Recebi por e-mail um texto interessante, que mostra o ponto de vista de um renomado psiquiatra suíço em relação às últimas do noticiário brasileiro. Sob o formato de matéria jornalística, o texto se apresenta como resultado de uma entrevista com o tal doutor Heinz Von Achlochstrecher. O doutor é fictício e o "nobel de psiquiatria" que ele teria recebido sequer existe, mas o conteúdo do seu discurso é ótimo e a sua argumentação é coerente e faz pensar. Publico, então, a seguir – ciente de que o Dr. Achlochstrecher é um personagem, mas apostando que não faltarão psiquiatras "de verdade" para concordar com suas afirmações:
"Midia brasileira é obsessiva", afirma psiquiatra alemão pai do "Geburtschaf"
(Fernando Carvalho, da EFF, Madrid)
"Toda a obsessão é um mal da mente. Nesta nova viagem que faço ao Brasil encontro os jornais brasileiros ou melhor, seus chefes de redação, acometidos de uma moléstia mental coletiva que beira a obsessão".
"Tudo, absolutamente tudo, para eles é culpa do presidente do país."
Rindo bastante hoje pela manhã, entre uma caipirinha e outra, foi assim que Heinz Von Achlochstrecher, 79, famoso psiquiatra suíço, radicado na cidade de Ulm na Alemanha, comentou as noticias que leu nos jornais de hoje, no hall do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde está hospedado em visita de férias ao Brasil.
"Essa história do assessor do Lula que foi filmado fazendo gestos obscenos, por entre as cortinas de seu próprio escritório, é um caso raro."
Para o psiquiatra, autor de vários best-sellers como "Eu quero que o mundo seja assim" e "Nicolau, agora pára com isso e larga do meu pé", ter a imprensa ligado a cena dos gestos obscenos ao anuncio de que um avião tinha apresentado problemas mecânicos, sem haver um áudio comprovando isso, é absolutamente doentio.
"A obsessão por culpar o presidente por tudo expõe esses jornalistas ao ridículo".
"Depois de passar três dias inteiros de manhã à noite culpando o governo pela falta de umas ranhuras que só 5 pistas de aeroporto possuem em todo o país, a mídia, em vez de fazer auto-critica quando o vice-presidente técnico da TAM revelou que o avião estava com o reverso desligado no momento do pouso, sai como louca em busca de uma nova imagem sensacionalista para desviar a atenção do público para a mentira que repetiu setenta e duas horas seguidas, sem descanso, sobre as tais "ranhuras indispensáveis", afirmou o Prêmio Nobel de Psiquiatria de 1988.
"Podia ser o Lula tirando meleca. Podia ser Dona Marise, limpando o sapato depois de pisar em cocô de um dos cachorrinhos do presidente. Podia ser qualquer coisa, contanto que desviasse a atenção. Quis o destino que fosse o tal assessor, fazendo 'top-top' atrás da cortina do seu escritório...
Então, desce o pano rápido e vamos de assessor! Escondam imagem do avião correndo a velocidade três vezes a normal na pista. Escondam essa história de reverso quebrado e desligado. Mostrem o Marco Aurélio fazendo top-top, rápido!
Sinceramente, eu gostaria de perguntar aos 'barões da mídia' e seus cúmplices: quem vocês acham que ainda acredita em vocês? Vocês não têm medo de perder completamente o que lhes restou de credibilidade?
Esse caso parece a versão do capitalismo que nos irradiava dia e noite a televisão da ex-RDA (Alemanha Oriental). Tudo para eles era culpa do capitalismo!"
Disse Von Achlochstrecher que no Brasil a censura é muito mais forte do que sob o comunismo soviético, pois aqui as chefias de redação usam métodos empresariais para exercer a censura, que são muito mais eficientes do que os velhos censores estatizados e burocráticos.
Mandar cinegrafistas ficar nas janelas do Palácio do Planalto filmando as janelas dos escritórios para pegar alguém coçando prurido anal, o buraco do nariz ou da orelha é uma atitude que denota absoluta falta de controle emocional e uma obsessão que pode ser contagiosa.
Comendo uma casquinha de siri, abraçado com uma jovem afro-descendente e vestido com a camisa do Flamengo, o velho psiquiatra termina a entrevista desafiante: "Em vez de obsessão por Lula, esses jornalistas deveriam transformar toda essa energia em obsessão saudável pelo sexo oposto, como essa que me faz correr 45 minutos todos os dias e ainda dar conta da Licimara, que vive comigo em Berlin há quase cinco anos... todos os dias!"
terça-feira, julho 24, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
Cara e Coroa
Depois de 13 anos em Nova York, fiquei três trabalhando no Rio de Janeiro e voltei a Nova York para mais três anos de atuação como correspondente.
Só mais recentemente estive envolvido de perto com a cobertura da política brasileira.
Na minha opinião, tem sido um espetáculo da aplicação de dois pesos e duas medidas:
CARA: O candidato a governador de Pernambuco, Humberto Costa, do PT, foi denunciado pelo Ministério Público na semana do primeiro turno das eleições de 2006, notícia amplamente divulgada. Ficou em terceiro lugar.
COROA: O mesmo indiciamento incluiu Platão Fischer Puhler, homem de confiança do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. O relatório da Polícia Federal que serviu de base à denúncia concluiu que uma quadrilha atuava na comercialização de hemoderivados no Ministério da Saúde desde que Serra era ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Era a Máfia dos Vampiros. A notícia sobre Platão praticamente sumiu do mapa. Serra foi eleito com ampla margem de votos.
CARA: Freud Godoy, apresentado ao público como o churrasqueiro do presidente Lula, foi à Polícia Federal diante de um batalhão de repórteres - eu estava entre eles - como suspeito de ter participado da operação de compra de um dossiê que demonstraria o envolvimento do candidato ao governo de São Paulo, José Serra, com a máfia das ambulâncias. Faltavam alguns dias para o primeiro turno das eleições presidenciais. Nada ficou provado contra Freud.
COROA: Abel Pereira, acusado de atuar como intermediário do PSDB nos negócios envolvendo o ministério da Saúde de José Serra com a máfia das ambulâncias, não foi chamado a depor com o mesmo alarde e em período pré-eleitoral. Investigada durante o governo Lula, a máfia das ambulâncias começou a atuar "no governo anterior", o do PSDB.
CARA: O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, vaza fotos na antevéspera do primeiro turno da eleição que são divulgadas com grande destaque pela mídia.
COROA: Os indícios de que o delegado pode ter feito a "arquitetura" do dinheiro com objetivos cenográficos não merecem uma linha em jornal, rádio ou televisão.
CARA: A operação da Polícia Federal que teve maior repercussão no governo de Fernando Henrique Cardoso foi aquela que levou à descoberta de dinheiro num escritório ligado a Roseana Sarney, então possível candidata do PFL à presidência da República. A operação eliminou a candidatura de Roseana e deixou o campo livre para a candidatura de José Serra, do PSDB.
COROA: Operações da Polícia Federal durante o governo Lula investigaram o contrabando na Daslu, a fraude fiscal na Schincariol, resultaram na prisão de autoridades do próprio governo, de delegados da Polícia Federal e da polícia civil, na acusação a deputados e senadores e levaram ao afastamento de um ministro de Estado.
CARA: O valerioduto resultou na cassação de José Dirceu, do PT, depois de uma cobertura que consumiu toneladas de papel e um gigantesco arquivo de reportagens de rádio e televisão. Participei marginalmente da cobertura, denunciando um esquema de caixa 2 do PT em Goiás. Mas, quando o assunto chegou à CPI dos Correios, morreu depois que o principal acusado revelou que havia feito doações para quase todos os partidos. As doações não aparecem nas declarações dos partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.
COROA: O ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que participou do parto do valerioduto, não só escapou de qualquer tipo de punição como não foi investigado pela mídia com o mesmo ímpeto dedicado a José Dirceu. Azeredo continua exercendo um papel de destaque na bancada do partido no Congresso.
CARA: Quatro CPIs foram criadas especificamente para investigar ações do governo, com ampla cobertura da mídia, transmissão ao vivo pela TV e cobranças diárias de colunistas e comentaristas políticos.
COROA: Nenhuma CPI para investigar denúncias específicas contra governos do PSDB em São Paulo foi criada desde Geraldo Alckmin, do PSDB, embora haja denúncias consistentes sobre a distribuição de verbas publicitárias da Nossa Caixa para a mídia "amiga" e um rombo considerável na CDHU. Nem os comentaristas, nem os articulistas
regionais se empenham em cobrar as CPIs com o mesmo vigor. A energia e os recursos dedicados pela mídia a esses assuntos é, por comparação, mínimo - e praticamente inexistiu no período pré-eleitoral, quando a investigação poderia prejudicar tanto Geraldo Alckmin quanto José Serra.
CARA: Renan Calheiros foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Os negócios dele com o gado passaram batidos. Presidente do Congresso e articulador da coalizão governista, Renan é acusado de ter tido as despesas com a manutenção da amante jornalista e de uma filha fora do casamento por um lobista de uma empreiteira. Curiosamente, em 1989 o então candidato Lula teve seu caso com a enfermeira Miriam Cordeiro revelado às vésperas da eleição. Uma entrevista com Miriam, gravada pela equipe de campanha do candidato Fernando Collor, foi ao ar também no Jornal Nacional, acusando Lulanão só de ter sugerido o aborto da filha Lurian mas também de ter feito manifestações racistas quando via atores negros na televisão.
COROA: Embora a mídia saiba do filho do ex-presidente FHC com uma jornalista da Globo, o fato não só nunca foi divulgado pela grande mídia brasileira como nunca se perguntou ao político como foram sustentados a mãe e o filho no Exterior. O filho de FHC e as circunstâncias em que ele e a jornalista foram "escondidos" são a maior não-notícia da História recente da mídia brasileira.
CARA: Quando cobri o apagão elétrico, que afetou a todos os brasileiros, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a ênfase era numa campanha cívica para convencer a população de que cabia a cada um colaborar.
COROA: O apagão aéreo é caos. Falta de planejamento. Culpa do governo. Pouquíssimas menções são feitas ao sistema de hubs implantado pelo duopólio TAM/Gol - que concentra muitos vôos em poucos aeroportos - e ao espetacular crescimento na venda de passagens aéreas.
Qual é a minha conclusão?
O governo pode ser ruim, mas é melhor do que a mídia mostra. Apesar da decepção causada aos eleitores do próprio PT e de ter adotado uma política econômica conservadora, Lula ameaça a hegemonia daqueles que se deram bem com a privataria, é vítima de ódio de classe e desprezado pela elite branca dos Jardins paulistanos e da faixa de terra que vai de Copacabana ao Leblon, no Rio de Janeiro.
Os ressentidos querem mais estado - para bancar os Jogos Panamericanos, levantar empresas falidas e financiar com juros baixos a conversão para o sistema de TV digital - e menos estado - para reduzir a carga tributária, cortar as "migalhas" do Bolsa Família e colocar no ar todo o lixo que quiserem, quando quiserem, desde que dê audiência.
Os muitos defeitos do governo Lula são amplificados e as conquistas são diminuídas com a estratégia de dizer que "poderia ser melhor", "na Índia é melhor", "na China é diferente", "vejam só como é na Rússia" e assim por diante.
Mas essas mesmas comparações não valem quando revelam que "na Suécia não só tem classificação indicativa, como há limite para anúncios durante a programação infantil".
Quando o governo brasileiro tenta regulamentar o assunto, é "censura prévia". Quando autoridades britânicas multam pesadamente emissoras públicas e privadas de tevê por desvios de conduta, a notícia nem sai no Brasil.
Não há conspiração da mídia contra o governo. Não é preciso. É só deixar rolar os interesses de classe.
Publicado por Luiz Carlos Azenha, em 15 de julho de 2007, no seu site Vi o Mundo.
Só mais recentemente estive envolvido de perto com a cobertura da política brasileira.
Na minha opinião, tem sido um espetáculo da aplicação de dois pesos e duas medidas:
CARA: O candidato a governador de Pernambuco, Humberto Costa, do PT, foi denunciado pelo Ministério Público na semana do primeiro turno das eleições de 2006, notícia amplamente divulgada. Ficou em terceiro lugar.
COROA: O mesmo indiciamento incluiu Platão Fischer Puhler, homem de confiança do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. O relatório da Polícia Federal que serviu de base à denúncia concluiu que uma quadrilha atuava na comercialização de hemoderivados no Ministério da Saúde desde que Serra era ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Era a Máfia dos Vampiros. A notícia sobre Platão praticamente sumiu do mapa. Serra foi eleito com ampla margem de votos.
CARA: Freud Godoy, apresentado ao público como o churrasqueiro do presidente Lula, foi à Polícia Federal diante de um batalhão de repórteres - eu estava entre eles - como suspeito de ter participado da operação de compra de um dossiê que demonstraria o envolvimento do candidato ao governo de São Paulo, José Serra, com a máfia das ambulâncias. Faltavam alguns dias para o primeiro turno das eleições presidenciais. Nada ficou provado contra Freud.
COROA: Abel Pereira, acusado de atuar como intermediário do PSDB nos negócios envolvendo o ministério da Saúde de José Serra com a máfia das ambulâncias, não foi chamado a depor com o mesmo alarde e em período pré-eleitoral. Investigada durante o governo Lula, a máfia das ambulâncias começou a atuar "no governo anterior", o do PSDB.
CARA: O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, vaza fotos na antevéspera do primeiro turno da eleição que são divulgadas com grande destaque pela mídia.
COROA: Os indícios de que o delegado pode ter feito a "arquitetura" do dinheiro com objetivos cenográficos não merecem uma linha em jornal, rádio ou televisão.
CARA: A operação da Polícia Federal que teve maior repercussão no governo de Fernando Henrique Cardoso foi aquela que levou à descoberta de dinheiro num escritório ligado a Roseana Sarney, então possível candidata do PFL à presidência da República. A operação eliminou a candidatura de Roseana e deixou o campo livre para a candidatura de José Serra, do PSDB.
COROA: Operações da Polícia Federal durante o governo Lula investigaram o contrabando na Daslu, a fraude fiscal na Schincariol, resultaram na prisão de autoridades do próprio governo, de delegados da Polícia Federal e da polícia civil, na acusação a deputados e senadores e levaram ao afastamento de um ministro de Estado.
CARA: O valerioduto resultou na cassação de José Dirceu, do PT, depois de uma cobertura que consumiu toneladas de papel e um gigantesco arquivo de reportagens de rádio e televisão. Participei marginalmente da cobertura, denunciando um esquema de caixa 2 do PT em Goiás. Mas, quando o assunto chegou à CPI dos Correios, morreu depois que o principal acusado revelou que havia feito doações para quase todos os partidos. As doações não aparecem nas declarações dos partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.
COROA: O ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que participou do parto do valerioduto, não só escapou de qualquer tipo de punição como não foi investigado pela mídia com o mesmo ímpeto dedicado a José Dirceu. Azeredo continua exercendo um papel de destaque na bancada do partido no Congresso.
CARA: Quatro CPIs foram criadas especificamente para investigar ações do governo, com ampla cobertura da mídia, transmissão ao vivo pela TV e cobranças diárias de colunistas e comentaristas políticos.
COROA: Nenhuma CPI para investigar denúncias específicas contra governos do PSDB em São Paulo foi criada desde Geraldo Alckmin, do PSDB, embora haja denúncias consistentes sobre a distribuição de verbas publicitárias da Nossa Caixa para a mídia "amiga" e um rombo considerável na CDHU. Nem os comentaristas, nem os articulistas
regionais se empenham em cobrar as CPIs com o mesmo vigor. A energia e os recursos dedicados pela mídia a esses assuntos é, por comparação, mínimo - e praticamente inexistiu no período pré-eleitoral, quando a investigação poderia prejudicar tanto Geraldo Alckmin quanto José Serra.
CARA: Renan Calheiros foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Os negócios dele com o gado passaram batidos. Presidente do Congresso e articulador da coalizão governista, Renan é acusado de ter tido as despesas com a manutenção da amante jornalista e de uma filha fora do casamento por um lobista de uma empreiteira. Curiosamente, em 1989 o então candidato Lula teve seu caso com a enfermeira Miriam Cordeiro revelado às vésperas da eleição. Uma entrevista com Miriam, gravada pela equipe de campanha do candidato Fernando Collor, foi ao ar também no Jornal Nacional, acusando Lulanão só de ter sugerido o aborto da filha Lurian mas também de ter feito manifestações racistas quando via atores negros na televisão.
COROA: Embora a mídia saiba do filho do ex-presidente FHC com uma jornalista da Globo, o fato não só nunca foi divulgado pela grande mídia brasileira como nunca se perguntou ao político como foram sustentados a mãe e o filho no Exterior. O filho de FHC e as circunstâncias em que ele e a jornalista foram "escondidos" são a maior não-notícia da História recente da mídia brasileira.
CARA: Quando cobri o apagão elétrico, que afetou a todos os brasileiros, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a ênfase era numa campanha cívica para convencer a população de que cabia a cada um colaborar.
COROA: O apagão aéreo é caos. Falta de planejamento. Culpa do governo. Pouquíssimas menções são feitas ao sistema de hubs implantado pelo duopólio TAM/Gol - que concentra muitos vôos em poucos aeroportos - e ao espetacular crescimento na venda de passagens aéreas.
Qual é a minha conclusão?
O governo pode ser ruim, mas é melhor do que a mídia mostra. Apesar da decepção causada aos eleitores do próprio PT e de ter adotado uma política econômica conservadora, Lula ameaça a hegemonia daqueles que se deram bem com a privataria, é vítima de ódio de classe e desprezado pela elite branca dos Jardins paulistanos e da faixa de terra que vai de Copacabana ao Leblon, no Rio de Janeiro.
Os ressentidos querem mais estado - para bancar os Jogos Panamericanos, levantar empresas falidas e financiar com juros baixos a conversão para o sistema de TV digital - e menos estado - para reduzir a carga tributária, cortar as "migalhas" do Bolsa Família e colocar no ar todo o lixo que quiserem, quando quiserem, desde que dê audiência.
Os muitos defeitos do governo Lula são amplificados e as conquistas são diminuídas com a estratégia de dizer que "poderia ser melhor", "na Índia é melhor", "na China é diferente", "vejam só como é na Rússia" e assim por diante.
Mas essas mesmas comparações não valem quando revelam que "na Suécia não só tem classificação indicativa, como há limite para anúncios durante a programação infantil".
Quando o governo brasileiro tenta regulamentar o assunto, é "censura prévia". Quando autoridades britânicas multam pesadamente emissoras públicas e privadas de tevê por desvios de conduta, a notícia nem sai no Brasil.
Não há conspiração da mídia contra o governo. Não é preciso. É só deixar rolar os interesses de classe.
Publicado por Luiz Carlos Azenha, em 15 de julho de 2007, no seu site Vi o Mundo.
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quinta-feira, julho 05, 2007
FHC, o invejoso, vai surtar com números da economia
FHC ressuscitou.
Está em todas.
Nunca um ex-presidente foi tão citado pela mídia.
A mídia golpista adora o FHC.
Teriam sido as "negociatas" da privataria?
A base de Alcântara, que FHC queria "entregar" aos americanos?
Ou teria sido o ministro da Justiça de FHC, um certo Renan Calheiros?
FHC palpita sobre tudo, mas nenhum repórter tem coragem de perguntar a ele quem é que pagou as contas do filho do senador com a jornalista da Globo.
Se não foi o próprio FHC, quem foi?
E o que recebeu em troca?
Eu juro para vocês: se eu encontrar o FHC na rua ou em algum evento público eu vou fazer essa pergunta.
Não devemos admitir a hipocrisia: se o Lula teve de responder e o Renan Calheiros também, devemos poupar FHC?
Devemos poupar as crianças, que não têm nada com isso.
Digo, antes de prosseguir, que o fato de que Lula desperdiça sua taxa de aprovação apoiando Renan Calheiros é nojento.
Nada justifica isso, nem a tal "governabilidade".
Renan, ACM, Sarney, Roriz - essa gente deveria ser enterrada.
É o atraso do atraso do atraso do atraso.
Pior que a elite brasileira, que é apenas o atraso do atraso do atraso.
O problema do Lula é que ele tem medo.
O sonho de Lula é ser o FHC.
E o sonho do FHC é ser tão popular quanto o Lula.
À revista Economist, que o considera presidente-em-exercício, FHC papagaiou um bordão que deve ter sido produzido no mesmo laboratório de onde saiu o Pan do Brasil.
Alguma coisa do gênero: chega de fazer comparações com o passado, devemos fazer comparações com os nossos competidores.
É óbvio que FHC não quer mais comparações com o passado.
O governo Lula dá de dez a zero em todos os sentidos, inclusive no número de CPIs instaladas e em atividade, no combate à corrupção, na defesa dos interesses nacionais, na economia, na distribuição de renda e por aí afora.
FHC comprou a sua reeleição e a mídia abafou o escândalo.
O problema do sociólogo é que a comparação do Brasil com os competidores é favorável... ao Brasil.
Se você isolar o número do PIB - que é o que fazem os puxa-sacos de FHC -, o Brasil sai perdendo.
Mas você gostaria de morar na China, país de partido único, sem democracia, com a imprensa amordaçada, problemas gravíssimos no meio ambiente, falta de terras, de água e 200 milhões de camponeses miseráveis que detonam o seu salário?
E na Índia, em pé de guerra com um vizinho, com graves problemas entre hindus e muçulmanos, terrorismo, fome, falta de água e a divisão da sociedade em castas?
E na Rússia, com um regime autocrático, em guerra com uma de suas províncias, "cercada" pelos americanos, com centenas de mísseis nucleares apontados em sua direção?
Dos BRICs o Brasil é a melhor opção para os investidores estrangeiros.
Ou é por acaso que está chovendo dinheiro no Brasil?
Que o dólar só faz despencar?
O Brasil oferece uma plataforma razoavelmente segura para investimentos, sem comoções internas, com ótimas perspectivas de crescimento, terra e água à vontade e um monte de brasileiros dentro.
É o lugar ideal para se instalar e disputar um mercado em crescimento, o da América Latina.
Sim, temos um gravíssimo problema de violência, uma guerra civil não declarada por causa de uma distribuição de renda criminosa.
Mas o governo que está no poder está enfrentando o problema, com resultados visíveis.
Em que país do mundo as vendas pela internet têm aumento de 49% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior?
Eu não vou ficar aqui desfiando todos os números da economia.
Faça isso você mesmo e vai ver que o governo Lula, ainda que enrolado com todo tipo de trapaceiro, dá de dez a zero no de FHC.
Se o Lula ousasse um pouquinho mais e usasse a autoridade que tem com mais de 60 por cento de aprovação popular poderia passar feito um rolo compressor sobre FHC e sua turma... politicamente.
Mas o Lula é de negociar, busca sempre o consenso, o que dá a impressão de paralisia.
O Lula é melhor presidente e melhor político que FHC.
E eu imagino o quanto deva doer, num professor da Sorbonne oriundo da aristocracia paulistana, o fato de perder para um nordestino que se formou no SENAI.
(Publicado em 3 de julho de 2007)
Estou com preguiça de ajudar os tucanos.
Por isso fico no caderno Dinheiro, da Folha, de 5 de julho.
Entrada de dólares no Brasil até 17 de junho de 2007: U$ 42,9 bilhões. Em todo o ano de 2006: U$ 37,3 bilhões - e não é tudo capital especulativo, não.
Brasil deve zerar o déficit nominal em 2008.
Brasil deve criar 1,451 milhão de empregos em 2007, 18% a mais que em 2006.
Estrangeiros vendem ações no país, mas compram de novo.
Compraram, os estrangeiros, 74% do volume de novas ações emitidas por companhias brasileiras na primeira metade do ano.
Venda de motos cresce 25,83% no primeiro semestre em relação ao ano passado.
Indústria cresce 1,3% em maio.
Para Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, esse perfil de crescimento, liderado por máquinas e equipamentos (19,4% em relação a abril) é "bastante saudável", pois indica o aumento dos investimentos.
'Choque agrícola' eleva inflação em SP (acumulado de 4,88% em 12 meses)
Ainda sobre as bolsas da valores, Carlos Miranda, sócio da Ernst & Young para a área de transações, vê dados positivos no cenário do país.
Para ele, ao contrário do que acontece com os outros Brics (Rússia, Índia e China), o investidor estrangeiro que aplica nas Bolsas brasileiras prioriza investimentos de longo prazo, apostando menos em ganhos rápidos.
Tudo isso chupei de apenas um caderno da Folha.
(Publicado em 5 de julho de 2007)
Reproduzido do site Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha.
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sexta-feira, abril 20, 2007
Ao leitor sem medo do Votolula
Prezado Leitor,
com resignação, este que tem sido o principal redator do Votolula - pelo menos em quantidade de posts - anuncia seu afastamento do blog.
Trata-se de imperativo profissional, a exigir dedicação integral e reclamar exclusividade. E também a impor delimitação clara entre opinião privada e função pública.
A quem não me conhece, mas me lê assim mesmo, agradeço e peço que acredite: continuo no (bom) combate, pelo sucesso do governo Lula, pelo projeto político do PT (naquilo que me sensibiliza e que é o principal) e por um Brasil mais justo e democrático.
Continuem nos visitando. A Clarice e a Ludi hão de segurar a peteca, agora semanalmente, conforme me adiantaram. Sempre com os melhores textos e os melhores argumentos, para compartilhar os avanços e contribuir para o sucesso do Brasil rumo ao desenvolvimento e à emancipação de seu povo.
Um abraço fraterno do
ricardo
com resignação, este que tem sido o principal redator do Votolula - pelo menos em quantidade de posts - anuncia seu afastamento do blog.
Trata-se de imperativo profissional, a exigir dedicação integral e reclamar exclusividade. E também a impor delimitação clara entre opinião privada e função pública.
A quem não me conhece, mas me lê assim mesmo, agradeço e peço que acredite: continuo no (bom) combate, pelo sucesso do governo Lula, pelo projeto político do PT (naquilo que me sensibiliza e que é o principal) e por um Brasil mais justo e democrático.
Continuem nos visitando. A Clarice e a Ludi hão de segurar a peteca, agora semanalmente, conforme me adiantaram. Sempre com os melhores textos e os melhores argumentos, para compartilhar os avanços e contribuir para o sucesso do Brasil rumo ao desenvolvimento e à emancipação de seu povo.
Um abraço fraterno do
ricardo
segunda-feira, abril 16, 2007
Tremenda cara-de-pau essa Míriam Leitão
Eu venho cantando a pedra aqui neste espaço já faz um tempo. Está em curso uma ofensiva da mídia tucanalha-demoníaca contra os evidentes progressos e as boas expectativas do segundo governo Lula.
A perspectiva da oposição "se arruinar", como se expressou o deputado Aleluia (PFL), já é admitida. Já admitem também, abertamente, que o PAC pode matar as chances de sobrevivência dos - por assim dizer - "Democratas".
Vez ou outra até escapa uma saudação aos novos tempos da economia brasileira pela boca de quem vive a exconjurar o governo. Matéria favorável ao governo na Veja aqui, elogio do Sardenberg na CBN ali, um reconhecimento pela redução da desigualdade, pela Míriam Leitão, acolá.
Nada muito desabrido - e qualquer elogio é sempre seguido de dez ressalvas. Como no caso do crescimento do PIB, sempre citado como "à frente apenas do Haiti" (e dá vontade de tomar o microfone da rádio e completar, provocando: e muito atrás da campeão de crescimento na América Latina, Cuba, com mais de 12% em 2006!).
Veja-se a Míriam Leitão, porta voz dos anos FHC. Parece ter sido fortemente admoestada pela companhia a que serve em razão da saudação que fez ao estudo do IPEA atestando a queda do referido índice de desigualdade. Saiu-se com esta correção tardia: "Penso que a notícia é boa para o país e, sinceramente, quem entende o processo econômico sabe que ninguém pode se atribuir o feito. É obra coletiva."
Ou seja, não tem nada de meritório para o governo Lula o fato de o processo político e social que coincide com a redução da desigualdade no país estar em perfeita sincronia com as ações e políticas da atual administração. Haja paciência para tamanho sofisma.
Outra pérola eu ouvi na CBN, dela mesmo. Injuriou-se a comentarista pelo fato de que Chávez tenta "pautar" o Brasil em relação à política energética do continente sul-americano. Pra quem adora falar de pragmatismo e outros quejandos, soa estranho a chorumela de que o Brasil se deixa enredar pelos esforços de propaganda do venezuelana e por isso corre o risco de abandonar os próprios interesses estratégicos. É fazer pouco da seriedade (e inteligência) de nossa política externa.
Tem mais bobagem no blog da moça. Mas não vou gastar meu neurônios, nem o do prezado leitor, com tanta baboseira. Apenas cito o esforço dela para agradar os patrões ao fazer coro com Veja e Estadão (logo quem!), assumindo como coisa séria a campanha contra a Infraero e o Banco do Sul.
Quer passar raiva, vai lá: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/
A perspectiva da oposição "se arruinar", como se expressou o deputado Aleluia (PFL), já é admitida. Já admitem também, abertamente, que o PAC pode matar as chances de sobrevivência dos - por assim dizer - "Democratas".
Vez ou outra até escapa uma saudação aos novos tempos da economia brasileira pela boca de quem vive a exconjurar o governo. Matéria favorável ao governo na Veja aqui, elogio do Sardenberg na CBN ali, um reconhecimento pela redução da desigualdade, pela Míriam Leitão, acolá.
Nada muito desabrido - e qualquer elogio é sempre seguido de dez ressalvas. Como no caso do crescimento do PIB, sempre citado como "à frente apenas do Haiti" (e dá vontade de tomar o microfone da rádio e completar, provocando: e muito atrás da campeão de crescimento na América Latina, Cuba, com mais de 12% em 2006!).
Veja-se a Míriam Leitão, porta voz dos anos FHC. Parece ter sido fortemente admoestada pela companhia a que serve em razão da saudação que fez ao estudo do IPEA atestando a queda do referido índice de desigualdade. Saiu-se com esta correção tardia: "Penso que a notícia é boa para o país e, sinceramente, quem entende o processo econômico sabe que ninguém pode se atribuir o feito. É obra coletiva."
Ou seja, não tem nada de meritório para o governo Lula o fato de o processo político e social que coincide com a redução da desigualdade no país estar em perfeita sincronia com as ações e políticas da atual administração. Haja paciência para tamanho sofisma.
Outra pérola eu ouvi na CBN, dela mesmo. Injuriou-se a comentarista pelo fato de que Chávez tenta "pautar" o Brasil em relação à política energética do continente sul-americano. Pra quem adora falar de pragmatismo e outros quejandos, soa estranho a chorumela de que o Brasil se deixa enredar pelos esforços de propaganda do venezuelana e por isso corre o risco de abandonar os próprios interesses estratégicos. É fazer pouco da seriedade (e inteligência) de nossa política externa.
Tem mais bobagem no blog da moça. Mas não vou gastar meu neurônios, nem o do prezado leitor, com tanta baboseira. Apenas cito o esforço dela para agradar os patrões ao fazer coro com Veja e Estadão (logo quem!), assumindo como coisa séria a campanha contra a Infraero e o Banco do Sul.
Quer passar raiva, vai lá: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/
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Política Externa
sábado, abril 14, 2007
Transposição do Rio S. Francisco: 'Vai usar a água quem estiver mais organizado'. Entrevista especial com Pedro Costa Guedes Vianna
Tratar com lucidez a questão da transposição é o que precisamos para nos posicionar. Achei esta entrevista de um geólogo da Paraíba uma oportunidade ímpar para a reflexão dos prós e contras do debate, sem preconceitos ou torcidas. Confira.
"Os movimentos sociais deveriam integrar a luta no interior do projeto de transposição do Rio S. Francisco e não ser apenas contra". A opinião é do professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Pedro Costa Guedes Vianna (foto à esquerda). Com experiência na área de Gestão dos Recursos Hídricos, o pesquisador, embora reconheça como correta muitas das críticas à transposição, discorda da posição da Articulação do Semi-Árido (ASA) que se opõe frontalmente ao projeto e afirma: "o movimento social que tem força para ocupar terras, pode 'ocupar' ou forçar o acesso às águas".
Para Pedro Vianna, a posição contrária ou favorável ao projeto depende de onde se está no território. Segundo ele, "se estou dentro da zona receptora, sou favorável; se estou fora dela, sou indiferente, e se estou na zona doadora sou contra". Segundo ele, essa posição acaba prevalecendo entre todos, os políticos, os acadêmicos e os religiosos. O pesquisador critica ainda a posição de D. Luiz Flávio Cappio.
Pedro Costa Guedes Vianna possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (1980), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (1994) e doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo - USP (2002). Por 19 anos atuou, como geógrafo, na SUDERHSA, organismo de gestão de águas do Estado do Paraná.
Atualmente, é professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia de UFPB e coordena o Grupo de Estudos e Pesquisa em Água e território.Confira a sua entrevista.
IHU On Line - A transposição do Rio São Francisco dividiu a sociedade brasileira. Essa divisão está presente também na comunidade científica?
Pedro Vianna - Divide sim, e divide muita coisa: divide os partidos políticos, os prefeitos, os intelectuais, os pequenos agricultores, assim como os grandes latifundiários, os artistas, os estudantes. Até a Igreja Católica está dividida. Esta questão é mesmo um "divisor de águas" e de tudo o mais.
IHU On Line - Em linhas gerais, no que consiste a obra da transposição?
Pedro Vianna - Transpor água de uma bacia para outra. O que pode parecer simples, mas não é, pois envolve vencer, entre outras coisas, as forças da natureza, da gravidade e as formas do relevo. Outra questão diz respeito às conseqüências sociais e econômicas. Já os impactos ambientais são inúmeros e difíceis de serem avaliados. Enfim, transpor águas de uma bacia para outra é redesenhar a rede hídrica e redefinir a geografia, principalmente da região que vai receber as "novas" águas em seu território.
IHU On Line - Fala-se em estados "doadores" (MG, BA, AL e SE) e estados "receptores" (PE, PB, RN e CE). Você poderia explicar melhor isso?
Pedro Vianna - É uma analogia com a transfusão de sangue. No Nordeste, se usa a palavra "sangrar" para se denominar o transbordamento de um açude. Nesta nomenclatura se percebe como o sertanejo entende a água; ele a entende como sangue, em outras palavras, isto é, aquilo que dá vida a um corpo. Por outro lado, a doação de sangue é um ato de solidariedade, elevado ao extremo, no qual um se propõe a dividir a vida com o outro, no caso a água.
IHU On Line - A Articulação no Semi-Árido (ASA), que reúne várias organizações, afirma que a transposição é um projeto feito para o agronegócio exportador, por isso taxa a obra de "hidronegócio". Já o governo diz que a obra irá priorizar os pobres da região. Qual é a sua percepção?
Pedro Vianna - Diria que de certa forma ambos têm razão, ou melhor, os movimentos sociais têm toda a razão de ver a obra como algo que vem para aprofundar as diferenças sociais e econômicas entre os grandes proprietários de um lado e os pequenos proprietários e "sem-terras" do outro. Ou seja, a água viria "carimbada" para o agronegócio, o que resulta em um hidronegócio.
Por outro lado, vejo a "priorização dos pobres na região" como intenção de uma parte do governo. Não quero aqui julgar o Governo Federal, mas me parece que os movimentos sociais têm razão em duvidar de promessas do governo. Porém, minha posição é contrária a esta da ASA e algumas organizações, como posto na pergunta. Sou daqueles que acredita que o movimento social que tem força para ocupar terras pode "ocupar" ou forçar o acesso às águas. É uma luta como outra qualquer, em certos aspectos, mas também com especificidades próprias.
Deixar que o projeto seja conduzido apenas pelas elites, e ficar jogando pedra nele é, na minha opinião, uma perda de tempo, recursos e sangue (água). Talvez as organizações populares precisem passar a integrar a luta também no interior do projeto, sem perder a sua independência e a sua vida externa ao próprio projeto. Acho que levar água para onde ela não existe e em quantidade suficiente é importante, e dividi-la é a melhor forma de trazer melhorias na qualidade de vida das populações no semi-árido.
IHU On Line - Ambientalistas e especialistas afirmam que hidrologicamente o São Francisco está anêmico e que um anêmico não pode ser um doador - D. Luiz Cappio tem dito muito isso. Por isso o movimento social - particularmente a ASA - defende a revitalização no lugar da transposição, ou seja, obras que permitam a convivência no semi-árido. O que te parece essa posição?
Pedro Vianna - Não consigo entender a posição de D. Luiz Cappio como cristão. Não imagino que seja correto alguém não ser solidário com o próximo. O São Francisco parece ter água para gerar energia para a maior parte do Nordeste brasileiro, inclusive seu parque industrial. Suas águas tornaram a CHESF e FURNAS no que são hoje, gigantes do setor hidroelétrico. Existe água para irrigar milhares de hectares do "agronegócio" em terras baianas. Há águas em outorgas (direitos de uso de água) legais "especulativas", apenas aguardando o momento certo, para serem "negociadas". Mas não existe água para transpor ao sertão setentrional.
Não temos que cuidar e revitalizar só o Rio São Francisco; temos que fazer isso com todos os nossos rios, nossa imensa rede hídrica. Por que não nos preocupam tanto os Rios Uruguai, Paranapanema e o Paraná? Será preciso lembrar do Cubatão, Tietê, Iguaçú e outros tantos transformados em esgotos a céu aberto, quando passam pelas cidades. A revitalização, dos nossos Rios e aqüíferos é uma tarefa nacional e não deve ser um direito exclusivo dos rios que terão águas transpostas, muito menos exclusivamente do São Francisco.
Existem muitas ações capilares com iniciativa da sociedade (em que o Estado vem a reboque) que são importantes para a convivência com o semi-árido, mas elas não são suficientes, apesar de fundamentais. É preciso encontrar um equilíbrio entre as grandes obras hídricas e as ações capilares. Entre elas, destaco o Programa de "Um Milhão de Cisternas" e as "Barragens Subterrâneas", mas elas têm uma "escala" pontual.
Eu fui criado no discurso de que os grandes açudes do Nordeste eram obras da indústria da seca. Hoje quase todos concordam que, sem os grandes e médios açudes, já parcialmente integrados em rede, não seria possível que o nosso semi-árido fosse o mais habitado no mundo, com algo em torno de 18 milhões de pessoas. Só para dar um exemplo, o que seria de Campina Grande na Paraíba, com seus mais de 400 mil habitantes, sem o açude do Boqueirão? Todas as pessoas da região sabem! Seria inviável. Podem pegar o mapa de todo o sertão nordestino, ligado à toda cidade com mais de 100 mil habitantes: existe sempre um, dois ou mais açudes de grande ou médio porte.
IHU On Line - Muitos dizem que já existe água para onde se deseja transportá-la através da transposição. Isso é uma realidade? O problema está no gerenciamento?
Pedro Vianna - É verdade que falta gerenciamento, em todo o país, de Norte a Sul, este não é um privilégio do Nordeste. Mas dizer que existe água suficiente no semi-árido parece uma piada. Se fosse assim, o semi-árido não seria semi-árido, seria úmido, ou semi-úmido. Então as secas periódicas, a caatinga e demais características da semi-aridez são ilusão de ótica?
IHU On Line - No caso de a obra avançar, quanto de água vai ser retirado de fato do São Francisco, o que isso significa em percentagem e, quando ela chegar ou transitar pelo semi-árido, por quem e para que será ou poderá ser usada esta água?
Pedro Vianna - O volume retirado da bacia do São Francisco seria da ordem de 65 m3/s, ou seja, 65.000 litros por segundo. Com relação à percentagem, há variações. Quem é a favor diz que representa entre 3,5% e 5,0%. Já os que são contra afirmam que isso representa entre 25% e 27%. Essa variação existe porque os que são a favor calculam sobre as vazões na foz, de segurança hídrica ou ecológica (a definida pelo IBAMA). Já os contrários contam todas as outorgas possíveis, inclusive as especulativas, e as calculam sobre a disponibilidade ditada pelo Comitê de Bacia do São Francisco.
A segunda parte da pergunta toca no ponto principal. Neste aspecto se especula muito. Creio que as cidades, como Campina Grande, Fortaleza etc., deverão, por sua importância, receber prioridade, já que a lei 9433/97 de Recursos Hídricos é clara: a prioridade é para o abastecimento humano e dessedentação de animais, nesta ordem. Porém, ninguém duvida dos interesses dos que estão no curso das águas em receber algum privilégio ou alguma compensação. Para deixar bem clara minha posição, vai usar a água quem estiver mais organizado, quem estiver localizado melhor em relação ao traçado dos canais, e quem tiver mais poder.
A sociedade organizada precisa ter em mente que é melhor lutar por um sertão com água transposta do que lutar por um pedaço de terra seca, sem vida. Aqui na Paraíba já temos um caso de um assentamento, que é produto de uma ocupação que foi feita por causa de um canal de transposição. Refiro-me ao Canal da Redenção, que transporta água da barragem de Coremas/Mãe D´Água para as várzeas de Souza. São 37 Km de puro conflito potencial e real. Dizemos aqui em nosso grupo de Pesquisa - GEPAT (Grupo de Estudos e Pesquisa em Água e território) -, que este é um laboratório de ensaio para os conflitos que deverão vir com os ramais da transposição de águas do são Francisco.
IHU On Line - O Comitê de Bacia do São Francisco tem sido ouvido? Como está constituído e o que tem defendido e porque Governo Federal através da Agência Nacional das Águas (ANA) e do IBAMA atropelou o Comitê liberando as obras?
Pedro Vianna - O Comitê fez seu papel "corporativista" e político, defende os seus interesses. Só para ilustrar, num determinado momento a presidência do Comitê era ocupada pelo secretário de Recursos Hídricos da Bahia, e o vice era o de Minas Gerais. Vejam bem naquele momento tínhamos PSDB em Minas, PFL na Bahia e o PT no Governo Federal, com Ciro Gomes, do Ceará, no Ministério da Integração, à frente do projeto.
Mais do que defender os interesses de seus territórios alguns atores políticos e econômicos, a meu ver, buscaram inviabilizar o possível desenvolvimento de zonas "concorrentes", localizadas mais ao Norte e próximas de portos com menor distância dos mercados consumidores na Europa e América do Norte.
Já o Governo Federal, ferrenho defensor do Projeto sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, convenceu a ANA e o IBAMA. Por outro lado, parece que Lula colocou o projeto como uma prioridade da própria presidência. Porém, faltou vontade de diálogo, em ambas as partes.
IHU On Line - Qual é o papel das hidroelétricas (Furnas e Chesf etc.) no sistema de gestão das águas do S. Francisco, o que dizem os seus técnicos sobre a transposição?
Pedro Vianna - O setor elétrico se comporta como dono dos rios no Brasil, e isso explica porque nossa matriz energética é mais de 70% baseada na hidroeletricidade. O poder do setor elétrico vem de sua importância, e, a meu ver, seus interesses mais importantes estão preservados. Se não fosse assim, nem se falaria mais no assunto.
IHU On Line - Como você interpreta a decisão do Banco Mundial em seus estudos ter se manifestado contrário à transposição?
Pedro Vianna - Como quase tudo que o Banco Mundial faz por aqui. Se for bom para o país, eles são contra; se interessa aos seus financiadores, eles aportam recursos, técnicos e lobbies internacionais e até internos. É bom lembrar que o Banco Mundial teve um papel importante na formulação da legislação brasileira de recursos hídricos, no desenho e formato das agências reguladoras e no pagamento de inúmeros "consultores", para que eles rezassem a cartilha do "hidroliberalismo".
IHU On Line - Falando em Banco Mundial, quem banca os custos da obra da transposição?
Pedro Vianna - O Governo Federal, com dinheiro de nossos impostos, ou seja, com nosso trabalho e suor.
IHU On Line - Estando aí no Nordeste, onde você identifica as principais forças de resistência à transposição? A Igreja é a principal delas? Mas a Igreja também não está dividida?
Pedro Vianna - As resistências vêm dos "territórios" que possuem a água. Ninguém quer perder a "commodity", "a mercadoria", do momento. Os padres do sertão defendem as suas paróquias, os seus fiéis, e rezam pela chegada da água. Já os da bacia do São Francisco querem ver o rio belo, limpo e usar o máximo possível deles; são estes os interesses de seus paroquianos. Sei, por exemplo, que o Arcebispo da Paraíba, é a favor da transposição, o que me parece tão lógico como a oposição de D. Luiz Flávio Cappio.
IHU On Line - Em relação aos políticos nordestinos como eles têm reagido?
Pedro Vianna - Da mesma forma, os que têm interesses no sertão são amplamente favoráveis e os que têm seus redutos no litoral úmido, indiferentes. Assim o PT e PFL da Bahia coincidem no repúdio ao Projeto. Estes mesmos partidos na Paraíba são favoráveis.
IHU On Line - Por que você acha que o Lula insiste tanto nesse mega-projeto que vem sendo duramente criticado? Você interpreta que tem alguma coisa de Antonio Conselheiro em Lula ou se trata apenas de uma obra calculada?
Pedro Vianna - Nunca tinha pensado pelo viés de que Lula se assemelha ao Conselheiro, mas não parece absurda a comparação. Até pela forte oposição da maioria da hierarquia eclesiástica. Acho também que Lula quer deixar uma grande obra ao país, e, sem dúvida, esta é uma grande oportunidade, pois todo político quer ser lembrado por um grande monumento, e esta pode ser sua chance. É bom não esquecer que Lula nasceu numa das zonas que receberá aporte de água.
IHU On Line - Qual é a sua impressão do sentimento popular em relação à transposição?
Pedro Vianna - Depende do território onde estou. Dentro da zona receptora, é favorável; fora dela é indiferente; na zona doadora: contra; no meio intelectual e científico: contra; no Governo Federal: a favor; e na oposição: contra. O fator que em minha opinião é determinante é o território.
IHU On Line - Uma última questão. Existem outras obras de transposições no Brasil. Onde estão e como funcionam?
Pedro Vianna - Existem, sim, inúmeras, aqui mesmo no Nordeste. Porém, as mais importantes estão aí no Sul. Em São Paulo, são transladados 31m³/s entre os sistemas Cantareia-Piracibaba. Já no Rio de Janeiro o volume é maior, sendo transpostos entre 119 m³/s e 160 m³/s da bacia do Paraíba do Sul para a bacia do Guandu, e não percebo nenhuma manifestação, de quem quer que seja, contra estas ações que há muito estão em funcionamento. É certo que as megas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, não resistem um só dia sem esta "transfusão". Parece aquela história: façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.
Fonte: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=6457
"Os movimentos sociais deveriam integrar a luta no interior do projeto de transposição do Rio S. Francisco e não ser apenas contra". A opinião é do professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Pedro Costa Guedes Vianna (foto à esquerda). Com experiência na área de Gestão dos Recursos Hídricos, o pesquisador, embora reconheça como correta muitas das críticas à transposição, discorda da posição da Articulação do Semi-Árido (ASA) que se opõe frontalmente ao projeto e afirma: "o movimento social que tem força para ocupar terras, pode 'ocupar' ou forçar o acesso às águas".
Para Pedro Vianna, a posição contrária ou favorável ao projeto depende de onde se está no território. Segundo ele, "se estou dentro da zona receptora, sou favorável; se estou fora dela, sou indiferente, e se estou na zona doadora sou contra". Segundo ele, essa posição acaba prevalecendo entre todos, os políticos, os acadêmicos e os religiosos. O pesquisador critica ainda a posição de D. Luiz Flávio Cappio.
Pedro Costa Guedes Vianna possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (1980), mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (1994) e doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo - USP (2002). Por 19 anos atuou, como geógrafo, na SUDERHSA, organismo de gestão de águas do Estado do Paraná.
Atualmente, é professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia de UFPB e coordena o Grupo de Estudos e Pesquisa em Água e território.Confira a sua entrevista.
IHU On Line - A transposição do Rio São Francisco dividiu a sociedade brasileira. Essa divisão está presente também na comunidade científica?
Pedro Vianna - Divide sim, e divide muita coisa: divide os partidos políticos, os prefeitos, os intelectuais, os pequenos agricultores, assim como os grandes latifundiários, os artistas, os estudantes. Até a Igreja Católica está dividida. Esta questão é mesmo um "divisor de águas" e de tudo o mais.
IHU On Line - Em linhas gerais, no que consiste a obra da transposição?
Pedro Vianna - Transpor água de uma bacia para outra. O que pode parecer simples, mas não é, pois envolve vencer, entre outras coisas, as forças da natureza, da gravidade e as formas do relevo. Outra questão diz respeito às conseqüências sociais e econômicas. Já os impactos ambientais são inúmeros e difíceis de serem avaliados. Enfim, transpor águas de uma bacia para outra é redesenhar a rede hídrica e redefinir a geografia, principalmente da região que vai receber as "novas" águas em seu território.
IHU On Line - Fala-se em estados "doadores" (MG, BA, AL e SE) e estados "receptores" (PE, PB, RN e CE). Você poderia explicar melhor isso?
Pedro Vianna - É uma analogia com a transfusão de sangue. No Nordeste, se usa a palavra "sangrar" para se denominar o transbordamento de um açude. Nesta nomenclatura se percebe como o sertanejo entende a água; ele a entende como sangue, em outras palavras, isto é, aquilo que dá vida a um corpo. Por outro lado, a doação de sangue é um ato de solidariedade, elevado ao extremo, no qual um se propõe a dividir a vida com o outro, no caso a água.
IHU On Line - A Articulação no Semi-Árido (ASA), que reúne várias organizações, afirma que a transposição é um projeto feito para o agronegócio exportador, por isso taxa a obra de "hidronegócio". Já o governo diz que a obra irá priorizar os pobres da região. Qual é a sua percepção?
Pedro Vianna - Diria que de certa forma ambos têm razão, ou melhor, os movimentos sociais têm toda a razão de ver a obra como algo que vem para aprofundar as diferenças sociais e econômicas entre os grandes proprietários de um lado e os pequenos proprietários e "sem-terras" do outro. Ou seja, a água viria "carimbada" para o agronegócio, o que resulta em um hidronegócio.
Por outro lado, vejo a "priorização dos pobres na região" como intenção de uma parte do governo. Não quero aqui julgar o Governo Federal, mas me parece que os movimentos sociais têm razão em duvidar de promessas do governo. Porém, minha posição é contrária a esta da ASA e algumas organizações, como posto na pergunta. Sou daqueles que acredita que o movimento social que tem força para ocupar terras pode "ocupar" ou forçar o acesso às águas. É uma luta como outra qualquer, em certos aspectos, mas também com especificidades próprias.
Deixar que o projeto seja conduzido apenas pelas elites, e ficar jogando pedra nele é, na minha opinião, uma perda de tempo, recursos e sangue (água). Talvez as organizações populares precisem passar a integrar a luta também no interior do projeto, sem perder a sua independência e a sua vida externa ao próprio projeto. Acho que levar água para onde ela não existe e em quantidade suficiente é importante, e dividi-la é a melhor forma de trazer melhorias na qualidade de vida das populações no semi-árido.
IHU On Line - Ambientalistas e especialistas afirmam que hidrologicamente o São Francisco está anêmico e que um anêmico não pode ser um doador - D. Luiz Cappio tem dito muito isso. Por isso o movimento social - particularmente a ASA - defende a revitalização no lugar da transposição, ou seja, obras que permitam a convivência no semi-árido. O que te parece essa posição?
Pedro Vianna - Não consigo entender a posição de D. Luiz Cappio como cristão. Não imagino que seja correto alguém não ser solidário com o próximo. O São Francisco parece ter água para gerar energia para a maior parte do Nordeste brasileiro, inclusive seu parque industrial. Suas águas tornaram a CHESF e FURNAS no que são hoje, gigantes do setor hidroelétrico. Existe água para irrigar milhares de hectares do "agronegócio" em terras baianas. Há águas em outorgas (direitos de uso de água) legais "especulativas", apenas aguardando o momento certo, para serem "negociadas". Mas não existe água para transpor ao sertão setentrional.
Não temos que cuidar e revitalizar só o Rio São Francisco; temos que fazer isso com todos os nossos rios, nossa imensa rede hídrica. Por que não nos preocupam tanto os Rios Uruguai, Paranapanema e o Paraná? Será preciso lembrar do Cubatão, Tietê, Iguaçú e outros tantos transformados em esgotos a céu aberto, quando passam pelas cidades. A revitalização, dos nossos Rios e aqüíferos é uma tarefa nacional e não deve ser um direito exclusivo dos rios que terão águas transpostas, muito menos exclusivamente do São Francisco.
Existem muitas ações capilares com iniciativa da sociedade (em que o Estado vem a reboque) que são importantes para a convivência com o semi-árido, mas elas não são suficientes, apesar de fundamentais. É preciso encontrar um equilíbrio entre as grandes obras hídricas e as ações capilares. Entre elas, destaco o Programa de "Um Milhão de Cisternas" e as "Barragens Subterrâneas", mas elas têm uma "escala" pontual.
Eu fui criado no discurso de que os grandes açudes do Nordeste eram obras da indústria da seca. Hoje quase todos concordam que, sem os grandes e médios açudes, já parcialmente integrados em rede, não seria possível que o nosso semi-árido fosse o mais habitado no mundo, com algo em torno de 18 milhões de pessoas. Só para dar um exemplo, o que seria de Campina Grande na Paraíba, com seus mais de 400 mil habitantes, sem o açude do Boqueirão? Todas as pessoas da região sabem! Seria inviável. Podem pegar o mapa de todo o sertão nordestino, ligado à toda cidade com mais de 100 mil habitantes: existe sempre um, dois ou mais açudes de grande ou médio porte.
IHU On Line - Muitos dizem que já existe água para onde se deseja transportá-la através da transposição. Isso é uma realidade? O problema está no gerenciamento?
Pedro Vianna - É verdade que falta gerenciamento, em todo o país, de Norte a Sul, este não é um privilégio do Nordeste. Mas dizer que existe água suficiente no semi-árido parece uma piada. Se fosse assim, o semi-árido não seria semi-árido, seria úmido, ou semi-úmido. Então as secas periódicas, a caatinga e demais características da semi-aridez são ilusão de ótica?
IHU On Line - No caso de a obra avançar, quanto de água vai ser retirado de fato do São Francisco, o que isso significa em percentagem e, quando ela chegar ou transitar pelo semi-árido, por quem e para que será ou poderá ser usada esta água?
Pedro Vianna - O volume retirado da bacia do São Francisco seria da ordem de 65 m3/s, ou seja, 65.000 litros por segundo. Com relação à percentagem, há variações. Quem é a favor diz que representa entre 3,5% e 5,0%. Já os que são contra afirmam que isso representa entre 25% e 27%. Essa variação existe porque os que são a favor calculam sobre as vazões na foz, de segurança hídrica ou ecológica (a definida pelo IBAMA). Já os contrários contam todas as outorgas possíveis, inclusive as especulativas, e as calculam sobre a disponibilidade ditada pelo Comitê de Bacia do São Francisco.
A segunda parte da pergunta toca no ponto principal. Neste aspecto se especula muito. Creio que as cidades, como Campina Grande, Fortaleza etc., deverão, por sua importância, receber prioridade, já que a lei 9433/97 de Recursos Hídricos é clara: a prioridade é para o abastecimento humano e dessedentação de animais, nesta ordem. Porém, ninguém duvida dos interesses dos que estão no curso das águas em receber algum privilégio ou alguma compensação. Para deixar bem clara minha posição, vai usar a água quem estiver mais organizado, quem estiver localizado melhor em relação ao traçado dos canais, e quem tiver mais poder.
A sociedade organizada precisa ter em mente que é melhor lutar por um sertão com água transposta do que lutar por um pedaço de terra seca, sem vida. Aqui na Paraíba já temos um caso de um assentamento, que é produto de uma ocupação que foi feita por causa de um canal de transposição. Refiro-me ao Canal da Redenção, que transporta água da barragem de Coremas/Mãe D´Água para as várzeas de Souza. São 37 Km de puro conflito potencial e real. Dizemos aqui em nosso grupo de Pesquisa - GEPAT (Grupo de Estudos e Pesquisa em Água e território) -, que este é um laboratório de ensaio para os conflitos que deverão vir com os ramais da transposição de águas do são Francisco.
IHU On Line - O Comitê de Bacia do São Francisco tem sido ouvido? Como está constituído e o que tem defendido e porque Governo Federal através da Agência Nacional das Águas (ANA) e do IBAMA atropelou o Comitê liberando as obras?
Pedro Vianna - O Comitê fez seu papel "corporativista" e político, defende os seus interesses. Só para ilustrar, num determinado momento a presidência do Comitê era ocupada pelo secretário de Recursos Hídricos da Bahia, e o vice era o de Minas Gerais. Vejam bem naquele momento tínhamos PSDB em Minas, PFL na Bahia e o PT no Governo Federal, com Ciro Gomes, do Ceará, no Ministério da Integração, à frente do projeto.
Mais do que defender os interesses de seus territórios alguns atores políticos e econômicos, a meu ver, buscaram inviabilizar o possível desenvolvimento de zonas "concorrentes", localizadas mais ao Norte e próximas de portos com menor distância dos mercados consumidores na Europa e América do Norte.
Já o Governo Federal, ferrenho defensor do Projeto sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, convenceu a ANA e o IBAMA. Por outro lado, parece que Lula colocou o projeto como uma prioridade da própria presidência. Porém, faltou vontade de diálogo, em ambas as partes.
IHU On Line - Qual é o papel das hidroelétricas (Furnas e Chesf etc.) no sistema de gestão das águas do S. Francisco, o que dizem os seus técnicos sobre a transposição?
Pedro Vianna - O setor elétrico se comporta como dono dos rios no Brasil, e isso explica porque nossa matriz energética é mais de 70% baseada na hidroeletricidade. O poder do setor elétrico vem de sua importância, e, a meu ver, seus interesses mais importantes estão preservados. Se não fosse assim, nem se falaria mais no assunto.
IHU On Line - Como você interpreta a decisão do Banco Mundial em seus estudos ter se manifestado contrário à transposição?
Pedro Vianna - Como quase tudo que o Banco Mundial faz por aqui. Se for bom para o país, eles são contra; se interessa aos seus financiadores, eles aportam recursos, técnicos e lobbies internacionais e até internos. É bom lembrar que o Banco Mundial teve um papel importante na formulação da legislação brasileira de recursos hídricos, no desenho e formato das agências reguladoras e no pagamento de inúmeros "consultores", para que eles rezassem a cartilha do "hidroliberalismo".
IHU On Line - Falando em Banco Mundial, quem banca os custos da obra da transposição?
Pedro Vianna - O Governo Federal, com dinheiro de nossos impostos, ou seja, com nosso trabalho e suor.
IHU On Line - Estando aí no Nordeste, onde você identifica as principais forças de resistência à transposição? A Igreja é a principal delas? Mas a Igreja também não está dividida?
Pedro Vianna - As resistências vêm dos "territórios" que possuem a água. Ninguém quer perder a "commodity", "a mercadoria", do momento. Os padres do sertão defendem as suas paróquias, os seus fiéis, e rezam pela chegada da água. Já os da bacia do São Francisco querem ver o rio belo, limpo e usar o máximo possível deles; são estes os interesses de seus paroquianos. Sei, por exemplo, que o Arcebispo da Paraíba, é a favor da transposição, o que me parece tão lógico como a oposição de D. Luiz Flávio Cappio.
IHU On Line - Em relação aos políticos nordestinos como eles têm reagido?
Pedro Vianna - Da mesma forma, os que têm interesses no sertão são amplamente favoráveis e os que têm seus redutos no litoral úmido, indiferentes. Assim o PT e PFL da Bahia coincidem no repúdio ao Projeto. Estes mesmos partidos na Paraíba são favoráveis.
IHU On Line - Por que você acha que o Lula insiste tanto nesse mega-projeto que vem sendo duramente criticado? Você interpreta que tem alguma coisa de Antonio Conselheiro em Lula ou se trata apenas de uma obra calculada?
Pedro Vianna - Nunca tinha pensado pelo viés de que Lula se assemelha ao Conselheiro, mas não parece absurda a comparação. Até pela forte oposição da maioria da hierarquia eclesiástica. Acho também que Lula quer deixar uma grande obra ao país, e, sem dúvida, esta é uma grande oportunidade, pois todo político quer ser lembrado por um grande monumento, e esta pode ser sua chance. É bom não esquecer que Lula nasceu numa das zonas que receberá aporte de água.
IHU On Line - Qual é a sua impressão do sentimento popular em relação à transposição?
Pedro Vianna - Depende do território onde estou. Dentro da zona receptora, é favorável; fora dela é indiferente; na zona doadora: contra; no meio intelectual e científico: contra; no Governo Federal: a favor; e na oposição: contra. O fator que em minha opinião é determinante é o território.
IHU On Line - Uma última questão. Existem outras obras de transposições no Brasil. Onde estão e como funcionam?
Pedro Vianna - Existem, sim, inúmeras, aqui mesmo no Nordeste. Porém, as mais importantes estão aí no Sul. Em São Paulo, são transladados 31m³/s entre os sistemas Cantareia-Piracibaba. Já no Rio de Janeiro o volume é maior, sendo transpostos entre 119 m³/s e 160 m³/s da bacia do Paraíba do Sul para a bacia do Guandu, e não percebo nenhuma manifestação, de quem quer que seja, contra estas ações que há muito estão em funcionamento. É certo que as megas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, não resistem um só dia sem esta "transfusão". Parece aquela história: façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.
Fonte: http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=6457
Começa a limpeza no Poder Judiciário
Causou furor a Operação Hurricane da Polícia Federal. Peixe grande caiu na rede. Todos envolvidos na lavagem de dinheiro por meio dos controladores de jogos de bingo e caça-níqueis. Entre os presos, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que era vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES).
Também foram detidos outros integrantes do Poder Judiciário, acusados de envolvimento e conexões com o esquema, e delegados da própria PF - Susie Pinheiro, que atuava interinamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Carlos Pereira, diretor da Polícia Federal em Niterói (RJ).
Foram detidos os conhecidos contraventores Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Capitão Guimarães, agente da repressão do tempo da ditadura que se tornou presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e Antônio Petrus Kalil (Turcão), apontado pela polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio.
Abraão David e capitão Guimarães são formalmente chamados de "ex-contraventores". A rede de malha fina se estendeu por São Paulo, Bahia e Distrito Federal. Todos os 25 procurados foram presos.
A mesma "Operação Hurricane" prendeu também, aqui na Bahia, o procurador regional da República do Rio de Janeiro, João Sérgio Pereira.
Segundo o diretor do setor de inteligência da Polícia Federal de Brasília, Renato Porciúncula, as investigações começaram há um ano. O trabalho teve início a partir do contrabando de componentes eletrônicos para máquinas caça-níqueis.
O Brasil está diante de uma das maiores operações de combate à corrupção que se tem notícia, principalmente por causa dos nomes fortes envolvidos.
A Operação Furacão, Hurricane em inglês, prova que se a Polícia Federal quiser, acaba de vez com a corrupção no Poder Judiciário.
As pessoas falam que no Brasil há desembargadores que cobram R$ 1 milhão para livrar a cara de prefeitos processados nos tribunais de Justiça. Sentença judicial virou moeda corrente. Desembargadores corruptos dividem o dinheiro com advogados.
Se a Polícia Federal quiser investigar, acha.
Do Bahia de Fato
Também foram detidos outros integrantes do Poder Judiciário, acusados de envolvimento e conexões com o esquema, e delegados da própria PF - Susie Pinheiro, que atuava interinamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Carlos Pereira, diretor da Polícia Federal em Niterói (RJ).
Foram detidos os conhecidos contraventores Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Capitão Guimarães, agente da repressão do tempo da ditadura que se tornou presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e Antônio Petrus Kalil (Turcão), apontado pela polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio.
Abraão David e capitão Guimarães são formalmente chamados de "ex-contraventores". A rede de malha fina se estendeu por São Paulo, Bahia e Distrito Federal. Todos os 25 procurados foram presos.
A mesma "Operação Hurricane" prendeu também, aqui na Bahia, o procurador regional da República do Rio de Janeiro, João Sérgio Pereira.
Segundo o diretor do setor de inteligência da Polícia Federal de Brasília, Renato Porciúncula, as investigações começaram há um ano. O trabalho teve início a partir do contrabando de componentes eletrônicos para máquinas caça-níqueis.
O Brasil está diante de uma das maiores operações de combate à corrupção que se tem notícia, principalmente por causa dos nomes fortes envolvidos.
A Operação Furacão, Hurricane em inglês, prova que se a Polícia Federal quiser, acaba de vez com a corrupção no Poder Judiciário.
As pessoas falam que no Brasil há desembargadores que cobram R$ 1 milhão para livrar a cara de prefeitos processados nos tribunais de Justiça. Sentença judicial virou moeda corrente. Desembargadores corruptos dividem o dinheiro com advogados.
Se a Polícia Federal quiser investigar, acha.
Do Bahia de Fato
quinta-feira, abril 12, 2007
Geração espontânea, Míriam Leitão e a queda da desigualdade no Brasil
Essa é antológica. Surpreendo-me com um post no blog da porta-voz da era FHC. O assunto é a continuada queda da desigualdade no Brasil, indicada em estudo do IPEA. A mágica do texto é festejar os dados e omitir as responsabilidades. Nem uma palavra sobre a contribuição do governo Lula para o fenômeno.
A queda da desigualdade continua
Míriam Leitão
A queda da desigualdade continua. O livro que será lançado esta semana pelo Ipea disseca uma excelente notícia: o Brasil teve uma forte queda da desigualdade de 2000 a 2005. E traz um alerta: os últimos dados mostravam que a desigualdade havia parado de cair.
A Folha trouxe essa última notícia hoje na primeira página. E, de fato, é isso que está escrito no livro do Ipea. Mas entrevistei um dos organizadores do livro, o economista Ricardo Paes de Barros, e ele disse que os últimos dados da Pesquisa Mensal de Emprego mostram que continuou caindo a desigualdade.
Ela está caindo mais rapidamente do que o Brasil se comprometeu nas metas do milênio.
As razões da boa notícia são várias: a estabilização, a desconcentração industrial, a maior inclusão educacional, a Bolsa Familia.
- Se fosse só uma razão seria preocupante, mas são várias e isso mostra que o processo é sustentável - disse Paes de Barros.
O livro será lançado amanhã no Ipea, no Rio. Eu li e o livro é importante para quem quer entender melhor este velho problema brasileiro: a concentração da renda.
A queda da desigualdade continua
Míriam Leitão
A queda da desigualdade continua. O livro que será lançado esta semana pelo Ipea disseca uma excelente notícia: o Brasil teve uma forte queda da desigualdade de 2000 a 2005. E traz um alerta: os últimos dados mostravam que a desigualdade havia parado de cair.
A Folha trouxe essa última notícia hoje na primeira página. E, de fato, é isso que está escrito no livro do Ipea. Mas entrevistei um dos organizadores do livro, o economista Ricardo Paes de Barros, e ele disse que os últimos dados da Pesquisa Mensal de Emprego mostram que continuou caindo a desigualdade.
Ela está caindo mais rapidamente do que o Brasil se comprometeu nas metas do milênio.
As razões da boa notícia são várias: a estabilização, a desconcentração industrial, a maior inclusão educacional, a Bolsa Familia.
- Se fosse só uma razão seria preocupante, mas são várias e isso mostra que o processo é sustentável - disse Paes de Barros.
O livro será lançado amanhã no Ipea, no Rio. Eu li e o livro é importante para quem quer entender melhor este velho problema brasileiro: a concentração da renda.
terça-feira, abril 10, 2007
63% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal de Lula, diz pesquisa
Cerca de 63,7% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado foi divulgado nesta terça-feira em pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Foram entrevistas 2 mil pessoas em 136 municípios de 24 Estados, entre os dias 2 e 6 deste mês de abril.
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
segunda-feira, abril 09, 2007
Carta a Danuza Leão
Por Osvaldo Bertolino
Cara Danuza:
Você diz em sua coluna de domingo (1) que está precisando só da opinião de Fernando Gabeira. Mas espero, humildemente, que você também leia a minha. Senão pelo compromisso jornalístico, por uma questão de civilidade. Começo lembrando que há algum tempo a Folha de S.Paulo publicou uma sugestiva carta de um leitor. ''Desculpe, mas acabou a minha capacidade de absorver só notícias negativas. A Folha há muito deixou de praticar um jornalismo investigativo e entrou firme no jornalismo denunciativo, que não leva a nada'', disse ele.
O leitor estava comunicando a perda da paciência com um determinado tipo de jornalismo. Ele não é o único. Nem a Folha de S.Paulo é a única publicação a colocar como prioridade de sua estratégia editorial a busca do pior em tudo. É um caso em que se aplica a grande frase de Eça de Queiroz: ou é má-fé cínica ou obtusidade córnea.
Esse tipo de política editorial dá cartaz, mas não consegue ocultar algo fundamental: poucas vezes um governo brasileiro teve a sorte de enfrentar inimigos tão desqualificados como os que enfrenta hoje. De fato, um dos trunfos mais poderosos de Lula é o tipo de gente que profere bravos discursos clamando por princípios e pureza, como ACM, Bornhausen, FHC...
Assim fica difícil! Munidos de um visto temporário para o mundo da ética, esses personagens só podem levar a opinião pública a uma conclusão: se eles estão contra o governo, este só pode estar certo. Disso decorre uma constatação que vale a pena anotar: a mídia é de fato golpista.
Outro exemplo é um entrevista concedida por Gabeira (PV-RJ) - já que você o elegeu como seu único interlocutor nesta questão - à Folha tempos atrás. A linhas tantas, o entrevistador, Josias de Souza, pergunta: ''Se (José) Dirceu fosse preso hoje, o senhor seqüestraria um embaixador americano para libertá-lo?''. Essa formulação pode ser definida como a síntese da mentalidade idiota que prevalece na maioria das redações.
Já Gabeira abusou do que se pode chamar de histrionismo. A gabolice de Gabeira lhe rendeu uma superexposição na mídia e foi elogiada até por colunistas sociais. Gabeira estava sendo conduzido ao picadeiro. O circo não podia parar. Como o deputado Roberto ''Dinamite'' Jefferson praticamente já havia cumprido seu papel, entrou em cena Gabeira e seus traques.
Com o clima de fim de festa instalado nas CPIs, puseram o travesso deputado para de vez em quando gritar: ''Lobo, lobo!''. Assim ele mantinha o aparato da direita mobilizado para combater qualquer indício de flagrante nas mal escondidas intenções contra o governo Lula.
O que se via na mídia era um panorama de ruínas. Os prognósticos mais tenebrosos eram atirados ao público de todas as formas possíveis - pela televisão, pelas rádios, pelos jornais, pelas revistas, pela internet. (Quem haverá, por exemplo, de esquecer as expressões faciais de pânico indignado de William Wack no Jornal da Globo?) Nesse ambiente que premia sistematicamente a indignação, pouco importando se ela se baseia ou não em fatos, tornou-se regra conferir respeitabilidade à opinião desinformada.
Outro exemplo é a carta de José Dirceu aos deputados. ''A mídia me julgou e me condenou no dia em que um deputado corrupto resolveu se vingar por eu ter negado qualquer proteção para livrá-lo do processo que viria'', escreveu Dirceu, referindo-se ao ex-deputado Roberto Jefferson. E conclui: ''Quando a mídia escolhe alguém para crucificar, justa ou injustamente, não há reputação que resista incólume''.
Até aí não há novidade: essa mídia serve para isso mesmo. Se alguém está contrariado com alguma decisão do poder público; insatisfeito com o resultado de alguma eleição, seleção, licitação ou critério para qualquer coisa definido por algum órgão de governo; disposto a azucrinar algum desafeto, apenas, esse alguém tem uma avenida aberta pela frente; munido de alguns argumentos - podem ser merecedores de consideração ou pura fanfarronada -, esse alguém pode exercitar suas manobras politiqueiras, barrar o prosseguimento de um processo legítimo que não o beneficiou, levantar suspeitas contra um administrador que não atendeu aos seus interesses ou apenas dar a sua colaboração para atulhar um pouco mais os tribunais do país. O caminho é este mesmo: recorra à mídia.
O que se passou no caso Dirceu mostra como é fácil, e isento de quaisquer ônus, atentar contra os fatos por interesses politiqueiros. Devoto daquilo que o cineasta Billy Wilder chamou de Big Carnival (grande carnaval) - filme que no Brasil recebeu o nome de A Montanha dos Sete Abutres e que retrata o caso de um repórter especialista na arte da trapaça -, o noticiário atingiu o auge das previsões tétricas. Nesse tipo de noticiário que culpa o governo por tudo, aparecem os que criticam o presidente da República, os revoltados com o socialismo, com o MST, com a MPB, bem como os insatisfeitos em geral, seja com o campeonato brasileiro de futebol ou com o atraso do trem, a acne juvenil, a aftosa e o bicho-do-pé. Ou seja: tudo é culpa do governo.
Esse comportamento não é, absolutamente, irrelevante, porque inclui a mentira. Trata-se de um noticiário - melhor seria dizer bagunçário - que cumpre papel bem definido no jogo político que se estabeleceu no país. Ele serve aos velhos coronéis, muitos deles modernos, que usam os meios de comunicação como arma principal na luta política. E isso tem um perverso efeito colateral: a corrosão do caráter do jornalista.
Um jovem que chegue a uma redação e seja confrontado com a realidade cotidiana de trapaças de variadas espécies para a obtenção de notícias - mentiras sobre a natureza da reportagem para conseguir entrevistas e gravadores escondidos para colher flagrantes, para ficar apenas em dois exemplos comuns - é rápida e inevitavelmente engolfado pela frouxidão dos valores. A conclusão é inescapável: por mais defeitos que tenha, por mais problemas por resolver que acumule, o governo brasileiro - incluindo Franklin Martins - é, hoje, infinitamente melhor do que a mídia.
Cordialmente,
Osvaldo Bertolino, em www.vermelho.org.br
Cara Danuza:
Você diz em sua coluna de domingo (1) que está precisando só da opinião de Fernando Gabeira. Mas espero, humildemente, que você também leia a minha. Senão pelo compromisso jornalístico, por uma questão de civilidade. Começo lembrando que há algum tempo a Folha de S.Paulo publicou uma sugestiva carta de um leitor. ''Desculpe, mas acabou a minha capacidade de absorver só notícias negativas. A Folha há muito deixou de praticar um jornalismo investigativo e entrou firme no jornalismo denunciativo, que não leva a nada'', disse ele.
O leitor estava comunicando a perda da paciência com um determinado tipo de jornalismo. Ele não é o único. Nem a Folha de S.Paulo é a única publicação a colocar como prioridade de sua estratégia editorial a busca do pior em tudo. É um caso em que se aplica a grande frase de Eça de Queiroz: ou é má-fé cínica ou obtusidade córnea.
Esse tipo de política editorial dá cartaz, mas não consegue ocultar algo fundamental: poucas vezes um governo brasileiro teve a sorte de enfrentar inimigos tão desqualificados como os que enfrenta hoje. De fato, um dos trunfos mais poderosos de Lula é o tipo de gente que profere bravos discursos clamando por princípios e pureza, como ACM, Bornhausen, FHC...
Assim fica difícil! Munidos de um visto temporário para o mundo da ética, esses personagens só podem levar a opinião pública a uma conclusão: se eles estão contra o governo, este só pode estar certo. Disso decorre uma constatação que vale a pena anotar: a mídia é de fato golpista.
Outro exemplo é um entrevista concedida por Gabeira (PV-RJ) - já que você o elegeu como seu único interlocutor nesta questão - à Folha tempos atrás. A linhas tantas, o entrevistador, Josias de Souza, pergunta: ''Se (José) Dirceu fosse preso hoje, o senhor seqüestraria um embaixador americano para libertá-lo?''. Essa formulação pode ser definida como a síntese da mentalidade idiota que prevalece na maioria das redações.
Já Gabeira abusou do que se pode chamar de histrionismo. A gabolice de Gabeira lhe rendeu uma superexposição na mídia e foi elogiada até por colunistas sociais. Gabeira estava sendo conduzido ao picadeiro. O circo não podia parar. Como o deputado Roberto ''Dinamite'' Jefferson praticamente já havia cumprido seu papel, entrou em cena Gabeira e seus traques.
Com o clima de fim de festa instalado nas CPIs, puseram o travesso deputado para de vez em quando gritar: ''Lobo, lobo!''. Assim ele mantinha o aparato da direita mobilizado para combater qualquer indício de flagrante nas mal escondidas intenções contra o governo Lula.
O que se via na mídia era um panorama de ruínas. Os prognósticos mais tenebrosos eram atirados ao público de todas as formas possíveis - pela televisão, pelas rádios, pelos jornais, pelas revistas, pela internet. (Quem haverá, por exemplo, de esquecer as expressões faciais de pânico indignado de William Wack no Jornal da Globo?) Nesse ambiente que premia sistematicamente a indignação, pouco importando se ela se baseia ou não em fatos, tornou-se regra conferir respeitabilidade à opinião desinformada.
Outro exemplo é a carta de José Dirceu aos deputados. ''A mídia me julgou e me condenou no dia em que um deputado corrupto resolveu se vingar por eu ter negado qualquer proteção para livrá-lo do processo que viria'', escreveu Dirceu, referindo-se ao ex-deputado Roberto Jefferson. E conclui: ''Quando a mídia escolhe alguém para crucificar, justa ou injustamente, não há reputação que resista incólume''.
Até aí não há novidade: essa mídia serve para isso mesmo. Se alguém está contrariado com alguma decisão do poder público; insatisfeito com o resultado de alguma eleição, seleção, licitação ou critério para qualquer coisa definido por algum órgão de governo; disposto a azucrinar algum desafeto, apenas, esse alguém tem uma avenida aberta pela frente; munido de alguns argumentos - podem ser merecedores de consideração ou pura fanfarronada -, esse alguém pode exercitar suas manobras politiqueiras, barrar o prosseguimento de um processo legítimo que não o beneficiou, levantar suspeitas contra um administrador que não atendeu aos seus interesses ou apenas dar a sua colaboração para atulhar um pouco mais os tribunais do país. O caminho é este mesmo: recorra à mídia.
O que se passou no caso Dirceu mostra como é fácil, e isento de quaisquer ônus, atentar contra os fatos por interesses politiqueiros. Devoto daquilo que o cineasta Billy Wilder chamou de Big Carnival (grande carnaval) - filme que no Brasil recebeu o nome de A Montanha dos Sete Abutres e que retrata o caso de um repórter especialista na arte da trapaça -, o noticiário atingiu o auge das previsões tétricas. Nesse tipo de noticiário que culpa o governo por tudo, aparecem os que criticam o presidente da República, os revoltados com o socialismo, com o MST, com a MPB, bem como os insatisfeitos em geral, seja com o campeonato brasileiro de futebol ou com o atraso do trem, a acne juvenil, a aftosa e o bicho-do-pé. Ou seja: tudo é culpa do governo.
Esse comportamento não é, absolutamente, irrelevante, porque inclui a mentira. Trata-se de um noticiário - melhor seria dizer bagunçário - que cumpre papel bem definido no jogo político que se estabeleceu no país. Ele serve aos velhos coronéis, muitos deles modernos, que usam os meios de comunicação como arma principal na luta política. E isso tem um perverso efeito colateral: a corrosão do caráter do jornalista.
Um jovem que chegue a uma redação e seja confrontado com a realidade cotidiana de trapaças de variadas espécies para a obtenção de notícias - mentiras sobre a natureza da reportagem para conseguir entrevistas e gravadores escondidos para colher flagrantes, para ficar apenas em dois exemplos comuns - é rápida e inevitavelmente engolfado pela frouxidão dos valores. A conclusão é inescapável: por mais defeitos que tenha, por mais problemas por resolver que acumule, o governo brasileiro - incluindo Franklin Martins - é, hoje, infinitamente melhor do que a mídia.
Cordialmente,
Osvaldo Bertolino, em www.vermelho.org.br
domingo, abril 08, 2007
O jeito bem brasileiro de fazer jornalismo sem fato
De volta ao combate depois de imerecido descanso, compartilho minhas impressões sobre a campanha da mídia para nos convencer de que o Brasil está mal, ruim, pior, em crise e no limite.
O tom dos jornalões é este: na ausência dos acontecimentos que sustentem suas devoções, dá-lhe fantasia. O desejo se transforma em matéria-prima de um jornalismo que prescinde de fatos.
O JB de 8 de abril afirma em sua primeira página que a classe média, "na história deste país", nunca esteve tão "martirizada". Assim, na maior, contrariando os dados da PNUD, do IBGE e o bom senso. É o modo que encontrou de criticar a política de aumento da oferta de crédito - um dos mecanismos exitosos que o governo encontrou para "destravar" a economia.
A Folha, por sua vez, nos oferece um prato requentado e sem sabor (ou novidade) acerca da fantasiosa "caixa-preta" da Infraero. Requentado porque desconhece e não informa o leitor que denúncias feitas pelo TCU têm sido derrubadas por utilizarem-se de pressupostos técnicos incompatíveis com a natureza do negócio da Infraero. Numa das denúncias "graves", o TCU questionava custos de asfalto e concreto adotando parâmetros da Caixa Econômica Federal e do DNIT para habitações e estradas - um mico técnico monumental do TCU. Mas, a quem interessaria expor a inépcia do TCU?
O Globo, como bem indicou Paulo Henrique Amorim, está mirando agora no compadre de Lula, Roberto Teixeira, advogado ligado a empresas aéreas. As perguntas feitas a Teixeira na entrevista são um primor de parti pris, de preconceito, arrogância e presunção de culpa. Uma vergonha.
O Estadão, esquizofrênico, critica o governo por aquilo que ele, Estadão, acredita: pelo governo estar abrindo espaço e criando as condições para que a iniciativa privada invista nos portos. A coisa funciona assim: se o Estado brasileiro faz, não devia, porque não é sua atribuição fazer. Se não faz, é porque é inepto, pois devia investir em infra-estrutura para equacionar os gargalos que impedem o crescimento econômico. É aquela velha história: se correr o bicho pega...
Noutra matéria, o Estadão desanca o governo porque o governo está se metendo numa aventura temerosa e arriscada que é buscar o aumento de suas exportações para os EUA... Só falta chamar a Míriam Leitão para provar que a produção de álcool para o mercado norte-americano vai trazer a devastação da Amazônia e o encarecimento dos alimentos no mercado interno. Que idéia mais absurda esta de vender álcool para o mercado americano! Muito grave, né mesmo?
Como diz um deputado da oposição: "se esse PAC der certo nós estamos ferrados".
O tom dos jornalões é este: na ausência dos acontecimentos que sustentem suas devoções, dá-lhe fantasia. O desejo se transforma em matéria-prima de um jornalismo que prescinde de fatos.
O JB de 8 de abril afirma em sua primeira página que a classe média, "na história deste país", nunca esteve tão "martirizada". Assim, na maior, contrariando os dados da PNUD, do IBGE e o bom senso. É o modo que encontrou de criticar a política de aumento da oferta de crédito - um dos mecanismos exitosos que o governo encontrou para "destravar" a economia.
A Folha, por sua vez, nos oferece um prato requentado e sem sabor (ou novidade) acerca da fantasiosa "caixa-preta" da Infraero. Requentado porque desconhece e não informa o leitor que denúncias feitas pelo TCU têm sido derrubadas por utilizarem-se de pressupostos técnicos incompatíveis com a natureza do negócio da Infraero. Numa das denúncias "graves", o TCU questionava custos de asfalto e concreto adotando parâmetros da Caixa Econômica Federal e do DNIT para habitações e estradas - um mico técnico monumental do TCU. Mas, a quem interessaria expor a inépcia do TCU?
O Globo, como bem indicou Paulo Henrique Amorim, está mirando agora no compadre de Lula, Roberto Teixeira, advogado ligado a empresas aéreas. As perguntas feitas a Teixeira na entrevista são um primor de parti pris, de preconceito, arrogância e presunção de culpa. Uma vergonha.
O Estadão, esquizofrênico, critica o governo por aquilo que ele, Estadão, acredita: pelo governo estar abrindo espaço e criando as condições para que a iniciativa privada invista nos portos. A coisa funciona assim: se o Estado brasileiro faz, não devia, porque não é sua atribuição fazer. Se não faz, é porque é inepto, pois devia investir em infra-estrutura para equacionar os gargalos que impedem o crescimento econômico. É aquela velha história: se correr o bicho pega...
Noutra matéria, o Estadão desanca o governo porque o governo está se metendo numa aventura temerosa e arriscada que é buscar o aumento de suas exportações para os EUA... Só falta chamar a Míriam Leitão para provar que a produção de álcool para o mercado norte-americano vai trazer a devastação da Amazônia e o encarecimento dos alimentos no mercado interno. Que idéia mais absurda esta de vender álcool para o mercado americano! Muito grave, né mesmo?
Como diz um deputado da oposição: "se esse PAC der certo nós estamos ferrados".
Marcadores:
Crise dos aeroportos,
Estadão,
Folha de S.Paulo,
manipulação,
mídia,
O Globo
quarta-feira, abril 04, 2007
Defenda-se
A você, caro compatriota, que está pouco se lixando para o Serra, para o Lula, para as famílias midiáticas (Marinho, Frias, Civita, Mesquita etc) ou para os interesses políticos de qualquer poderoso, pois o que quer, de verdade, é que sua vida melhore, quero sugerir que não dê bola para o noticiário sobre a crise (fabricada) no setor aéreo. Tudo não passa de uma tentativa dos inimigos políticos (deixaram de ser adversários há muito tempo) do Lula de impedirem que ele tente melhorar sua vida. E Lula está tentando. No mínimo, porque isso o favorece e ao seu grupo político. E não é só o atual presidente que quer melhorar sua vida. Nenhum presidente quer ver o país piorar - ou deixar de melhorar - sob seu comando.
Sem limites
Claro que não se pode esperar colaboração de oposicionistas. O papel deles é sempre o de tentarem mostrar à sociedade que quem está no poder é incompetente e até desonesto. Em países mais desenvolvidos, politizados e civilizados, contudo, a oposição sabe que há limites para a luta política, pois se exagerar pode se mostrar sabotadora para uma sociedade mais esclarecida e, assim, pode colocá-la contra si. Mas sempre que houver uma brechinha para impedir que medidas e projetos do governo melhorem as vidas dos cidadãos, os oposicionistas de qualquer parte não perderão a chance.
O que ameaça gravemente um país é quando oposicionistas e mídia se aliam com vistas não somente a desgastar o governo perante à sociedade, mas a impedir que governe. Aliada aos meios de comunicação, por mais minoritária que uma oposição seja ela ganha um poder adicional para atrapalhar a governabilidade. E pode até gerar convulsões sociais e crises institucionais. Vejam só esse caso da crise no setor aéreo. Você provavelmente não sabe que políticos da oposição a Lula se reuniram com o comando de greve dos controladores de vôo poucos dias antes de eles se amotinarem. Você não sabe disso porque a mídia escondeu. Está claro e límpido como água mineral que o PSDB e o PFL (que agora se travestiu de "Democratas") insuflaram os sargentos da Aeronáutica para fazerem uma greve que prejudicou milhares de pessoas. E a mídia esconde isso de você.
O governo propôs ao Congresso um programa ambicioso para acelerar o crescimento do país, o PAC. Se Lula já é popular, se lograr aumentar a geração de empregos, enfim, o ritmo econômico do país, se conseguir beneficiar mais consistentemente os brasileiros, PSDB e PFL poderão ir dando adeus a qualquer perspectiva de voltarem ao poder em 2011. E mais distante ainda ficará o sonho de oposicionistas e donos de jornais e TVs de derrubarem Lula e voltarem ao poder antes que ele conclua seu segundo mandato. Por isso, assim como não hesitaram em provocar uma greve que torturou milhares de pessoas nos aeroportos, tampouco hesitarão em sabotar o Brasil o tanto e em tudo quanto puderem.
Você é quem pagará a conta dessa guerra política se der apoio à oposição e ela tiver êxito. Não será Lula nem o PT que passarão pelas piores dificuldades. O máximo que acontecerá com eles será voltarem para a oposição. Mas quem ficará exposto aos efeitos de uma eventual crise econômica advinda da guerra política sem limites, seremos nós, a sociedade. Assim, em seu próprio interesse exija da oposição e da mídia que exerçam seu papel fiscalizador com seriedade e pensando no interesse de todos e não só em seu próprios interesses políticos. Você deve isso a você mesmo e aos seus, bem como ao seu país.
Blog Cidadania
Sem limites
Claro que não se pode esperar colaboração de oposicionistas. O papel deles é sempre o de tentarem mostrar à sociedade que quem está no poder é incompetente e até desonesto. Em países mais desenvolvidos, politizados e civilizados, contudo, a oposição sabe que há limites para a luta política, pois se exagerar pode se mostrar sabotadora para uma sociedade mais esclarecida e, assim, pode colocá-la contra si. Mas sempre que houver uma brechinha para impedir que medidas e projetos do governo melhorem as vidas dos cidadãos, os oposicionistas de qualquer parte não perderão a chance.
O que ameaça gravemente um país é quando oposicionistas e mídia se aliam com vistas não somente a desgastar o governo perante à sociedade, mas a impedir que governe. Aliada aos meios de comunicação, por mais minoritária que uma oposição seja ela ganha um poder adicional para atrapalhar a governabilidade. E pode até gerar convulsões sociais e crises institucionais. Vejam só esse caso da crise no setor aéreo. Você provavelmente não sabe que políticos da oposição a Lula se reuniram com o comando de greve dos controladores de vôo poucos dias antes de eles se amotinarem. Você não sabe disso porque a mídia escondeu. Está claro e límpido como água mineral que o PSDB e o PFL (que agora se travestiu de "Democratas") insuflaram os sargentos da Aeronáutica para fazerem uma greve que prejudicou milhares de pessoas. E a mídia esconde isso de você.
O governo propôs ao Congresso um programa ambicioso para acelerar o crescimento do país, o PAC. Se Lula já é popular, se lograr aumentar a geração de empregos, enfim, o ritmo econômico do país, se conseguir beneficiar mais consistentemente os brasileiros, PSDB e PFL poderão ir dando adeus a qualquer perspectiva de voltarem ao poder em 2011. E mais distante ainda ficará o sonho de oposicionistas e donos de jornais e TVs de derrubarem Lula e voltarem ao poder antes que ele conclua seu segundo mandato. Por isso, assim como não hesitaram em provocar uma greve que torturou milhares de pessoas nos aeroportos, tampouco hesitarão em sabotar o Brasil o tanto e em tudo quanto puderem.
Você é quem pagará a conta dessa guerra política se der apoio à oposição e ela tiver êxito. Não será Lula nem o PT que passarão pelas piores dificuldades. O máximo que acontecerá com eles será voltarem para a oposição. Mas quem ficará exposto aos efeitos de uma eventual crise econômica advinda da guerra política sem limites, seremos nós, a sociedade. Assim, em seu próprio interesse exija da oposição e da mídia que exerçam seu papel fiscalizador com seriedade e pensando no interesse de todos e não só em seu próprios interesses políticos. Você deve isso a você mesmo e aos seus, bem como ao seu país.
Blog Cidadania
CPI, chantagem e golpe
O que escrevo aqui não é novidade para quem me acompanha. Escrevi por ocasião da tentativa de criação da CPI da Corrupção no final do governo FHC, mantendo desgastante polêmica com meu colega da época, Jânio de Freitas.
CPI não é ferramenta de investigação. Desde a redemocratização tem sido utilizada como instrumento de golpe político ou de achaque (vide CPI dos Combustíveis, CPI da Serasa e CPI do Banestado).
Sua estrutura não favorece as investigações. Parlamentares não têm método. Não se guarda sigilo, necessário para investigações prolongadas. E a composição das CPIs não permite nenhuma racionalização. O que tem ocorrido invariavelmente é um deputado levantar qualquer documento, mesmo que irrelevante, passar para jornalistas que transformam em escândalo, mesmo que não seja. Ou então, identificar documentos relevantes e não levar adiante, ou por incapacidade, ou por bloqueio dos demais parlamentares ou para utilizar como peça de chantagem.
O que menos o país precisaria agora seria uma CPI da Crise Aérea.
Por Luis Nassif
CPI não é ferramenta de investigação. Desde a redemocratização tem sido utilizada como instrumento de golpe político ou de achaque (vide CPI dos Combustíveis, CPI da Serasa e CPI do Banestado).
Sua estrutura não favorece as investigações. Parlamentares não têm método. Não se guarda sigilo, necessário para investigações prolongadas. E a composição das CPIs não permite nenhuma racionalização. O que tem ocorrido invariavelmente é um deputado levantar qualquer documento, mesmo que irrelevante, passar para jornalistas que transformam em escândalo, mesmo que não seja. Ou então, identificar documentos relevantes e não levar adiante, ou por incapacidade, ou por bloqueio dos demais parlamentares ou para utilizar como peça de chantagem.
O que menos o país precisaria agora seria uma CPI da Crise Aérea.
Por Luis Nassif
terça-feira, abril 03, 2007
SUBVERSÃO É A DO JUDICIÁRIO
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello declarou que os controladores de vôo cometeram “um crime militar”. Foi, segundo o Ministro, “um motim”, tipificado no Código Penal Militar.
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Ciro Gomes e a melhor defesa da transposição do Velho Chico
Entrevista à rádio Itatiaia
REPÓRTER: Deputado, por que ainda há resistência à transposição do rio São Francisco, de um lado, e de outro lado há fervorosos defensores da idéia?
CIRO GOMES: Eu hoje posso dizer sem medo de cometer nenhuma injustiça que há dois grupos movimentando esse antagonismo radicalizado. Embora minoritário, cada vez bem menor, está minguando todo dia, mas são dois grupos. Um grupo está de má fé nisto, é o grupo que eu chamo do grupo da reserva de valor.
Esse grupo desconhece qualquer argumento, monta-se em argumentos nobres, como aqueles que dão conta da degradação do rio, das questões ambientais, das questões sócio-econômicas-culturais, para esconder a sua motivação, que é enquanto falta água dramaticamente em uma região extensa do país, e isso ninguém pode negar, guardar uma água que hoje está sendo jogada fora para em um futuro remoto ser aplicada no oposto do que eles advogam hoje, qual seja na expansão da agricultura irrigada para grandes grupos.
REPÓRTER: Grandes grupos?
CIRO GOMES: Eu falo claramente: Projeto Salitre, na Bahia, Projeto Pontal, em Pernambuco, Projeto Baixio de Irecê, na Bahia, Projeto Jaíba: há 80 mil hectares projetados em Minas Gerais. Esse é um ponto. O segundo ponto é um conjunto de pessoas bem intencionadas, não tenho menor dúvida, mas que também não se debruçam sobre a questão como ela está posta, porque o que está posto não é um juízo de oportunidade e de conveniência se deveríamos gastar essa montanha de dinheiro que esse projeto de integração de bacias pede ao invés de gastar bem menos fazendo cisternas domiciliares, porque não é esta a questão. As cisternas domiciliares são essenciais, têm que ser feitas, elas não negam o projeto.
Entretanto, as cisternas domiciliares têm duas contradições: primeira, ela só tem água se chover e o projeto se destina estrategicamente a suprir a cíclica falta de chuva na região. O projeto não atende a população difusa, a cisterna sim, mas a população difusa é minoria, as maiorias a quem o projeto se destina estão nas cidades, é um projeto de abastecimento humano nas cidades.
De passagem, porque não é um projeto que toma água aqui, entuba, e entrega lá no fim, de passagem, esse projeto vai permitir a exploração pela agricultura familiar: uma agricultura moderna, 100% das margens esquerda e direita dos 700 km de extensão estão declarados de utilidade pública, para fins de desapropriação e reforma agrária e na seqüência o projeto utiliza 1.000 km de rios secos do nordeste setentrional que passarão doravante a ter água, permitindo uma cultura de vazante, o que ordenaria dramaticamente de forma positiva para o país a migração que hoje abandona esse semi-árido para ir ser reserva de valor do exército da violência, do narcotráfico, da mortandade de crianças, adolescentes, e prostituição infantil nas grandes capitais do país.
Quem quiser discutir o assunto nestes termos, estando de boa fé, encontrará as respostas, mas nunca pode se opor a um presidente legitimamente eleito, um juízo de oportunidade e de conveniência que é dele por delegação popular.
REPÓRTER: O bispo de Barra está no grupo que defende as cisternas...
CIRO GOMES: Eu disse a Dom Cappio, com todo respeito, mas hoje vou levantar um pouco mais a minha voz, em nome de quem ele fala, de Deus?
Porque se ele não estivesse arvorando a falar aqui sobre esse assunto mundano em nome de Deus, ele precisa ser um pouco mais humilde e entender que se um bispo lá do Setentrional Nordestino resolver entrar em greve de fome a favor da obra, nós teremos que chegar na absurda e antidemocrática e autoritária providência de escolher qual dos dois vai morrer. Não é assim que se faz na democracia.
REPÓRTER: Ministro, as pessoas que coordenam esses protestos dizem várias coisas. Uma delas é que o preço da água pode aumentar para as populações que moram na região desse projeto.
CIRO GOMES: É preciso ser mais honesto do que isso. O projeto introduz uma modernidade que é muito gravemente necessária que se introduza o quanto antes na distribuição de água, que é um mineral finito, valorável economicamente e que o Brasil tem tratado como coisa sem valor e infinita. Não é.
As grandes lutas e tensões internacionais como agora já indicadas por estudo recente das Nações Unidas sobre o aquecimento global, uma das gravíssimas questões que está posta é a escassez de água. Portanto, a água tem que ser valorada economicamente.
Agora, evidentemente o projeto não desconsidera a desigualdade das pessoas. Então o projeto vai onerar a água, não é que vai encarecer, vai se fazer com que a água agora seja paga, só que vai ser de forma progressiva, de maneira que para a agricultura familiar e populações difusas a água será entregue gratuitamente e o custo disso será por um subsídio cruzado oneroso aos outros usos que a água do projeto São Francisco pretende destinar.
Foi criada uma concepção institucional, uma subsidiária da Companhia Chesf, que tem tradição de manejo de água para fins de energia, então ela vai onerar e quem vai pagar isso são os governos estaduais, os governos estaduais vão pagar por essa água bruta nas contas que eles quiserem no projeto e quando eles entregarem tratada a água, o povo já paga.
Estamos querendo enganar quem? Fazer terrorismo contra quem? Isso faz parte do argumento dos que estão de má fé, porque está tudo escrito. Se alguém souber de alguma falha não fique fazendo leviandades contra pessoas que podem estar nisso de boa fé e honestamente. Denuncie ao Ministério Público que está aí vigiando o projeto, denuncie para a polícia, bota a boca no trombone, ao invés de fazer insinuações levianas, generalizante, fala para você da rádio Itatiaia, que está aberta para quem quiser falar, como democrático órgão de comunicação de massa.
Então diz: tão roubando em tal lugar, porque eu, por exemplo, passei uma montanha de dinheiro para uma instituição de Minas Gerais para fazer o primeiro movimento de revitalização do São Francisco, porque as pessoas que lutam pela revitalização deixaram o Rio das Velhas morrer, o principal afluente do rio São Francisco pela margem esquerda é o Rio das Velhas e o Rio das Velhas estava recebendo efluentes in natura da indústria siderúrgica mineira. Estava recebendo esgoto sem tratamento. Morreu o Rio das Velhas, um dos mais importantes afluentes e nós financiamos uma instituição inclusive privada, da sociedade civil, porque? Porque eu confio nas pessoas. E não estou aqui para dizer que eles fizeram nenhuma malversação. Ao contrário, enquanto eu pude acompanhar tenho certeza de que as coisas andaram bem.
REPÓRTER: Deputado, por que ainda há resistência à transposição do rio São Francisco, de um lado, e de outro lado há fervorosos defensores da idéia?
CIRO GOMES: Eu hoje posso dizer sem medo de cometer nenhuma injustiça que há dois grupos movimentando esse antagonismo radicalizado. Embora minoritário, cada vez bem menor, está minguando todo dia, mas são dois grupos. Um grupo está de má fé nisto, é o grupo que eu chamo do grupo da reserva de valor.
Esse grupo desconhece qualquer argumento, monta-se em argumentos nobres, como aqueles que dão conta da degradação do rio, das questões ambientais, das questões sócio-econômicas-culturais, para esconder a sua motivação, que é enquanto falta água dramaticamente em uma região extensa do país, e isso ninguém pode negar, guardar uma água que hoje está sendo jogada fora para em um futuro remoto ser aplicada no oposto do que eles advogam hoje, qual seja na expansão da agricultura irrigada para grandes grupos.
REPÓRTER: Grandes grupos?
CIRO GOMES: Eu falo claramente: Projeto Salitre, na Bahia, Projeto Pontal, em Pernambuco, Projeto Baixio de Irecê, na Bahia, Projeto Jaíba: há 80 mil hectares projetados em Minas Gerais. Esse é um ponto. O segundo ponto é um conjunto de pessoas bem intencionadas, não tenho menor dúvida, mas que também não se debruçam sobre a questão como ela está posta, porque o que está posto não é um juízo de oportunidade e de conveniência se deveríamos gastar essa montanha de dinheiro que esse projeto de integração de bacias pede ao invés de gastar bem menos fazendo cisternas domiciliares, porque não é esta a questão. As cisternas domiciliares são essenciais, têm que ser feitas, elas não negam o projeto.
Entretanto, as cisternas domiciliares têm duas contradições: primeira, ela só tem água se chover e o projeto se destina estrategicamente a suprir a cíclica falta de chuva na região. O projeto não atende a população difusa, a cisterna sim, mas a população difusa é minoria, as maiorias a quem o projeto se destina estão nas cidades, é um projeto de abastecimento humano nas cidades.
De passagem, porque não é um projeto que toma água aqui, entuba, e entrega lá no fim, de passagem, esse projeto vai permitir a exploração pela agricultura familiar: uma agricultura moderna, 100% das margens esquerda e direita dos 700 km de extensão estão declarados de utilidade pública, para fins de desapropriação e reforma agrária e na seqüência o projeto utiliza 1.000 km de rios secos do nordeste setentrional que passarão doravante a ter água, permitindo uma cultura de vazante, o que ordenaria dramaticamente de forma positiva para o país a migração que hoje abandona esse semi-árido para ir ser reserva de valor do exército da violência, do narcotráfico, da mortandade de crianças, adolescentes, e prostituição infantil nas grandes capitais do país.
Quem quiser discutir o assunto nestes termos, estando de boa fé, encontrará as respostas, mas nunca pode se opor a um presidente legitimamente eleito, um juízo de oportunidade e de conveniência que é dele por delegação popular.
REPÓRTER: O bispo de Barra está no grupo que defende as cisternas...
CIRO GOMES: Eu disse a Dom Cappio, com todo respeito, mas hoje vou levantar um pouco mais a minha voz, em nome de quem ele fala, de Deus?
Porque se ele não estivesse arvorando a falar aqui sobre esse assunto mundano em nome de Deus, ele precisa ser um pouco mais humilde e entender que se um bispo lá do Setentrional Nordestino resolver entrar em greve de fome a favor da obra, nós teremos que chegar na absurda e antidemocrática e autoritária providência de escolher qual dos dois vai morrer. Não é assim que se faz na democracia.
REPÓRTER: Ministro, as pessoas que coordenam esses protestos dizem várias coisas. Uma delas é que o preço da água pode aumentar para as populações que moram na região desse projeto.
CIRO GOMES: É preciso ser mais honesto do que isso. O projeto introduz uma modernidade que é muito gravemente necessária que se introduza o quanto antes na distribuição de água, que é um mineral finito, valorável economicamente e que o Brasil tem tratado como coisa sem valor e infinita. Não é.
As grandes lutas e tensões internacionais como agora já indicadas por estudo recente das Nações Unidas sobre o aquecimento global, uma das gravíssimas questões que está posta é a escassez de água. Portanto, a água tem que ser valorada economicamente.
Agora, evidentemente o projeto não desconsidera a desigualdade das pessoas. Então o projeto vai onerar a água, não é que vai encarecer, vai se fazer com que a água agora seja paga, só que vai ser de forma progressiva, de maneira que para a agricultura familiar e populações difusas a água será entregue gratuitamente e o custo disso será por um subsídio cruzado oneroso aos outros usos que a água do projeto São Francisco pretende destinar.
Foi criada uma concepção institucional, uma subsidiária da Companhia Chesf, que tem tradição de manejo de água para fins de energia, então ela vai onerar e quem vai pagar isso são os governos estaduais, os governos estaduais vão pagar por essa água bruta nas contas que eles quiserem no projeto e quando eles entregarem tratada a água, o povo já paga.
Estamos querendo enganar quem? Fazer terrorismo contra quem? Isso faz parte do argumento dos que estão de má fé, porque está tudo escrito. Se alguém souber de alguma falha não fique fazendo leviandades contra pessoas que podem estar nisso de boa fé e honestamente. Denuncie ao Ministério Público que está aí vigiando o projeto, denuncie para a polícia, bota a boca no trombone, ao invés de fazer insinuações levianas, generalizante, fala para você da rádio Itatiaia, que está aberta para quem quiser falar, como democrático órgão de comunicação de massa.
Então diz: tão roubando em tal lugar, porque eu, por exemplo, passei uma montanha de dinheiro para uma instituição de Minas Gerais para fazer o primeiro movimento de revitalização do São Francisco, porque as pessoas que lutam pela revitalização deixaram o Rio das Velhas morrer, o principal afluente do rio São Francisco pela margem esquerda é o Rio das Velhas e o Rio das Velhas estava recebendo efluentes in natura da indústria siderúrgica mineira. Estava recebendo esgoto sem tratamento. Morreu o Rio das Velhas, um dos mais importantes afluentes e nós financiamos uma instituição inclusive privada, da sociedade civil, porque? Porque eu confio nas pessoas. E não estou aqui para dizer que eles fizeram nenhuma malversação. Ao contrário, enquanto eu pude acompanhar tenho certeza de que as coisas andaram bem.
segunda-feira, abril 02, 2007
Crise aérea: a receita para não ler a mídia conservadora
A melhor maneira de evitar a mídia conservadora (e golpista) do Brasil é ler outra coisa. Veja só:
Manchete do Globo (e sua renovada fúria contra o Governo, especialmente depois que Franklin Martins se tornou ministro): “Crise pós motim deixa controle aéreo sem chefia”.
Ué, mas não está decidido que a Aeronáutica não manda mais, depois da desmilitarização?
E que os controladores é que mandam?
Manchete da Folha: “FAB abandona controle do tráfego aéreo”.
Trata-se, como se vê, de incitar a crise militar e – como na queda de Jango – acelerar a queda de Lula.
Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira.
Recomendo nessa manhã de segunda feira, às vésperas da queda do Presidente Lula, dois textos em língua espanhola:
O primeiro, no jornal argentino Clarín:
REALISMO
Paula Lugones
plugones@clarin.com
Lula enfureció a las Fuerzas Armadas al embestir contra varios pilares de la vida militar. Rompió el tabú de la "disciplina y jerarquía" y prefirió negociar con los controladores en lugar de llevarlos a la cárcel, como dicta el reglamento de los uniformados. En un puro ejercicio de realismo político, el presidente comprendió que el diálogo era la única salida: la Aeronáutica no tenía hombres entrenados para reemplazar a los controladores, si iban presos. Así, si acataba el manual militar, el caos iba a ser aún mayor. La crisis en los aeropuertos ya alcanzaba una dimensión incontrolable, con impacto en el turismo, en los negocios y en el humor de los brasileños. Mal que les pese a las Fuerzas Armadas, que manejaron con ineficiencia el sector, las opciones eran pocas.
O segundo, no jornal espanhol El País, de título “Lula ganha uma batalha no caos aéreo”:
Clique aqui para ler.
O Clarín e o El País não podem ser considerados jornal esquerdista, trabalhista ou coisa parecida.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Manchete do Globo (e sua renovada fúria contra o Governo, especialmente depois que Franklin Martins se tornou ministro): “Crise pós motim deixa controle aéreo sem chefia”.
Ué, mas não está decidido que a Aeronáutica não manda mais, depois da desmilitarização?
E que os controladores é que mandam?
Manchete da Folha: “FAB abandona controle do tráfego aéreo”.
Trata-se, como se vê, de incitar a crise militar e – como na queda de Jango – acelerar a queda de Lula.
Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira.
Recomendo nessa manhã de segunda feira, às vésperas da queda do Presidente Lula, dois textos em língua espanhola:
O primeiro, no jornal argentino Clarín:
REALISMO
Paula Lugones
plugones@clarin.com
Lula enfureció a las Fuerzas Armadas al embestir contra varios pilares de la vida militar. Rompió el tabú de la "disciplina y jerarquía" y prefirió negociar con los controladores en lugar de llevarlos a la cárcel, como dicta el reglamento de los uniformados. En un puro ejercicio de realismo político, el presidente comprendió que el diálogo era la única salida: la Aeronáutica no tenía hombres entrenados para reemplazar a los controladores, si iban presos. Así, si acataba el manual militar, el caos iba a ser aún mayor. La crisis en los aeropuertos ya alcanzaba una dimensión incontrolable, con impacto en el turismo, en los negocios y en el humor de los brasileños. Mal que les pese a las Fuerzas Armadas, que manejaron con ineficiencia el sector, las opciones eran pocas.
O segundo, no jornal espanhol El País, de título “Lula ganha uma batalha no caos aéreo”:
Clique aqui para ler.
O Clarín e o El País não podem ser considerados jornal esquerdista, trabalhista ou coisa parecida.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
domingo, abril 01, 2007
Esforço de 'Veja' e 'Istoé' para detonar Infraero esbarra nos fatos
As duas revistas participaram ativamente da criação do mito do mensalão. Que não era mensal. Que beneficiou 19 deputados de um total de 513. Sendo que 11 eram do PT (então por que seria preciso pagar pela sua lealdade ao governo?). Pelo menos um, o ex-deputado Roberto Brant, do PFL, era claramente beneficiário de outro esquema, mas ficou na conta. O mensalão - "o maior esquema de corrupção da história deste país", como gosta de lembrar gente ilibada como o senador Heráclito Fortes, foi portanto um traque diante das traquinagens da era das privatarias tucanas(mas isso é outra história).
Agora querem criar outro mito - o de que a Infraero é "antro de corrupção". Assim descrito, sem meias palavras. Sem defesa. Baseadas, as revistas, em recortes maldosos de relatórios preliminares do TCU, alguns dos quais já foram examinados em plenário, já foram inclusive arquivados, considerados improcedentes pelo Tribunal - mas as revistas não nos informam. Claro, porque senão elas se desmoralizam.
Não existe mais, nesta curiosa escola de jornalismo praticada pelos semanários, este negócio de ouvir o outro lado. Isso deve ser considerado uma coisa antiga pelas revistas, ou um detalhe. O que vale é comprovar a qualquer custo a correção de suas hipóteses, de seus desejos e preconceitos.
Elas não nos informaram que o TCU se equivocou - e reconheceu o erro - quando achou caras demais as despesas nas reformas dos inúmeros aeroportos do país, tomando como referência os parâmetros de construção da Caixa Econômica Federal e do DNIT. Que fazer pistas de pouso e terminais de embarque e desembarque exige a utilização de outras referências técnicas de engenharia - muitas delas acordadas em tratados internacionais - que não poderiam ser as mesmas das estradas ou das habitações brasileiras.
Veja e Istoé pinçam aqui e ali parágrafos de processos não concluídos pelo TCU. Em alguns casos omitem que os processos citados já foram concluídos, com a Infraero sendo inocentada pelo tribunal, após os devidos esclarecimentos. As revistas omitem, por exemplo, que as obras de Congonhas e Viracopos, que haviam sido interrompidas pelo Tribunal por suspeitas de superfaturamento, já foram retomadas, com a devida autorização do Tribunal, em razão dos esclarecimentos que foram feitos pela Infraero, que demonstrou não haver qualquer irregularidade ali. Mas as revistas não se interessaram em destacar isso.
Veja e Istoé fazem coro com os que querem a privatização dos aeroportos, com os Arthur Virgílios da vida, com a mal-intencionada oposição. Querem ver o circo pegar fogo.
Devem temer o sucesso do governo, entre outros motivos, porque isso legitimará ainda mais a luta da sociedade civil pela democratização da comunicação social, que virá se Deus quiser, com uma nova lei geral para o setor, que permita singelamente punir a mentira deslavada e a difamação deliberada.
Pra quem quiser, a defesa da Infraero está publicada no sítio da empresa, neste endereço. Recomenda-se a quem tem apreço pela verdade.
Agora querem criar outro mito - o de que a Infraero é "antro de corrupção". Assim descrito, sem meias palavras. Sem defesa. Baseadas, as revistas, em recortes maldosos de relatórios preliminares do TCU, alguns dos quais já foram examinados em plenário, já foram inclusive arquivados, considerados improcedentes pelo Tribunal - mas as revistas não nos informam. Claro, porque senão elas se desmoralizam.
Não existe mais, nesta curiosa escola de jornalismo praticada pelos semanários, este negócio de ouvir o outro lado. Isso deve ser considerado uma coisa antiga pelas revistas, ou um detalhe. O que vale é comprovar a qualquer custo a correção de suas hipóteses, de seus desejos e preconceitos.
Elas não nos informaram que o TCU se equivocou - e reconheceu o erro - quando achou caras demais as despesas nas reformas dos inúmeros aeroportos do país, tomando como referência os parâmetros de construção da Caixa Econômica Federal e do DNIT. Que fazer pistas de pouso e terminais de embarque e desembarque exige a utilização de outras referências técnicas de engenharia - muitas delas acordadas em tratados internacionais - que não poderiam ser as mesmas das estradas ou das habitações brasileiras.
Veja e Istoé pinçam aqui e ali parágrafos de processos não concluídos pelo TCU. Em alguns casos omitem que os processos citados já foram concluídos, com a Infraero sendo inocentada pelo tribunal, após os devidos esclarecimentos. As revistas omitem, por exemplo, que as obras de Congonhas e Viracopos, que haviam sido interrompidas pelo Tribunal por suspeitas de superfaturamento, já foram retomadas, com a devida autorização do Tribunal, em razão dos esclarecimentos que foram feitos pela Infraero, que demonstrou não haver qualquer irregularidade ali. Mas as revistas não se interessaram em destacar isso.
Veja e Istoé fazem coro com os que querem a privatização dos aeroportos, com os Arthur Virgílios da vida, com a mal-intencionada oposição. Querem ver o circo pegar fogo.
Devem temer o sucesso do governo, entre outros motivos, porque isso legitimará ainda mais a luta da sociedade civil pela democratização da comunicação social, que virá se Deus quiser, com uma nova lei geral para o setor, que permita singelamente punir a mentira deslavada e a difamação deliberada.
Pra quem quiser, a defesa da Infraero está publicada no sítio da empresa, neste endereço. Recomenda-se a quem tem apreço pela verdade.
sábado, março 31, 2007
Mico de Arthur Vírgílio mostra até onde a oposição pode chegar
O senador tucano Arthur Virgílio não comete propriamente um "mico" quando divulga da tribuna que a Amazônia estaria em vias de ser privatizada - tomando como verdade o roteiro de uma promoção do Guaraná Antárctica divulgado pela internet. Ele apenas dá seguimento à sua constumeira desonestidade no trato das coisas que interessam ao país, em que a manipulação de fatos e a distorção da verdade são a regra, no ilimitado afã de desconstruir a imagem do governo.
O episódio desta semana, é bom que se diga, apenas desnuda o modus operandi de boa parte da oposição, que faz da mentira sua matéria prima, acobertada que é pelo enorme aparato de comunicação que reúne os grandes veículos da mídia privada. Uma mídia que, ela também, vem se aperfeiçoando a cada dia na arte da dissimulação e da desinformação, fazendo da disputa pela opinião pública um jogo feroz em que os princípios de isenção, imparcialidade e do respeito à inteligência do cidadão são sacrificados em nome da luta contra os avanços da democracia promovidos pelo governo Lula, com suas nada desprezíveis inversões de prioridade.
O "mico" não nos faz rir. Ele apenas assusta, pois mostra até onde a nossa oposição pode chegar.
O episódio desta semana, é bom que se diga, apenas desnuda o modus operandi de boa parte da oposição, que faz da mentira sua matéria prima, acobertada que é pelo enorme aparato de comunicação que reúne os grandes veículos da mídia privada. Uma mídia que, ela também, vem se aperfeiçoando a cada dia na arte da dissimulação e da desinformação, fazendo da disputa pela opinião pública um jogo feroz em que os princípios de isenção, imparcialidade e do respeito à inteligência do cidadão são sacrificados em nome da luta contra os avanços da democracia promovidos pelo governo Lula, com suas nada desprezíveis inversões de prioridade.
O "mico" não nos faz rir. Ele apenas assusta, pois mostra até onde a nossa oposição pode chegar.
sexta-feira, março 30, 2007
Lula é destaque em jornais internacionais
Em artigo assinado nesta sexta-feira no diário Washington Post, o Presidente Lula defende a parceria Brasil-Estados Unidos para produção de etanol, e diz que o dilema entre biocombustíveis e preservação ambiental é um "mito"."É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental", afirma Lula.O artigo escrito pelo Presidente Lula é publicado um dia antes da visita que Lula fará ao seu colega americano, George W. Bush, em Camp David, e um dia depois de o líder cubano Fidel Castro ter criticado a iniciativa no jornal oficial do Partido Comunista cubano, Granma...Leia mais aqui no Washington Post, ou aqui no terra
Lula se encontra com Bush em busca de 'novo paradigma'
No encontro que o Presidente Lula terá com o presidente americano George W. Bush em Camp David, neste sábado, o Brasil vai se apresentar “com um novo paradigma de cooperação em terceiros países”, de acordo com o subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty, Everton Vieira Vargas.o Brasil quer se colocar com um parceiro em pé de igualdade com os Estados Unidos, disposto a utilizar seu conhecimento tecnológico ou solidez institucional em países mais atrasados. Leia mais no BBC Brasil
Brasil virou país 'emergido' com novo PIB, diz 'Le Monde'
O Brasil passou de país "emergente" a "emergido", depois que o recálculo das riquezas nacionais levou o Produto Interno Bruto (PIB) a mais de US$ 1 trilhão, diz em sua edição desta sexta-feira o diário francês Le Monde...Continue lendo aqui no Le Monde ou aqui na BBC Brasil
Thanks to Amigos do Presidente Lula
Lula se encontra com Bush em busca de 'novo paradigma'
No encontro que o Presidente Lula terá com o presidente americano George W. Bush em Camp David, neste sábado, o Brasil vai se apresentar “com um novo paradigma de cooperação em terceiros países”, de acordo com o subsecretário de Assuntos Políticos do Itamaraty, Everton Vieira Vargas.o Brasil quer se colocar com um parceiro em pé de igualdade com os Estados Unidos, disposto a utilizar seu conhecimento tecnológico ou solidez institucional em países mais atrasados. Leia mais no BBC Brasil
Brasil virou país 'emergido' com novo PIB, diz 'Le Monde'
O Brasil passou de país "emergente" a "emergido", depois que o recálculo das riquezas nacionais levou o Produto Interno Bruto (PIB) a mais de US$ 1 trilhão, diz em sua edição desta sexta-feira o diário francês Le Monde...Continue lendo aqui no Le Monde ou aqui na BBC Brasil
Thanks to Amigos do Presidente Lula
Carta Capital: CPI do "apagão aéreo" é desculpa para privatizar Infraero
A revista Carta Capital que chega às bancas neste final de semana traz uma reportagem que mostra que, por trás da tentativa da oposição de instalar a CPI do “apagão aéreo”, está a intenção de privatizar a Infraero.
O autor da reportagem – que tem o título “Caninos Afiados” – Leandro Fortes, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 30, que sempre houve um movimento das companhias aéreas para privatizar toda a infra-estrutura aeroportuária no Brasil (aguarde o áudio).
Fortes disse que a discussão da privatização da Infraero sempre esbarrou nos números relativos aos aeroportos. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), há 67 aeroportos administrados pela Infraero.
Segundo a reportagem de Leandro Fortes, desses 67 aeroporto, somente 12 são lucrativos. Fortes disse também que os aeroportos que lucram sustentam os deficitários.
“Quando se fala em privatização eles querem privatizar somente o filé (...) Um aeroporto como Congonhas que é importantíssimo, todo mundo quer privatizar a parte de infra-estrutura aeroportuária. Mas ninguém quer privatizar o aeroporto de Tabatinga, lá no Amazonas”, disse Fortes.
Do Conversa Afiada
O autor da reportagem – que tem o título “Caninos Afiados” – Leandro Fortes, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 30, que sempre houve um movimento das companhias aéreas para privatizar toda a infra-estrutura aeroportuária no Brasil (aguarde o áudio).
Fortes disse que a discussão da privatização da Infraero sempre esbarrou nos números relativos aos aeroportos. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), há 67 aeroportos administrados pela Infraero.
Segundo a reportagem de Leandro Fortes, desses 67 aeroporto, somente 12 são lucrativos. Fortes disse também que os aeroportos que lucram sustentam os deficitários.
“Quando se fala em privatização eles querem privatizar somente o filé (...) Um aeroporto como Congonhas que é importantíssimo, todo mundo quer privatizar a parte de infra-estrutura aeroportuária. Mas ninguém quer privatizar o aeroporto de Tabatinga, lá no Amazonas”, disse Fortes.
Do Conversa Afiada
quinta-feira, março 29, 2007
31 deputados federais do PFL já foram de outro partido
Independente do mérito da decisão do TSE que estabelece, na prática, o respeito à fidelidade partidária, entendendo que o mandato dos parlamentares eleitos pertence ao partido, o ex-PFL – que agora quer recuperar os mandatos dos parlamentares eleitos pela legenda e que mudaram de sigla e se indigna com o “troca-troca” partidário - tem metade de seus atuais parlamentares oriundos de outras siglas partidárias.
De acordo com dados do portal da Câmara dos Deputados, excluindo-se as trocas de Arena para PDS e posteriormente para PFL, dos seus atuais deputados federais (58 em atividade e 5 licenciados), 31 iniciaram sua carreira política em outros partidos. O próprio presidente recentemente eleito dos Democratas, Rodrigo Maia, teve uma passagem pelo PTB, entre 1999 e 2001.
O campeão de “troca-troca” no PFL é Francisco Rodrigues, que já trocou 6 vezes, passando por 7 partidos: começou no PMDB em 86, foi para o PTB em 89, teve uma passagem rápida pelo PSD em 95 e foi no mesmo ano para o PPB atual PP. Em 97 teve uma passagem rápida pelo PFL no mesmo ano foi para o PTB. Em 99 foi para o PFL. Outros dois deputados peefelistas trocaram de partido 5 vezes, três deputados trocaram 4 vezes e 4 deputados trocaram 3 vezes.
Destes 31 atuais deputados do PFL que vieram de outros partidos, 15 o fizeram na última legislatura, sendo 11 em 2005.
Ou seja, o ex-PFL que agora posa de defensor intransigente da fidelidade partidária, sempre se beneficiou, sem reclamar, do “troca-troca” que agora condena.
Vai entender.
Do blog do Zé Dirceu
De acordo com dados do portal da Câmara dos Deputados, excluindo-se as trocas de Arena para PDS e posteriormente para PFL, dos seus atuais deputados federais (58 em atividade e 5 licenciados), 31 iniciaram sua carreira política em outros partidos. O próprio presidente recentemente eleito dos Democratas, Rodrigo Maia, teve uma passagem pelo PTB, entre 1999 e 2001.
O campeão de “troca-troca” no PFL é Francisco Rodrigues, que já trocou 6 vezes, passando por 7 partidos: começou no PMDB em 86, foi para o PTB em 89, teve uma passagem rápida pelo PSD em 95 e foi no mesmo ano para o PPB atual PP. Em 97 teve uma passagem rápida pelo PFL no mesmo ano foi para o PTB. Em 99 foi para o PFL. Outros dois deputados peefelistas trocaram de partido 5 vezes, três deputados trocaram 4 vezes e 4 deputados trocaram 3 vezes.
Destes 31 atuais deputados do PFL que vieram de outros partidos, 15 o fizeram na última legislatura, sendo 11 em 2005.
Ou seja, o ex-PFL que agora posa de defensor intransigente da fidelidade partidária, sempre se beneficiou, sem reclamar, do “troca-troca” que agora condena.
Vai entender.
Do blog do Zé Dirceu
quarta-feira, março 28, 2007
PIB DE LULA É 45% MAIOR QUE DE FHC
Quando o IBGE fez a primeira divulgação do PIB de 2006, a mídia conservadora celebrou a fraqueza do número: 2,9%.
Era o “pibinho” do Lula.
A Folha de S. Paulo chegou ao opróbrio de comparar o pibinho de Lula ao de FHC – de fato, quase uma ofensa pessoal ao presidente Lula.
Agora, o IBGE reviu os cálculos (*), inclusive do período FHC, e chegou à conclusão de que o crescimento do PIB em 2006 não foi de 2,9% mas de 3,7%.
Não é uma “fragata inglesa”, mas dá uma goleada no período de ouro do neo-liberalismo brasileiro, o chamado FHnistão.
O Pibinho do Lula é 45% maior do que o Pibão do FHnistão.
Acompanhe esses números:
Média do crescimento do PIB de 1995-1998 (1º mandato de FHC): + 2,44%
Média do crescimento do PIB de 1999-2002 (2º mandato de FHC): +2,27%
Média do crescimento do PIB de 1995-2002 (os dois mandatos de FHC): + 2,29%
Média do crescimento do PIB de 2003-2006 (quatro primeiros anos do governo Lula): + 3,34%
(CÁLCULOS: PROFESSOR ALCIDES LEITE, DA TREVISAN ESCOLA DE NEGÓCIOS)
(*) Nem a Miriam Leitão, a Controladora Geral da República, viu defeito na revisão do IBGE...
Do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim
Era o “pibinho” do Lula.
A Folha de S. Paulo chegou ao opróbrio de comparar o pibinho de Lula ao de FHC – de fato, quase uma ofensa pessoal ao presidente Lula.
Agora, o IBGE reviu os cálculos (*), inclusive do período FHC, e chegou à conclusão de que o crescimento do PIB em 2006 não foi de 2,9% mas de 3,7%.
Não é uma “fragata inglesa”, mas dá uma goleada no período de ouro do neo-liberalismo brasileiro, o chamado FHnistão.
O Pibinho do Lula é 45% maior do que o Pibão do FHnistão.
Acompanhe esses números:
Média do crescimento do PIB de 1995-1998 (1º mandato de FHC): + 2,44%
Média do crescimento do PIB de 1999-2002 (2º mandato de FHC): +2,27%
Média do crescimento do PIB de 1995-2002 (os dois mandatos de FHC): + 2,29%
Média do crescimento do PIB de 2003-2006 (quatro primeiros anos do governo Lula): + 3,34%
(CÁLCULOS: PROFESSOR ALCIDES LEITE, DA TREVISAN ESCOLA DE NEGÓCIOS)
(*) Nem a Miriam Leitão, a Controladora Geral da República, viu defeito na revisão do IBGE...
Do Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim
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Miriam Leitão,
Paulo Henrique Amorim,
PIB
O que é mesmo que dizia a Folha sobre o "pibinho"???
Quando o IBGE, há cerca de um mês, anunciava o PIB de 2006, a grande imprensa fez a festa. Pibinho pra lá, pibino pra cá, a Folha mentindo em primeira página para forçar uma similitude entre índices das eras FHC e Lula etc. e tal. Na semana que passou veio o anúncio da revisão dos índices dos anos anteriores. Causou esturpor, choro e ranger de dentes à maledicência opinativa dos jornalões. E agora? Atualiza-se o índice de 2006 também, com um razoável incremento do produto interno bruto, para além de qualquer expectativa, dentro ou fora do governo. Não há repercussão alguma. Não há análise, não se fala nada. Por isso, vamos de Paulo Henrique Amorim.
8 milhões de brasileiros deixam a baixa renda, diz pesquisa
Inflação controlada, crédito e salário maior explicam ascensão de trabalhadores
(Márcia De Chiara, para o Estadão - ó!)
SÃO PAULO - Em apenas um ano, mais de 8 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população com maior poder de consumo. Isto é o que revela a pesquisa O Observador 2007, feita pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs.
De acordo com a pesquisa, as camadas D e E reuniram 84,8 milhões de pessoas no ano passado ou 46% da população. Em 2005, o contingente dessas classes sociais era de 92,9 milhões ou mais da metade da população brasileira (51%). Foram ouvidas 1.200 famílias no fim de 2006 em 70 cidades do País. Elas foram avaliadas não só pela renda recebida, mas também pela posse de bens.
Os dados mostram ainda que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. Com isso, a classe C, que reunia 62,7 milhões habitantes em 2005, encerrou o ano passado com 66,7 milhões de brasileiros. O topo da pirâmide, isto é, as classes A e B, recebeu nesse período 6,3 milhões de pessoas.
"2006 foi um ano extremamente bom para as classes menos favorecidas", afirma o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Cetelem, Franck Vignard Rosez.
Segundo ele, uma combinação favorável de fatores contribuiu para a mobilidade social da população. Entre esses fatores, ele aponta o aumento da massa salarial, a inflação controlada e, especialmente, o crescimento do crédito. Por meio de prazos esticados e juros cadentes, o crédito fez o dinheiro render mais nas mãos do consumidor.
Virada
Prova disso é que, pela primeira vez, sobrou dinheiro no bolso do brasileiro de baixa renda no ano passado. Em 2006, as famílias das classes D e E conseguiram ter um troco de R$ 2,49 no fim do mês, depois de quitar todas as despesas, mostra a pesquisa.
O saldo parece insignificante, mas indica o começo de uma virada no poder de compra da baixa renda. Em 2005, faltavam para essas mesmas famílias R$ 16,56 para fechar as contas no fim do mês.
Também nesse período, a situação melhorou para a classe C. A renda familiar disponível, isto é, os recursos que sobram após cobrir as despesas do mês, que era de R$ 122,34 em 2005, subiu para R$ 191,41 em 2006. O ganho foi de 56%.
Em contrapartida, as classes A e B viram a renda disponível cair 18% no período, de R$ 631,79 em 2005 para R$ 518,29 em 2006. O recuo é reflexo da renda líquida familiar desse estrato social, que teve queda de 6%. Além disso, gastos que não são essenciais, como combustível, telefone, TV por assinatura, entre outros, consomem 44% da renda dos mais ricos.
O grande destaque da pesquisa é o Nordeste, que reúne 25% dos brasileiros. Foi a região do País que registrou, no ano passado, o maior crescimento da renda média familiar disponível. A alta foi 38%. Rosez destaca que, dos 12 itens de compra analisados em 2005 e no ano passado, a intenção de adquirir esses itens aumentou em 11 deles. "Tudo melhorou no Nordeste".
A intenção de ter computador em casa mais que dobrou em um ano, de 7% para 15%. O interesse de comprar a casa própria passou de 6% para 10%.
(Márcia De Chiara, para o Estadão - ó!)
SÃO PAULO - Em apenas um ano, mais de 8 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população com maior poder de consumo. Isto é o que revela a pesquisa O Observador 2007, feita pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs.
De acordo com a pesquisa, as camadas D e E reuniram 84,8 milhões de pessoas no ano passado ou 46% da população. Em 2005, o contingente dessas classes sociais era de 92,9 milhões ou mais da metade da população brasileira (51%). Foram ouvidas 1.200 famílias no fim de 2006 em 70 cidades do País. Elas foram avaliadas não só pela renda recebida, mas também pela posse de bens.
Os dados mostram ainda que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. Com isso, a classe C, que reunia 62,7 milhões habitantes em 2005, encerrou o ano passado com 66,7 milhões de brasileiros. O topo da pirâmide, isto é, as classes A e B, recebeu nesse período 6,3 milhões de pessoas.
"2006 foi um ano extremamente bom para as classes menos favorecidas", afirma o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Cetelem, Franck Vignard Rosez.
Segundo ele, uma combinação favorável de fatores contribuiu para a mobilidade social da população. Entre esses fatores, ele aponta o aumento da massa salarial, a inflação controlada e, especialmente, o crescimento do crédito. Por meio de prazos esticados e juros cadentes, o crédito fez o dinheiro render mais nas mãos do consumidor.
Virada
Prova disso é que, pela primeira vez, sobrou dinheiro no bolso do brasileiro de baixa renda no ano passado. Em 2006, as famílias das classes D e E conseguiram ter um troco de R$ 2,49 no fim do mês, depois de quitar todas as despesas, mostra a pesquisa.
O saldo parece insignificante, mas indica o começo de uma virada no poder de compra da baixa renda. Em 2005, faltavam para essas mesmas famílias R$ 16,56 para fechar as contas no fim do mês.
Também nesse período, a situação melhorou para a classe C. A renda familiar disponível, isto é, os recursos que sobram após cobrir as despesas do mês, que era de R$ 122,34 em 2005, subiu para R$ 191,41 em 2006. O ganho foi de 56%.
Em contrapartida, as classes A e B viram a renda disponível cair 18% no período, de R$ 631,79 em 2005 para R$ 518,29 em 2006. O recuo é reflexo da renda líquida familiar desse estrato social, que teve queda de 6%. Além disso, gastos que não são essenciais, como combustível, telefone, TV por assinatura, entre outros, consomem 44% da renda dos mais ricos.
O grande destaque da pesquisa é o Nordeste, que reúne 25% dos brasileiros. Foi a região do País que registrou, no ano passado, o maior crescimento da renda média familiar disponível. A alta foi 38%. Rosez destaca que, dos 12 itens de compra analisados em 2005 e no ano passado, a intenção de adquirir esses itens aumentou em 11 deles. "Tudo melhorou no Nordeste".
A intenção de ter computador em casa mais que dobrou em um ano, de 7% para 15%. O interesse de comprar a casa própria passou de 6% para 10%.
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terça-feira, março 27, 2007
Sobre os "Democratas" (sic)
Lê-se hoje na Folha o artigo do neo-presidente direitoso do neo-partido autodenominado ‘Democratas” (sic), Rodrigo Maia:
“O Democratas, com seu apelo popular (sic!), de aliança social para apoiar os que vivem na miséria (sic!), é projeto de poder. Ao contrário do oposicionismo vazio, o combate efetivo, com idéias (sic!), propostas e projetos (sic!), à mediocridade dos atuais detentores do poder (sic!!!).”
Inacreditável.
“O Democratas, com seu apelo popular (sic!), de aliança social para apoiar os que vivem na miséria (sic!), é projeto de poder. Ao contrário do oposicionismo vazio, o combate efetivo, com idéias (sic!), propostas e projetos (sic!), à mediocridade dos atuais detentores do poder (sic!!!).”
Inacreditável.
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