Causou furor a Operação Hurricane da Polícia Federal. Peixe grande caiu na rede. Todos envolvidos na lavagem de dinheiro por meio dos controladores de jogos de bingo e caça-níqueis. Entre os presos, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que era vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES).
Também foram detidos outros integrantes do Poder Judiciário, acusados de envolvimento e conexões com o esquema, e delegados da própria PF - Susie Pinheiro, que atuava interinamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Carlos Pereira, diretor da Polícia Federal em Niterói (RJ).
Foram detidos os conhecidos contraventores Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Capitão Guimarães, agente da repressão do tempo da ditadura que se tornou presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, e Antônio Petrus Kalil (Turcão), apontado pela polícia como um dos mais influentes bicheiros do Rio.
Abraão David e capitão Guimarães são formalmente chamados de "ex-contraventores". A rede de malha fina se estendeu por São Paulo, Bahia e Distrito Federal. Todos os 25 procurados foram presos.
A mesma "Operação Hurricane" prendeu também, aqui na Bahia, o procurador regional da República do Rio de Janeiro, João Sérgio Pereira.
Segundo o diretor do setor de inteligência da Polícia Federal de Brasília, Renato Porciúncula, as investigações começaram há um ano. O trabalho teve início a partir do contrabando de componentes eletrônicos para máquinas caça-níqueis.
O Brasil está diante de uma das maiores operações de combate à corrupção que se tem notícia, principalmente por causa dos nomes fortes envolvidos.
A Operação Furacão, Hurricane em inglês, prova que se a Polícia Federal quiser, acaba de vez com a corrupção no Poder Judiciário.
As pessoas falam que no Brasil há desembargadores que cobram R$ 1 milhão para livrar a cara de prefeitos processados nos tribunais de Justiça. Sentença judicial virou moeda corrente. Desembargadores corruptos dividem o dinheiro com advogados.
Se a Polícia Federal quiser investigar, acha.
Do Bahia de Fato
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sábado, abril 14, 2007
terça-feira, abril 03, 2007
SUBVERSÃO É A DO JUDICIÁRIO
O ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello declarou que os controladores de vôo cometeram “um crime militar”. Foi, segundo o Ministro, “um motim”, tipificado no Código Penal Militar.
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
Além disso, disse o Ministro Celso de Mello que o crime militar “vai gerar sim o dever de a União indenizar todos os passageiros, inclusive por danos materiais e morais”.
Provavelmente ele próprio, o Ministro, que durante a prática do “crime militar” não conseguiu viajar para São Paulo. Trata-se de um voto, de uma decisão do Ministro? Não. Trata-se de uma declaração, uma “entrevista” à imprensa...
Eis aí um ato típico de “tribunalização da política”, como definiu com muita clareza o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) .
O mesmo Ministro Celso de Mello considerou, num voto, que se deve instalar a CPI do Apagão, para proteger as minoria. É uma atitude respeitável, extraída de uma decisão no STF.
Ainda que atropele uma decisão da própria Câmara. Mas é uma decisão provisória, de qualquer forma.
Agora o Ministro, primeiro, julga que o ato dos controladores é “um crime militar”, antes que se instaure o - já iniciado - processo do Ministério Público Militar, antes que os controladores sejam julgados e antes que sejam condenados.
O Ministro já os condenou. Só falta dizer qual é a pena. E expedir a ordem de prisão. Segundo, o Ministro conclama os consumidores a acionar a União. E por que não as companhias aéreas – e essas a União? O que o Ministro tem a ver com isso – além de ser um consumidor irritado, como milhares de outros?
O Ministro, data vênia, se coloca como Promotor Militar e, depois, como Presidente do Procon. Se o Ministro – na escola do Ministro Marco Aurélio de Mello – gosta de dar opiniões, eu também gosto. Opinião, cada um tem a sua; e, na minha opinião, a minha é melhor do que a dele. E, na minha opinião, modestíssima, o Ministro exorbitou.
O comportamento dos ministros do Supremo – seja na questão da CPI do Apagão, seja na condenação antecipada dos controladores, seja na questão dos mandatos dos deputados – é um comportamento que subverte a ordem institucional.
Clique aqui para ler a entrevista do deputado Narcio Rodrigues (PSDB-MG).
Nos bons tempos, juiz não tinha opinião: Ministro decidia, nos autos. Agora, eles governam... Não leram Montesquieu...
Em tempo: o Procurador Geral da República já antecipou que vai seguir a jurisprudência da CPI dos Bingos e recomendar ao STF que instale (?) a CPI do Apagão. O Procurador Geral também ficou preso num aeroporto... A CPI dos Bingos é aquela que ficou conhecida como CPI do Fim do Mundo.
(Clique aqui para ler “A CPI do Barata Avoa”)
A Procuradoria Geral da República, é bom recordar, é aquela que, ao fim da crise do mensalão, indiciou os 40 ladrões e se esqueceu de indiciar o Ali Babá, aquele que botava dinheiro no valerioduto.
Trata-se, de novo, de um comportamento singular da Justiça brasileira – anunciar na imprensa o que vai fazer: “cantar” a decisão.
Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada
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