segunda-feira, janeiro 29, 2007

Lula honrou o Brasil

Pra falar a verdade eu acho esse tal de Guilherme Fiuza um reacionário da pior espécie. Costumo visitar o seu blog para criticar, mas não muito, pois o ambiente lá é cheio daquela histeria moralista pefelê-tucana, conspiratória, aquele pessoalzinho menor que gosta de se referir ao presidente seja como "Lulla", "Nosso Guia" ou "Apedeuta"... E haja saco pra aguentar essa falta de criatividade dos nossos adversários...

Mas não é que o cara se rendeu ao Lula? Ele conseguiu, com algum desconto e atraso, enxergar o Lula que nós conhecemos. O Lula em quem votamos. O Lula que nos honra. Leiam vocês.


Lula honrou o Brasil

Por Guilherme Fiuza

Custou muito ao Brasil – e ainda está custando – tirar da própria testa o carimbo de caloteiro internacional. E continuam existindo os brasileiros a favor de se parar com essa bobagem de cumprimento de contratos – afinal, não é o povo que contrai essas dívidas, advogam esses nacionalistas.

Pois Luiz Inácio da Silva deu, em Davos, um passo decisivo na direção contrária ao populismo. Não, foi mais do que isso: Lula levou o Brasil a um passo importante na busca de uma relação madura com o mundo.

Historicamente, a diplomacia brasileira, por mais altivos que sejam seus condutores, se junta ao coro terceiro-mundista do “me dá um dinheiro aí”. Na área ambiental, por exemplo, em que o Brasil poderia ter assumido um papel de liderança na área estratégica (e bilionária) da biotecnologia, o país nunca passou da condição de pedinte.

Cada vez mais, a tentação de fazer o mundo sentir pena do Brasil foi guiando a diplomacia. É a boa e velha industrialização da pobreza. O país se acostumou a ir para o sinal fechado carregando seus filhos barrigudinhos com nariz escorrendo. Num discurso histórico no Fórum Econômico, Lula talvez tenha começado a acabar com a política de bater no vidro dos carros primeiro-mundistas com cara de choro.

“Nós temos que parar de viajar o mundo chorando a nossa miséria e importando culpados pela nossa desgraça. Muitas vezes, a responsabilidade é nossa”, disse Lula. Uma das declarações mais belas e corajosas de um chefe de Estado brasileiro nos últimos tempos.

O presidente ainda foi mais específico. Argumentou que não adianta os ricos mandarem dinheiro para os governos, que muitas vezes gastam mal ou sequer conseguem gastar, por falta de projeto. Cabe ao país emergente procurar montar, junto aos primos ricos, parcerias onde o investimento e a transferência de conhecimento não seja um pedido, seja uma oportunidade.

Não é demais repetir: este foi um discurso histórico. Deveria ser tomado ao pé da letra não só por todos os negociadores brasileiros no exterior, como por todos os funcionários, empresários, ONGs, professores e camelôs. Os artistas poderiam aproveitar e inaugurar um movimento pelo fim da estética da piedade: “Vai à luta, Brasil”.

Um país com um mercado gigantesco ainda reprimido e a maior biodiversidade do mundo ainda pouco explorada tem que aprender a falar grosso. Sem bobagens de coalizão terceiro-mundista ou candidatura ao moribundo conselho de segurança da morta-viva ONU. Um Brasil que apareça com boas idéias (não delírios) na área de energia alternativa, por exemplo, pode ser levado a sério, conseguir oportunidades e até melhorar sua voz na OMC.

Como sempre, porém, é preciso um mínimo de estratégia e uma pitada de esperteza. Não confundir sair da passividade com fazer excursão ao Oriente para dar tapinhas nas costas dos chineses.

Mas se Lula está desistindo mesmo de ser o Mr. Pobreza e decidido a superar a diplomacia do miserê, o Brasil ainda deverá muito a ele por isso.

3 comentários:

cacá disse...

fico curiosa de saber o que a míriam leitão ou o alexandre gracinha pensaram desse discurso...

Anônimo disse...

Ué, eles pensam??

cacá disse...

ups, corrigindo... fico curiosa de saber o que a míriam leitão ou o alexandre gracinha falaram desse discurso...