Vendo as inúmeras manifestações que circulam na internet sobre a crise aérea, nos perguntamos: será que tanta gente assim também se deixou enganar por essa conversa pra boi dormir que quer fazer a gente acreditar que o nosso país piorou com Lula no governo? Tudo bem que um país se engane uma vez, como foi com o Collor, mas desta vez Lula foi reeleito. Tantos não poderiam estar errados, não é mesmo?
Ao receber mais um desses contundentes textos, em forma de "desabafo" de um comandante (que estava no Oriente Médio e soube do acidente da TAM pela CNN), resolvemos responder ao remetente (ou "repetinte").
Essa revolta quase histérica é fruto da influência que exerce a opinião de meia dúzia de empresários do ramo de comunicação, que publicam as Vejas da vida e tratam a classe média como "Homer Simpson", como é o caso do Willian Bonner, do JN. Fazem mesmo a cabeça de quem lê pouco, conhece pouco a história do país e que ainda não viu
a vantagem para si da estabilização DE FATO do Real, do pagamento da dívida, da redução da miséria (7 milhões de famílias deixaram a miséria em 4 anos!), da crescente capacidade de compra e de participação política dos pobres...
Temos trocentos números, testemunhos de vida, testemunhos políticos, análises de gente daqui e de fora, das universidade, de governos outros que não o nosso - para atestar que NÃO SOMOS precisamente o que afirma um dos "desabafantes", "respaldado" pela autoridade de comandante, mas lunático ao afirmar que somos "um país sem identidade política, sem atitudes cívicas e de cidadania, sempre pensando em nós mesmos e nunca no próximo." Nada mais falso. Nada mais forçado. Isso é desconhecer o que a nossa geração e a seguinte fizeram nos últimos 20 anos...
Tampouco é lícito esses mequetrefes dizerem que o presidente nos envergonha. Nós do VOTOLULA, particularmente, (e uns 63 milhões de brasileiros recém consultados sobre o assunto) temos orgulho de ter nosso país governado por um "prático", uma pessoa honesta, que com muita habilidade política tem levado o país a crescer novamente, solucionando problemas que, sim senhores, "nunca na história deste país" foram resolvidos, por incompetência.
Lembrem-se do último sociólogo no poder, por exemplo. Lembrem a merda que deu: em nome de equacionar a dívida, vendeu - mal e porcamente vendido, esse é o problema - o patrimônio público, para, segundo ele, diminuir o estado, porque, segundo ele, o estado era grande e gastava mal... No final da história, o doutor não fez nem uma coisa nem outra: multiplicou por 10 a dívida e os setores mal privatizados avançaram sobre a pobre renda do brasileiro. Ou vocês acham as tarifas de celular e elétrica baratas?
O tal comandante já fez a investigação dele, ele certamente já leu e degravou a fita e os dados da caixa-preta e tudo mais e já conseguiu o que o Cenipa - responsável oficial pela investigação - ainda não nos forneceu, que é uma versão consistente para o triste acidente, embasada em fatos (e não em especulações alçadas à condição de verdade).
Quanto a deixar o comando do país na mão de políticos da base de sustentação do governo, é natural que, vencidas as eleições, o presidente do PT governe com gente do PT e dos partidos que apoiaram. Quanto a os chamar de assassinos, a vontade é de meter um processo nele pedindo para provar o que diz. A propósito, há uma revista dizendo que o acidente foi culpa do piloto. Como ficará a extensa argumentação desse sem-moral se isso for verdade? Vai continuar chamando o Lula de assassino?
Quanto a falar de incompetência, é e não é, TEM RAZÃO E NÃO TEM AO MESMO TEMPO. O crescimento do país é um fato. O aumento do poder de compra é outro fato. A incapacidade dos poderes públicos de acompanhar o crescimento da malha aérea é outro fato. Todos eles são de competência do governo. Mas a liberalização do mercado, que provocou a concentração em Congonhas, não. É mais antiga. O governo errou feio por não ter mexido nisso - nos interesses todos ali - antes.
Na nossa modesta opinião, partidarizar o debate sobre o acidente (notem, falamos do acidente, não da crise aérea) é - isso sim - de uma irresponsabilidade que beira à má-fé.
Quanto à corrupção, vamos dar graças a Deus (e ao governo do PT, do Lula) porque atualmente a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, com o Ministério Público independente e as CPIs de quebra, todos existem e podem funcionar com liberdade, podem investigar e mandar ver contra! Mas isso, repetimos, também é de competência deste governo - é inédito e foi sob o governo do presidente Lula (e não de outro) que se fez!
Por fim, o sujeito que escreveu tanta besteira deve estar muito mal informado sobre o que se passa no país (lembrem-se de que ele ficou sabendo do acidente pela CNN...), para estar tão desesperançoso. Esqueceu-se de que fazia 20 anos que não havia crescimento, não havia ambiente de investimentos nem confiabilidade externa, não havia planejamento estratégico, não havia responsabilidade cambial e que não havia ganho salarial para 86% das categorias, não havia reajuste para funcionalismo público, não havia crédito, não havia juros tão baixos, não havia lei de pequena e micro empresa, não havia investimento em infra-estrutura, não havia tratamento de dente para pobre de graça pelo SUS, não havia SAMU...
Então, pra terminar: o Lula fez uma declaração à imprensa 4 horas depois do acidente, por meio do porta-voz. Um pronunciamento à nação, medidas drásticas, mudança do ministro etc. Em 22 de junho, os amotinados do controle aéreo tinham sido afastados. Que mais precisa fazer? Quem souber, mande para nós, vamos publicar e espalhar. E ainda vamos dizer que "tava demorando".
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terça-feira, agosto 07, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
o que falta para a mídia brasileira é sexo!
Recebi por e-mail um texto interessante, que mostra o ponto de vista de um renomado psiquiatra suíço em relação às últimas do noticiário brasileiro. Sob o formato de matéria jornalística, o texto se apresenta como resultado de uma entrevista com o tal doutor Heinz Von Achlochstrecher. O doutor é fictício e o "nobel de psiquiatria" que ele teria recebido sequer existe, mas o conteúdo do seu discurso é ótimo e a sua argumentação é coerente e faz pensar. Publico, então, a seguir – ciente de que o Dr. Achlochstrecher é um personagem, mas apostando que não faltarão psiquiatras "de verdade" para concordar com suas afirmações:
"Midia brasileira é obsessiva", afirma psiquiatra alemão pai do "Geburtschaf"
(Fernando Carvalho, da EFF, Madrid)
"Toda a obsessão é um mal da mente. Nesta nova viagem que faço ao Brasil encontro os jornais brasileiros ou melhor, seus chefes de redação, acometidos de uma moléstia mental coletiva que beira a obsessão".
"Tudo, absolutamente tudo, para eles é culpa do presidente do país."
Rindo bastante hoje pela manhã, entre uma caipirinha e outra, foi assim que Heinz Von Achlochstrecher, 79, famoso psiquiatra suíço, radicado na cidade de Ulm na Alemanha, comentou as noticias que leu nos jornais de hoje, no hall do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde está hospedado em visita de férias ao Brasil.
"Essa história do assessor do Lula que foi filmado fazendo gestos obscenos, por entre as cortinas de seu próprio escritório, é um caso raro."
Para o psiquiatra, autor de vários best-sellers como "Eu quero que o mundo seja assim" e "Nicolau, agora pára com isso e larga do meu pé", ter a imprensa ligado a cena dos gestos obscenos ao anuncio de que um avião tinha apresentado problemas mecânicos, sem haver um áudio comprovando isso, é absolutamente doentio.
"A obsessão por culpar o presidente por tudo expõe esses jornalistas ao ridículo".
"Depois de passar três dias inteiros de manhã à noite culpando o governo pela falta de umas ranhuras que só 5 pistas de aeroporto possuem em todo o país, a mídia, em vez de fazer auto-critica quando o vice-presidente técnico da TAM revelou que o avião estava com o reverso desligado no momento do pouso, sai como louca em busca de uma nova imagem sensacionalista para desviar a atenção do público para a mentira que repetiu setenta e duas horas seguidas, sem descanso, sobre as tais "ranhuras indispensáveis", afirmou o Prêmio Nobel de Psiquiatria de 1988.
"Podia ser o Lula tirando meleca. Podia ser Dona Marise, limpando o sapato depois de pisar em cocô de um dos cachorrinhos do presidente. Podia ser qualquer coisa, contanto que desviasse a atenção. Quis o destino que fosse o tal assessor, fazendo 'top-top' atrás da cortina do seu escritório...
Então, desce o pano rápido e vamos de assessor! Escondam imagem do avião correndo a velocidade três vezes a normal na pista. Escondam essa história de reverso quebrado e desligado. Mostrem o Marco Aurélio fazendo top-top, rápido!
Sinceramente, eu gostaria de perguntar aos 'barões da mídia' e seus cúmplices: quem vocês acham que ainda acredita em vocês? Vocês não têm medo de perder completamente o que lhes restou de credibilidade?
Esse caso parece a versão do capitalismo que nos irradiava dia e noite a televisão da ex-RDA (Alemanha Oriental). Tudo para eles era culpa do capitalismo!"
Disse Von Achlochstrecher que no Brasil a censura é muito mais forte do que sob o comunismo soviético, pois aqui as chefias de redação usam métodos empresariais para exercer a censura, que são muito mais eficientes do que os velhos censores estatizados e burocráticos.
Mandar cinegrafistas ficar nas janelas do Palácio do Planalto filmando as janelas dos escritórios para pegar alguém coçando prurido anal, o buraco do nariz ou da orelha é uma atitude que denota absoluta falta de controle emocional e uma obsessão que pode ser contagiosa.
Comendo uma casquinha de siri, abraçado com uma jovem afro-descendente e vestido com a camisa do Flamengo, o velho psiquiatra termina a entrevista desafiante: "Em vez de obsessão por Lula, esses jornalistas deveriam transformar toda essa energia em obsessão saudável pelo sexo oposto, como essa que me faz correr 45 minutos todos os dias e ainda dar conta da Licimara, que vive comigo em Berlin há quase cinco anos... todos os dias!"
"Midia brasileira é obsessiva", afirma psiquiatra alemão pai do "Geburtschaf"
(Fernando Carvalho, da EFF, Madrid)
"Toda a obsessão é um mal da mente. Nesta nova viagem que faço ao Brasil encontro os jornais brasileiros ou melhor, seus chefes de redação, acometidos de uma moléstia mental coletiva que beira a obsessão".
"Tudo, absolutamente tudo, para eles é culpa do presidente do país."
Rindo bastante hoje pela manhã, entre uma caipirinha e outra, foi assim que Heinz Von Achlochstrecher, 79, famoso psiquiatra suíço, radicado na cidade de Ulm na Alemanha, comentou as noticias que leu nos jornais de hoje, no hall do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde está hospedado em visita de férias ao Brasil.
"Essa história do assessor do Lula que foi filmado fazendo gestos obscenos, por entre as cortinas de seu próprio escritório, é um caso raro."
Para o psiquiatra, autor de vários best-sellers como "Eu quero que o mundo seja assim" e "Nicolau, agora pára com isso e larga do meu pé", ter a imprensa ligado a cena dos gestos obscenos ao anuncio de que um avião tinha apresentado problemas mecânicos, sem haver um áudio comprovando isso, é absolutamente doentio.
"A obsessão por culpar o presidente por tudo expõe esses jornalistas ao ridículo".
"Depois de passar três dias inteiros de manhã à noite culpando o governo pela falta de umas ranhuras que só 5 pistas de aeroporto possuem em todo o país, a mídia, em vez de fazer auto-critica quando o vice-presidente técnico da TAM revelou que o avião estava com o reverso desligado no momento do pouso, sai como louca em busca de uma nova imagem sensacionalista para desviar a atenção do público para a mentira que repetiu setenta e duas horas seguidas, sem descanso, sobre as tais "ranhuras indispensáveis", afirmou o Prêmio Nobel de Psiquiatria de 1988.
"Podia ser o Lula tirando meleca. Podia ser Dona Marise, limpando o sapato depois de pisar em cocô de um dos cachorrinhos do presidente. Podia ser qualquer coisa, contanto que desviasse a atenção. Quis o destino que fosse o tal assessor, fazendo 'top-top' atrás da cortina do seu escritório...
Então, desce o pano rápido e vamos de assessor! Escondam imagem do avião correndo a velocidade três vezes a normal na pista. Escondam essa história de reverso quebrado e desligado. Mostrem o Marco Aurélio fazendo top-top, rápido!
Sinceramente, eu gostaria de perguntar aos 'barões da mídia' e seus cúmplices: quem vocês acham que ainda acredita em vocês? Vocês não têm medo de perder completamente o que lhes restou de credibilidade?
Esse caso parece a versão do capitalismo que nos irradiava dia e noite a televisão da ex-RDA (Alemanha Oriental). Tudo para eles era culpa do capitalismo!"
Disse Von Achlochstrecher que no Brasil a censura é muito mais forte do que sob o comunismo soviético, pois aqui as chefias de redação usam métodos empresariais para exercer a censura, que são muito mais eficientes do que os velhos censores estatizados e burocráticos.
Mandar cinegrafistas ficar nas janelas do Palácio do Planalto filmando as janelas dos escritórios para pegar alguém coçando prurido anal, o buraco do nariz ou da orelha é uma atitude que denota absoluta falta de controle emocional e uma obsessão que pode ser contagiosa.
Comendo uma casquinha de siri, abraçado com uma jovem afro-descendente e vestido com a camisa do Flamengo, o velho psiquiatra termina a entrevista desafiante: "Em vez de obsessão por Lula, esses jornalistas deveriam transformar toda essa energia em obsessão saudável pelo sexo oposto, como essa que me faz correr 45 minutos todos os dias e ainda dar conta da Licimara, que vive comigo em Berlin há quase cinco anos... todos os dias!"
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quarta-feira, julho 18, 2007
Cara e Coroa
Depois de 13 anos em Nova York, fiquei três trabalhando no Rio de Janeiro e voltei a Nova York para mais três anos de atuação como correspondente.
Só mais recentemente estive envolvido de perto com a cobertura da política brasileira.
Na minha opinião, tem sido um espetáculo da aplicação de dois pesos e duas medidas:
CARA: O candidato a governador de Pernambuco, Humberto Costa, do PT, foi denunciado pelo Ministério Público na semana do primeiro turno das eleições de 2006, notícia amplamente divulgada. Ficou em terceiro lugar.
COROA: O mesmo indiciamento incluiu Platão Fischer Puhler, homem de confiança do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. O relatório da Polícia Federal que serviu de base à denúncia concluiu que uma quadrilha atuava na comercialização de hemoderivados no Ministério da Saúde desde que Serra era ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Era a Máfia dos Vampiros. A notícia sobre Platão praticamente sumiu do mapa. Serra foi eleito com ampla margem de votos.
CARA: Freud Godoy, apresentado ao público como o churrasqueiro do presidente Lula, foi à Polícia Federal diante de um batalhão de repórteres - eu estava entre eles - como suspeito de ter participado da operação de compra de um dossiê que demonstraria o envolvimento do candidato ao governo de São Paulo, José Serra, com a máfia das ambulâncias. Faltavam alguns dias para o primeiro turno das eleições presidenciais. Nada ficou provado contra Freud.
COROA: Abel Pereira, acusado de atuar como intermediário do PSDB nos negócios envolvendo o ministério da Saúde de José Serra com a máfia das ambulâncias, não foi chamado a depor com o mesmo alarde e em período pré-eleitoral. Investigada durante o governo Lula, a máfia das ambulâncias começou a atuar "no governo anterior", o do PSDB.
CARA: O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, vaza fotos na antevéspera do primeiro turno da eleição que são divulgadas com grande destaque pela mídia.
COROA: Os indícios de que o delegado pode ter feito a "arquitetura" do dinheiro com objetivos cenográficos não merecem uma linha em jornal, rádio ou televisão.
CARA: A operação da Polícia Federal que teve maior repercussão no governo de Fernando Henrique Cardoso foi aquela que levou à descoberta de dinheiro num escritório ligado a Roseana Sarney, então possível candidata do PFL à presidência da República. A operação eliminou a candidatura de Roseana e deixou o campo livre para a candidatura de José Serra, do PSDB.
COROA: Operações da Polícia Federal durante o governo Lula investigaram o contrabando na Daslu, a fraude fiscal na Schincariol, resultaram na prisão de autoridades do próprio governo, de delegados da Polícia Federal e da polícia civil, na acusação a deputados e senadores e levaram ao afastamento de um ministro de Estado.
CARA: O valerioduto resultou na cassação de José Dirceu, do PT, depois de uma cobertura que consumiu toneladas de papel e um gigantesco arquivo de reportagens de rádio e televisão. Participei marginalmente da cobertura, denunciando um esquema de caixa 2 do PT em Goiás. Mas, quando o assunto chegou à CPI dos Correios, morreu depois que o principal acusado revelou que havia feito doações para quase todos os partidos. As doações não aparecem nas declarações dos partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.
COROA: O ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que participou do parto do valerioduto, não só escapou de qualquer tipo de punição como não foi investigado pela mídia com o mesmo ímpeto dedicado a José Dirceu. Azeredo continua exercendo um papel de destaque na bancada do partido no Congresso.
CARA: Quatro CPIs foram criadas especificamente para investigar ações do governo, com ampla cobertura da mídia, transmissão ao vivo pela TV e cobranças diárias de colunistas e comentaristas políticos.
COROA: Nenhuma CPI para investigar denúncias específicas contra governos do PSDB em São Paulo foi criada desde Geraldo Alckmin, do PSDB, embora haja denúncias consistentes sobre a distribuição de verbas publicitárias da Nossa Caixa para a mídia "amiga" e um rombo considerável na CDHU. Nem os comentaristas, nem os articulistas
regionais se empenham em cobrar as CPIs com o mesmo vigor. A energia e os recursos dedicados pela mídia a esses assuntos é, por comparação, mínimo - e praticamente inexistiu no período pré-eleitoral, quando a investigação poderia prejudicar tanto Geraldo Alckmin quanto José Serra.
CARA: Renan Calheiros foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Os negócios dele com o gado passaram batidos. Presidente do Congresso e articulador da coalizão governista, Renan é acusado de ter tido as despesas com a manutenção da amante jornalista e de uma filha fora do casamento por um lobista de uma empreiteira. Curiosamente, em 1989 o então candidato Lula teve seu caso com a enfermeira Miriam Cordeiro revelado às vésperas da eleição. Uma entrevista com Miriam, gravada pela equipe de campanha do candidato Fernando Collor, foi ao ar também no Jornal Nacional, acusando Lulanão só de ter sugerido o aborto da filha Lurian mas também de ter feito manifestações racistas quando via atores negros na televisão.
COROA: Embora a mídia saiba do filho do ex-presidente FHC com uma jornalista da Globo, o fato não só nunca foi divulgado pela grande mídia brasileira como nunca se perguntou ao político como foram sustentados a mãe e o filho no Exterior. O filho de FHC e as circunstâncias em que ele e a jornalista foram "escondidos" são a maior não-notícia da História recente da mídia brasileira.
CARA: Quando cobri o apagão elétrico, que afetou a todos os brasileiros, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a ênfase era numa campanha cívica para convencer a população de que cabia a cada um colaborar.
COROA: O apagão aéreo é caos. Falta de planejamento. Culpa do governo. Pouquíssimas menções são feitas ao sistema de hubs implantado pelo duopólio TAM/Gol - que concentra muitos vôos em poucos aeroportos - e ao espetacular crescimento na venda de passagens aéreas.
Qual é a minha conclusão?
O governo pode ser ruim, mas é melhor do que a mídia mostra. Apesar da decepção causada aos eleitores do próprio PT e de ter adotado uma política econômica conservadora, Lula ameaça a hegemonia daqueles que se deram bem com a privataria, é vítima de ódio de classe e desprezado pela elite branca dos Jardins paulistanos e da faixa de terra que vai de Copacabana ao Leblon, no Rio de Janeiro.
Os ressentidos querem mais estado - para bancar os Jogos Panamericanos, levantar empresas falidas e financiar com juros baixos a conversão para o sistema de TV digital - e menos estado - para reduzir a carga tributária, cortar as "migalhas" do Bolsa Família e colocar no ar todo o lixo que quiserem, quando quiserem, desde que dê audiência.
Os muitos defeitos do governo Lula são amplificados e as conquistas são diminuídas com a estratégia de dizer que "poderia ser melhor", "na Índia é melhor", "na China é diferente", "vejam só como é na Rússia" e assim por diante.
Mas essas mesmas comparações não valem quando revelam que "na Suécia não só tem classificação indicativa, como há limite para anúncios durante a programação infantil".
Quando o governo brasileiro tenta regulamentar o assunto, é "censura prévia". Quando autoridades britânicas multam pesadamente emissoras públicas e privadas de tevê por desvios de conduta, a notícia nem sai no Brasil.
Não há conspiração da mídia contra o governo. Não é preciso. É só deixar rolar os interesses de classe.
Publicado por Luiz Carlos Azenha, em 15 de julho de 2007, no seu site Vi o Mundo.
Só mais recentemente estive envolvido de perto com a cobertura da política brasileira.
Na minha opinião, tem sido um espetáculo da aplicação de dois pesos e duas medidas:
CARA: O candidato a governador de Pernambuco, Humberto Costa, do PT, foi denunciado pelo Ministério Público na semana do primeiro turno das eleições de 2006, notícia amplamente divulgada. Ficou em terceiro lugar.
COROA: O mesmo indiciamento incluiu Platão Fischer Puhler, homem de confiança do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. O relatório da Polícia Federal que serviu de base à denúncia concluiu que uma quadrilha atuava na comercialização de hemoderivados no Ministério da Saúde desde que Serra era ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Era a Máfia dos Vampiros. A notícia sobre Platão praticamente sumiu do mapa. Serra foi eleito com ampla margem de votos.
CARA: Freud Godoy, apresentado ao público como o churrasqueiro do presidente Lula, foi à Polícia Federal diante de um batalhão de repórteres - eu estava entre eles - como suspeito de ter participado da operação de compra de um dossiê que demonstraria o envolvimento do candidato ao governo de São Paulo, José Serra, com a máfia das ambulâncias. Faltavam alguns dias para o primeiro turno das eleições presidenciais. Nada ficou provado contra Freud.
COROA: Abel Pereira, acusado de atuar como intermediário do PSDB nos negócios envolvendo o ministério da Saúde de José Serra com a máfia das ambulâncias, não foi chamado a depor com o mesmo alarde e em período pré-eleitoral. Investigada durante o governo Lula, a máfia das ambulâncias começou a atuar "no governo anterior", o do PSDB.
CARA: O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, vaza fotos na antevéspera do primeiro turno da eleição que são divulgadas com grande destaque pela mídia.
COROA: Os indícios de que o delegado pode ter feito a "arquitetura" do dinheiro com objetivos cenográficos não merecem uma linha em jornal, rádio ou televisão.
CARA: A operação da Polícia Federal que teve maior repercussão no governo de Fernando Henrique Cardoso foi aquela que levou à descoberta de dinheiro num escritório ligado a Roseana Sarney, então possível candidata do PFL à presidência da República. A operação eliminou a candidatura de Roseana e deixou o campo livre para a candidatura de José Serra, do PSDB.
COROA: Operações da Polícia Federal durante o governo Lula investigaram o contrabando na Daslu, a fraude fiscal na Schincariol, resultaram na prisão de autoridades do próprio governo, de delegados da Polícia Federal e da polícia civil, na acusação a deputados e senadores e levaram ao afastamento de um ministro de Estado.
CARA: O valerioduto resultou na cassação de José Dirceu, do PT, depois de uma cobertura que consumiu toneladas de papel e um gigantesco arquivo de reportagens de rádio e televisão. Participei marginalmente da cobertura, denunciando um esquema de caixa 2 do PT em Goiás. Mas, quando o assunto chegou à CPI dos Correios, morreu depois que o principal acusado revelou que havia feito doações para quase todos os partidos. As doações não aparecem nas declarações dos partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.
COROA: O ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que participou do parto do valerioduto, não só escapou de qualquer tipo de punição como não foi investigado pela mídia com o mesmo ímpeto dedicado a José Dirceu. Azeredo continua exercendo um papel de destaque na bancada do partido no Congresso.
CARA: Quatro CPIs foram criadas especificamente para investigar ações do governo, com ampla cobertura da mídia, transmissão ao vivo pela TV e cobranças diárias de colunistas e comentaristas políticos.
COROA: Nenhuma CPI para investigar denúncias específicas contra governos do PSDB em São Paulo foi criada desde Geraldo Alckmin, do PSDB, embora haja denúncias consistentes sobre a distribuição de verbas publicitárias da Nossa Caixa para a mídia "amiga" e um rombo considerável na CDHU. Nem os comentaristas, nem os articulistas
regionais se empenham em cobrar as CPIs com o mesmo vigor. A energia e os recursos dedicados pela mídia a esses assuntos é, por comparação, mínimo - e praticamente inexistiu no período pré-eleitoral, quando a investigação poderia prejudicar tanto Geraldo Alckmin quanto José Serra.
CARA: Renan Calheiros foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Os negócios dele com o gado passaram batidos. Presidente do Congresso e articulador da coalizão governista, Renan é acusado de ter tido as despesas com a manutenção da amante jornalista e de uma filha fora do casamento por um lobista de uma empreiteira. Curiosamente, em 1989 o então candidato Lula teve seu caso com a enfermeira Miriam Cordeiro revelado às vésperas da eleição. Uma entrevista com Miriam, gravada pela equipe de campanha do candidato Fernando Collor, foi ao ar também no Jornal Nacional, acusando Lulanão só de ter sugerido o aborto da filha Lurian mas também de ter feito manifestações racistas quando via atores negros na televisão.
COROA: Embora a mídia saiba do filho do ex-presidente FHC com uma jornalista da Globo, o fato não só nunca foi divulgado pela grande mídia brasileira como nunca se perguntou ao político como foram sustentados a mãe e o filho no Exterior. O filho de FHC e as circunstâncias em que ele e a jornalista foram "escondidos" são a maior não-notícia da História recente da mídia brasileira.
CARA: Quando cobri o apagão elétrico, que afetou a todos os brasileiros, no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a ênfase era numa campanha cívica para convencer a população de que cabia a cada um colaborar.
COROA: O apagão aéreo é caos. Falta de planejamento. Culpa do governo. Pouquíssimas menções são feitas ao sistema de hubs implantado pelo duopólio TAM/Gol - que concentra muitos vôos em poucos aeroportos - e ao espetacular crescimento na venda de passagens aéreas.
Qual é a minha conclusão?
O governo pode ser ruim, mas é melhor do que a mídia mostra. Apesar da decepção causada aos eleitores do próprio PT e de ter adotado uma política econômica conservadora, Lula ameaça a hegemonia daqueles que se deram bem com a privataria, é vítima de ódio de classe e desprezado pela elite branca dos Jardins paulistanos e da faixa de terra que vai de Copacabana ao Leblon, no Rio de Janeiro.
Os ressentidos querem mais estado - para bancar os Jogos Panamericanos, levantar empresas falidas e financiar com juros baixos a conversão para o sistema de TV digital - e menos estado - para reduzir a carga tributária, cortar as "migalhas" do Bolsa Família e colocar no ar todo o lixo que quiserem, quando quiserem, desde que dê audiência.
Os muitos defeitos do governo Lula são amplificados e as conquistas são diminuídas com a estratégia de dizer que "poderia ser melhor", "na Índia é melhor", "na China é diferente", "vejam só como é na Rússia" e assim por diante.
Mas essas mesmas comparações não valem quando revelam que "na Suécia não só tem classificação indicativa, como há limite para anúncios durante a programação infantil".
Quando o governo brasileiro tenta regulamentar o assunto, é "censura prévia". Quando autoridades britânicas multam pesadamente emissoras públicas e privadas de tevê por desvios de conduta, a notícia nem sai no Brasil.
Não há conspiração da mídia contra o governo. Não é preciso. É só deixar rolar os interesses de classe.
Publicado por Luiz Carlos Azenha, em 15 de julho de 2007, no seu site Vi o Mundo.
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domingo, abril 08, 2007
O jeito bem brasileiro de fazer jornalismo sem fato
De volta ao combate depois de imerecido descanso, compartilho minhas impressões sobre a campanha da mídia para nos convencer de que o Brasil está mal, ruim, pior, em crise e no limite.
O tom dos jornalões é este: na ausência dos acontecimentos que sustentem suas devoções, dá-lhe fantasia. O desejo se transforma em matéria-prima de um jornalismo que prescinde de fatos.
O JB de 8 de abril afirma em sua primeira página que a classe média, "na história deste país", nunca esteve tão "martirizada". Assim, na maior, contrariando os dados da PNUD, do IBGE e o bom senso. É o modo que encontrou de criticar a política de aumento da oferta de crédito - um dos mecanismos exitosos que o governo encontrou para "destravar" a economia.
A Folha, por sua vez, nos oferece um prato requentado e sem sabor (ou novidade) acerca da fantasiosa "caixa-preta" da Infraero. Requentado porque desconhece e não informa o leitor que denúncias feitas pelo TCU têm sido derrubadas por utilizarem-se de pressupostos técnicos incompatíveis com a natureza do negócio da Infraero. Numa das denúncias "graves", o TCU questionava custos de asfalto e concreto adotando parâmetros da Caixa Econômica Federal e do DNIT para habitações e estradas - um mico técnico monumental do TCU. Mas, a quem interessaria expor a inépcia do TCU?
O Globo, como bem indicou Paulo Henrique Amorim, está mirando agora no compadre de Lula, Roberto Teixeira, advogado ligado a empresas aéreas. As perguntas feitas a Teixeira na entrevista são um primor de parti pris, de preconceito, arrogância e presunção de culpa. Uma vergonha.
O Estadão, esquizofrênico, critica o governo por aquilo que ele, Estadão, acredita: pelo governo estar abrindo espaço e criando as condições para que a iniciativa privada invista nos portos. A coisa funciona assim: se o Estado brasileiro faz, não devia, porque não é sua atribuição fazer. Se não faz, é porque é inepto, pois devia investir em infra-estrutura para equacionar os gargalos que impedem o crescimento econômico. É aquela velha história: se correr o bicho pega...
Noutra matéria, o Estadão desanca o governo porque o governo está se metendo numa aventura temerosa e arriscada que é buscar o aumento de suas exportações para os EUA... Só falta chamar a Míriam Leitão para provar que a produção de álcool para o mercado norte-americano vai trazer a devastação da Amazônia e o encarecimento dos alimentos no mercado interno. Que idéia mais absurda esta de vender álcool para o mercado americano! Muito grave, né mesmo?
Como diz um deputado da oposição: "se esse PAC der certo nós estamos ferrados".
O tom dos jornalões é este: na ausência dos acontecimentos que sustentem suas devoções, dá-lhe fantasia. O desejo se transforma em matéria-prima de um jornalismo que prescinde de fatos.
O JB de 8 de abril afirma em sua primeira página que a classe média, "na história deste país", nunca esteve tão "martirizada". Assim, na maior, contrariando os dados da PNUD, do IBGE e o bom senso. É o modo que encontrou de criticar a política de aumento da oferta de crédito - um dos mecanismos exitosos que o governo encontrou para "destravar" a economia.
A Folha, por sua vez, nos oferece um prato requentado e sem sabor (ou novidade) acerca da fantasiosa "caixa-preta" da Infraero. Requentado porque desconhece e não informa o leitor que denúncias feitas pelo TCU têm sido derrubadas por utilizarem-se de pressupostos técnicos incompatíveis com a natureza do negócio da Infraero. Numa das denúncias "graves", o TCU questionava custos de asfalto e concreto adotando parâmetros da Caixa Econômica Federal e do DNIT para habitações e estradas - um mico técnico monumental do TCU. Mas, a quem interessaria expor a inépcia do TCU?
O Globo, como bem indicou Paulo Henrique Amorim, está mirando agora no compadre de Lula, Roberto Teixeira, advogado ligado a empresas aéreas. As perguntas feitas a Teixeira na entrevista são um primor de parti pris, de preconceito, arrogância e presunção de culpa. Uma vergonha.
O Estadão, esquizofrênico, critica o governo por aquilo que ele, Estadão, acredita: pelo governo estar abrindo espaço e criando as condições para que a iniciativa privada invista nos portos. A coisa funciona assim: se o Estado brasileiro faz, não devia, porque não é sua atribuição fazer. Se não faz, é porque é inepto, pois devia investir em infra-estrutura para equacionar os gargalos que impedem o crescimento econômico. É aquela velha história: se correr o bicho pega...
Noutra matéria, o Estadão desanca o governo porque o governo está se metendo numa aventura temerosa e arriscada que é buscar o aumento de suas exportações para os EUA... Só falta chamar a Míriam Leitão para provar que a produção de álcool para o mercado norte-americano vai trazer a devastação da Amazônia e o encarecimento dos alimentos no mercado interno. Que idéia mais absurda esta de vender álcool para o mercado americano! Muito grave, né mesmo?
Como diz um deputado da oposição: "se esse PAC der certo nós estamos ferrados".
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quarta-feira, abril 04, 2007
CPI, chantagem e golpe
O que escrevo aqui não é novidade para quem me acompanha. Escrevi por ocasião da tentativa de criação da CPI da Corrupção no final do governo FHC, mantendo desgastante polêmica com meu colega da época, Jânio de Freitas.
CPI não é ferramenta de investigação. Desde a redemocratização tem sido utilizada como instrumento de golpe político ou de achaque (vide CPI dos Combustíveis, CPI da Serasa e CPI do Banestado).
Sua estrutura não favorece as investigações. Parlamentares não têm método. Não se guarda sigilo, necessário para investigações prolongadas. E a composição das CPIs não permite nenhuma racionalização. O que tem ocorrido invariavelmente é um deputado levantar qualquer documento, mesmo que irrelevante, passar para jornalistas que transformam em escândalo, mesmo que não seja. Ou então, identificar documentos relevantes e não levar adiante, ou por incapacidade, ou por bloqueio dos demais parlamentares ou para utilizar como peça de chantagem.
O que menos o país precisaria agora seria uma CPI da Crise Aérea.
Por Luis Nassif
CPI não é ferramenta de investigação. Desde a redemocratização tem sido utilizada como instrumento de golpe político ou de achaque (vide CPI dos Combustíveis, CPI da Serasa e CPI do Banestado).
Sua estrutura não favorece as investigações. Parlamentares não têm método. Não se guarda sigilo, necessário para investigações prolongadas. E a composição das CPIs não permite nenhuma racionalização. O que tem ocorrido invariavelmente é um deputado levantar qualquer documento, mesmo que irrelevante, passar para jornalistas que transformam em escândalo, mesmo que não seja. Ou então, identificar documentos relevantes e não levar adiante, ou por incapacidade, ou por bloqueio dos demais parlamentares ou para utilizar como peça de chantagem.
O que menos o país precisaria agora seria uma CPI da Crise Aérea.
Por Luis Nassif
terça-feira, abril 03, 2007
SUBVERSÃO É A DO JUDICIÁRIO
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello declarou que os controladores de vôo cometeram “um crime militar”. Foi, segundo o Ministro, “um motim”, tipificado no Código Penal Militar.
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
segunda-feira, abril 02, 2007
Crise aérea: a receita para não ler a mídia conservadora
A melhor maneira de evitar a mídia conservadora (e golpista) do Brasil é ler outra coisa. Veja só:
Manchete do Globo (e sua renovada fúria contra o Governo, especialmente depois que Franklin Martins se tornou ministro): “Crise pós motim deixa controle aéreo sem chefia”.
Ué, mas não está decidido que a Aeronáutica não manda mais, depois da desmilitarização?
E que os controladores é que mandam?
Manchete da Folha: “FAB abandona controle do tráfego aéreo”.
Trata-se, como se vê, de incitar a crise militar e – como na queda de Jango – acelerar a queda de Lula.
Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira.
Recomendo nessa manhã de segunda feira, às vésperas da queda do Presidente Lula, dois textos em língua espanhola:
O primeiro, no jornal argentino Clarín:
REALISMO
Paula Lugones
plugones@clarin.com
Lula enfureció a las Fuerzas Armadas al embestir contra varios pilares de la vida militar. Rompió el tabú de la "disciplina y jerarquía" y prefirió negociar con los controladores en lugar de llevarlos a la cárcel, como dicta el reglamento de los uniformados. En un puro ejercicio de realismo político, el presidente comprendió que el diálogo era la única salida: la Aeronáutica no tenía hombres entrenados para reemplazar a los controladores, si iban presos. Así, si acataba el manual militar, el caos iba a ser aún mayor. La crisis en los aeropuertos ya alcanzaba una dimensión incontrolable, con impacto en el turismo, en los negocios y en el humor de los brasileños. Mal que les pese a las Fuerzas Armadas, que manejaron con ineficiencia el sector, las opciones eran pocas.
O segundo, no jornal espanhol El País, de título “Lula ganha uma batalha no caos aéreo”:
Clique aqui para ler.
O Clarín e o El País não podem ser considerados jornal esquerdista, trabalhista ou coisa parecida.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Manchete do Globo (e sua renovada fúria contra o Governo, especialmente depois que Franklin Martins se tornou ministro): “Crise pós motim deixa controle aéreo sem chefia”.
Ué, mas não está decidido que a Aeronáutica não manda mais, depois da desmilitarização?
E que os controladores é que mandam?
Manchete da Folha: “FAB abandona controle do tráfego aéreo”.
Trata-se, como se vê, de incitar a crise militar e – como na queda de Jango – acelerar a queda de Lula.
Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira.
Recomendo nessa manhã de segunda feira, às vésperas da queda do Presidente Lula, dois textos em língua espanhola:
O primeiro, no jornal argentino Clarín:
REALISMO
Paula Lugones
plugones@clarin.com
Lula enfureció a las Fuerzas Armadas al embestir contra varios pilares de la vida militar. Rompió el tabú de la "disciplina y jerarquía" y prefirió negociar con los controladores en lugar de llevarlos a la cárcel, como dicta el reglamento de los uniformados. En un puro ejercicio de realismo político, el presidente comprendió que el diálogo era la única salida: la Aeronáutica no tenía hombres entrenados para reemplazar a los controladores, si iban presos. Así, si acataba el manual militar, el caos iba a ser aún mayor. La crisis en los aeropuertos ya alcanzaba una dimensión incontrolable, con impacto en el turismo, en los negocios y en el humor de los brasileños. Mal que les pese a las Fuerzas Armadas, que manejaron con ineficiencia el sector, las opciones eran pocas.
O segundo, no jornal espanhol El País, de título “Lula ganha uma batalha no caos aéreo”:
Clique aqui para ler.
O Clarín e o El País não podem ser considerados jornal esquerdista, trabalhista ou coisa parecida.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
terça-feira, março 20, 2007
"Caixa-preta da Infraero" é o c@r@l#o!
Vai-se consolidando mais uma orquestração da mídia e da oposição para desmoralizar o governo. E vem com o chavão dos chavões, a expressão "caixa-preta", sugerindo-se uma gestão pouco transparente da Infraero, promotora de roubalheira.
O termo é impróprio. A empresa se encontra hoje sob o constante monitoramento do TCU, que examina um por um os processos de compras relacionadas com as reformas importantes que foram feitas nos aeroportos brasileiros a partir de 2003. Há certamente problemas, que não são de hoje, mas que não chegam perto da fantasiosa versão da oposição (que não apresenta prova de nada!), interessada em alimentar na opinião pública a idéia de que ali tem corrupção, e que a corrupção tem tudo a ver com os atrasos e o caos nos aeroportos... Como bem lembrou o blog do Zé Dirceu, repetindo a mentira até que ela se torne verdade.
Não há dúvida, o único objetivo da oposição é confundir e se possível parar o país, a Câmara e os aeroportos, desestabilizando o governo, impedindo ou retardando a aprovação do PAC, fazendo o jogo do quanto pior, melhor, sacaneando a nação.
O termo é impróprio. A empresa se encontra hoje sob o constante monitoramento do TCU, que examina um por um os processos de compras relacionadas com as reformas importantes que foram feitas nos aeroportos brasileiros a partir de 2003. Há certamente problemas, que não são de hoje, mas que não chegam perto da fantasiosa versão da oposição (que não apresenta prova de nada!), interessada em alimentar na opinião pública a idéia de que ali tem corrupção, e que a corrupção tem tudo a ver com os atrasos e o caos nos aeroportos... Como bem lembrou o blog do Zé Dirceu, repetindo a mentira até que ela se torne verdade.
Não há dúvida, o único objetivo da oposição é confundir e se possível parar o país, a Câmara e os aeroportos, desestabilizando o governo, impedindo ou retardando a aprovação do PAC, fazendo o jogo do quanto pior, melhor, sacaneando a nação.
quinta-feira, março 15, 2007
Desfaçatez tucana é a de sempre
Pimenta no olho do outro é refresco. Façam o que eu falo, não o que eu faço. Estes são os pilares da moralidade tucana. Assim se explica o ímpeto para investigar problemas da alçada federal, de um lado, e a luta pra acobertar os erros que levaram ao buraco da linha 4, o buraco tucano.
"Realmente é inacreditável o tamanho descomunal da hipocrisia dos tucanos. Está registrado no Valor de hoje, com todas as letras, na matéria “PSDB obstrui audiência sobre desastre no metrô de SP”. Vejam só: “Na manhã de ontem, o PSDB brigou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para instalar a CPI do Apagão Aéreo, mas à tarde, os tucanos usaram de todos os artifícios para obstruir, na Comissão de Direitos Humanos na Câmara, a realização de uma audiência pública para investigar o desmoronamento na obra do metrô em São Paulo. Num procedimento raro, senão inédito, o deputado João Almeida (PSDB-BA), logo no início da reunião, pediu a verificação de quórum no momento da votação da dispensa da leitura da ata da sessão anterior. É de praxe que, mesmo com apenas um deputado presente, seja dispensada a leitura da ata da reunião anterior”.
Com blog do Zé Dirceu
"Realmente é inacreditável o tamanho descomunal da hipocrisia dos tucanos. Está registrado no Valor de hoje, com todas as letras, na matéria “PSDB obstrui audiência sobre desastre no metrô de SP”. Vejam só: “Na manhã de ontem, o PSDB brigou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para instalar a CPI do Apagão Aéreo, mas à tarde, os tucanos usaram de todos os artifícios para obstruir, na Comissão de Direitos Humanos na Câmara, a realização de uma audiência pública para investigar o desmoronamento na obra do metrô em São Paulo. Num procedimento raro, senão inédito, o deputado João Almeida (PSDB-BA), logo no início da reunião, pediu a verificação de quórum no momento da votação da dispensa da leitura da ata da sessão anterior. É de praxe que, mesmo com apenas um deputado presente, seja dispensada a leitura da ata da reunião anterior”.
Com blog do Zé Dirceu
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terça-feira, março 13, 2007
Olha o terceiro turno aí, gente
Fico a me perguntar onde estavam o PFL, o PPS e o PSDB no ano passado, quando caiu o avião da Gol e, na semana seguinte, começou o caos nos aeroportos. Ali seria a hora de fazer CPI. A iniciativa, neste momento, é estratégia clara pra desgastar o governo, para constranger a “nova aliança” recém-sacramentada entre PT e PMDB.
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