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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS!

Brasil é credor externo pela primeira vez na história, revela BC

(Kelly Oliveira, para a Agência Brasil)


Brasília - O Brasil passou a ser credor externo, fato inédito na história do país, informou hoje (21) o Banco Central. A autoridade monetária explicou que isso só foi possível com a redução da dívida externa total líquida, quando se deduzem da dívida externa bruta os ativos do país no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais. Ou seja, as reservas internacionais e outros ativos são maiores do que a dívida externa.

De acordo com o Banco Central, a estimativa para o fechamento de janeiro de 2008 (que deve ser divulgado na próxima semana), é de que o montante da dívida líquida se tornará negativo em mais de US$ 4 bilhões, uma vez que o dinheiro aplicado no exterior supera o valor da dívida externa.

"Significando que, em termos líquidos, o país passou a credor externo, fato inédito em nossa história econômica", diz o relatório Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil, divulgado pelo Banco Central. Segundo o BC, o total da dívida líquida passou de US$ 165,2 bilhões, no final de 2003, para US$ 4,3 bilhões, estimativa para o fechamento de 2007.

Para o Banco Central, os resultados no setor externo da economia brasileira nos últimos anos mostram "inquestionável fortalecimento da posição externa do país", devido aos números da balança comercial (exportações menos importações), das transações correntes (engloba a balança comercial, serviços e rendas e transferências unilaterais) e do ingresso recorde de divisas no país.

"Em resumo, diante de um cenário internacional caracterizado por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos".

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Como o PIG não dá o braço a torcer, hoje eu ouvi no rádio que uma das razões dessa reviravolta foi... SORTE! dá pra crer? e ainda disseram que se o governo fizesse um monte de coisa diferente estaria crescendo muito mais, mais até que a china! ô, gente, se era tão simples, pq não fizeram antes?

Na capa da Folha online, não tem nem uma chamadinha pra essa notícia. mas tem sobre a BBB que desmaiou na prova do líder. Na capa do G1, nada também. Mas tem a té foto pra notícia do nascimento dos gêmeos da J-Lo. Globo on-line? Mesma coisa. Mas lá você fica sabendo que o Eike Batista quer comprar o Hotel Glória. UAU!

terça-feira, março 13, 2007

Pisada no tomate

Causou uma péssima repercussão a decisão do BC de reduzir a remuneração da poupança, para dar competitividade aos fundos de renda fixa. Não adianta falar que pro mutuário do SFH a medida é positiva, pois a Caderneta é quase universal, enquanto o financiamento da casa própria não. Há quem diga que a medida favorece a posição do governo na hora de financiar a dívida pública, já que os bancos que lhe compram os títulos na operação de rolagem precisam ser remunerados. Mas, de fato, faltou alguém (Meirelles? Paulo Bernardo?) vir a público explicar – e, sendo possível, justificar – medida tão antipática de favorecimento explícito aos bancos.

sexta-feira, março 02, 2007

Bevilaqua: a mídia não sabe o que dizer

. Como diria o sábio Vicente Matheus, a mídia conservadora está diante de um “diadema retroz”.

. Não sabe se celebra ou condena a demissão de Afonso Bevilaqua do Banco Central.

. A mídia conservadora critica os juros altos.

. Afonso Bevilaqua simbolizava a política de juros altos do BC.

. Porém, brevemente, a mídia conservadora acolherá o articulista Afonso Bevilaqua para defender o neoliberalismo que orienta a mídia conservadora.

. Diante desse “diadema” a mídia conservadora deverá passar as próximas horas. Até descobrir a melhor maneira de interpretar a demissão de Bevilaqua como uma forma de desgastar o governo Lula.

Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Brasil indica Paulo Nogueira Batista Jr, um crítico do BC, para o FMI

O governo vai substituir um economista da linhagem ortodoxa – identificada com as teses do “mercado” – por uma das principais vozes da corrente oposta (heterodoxa) como representante do Brasil e mais oito nações latino-americanas no Fundo Monetário Internacional (FMI). O novo indicado é Paulo Nogueira Batista Júnior, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. Ele entrará no lugar de Eduardo Loyo, que fez carreira na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e foi diretor do Banco Central (BC) no início do primeiro governo Lula.

A troca foi comunicada nesta sexta-feira (23) pelo Ministério da Fazenda, a quem cabe fazer a indicação em nome do Brasil e seus oito parceiros (Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname, Trinidad e Tobago). Os nove países formam uma espécie de bloco de atuação conjunta no FMI. Os interesses do grupo são representados junto ao Fundo, em Washington (EUA), por um diretor-executivo.

Em nota distribuída à imprensa, a Fazenda informou que Loyo pediu para sair por motivos pessoais – voltará a trabalhar no Brasil. Ele foi diretor por dois anos, até setembro de 2006, quando o ministro Guido Mantega o reconduziu para outro mandato. Como diretor do BC, Loyo integrava a tropa conservadora, junto com o diretor de Política Econômica, Afonso Beviláqua, que em breve deve deixar o cargo. Os dois foram colegas na PUC-Rio, tida como maior referência da ortodoxia no meio acadêmico.

Paulo Nogueira, que deve assumir em abril, cumprirá o resto do mandato iniciado por Loyo. A Fazenda não informou por que o escolheu para a função. O professor da FGV é conhecido por sua visão crítica da política econômica produzida no governo Fernando Henrique e preservada na gestão Lula, de juros altos, liberdade de fluxo de dólares pelo país e pagamento de quantias elevadas de juros com dinheiro de impostos (superávit primário). Também critica a globalização e é contra à criação da Área e Livre Comércio das Américas (Alça), tema sobre o qual já escreveu um livro (A Alca e o Brasil).

Paulo Nogueira acredita, no entanto, que a chegada de Mantega ao comando da equipe econômica serviu para arejar um pouco a ortodoxia dos tempos de Pedro Malan e Antonio Palocci, ao menos no que diz respeito à política fiscal baseada em superávit primário. Ele foi uma das vozes ouvidas pelo ministro durante a elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento – os dois conversaram no ministério antes do anúncio do PAC.

O economista foi negociador da dívida externa brasileira no governo de José Sarney (1985-1990), ocasião em que o país declarou moratória. Entre as nove nações que representará no FMI, duas ainda têm acordo com o Fundo (ou seja, ainda submetem suas decisões de política econômica à instituição): Haiti e República Dominicana.


André Barrocal – Carta Maior