Mostrando postagens com marcador Istoé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Istoé. Mostrar todas as postagens

domingo, abril 01, 2007

Esforço de 'Veja' e 'Istoé' para detonar Infraero esbarra nos fatos

As duas revistas participaram ativamente da criação do mito do mensalão. Que não era mensal. Que beneficiou 19 deputados de um total de 513. Sendo que 11 eram do PT (então por que seria preciso pagar pela sua lealdade ao governo?). Pelo menos um, o ex-deputado Roberto Brant, do PFL, era claramente beneficiário de outro esquema, mas ficou na conta. O mensalão - "o maior esquema de corrupção da história deste país", como gosta de lembrar gente ilibada como o senador Heráclito Fortes, foi portanto um traque diante das traquinagens da era das privatarias tucanas(mas isso é outra história).

Agora querem criar outro mito - o de que a Infraero é "antro de corrupção". Assim descrito, sem meias palavras. Sem defesa. Baseadas, as revistas, em recortes maldosos de relatórios preliminares do TCU, alguns dos quais já foram examinados em plenário, já foram inclusive arquivados, considerados improcedentes pelo Tribunal - mas as revistas não nos informam. Claro, porque senão elas se desmoralizam.

Não existe mais, nesta curiosa escola de jornalismo praticada pelos semanários, este negócio de ouvir o outro lado. Isso deve ser considerado uma coisa antiga pelas revistas, ou um detalhe. O que vale é comprovar a qualquer custo a correção de suas hipóteses, de seus desejos e preconceitos.

Elas não nos informaram que o TCU se equivocou - e reconheceu o erro - quando achou caras demais as despesas nas reformas dos inúmeros aeroportos do país, tomando como referência os parâmetros de construção da Caixa Econômica Federal e do DNIT. Que fazer pistas de pouso e terminais de embarque e desembarque exige a utilização de outras referências técnicas de engenharia - muitas delas acordadas em tratados internacionais - que não poderiam ser as mesmas das estradas ou das habitações brasileiras.

Veja e Istoé pinçam aqui e ali parágrafos de processos não concluídos pelo TCU. Em alguns casos omitem que os processos citados já foram concluídos, com a Infraero sendo inocentada pelo tribunal, após os devidos esclarecimentos. As revistas omitem, por exemplo, que as obras de Congonhas e Viracopos, que haviam sido interrompidas pelo Tribunal por suspeitas de superfaturamento, já foram retomadas, com a devida autorização do Tribunal, em razão dos esclarecimentos que foram feitos pela Infraero, que demonstrou não haver qualquer irregularidade ali. Mas as revistas não se interessaram em destacar isso.

Veja e Istoé fazem coro com os que querem a privatização dos aeroportos, com os Arthur Virgílios da vida, com a mal-intencionada oposição. Querem ver o circo pegar fogo.

Devem temer o sucesso do governo, entre outros motivos, porque isso legitimará ainda mais a luta da sociedade civil pela democratização da comunicação social, que virá se Deus quiser, com uma nova lei geral para o setor, que permita singelamente punir a mentira deslavada e a difamação deliberada.

Pra quem quiser, a defesa da Infraero está publicada no sítio da empresa, neste endereço. Recomenda-se a quem tem apreço pela verdade.

segunda-feira, março 05, 2007

Se o presidente fosse FHC, tudo seria diferente

Convido os amigos a um exercício (inútil) de ficção.

Vamos imaginar que o presidente Bush chegasse ao Brasil esta semana para tratar de uma parceria dos produtores de 70% do etanol do mundo – EUA e Brasil.

Vamos imaginar que em lugar do presidente que ocupa o cargo provisoriamente (até a posse do presidente eleito José Serra em 2010), o presidente fosse Fernando Henrique Cardoso, o Farol de Alexandria, aquele que lança luzes sobre o passado.

E que a situação econômica fosse exatamente a que é hoje.

Quer dizer: seria tudo igual, só que o presidente seria FHC.

Vamos ver o que faria a mídia conservadora:

A Miriam Leitão, a Controladora Geral da Republica, escreveria não sobre florestas – como faz hoje no Globo (clique aqui para ler sobre florestas), mas sobre a parceria do etanol. E diria: “Isto só se tornou possível por causa da consistência e da austeridade da política econômica do atual Governo.” E concluiria: “Uma política econômica tão responsável é obra, sobretudo, de um presidente que tem noção das virtudes de arrumar a casa das finanças públicas. Já imaginaram se o presidente eleito fosse o do PT ?”

A Veja colocaria na capa FHC e Bush abraçados e o titulo ufanistico: “A aliança de gigantes – Brasil – EUA”. No sub-título: “”Bye-bye Chávez!”

A Folha de São Paulo: “Acordo do etanol: Brasil e EUA podem dominar o mundo”. Uma pesquisa do Datafolha mostraria que a popularidade de FHC é maior que a do Alemão do Big Brother.

Estadão
: “Visita de Bush: FHC é o líder da América Latina”. Um editorial demonstraria de forma cabal que essa aliança só se tornou possível porque FHC respeita o marco regulatório e coibiu de forma exemplar as invasões no Portal do Paranapanema. Um artigo da colunista Dora Kramer traria o seguinte titulo: “FHC – terceiro mandato – por que não?”

IstoÉ
, sob inspiração de Daniel Dantas: “Acordo do etanol com EUA mostra que a privatização das telefônicas foi um sucesso”.

O Jornal Nacional faria uma reportagem em Nova York sobre o posto que já vende gasolina misturada ao álcool brasileiro e um “povo fala” de consumidores entusiasmados: “We love gas Made in Brazil!”

Paulo Henrique Amorim