha. É assim que eu sou.
O Aécio Neves é seu amigo? É meu amigo. Eu tenho muitos amigos. Muitos. O Aécio é meu amigo, o Lucio Alcântara é meu amigo, o Rigotto, o Requião é meu amigo. Só não é meu amigo quem não quer ser meu amigo. Se quiser, eu estou de braços abertos.
O Aécio quer? O Aécio é um companheiro que conheço desde a Constituinte. É uma figura extremamente civilizada, que sabe ser companheiro, que sabe até na divergência política ser cordato.
O Alckmin está passando do tom? Não fica bem para ele. O Alckmin não tem cara pra ser agressivo. Médico não pode ser agressivo. Senão, como fica o paciente? O Alckmin, sabe... tem que ser do jeito que ele é.
O senhor dá a entender que, caso reeleito, procurará ter uma ótima relação com o Aécio Neves. Eu já tenho ótima relação com o Aécio.
E com o José Serra? Eu tenho ótima relação com o Serra.
Vocês conversam? Nos últimos dias, não. Mas aquilo que eu disse para a imprensa é absolutamente verdadeiro. Ah, mas saiu uma manchete contra o Serra. E daí? Sair uma manchete contrária não prova nada. Eu quero saber é se essa manchete pode ser desmentida amanhã. E, se alguém que disse numa manchete garrafal que alguém é culpado, vai ter coragem de fazer manchete com letra garrafal dizendo que esse alguém é inocente. Eu tenho boa relação com o Serra, participei de debates com ele na campanha de 2002, fizemos uma campanha de nível muito elevado, não houve agressão verbal, nos tratamos como companheiros.
O senhor pode renegociar a dívida dos Estados? Não podemos esquecer que esses governadores todos fizeram festa quando foi feito o acordo. Porque o acordo foi feito permitindo que eles vendessem patrimônio público. Agora acabou o patrimônio e eles se deram conta de que entraram numa gelada. Mas tem a lei de responsabilidade fiscal, que nós não podemos permitir que seja burlada. Então eu acho que a nação não crescerá se os Estados estiverem quebrados. Então vamos ter que encontrar uma negociação sem burlar a lei de responsabilidade fiscal, vendo o que é possível fazer para ajudar em função da particularidade de cada Estado. Fora disso, não tem volta ao passado.
Essa eleição é melhor que as outras? Ela é melhor e é pior. Ter teu trabalho reconhecido é uma coisa maravilhosa. Desse ponto de vista é melhor. Do ponto de vista de ser presidente, é pior. Porque eu nunca sei quando sou presidente e sou candidato. Estou aqui como candidato. Acontece uma desgraça, eu vou para Brasília como presidente. Eu hoje sou um homem convicto de que a reeleição é um retrocesso político para o Brasil. O mandato de cinco anos sem reeleição seria a melhor coisa. Aliás o meu amigo Fernando Henrique Cardoso vai carregar pelo resto da vida o gesto irresponsável de ter aprovado a reeleição. A única explicação para a reeleição chama-se vaidade pessoal, personalismo.
Mas as pessoas podem perguntar ao senhor: se é assim, porque o senhor está disputando a reeleição? Ah! Porque tem o instrumento. Não fui eu que criei. Esse país tem regras, tem regras.
Mas o senhor não era obrigado a se candidatar. Eu era obrigado.
Por quê? Porque eu era o único candidato que poderia derrotá-los. É isso. Agora, eu afirmei na Constituinte, afirmei na época da reeleição e reafirmo agora: a reeleição é perniciosa para o Brasil. Se o cara for adorado pelo povo, fica cinco anos fora e depois volta. Qual é o problema?
O senhor vai tentar fazer a reforma política? E por onde vai começar? Essa é uma coisa que não pode ser do presidente apenas. Mas vão ter que ser discutidas coisas como a fidelidade partidária, o financiamento público de campanhas, o voto distrital misto.
Discutir o sistema de governo também? Parlamentarismo ou presidencialismo? Não. Isso nós já votamos e já perdemos duas vezes. O povo brasileiro é presidencialista.
O senhor tem uma maioria esmagadora entre os pobres e os que têm menos acesso à educação. É a primeira vez na história recente que votos não são distribuídos de forma homogênea por todas as classes sociais. Existe um fosso hoje no eleitorado. Se você não tomar cuidado ao fazer a pergunta, alguém pode interpretar que precisamos mudar de povo. Eu perdi três eleições porque o povo pobre tinha medo de mim. Não acreditava em um igual a ele. E agora eu estou ganhando porque o povo descobriu que um igual pode fazer por ele o que um diferente não conseguiu fazer. Agora, ainda é cedo para falar em resultado de eleição. Sempre tive muito voto nos setores da sociedade organizada, de mais de cinco salários mínimos. Isso está se mantendo.
Mas o fosso preocupa? Não. Agora, a única frustração que eu tenho é que os ricos não estejam votando em mim. Sabe? Porque ganharam dinheiro como ninguém no meu governo. As empresas ganharam mais que os bancos, teve mais crédito que nunca. Depois de vinte anos a construção civil começou a se recuperar fortemente. Então essa é minha única frustração.
O senhor não acha que nessa faixa, de maior renda e escolaridade, as pessoas estão mais informadas sobre o mensalão e as denúncias de corrupção, e isso tem reflexo na eleição? Não é isso o que determina o voto no Brasil. Se isso determinasse o voto no Brasil, essa gente escolheria melhor quem ajudar nas campanhas. Porque cada deputado eleito teve alguns patrocinadores. Perguntem aos que financiam as campanhas se têm coragem de dizer para quem deram dinheiro?
Um presidente não pode dizer com todos os verbos quem são os personagens e como é que o jogo funciona no Brasil em relação ao uso de dinheiro na campanha?
Eu não posso dizer quem são os personagens. Mas qualquer brasileiro sabe. É só pegar a história da política brasileira, desde a proclamação da República, gente. Ninguém está inventando nada. A política brasileira é isso.
O senhor acha então que o Paulo Betti estava certo quando disse que política não se faz sem colocar a mão na...? Eu não concordo. O que eu acho é que a política brasileira tem uma tradição secular. Sempre foi assim e se não mudar o sistema vai continuar sendo assim.
Secular em relação a que? De dependência econômica dos candidatos, de financiamento, de cobrança depois. Aliás, eu vou contar uma coisa para vocês: na história política do Brasil recente muitos corruptos eram tratados pela imprensa como espertos. Ah, fulano de tal é velhaco, malandro, esse sabe fazer política. A imprensa tratava assim. Tratava o bandido como o esperto da política, profissional competente.
Por que o senhor acha que foi tratado com mais rigor? Eu vou te entrevistar e você vai dizer. Você sabe. Mas não vou dizer para não passar por vítima. Mas todo mundo sabe o que aconteceu neste país. Tanto que algumas pessoas ficaram surpresas quando saiu a pesquisa e eu não estava no ralo. Porque essas pessoas que fazem o julgamento não conhecem o país. Não conhecem o povo brasileiro. Não viajam pelo Brasil. Fica cada em seu departamento fazendo julgamento. Tem que descer pras ruas para ver as coisas acontecerem. O povo está comendo mais. Uma dona de casa paga R$ 5,9 pelo arroz Tio João e em 2003 ela pagava R$ 13. Vai falar mal de mim para essa mulher...
Estamos chegando num momento no Brasil em que alguém que queira formar opinião pública vai ter que começar a compreender que o povo não acredita em tudo. Se o formador for sério, não for chapa branca nem formador contra por ser contra, mas se for um cara que com a mesma sensibilidade faz um elogio e faz uma crítica, o povo percebe que a pessoa é verdadeira. Aí sim ele vira formador de opinião pública. Porque ele é justo naquilo que ele traduz. Se o cara aparece todo dia fazendo julgamento, julgamento, o povo diz: vem cá, não tem nada certo? Eu acho que esse país vai passar por um processo de reflexão profunda. Para o bem do Brasil. Vamos ter que avaliar muita coisa.
Como está hoje a situação da Bolívia? Sabe o que eu fico com pena? É que as pessoas tentam tirar proveito da crise da Bolívia para dizer "o Lula tem que ser macho". Tem dois motivos para você demonstrar força: um é quando você está fraco e precisa fazer barulho, gargantear, fazer bravata. Agora, quando está forte, não tem que demonstrar. Eu tenho a nítida noção da supremacia brasileira diante da Bolívia. Então por que tenho que fazer bravata? Olha, se a Petrobras deixar de explorar gás, vai faltar gás de cozinha e gasolina na Bolívia. Quando conversei com o Evo Morales, eu peguei o mapa da América do Sul e mostrei a situação da Bolívia, onde estava a Venezuela. Eu disse "tira a espada da minha cabeça, porque senão eu vou colocar na tua. Se eu não quiser o gás de vocês, vocês vão sofrer mais que nós". É como relação de marido e mulher. Nós precisamos um do outro. Vamos nos entender. Dá uma olhada (estende a mão): eu estou nervoso? Vocês acham que se fosse uma coisa que me deixasse nervoso eu estaria aqui? Eu tenho enorme noção da situação da Bolívia e quero ajudá-los. O Brasil tem que ajudar a Bolívia. Não tem jeito.
Mas e o decreto? Decreto é decreto, não é lei. Isso foi congelado. Outro ministro faz outro decreto.
O senhor dirá que o Evo faz um pouco de bravata? Eu diria que eles têm problemas sérios internos. Eu fico pensando que se nós tivéssemos ganhado as eleições em 89, talvez estivéssemos na mesma situação. Eu sempre agradeço a Deus por não ter vencido em 89 e ter esperado 12 anos para chegar, porque esses 12 anos me deram muita experiência. Então o Brasil precisa do gás na Bolívia, a Bolívia precisa do Brasil. Nós vamos sair dessa numa boa. Veja o seguinte: eu nunca bati no meu filho. Não vou brigar com a Bolívia, o Uruguai, o Paraguai. Eu tenho que saber a dimensão, a correlação de forças. Em 2004, a Marta concorria à prefeitura e eu aumentei os juros. Faltavam 15 dias para a eleição. E agora também faltam. Eu não vou fazer bravata eleitoral. Não é relação de político para político, é de Estado para Estado.
A Marta perdeu. Não por causa dos juros. Ela perdeu porque o Serra teve mais votos que ela.
É verdade que o senhor vai fazer demissões a partir de novembro? O Henrique Meirelles fica no governo? Olha, à priori, todos ficam. Isso é o mais fácil. O mais difícil... o que eu quero é propor um pacto de responsabilidade com o país. Quando eu digo construir um pacto, é estabelecer quais são os principais projetos que não são de interesse do Lula, mas que interessam a todos os brasileiros, como o Fundeb, a lei das micro e pequenas empresas. Em torno disso, vamos pactuar algumas coisas. Porque se você fizer isso, o cotidiano você vai tocando, aos trancos e barrancos. É um pacto de bom senso. É todo mundo tomar algum remédio contra azia de manhã e se encontrar no Congresso para discutir. Se quiser colocar o nome deles para patentear, pode colocar. Eu aceito.
Isso não pode andar junto com a reforma política.
Tem que andar junto, sim. Porque eles também haverão de querer a reforma.
O senhor vai fazer a reforma tributária, e a fiscal, com corte de gastos?
Primeiro, a reforma tributária: em abril de 2003, eu e 27 governadores fomos ao Congresso Nacional entregar a reforma da previdência e a tributária. O que aconteceu é que foi votada a parte federal, e a estadual não. Os governadores queriam continuar fazendo a guerra fiscal. Mas está lá. O relator já terminou.
O senhor vai continuar dando aumentos de salário mínimo? Vou, vou. Quando puder dar mais, eu dou. Quando não puder, dou menos. Mas vamos dar.
Lula: Não, não me arrependo. O Brasil se encontrava naquele momento numa situação muito delicada. Na situação em que se encontrava o país não suportaria isso. A situação não era boa. Se a gente parasse para ficar fazendo guerra interna, quem ganharia com isso? Eu já vi prefeitos e governadores pararem tudo um ano para investigar os adversários e aí, o que acontece? Perdem um ano de governo, não fazem o que devem fazer. O que tem para ser investigado não é função de governo investigar. Eu tinha clareza de que não tinha tempo a perder fazendo investigação. O país tem instrumentos e instituições para investigação, o que eu queria, e fiz, era governar o Brasil. Não me arrependo nem um pouco.
Independente dos fatos, da corrupção, se ela é, foi maior ou menor do que anunciada, o senhor esperava enfrentar a reação que enfrentou?
Olha, eu sempre soube que a política brasileira é isso: lamentavelmente ela é isso...
Isso o quê?
Vive de denúncia, acusações, dossiês, coisas que muitas vezes depois não são comprovadas, nem desmentidas, e ninguém nem faz reparo, as coisas não têm prosseguimento. Todo mundo que é denunciado tem que ter o direito à defesa plena. Se valesse isso, se fosse feito assim em outros tempos, o Vladimir Herzog não teria sido morto. Na medida em que você se precipita no julgamento, você pode condenar um inocente e, da mesma forma, absolver o culpado.
Claro que há inocentes e culpados, mas o senhor não nega que tenha havido mensalão ou algo do gênero?
Eu não nego e nem confirmo. Acho que as coisas têm que ser apuradas, nós precisamos é criar mecanismos para que uma denúncia, quando sai, seja investigada corretamente. Que se ouçam todas as pessoas. Nós vivemos um momento em que as pessoas chegaram a tirar da cadeia bandido condenado a 26 anos para poder dizer coisas contra o ministro da justiça. Eu ficava pensando: quando os deputados vão à cadeia para ouvir um bandido condenado a 26 anos para saber da vida do Márcio Thomaz Bastos, que país é esse?
Um movimento é dos que denunciavam, acusavam o governo por corrupção. O que, na política, impede o presidente de dizer quem fez isso e quem fez aquilo? O que impede um outro movimento, o de um presidente dizer aquilo que todo mundo sabe sobre aqueles que todos conhecem, dizer claramente quem é quem? Qual é a regra da política que impede as coisas de serem ditas com toda a clareza?
O presidente da República não é eleito para criar confusão, é eleito para tentar ajudar a resolver a confusão. Ora, tanto quanto você, vocês, eu conheço a realidade da política brasileira, mas não pode ser assim. Eu não posso ficar acusando. Eu sempre ponderei que toda e qualquer denúncia tem que ser investigada, com o maior cuidado possível. Eu acompanhei o drama daquela família da Escola de Base, que era inocente. Destruíram uma escola, uma família, para depois constatar que o cara era inocente.
Mas o senhor acha que tem alguém que foi cassado, por exemplo, o José Dirceu, ou o Palocci, que foi demitido pelo senhor até, que pode ser comparado ao caso da Escola Base?
Acho que são coisas diferentes... O Palocci cometeu um erro diferente de outros erros. Porque ele teve o problema da quebra do sigilo. E eu entendi que o ministro da Fazenda não tinha o direito de utilizar o poder do ministro para ir atrás do caseiro investigar. E o José Dirceu... veja, eu não sei por que o José Dirceu foi cassado. Vocês sabem?
Porque ele foi acusado de chefiar...
interrompendo) Mas qual é a prova contra isso? Por que o Roberto Jefferson foi cassado?
Ele admitiu que pegou dinheiro.
Não. Foi por quebra de decoro parlamentar. Foi porque ele mentiu. Ora, se ele mentiu significa que parte das coisas que ele falou não era verdade. Ora, eu acho que julgamento eminentemente político pode cometer erros gravíssimos. Chega uma hora em que as pessoas querem condenar o político, sabe, a gente não pode confundir se foi dinheiro para campanha com mensalão...
E o mensalão...
Veja, eu quero ver alguém poder provar. Porque para provar precisava ter quebrado o sigilo bancário dos deputados.
Então o senhor diferencia o erro do Palocci do erro do José Dirceu?
São duas coisas distintas. O Palocci, eu entendia que tinha que ser afastado porque era impossível que o ministério da fazenda tivesse pedido para quebrar o sigilo do caseiro.
Depois o senhor o elogiou...
Elogiei, não. Elogio até hoje. Acho que o Brasil deve ao Palocci. E o Brasil precisa agradecer o que o Palocci significou para este país.
Nesse processo todo houve erros e...
Este momento é desagradável na medida em que você percebe que a sociedade não é informada corretamente. As pessoas fazem julgamentos a toda hora. Você é julgado 24 horas por dia, em 24 manchetes diferentes por dia. Você não tem chance sequer de se defender. O pior momento da minha vida foi quando descobri que tinha gente que torce para que o Brasil não dê certo.
O pior momento foi quando acusaram sua família, seus filhos? Aquilo ajudou, levou-o a reagir quando já parecia batido?
É lógico que sim, é claro que sim...
O senhor não come cenoura (o almoço é servido) porque engorda?
Cenoura tem carboidrato. O Kalil ( médico particular, de São Pulo) era contra eu fazer o meu regime, perdi quinze quilos.Aprendi o seguinte. Faço regime mais duro de domingo à noite até sexta-feira à noite. De sábado a domingo até meio-dia eu relaxo. Se ganhar um quilo no fim de semana, perco na terça e na quarta. Já aprendi que é mais fácil perder um quilo do que quinze.
O que o senhor come?
Eu não janto mais à noite. De noite tomo uma sopa, creme de cebola, creme de aspargos, uma sopa de legumes.
A cerveja o senhor cortou?
Nunca gostei de cerveja. Tomo uma latinha e parece que comi um elefante.
Depois da posse o senhor falava em mudar as leis trabalhistas, o FGTS. O senhor desistiu daquilo?
Eu criei um grupo de trabalho com empresários, com trabalhadores e com o governo. Esse grupo, chamado Fórum Nacional do Trabalho, produziu a reforma da estrutura sindical brasileira, que está no Congresso Nacional. Esse mesmo fórum tem que discutir a reforma trabalhista. Essas reformas são fáceis de falar e difíceis de fazer. Porque as pessoas acham que têm direitos adquiridos e que não pode mexer. As pessoas não percebem a revolução tecnológica, a revolução da informática. As pessoas agem como se fosse 1940, quando foi criada a legislação trabalhista. Eu acho que ela tem que passar por uma adequação. E ninguém melhor do que os trabalhadores para saber qual é o problema. Eles têm essa incumbência.
E tá andando?
Tá.
O palanque é o lugar onde o senhor se sente mais à vontade, não é? É, é onde me sinto bem à vontade.
O senhor disse que um presidente não pode expor o cargo aos adversários. Isso significa que o senhor não vai ao debate (da TV Globo)? Veja, eu acho engraçada a inquietação que as pessoas têm. Em 1998 ninguém perguntou para o Fernando Henrique Cardoso (o motivo de ele não ir aos debates).
O senhor perguntava. Eu não perguntava. Ele não ia, não ia.
Mas o senhor reclamava. É um direito democrático alguém convidar (para um debate) e é tão democrático quanto a recusa. A democracia não é uma moeda que só tem uma face. Ela tem duas faces.
Então o senhor não vai?
Não sei. Eu quero saber o que eu ganho, o que eu perco. Sou presidente da República independentemente de estar candidato. Eu não posso expor a instituição da Presidência. E veja que não é um problema de estar na frente (nas pesquisas). Em 2002 eu estive na frente durante a campanha inteira e fui a todos os debates. Adoro debates. Aliás, sou fissurado em debates.
Pelo que falou, o senhor não vai.
Eu quero saber quais são as regras.
Num discurso para intelectuais, outro dia em São Paulo, o senhor falou que a fase da posse foi pacífica porque o senhor não quis ficar cutucando. Mas aqueles momentos de emoção na posse foram reais, com o Fernando Henrique. Quando isso se quebrou, em que momento essa percepção mudou? Eu nunca deixei de reconhecer o significado que representou a minha vitória. Não na eleição brasileira. Mas o significado para o setor que eu representava, do qual sou originário, que são os trabalhadores brasileiros. Eu sempre tive isso muito forte. Eu perdi três eleições porque o povo tinha medo de que um igual a ele não pudesse fazer as coisas. Hoje é o contrário. O povo vê que um igual a ele faz mais que os outros.
Seria isso que explicaria o fato de o povo hoje puxar a classe média, e não o contrário? Inventaram o tal de formador de opinião aí. O cara escreve artigo de jornal e forma opinião. E o cara da CUT, não forma opinião? O cara da colônia de pescadores, não é formador de opinião?
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso forma opinião? Forma negativamente. Porque quem tem a rejeição que ele tem, era melhor não dar opinião.
Como o senhor avalia as últimas atitudes dele? Eu não sei. Eu lamento. Procurei o Fernando Henrique Cardoso em 1978, quando ele não era ninguém, para apoiá-lo. Ele estava de regresso ao Brasil. Fomos eu e minha turma, o Alemãozinho. Fomos procurá-lo para apoiá-lo em 1978 contra o Montoro e contra o Cláudio Lembo, que era da Arena. E eu achava que era preciso renovar a política.
Ele reclama porque diz que o senhor nunca o chamou nem para um café.Mas ele também nunca me chamou...
O senhor foi chamado, sim.Ele só me chamou preocupado em saber se eu conhecia alguma coisa das Ilhas Cayman. E eu fui sincero com ele. Quando eu soube, eu falei: não vou entrar nessa, não vou me prestar, na minha idade, a ser porta-voz de denúncia de Paulo Maluf contra o Mário Covas e o Fernando Henrique Cardoso. Chamei o Márcio Thomaz Bastos, entreguei o dossiê para ele. Ele foi conversar com o Serra, com o Fernando Henrique Cardoso. Vamos deixar as coisas claras.
O senhor foi visitá-lo com o Cristovam Buarque no Palácio da Alvorada. Isso foi em dezembro, depois da reeleição dele. Ele pediu para conversarmos. Então ele está sendo muito pessimista. Não estamos em dezembro ainda.
Vencendo as eleições, o senhor vai igualmente chamá-lo para uma conversa? Veja, eu sou uma pessoa que a coisa que eu dou mais valor é a amizade. A única coisa que a gente leva da vida é a relação de amizade que constrói. É mais ou menos a única coisa que sobra. Eu não tenho nada contra o Fernando Henrique Cardoso. Absolutamente nada. A única coisa que eu lamento é que ele não tenha sabido se comportar como ex-presidente da República. Eu espero dar uma lição a ele quando eu deixar a Presidência, sobre como um ex-presidente deve se comportar. Um ex-presidente não dá palpite, um ex-presidente fica quieto. Um ex-presidente, antes de julgar os outros, olha o que fez. Sabe, no Brasil, o único cara que sabe se portar é o presidente Sarney. Ele foi achincalhado pelo Collor e nunca fez julgamento do Collor. Nunca deu palpite sobre o Fernando Henrique Cardoso.
O Itamar Franco sabe se comportar? Melhor que o Fernando Henrique.
O senhor se considerava amigo dele? Eu sei que ele fica ofendido quando eu faço comparações do meu governo com o dele. Mas eu não tenho com quem comparar. Não posso me comparar com o Getúlio Vargas. Se eu ganhar as eleições, não vou mais comparar com ele. Vou me comparar comigo mesmo, comparar o mandato de 2007 a 2010 com o mandato de 2003 a 2006.
E enquanto se compara com ele (FHC), o senhor não cita o Geraldo Alckmin. Não, eu não quero... veja, eu não tenho nada contra o Alckmin, gente. Vocês sabem o seguinte: eu nunca, nunca, tive problemas com pessoas. Eu não pessoalizo. Eu tive uma relação institucional com o Alckmin muito boa. Eu não tive amizade com o Alckmin. Eu tive amizade com o Mário Covas, com o José Serra, com o Fernando Henrique Cardoso. Não tive com o Alckmin, mas tive uma relação institucional muito civilizada. Então eu quero preservar isso. Se ele não quer, o problema é dele. Eu vou manter a minha linha. É assim que eu sou.
O Aécio Neves é seu amigo? É meu amigo. Eu tenho muitos amigos. Muitos. O Aécio é meu amigo, o Lucio Alcântara é meu amigo, o Rigotto, o Requião é meu amigo. Só não é meu amigo quem não quer ser meu amigo. Se quiser, eu estou de braços abertos.
O Aécio quer? O Aécio é um companheiro que conheço desde a Constituinte. É uma figura extremamente civilizada, que sabe ser companheiro, que sabe até na divergência política ser cordato.
O Alckmin está passando do tom? Não fica bem para ele. O Alckmin não tem cara pra ser agressivo. Médico não pode ser agressivo. Senão, como fica o paciente? O Alckmin, sabe... tem que ser do jeito que ele é.
O senhor dá a entender que, caso reeleito, procurará ter uma ótima relação com o Aécio Neves. Eu já tenho ótima relação com o Aécio.
E com o José Serra? Eu tenho ótima relação com o Serra.
Vocês conversam? Nos últimos dias, não. Mas aquilo que eu disse para a imprensa é absolutamente verdadeiro. Ah, mas saiu uma manchete contra o Serra. E daí? Sair uma manchete contrária não prova nada. Eu quero saber é se essa manchete pode ser desmentida amanhã. E, se alguém que disse numa manchete garrafal que alguém é culpado, vai ter coragem de fazer manchete com letra garrafal dizendo que esse alguém é inocente. Eu tenho boa relação com o Serra, participei de debates com ele na campanha de 2002, fizemos uma campanha de nível muito elevado, não houve agressão verbal, nos tratamos como companheiros.
O senhor pode renegociar a dívida dos Estados? Não podemos esquecer que esses governadores todos fizeram festa quando foi feito o acordo. Porque o acordo foi feito permitindo que eles vendessem patrimônio público. Agora acabou o patrimônio e eles se deram conta de que entraram numa gelada. Mas tem a lei de responsabilidade fiscal, que nós não podemos permitir que seja burlada. Então eu acho que a nação não crescerá se os Estados estiverem quebrados. Então vamos ter que encontrar uma negociação sem burlar a lei de responsabilidade fiscal, vendo o que é possível fazer para ajudar em função da particularidade de cada Estado. Fora disso, não tem volta ao passado.
Essa eleição é melhor que as outras? Ela é melhor e é pior. Ter teu trabalho reconhecido é uma coisa maravilhosa. Desse ponto de vista é melhor. Do ponto de vista de ser presidente, é pior. Porque eu nunca sei quando sou presidente e sou candidato. Estou aqui como candidato. Acontece uma desgraça, eu vou para Brasília como presidente. Eu hoje sou um homem convicto de que a reeleição é um retrocesso político para o Brasil. O mandato de cinco anos sem reeleição seria a melhor coisa. Aliás o meu amigo Fernando Henrique Cardoso vai carregar pelo resto da vida o gesto irresponsável de ter aprovado a reeleição. A única explicação para a reeleição chama-se vaidade pessoal, personalismo.
Mas as pessoas podem perguntar ao senhor: se é assim, porque o senhor está disputando a reeleição? Ah! Porque tem o instrumento. Não fui eu que criei. Esse país tem regras, tem regras.
Mas o senhor não era obrigado a se candidatar. Eu era obrigado.
Por quê? Porque eu era o único candidato que poderia derrotá-los. É isso. Agora, eu afirmei na Constituinte, afirmei na época da reeleição e reafirmo agora: a reeleição é perniciosa para o Brasil. Se o cara for adorado pelo povo, fica cinco anos fora e depois volta. Qual é o problema?
O senhor vai tentar fazer a reforma política? E por onde vai começar? Essa é uma coisa que não pode ser do presidente apenas. Mas vão ter que ser discutidas coisas como a fidelidade partidária, o financiamento público de campanhas, o voto distrital misto.
Discutir o sistema de governo também? Parlamentarismo ou presidencialismo? Não. Isso nós já votamos e já perdemos duas vezes. O povo brasileiro é presidencialista.
O senhor tem uma maioria esmagadora entre os pobres e os que têm menos acesso à educação. É a primeira vez na história recente que votos não são distribuídos de forma homogênea por todas as classes sociais. Existe um fosso hoje no eleitorado. Se você não tomar cuidado ao fazer a pergunta, alguém pode interpretar que precisamos mudar de povo. Eu perdi três eleições porque o povo pobre tinha medo de mim. Não acreditava em um igual a ele. E agora eu estou ganhando porque o povo descobriu que um igual pode fazer por ele o que um diferente não conseguiu fazer. Agora, ainda é cedo para falar em resultado de eleição. Sempre tive muito voto nos setores da sociedade organizada, de mais de cinco salários mínimos. Isso está se mantendo.
Mas o fosso preocupa? Não. Agora, a única frustração que eu tenho é que os ricos não estejam votando em mim. Sabe? Porque ganharam dinheiro como ninguém no meu governo. As empresas ganharam mais que os bancos, teve mais crédito que nunca. Depois de vinte anos a construção civil começou a se recuperar fortemente. Então essa é minha única frustração.
O senhor não acha que nessa faixa, de maior renda e escolaridade, as pessoas estão mais informadas sobre o mensalão e as denúncias de corrupção, e isso tem reflexo na eleição? Não é isso o que determina o voto no Brasil. Se isso determinasse o voto no Brasil, essa gente escolheria melhor quem ajudar nas campanhas. Porque cada deputado eleito teve alguns patrocinadores. Perguntem aos que financiam as campanhas se têm coragem de dizer para quem deram dinheiro?
Um presidente não pode dizer com todos os verbos quem são os personagens e como é que o jogo funciona no Brasil em relação ao uso de dinheiro na campanha?
Eu não posso dizer quem são os personagens. Mas qualquer brasileiro sabe. É só pegar a história da política brasileira, desde a proclamação da República, gente. Ninguém está inventando nada. A política brasileira é isso.
O senhor acha então que o Paulo Betti estava certo quando disse que política não se faz sem colocar a mão na...? Eu não concordo. O que eu acho é que a política brasileira tem uma tradição secular. Sempre foi assim e se não mudar o sistema vai continuar sendo assim.
Secular em relação a que? De dependência econômica dos candidatos, de financiamento, de cobrança depois. Aliás, eu vou contar uma coisa para vocês: na história política do Brasil recente muitos corruptos eram tratados pela imprensa como espertos. Ah, fulano de tal é velhaco, malandro, esse sabe fazer política. A imprensa tratava assim. Tratava o bandido como o esperto da política, profissional competente.
Por que o senhor acha que foi tratado com mais rigor? Eu vou te entrevistar e você vai dizer. Você sabe. Mas não vou dizer para não passar por vítima. Mas todo mundo sabe o que aconteceu neste país. Tanto que algumas pessoas ficaram surpresas quando saiu a pesquisa e eu não estava no ralo. Porque essas pessoas que fazem o julgamento não conhecem o país. Não conhecem o povo brasileiro. Não viajam pelo Brasil. Fica cada em seu departamento fazendo julgamento. Tem que descer pras ruas para ver as coisas acontecerem. O povo está comendo mais. Uma dona de casa paga R$ 5,9 pelo arroz Tio João e em 2003 ela pagava R$ 13. Vai falar mal de mim para essa mulher...
Estamos chegando num momento no Brasil em que alguém que queira formar opinião pública vai ter que começar a compreender que o povo não acredita em tudo. Se o formador for sério, não for chapa branca nem formador contra por ser contra, mas se for um cara que com a mesma sensibilidade faz um elogio e faz uma crítica, o povo percebe que a pessoa é verdadeira. Aí sim ele vira formador de opinião pública. Porque ele é justo naquilo que ele traduz. Se o cara aparece todo dia fazendo julgamento, julgamento, o povo diz: vem cá, não tem nada certo? Eu acho que esse país vai passar por um processo de reflexão profunda. Para o bem do Brasil. Vamos ter que avaliar muita coisa.
Como está hoje a situação da Bolívia? Sabe o que eu fico com pena? É que as pessoas tentam tirar proveito da crise da Bolívia para dizer "o Lula tem que ser macho". Tem dois motivos para você demonstrar força: um é quando você está fraco e precisa fazer barulho, gargantear, fazer bravata. Agora, quando está forte, não tem que demonstrar. Eu tenho a nítida noção da supremacia brasileira diante da Bolívia. Então por que tenho que fazer bravata? Olha, se a Petrobras deixar de explorar gás, vai faltar gás de cozinha e gasolina na Bolívia. Quando conversei com o Evo Morales, eu peguei o mapa da América do Sul e mostrei a situação da Bolívia, onde estava a Venezuela. Eu disse "tira a espada da minha cabeça, porque senão eu vou colocar na tua. Se eu não quiser o gás de vocês, vocês vão sofrer mais que nós". É como relação de marido e mulher. Nós precisamos um do outro. Vamos nos entender. Dá uma olhada (estende a mão): eu estou nervoso? Vocês acham que se fosse uma coisa que me deixasse nervoso eu estaria aqui? Eu tenho enorme noção da situação da Bolívia e quero ajudá-los. O Brasil tem que ajudar a Bolívia. Não tem jeito.
Mas e o decreto? Decreto é decreto, não é lei. Isso foi congelado. Outro ministro faz outro decreto.
O senhor dirá que o Evo faz um pouco de bravata? Eu diria que eles têm problemas sérios internos. Eu fico pensando que se nós tivéssemos ganhado as eleições em 89, talvez estivéssemos na mesma situação. Eu sempre agradeço a Deus por não ter vencido em 89 e ter esperado 12 anos para chegar, porque esses 12 anos me deram muita experiência. Então o Brasil precisa do gás na Bolívia, a Bolívia precisa do Brasil. Nós vamos sair dessa numa boa. Veja o seguinte: eu nunca bati no meu filho. Não vou brigar com a Bolívia, o Uruguai, o Paraguai. Eu tenho que saber a dimensão, a correlação de forças. Em 2004, a Marta concorria à prefeitura e eu aumentei os juros. Faltavam 15 dias para a eleição. E agora também faltam. Eu não vou fazer bravata eleitoral. Não é relação de político para político, é de Estado para Estado.
A Marta perdeu. Não por causa dos juros. Ela perdeu porque o Serra teve mais votos que ela.
É verdade que o senhor vai fazer demissões a partir de novembro? O Henrique Meirelles fica no governo? Olha, à priori, todos ficam. Isso é o mais fácil. O mais difícil... o que eu quero é propor um pacto de responsabilidade com o país. Quando eu digo construir um pacto, é estabelecer quais são os principais projetos que não são de interesse do Lula, mas que interessam a todos os brasileiros, como o Fundeb, a lei das micro e pequenas empresas. Em torno disso, vamos pactuar algumas coisas. Porque se você fizer isso, o cotidiano você vai tocando, aos trancos e barrancos. É um pacto de bom senso. É todo mundo tomar algum remédio contra azia de manhã e se encontrar no Congresso para discutir. Se quiser colocar o nome deles para patentear, pode colocar. Eu aceito.
Isso não pode andar junto com a reforma política.
Tem que andar junto, sim. Porque eles também haverão de querer a reforma.
O senhor vai fazer a reforma tributária, e a fiscal, com corte de gastos?
Primeiro, a reforma tributária: em abril de 2003, eu e 27 governadores fomos ao Congresso Nacional entregar a reforma da previdência e a tributária. O que aconteceu é que foi votada a parte federal, e a estadual não. Os governadores queriam continuar fazendo a guerra fiscal. Mas está lá. O relator já terminou.
O senhor vai continuar dando aumentos de salário mínimo? Vou, vou. Quando puder dar mais, eu dou. Quando não puder, dou menos. Mas vamos dar.
sexta-feira, setembro 15, 2006
"Na época de Serra e Negri nosso negócio era muito mais fácil. Foi quando mais crescemos" - Darci Vedoin
José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, é o personagem de capa da última edição da revista IstoÉ. Chegou às bancas nesta sexta-feira. Sob o título “Os Vedoin acusam Serra”, a notícia, escrita pelo repórter Mário Simas Filho, acomoda o tucano no centro do escândalo do superfaturamento de ambulâncias.
A reportagem baseia-se em declarações de Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planam. “Das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681, ou 70% do total, tiveram verbas liberadas até 2002, dentro do período de gestão de Serra e Barjas Negri”, anota o texto. Barjas Negri era o secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão Serra. Ele assumiu o ministério quando o titular teve de sair para concorrer ao Planalto, em março de 2002.
Os Vedoin contaram à revista que começaram a pagar propinas em 1998, durante a gestão de Serra. "Naquela época, a bancada do PSDB conseguia aprovar tudo e, no ministério, o dinheiro era rapidamente aprovado", disse Luiz Vedoin à InstoÉ. "Na época deles [Serra e Negri] o nosso negócio era muito mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos", ecoou Darci Vedoin.
A notícia informa ainda que os Vedoin acusaram um empresário chamado Abel Pereira de “agir em nome do então ministro Barjas Negri e de receber propina por meio de cheques e em depósitos nas [contas] das empresas Império e Kanguru.” O sítio noticioso Quinovi traz uma versão em PDF das páginas da revista.
Instado a comentar o caso, Serra foi conciso. Disse que a notícia "faz parte do kit baixaria do PT". Ontem, Serra já havia atribuído o envolvimento de seu nome no escândalo das sanguessugas aos destemperos próprios da época eleitoral. Parece claro que debitar a encrenca apenas na conta das querelas eleitorais não é a melhor estratégia para Serra.
O ex-ministro terá de pronunciar meia dúzia de frases de maior consistência. Ou desmonta as acusações ou verá a sua biografia ser arrastada pelo torvelinho que revolve a cena política nacional. Diz-se que os Vedoin, por bandidos, não mereceriam credibilidade. Bobagem. O tucanado vinha dando crédito irrestrito à dupla enquanto as acusações serviram para minar a autoridade do governo Lula e do PT. Experimentam agora uma dose do mesmo veneno. E precisam provar que dispõem de um bom antídoto.
From Blog do Josias
A reportagem baseia-se em declarações de Darci Vedoin e Luiz Antonio Vedoin, os donos da Planam. “Das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681, ou 70% do total, tiveram verbas liberadas até 2002, dentro do período de gestão de Serra e Barjas Negri”, anota o texto. Barjas Negri era o secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão Serra. Ele assumiu o ministério quando o titular teve de sair para concorrer ao Planalto, em março de 2002.
Os Vedoin contaram à revista que começaram a pagar propinas em 1998, durante a gestão de Serra. "Naquela época, a bancada do PSDB conseguia aprovar tudo e, no ministério, o dinheiro era rapidamente aprovado", disse Luiz Vedoin à InstoÉ. "Na época deles [Serra e Negri] o nosso negócio era muito mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos", ecoou Darci Vedoin.
A notícia informa ainda que os Vedoin acusaram um empresário chamado Abel Pereira de “agir em nome do então ministro Barjas Negri e de receber propina por meio de cheques e em depósitos nas [contas] das empresas Império e Kanguru.” O sítio noticioso Quinovi traz uma versão em PDF das páginas da revista.
Instado a comentar o caso, Serra foi conciso. Disse que a notícia "faz parte do kit baixaria do PT". Ontem, Serra já havia atribuído o envolvimento de seu nome no escândalo das sanguessugas aos destemperos próprios da época eleitoral. Parece claro que debitar a encrenca apenas na conta das querelas eleitorais não é a melhor estratégia para Serra.
O ex-ministro terá de pronunciar meia dúzia de frases de maior consistência. Ou desmonta as acusações ou verá a sua biografia ser arrastada pelo torvelinho que revolve a cena política nacional. Diz-se que os Vedoin, por bandidos, não mereceriam credibilidade. Bobagem. O tucanado vinha dando crédito irrestrito à dupla enquanto as acusações serviram para minar a autoridade do governo Lula e do PT. Experimentam agora uma dose do mesmo veneno. E precisam provar que dispõem de um bom antídoto.
From Blog do Josias
Bancada federal do PT deve aumentar, diz IUPERJ
Ao contrário da maioria das projeções, um estudo do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) mostra que o PT vai eleger em outubro uma bancada maior na Câmara. Segundo a pesquisa o partido deve eleger até 105 deputados federais, disse o editor-executivo da revista Carta Capital, Maurício Dias, em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 15 (clique aqui para ouvir). O estudo mostra que há um casamento entre a eleição para presidente a eleição proporcional.
A bancada do PSDB deve crescer 5%, puxada pela votação de Geraldo Alckmin. O PFL deve manter a atual bancada, enquanto o PP “desaparece lentamente”, assim como o PMDB, explicou Maurício Dias.
O jornalista explicou que o PT cresce ao “ocupar o espaço da esquerda trabalhista, jogando o PSDB para a direita”. Dessa maneira, o PMDB fica no centro.
Leia a íntegra da entrevista com o jornalista Maurício Dias:
Paulo Henrique Amorim: Maurício, a pesquisa é sobre o Congresso ou a Câmara?
Maurício Dias: A Câmara dos Deputados. É um estudo feito pelos professores Fabiano Santos e Alcir Almeida, do Núcleo de Estudos Sobre o Congresso do Iuperj. A surpresa deste estudo, que foi feito em maio mas está sendo divulgado agora, é que todas as análises sobre a votação proporcional, em função da crise do caixa dois, projetavam uma queda muito grande para a bancada do PT, que elegeu 91 deputados em 2002. Essa associação da queda, além de estar apoiada na suposição de que haveria um impacto grande da crise na eleição, tem uma relação com o fato que todo mundo casa eleição de deputados com eleição estadual. O Fabiano fez um estudo a partir dos fatores nacionais, ou seja, eleição presidencial influenciando na eleição proporcional. Ele tem uma referência muito boa que é 98, com o presidente Fernando Henrique, o PSDB cresceu muito. Em 2002 o PT cresceu muito. Ele não acredita que haja uma desvinculação – a imagem do presidente Lula está muito vinculada ao PT, por mais que tenham escondido a estrela, o vermelho. Ele (Fabiano) faz uma projeção mínima: ou a bancada vai se repetir, com 91 deputados, e pode chegar até 105.
Paulo Henrique Amorim: A bancada está hoje em 91?
Maurício Dias: Hoje não. Com a migração para o Psol está em 82. Acontece que ele não vê racionalidade nas análises que vêem impacto negativo na bancada do PT em função das denúncias de corrupção e impacto positivo na do PMDB. Ele não vê por que em função de ética você sai do PT e corre para o PMDB, que não é necessariamente um partido ético – não digo que seja antiético – mas não tem como identidade a bandeira da moralidade e da ética.
Paulo Henrique Amorim: E por extensão nem para o PSDB?
Maurício Dias: Nem para o PSDB. O PSDB vai crescer 5% em função da votação do Alckmin, ele projeta uma votação de 30%. Essa análise é feita em cima da suposição de que o Lula ganha no primeiro turno. Resta também outra suposição – que a corrupção não faz diferenciação entre os partidos na mente do eleitor.
Paulo Henrique Amorim: É mais ou menos o que o Montenegro já tinha descoberto através de uma pesquisa do Ibope, né?
Maurício Dias: Pois é. Além de tudo o seguinte - isso não é da pesquisa, é uma dedução que eu faço – que na verdade inflaram uma crise que tem mais de moralismo do que ética. Está mais para Lacerda e FHC que para Platão e São Tomás. O resumo bom seria esse. Além de tudo, o PMDB vem caindo sistematicamente. Ele mostra também uma estabilização na votação da Câmara de cinco grandes partidos: o PT, o PMDB, o PSDB, o PFL e o PP. Desses todos o PFL tem mantido, PMDB tem mantido, PT tem crescido, o PSDB vai crescer nesta eleição e o PP está desaparecendo lentamente. Esses são os chamados partidos fortes, que têm no mínimo 10% da bancada da Câmara.
Paulo Henrique Amorim: E desses quem está em crise?
Maurício Dias: Quem está em crise brava é o PMDB porque, no entender dele, ocupou um espaço de esquerda trabalhista. Isso jogou o PSDB para a direita. É o partido hoje que tem mais confiança do eleitor conservador. Ele acha inclusive que entendeu mais essa posição do PSDB no espectro político foi o ex-presidente Fernando Henrique. Qual é o problema do PMDB? Porque a esquerda, ocupada pelo PT, a direita, pelo PSDB, e o PMDB ficou no centro. A lógica da política partidária no Brasil, eleitoral, é centrípeta, é dos extremos para o centro. E o PMDB não tem nada o que fazer, não sabe o que ocupar, então, fica nesse centro sendo namorado pela direita e pela esquerda.
Paulo Henrique Amorim: E o PFL? Qual é o destino do PFL?
Maurício Dias: O PSDB é um partido conservador, não tem vínculos com a ditadura militar, com o autoritarismo militar. O PFL e o PP têm, eles dois nasceram, são da costela da Arena, que era o partido que sustentava os generais. Essa é a posição mais reacionária do espectro político. Agora, o PFL tem mantido uma votação. Agora, a PP vai se esvaindo, assim como o PMDB também.
Paulo Henrique Amorim: Que interessante isso.
Maurício Dias: É uma análise interessante, que tem uma racionalidade. As outras análises são meio à base de suposição.
Paulo Henrique Amorim: O fato de esse estudo ter sido feito em maio, os últimos acontecimentos o alterariam ou você acha que as condições básicas estão mantidas?
Maurício Dias: O Marcos Coimbra, do Vox Populi, me disse isso na matéria...
Paulo Henrique Amorim: Isso que você vai dizer agora está na matéria da Carta Capital?
Maurício Dias: Ele não é tão otimista quanto o estudo feito pelo professor Fabiano. Mas ele acha que aquele desastre anunciado que, aliás, eu expresso com a famosa frase do presidente do PFL, o senador Jorge Bornhausen, você se lembra dela?
Paulo Henrique Amorim: Qual?
Maurício Dias: “Ainda bem que essa raça vai acabar”.
Paulo Henrique Amorim: Interessante é que ele abandonou a política. Ele não é candidato, não tem filho candidato. A bandeira dele, em Santa Catarina, afogou-se.
Maurício Dias: Afogou-se, exatamente. Voltando à sua pergunta, pode ocorrer, talvez não com a mesma intensidade, o que ocorreu na eleição de 2002. Nos últimos dez dias, lembra o Marcos Coimbra, o PT cresceu. O Nilmário Miranda, a dez dias da eleição, tinha 12% e chegou a 30%. A Serys Slhessarenko, do PT, lá no Mato Grosso, foi eleita senadora ganhando do emblemático Dante de Oliveira. O mesmo aconteceu também com a Ana Júlia, no Pará. Todos dispararam. Eu achei muito curioso, inclusive, não estou fazendo aqui nenhum vaticínio, mas a pesquisa do Ibope mostra o crescimento do Mercadante em São Paulo. Você viu que ele cresceu 7 pontos.
Paulo Henrique Amorim: Mas o Serra tem uma vantagem muito grande.
Maurício Dias: Não Paulo, se você olhar, são 7 pontos a vantagem do Serra sobre os outros. Não é tão mais. Não estou dizendo que o Serra não vai ganhar no primeiro turno. Estou dizendo que em função dessa lógica de que o PT tem tradicionalmente uma chegada muito forte, esse crescimento do Mercadante alerta para essa possibilidade. Mas quer dizer que isso vai ocorrer.
Paulo Henrique Amorim: Ou seja, você acha que, em suma, o estudo do Iuperj demonstra que a “crise da podridão”, segundo Fernando Henrique Cardoso, o eleitor não tomou conhecimento dela?
Maurício Dias: Não há nenhum herdeiro disso. O PSDB, que empunhou essa suposta bandeira da ética, ou mesmo os barões do PFL baiano também não são herdeiros.
Paulo Henrique Amorim: E o PFL baiano vive uma situação muito peculiar que é a troca de comando do Antônio Carlos para o Paulo Souto.
Maurício Dias: Isso também é um outro fator interessante.
Paulo Henrique Amorim: Se é que não vai haver mais ainda com a eleição de um senador que seja da corrente direta do Antônio Carlos, né?
Maurício Dias: O fato é que está dando uma balançada. Agora, ele acompanhou todas as projeções das eleições após 1990. E todas as projeções feitas erravam porque nunca consideravam o crescimento do PT. Desde 1982 vem crescendo. É possível que o partido possa repetir a bancada e deixar apenas ter perdido o que poderia ter ganhado. A crise pode ter tirado, talvez, a perspectiva de crescer muito mais. O Montenegro acha, de qualquer maneira, que a bancada vai cair, o Montenegro do Ibope. Mas ele já refaz um pouco aquela visão de que o partido sofreu um impacto com repercussão nos próximos 30 anos. Ele acha que tem impacto, não vai fazer a mesma bancada, não acredita também que será um desastre, aquilo que se prenunciava, aquelas nuvens negras que ficaram em cima do governo e do PT no ano passado.
Paulo Henrique Amorim: A chave da questão é saber se o PT repete a bancada de 91 deputados ou não?
Maurício Dias: Exatamente. E esse estudo projeta isso ou até um pouco mais, até 105 deputados.
Paulo Henrique Amorim: E você que está aí no Rio, o que você está achando do movimento aí: o Sérgio Cabral está absoluto ou a Denise (Frossard) está subindo?
Maurício Dias: A Denise está em viés de alta. E o seguinte: se ela for para o segundo turno, os líderes políticos acreditam que ela tem grande chance de ganhar. E dizem uma coisa: apoio do presidente Lula o Sérgio Cabral não terá.
Paulo Henrique Amorim: Por quê? Porque Sérgio não o apoiou?
Maurício Dias: Não o apoiou, exatamente. Além de tudo, o Sérgio está fazendo uma campanha forte para a eleição do senado do Dornelles. A candidata apoiada pelo governo é Jandira Feghali, que está na frente.
Paulo Henrique Amorim: Está empatada ou está na frente?
Maurício Dias: Está na frente. Está seis pontos à frente, mas já teve muito mais. E o Sérgio Cabral caiu de cabeça na eleição do Dornelles. E o César Maia, com a Denise Frossard, vem correndo por fora. E agora três pontos percentuais separam a existência do fim da eleição no segundo turno para a existência do segundo turno. Está quase dentro da margem de erro.
Fonte - http://conversa-afiada.ig.com.br
A bancada do PSDB deve crescer 5%, puxada pela votação de Geraldo Alckmin. O PFL deve manter a atual bancada, enquanto o PP “desaparece lentamente”, assim como o PMDB, explicou Maurício Dias.
O jornalista explicou que o PT cresce ao “ocupar o espaço da esquerda trabalhista, jogando o PSDB para a direita”. Dessa maneira, o PMDB fica no centro.
Leia a íntegra da entrevista com o jornalista Maurício Dias:
Paulo Henrique Amorim: Maurício, a pesquisa é sobre o Congresso ou a Câmara?
Maurício Dias: A Câmara dos Deputados. É um estudo feito pelos professores Fabiano Santos e Alcir Almeida, do Núcleo de Estudos Sobre o Congresso do Iuperj. A surpresa deste estudo, que foi feito em maio mas está sendo divulgado agora, é que todas as análises sobre a votação proporcional, em função da crise do caixa dois, projetavam uma queda muito grande para a bancada do PT, que elegeu 91 deputados em 2002. Essa associação da queda, além de estar apoiada na suposição de que haveria um impacto grande da crise na eleição, tem uma relação com o fato que todo mundo casa eleição de deputados com eleição estadual. O Fabiano fez um estudo a partir dos fatores nacionais, ou seja, eleição presidencial influenciando na eleição proporcional. Ele tem uma referência muito boa que é 98, com o presidente Fernando Henrique, o PSDB cresceu muito. Em 2002 o PT cresceu muito. Ele não acredita que haja uma desvinculação – a imagem do presidente Lula está muito vinculada ao PT, por mais que tenham escondido a estrela, o vermelho. Ele (Fabiano) faz uma projeção mínima: ou a bancada vai se repetir, com 91 deputados, e pode chegar até 105.
Paulo Henrique Amorim: A bancada está hoje em 91?
Maurício Dias: Hoje não. Com a migração para o Psol está em 82. Acontece que ele não vê racionalidade nas análises que vêem impacto negativo na bancada do PT em função das denúncias de corrupção e impacto positivo na do PMDB. Ele não vê por que em função de ética você sai do PT e corre para o PMDB, que não é necessariamente um partido ético – não digo que seja antiético – mas não tem como identidade a bandeira da moralidade e da ética.
Paulo Henrique Amorim: E por extensão nem para o PSDB?
Maurício Dias: Nem para o PSDB. O PSDB vai crescer 5% em função da votação do Alckmin, ele projeta uma votação de 30%. Essa análise é feita em cima da suposição de que o Lula ganha no primeiro turno. Resta também outra suposição – que a corrupção não faz diferenciação entre os partidos na mente do eleitor.
Paulo Henrique Amorim: É mais ou menos o que o Montenegro já tinha descoberto através de uma pesquisa do Ibope, né?
Maurício Dias: Pois é. Além de tudo o seguinte - isso não é da pesquisa, é uma dedução que eu faço – que na verdade inflaram uma crise que tem mais de moralismo do que ética. Está mais para Lacerda e FHC que para Platão e São Tomás. O resumo bom seria esse. Além de tudo, o PMDB vem caindo sistematicamente. Ele mostra também uma estabilização na votação da Câmara de cinco grandes partidos: o PT, o PMDB, o PSDB, o PFL e o PP. Desses todos o PFL tem mantido, PMDB tem mantido, PT tem crescido, o PSDB vai crescer nesta eleição e o PP está desaparecendo lentamente. Esses são os chamados partidos fortes, que têm no mínimo 10% da bancada da Câmara.
Paulo Henrique Amorim: E desses quem está em crise?
Maurício Dias: Quem está em crise brava é o PMDB porque, no entender dele, ocupou um espaço de esquerda trabalhista. Isso jogou o PSDB para a direita. É o partido hoje que tem mais confiança do eleitor conservador. Ele acha inclusive que entendeu mais essa posição do PSDB no espectro político foi o ex-presidente Fernando Henrique. Qual é o problema do PMDB? Porque a esquerda, ocupada pelo PT, a direita, pelo PSDB, e o PMDB ficou no centro. A lógica da política partidária no Brasil, eleitoral, é centrípeta, é dos extremos para o centro. E o PMDB não tem nada o que fazer, não sabe o que ocupar, então, fica nesse centro sendo namorado pela direita e pela esquerda.
Paulo Henrique Amorim: E o PFL? Qual é o destino do PFL?
Maurício Dias: O PSDB é um partido conservador, não tem vínculos com a ditadura militar, com o autoritarismo militar. O PFL e o PP têm, eles dois nasceram, são da costela da Arena, que era o partido que sustentava os generais. Essa é a posição mais reacionária do espectro político. Agora, o PFL tem mantido uma votação. Agora, a PP vai se esvaindo, assim como o PMDB também.
Paulo Henrique Amorim: Que interessante isso.
Maurício Dias: É uma análise interessante, que tem uma racionalidade. As outras análises são meio à base de suposição.
Paulo Henrique Amorim: O fato de esse estudo ter sido feito em maio, os últimos acontecimentos o alterariam ou você acha que as condições básicas estão mantidas?
Maurício Dias: O Marcos Coimbra, do Vox Populi, me disse isso na matéria...
Paulo Henrique Amorim: Isso que você vai dizer agora está na matéria da Carta Capital?
Maurício Dias: Ele não é tão otimista quanto o estudo feito pelo professor Fabiano. Mas ele acha que aquele desastre anunciado que, aliás, eu expresso com a famosa frase do presidente do PFL, o senador Jorge Bornhausen, você se lembra dela?
Paulo Henrique Amorim: Qual?
Maurício Dias: “Ainda bem que essa raça vai acabar”.
Paulo Henrique Amorim: Interessante é que ele abandonou a política. Ele não é candidato, não tem filho candidato. A bandeira dele, em Santa Catarina, afogou-se.
Maurício Dias: Afogou-se, exatamente. Voltando à sua pergunta, pode ocorrer, talvez não com a mesma intensidade, o que ocorreu na eleição de 2002. Nos últimos dez dias, lembra o Marcos Coimbra, o PT cresceu. O Nilmário Miranda, a dez dias da eleição, tinha 12% e chegou a 30%. A Serys Slhessarenko, do PT, lá no Mato Grosso, foi eleita senadora ganhando do emblemático Dante de Oliveira. O mesmo aconteceu também com a Ana Júlia, no Pará. Todos dispararam. Eu achei muito curioso, inclusive, não estou fazendo aqui nenhum vaticínio, mas a pesquisa do Ibope mostra o crescimento do Mercadante em São Paulo. Você viu que ele cresceu 7 pontos.
Paulo Henrique Amorim: Mas o Serra tem uma vantagem muito grande.
Maurício Dias: Não Paulo, se você olhar, são 7 pontos a vantagem do Serra sobre os outros. Não é tão mais. Não estou dizendo que o Serra não vai ganhar no primeiro turno. Estou dizendo que em função dessa lógica de que o PT tem tradicionalmente uma chegada muito forte, esse crescimento do Mercadante alerta para essa possibilidade. Mas quer dizer que isso vai ocorrer.
Paulo Henrique Amorim: Ou seja, você acha que, em suma, o estudo do Iuperj demonstra que a “crise da podridão”, segundo Fernando Henrique Cardoso, o eleitor não tomou conhecimento dela?
Maurício Dias: Não há nenhum herdeiro disso. O PSDB, que empunhou essa suposta bandeira da ética, ou mesmo os barões do PFL baiano também não são herdeiros.
Paulo Henrique Amorim: E o PFL baiano vive uma situação muito peculiar que é a troca de comando do Antônio Carlos para o Paulo Souto.
Maurício Dias: Isso também é um outro fator interessante.
Paulo Henrique Amorim: Se é que não vai haver mais ainda com a eleição de um senador que seja da corrente direta do Antônio Carlos, né?
Maurício Dias: O fato é que está dando uma balançada. Agora, ele acompanhou todas as projeções das eleições após 1990. E todas as projeções feitas erravam porque nunca consideravam o crescimento do PT. Desde 1982 vem crescendo. É possível que o partido possa repetir a bancada e deixar apenas ter perdido o que poderia ter ganhado. A crise pode ter tirado, talvez, a perspectiva de crescer muito mais. O Montenegro acha, de qualquer maneira, que a bancada vai cair, o Montenegro do Ibope. Mas ele já refaz um pouco aquela visão de que o partido sofreu um impacto com repercussão nos próximos 30 anos. Ele acha que tem impacto, não vai fazer a mesma bancada, não acredita também que será um desastre, aquilo que se prenunciava, aquelas nuvens negras que ficaram em cima do governo e do PT no ano passado.
Paulo Henrique Amorim: A chave da questão é saber se o PT repete a bancada de 91 deputados ou não?
Maurício Dias: Exatamente. E esse estudo projeta isso ou até um pouco mais, até 105 deputados.
Paulo Henrique Amorim: E você que está aí no Rio, o que você está achando do movimento aí: o Sérgio Cabral está absoluto ou a Denise (Frossard) está subindo?
Maurício Dias: A Denise está em viés de alta. E o seguinte: se ela for para o segundo turno, os líderes políticos acreditam que ela tem grande chance de ganhar. E dizem uma coisa: apoio do presidente Lula o Sérgio Cabral não terá.
Paulo Henrique Amorim: Por quê? Porque Sérgio não o apoiou?
Maurício Dias: Não o apoiou, exatamente. Além de tudo, o Sérgio está fazendo uma campanha forte para a eleição do senado do Dornelles. A candidata apoiada pelo governo é Jandira Feghali, que está na frente.
Paulo Henrique Amorim: Está empatada ou está na frente?
Maurício Dias: Está na frente. Está seis pontos à frente, mas já teve muito mais. E o Sérgio Cabral caiu de cabeça na eleição do Dornelles. E o César Maia, com a Denise Frossard, vem correndo por fora. E agora três pontos percentuais separam a existência do fim da eleição no segundo turno para a existência do segundo turno. Está quase dentro da margem de erro.
Fonte - http://conversa-afiada.ig.com.br
Chora, Lavareda: Lula tem 50%, Alkimin 29%, aponta Ibope
Na contramão das especulações dos "analistas de pesquisa" do pefelê-tucanato, especialmente o Antonio Lavareda, segue aí a realidade das intenções de voto no presente momento da corrida presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, aparece com 50% das intenções de voto em pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira (15/9). Seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), tem 29%. A candidata do PSOL, Heloísa Helena, pontua com 9%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo a CNI, os demais presidenciáveis somariam 3% das intenções de votos. Entre os eleitores entrevistados, 4% não souberam ou não opinaram e 5% votariam em branco ou nulo.
O levantamento realizado para a Confederação Nacional da Indústria foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 16982/2006. O Ibope entrevistou 2.002 pessoas entre 9 e 11 de setembro, em 141 municípios do país.
Pesquisa anterior
A diferença entre os dois principais adversários era de 19 pontos percentuais (44% e 25%) e agora é de 21 pontos. Em pesquisa anterior, realizada pelo Ibope entre 29 e 31 de julho para a CNI, com 2.002 eleitores, os números apontavam Lula com 44% das intenções de voto, contra 25% de Geraldo Alckmin (PSDB) e 11% de Heloísa Helena (PSOL).
Cristovam Buarque (PDT) e Luciano Bivar (PSL) apareciam cada um com 1% das intenções de voto. Os candidatos José Maria Eymael (PSDC) e Ruy Pimenta (PCO) não pontuaram neste levantamento do final de julho, em que os votos brancos e nulos somam 9%, e 9% dos entrevistados não opinaram.
Na época, o número de eleitores que considerava o governo ótimo ou bom estava em 40%, e o índice de aprovação havia recuado de 60% para 55%.
Agora, em setembro, a avaliação positiva do governo Lula subiu para 49%, enquanto a avaliação regular caiu de 40% para 33% e avaliação negativa, quando o eleitor classifica o governo de "ruim ou péssimo", também recuou, de 19%, em julho, para 16%.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, aparece com 50% das intenções de voto em pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira (15/9). Seu principal adversário, Geraldo Alckmin (PSDB), tem 29%. A candidata do PSOL, Heloísa Helena, pontua com 9%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo a CNI, os demais presidenciáveis somariam 3% das intenções de votos. Entre os eleitores entrevistados, 4% não souberam ou não opinaram e 5% votariam em branco ou nulo.
O levantamento realizado para a Confederação Nacional da Indústria foi registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 16982/2006. O Ibope entrevistou 2.002 pessoas entre 9 e 11 de setembro, em 141 municípios do país.
Pesquisa anterior
A diferença entre os dois principais adversários era de 19 pontos percentuais (44% e 25%) e agora é de 21 pontos. Em pesquisa anterior, realizada pelo Ibope entre 29 e 31 de julho para a CNI, com 2.002 eleitores, os números apontavam Lula com 44% das intenções de voto, contra 25% de Geraldo Alckmin (PSDB) e 11% de Heloísa Helena (PSOL).
Cristovam Buarque (PDT) e Luciano Bivar (PSL) apareciam cada um com 1% das intenções de voto. Os candidatos José Maria Eymael (PSDC) e Ruy Pimenta (PCO) não pontuaram neste levantamento do final de julho, em que os votos brancos e nulos somam 9%, e 9% dos entrevistados não opinaram.
Na época, o número de eleitores que considerava o governo ótimo ou bom estava em 40%, e o índice de aprovação havia recuado de 60% para 55%.
Agora, em setembro, a avaliação positiva do governo Lula subiu para 49%, enquanto a avaliação regular caiu de 40% para 33% e avaliação negativa, quando o eleitor classifica o governo de "ruim ou péssimo", também recuou, de 19%, em julho, para 16%.
quarta-feira, setembro 13, 2006
CLASSES B E C FAZEM CONSUMO DE COMPUTADOR CRESCER NO BRASIL
A editora do site IDG Now (especializado em informática), Daniela Braum, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quarta-feira, dia 13, que os principais responsáveis pelo crescimento da venda de computadores no Brasil são as classes B e C. Daniela Braum disse que 35% dos computadores vendidos em 2005 custavam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Segundo ela a venda de computadores nesta faixa de preço aumentou para 39% dos vendidos neste primeiro semestre (aguarde o áudio da entrevista).
Veja os principais pontos da entrevista de Daniela Braum:
835 mil brasileiros compraram o primeiro computador em 2006. Segundo Daniela, isso significa um crescimento na venda de computadores. No geral, a venda de computadores no primeiro semestre deste ano já cresceu 43% em relação ao mesmo período de 2005.
Daniela disse que a expectativa é que dois milhões de brasileiros comprem o primeiro computador este ano. Essa soma representa 26% dos mais de sete milhões de computadores que vão ser comercializados no país em 2006.
82 mil brasileiros compraram o primeiro notebook nos primeiros seis meses deste ano. A competitividade no mercado de notebook aumentou.
O mercado paralelo de notebook diminuiu. Segundo Daniela, a parcela de notebooks comercializados no Brasil é de 48%. O número parece alto, mas é o mais baixo dos últimos oito anos, quando começou a medição. Em 1999 o mercado dos chamados “computadores clones” representavam 68% das vendas do setor.
Os notebooks que custam até R$ 3 mil têm isenção de IPI e Confins. Isso significa uma redução de mais de 9% no valor de venda.
O acesso das classes B e C ao computador aumentou muito por causa da redução dos preços dos PC’s. Daniela citou a chamada “MP do bem” que reduziu os impostos dos computadores no Brasil. Ela lembrou também a facilidade do crédito com um dos fatores para aumentar a venda de computadores entre as pessoas com menor renda.
Conversa Afiada. 13/09/2006 14:51h
Veja os principais pontos da entrevista de Daniela Braum:
835 mil brasileiros compraram o primeiro computador em 2006. Segundo Daniela, isso significa um crescimento na venda de computadores. No geral, a venda de computadores no primeiro semestre deste ano já cresceu 43% em relação ao mesmo período de 2005.
Daniela disse que a expectativa é que dois milhões de brasileiros comprem o primeiro computador este ano. Essa soma representa 26% dos mais de sete milhões de computadores que vão ser comercializados no país em 2006.
82 mil brasileiros compraram o primeiro notebook nos primeiros seis meses deste ano. A competitividade no mercado de notebook aumentou.
O mercado paralelo de notebook diminuiu. Segundo Daniela, a parcela de notebooks comercializados no Brasil é de 48%. O número parece alto, mas é o mais baixo dos últimos oito anos, quando começou a medição. Em 1999 o mercado dos chamados “computadores clones” representavam 68% das vendas do setor.
Os notebooks que custam até R$ 3 mil têm isenção de IPI e Confins. Isso significa uma redução de mais de 9% no valor de venda.
O acesso das classes B e C ao computador aumentou muito por causa da redução dos preços dos PC’s. Daniela citou a chamada “MP do bem” que reduziu os impostos dos computadores no Brasil. Ela lembrou também a facilidade do crédito com um dos fatores para aumentar a venda de computadores entre as pessoas com menor renda.
Conversa Afiada. 13/09/2006 14:51h
Indignação serôdia (tardia)
O Votolula abre espaço para uma manifestação polêmica de uma personalidade polêmica. Antonio Delfim Netto. Gostemos ou não dele, rejeitemos ou não sua proximidade com o governo Lula, o certo é que Delfim é um intelectual que tem influência sobre a agenda nacional. Não gostar dele é um direito. Deixar de ouvi-lo não é bom conselho.
UM DOS aspectos mais desoladores do panorama brasileiro é a manifestação explícita de desilusão revelada por destacados membros do que se supunha ser a nossa "intelligentsia". Tidos e havidos como "democratas radicais", recusam agora, raivosamente, os resultados das pesquisas eleitorais. Estas parecem revelar que o "povo" já não os escuta e não os obedece. Pior, parece dar muito pouco valor aos seus rocamboles acadêmicos e aos tardios ataques de indignação e falsa moralidade.
É claro que a política sem ética é inaceitável e que os desvios morais jamais poderão ser perdoados. Mas é claro, também, que os diferentes protagonismos desses erros tendem a nivelar, aos "olhos do povo", as diferenças éticas. A compra de votos no Congresso para a aprovação da "reeleição sem desincompatibilização" parece que foi feita sem o conhecimento do senhor ex-presidente: foram os prefeitos e governadores que "convenceram" os deputados sem que ele soubesse! O "mensalão" também parece que foi feito sem que o atual presidente soubesse. A pequena diferença é que, no primeiro caso, o governo impediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os fatos. No segundo, ela funcionou livremente...
Logo, a tardia indignação não tem origem nas igualmente condenáveis violações éticas a que a sociedade assistiu estarrecida. Esta percebe claramente que, escondidos na extemporânea indignação, estão, pura e simplesmente, o imenso narcisismo e a vaidade ferida diante da possibilidade de um triste e final "despacho" para a história... O inconformismo dos intelectuais e suas novas dúvidas sobre a inteligência do "povo" ignoram um fato elementar, estatisticamente comprovado. Recentíssima pesquisa que compara o governo de FHC com o de Lula perguntou se a economia do país (na opinião do consultado) havia melhorado, ficado igual ou piorado. Teve como resposta o seguinte:
A sociedade percebeu o infeliz nivelamento ético, que agora se tenta diferenciar por uma indignação serôdia e oportunista e levou a discussão para o campo pobre da economia. Não há, portanto, nenhuma razão objetiva para que os nossos ex-quase intelectuais deixem de confiar na intuição do "povo", agora sociologicamente classificado por eles como a "massa dos não-informados"...
Delfim Netto - Folha de São Paulo, 13/09/2006
UM DOS aspectos mais desoladores do panorama brasileiro é a manifestação explícita de desilusão revelada por destacados membros do que se supunha ser a nossa "intelligentsia". Tidos e havidos como "democratas radicais", recusam agora, raivosamente, os resultados das pesquisas eleitorais. Estas parecem revelar que o "povo" já não os escuta e não os obedece. Pior, parece dar muito pouco valor aos seus rocamboles acadêmicos e aos tardios ataques de indignação e falsa moralidade.
É claro que a política sem ética é inaceitável e que os desvios morais jamais poderão ser perdoados. Mas é claro, também, que os diferentes protagonismos desses erros tendem a nivelar, aos "olhos do povo", as diferenças éticas. A compra de votos no Congresso para a aprovação da "reeleição sem desincompatibilização" parece que foi feita sem o conhecimento do senhor ex-presidente: foram os prefeitos e governadores que "convenceram" os deputados sem que ele soubesse! O "mensalão" também parece que foi feito sem que o atual presidente soubesse. A pequena diferença é que, no primeiro caso, o governo impediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os fatos. No segundo, ela funcionou livremente...
Logo, a tardia indignação não tem origem nas igualmente condenáveis violações éticas a que a sociedade assistiu estarrecida. Esta percebe claramente que, escondidos na extemporânea indignação, estão, pura e simplesmente, o imenso narcisismo e a vaidade ferida diante da possibilidade de um triste e final "despacho" para a história... O inconformismo dos intelectuais e suas novas dúvidas sobre a inteligência do "povo" ignoram um fato elementar, estatisticamente comprovado. Recentíssima pesquisa que compara o governo de FHC com o de Lula perguntou se a economia do país (na opinião do consultado) havia melhorado, ficado igual ou piorado. Teve como resposta o seguinte:
A sociedade percebeu o infeliz nivelamento ético, que agora se tenta diferenciar por uma indignação serôdia e oportunista e levou a discussão para o campo pobre da economia. Não há, portanto, nenhuma razão objetiva para que os nossos ex-quase intelectuais deixem de confiar na intuição do "povo", agora sociologicamente classificado por eles como a "massa dos não-informados"...
Delfim Netto - Folha de São Paulo, 13/09/2006
domingo, setembro 10, 2006
O mea culpa de FHC
Muitas vezes análise de conjuntura e passado recente são incompatíveis. Ou bem se aprofunda a primeira ou se preserva o segundo. O risco de não se respeitar esse procedimento é terminar produzindo uma autobiografia não autorizada. Um paradoxo que, vez por outra, se apresenta como aposta no cenário político brasileiro.O inédito mea culpa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, expresso como "Carta aos eleitores do PSDB", publicado na página do partido na internet, é emblemático. Nele se misturam as imposturas de sempre com considerações desprovidas de fundamentação lógica. O que se apresenta como exercício de reflexão não passa de prestidigitação barata. Desnecessário dizer que o texto será reverenciado por articulistas da imprensa como o "grande momento da campanha". Afinal, essa é uma afinidade eletiva que vem de dois mandatos consecutivos. E não será por adversidades eleitorais que lealdades serão rompidas.
FHC inicia sua exposição operando uma cisão conceitual entre moral e ética, cujo objetivo, não duvidem disso, é a auto-absolvição prévia do seu governo. Para ele, "há muita confusão no ar no trato das questões morais. Moral se refere a condutas individuais. Uma coisa é a discussão filosófica sobre a ética, os fins últimos ou o que seja. Outra é a responsabilidade moral". Resta indagar se há uma boa ética de moral duvidosa ou uma boa moral que comporte desvios éticos. Para os propósitos tucanos, essa parece ser uma questão bizantina. Algo que os fins últimos recomendam não aprofundar a contento.
Os desdobramentos da falácia se fazem presentes na distinção entre mensalão e caixa dois. O primeiro, segundo o ex-presidente, deve ser tratado como crime pois "a fonte do dinheiro foi pública", enquanto o segundo é apenas transgressão, "pois a fonte do dinheiro é privada". Eis o exemplo de como o "príncipe dos sociólogos" carrega princípios morais em uma bolsa a tiracolo. FHC fala com convicção sobre algo que nem a CPI nem o Ministério Público conseguiram provar: a origem dos recursos que abasteciam o suposto esquema. A partir daí o que seriam considerações de um homem público dá lugar a sofismas de um militante enraivecido com circunstâncias desfavoráveis ao seu projeto de poder.
O arrazoado do líder dos tucanos comporta construções que beiram o risível. Na tentativa de autocrítica, Cardoso resume a parte que cabe ao PSDB: "É verdade que também somos responsáveis pelo que hoje se vê: a cada dia mais corrupção, a cada dia, menor reação. Erramos, no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo". Ora, todos sabemos que a USP não comporta modéstias. Então, concedamos a FHC o que é de FHC.
Corrupção sistêmica, anomia e desconexão entre o sentimento da opinião pública e discurso eleitoral não são produtos do atual governo. E o ex-presidente bem sabe disso.
O erro do PSDB não foi querer tapar o sol com a peneira. Mas peneirar o sol desde o primeiro mandato para facilitar o sucateamento do setor produtivo, abrindo as fronteiras à pilhagem internacional. Para tanto, não hesitou em extinguir por decreto a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco, que tinha como objetivo combater a corrupção. Esse "erro" o então presidente Fernando Henrique cometeu em 1995. A banca não lhe negou aplausos e muito menos os articulistas elogios. A Controladoria Geral da União (CGU), criada no segundo mandato, era tão rosa como as pastas que continham doações ilegais de banqueiros para a base de sustentação do governo. Do Sivam à compra de votos para sua reeleição, FHC contou com dupla blindagem: ampla base congressual e boas relações com os proprietários de jornais e emissoras de televisão. Com ela, seu governo bloqueou todas as tentativas de instalação de CPI e pôde costurar negócios no "limite da irresponsabilidade".
O jornalista Franklin Martins, em entrevista à revista Caros Amigos, é categórico: "Eu não tenho dúvidas de que no processo de privatização do governo de Fernando Henrique houve coisas que se tivessem vindo à tona teriam sido extremamente desgastantes para ele. Não acredito que um processo que moveu US$80 bilhões não teve irrigação por baixo". É bom lembrar que o termo operação-abafa é um legado tucano ao vocabulário político brasileiro.
Quando afirma que "nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas. Tem história de seriedade. Por que não bradar isso com força?", Cardoso sabe que o motivo do grito parado no ar é a assepsia do chuchu ser garantida pelo sufocamento de 69 pedidos de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito.
Mas façamos justiça ao ex-presidente. Nenhum outro usou tanto o orçamento como peça essencial para a composição de eventuais maiorias parlamentares em votações delicadas para o governo. Fato facilmente comprovável pela leitura dos jornais diários em seus dois mandatos. Nunca, no patrimonialismo, barganhas fisiológicas e terrorismo eleitoral foram usados com tamanha destreza como naquela época.
Sem planos estratégicos de médio prazo, assinamos sem disfarce uma inserção subalterna no cenário internacional. Já havíamos sido "subdesenvolvidos", "periféricos", "dependentes", "terceiro mundo", "emergentes". Com o governo neoliberal de FHC, tal como os juros, nos tornamos um "país flutuante". Um cassino administrado por um gerente poliglota com o apoio de um player que bancou a mesa do Banco Central.
É essa a biografia que emerge quando FHC se põe a deitar falação sobre o futuro do PSDB. A verdade de certos políticos só vem à tona quando o mea culpa é sincero. Ainda não foi dessa vez.
(Gilson Caroni Filho, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso - Facha, no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil, do Observatório da Imprensa e do La Insignia.)
Livres dessa raça?
"O senhor não está desencantado com tudo isso que acontece no Brasil?"
"Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos."
Assim o Senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL, analisou o quadro político brasileiro há exatamente um ano. Naquele momento, os principais cientistas, jornalistas e políticos concordavam com esse vaticínio. Roberto Freire, presidente nacional do PPS, chegou a afirmar em inserções de rádio e televisão que o Governo havia acabado e apontava sugestões para a imediata sucessão. O fato estava dado, o PT acabado e a direita se considerava de volta ao poder.
A quem me lê, adianto que este não se trata de um libelo revanchista. Nem uma lição para que os sociólogos de plantão revejam suas premissas e teses na busca por explicar o fenômeno Lula e sua reeleição iminente. O debate se pauta, sim, sobre a inversão do constrangimento e também sobre de qual campo ideológico o povo brasileiro está se libertando neste momento da luta política.
Há um ano, o constrangimento foi imposto aos petistas e aos defensores da sustentação do Governo Lula. Agora, acompanhar famosos líderes tucanos e pefelistas renegando seu candidato à presidência, e, mais que isso, disputando na Justiça o suposto direito de veicular imagens suas ao lado do Presidente Lula, causa um impacto imensamente maior do que a revolta originada nas declarações preconceituosas de Jorge Bornhausen. E não são casos isolados.
Mendonça Filho, candidato a Governador do PFL em Pernambuco; Lúcio Alcântra, do PSDB, postulante do mesmo cargo no Ceará; Roseana Sarney, PFL do Maranhão. E dezenas, centenas de candidatos ao parlamento e de prefeitos da base oposicionista sentem-se constrangidos a apoiar o Presidente que apresenta índices de aprovação e intenção de voto recordes na história de nossa democracia.
Mais que isso: Heloísa Helena, virtual terceira colocada na sucessão, é recém expulsa do PT. Cristóvam Buarque, que deve alçar o quarto lugar na disputa, recém dissidente também do PT. Perceba-se, portanto, que dos quatro possíveis primeiros colocados, três têm suas raízes justamente na "raça" cujo fim foi profetizado.
Por outro lado, aliás, muito do outro lado, Jorge Bornhausen não teve sequer condições de se candidatar à reeleição. Aproveitou para comunicar seu desligamento da vida pública, e, - que ironia! – nos livramos dele para sempre. Arthur Virgílio, que ameaçou surrar o Presidente, apanha nas urnas e não será eleito Governador do Amazonas. Roberto Freire, sem condições políticas nem votos para disputar nada pelo partido que preside, aceitou como prêmio de consolação por serviços prestados a vaga de suplente da candidatura de Jarbas Vasconcelos ao Senado em Pernambuco. Alckmim e seu alter-ego, Geraldo, seguem abandonados até por Fernando Henrique – para quem "Serra é mais preparado" - e Aécio Neves que, agora, negam a paternidade de sua candidatura.
Desde o Movimento Estudantil aprendemos que a política é dinâmica. Mas que não é mágica e, portanto, nada acontece por forças sobrenaturais. A disputa de hegemonia se dá com elementos concretos, na vida real. E a realidade, que agora estupefata a tantos, não surpreende aos que têm acompanhado sem a arrogância elitista as transformações profundas que o Governo Lula tem garantido à vida das pessoas.
O povo miserável que sempre dependeu de se subjugar ao poder coercitivo da cesta básica no período eleitoral está livre para decidir quem o representa, porque a comida chega o ano inteiro, como política pública, e não como assistencialismo eleitoreiro.
A consciência de que a classe trabalhadora pode dirigir o país de forma soberana e democrática é mais uma liberdade para os que sempre foram tratados como incapazes e "raça" inferior.
Essas conquistas são bons elementos para que os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas iniciem um novo método de análise e para que a direita brasileira aprenda a ler a realidade crua, sem os temperos de uma falsa "opinião pública" inventada por seus pares.
Liberdade, ainda que tardia!
(Louise Caroline, Vice-Presidente da UNE - artigo enviado por email por BRU no Bauru)
"Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos."
Assim o Senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL, analisou o quadro político brasileiro há exatamente um ano. Naquele momento, os principais cientistas, jornalistas e políticos concordavam com esse vaticínio. Roberto Freire, presidente nacional do PPS, chegou a afirmar em inserções de rádio e televisão que o Governo havia acabado e apontava sugestões para a imediata sucessão. O fato estava dado, o PT acabado e a direita se considerava de volta ao poder.
A quem me lê, adianto que este não se trata de um libelo revanchista. Nem uma lição para que os sociólogos de plantão revejam suas premissas e teses na busca por explicar o fenômeno Lula e sua reeleição iminente. O debate se pauta, sim, sobre a inversão do constrangimento e também sobre de qual campo ideológico o povo brasileiro está se libertando neste momento da luta política.
Há um ano, o constrangimento foi imposto aos petistas e aos defensores da sustentação do Governo Lula. Agora, acompanhar famosos líderes tucanos e pefelistas renegando seu candidato à presidência, e, mais que isso, disputando na Justiça o suposto direito de veicular imagens suas ao lado do Presidente Lula, causa um impacto imensamente maior do que a revolta originada nas declarações preconceituosas de Jorge Bornhausen. E não são casos isolados.
Mendonça Filho, candidato a Governador do PFL em Pernambuco; Lúcio Alcântra, do PSDB, postulante do mesmo cargo no Ceará; Roseana Sarney, PFL do Maranhão. E dezenas, centenas de candidatos ao parlamento e de prefeitos da base oposicionista sentem-se constrangidos a apoiar o Presidente que apresenta índices de aprovação e intenção de voto recordes na história de nossa democracia.
Mais que isso: Heloísa Helena, virtual terceira colocada na sucessão, é recém expulsa do PT. Cristóvam Buarque, que deve alçar o quarto lugar na disputa, recém dissidente também do PT. Perceba-se, portanto, que dos quatro possíveis primeiros colocados, três têm suas raízes justamente na "raça" cujo fim foi profetizado.
Por outro lado, aliás, muito do outro lado, Jorge Bornhausen não teve sequer condições de se candidatar à reeleição. Aproveitou para comunicar seu desligamento da vida pública, e, - que ironia! – nos livramos dele para sempre. Arthur Virgílio, que ameaçou surrar o Presidente, apanha nas urnas e não será eleito Governador do Amazonas. Roberto Freire, sem condições políticas nem votos para disputar nada pelo partido que preside, aceitou como prêmio de consolação por serviços prestados a vaga de suplente da candidatura de Jarbas Vasconcelos ao Senado em Pernambuco. Alckmim e seu alter-ego, Geraldo, seguem abandonados até por Fernando Henrique – para quem "Serra é mais preparado" - e Aécio Neves que, agora, negam a paternidade de sua candidatura.
Desde o Movimento Estudantil aprendemos que a política é dinâmica. Mas que não é mágica e, portanto, nada acontece por forças sobrenaturais. A disputa de hegemonia se dá com elementos concretos, na vida real. E a realidade, que agora estupefata a tantos, não surpreende aos que têm acompanhado sem a arrogância elitista as transformações profundas que o Governo Lula tem garantido à vida das pessoas.
O povo miserável que sempre dependeu de se subjugar ao poder coercitivo da cesta básica no período eleitoral está livre para decidir quem o representa, porque a comida chega o ano inteiro, como política pública, e não como assistencialismo eleitoreiro.
A consciência de que a classe trabalhadora pode dirigir o país de forma soberana e democrática é mais uma liberdade para os que sempre foram tratados como incapazes e "raça" inferior.
Essas conquistas são bons elementos para que os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas iniciem um novo método de análise e para que a direita brasileira aprenda a ler a realidade crua, sem os temperos de uma falsa "opinião pública" inventada por seus pares.
Liberdade, ainda que tardia!
(Louise Caroline, Vice-Presidente da UNE - artigo enviado por email por BRU no Bauru)
quarta-feira, setembro 06, 2006
Brasil cumpre os Objetivos do Milênio na área social, avalia Patrus Ananias
(Alana Gandra para a Agência Brasil)
A avaliação do Brasil é positiva em relação ao cumprimento dos Objetivos do Milênio, definidos há um ano pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para isso, segundo o ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, contribuem programas como o Bolsa Família e o Fome Zero: "Nós estamos vencendo a luta contra a fome. Nós estamos erradicando a fome e a desnutrição no Brasil".
Após palestra na abertura do seminário internacional Desenvolvimento e Vulnerabilidade: Perspectivas para a Retomada do Desenvolvimento nos Países do Sul, o ministro revelou que de acordo com recente pesquisa do ministério, 93% das crianças de famílias atendidas pelo Bolsa Família recebem três refeições por dia. E disse estar convencido de que em 2015 o Brasil terá superado em definitivo a fome e a pobreza extrema. O país, acrescentou, trabalha hoje um conceito mais amplo de desenvolvimento, não limitado ao desenvolvimento econômico, mas incorporando o desenvolvimento social.
Durante a palestra, Patrus Ananias destacou que "não se trata de crescer para incluir ou distribuir, mas de incluir para crescer". O Brasil, informou, avança para consolidar o Sistema Único de Assistência Social (Suas), nos moldes do sistema existente na área de saúde. E lembrou que o Bolsa Família, em julho, atingiu a meta prevista para o ano, de 11,1 milhões de famílias beneficiadas, o que significa cerca de 45 milhões de pessoas pobres atendidas em todo o país. Mantido o ritmo atual - ou seja, sem expansão -, a projeção é de que até o fim do ano sejam 12,1 milhões de famílias beneficiadas.
O ministro explicou que o Bolsa Família interage com outros programas de assistência e desenvolvimento social, e políticas que asseguram o direito à alimentação. Entre eles, citou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e os Centros de Referência da Assistência Social (Cras), espaços de capacitação profissional e geração de trabalho e renda.
E informou que deverão ser ampliadas as chamadas portas de saída, "políticas estruturantes, emancipatórias, que possibilitem, através do resgate da auto-estima, da alfabetização, da inclusão digital, produtiva e da capacitação profissional, que as famílias possam ir ganhando a sua auto-suficiência".
A avaliação do Brasil é positiva em relação ao cumprimento dos Objetivos do Milênio, definidos há um ano pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para isso, segundo o ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, contribuem programas como o Bolsa Família e o Fome Zero: "Nós estamos vencendo a luta contra a fome. Nós estamos erradicando a fome e a desnutrição no Brasil".
Após palestra na abertura do seminário internacional Desenvolvimento e Vulnerabilidade: Perspectivas para a Retomada do Desenvolvimento nos Países do Sul, o ministro revelou que de acordo com recente pesquisa do ministério, 93% das crianças de famílias atendidas pelo Bolsa Família recebem três refeições por dia. E disse estar convencido de que em 2015 o Brasil terá superado em definitivo a fome e a pobreza extrema. O país, acrescentou, trabalha hoje um conceito mais amplo de desenvolvimento, não limitado ao desenvolvimento econômico, mas incorporando o desenvolvimento social.
Durante a palestra, Patrus Ananias destacou que "não se trata de crescer para incluir ou distribuir, mas de incluir para crescer". O Brasil, informou, avança para consolidar o Sistema Único de Assistência Social (Suas), nos moldes do sistema existente na área de saúde. E lembrou que o Bolsa Família, em julho, atingiu a meta prevista para o ano, de 11,1 milhões de famílias beneficiadas, o que significa cerca de 45 milhões de pessoas pobres atendidas em todo o país. Mantido o ritmo atual - ou seja, sem expansão -, a projeção é de que até o fim do ano sejam 12,1 milhões de famílias beneficiadas.
O ministro explicou que o Bolsa Família interage com outros programas de assistência e desenvolvimento social, e políticas que asseguram o direito à alimentação. Entre eles, citou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e os Centros de Referência da Assistência Social (Cras), espaços de capacitação profissional e geração de trabalho e renda.
E informou que deverão ser ampliadas as chamadas portas de saída, "políticas estruturantes, emancipatórias, que possibilitem, através do resgate da auto-estima, da alfabetização, da inclusão digital, produtiva e da capacitação profissional, que as famílias possam ir ganhando a sua auto-suficiência".
Datafolha: Lula volta a subir e atinge 51% da preferência do eleitorado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, voltou a subir na preferência do eleitorado, mesmo com toda a campanha difamatória promovida pelos adversários desde o início da semana passada.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (5) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostra Lula com 51% das intenções de voto (tinha 50% no levantamento anterior). Geraldo Alckmin (PSDB), o segundo colocado, estacionou nos 27%. Já Heloísa Helena (Psol) caiu de 10% para 9%.
Cristóvam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) aparecem com 1% cada. Os demais não pontuaram. Brancos e nulos somam 4%, enquanto os indecisos são 6%. Considerando-se apenas os votos válidos, Lula tem 57% das intenções e seria reeleito já no primeiro turno.
Ainda assim, o Datafolha voltou a simular o resultado das eleições para um eventual segundo turno. Nesse caso, Lula venceria Alckmin por 55% a 37%, mesmos índices da pesquisa anterior, divulgada no último dia 29.
A aprovação do governo Lula também continua em alta. Para 48% dos entrevistados, a administração federal é ótima ou boa. Outros 33% a consideram regular, enquanto apenas 18% acham que é ruim ou péssima.
O Datafolha ouviu 7.724 eleitores em 349 cidades entre ontem (4) e hoje. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (5) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostra Lula com 51% das intenções de voto (tinha 50% no levantamento anterior). Geraldo Alckmin (PSDB), o segundo colocado, estacionou nos 27%. Já Heloísa Helena (Psol) caiu de 10% para 9%.
Cristóvam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) aparecem com 1% cada. Os demais não pontuaram. Brancos e nulos somam 4%, enquanto os indecisos são 6%. Considerando-se apenas os votos válidos, Lula tem 57% das intenções e seria reeleito já no primeiro turno.
Ainda assim, o Datafolha voltou a simular o resultado das eleições para um eventual segundo turno. Nesse caso, Lula venceria Alckmin por 55% a 37%, mesmos índices da pesquisa anterior, divulgada no último dia 29.
A aprovação do governo Lula também continua em alta. Para 48% dos entrevistados, a administração federal é ótima ou boa. Outros 33% a consideram regular, enquanto apenas 18% acham que é ruim ou péssima.
O Datafolha ouviu 7.724 eleitores em 349 cidades entre ontem (4) e hoje. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
terça-feira, setembro 05, 2006
A ética da hipocrisia
Por Paulo Betti
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
Nos últimos dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós. Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas – das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
--
PAULO BETTI, 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Artigo publicado na edição de 05/09/2006 da Folha de S. Paulo.
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
Nos últimos dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós. Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas – das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
--
PAULO BETTI, 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Artigo publicado na edição de 05/09/2006 da Folha de S. Paulo.
segunda-feira, setembro 04, 2006
O povo está indignado
(Reproduzido do blog Por um novo Brasil)
A campanha para a eleição de 2006 começou muito antecipada, em 2005, com todos os holofotes da mídia voltados para as CPIs. A oposição feroz e virulenta pretendia definir a eleição de 2006 em 2005. Foi uma festa de esbórnia em que se locupletaram. Teve de tudo: cadeiradas, socos, tapas, palavrões, gritos histéricos, tortura psicológica, ameaças, mentiras, ilações e calúnias. Cada integrante da oposição nas CPIs queria sair melhor do que o outro na fita. O foco das CPIs era um só, enfraquecer o presidente Lula e o PT. A oposição mantém-se em horário político 24h por dia desde 2005, com a colaboração irrestrita da mídia. Esses integrantes da oposição virulenta se esqueceram de que foram eleitos para trabalhar pelo bem-estar do povo. Sentaram as bundas nas cadeiras do Congresso para disputar holofotes, esbravejando, babando e destilando todo o seu veneno.
Votar matérias importantes que iriam melhorar muito a vida das pessoas e do país, nem pensar. O presidente Lula teve que editar sucessivas Medidas Provisórias para que benefícios chegassem a milhões de pessoas. Enquanto eles promoviam um show de horrores no Congresso e ocupavam a mente em meios e modos de derrubar o presidente, Lula não se abateu e continuou fazendo o possível e o impossível para o bem do país e de milhões de brasileiros. O povo assistiu às CPIs, o povo soube distinguir o que era verdade do que era mentira, o que era fato do que era armação. Muitos hoje acham que o povo não se indignou com a corrupção, e por isso vai votar no presidente Lula. Não é verdade, foi por ter se indignado com a corrupção que o povo vai votar no presidente Lula.
Eles sabem que o presidente Lula está combatendo a corrupção no país como nunca foi feito antes por nenhum outro governo. FHC engavetou todas as CPIs para investigar a corrupção em seu governo, Alckmin engavetou 69 CPIs que iriam investigar a corrupção no governo de SP. Por que eles não querem ser investigados, o que eles estão escondendo de tão feio, sujo e corrupto, para ter tanto medo de CPIs? Eles acham que o povo não está sabendo disso, eles acham que o povo não está atento para isso. Tanto está que o senador Arthur Virgilio, feroz opositor do governo Lula, que esbravejou até que daria uma surra no presidente, tem apenas 3% das intenções de voto como candidato a governador em seu estado, Amazonas. O presidente Lula tem 75% das intenções de voto para presidente no Amazonas.
Agora há um fato novo que veio a tona para muitas pessoas: aqueles que, mesmo sem provas, acusavam petistas, acusavam o presidente Lula, estão comprovadamente envolvidos no escândalo dos sanguessugas há muito tempo, desde que FHC era presidente e Serra ministro da saúde. Um ex-deputado da era FHC, o Kapaz, que comprovadamente recebeu propina do Vedoin, o chefe dos sanguessugas, fazia parte do Transparência Brasil e cobrava ética na política. O Antero Paes de Barros, senador do PSDB, do MT, feroz nos discursos contar os petistas, está envolvido com os sanguessugas até o pescoço, a cada dia aparecem mais provas irrefutáveis do envolvimento dele.
Essa oposição acusou pessoas de corrupção sem provas, e eles mesmos roubavam dinheiro público há muitos anos. Não lhes interessa que o presidente Lula se reeleja, pois sabem que o presidente Lula vai continuar combatendo a corrupção, e eles vão continuar sendo investigados e punidos por seus atos ilícitos. A ALSP vai instalar as CPIs, com ordem do STF, para investigar a corrupção de Alckmin em SP, principalmente os desvios da Nossa Caixa que estão diretamente ligados a ele e a facilitação de Alckmin para o contrabando do luxo e sonegação de impostos da Daslu. Essa campanha sórdida antecipada, ao contrário do que eles queriam, favoreceu muito o presidente Lula. Nenhum outro presidente foi tão investigado como o presidente Lula e nada, absolutamente nada de ilícito foi encontrado contra ele.
O povo sabe disso, até quem não vota no presidente Lula por motivos ideológicos sabe disso, sabe que o presidente Lula é integro, é honrado e por isso vai se eleger novamente. Já o Alckmin não se deixou investigar, não quis se submeter às CPIs, engavetou todas, como fez FHC - que agora tem de ficar escondido, não pode participar da propaganda de seu pupilo, o que seria muito natural, afinal os dois são do PSDB, são amigos, governaram juntos por longos anos. Os oposicionistas ferozes e virulentos combinaram tudo entre eles, mas se esqueceram do principal, do povo. O povo não faz combinações espúrias e sórdidas contra o melhor presidente que o Brasil já teve, o povo não quer de volta a desgraça do governo de FHC pelas mãos de Alckmin. O povo é sabido, está atento e indignado, por isso é Lula de novo com a força do povo!
A campanha para a eleição de 2006 começou muito antecipada, em 2005, com todos os holofotes da mídia voltados para as CPIs. A oposição feroz e virulenta pretendia definir a eleição de 2006 em 2005. Foi uma festa de esbórnia em que se locupletaram. Teve de tudo: cadeiradas, socos, tapas, palavrões, gritos histéricos, tortura psicológica, ameaças, mentiras, ilações e calúnias. Cada integrante da oposição nas CPIs queria sair melhor do que o outro na fita. O foco das CPIs era um só, enfraquecer o presidente Lula e o PT. A oposição mantém-se em horário político 24h por dia desde 2005, com a colaboração irrestrita da mídia. Esses integrantes da oposição virulenta se esqueceram de que foram eleitos para trabalhar pelo bem-estar do povo. Sentaram as bundas nas cadeiras do Congresso para disputar holofotes, esbravejando, babando e destilando todo o seu veneno.
Votar matérias importantes que iriam melhorar muito a vida das pessoas e do país, nem pensar. O presidente Lula teve que editar sucessivas Medidas Provisórias para que benefícios chegassem a milhões de pessoas. Enquanto eles promoviam um show de horrores no Congresso e ocupavam a mente em meios e modos de derrubar o presidente, Lula não se abateu e continuou fazendo o possível e o impossível para o bem do país e de milhões de brasileiros. O povo assistiu às CPIs, o povo soube distinguir o que era verdade do que era mentira, o que era fato do que era armação. Muitos hoje acham que o povo não se indignou com a corrupção, e por isso vai votar no presidente Lula. Não é verdade, foi por ter se indignado com a corrupção que o povo vai votar no presidente Lula.
Eles sabem que o presidente Lula está combatendo a corrupção no país como nunca foi feito antes por nenhum outro governo. FHC engavetou todas as CPIs para investigar a corrupção em seu governo, Alckmin engavetou 69 CPIs que iriam investigar a corrupção no governo de SP. Por que eles não querem ser investigados, o que eles estão escondendo de tão feio, sujo e corrupto, para ter tanto medo de CPIs? Eles acham que o povo não está sabendo disso, eles acham que o povo não está atento para isso. Tanto está que o senador Arthur Virgilio, feroz opositor do governo Lula, que esbravejou até que daria uma surra no presidente, tem apenas 3% das intenções de voto como candidato a governador em seu estado, Amazonas. O presidente Lula tem 75% das intenções de voto para presidente no Amazonas.
Agora há um fato novo que veio a tona para muitas pessoas: aqueles que, mesmo sem provas, acusavam petistas, acusavam o presidente Lula, estão comprovadamente envolvidos no escândalo dos sanguessugas há muito tempo, desde que FHC era presidente e Serra ministro da saúde. Um ex-deputado da era FHC, o Kapaz, que comprovadamente recebeu propina do Vedoin, o chefe dos sanguessugas, fazia parte do Transparência Brasil e cobrava ética na política. O Antero Paes de Barros, senador do PSDB, do MT, feroz nos discursos contar os petistas, está envolvido com os sanguessugas até o pescoço, a cada dia aparecem mais provas irrefutáveis do envolvimento dele.
Essa oposição acusou pessoas de corrupção sem provas, e eles mesmos roubavam dinheiro público há muitos anos. Não lhes interessa que o presidente Lula se reeleja, pois sabem que o presidente Lula vai continuar combatendo a corrupção, e eles vão continuar sendo investigados e punidos por seus atos ilícitos. A ALSP vai instalar as CPIs, com ordem do STF, para investigar a corrupção de Alckmin em SP, principalmente os desvios da Nossa Caixa que estão diretamente ligados a ele e a facilitação de Alckmin para o contrabando do luxo e sonegação de impostos da Daslu. Essa campanha sórdida antecipada, ao contrário do que eles queriam, favoreceu muito o presidente Lula. Nenhum outro presidente foi tão investigado como o presidente Lula e nada, absolutamente nada de ilícito foi encontrado contra ele.
O povo sabe disso, até quem não vota no presidente Lula por motivos ideológicos sabe disso, sabe que o presidente Lula é integro, é honrado e por isso vai se eleger novamente. Já o Alckmin não se deixou investigar, não quis se submeter às CPIs, engavetou todas, como fez FHC - que agora tem de ficar escondido, não pode participar da propaganda de seu pupilo, o que seria muito natural, afinal os dois são do PSDB, são amigos, governaram juntos por longos anos. Os oposicionistas ferozes e virulentos combinaram tudo entre eles, mas se esqueceram do principal, do povo. O povo não faz combinações espúrias e sórdidas contra o melhor presidente que o Brasil já teve, o povo não quer de volta a desgraça do governo de FHC pelas mãos de Alckmin. O povo é sabido, está atento e indignado, por isso é Lula de novo com a força do povo!
DANTAS PODE TORNAR A TRANSIÇÃO MENOS “EDUCADA”
Paulo Henrique Amorim
A transição Lula/Lula vai (ou pode) ser diferente da transição FHC/Lula.
Foi o que o presidente Lula deu a entender na segunda-feira, 28 de agosto, no Hotel Sofitel, em São Paulo, ao se encontrar com intelectuais e economistas.
Logo no começo da exposição, ele disse:
- Vocês se lembram da transição “educada” que houve quando o Fernando Henrique passou o Governo para mim ? Foi “educada”, porque eu não quis “futucar” o que havia lá no Governo Fernando Henrique. A situação era de instabilidade econômica e não deu pra “futucar”. (Essa reprodução não é literal. É produto da reconstituição de um intelectual presente.)
Se Lula vencer no primeiro turno. E se não houver instabilidade econômica, é possível que a transição Lula/Lula não seja “educada”.
O que, provavelmente, explica a irrefletida reação do ex-presidente Fernando Henrique, que, nos últimos dias, pregou duas vezes o golpe de Estado: quando invocou Carlos Lacerda; e quando sugeriu a Geraldo Alckmin que fizesse como os adeptos da Ku Klux Kan, no período da Reconstrução, nos Estados Unidos, contra os abolicionistas, ou os negros “share croppers”: botar fogo no paiol, no celeiro, no palheiro – o que for mais eficaz ...
Se Lula quiser, de fato, “deseducar” a transição, basta recomendar ao Ministro da Justiça que deixe Paulo Lacerda, superintendente da Policia Federal, trabalhar em paz.
Paulo Lacerda tem em mãos documentos que permitem investigar a possibilidade de Dantas “criar”, no exterior, quantas contas de brasileiros quiser.
Nesta sexta-feira, dia 1 de setembro, um delegado da Polícia Federal ouviu Daniel Dantas, no Rio, sobre o mensalão.
Basta ouvir Daniel Dantas também sobre algumas contas que ele, segundo a revista Veja, ajudou a produzir para a Veja.
E consultá-lo sobre os melhores momentos da privatização das teles.
E sobre um encontro com o Presidente Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada, que precedeu o massacre da “Noite de São Valentim”, em que cairam fuzilados os diretores da Previ, que, se empossados, se oporiam a Daniel Dantas.
É o que Fernando Henrique mais deve temer. E é a maneira mais rápida de “deseducar” a transição: abrir a caixa-preta (quer dizer, o disco rígido) de Daniel Dantas.
01/09/2006 19:39h
A transição Lula/Lula vai (ou pode) ser diferente da transição FHC/Lula.
Foi o que o presidente Lula deu a entender na segunda-feira, 28 de agosto, no Hotel Sofitel, em São Paulo, ao se encontrar com intelectuais e economistas.
Logo no começo da exposição, ele disse:
- Vocês se lembram da transição “educada” que houve quando o Fernando Henrique passou o Governo para mim ? Foi “educada”, porque eu não quis “futucar” o que havia lá no Governo Fernando Henrique. A situação era de instabilidade econômica e não deu pra “futucar”. (Essa reprodução não é literal. É produto da reconstituição de um intelectual presente.)
Se Lula vencer no primeiro turno. E se não houver instabilidade econômica, é possível que a transição Lula/Lula não seja “educada”.
O que, provavelmente, explica a irrefletida reação do ex-presidente Fernando Henrique, que, nos últimos dias, pregou duas vezes o golpe de Estado: quando invocou Carlos Lacerda; e quando sugeriu a Geraldo Alckmin que fizesse como os adeptos da Ku Klux Kan, no período da Reconstrução, nos Estados Unidos, contra os abolicionistas, ou os negros “share croppers”: botar fogo no paiol, no celeiro, no palheiro – o que for mais eficaz ...
Se Lula quiser, de fato, “deseducar” a transição, basta recomendar ao Ministro da Justiça que deixe Paulo Lacerda, superintendente da Policia Federal, trabalhar em paz.
Paulo Lacerda tem em mãos documentos que permitem investigar a possibilidade de Dantas “criar”, no exterior, quantas contas de brasileiros quiser.
Nesta sexta-feira, dia 1 de setembro, um delegado da Polícia Federal ouviu Daniel Dantas, no Rio, sobre o mensalão.
Basta ouvir Daniel Dantas também sobre algumas contas que ele, segundo a revista Veja, ajudou a produzir para a Veja.
E consultá-lo sobre os melhores momentos da privatização das teles.
E sobre um encontro com o Presidente Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada, que precedeu o massacre da “Noite de São Valentim”, em que cairam fuzilados os diretores da Previ, que, se empossados, se oporiam a Daniel Dantas.
É o que Fernando Henrique mais deve temer. E é a maneira mais rápida de “deseducar” a transição: abrir a caixa-preta (quer dizer, o disco rígido) de Daniel Dantas.
01/09/2006 19:39h
A anatomia da inveja
(Mauro Santayanna, para a Agência Carta Maior)
Em "Os velhos marinheiros", o clássico da literatura picaresca brasileira, Jorge Amado narra uma partida de pôquer em que o capitão Vasco Moscoso de Aragão depena o adversário. O perdedor procura insultar o ganhador de todas as formas - e um terceiro jogador observa: "inveja mata, seu Chico, inveja mata".
Há alguns meses o médico Adib Jatene, senhor dos mistérios do coração, órgão em que se presume alojar a alma dos homens, dizia a mesma coisa que disse o personagem de Jorge. A competitividade, o afã de superar os demais, a inveja do êxito alheio, são os maiores aliados da morte por infarto. Provavelmente sejam também de outras doenças fatais.
O ex-presidente Fernando Henrique deve consultar já o doutor Jatene. As suas mais recentes declarações sobre Lula, a quase apoplexia com que, no encontro com os donos do poder econômico, se referiu ao Chefe de Estado (inveja mata: trata-se de um operário na chefia do Estado) mostram que o festejado intelectual está precisando de acompanhamento cardiológico. E não fez melhor o antigo presidente, quando falou em Macunaíma. Lula não tem o perfil do anti-herói de Mário de Andrade.
O ex-presidente é homem vitorioso. Não tem por que invejar o êxito de ninguém, porque foi brindado por todos os êxitos: na cátedra, na literatura sociológica, na presença no Senado e na Presidência da República. Nunca se atrapalhou com o uso dos talheres nos salões do mundo. Sabe perfeitamente como servir-se de chá no Palácio de Buckingham e conhece as anedotas que fazem Clinton divertir-se, embora, com precavida elegância, evite as que falam de charutos. Lula, para a sua razão aristocrática, é um brega. A sua missão histórica deveria limitar-se à liderança sindical, como fez George Meany, que dominou o sindicalismo norte-americano por décadas. Lula devia trabalhar para a conciliação de classes e se satisfazer em apenas reivindicar - e sem greves, como fazia Meany - participação modesta dos trabalhadores na prosperidade do capitalismo em geral. Mas Lula foi atrevido. Fundou um partido político, liderou intelectuais (alguns com muito mais estofo do que sua ex-excelência) e acabou chegando ao Palácio do Planalto. Tratou-se, como pensa o grande sociólogo, de um desaforo de pobre.
Fernando Henrique não tem por que invejar ninguém – mas se sente incomodado fora do poder. Há pessoas que se sentem predestinadas para o mando e se ofendem quando o perdem. Falta-lhes aquela consciência de efemeridade de todas as coisas da vida – e da própria vida. O poder político é uma concessão da vontade popular, e a vontade popular nem sempre é ungida daquele tipo de sabedoria que lhe reclama o soberbo professor.
Podemos entender o direito de espernear dos tucanos. A cada dia seu candidato voa mais baixo apesar da orquestração dos ataques por parte dos outros candidatos, todos aliados "in pectore" do ex-governador de São Paulo. Mas é muito divertido – e o vocábulo é este mesmo – ouvir o Sr. Fernando Henrique falar em moralidade pública, e cobrar do presidente medidas contra os corruptos. Onde se encontrava Fernando Henrique quando seu governo beneficiou banqueiros com as inside informations do Banco Central? Em que galáxia passava férias, quando o Banco Central salvou os bancos Marka e Fontecidam, com o prejuízo de bilhões para o povo brasileiro? Por que não permitiu que se formassem várias comissões parlamentares de inquérito, que foram requeridas contra seu governo, como a do sistema financeiro e a da compra de votos para a emenda da reeleição?
O Sr. Geraldo Alckmin também tem falado muito em moralidade pública, mas ainda não explicou a solidariedade que prestou aos sonegadores e fraudulentos importadores da Daslu, nem os estranhos negócios de publicidade da Caixa Econômica de São Paulo. E o dever de cortesia nos impede de tratar de outros assuntos constrangedores.
O problema é que o país está crescendo, embora lentamente. Pela primeira vez, na história da República, as pessoas vêem os preços reais de produtos essenciais para a vida caírem nos supermercados. Pela primeira vez, em nossa história, engravatados são algemados e colocados no camburão da polícia. Não adianta o desespero: o povo já parece ter feito a escolha. Os formadores de opinião, os cientistas políticos e os clarividentes podem prever o que quiserem, mas só se houver um tsunami no Rio São Francisco ou a Mantiqueira se mover para a Patagônia, será provável a derrota de Lula.
Fernando Henrique está agora incendiário. Mao-tsé-tung dizia que quando a pradaria está seca, basta atear-lhe fogo. Fernando Henrique está pregando que se acenda fogo ao palheiro. Resta saber a que palheiro ele se refere.
O dinheiro do FAT
É estranho o esforço que parte da imprensa faz para desmoralizar os trabalhadores da Volkswagen e reclamar do governo que ajude a empresa a "modernizar-se" e a concorrer com a China. A empresa pediu 500 milhões ao BNDES a fim de instalar novos robôs. O dinheiro do BNDES é do Fundo de Amparo ao Trabalhador, ou seja, dos próprios trabalhadores. O governo se nega a usar dinheiro que pertence aos trabalhadores a fim de que sejam demitidas as pessoas. Se a razão e a justiça tivessem lugar em nosso tempo, seria o caso de a Volkswagen usar o dinheiro do FAT para reciclar seus trabalhadores ou, melhor ainda, manter-lhes o emprego e o salário, reduzindo a carga semanal de trabalho. O uso do dinheiro do FAT para reorganizar empresas com a demissão de milhares e milhares de trabalhadores era normal no governo passado. Foi com esse dinheiro que os privatizadores compraram as empresas estatais. Com esse dinheiro, muitas das novas empresas demitiram sumariamente os trabalhadores brasileiros e importaram trabalhadores estrangeiros.
Em "Os velhos marinheiros", o clássico da literatura picaresca brasileira, Jorge Amado narra uma partida de pôquer em que o capitão Vasco Moscoso de Aragão depena o adversário. O perdedor procura insultar o ganhador de todas as formas - e um terceiro jogador observa: "inveja mata, seu Chico, inveja mata".
Há alguns meses o médico Adib Jatene, senhor dos mistérios do coração, órgão em que se presume alojar a alma dos homens, dizia a mesma coisa que disse o personagem de Jorge. A competitividade, o afã de superar os demais, a inveja do êxito alheio, são os maiores aliados da morte por infarto. Provavelmente sejam também de outras doenças fatais.
O ex-presidente Fernando Henrique deve consultar já o doutor Jatene. As suas mais recentes declarações sobre Lula, a quase apoplexia com que, no encontro com os donos do poder econômico, se referiu ao Chefe de Estado (inveja mata: trata-se de um operário na chefia do Estado) mostram que o festejado intelectual está precisando de acompanhamento cardiológico. E não fez melhor o antigo presidente, quando falou em Macunaíma. Lula não tem o perfil do anti-herói de Mário de Andrade.
O ex-presidente é homem vitorioso. Não tem por que invejar o êxito de ninguém, porque foi brindado por todos os êxitos: na cátedra, na literatura sociológica, na presença no Senado e na Presidência da República. Nunca se atrapalhou com o uso dos talheres nos salões do mundo. Sabe perfeitamente como servir-se de chá no Palácio de Buckingham e conhece as anedotas que fazem Clinton divertir-se, embora, com precavida elegância, evite as que falam de charutos. Lula, para a sua razão aristocrática, é um brega. A sua missão histórica deveria limitar-se à liderança sindical, como fez George Meany, que dominou o sindicalismo norte-americano por décadas. Lula devia trabalhar para a conciliação de classes e se satisfazer em apenas reivindicar - e sem greves, como fazia Meany - participação modesta dos trabalhadores na prosperidade do capitalismo em geral. Mas Lula foi atrevido. Fundou um partido político, liderou intelectuais (alguns com muito mais estofo do que sua ex-excelência) e acabou chegando ao Palácio do Planalto. Tratou-se, como pensa o grande sociólogo, de um desaforo de pobre.
Fernando Henrique não tem por que invejar ninguém – mas se sente incomodado fora do poder. Há pessoas que se sentem predestinadas para o mando e se ofendem quando o perdem. Falta-lhes aquela consciência de efemeridade de todas as coisas da vida – e da própria vida. O poder político é uma concessão da vontade popular, e a vontade popular nem sempre é ungida daquele tipo de sabedoria que lhe reclama o soberbo professor.
Podemos entender o direito de espernear dos tucanos. A cada dia seu candidato voa mais baixo apesar da orquestração dos ataques por parte dos outros candidatos, todos aliados "in pectore" do ex-governador de São Paulo. Mas é muito divertido – e o vocábulo é este mesmo – ouvir o Sr. Fernando Henrique falar em moralidade pública, e cobrar do presidente medidas contra os corruptos. Onde se encontrava Fernando Henrique quando seu governo beneficiou banqueiros com as inside informations do Banco Central? Em que galáxia passava férias, quando o Banco Central salvou os bancos Marka e Fontecidam, com o prejuízo de bilhões para o povo brasileiro? Por que não permitiu que se formassem várias comissões parlamentares de inquérito, que foram requeridas contra seu governo, como a do sistema financeiro e a da compra de votos para a emenda da reeleição?
O Sr. Geraldo Alckmin também tem falado muito em moralidade pública, mas ainda não explicou a solidariedade que prestou aos sonegadores e fraudulentos importadores da Daslu, nem os estranhos negócios de publicidade da Caixa Econômica de São Paulo. E o dever de cortesia nos impede de tratar de outros assuntos constrangedores.
O problema é que o país está crescendo, embora lentamente. Pela primeira vez, na história da República, as pessoas vêem os preços reais de produtos essenciais para a vida caírem nos supermercados. Pela primeira vez, em nossa história, engravatados são algemados e colocados no camburão da polícia. Não adianta o desespero: o povo já parece ter feito a escolha. Os formadores de opinião, os cientistas políticos e os clarividentes podem prever o que quiserem, mas só se houver um tsunami no Rio São Francisco ou a Mantiqueira se mover para a Patagônia, será provável a derrota de Lula.
Fernando Henrique está agora incendiário. Mao-tsé-tung dizia que quando a pradaria está seca, basta atear-lhe fogo. Fernando Henrique está pregando que se acenda fogo ao palheiro. Resta saber a que palheiro ele se refere.
O dinheiro do FAT
É estranho o esforço que parte da imprensa faz para desmoralizar os trabalhadores da Volkswagen e reclamar do governo que ajude a empresa a "modernizar-se" e a concorrer com a China. A empresa pediu 500 milhões ao BNDES a fim de instalar novos robôs. O dinheiro do BNDES é do Fundo de Amparo ao Trabalhador, ou seja, dos próprios trabalhadores. O governo se nega a usar dinheiro que pertence aos trabalhadores a fim de que sejam demitidas as pessoas. Se a razão e a justiça tivessem lugar em nosso tempo, seria o caso de a Volkswagen usar o dinheiro do FAT para reciclar seus trabalhadores ou, melhor ainda, manter-lhes o emprego e o salário, reduzindo a carga semanal de trabalho. O uso do dinheiro do FAT para reorganizar empresas com a demissão de milhares e milhares de trabalhadores era normal no governo passado. Foi com esse dinheiro que os privatizadores compraram as empresas estatais. Com esse dinheiro, muitas das novas empresas demitiram sumariamente os trabalhadores brasileiros e importaram trabalhadores estrangeiros.
sábado, setembro 02, 2006
Wagner Tiso: "O vilão sou eu?"
Acho que posso dizer, com orgulho, que sou um artista com vínculos pré-históricos com o Partido dos Trabalhadores. Mas nunca ofereci, em sacrifício, a minha independência pa ra pensar. O fato é que na certidão de nascimento do PT consta o meu no me, e nos alicerces de fundação há rastros do meu esforço pessoal para coletar assinaturas de adesão ao par tido.
Participei de todas as campanhas presidenciais. Muitas vezes, lá no início, carregava o teclado nas costas para animar os comícios petistas. Nada disso impediu minha convivência com intelectuais e gente do mundo artístico com posições políticas diferentes da minha. Na democracia pela qual me bato há espaço amplo para divergências políticas.
Meu velho coração de estudante palpitou quando Lula ganhou a eleição. Essa jornada para a ascensão do PT ao poder foi longa. Conhecendo os obstáculos históricos e os preconceitos encravados na sociedade brasileira, nem pensei que pudesse estar vivo quando a faixa presidencial fosse cruzada no peito de um operário metalúrgico. Aconteceu antes do que eu esperava. Vivi o bastante para ver.
Assim, era natural a minha presença na casa do ministro Gilberto Gil, no Rio, durante o encontro de intelectuais e artistas com o presidente Lula. Naquela noite recebi uma emocionante e inesperada homenagem do presidente. Havia o calor da amizade e mui ta sinceridade nas palavras dele quando me agradeceu pela entrevista que dei ao GLOBO, em setembro de 2005. Naquela ocasião, defendi o que acre dito e critiquei o que condeno, como foi o caso do uso de caixa dois nas campanhas políticas do partido. A oposição concentrava todas as forças para abalar o governo. Havia um cheiro de golpe branco no ar, denunciado com precisão e coragem pelo professor Wanderley Guilherme dos Santos.
Convidado para aquela entrevista (do ano passado), publicada pelo Globo, defendi um governo no qual acredito. Não vacilei em dizer como via as coisas. Disse o que disse - e repetiria, se preciso fosse - exatamente por acreditar que Lula não rasgou o compromisso com a ética, uma das principais razões pelas quais eu e tantos outros artistas aderimos à causa petista.
Cercado pelos repórteres ao sair do encontro com Lula, eu disse uma frase que, no tumulto, escapou do contexto. Um erro meu e não dos repórteres. Nela vi, posteriormente, que passei a impressão de repudiar a ética. Mas não é assim que penso e ajo, conforme disse em carta publicada pelo jornal O Globo e desconsiderada na seqüência dos acontecimentos. Minha vida, com indissolúvel ligação entre as atitudes pessoais e as ações artísticas, é a ex pressão do meu compromisso com a seriedade e a lisura. Nada me fará me esquecer de quem sou!
Eu repudiei, sim, a manipulação do discurso sobre a ética, proposta pela oposição. É uma preocupação farisaica. Uma cortina de fumaça que oculta uma disputa implacável pelo poder. Olhem só para a cara dos principais porta-bandeiras do movimento. São vigaristas políticos que enriqueceram na vida pública sem qualquer preocupação com o caos social que vem se formando no Brasil. Eles dão as costas para a população carente e vomitam um discurso hipócrita sobre ética. É isso que repudio. Nesse contexto é que peço que seja inserido meu sentimento real, traído por uma frase mal colocada. A falta de traquejo para enfrentar um batalhão de perguntas - algumas muito agressivas - me fez tropeçar no meu próprio discurso.
Agora vejo a frase como alavanca de um debate no qual faço o papel de vilão. Vilão, eu? Eu que pautei toda a minha vida em atitudes éticas. O pano de fundo é atingir Lula e o PT. Um governo que tem, segundo o Datafolha, 52% de aprovação da sociedade no patamar do "ótimo e bom".
O Brasil precisa mesmo de um de bate sobre ética . Sério e fecundo. Mas, por favor, não a partir da manipulação cruel de uma frase minha.
Quando a fumaça desse momento se esvair, será possível ver em cena os vilões de sempre. Eu me refiro àqueles que, historicamente, saquearam os cofres públicos e trouxeram o país a essa complicada situação de violência e insegurança. Um país, além do mais, marcado mundialmente pela vergonhosa distribuição de renda que desenha o mapa de uma sociedade injusta. Uma injustiça que faz corar aqueles que, de fato, reverenciam a ética.
Wagner Tiso é músico.
Participei de todas as campanhas presidenciais. Muitas vezes, lá no início, carregava o teclado nas costas para animar os comícios petistas. Nada disso impediu minha convivência com intelectuais e gente do mundo artístico com posições políticas diferentes da minha. Na democracia pela qual me bato há espaço amplo para divergências políticas.
Meu velho coração de estudante palpitou quando Lula ganhou a eleição. Essa jornada para a ascensão do PT ao poder foi longa. Conhecendo os obstáculos históricos e os preconceitos encravados na sociedade brasileira, nem pensei que pudesse estar vivo quando a faixa presidencial fosse cruzada no peito de um operário metalúrgico. Aconteceu antes do que eu esperava. Vivi o bastante para ver.
Assim, era natural a minha presença na casa do ministro Gilberto Gil, no Rio, durante o encontro de intelectuais e artistas com o presidente Lula. Naquela noite recebi uma emocionante e inesperada homenagem do presidente. Havia o calor da amizade e mui ta sinceridade nas palavras dele quando me agradeceu pela entrevista que dei ao GLOBO, em setembro de 2005. Naquela ocasião, defendi o que acre dito e critiquei o que condeno, como foi o caso do uso de caixa dois nas campanhas políticas do partido. A oposição concentrava todas as forças para abalar o governo. Havia um cheiro de golpe branco no ar, denunciado com precisão e coragem pelo professor Wanderley Guilherme dos Santos.
Convidado para aquela entrevista (do ano passado), publicada pelo Globo, defendi um governo no qual acredito. Não vacilei em dizer como via as coisas. Disse o que disse - e repetiria, se preciso fosse - exatamente por acreditar que Lula não rasgou o compromisso com a ética, uma das principais razões pelas quais eu e tantos outros artistas aderimos à causa petista.
Cercado pelos repórteres ao sair do encontro com Lula, eu disse uma frase que, no tumulto, escapou do contexto. Um erro meu e não dos repórteres. Nela vi, posteriormente, que passei a impressão de repudiar a ética. Mas não é assim que penso e ajo, conforme disse em carta publicada pelo jornal O Globo e desconsiderada na seqüência dos acontecimentos. Minha vida, com indissolúvel ligação entre as atitudes pessoais e as ações artísticas, é a ex pressão do meu compromisso com a seriedade e a lisura. Nada me fará me esquecer de quem sou!
Eu repudiei, sim, a manipulação do discurso sobre a ética, proposta pela oposição. É uma preocupação farisaica. Uma cortina de fumaça que oculta uma disputa implacável pelo poder. Olhem só para a cara dos principais porta-bandeiras do movimento. São vigaristas políticos que enriqueceram na vida pública sem qualquer preocupação com o caos social que vem se formando no Brasil. Eles dão as costas para a população carente e vomitam um discurso hipócrita sobre ética. É isso que repudio. Nesse contexto é que peço que seja inserido meu sentimento real, traído por uma frase mal colocada. A falta de traquejo para enfrentar um batalhão de perguntas - algumas muito agressivas - me fez tropeçar no meu próprio discurso.
Agora vejo a frase como alavanca de um debate no qual faço o papel de vilão. Vilão, eu? Eu que pautei toda a minha vida em atitudes éticas. O pano de fundo é atingir Lula e o PT. Um governo que tem, segundo o Datafolha, 52% de aprovação da sociedade no patamar do "ótimo e bom".
O Brasil precisa mesmo de um de bate sobre ética . Sério e fecundo. Mas, por favor, não a partir da manipulação cruel de uma frase minha.
Quando a fumaça desse momento se esvair, será possível ver em cena os vilões de sempre. Eu me refiro àqueles que, historicamente, saquearam os cofres públicos e trouxeram o país a essa complicada situação de violência e insegurança. Um país, além do mais, marcado mundialmente pela vergonhosa distribuição de renda que desenha o mapa de uma sociedade injusta. Uma injustiça que faz corar aqueles que, de fato, reverenciam a ética.
Wagner Tiso é músico.
sexta-feira, setembro 01, 2006
mídia, povo e "elegância"
No afã de desqualificar a candidatura Lula, o jornal Folha de São Paulo mobiliza seu exército de articulistas com tamanha rapidez e urgência que os mesmos produzem pérolas como a que Plínio Fraga nos presenteou no domingo, 27 de agosto: segundo ele, o manual de redação do dito jornal recomenda que se evite a palavra "povo"; que deve dar preferência a "população ou sociedade. São mais exatas e elegantes."
Ele tem um mínimo de razão. O povo é inexato. Se fosse "exato" como as elites brancas de São Paulo o são, certamente votaria no conselho editorial do referido veículo para a presidência da República. Se fosse exato, o povo tomaria como verdade as distorções, os preconceitos, as manipulações abundantes na mídia conservadora, contra Lula e o PT.
Manipulações de informações estas que superaram, nos últimos meses, qualquer nível de razoabilidade. Apesar de tudo, Lula dispara nas pesquisas.
A mais recente é a do instituto Vox Populi, divulgada nesta quinta-feira pela TV Bandeirantes. Segundo a sondagem, a intenção de voto no candidato Lula subiu de 45 para 50%, enquanto Geraldo Alckmin passou de 24 para 25%. A senadora Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 11 por cento para 9 por cento.
É Lula de novo, com a força dos "deselegantes".
Ele tem um mínimo de razão. O povo é inexato. Se fosse "exato" como as elites brancas de São Paulo o são, certamente votaria no conselho editorial do referido veículo para a presidência da República. Se fosse exato, o povo tomaria como verdade as distorções, os preconceitos, as manipulações abundantes na mídia conservadora, contra Lula e o PT.
Manipulações de informações estas que superaram, nos últimos meses, qualquer nível de razoabilidade. Apesar de tudo, Lula dispara nas pesquisas.
A mais recente é a do instituto Vox Populi, divulgada nesta quinta-feira pela TV Bandeirantes. Segundo a sondagem, a intenção de voto no candidato Lula subiu de 45 para 50%, enquanto Geraldo Alckmin passou de 24 para 25%. A senadora Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 11 por cento para 9 por cento.
É Lula de novo, com a força dos "deselegantes".
Assinar:
Postagens (Atom)
