Tem uma crise nos Estados Unidos, que vocês estão acompanhando pela imprensa. Uma crise muito forte, que tem levado a maior economia do mundo a sobressaltos extraordinários. Eu vejo, com uma certa tristeza, bancos muito importantes que passaram a vida dando palpites sobre o Brasil, que passaram a vida dizendo o que a gente deveria ou não fazer, que passaram a vida medindo o risco deste país, que passaram a vida fazendo propaganda para investidores sobre se o Brasil era ou não confiável - era como se eles fossem os superinteligentes, e nós os supercoitados - é com muita tristeza que esses palpiteiros estão quebrando, estão entrando em concordata. Na verdade, determinaram nos últimos anos, no mundo, não que o capital pudesse circular livremente pelo mundo, gerando empregos e riqueza. Mas determinaram que a especulação financeira, o cassino do sistema financeiro internacional pudesse determinar a lógica da economia.
(Lula, em discurso de inauguração da plataforma P53, no RS ontem)
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sexta-feira, setembro 19, 2008
quinta-feira, julho 05, 2007
FHC, o invejoso, vai surtar com números da economia
FHC ressuscitou.
Está em todas.
Nunca um ex-presidente foi tão citado pela mídia.
A mídia golpista adora o FHC.
Teriam sido as "negociatas" da privataria?
A base de Alcântara, que FHC queria "entregar" aos americanos?
Ou teria sido o ministro da Justiça de FHC, um certo Renan Calheiros?
FHC palpita sobre tudo, mas nenhum repórter tem coragem de perguntar a ele quem é que pagou as contas do filho do senador com a jornalista da Globo.
Se não foi o próprio FHC, quem foi?
E o que recebeu em troca?
Eu juro para vocês: se eu encontrar o FHC na rua ou em algum evento público eu vou fazer essa pergunta.
Não devemos admitir a hipocrisia: se o Lula teve de responder e o Renan Calheiros também, devemos poupar FHC?
Devemos poupar as crianças, que não têm nada com isso.
Digo, antes de prosseguir, que o fato de que Lula desperdiça sua taxa de aprovação apoiando Renan Calheiros é nojento.
Nada justifica isso, nem a tal "governabilidade".
Renan, ACM, Sarney, Roriz - essa gente deveria ser enterrada.
É o atraso do atraso do atraso do atraso.
Pior que a elite brasileira, que é apenas o atraso do atraso do atraso.
O problema do Lula é que ele tem medo.
O sonho de Lula é ser o FHC.
E o sonho do FHC é ser tão popular quanto o Lula.
À revista Economist, que o considera presidente-em-exercício, FHC papagaiou um bordão que deve ter sido produzido no mesmo laboratório de onde saiu o Pan do Brasil.
Alguma coisa do gênero: chega de fazer comparações com o passado, devemos fazer comparações com os nossos competidores.
É óbvio que FHC não quer mais comparações com o passado.
O governo Lula dá de dez a zero em todos os sentidos, inclusive no número de CPIs instaladas e em atividade, no combate à corrupção, na defesa dos interesses nacionais, na economia, na distribuição de renda e por aí afora.
FHC comprou a sua reeleição e a mídia abafou o escândalo.
O problema do sociólogo é que a comparação do Brasil com os competidores é favorável... ao Brasil.
Se você isolar o número do PIB - que é o que fazem os puxa-sacos de FHC -, o Brasil sai perdendo.
Mas você gostaria de morar na China, país de partido único, sem democracia, com a imprensa amordaçada, problemas gravíssimos no meio ambiente, falta de terras, de água e 200 milhões de camponeses miseráveis que detonam o seu salário?
E na Índia, em pé de guerra com um vizinho, com graves problemas entre hindus e muçulmanos, terrorismo, fome, falta de água e a divisão da sociedade em castas?
E na Rússia, com um regime autocrático, em guerra com uma de suas províncias, "cercada" pelos americanos, com centenas de mísseis nucleares apontados em sua direção?
Dos BRICs o Brasil é a melhor opção para os investidores estrangeiros.
Ou é por acaso que está chovendo dinheiro no Brasil?
Que o dólar só faz despencar?
O Brasil oferece uma plataforma razoavelmente segura para investimentos, sem comoções internas, com ótimas perspectivas de crescimento, terra e água à vontade e um monte de brasileiros dentro.
É o lugar ideal para se instalar e disputar um mercado em crescimento, o da América Latina.
Sim, temos um gravíssimo problema de violência, uma guerra civil não declarada por causa de uma distribuição de renda criminosa.
Mas o governo que está no poder está enfrentando o problema, com resultados visíveis.
Em que país do mundo as vendas pela internet têm aumento de 49% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior?
Eu não vou ficar aqui desfiando todos os números da economia.
Faça isso você mesmo e vai ver que o governo Lula, ainda que enrolado com todo tipo de trapaceiro, dá de dez a zero no de FHC.
Se o Lula ousasse um pouquinho mais e usasse a autoridade que tem com mais de 60 por cento de aprovação popular poderia passar feito um rolo compressor sobre FHC e sua turma... politicamente.
Mas o Lula é de negociar, busca sempre o consenso, o que dá a impressão de paralisia.
O Lula é melhor presidente e melhor político que FHC.
E eu imagino o quanto deva doer, num professor da Sorbonne oriundo da aristocracia paulistana, o fato de perder para um nordestino que se formou no SENAI.
(Publicado em 3 de julho de 2007)
Estou com preguiça de ajudar os tucanos.
Por isso fico no caderno Dinheiro, da Folha, de 5 de julho.
Entrada de dólares no Brasil até 17 de junho de 2007: U$ 42,9 bilhões. Em todo o ano de 2006: U$ 37,3 bilhões - e não é tudo capital especulativo, não.
Brasil deve zerar o déficit nominal em 2008.
Brasil deve criar 1,451 milhão de empregos em 2007, 18% a mais que em 2006.
Estrangeiros vendem ações no país, mas compram de novo.
Compraram, os estrangeiros, 74% do volume de novas ações emitidas por companhias brasileiras na primeira metade do ano.
Venda de motos cresce 25,83% no primeiro semestre em relação ao ano passado.
Indústria cresce 1,3% em maio.
Para Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, esse perfil de crescimento, liderado por máquinas e equipamentos (19,4% em relação a abril) é "bastante saudável", pois indica o aumento dos investimentos.
'Choque agrícola' eleva inflação em SP (acumulado de 4,88% em 12 meses)
Ainda sobre as bolsas da valores, Carlos Miranda, sócio da Ernst & Young para a área de transações, vê dados positivos no cenário do país.
Para ele, ao contrário do que acontece com os outros Brics (Rússia, Índia e China), o investidor estrangeiro que aplica nas Bolsas brasileiras prioriza investimentos de longo prazo, apostando menos em ganhos rápidos.
Tudo isso chupei de apenas um caderno da Folha.
(Publicado em 5 de julho de 2007)
Reproduzido do site Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha.
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terça-feira, abril 10, 2007
63% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal de Lula, diz pesquisa
Cerca de 63,7% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado foi divulgado nesta terça-feira em pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Foram entrevistas 2 mil pessoas em 136 municípios de 24 Estados, entre os dias 2 e 6 deste mês de abril.
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
segunda-feira, março 26, 2007
Entrevista de Márcio Thomas Bastos para a Folha revela o que pensa a Folha
O teor das perguntas formuladas por Kennedy Alencar ao ex-ministro da Justiça revela o que pensa e como se orienta politicamente o maior jornal do país. É uma chuva de lugares-comuns e de preconceitos enraizados contra a pessoa de Lula, seu governo, sua trajetória. O cara não tem o menor respeito e tampouco - o que é pior - a menor noção da importância de Lula para a história do nosso país. Não obstante, o ex-ministro dá um show de bola.
Após 50 meses no governo, ex-ministro da Justiça defende ações da polícia, nega ter atuado como advogado do presidente e caracteriza Lula como um "democrata"
O EX-MINISTRO Márcio Thomaz Bastos revela que ouviu "reclamações de todos os lados", do governo e da oposição, a respeito das operações da Polícia Federal em seus 50 meses à frente do Ministério da Justiça. "É uma questão de resistir às pressões e tocar numa linha republicana", diz.
Um dos auxiliares mais próximos do presidente no primeiro mandato, ele nega ter sido mais advogado do que ministro, acusação que críticos lhe atribuem. Aos 71 anos, Bastos retoma a atividade de advogado criminalista -uma carreira de 50 anos só interrompida na passagem pelo governo. Escreveu 17 cadernos com um diário do primeiro ao último dia de governo "só colocando os fatos tal como os via, equilibrando objetividade e subjetividade". Não sabe ainda que "uso" fará deles. Falou à Folha em seu novo escritório em São Paulo, na quinta-feira passada.
FOLHA - A PF fez grandes operações em sua gestão, mas críticos apontam um viés de marketing. Ela também não elucidou o dossiegate e o caso da violação do sigilo do caseiro, que envolviam figuras do governo e do PT.
MÁRCIO THOMAZ BASTOS - A PF trabalha de uma maneira impessoal. Não persegue e não protege. Foi reconstruída em equipamentos, em treinamento de pessoal, em motivação, em liderança e em planejamento estratégico. Houve uso intenso de inteligência. Atingiu gente de todos os partidos. Gente próxima ao governo, gente de oposição ao governo. Os dois casos citados foram esclarecidos, relatados e enviados ao Ministério Público.
FOLHA - Não se sabe a origem do dinheiro de compra do dossiê até hoje nem o mandante.
THOMAZ BASTOS - Talvez nem se saiba. Existem casos em que a investigação tem um limite.
FOLHA - Em reuniões reservadas, o presidente e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, reclamaram das ações da PF que atingiram o governo e o PT, suspeitando de uso de setores dela pela oposição. O sr. recebia pressão para controlar a PF?
THOMAZ BASTOS - Não. Sempre disse que não controlava a PF nem queria controlá-la. Houve reclamações? Houve reclamações de todos os lados. Do mesmo jeito quando atingia gente ligada ao PSDB e ao PFL.
FOLHA - O presidente e José Dirceu reclamaram?
THOMAZ BASTOS - O Lula nunca reclamou.
FOLHA - Questionava?
THOMAZ BASTOS - Nunca questionou, mas eu explicava e contava as operações para ele, sobretudo as que atingiam muita gente. Em alguns casos, ele ficou chocado.
FOLHA - Por exemplo?
THOMAZ BASTOS - Aquele do dólar na cueca. Contei para ele logo após uma cerimônia no Palácio do Planalto, após uma solenidade. A primeira reação foi não acreditar, achar que era um pesadelo. Nunca houve uma ordem "não faça isso, não faça aquilo", apesar de muitas vezes ele ter recebido pressões enormes do partido dele, de aliados e da oposição.
FOLHA - E Dirceu, reclamava?
THOMAZ BASTOS - Comigo não. Agora, ninguém gosta de ser investigado pela PF. O sujeito mais culpado do mundo não gosta. É uma questão de resistir às pressões e tocar em uma linha republicana. Paulo Lacerda [diretor-geral da PF] é inegavelmente a maior vocação de policial que conheço.
FOLHA - O sr. defende que Tarso Genro [novo ministro da Justiça] o mantenha em definitivo?
THOMAZ BASTOS - Deveria continuar o resto da vida pela probidade, pelo brilho e pela liderança. Uma liderança dos atos e não do que diz.
FOLHA - Uma crítica ao sr. é que teria agido mais como advogado do governo, impedindo que Lula fosse acusado de crimes de responsabilidade, do que como ministro da Justiça. É atribuída ao sr. a tese de que o mensalão foi crime eleitoral -forma de admitir um delito menos grave e minimizar danos políticos.
THOMAZ BASTOS - Não sou advogado do presidente. Eu era antes de assumir o Ministério da Justiça. Como ministro, eu era ouvido a respeito das questões. Não articulei nem criei essa tese de crime eleitoral. Foi se criando uma lenda.
FOLHA - Por quê?
THOMAZ BASTOS - Uma série de circunstâncias. Havia uma oposição encarniçada, para a qual não era má idéia derrubar o ministro da Justiça. Por outro lado, me superavaliavam como advogado. Achavam que eu era um Maquiavel, um sujeito capaz de organizar coisas e montar versões. Quando assumi o Ministério da Justiça, sabia que devia duas lealdades. Uma lealdade com o presidente e uma lealdade maior com as instituições. Depois de quatro anos, posso afirmar que minha lealdade ao presidente não toldou minha lealdade às instituições.
FOLHA - No episódio do jornalista Larry Rohter, essas duas lealdades estiveram em choque? Se Lula tivesse insistido na decisão de cassar o visto de permanência do correspondente do "New York Times" [por ter escrito texto no qual citava comentários sobre suposto uso de álcool por Lula], o que equivaleria politicamente à expulsão, teria cruzado o limite da democracia?
THOMAZ BASTOS - A reconsideração foi uma decisão sábia do presidente. Me orgulho de tê-lo ajudado a tomar essa decisão. Naquele caso, o jornalista foi enormemente injusto. Não checou suas fontes. Fez uma matéria altamente equivocada. Entretanto, a decisão de expulsá-lo teve um estrépito tão grande que obscureceu o erro dele e criou a imagem de um governo prepotente. A reconsideração atendeu àquela lição da Suprema Corte americana e que está na nossa Constituição.
A Constituição não quer que a imprensa seja justa. Quer que a imprensa seja livre.
FOLHA - Por que é ruim a relação de Lula e do PT com a imprensa?
THOMAZ BASTOS - Desconfiança recíproca. O governo desconfiava da isenção da imprensa brasileira. E a imprensa desconfiava dos caminhos que o governo queria tomar e das lisuras das intenções do governo em relação à própria imprensa. Acredito que o presidente aprendeu, e a imprensa aprendeu. No segundo mandato, poderão ser corrigidos os erros que sombrearam a relação com a imprensa.
FOLHA - O PT e o governo não têm uma visão autoritária sobre o papel da imprensa? Não a vêem como instituição, mas como instrumento, contra ou a favor?
THOMAZ BASTOS - Todo governo tem essa visão, com diferentes níveis de tolerância. Todo governo tende a achar que a imprensa está errando porque um dos papéis da imprensa é criticar o governo. A crítica à oposição é "en passant". E aqueles partidos e grupos políticos que têm a certeza de que estão trabalhando pelo bem da nação e que têm um grande fim a ser atingido muitas vezes tendem a achar que tudo que atrapalhe aquilo é inimigo.
FOLHA - O sr. é a favor da rede pública de TV que Lula deseja criar?
THOMAZ BASTOS - Depende muito de como isso será colocado. Uma TV de governo, não. TV "Voz do Brasil", de jeito nenhum. Mas uma TV pública, como nas democracias avançadas, pode ser considerada com muito cuidado e estruturada após longo debate. Com gestão independente, conselho curador, de modo que não possa ser manipulada.
FOLHA - O estilo do presidente, de dizer "nosso Delúbio", de se referir aos petistas envolvidos no dossiê como "meninos", não transmitiu excesso de cordialidade e informalidade que contribuiu para que ocorresse o mensalão e o dossiegate?
THOMAZ BASTOS - Não. Conheço o Lula bem. Ele me conhece bem. Gosto muito dele. Ele gosta muito de mim. Ele demonstra afetividade. Esse estilo cordial faz parte da natureza dele.
FOLHA - O homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda?
THOMAZ BASTOS - Nem um pouco. Ele tem um respeito pelas instituições republicanas que foi adquirindo na prática. Aprendeu no sindicato, na vida política na oposição e no governo. Nas crises, vários ministros ligadíssimos a ele saíram do governo. Eram sujeitos que faziam parte da vida afetiva dele, mas ele não hesitou em tomar as decisões que precisava. O discurso de posse de Milton Campos no governo de Minas em 1947 parece um tratado de política republicana. Ele disse "um governo mais da lei do que dos homens". O governo Lula é também dos homens, mas é muito mais da lei.
FOLHA - Não houve momentos de tentação autoritária?
THOMAZ BASTOS - Queria fazer uma biografia do Lula com suas três ressurreições. No primeiro momento, superou os obstáculos da saga de um nordestino pobre que migra para o Sul e melhora de vida. A segunda saga é a política. Funda o PT. E perde quatro eleições majoritárias, uma atrás da outra. Perde em 1982, para o governo de São Paulo. Em 1989, 1994 e 1998 perdeu três disputas presidenciais. Ninguém na história das repúblicas ocidentais perdeu quatro eleições seguidas e sobreviveu. François Mitterrand [presidente da França entre 1981 e 1995] perdeu duas. Há casos de políticos que perderam uma ou duas e ganharam a seguinte. Lula perdeu quatro, renasceu e se elegeu em 2002. Imaginou que tivesse chegado ao paraíso. Aí veio a crise de 2005, na qual ele perdeu a liderança nas pesquisas, sofreu baixa de popularidade e se recuperou em 2006. Enfrentou uma crise no primeiro turno, a do dossiê, e se reelegeu com mais de 60% dos votos no segundo turno porque fez um governo bom, que distribuiu renda com uma política macroeconômica consistente. Nessas sagas, ele sempre agiu como um democrata. Lula nunca cruzou as linhas democráticas e institucionais.
FOLHA - Esse discurso inaugural, do "nunca antes neste país", não é injusto com as conquistas acumuladas em outros governos e que ajudam a gestão Lula?
THOMAZ BASTOS - Claro que ele trabalha em cima de conquistas. Mas é o entusiasmo de quem está empolgado pelo trabalho que faz.
FOLHA - Não soa gabola?
THOMAZ BASTOS - Pode soar gabola. Mas passei 50 meses ao lado dele e vi como ele aprendeu a governar, como nós todos. Eu era uma coisa em 2003. Ele era uma coisa em 2003. Ele é outra. Em 2007, tem o governo na mão. Sabe o que quer. Tem um ceticismo saudável em relação à máquina pública. É um homem maduro para fazer um grande mandato.
FOLHA - Lula tem se comparado a JK e Getúlio, muitas vezes dizendo que seu governo foi melhor do que o deles. Não é exagero?
THOMAZ BASTOS - Lula é uma grande liderança política, como talvez nunca tenha havido no Brasil. Daqui a alguns anos, a era Lula será citada como a mais nítida e a mais importante do Brasil. Vai obscurecer muitos outros presidentes. Será um marco tão importante que provocará efeitos nas outras gerações, como Getúlio provocou. Lula sabe que, nesse mandato, ele joga a sua sorte de grande líder e presidente.
FOLHA - Lula pode ser candidato em 2014?
THOMAZ BASTOS - Tem chance de ser. É uma liderança com nitidez e prestígio no mundo inteiro. A figura do Lula e o seu governo provocam admiração no Brasil e lá fora. É um homem saudável, que se cuida mais no governo. Está mais vaidoso.
Após 50 meses no governo, ex-ministro da Justiça defende ações da polícia, nega ter atuado como advogado do presidente e caracteriza Lula como um "democrata"
O EX-MINISTRO Márcio Thomaz Bastos revela que ouviu "reclamações de todos os lados", do governo e da oposição, a respeito das operações da Polícia Federal em seus 50 meses à frente do Ministério da Justiça. "É uma questão de resistir às pressões e tocar numa linha republicana", diz.
Um dos auxiliares mais próximos do presidente no primeiro mandato, ele nega ter sido mais advogado do que ministro, acusação que críticos lhe atribuem. Aos 71 anos, Bastos retoma a atividade de advogado criminalista -uma carreira de 50 anos só interrompida na passagem pelo governo. Escreveu 17 cadernos com um diário do primeiro ao último dia de governo "só colocando os fatos tal como os via, equilibrando objetividade e subjetividade". Não sabe ainda que "uso" fará deles. Falou à Folha em seu novo escritório em São Paulo, na quinta-feira passada.
FOLHA - A PF fez grandes operações em sua gestão, mas críticos apontam um viés de marketing. Ela também não elucidou o dossiegate e o caso da violação do sigilo do caseiro, que envolviam figuras do governo e do PT.
MÁRCIO THOMAZ BASTOS - A PF trabalha de uma maneira impessoal. Não persegue e não protege. Foi reconstruída em equipamentos, em treinamento de pessoal, em motivação, em liderança e em planejamento estratégico. Houve uso intenso de inteligência. Atingiu gente de todos os partidos. Gente próxima ao governo, gente de oposição ao governo. Os dois casos citados foram esclarecidos, relatados e enviados ao Ministério Público.
FOLHA - Não se sabe a origem do dinheiro de compra do dossiê até hoje nem o mandante.
THOMAZ BASTOS - Talvez nem se saiba. Existem casos em que a investigação tem um limite.
FOLHA - Em reuniões reservadas, o presidente e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, reclamaram das ações da PF que atingiram o governo e o PT, suspeitando de uso de setores dela pela oposição. O sr. recebia pressão para controlar a PF?
THOMAZ BASTOS - Não. Sempre disse que não controlava a PF nem queria controlá-la. Houve reclamações? Houve reclamações de todos os lados. Do mesmo jeito quando atingia gente ligada ao PSDB e ao PFL.
FOLHA - O presidente e José Dirceu reclamaram?
THOMAZ BASTOS - O Lula nunca reclamou.
FOLHA - Questionava?
THOMAZ BASTOS - Nunca questionou, mas eu explicava e contava as operações para ele, sobretudo as que atingiam muita gente. Em alguns casos, ele ficou chocado.
FOLHA - Por exemplo?
THOMAZ BASTOS - Aquele do dólar na cueca. Contei para ele logo após uma cerimônia no Palácio do Planalto, após uma solenidade. A primeira reação foi não acreditar, achar que era um pesadelo. Nunca houve uma ordem "não faça isso, não faça aquilo", apesar de muitas vezes ele ter recebido pressões enormes do partido dele, de aliados e da oposição.
FOLHA - E Dirceu, reclamava?
THOMAZ BASTOS - Comigo não. Agora, ninguém gosta de ser investigado pela PF. O sujeito mais culpado do mundo não gosta. É uma questão de resistir às pressões e tocar em uma linha republicana. Paulo Lacerda [diretor-geral da PF] é inegavelmente a maior vocação de policial que conheço.
FOLHA - O sr. defende que Tarso Genro [novo ministro da Justiça] o mantenha em definitivo?
THOMAZ BASTOS - Deveria continuar o resto da vida pela probidade, pelo brilho e pela liderança. Uma liderança dos atos e não do que diz.
FOLHA - Uma crítica ao sr. é que teria agido mais como advogado do governo, impedindo que Lula fosse acusado de crimes de responsabilidade, do que como ministro da Justiça. É atribuída ao sr. a tese de que o mensalão foi crime eleitoral -forma de admitir um delito menos grave e minimizar danos políticos.
THOMAZ BASTOS - Não sou advogado do presidente. Eu era antes de assumir o Ministério da Justiça. Como ministro, eu era ouvido a respeito das questões. Não articulei nem criei essa tese de crime eleitoral. Foi se criando uma lenda.
FOLHA - Por quê?
THOMAZ BASTOS - Uma série de circunstâncias. Havia uma oposição encarniçada, para a qual não era má idéia derrubar o ministro da Justiça. Por outro lado, me superavaliavam como advogado. Achavam que eu era um Maquiavel, um sujeito capaz de organizar coisas e montar versões. Quando assumi o Ministério da Justiça, sabia que devia duas lealdades. Uma lealdade com o presidente e uma lealdade maior com as instituições. Depois de quatro anos, posso afirmar que minha lealdade ao presidente não toldou minha lealdade às instituições.
FOLHA - No episódio do jornalista Larry Rohter, essas duas lealdades estiveram em choque? Se Lula tivesse insistido na decisão de cassar o visto de permanência do correspondente do "New York Times" [por ter escrito texto no qual citava comentários sobre suposto uso de álcool por Lula], o que equivaleria politicamente à expulsão, teria cruzado o limite da democracia?
THOMAZ BASTOS - A reconsideração foi uma decisão sábia do presidente. Me orgulho de tê-lo ajudado a tomar essa decisão. Naquele caso, o jornalista foi enormemente injusto. Não checou suas fontes. Fez uma matéria altamente equivocada. Entretanto, a decisão de expulsá-lo teve um estrépito tão grande que obscureceu o erro dele e criou a imagem de um governo prepotente. A reconsideração atendeu àquela lição da Suprema Corte americana e que está na nossa Constituição.
A Constituição não quer que a imprensa seja justa. Quer que a imprensa seja livre.
FOLHA - Por que é ruim a relação de Lula e do PT com a imprensa?
THOMAZ BASTOS - Desconfiança recíproca. O governo desconfiava da isenção da imprensa brasileira. E a imprensa desconfiava dos caminhos que o governo queria tomar e das lisuras das intenções do governo em relação à própria imprensa. Acredito que o presidente aprendeu, e a imprensa aprendeu. No segundo mandato, poderão ser corrigidos os erros que sombrearam a relação com a imprensa.
FOLHA - O PT e o governo não têm uma visão autoritária sobre o papel da imprensa? Não a vêem como instituição, mas como instrumento, contra ou a favor?
THOMAZ BASTOS - Todo governo tem essa visão, com diferentes níveis de tolerância. Todo governo tende a achar que a imprensa está errando porque um dos papéis da imprensa é criticar o governo. A crítica à oposição é "en passant". E aqueles partidos e grupos políticos que têm a certeza de que estão trabalhando pelo bem da nação e que têm um grande fim a ser atingido muitas vezes tendem a achar que tudo que atrapalhe aquilo é inimigo.
FOLHA - O sr. é a favor da rede pública de TV que Lula deseja criar?
THOMAZ BASTOS - Depende muito de como isso será colocado. Uma TV de governo, não. TV "Voz do Brasil", de jeito nenhum. Mas uma TV pública, como nas democracias avançadas, pode ser considerada com muito cuidado e estruturada após longo debate. Com gestão independente, conselho curador, de modo que não possa ser manipulada.
FOLHA - O estilo do presidente, de dizer "nosso Delúbio", de se referir aos petistas envolvidos no dossiê como "meninos", não transmitiu excesso de cordialidade e informalidade que contribuiu para que ocorresse o mensalão e o dossiegate?
THOMAZ BASTOS - Não. Conheço o Lula bem. Ele me conhece bem. Gosto muito dele. Ele gosta muito de mim. Ele demonstra afetividade. Esse estilo cordial faz parte da natureza dele.
FOLHA - O homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda?
THOMAZ BASTOS - Nem um pouco. Ele tem um respeito pelas instituições republicanas que foi adquirindo na prática. Aprendeu no sindicato, na vida política na oposição e no governo. Nas crises, vários ministros ligadíssimos a ele saíram do governo. Eram sujeitos que faziam parte da vida afetiva dele, mas ele não hesitou em tomar as decisões que precisava. O discurso de posse de Milton Campos no governo de Minas em 1947 parece um tratado de política republicana. Ele disse "um governo mais da lei do que dos homens". O governo Lula é também dos homens, mas é muito mais da lei.
FOLHA - Não houve momentos de tentação autoritária?
THOMAZ BASTOS - Queria fazer uma biografia do Lula com suas três ressurreições. No primeiro momento, superou os obstáculos da saga de um nordestino pobre que migra para o Sul e melhora de vida. A segunda saga é a política. Funda o PT. E perde quatro eleições majoritárias, uma atrás da outra. Perde em 1982, para o governo de São Paulo. Em 1989, 1994 e 1998 perdeu três disputas presidenciais. Ninguém na história das repúblicas ocidentais perdeu quatro eleições seguidas e sobreviveu. François Mitterrand [presidente da França entre 1981 e 1995] perdeu duas. Há casos de políticos que perderam uma ou duas e ganharam a seguinte. Lula perdeu quatro, renasceu e se elegeu em 2002. Imaginou que tivesse chegado ao paraíso. Aí veio a crise de 2005, na qual ele perdeu a liderança nas pesquisas, sofreu baixa de popularidade e se recuperou em 2006. Enfrentou uma crise no primeiro turno, a do dossiê, e se reelegeu com mais de 60% dos votos no segundo turno porque fez um governo bom, que distribuiu renda com uma política macroeconômica consistente. Nessas sagas, ele sempre agiu como um democrata. Lula nunca cruzou as linhas democráticas e institucionais.
FOLHA - Esse discurso inaugural, do "nunca antes neste país", não é injusto com as conquistas acumuladas em outros governos e que ajudam a gestão Lula?
THOMAZ BASTOS - Claro que ele trabalha em cima de conquistas. Mas é o entusiasmo de quem está empolgado pelo trabalho que faz.
FOLHA - Não soa gabola?
THOMAZ BASTOS - Pode soar gabola. Mas passei 50 meses ao lado dele e vi como ele aprendeu a governar, como nós todos. Eu era uma coisa em 2003. Ele era uma coisa em 2003. Ele é outra. Em 2007, tem o governo na mão. Sabe o que quer. Tem um ceticismo saudável em relação à máquina pública. É um homem maduro para fazer um grande mandato.
FOLHA - Lula tem se comparado a JK e Getúlio, muitas vezes dizendo que seu governo foi melhor do que o deles. Não é exagero?
THOMAZ BASTOS - Lula é uma grande liderança política, como talvez nunca tenha havido no Brasil. Daqui a alguns anos, a era Lula será citada como a mais nítida e a mais importante do Brasil. Vai obscurecer muitos outros presidentes. Será um marco tão importante que provocará efeitos nas outras gerações, como Getúlio provocou. Lula sabe que, nesse mandato, ele joga a sua sorte de grande líder e presidente.
FOLHA - Lula pode ser candidato em 2014?
THOMAZ BASTOS - Tem chance de ser. É uma liderança com nitidez e prestígio no mundo inteiro. A figura do Lula e o seu governo provocam admiração no Brasil e lá fora. É um homem saudável, que se cuida mais no governo. Está mais vaidoso.
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Márcio Thomas Bastos
sexta-feira, março 09, 2007
Lula dá olé em Bush
O Presidente Lula demonstrou que tinha muito mais a dizer que George Bush na coletiva de hoje à tarde.
Foi o presidente Lula quem deu a direção aos dois pontos cruciais da relação Brasil-EUA, no momento: o acordo de biocombustíveis e a reabertura da Rodada de Doha.
Bush não saiu do lugar em que já estava.
Lula deu o caminho por onde os dois devem caminhar – tanto os projetos de biocombustíveis quanto a Rodada de Doha têm como objetivo a inclusão dos pobres.
Devem ser instrumentos de corrigir desequilíbrios sociais.
Lula usou a bandeira de seu governo doméstico para traçar a trilha que pode ajudar as operações de Brasil e Estados Unidos em projetos conjuntos de biocombustíveis no Caribe e na América Central, e na África.
E, na Rodada de Doha, dentro do Grupo dos 20 de que o Brasil é um dos líderes, a forma de mobilizar ricos e pobres em torno de concessões mútuas é a mesma: promover a justiça social, dar educação, moradia e saúde.
Esta é uma forma de comprometer os Estados Unidos e os paises ricos numa causa que transcende a simples retórica do “comércio livre”.
Sobre as “vivandeiras” do “anti-americanismo” da política externa brasileira, as palavras de Bush falam por si próprias: Lula é um líder, todo mundo presta atenção ao que ele diz, ele defende causas nobres, Brasil e Estados Unidos pode liderar no bio-combustível e em Doha ...
E Lula disse o que sempre diz: o negocio dele é com os pobres.
E quem diz que isso é ser contra os Estados Unidos?
Quem não gosta de ouvir isso é “a elite branca”...
Bush também disse a Lula: "Você ganhou a eleição de forma esmagadora (landslide)". A imprensa conservadora parece que não percebeu isso ainda. José Serra, que estava na primeira fila, na coletiva, sabe o sabor disso: ele e Alckmin perderam de Lula da mesma forma "esmagadora": 61% a 39%.
Em tempo 1: Convém prestar atenção à coincidência de o assessor de imprensa do Presidente Lula, André Singer, oferecer o privilégio de fazer a primeira pergunta ao Presidente Bush ao repórter Celso Teixeira, da TV Record.
Em tempo 2: Ao contrário da TV Record, a Globo não considerou importante dar o plantão no pronunciamento do Presidente Lula e do Presidente Bush, antes da coletiva.
Até a CNN entrou.
Em tempo 3: A Globo só não entrou porque não quis: a Globo foi a emissora geradora de sinal do evento para todas as emissoras americanas.
Ah, se o presidente fosse o FHC a Globo teria dado o plantão.
Por PHA, do Conversa Afiada
Foi o presidente Lula quem deu a direção aos dois pontos cruciais da relação Brasil-EUA, no momento: o acordo de biocombustíveis e a reabertura da Rodada de Doha.
Bush não saiu do lugar em que já estava.
Lula deu o caminho por onde os dois devem caminhar – tanto os projetos de biocombustíveis quanto a Rodada de Doha têm como objetivo a inclusão dos pobres.
Devem ser instrumentos de corrigir desequilíbrios sociais.
Lula usou a bandeira de seu governo doméstico para traçar a trilha que pode ajudar as operações de Brasil e Estados Unidos em projetos conjuntos de biocombustíveis no Caribe e na América Central, e na África.
E, na Rodada de Doha, dentro do Grupo dos 20 de que o Brasil é um dos líderes, a forma de mobilizar ricos e pobres em torno de concessões mútuas é a mesma: promover a justiça social, dar educação, moradia e saúde.
Esta é uma forma de comprometer os Estados Unidos e os paises ricos numa causa que transcende a simples retórica do “comércio livre”.
Sobre as “vivandeiras” do “anti-americanismo” da política externa brasileira, as palavras de Bush falam por si próprias: Lula é um líder, todo mundo presta atenção ao que ele diz, ele defende causas nobres, Brasil e Estados Unidos pode liderar no bio-combustível e em Doha ...
E Lula disse o que sempre diz: o negocio dele é com os pobres.
E quem diz que isso é ser contra os Estados Unidos?
Quem não gosta de ouvir isso é “a elite branca”...
Bush também disse a Lula: "Você ganhou a eleição de forma esmagadora (landslide)". A imprensa conservadora parece que não percebeu isso ainda. José Serra, que estava na primeira fila, na coletiva, sabe o sabor disso: ele e Alckmin perderam de Lula da mesma forma "esmagadora": 61% a 39%.
Em tempo 1: Convém prestar atenção à coincidência de o assessor de imprensa do Presidente Lula, André Singer, oferecer o privilégio de fazer a primeira pergunta ao Presidente Bush ao repórter Celso Teixeira, da TV Record.
Em tempo 2: Ao contrário da TV Record, a Globo não considerou importante dar o plantão no pronunciamento do Presidente Lula e do Presidente Bush, antes da coletiva.
Até a CNN entrou.
Em tempo 3: A Globo só não entrou porque não quis: a Globo foi a emissora geradora de sinal do evento para todas as emissoras americanas.
Ah, se o presidente fosse o FHC a Globo teria dado o plantão.
Por PHA, do Conversa Afiada
Notas esparsas sobre uma visita polêmica
1. São Paulo - ou o amálgama entre os entes estadual e municipal - bem que tentou sair bonito na foto, fazendo, no hotel onde Bush se hospedou, uma decoração de fundo de palco muito bacana. Mas a tentativa de agradar esteve em evidente divórcio com o ânimo do paulistano, que ficou furibundo com o enorme transtorno urbano causado pelo pesado esquema de segurança.
2. Os grandes veículos abriram largo espaço para os protestos. Afinal, com uma pauta pró-governo que se auto-impôs de modo tão forte, era preciso buscar alguma coisa pra contrabalançar e desgastar a imagem do governo. Nem que pra isso fosse preciso mostrar as mais batidas cenas de anti-americanismo. Coisa que, em geral, merece indiferença e pouco caso da mídia.
3. O avião do Bush Jr. é pelo menos 10 vezes maior do que o nosso bem conhecido Aerolula. As TVs, para mostrar o casal presidencial embarcando e desembarcando, focalizaram de longe a aeronave; mesmo assim, foi possível ter dimensão exata do exagero. Por certo, não deve haver um Arthur Virgílio no Congresso norte-americano para dizer que aquilo é fruto da vaidade ou deslumbramento do presidente.
4. Ironicamente, apenas a Globo foi enfática ao informar que Bush não tem poderes para derrubar as barreiras protecionistas contra o álcool do Brasil. As demais se esforçaram para colocar a manutenção do mecanismo na conta de um "fracasso" da visita. Fracasso que mais parece dor-de-cotovelo mesmo.
5. A gravata de Lula, na entrevista coletiva, tinha o mesmo vermelho das bandeiras que protestaram na avenida Paulista e picharam consulados e lanchonetes aqui e ali. Que o presidente opera com maestria os elementos simbólicos, disso já sabíamos. Mas daí ele dizer que o acordo para destravar a Rodada de Doha "depende apenas de se encontrar o ponto G", aí já é arrasar, é quebrar paradigmas!
6. Será que depois de encontrar o "ponto G" das negociações bilateriais, EUA e Brasil voltarão a ter as relações carnais que mantiveram durante anos, em passado não muito longínquo?
7. Quer saber da honestidade de propósitos do governo americano em relação à América Latina? Ou o quanto os EUA se sente à vontade falando de ajuda, de solidariedade, de combate à pobreza e cuidado com o meio ambiente? É fácil. Basta ver a desenvoltura e a naturalidade com que Bush tocou o chucalhinho lá na ONG do Morumbi. "Integração total" é aquilo.
8. E o anti-americanismo da política externa brasileira? Com a palavra, a revista Veja.
2. Os grandes veículos abriram largo espaço para os protestos. Afinal, com uma pauta pró-governo que se auto-impôs de modo tão forte, era preciso buscar alguma coisa pra contrabalançar e desgastar a imagem do governo. Nem que pra isso fosse preciso mostrar as mais batidas cenas de anti-americanismo. Coisa que, em geral, merece indiferença e pouco caso da mídia.
3. O avião do Bush Jr. é pelo menos 10 vezes maior do que o nosso bem conhecido Aerolula. As TVs, para mostrar o casal presidencial embarcando e desembarcando, focalizaram de longe a aeronave; mesmo assim, foi possível ter dimensão exata do exagero. Por certo, não deve haver um Arthur Virgílio no Congresso norte-americano para dizer que aquilo é fruto da vaidade ou deslumbramento do presidente.
4. Ironicamente, apenas a Globo foi enfática ao informar que Bush não tem poderes para derrubar as barreiras protecionistas contra o álcool do Brasil. As demais se esforçaram para colocar a manutenção do mecanismo na conta de um "fracasso" da visita. Fracasso que mais parece dor-de-cotovelo mesmo.
5. A gravata de Lula, na entrevista coletiva, tinha o mesmo vermelho das bandeiras que protestaram na avenida Paulista e picharam consulados e lanchonetes aqui e ali. Que o presidente opera com maestria os elementos simbólicos, disso já sabíamos. Mas daí ele dizer que o acordo para destravar a Rodada de Doha "depende apenas de se encontrar o ponto G", aí já é arrasar, é quebrar paradigmas!
6. Será que depois de encontrar o "ponto G" das negociações bilateriais, EUA e Brasil voltarão a ter as relações carnais que mantiveram durante anos, em passado não muito longínquo?
7. Quer saber da honestidade de propósitos do governo americano em relação à América Latina? Ou o quanto os EUA se sente à vontade falando de ajuda, de solidariedade, de combate à pobreza e cuidado com o meio ambiente? É fácil. Basta ver a desenvoltura e a naturalidade com que Bush tocou o chucalhinho lá na ONG do Morumbi. "Integração total" é aquilo.
8. E o anti-americanismo da política externa brasileira? Com a palavra, a revista Veja.
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Responda rápido: é mais fácil ser aliado de Lula ou fazer-lhe oposição?
Alguns chefes partidários devem estar se perguntando (...) o que será mais difícil nessa quadra da política: ser aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou tentar fazer oposição a ele?
Começando pela oposição. Num movimento de última hora, Lula subverteu a agenda da reunião com os governadores e os recebeu com um pacote de bondades raramente colhido na Granja do Torto .
Ofereceu a securitização da dívida fundada dos Estados com a União, acenou com a liberação da venda de créditos difíceis, anunciou isenção de impostos para as empresas estaduais de saneamento, sinalizou um mecanismo que vai desengessar parte dos orçamentos estaduais, até aqui privilégio da União com sua DRU.
“Dinheiro na veia”, como definiu o govenador tucano José Serra ao destacar a zeragem do imposto no saneamento.
No Torto, Lula deu um banho de gelo em quem esperava fazer das queixas, justas, dos governadores um trampolim para o discurso de oposição. Deu-se ao requinte de escalar José Roberto Arruda, único representante do PFL, para fazer o relato oficial do encontro aos jornalistas. Mais elogios na boca da oposição.
Do outro lado de Brasília, a turma do senador Renan Calheiros e do ex-presidente José Sarney colhia o fruto amargo de sua a aposta quase cega na relação que construíram com Lula nos últimos dois anos, contra vento e maré.
Na crise de 2005, Renan Calheiros comprou as ações de Lula na baixa, negociando apoio do PMDB no Senado no momento em que era necessário como o ar para o governo sobreviver.
Enquanto Renan e Sarney nomeavam ministros, seus adversários no PMDB indicavam membros das CPIs que serviram de ponta de lança da oposição na campanha eleitoral. Jogo jogado.
As ações em poder de Renan e Sarney dispararam quando Lula superou a crise e embicou para a reeleição. O contrário também poderia ter ocorrido e, nesse caso, os senadores estariam correndo atrás do prejuízo.
Renan e Sarney apostaram que Lula se engajaria na candidatura de Nelson Jobim à presidência do PMDB, em nome dos “momentos mais difíceis” do passado. Não calcularam que a outra banda do partido fez uma oferta agressiva por ações do governo, cacifada na eleição de Arlindo Chinaglia na Câmara.
Aparentemente, Lula exerceu os direitos de acionista controlador e contabilizou o contrato de 2005, renovado em 2006, como exercício findo. A candidatura Jobim acabou, Renan e Sareny estrilaram, mas Lula paga para ver se eles abandonam o governo.
O PMDB de Renan está aprendendo uma lição que os “companheiros” mais experientes sabem de cor. Ser aliado de Lula tem sido um bom negócio na política, ultimamente, mas ser dono de Lula é algo que nem o PT conseguiu até hoje.
Por Ricardo Amaral, do www.franklinmartins.com.br
Começando pela oposição. Num movimento de última hora, Lula subverteu a agenda da reunião com os governadores e os recebeu com um pacote de bondades raramente colhido na Granja do Torto .
Ofereceu a securitização da dívida fundada dos Estados com a União, acenou com a liberação da venda de créditos difíceis, anunciou isenção de impostos para as empresas estaduais de saneamento, sinalizou um mecanismo que vai desengessar parte dos orçamentos estaduais, até aqui privilégio da União com sua DRU.
“Dinheiro na veia”, como definiu o govenador tucano José Serra ao destacar a zeragem do imposto no saneamento.
No Torto, Lula deu um banho de gelo em quem esperava fazer das queixas, justas, dos governadores um trampolim para o discurso de oposição. Deu-se ao requinte de escalar José Roberto Arruda, único representante do PFL, para fazer o relato oficial do encontro aos jornalistas. Mais elogios na boca da oposição.
Do outro lado de Brasília, a turma do senador Renan Calheiros e do ex-presidente José Sarney colhia o fruto amargo de sua a aposta quase cega na relação que construíram com Lula nos últimos dois anos, contra vento e maré.
Na crise de 2005, Renan Calheiros comprou as ações de Lula na baixa, negociando apoio do PMDB no Senado no momento em que era necessário como o ar para o governo sobreviver.
Enquanto Renan e Sarney nomeavam ministros, seus adversários no PMDB indicavam membros das CPIs que serviram de ponta de lança da oposição na campanha eleitoral. Jogo jogado.
As ações em poder de Renan e Sarney dispararam quando Lula superou a crise e embicou para a reeleição. O contrário também poderia ter ocorrido e, nesse caso, os senadores estariam correndo atrás do prejuízo.
Renan e Sarney apostaram que Lula se engajaria na candidatura de Nelson Jobim à presidência do PMDB, em nome dos “momentos mais difíceis” do passado. Não calcularam que a outra banda do partido fez uma oferta agressiva por ações do governo, cacifada na eleição de Arlindo Chinaglia na Câmara.
Aparentemente, Lula exerceu os direitos de acionista controlador e contabilizou o contrato de 2005, renovado em 2006, como exercício findo. A candidatura Jobim acabou, Renan e Sareny estrilaram, mas Lula paga para ver se eles abandonam o governo.
O PMDB de Renan está aprendendo uma lição que os “companheiros” mais experientes sabem de cor. Ser aliado de Lula tem sido um bom negócio na política, ultimamente, mas ser dono de Lula é algo que nem o PT conseguiu até hoje.
Por Ricardo Amaral, do www.franklinmartins.com.br
quinta-feira, março 08, 2007
Três histórias de Lula na terra de Bush
Em dia de George W. Bush em São Paulo, três historinhas de Lula em Nova York, narradas pelo governador petista Marcelo Déda, membro da comitiva brasileira na Assembéia Geral da ONU em setembro de 2003, quando ainda era prefeito de Aracaju.
1) A bordo do Sucatão (tempos difíceis, aqueles...), Lula repassa o discurso que fará na abertura da Assembléia Geral. Em nome da diversidade religiosa das Nações Unidas, o chanceler Celso Amorim sugere cortar o trecho em que o presidente brasileiro agradece a proteção de Deus, mas Lula rebate na lata: .
- Ô, Celso, eu por acaso estou falando mal do Deus dos outros? Estou criticando Buda? Estou esculhambando Alá? Estou reclamando de algum Deus africano? Eu só estou falando bem do meu Deus, tá certo? Deus vai ficar.
Deus ficou e Lula foi aplaudido pelo discurso em que pediu "uma guerra contra a fome e a miséria". De volta à platéia, o presidente foi acompanhar ao lado de Amorim o discurso de Bush, encerrado com um sonoro "God bless you".
Atento à tradução instantânea, Lula caçoa novamente de seu chanceler tão preocupado com o politicamente correto.
- Ô, Celso, tá vendo? Tá vendo? Por que é que o presidente dos Estados Unidos pode falar em Deus e o presidente do Brasil não pode?
2) Fim de jornada, Lula chama o prefeito Déda à suíte do hotel, para curtir a repercussão do seu primeiro discurso na ONU. O presidente está à vontade, de calção preto e camisa do Corínthians, fumando sua cigarrilha holandesa.
- Ô, Dedinha, sabe o que eu estou imaginando agora? O pessoal lno bar lá em São Bernardo, vendo pela televisão o Lulinha aqui falando na ONU. Sabe o que pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo? Você imagina, Dedinha?
O prefeito de Aracaju faz um conveniente silêncio, antes de Lula concluir:
- Eles estão pensando: nada é impossível...
3) O chanceler Celso Amorim interrompe o devaneio para lembrar que Bush está oferecendo um jantar aos presidentes estrangeiros no Waldorf Astoria.
- Ô, Celso, quantos presidentes vai ter lá?
O chanceler calcula que, por baixo, uns cem chefes de Estado devem comparecer à recepção.
- Isso tudo? Então o Bush nem vai reparar na minha ausência, não é, Celso?
E de volta ao devaneio:
- Nada é impossível nesse mundo, Dedinha. Nada. É nisso que o pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo.
PS: As três historinhas servem para animar uma conversa de bar e fazem pensar sobre o desembaraço que Lula demonstra, para surpresa de muitos, no trato com os figurões do planeta.
* Por Ricardo Amaral, repórter da Agência Reuters em Brasília, interino do www.franklinmartins.com.br
1) A bordo do Sucatão (tempos difíceis, aqueles...), Lula repassa o discurso que fará na abertura da Assembléia Geral. Em nome da diversidade religiosa das Nações Unidas, o chanceler Celso Amorim sugere cortar o trecho em que o presidente brasileiro agradece a proteção de Deus, mas Lula rebate na lata: .
- Ô, Celso, eu por acaso estou falando mal do Deus dos outros? Estou criticando Buda? Estou esculhambando Alá? Estou reclamando de algum Deus africano? Eu só estou falando bem do meu Deus, tá certo? Deus vai ficar.
Deus ficou e Lula foi aplaudido pelo discurso em que pediu "uma guerra contra a fome e a miséria". De volta à platéia, o presidente foi acompanhar ao lado de Amorim o discurso de Bush, encerrado com um sonoro "God bless you".
Atento à tradução instantânea, Lula caçoa novamente de seu chanceler tão preocupado com o politicamente correto.
- Ô, Celso, tá vendo? Tá vendo? Por que é que o presidente dos Estados Unidos pode falar em Deus e o presidente do Brasil não pode?
2) Fim de jornada, Lula chama o prefeito Déda à suíte do hotel, para curtir a repercussão do seu primeiro discurso na ONU. O presidente está à vontade, de calção preto e camisa do Corínthians, fumando sua cigarrilha holandesa.
- Ô, Dedinha, sabe o que eu estou imaginando agora? O pessoal lno bar lá em São Bernardo, vendo pela televisão o Lulinha aqui falando na ONU. Sabe o que pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo? Você imagina, Dedinha?
O prefeito de Aracaju faz um conveniente silêncio, antes de Lula concluir:
- Eles estão pensando: nada é impossível...
3) O chanceler Celso Amorim interrompe o devaneio para lembrar que Bush está oferecendo um jantar aos presidentes estrangeiros no Waldorf Astoria.
- Ô, Celso, quantos presidentes vai ter lá?
O chanceler calcula que, por baixo, uns cem chefes de Estado devem comparecer à recepção.
- Isso tudo? Então o Bush nem vai reparar na minha ausência, não é, Celso?
E de volta ao devaneio:
- Nada é impossível nesse mundo, Dedinha. Nada. É nisso que o pessoal deve estar pensando lá em São Bernardo.
PS: As três historinhas servem para animar uma conversa de bar e fazem pensar sobre o desembaraço que Lula demonstra, para surpresa de muitos, no trato com os figurões do planeta.
* Por Ricardo Amaral, repórter da Agência Reuters em Brasília, interino do www.franklinmartins.com.br
domingo, fevereiro 18, 2007
Lula contra redução de maioridade penal
Fala, meu Presidente!
“Então eu fico me perguntando se seria justo punir apenas quem cometeu a barbaridade e se esquecer de fazer a punição a quem é o culpado por esses jovens terem chegado a essa situação. Porque são milhões de jovens que moram mal, que foram desestimulados a parar de estudar, que não têm perspectiva de emprego. Então eu fico imaginando que se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-los, para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15, depois para 9, e quem sabe algum dia queiram punir até o feto, se já soubermos o que vai acontecer no mundo... Eles são, na verdade, o resultado de um momento longo de quase 25 anos em que o Estado brasileiro não cumpriu com as suas funções para com a grande parte do seu povo” O Brasil não é feito apenas de coisas ruins. O Brasil tem muitas coisas extraordinárias e precisamos mostrá-las para que sirvam de incentivo às pessoas desesperançadas”
De Os Amigos do Presidente Lula
“Então eu fico me perguntando se seria justo punir apenas quem cometeu a barbaridade e se esquecer de fazer a punição a quem é o culpado por esses jovens terem chegado a essa situação. Porque são milhões de jovens que moram mal, que foram desestimulados a parar de estudar, que não têm perspectiva de emprego. Então eu fico imaginando que se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-los, para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15, depois para 9, e quem sabe algum dia queiram punir até o feto, se já soubermos o que vai acontecer no mundo... Eles são, na verdade, o resultado de um momento longo de quase 25 anos em que o Estado brasileiro não cumpriu com as suas funções para com a grande parte do seu povo” O Brasil não é feito apenas de coisas ruins. O Brasil tem muitas coisas extraordinárias e precisamos mostrá-las para que sirvam de incentivo às pessoas desesperançadas”
De Os Amigos do Presidente Lula
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