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terça-feira, dezembro 04, 2007

Rindo com Fernando Henrique Cardoso

(Do blog do Mello)

Em certa altura de seu artigo publicado em O Globo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma o seguinte:

Nada contra, portanto, que se consulte diretamente o povo sobre questões definidas, desde que haja debate prévio e livre para que as opiniões se formem. [Embora para a emenda que possibilitou sua reeleição ele não tenha consultado o povo] Nem muito menos que se ampliem os canais de participação popular no processo deliberativo. Quando, entretanto, se criam condições para transformar as consultas em formalidades manipuladas pelo peso da presença governamental na mídia ou pelo uso dos benefícios governamentais para provocar a adesão ao líder, só se lendo o direito pelo avesso se pode falar em democracia.

Peso da presença governamental na mídia?! No Brasil? Na Venezuela? Ele só pode estar brincando. A mídia nesses dois países é totalmente antigovernista.

Outra coisa que eu acho curiosa é a análise que costumam fazer dos programas sociais dos governos populares e que está referida no trecho "uso dos benefícios governamentais para provocar a adesão ao líder". Queriam o quê? Que o povo votasse contra os que lhe concedem benefícios?

- Não vou votar no Lula não. Desde que ele virou presidente a minha vida melhorou, o país melhorou... Sabe, não acho justo votarmos nele só porque estamos sendo beneficiados... O certo é votar em quem não faz nada pela gente porque aí a gente tá sendo imparcial, tá mostrando que é independente...

O strip-tease da Folha de S.Paulo

A manchete deste domingo revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras.

(Gilson Caroni Filho, para a Agência Carta Maior)

Que não existem manchetes inocentes todos sabemos. A da primeira página da Folha de S.Paulo de domingo, 2/12/2007 ("65% rejeitam 3º mandato para Lula"), além de não ser exceção, tem dois méritos: revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números de acordo com seus sagrados desígnios, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras.

O editorial ("Mania de mudança") justifica o expediente ilusionista da capa. Trata-se de "dar por encerrado o capítulo das grandes reformas que envolvem ciclos eleitorais. O apaziguamento dos partidos a esse respeito é passo crucial para que instituições mais específicas da política, como a fidelidade partidária e o sistema de voto, possam ser aperfeiçoados". Belas palavras para um exercício tão pobre de tergiversação.

Não consta que o governo Lula tenha qualquer vocação autocrática, como gostam de afirmar seus detratores. E muito menos que os processos em curso na América Latina apontem para autocracias. É bom lembrar ao desavisados que o antônimo de oligarquia não é tirania. E as reformas no país venezuelano não significam ditadura à vista.

Confundir, deliberadamente, proposição de um parlamentar para que o presidente possa convocar plebiscitos com aspiração a terceiro mandato faz parte da estratégia política de um projeto derrotado nas urnas. Sem projeto alternativo, vive na lógica enviesada dos factóides que redações prestimosas logo inserem na pauta das discussões políticas. Mas o que título oculta? Na página A-4, é revelado que para 63% dos entrevistados nenhum presidente deve ter esse direito. "O percentual sobe para 66% quando se trata de governadores e vai a 67% no caso de prefeitos". A rejeição a um terceiro mandato não é, portanto, exclusividade do presidente, como é sugerido na esmerada capa.

Se o que define uma manchete é seu caráter remissivo ao que há de mais importante dentre as notícias contidas numa edição, os editores da Folha, numa hipótese tão ingênua quanto remota, não conhecem o ofício.

Se aceitarmos que todo procedimento que falseia a realidade é de ordem ideológica, precisamos folhear o diário da família Frias para chegarmos ao que se busca ocultar. Somente na décima segunda página descobrimos o que produziu o conteúdo estampado na vitrine do produto: em relação à pesquisa anterior, houve uma oscilação positiva de dois pontos percentuais na avaliação do governo. E, fato crucial para redatores zelosos do seu dever de classe, "a aprovação do governo subiu na região Sudeste, entre brasileiros que integram famílias com renda acima de dez salários mínimos, e os que vivem em capitais, e também os mais escolarizados". Ou seja, o aumento de popularidade de Lula também se dá no universo dos leitores da Folha. Um baque para os combatentes Clóvis Rossi, Eliane Catanhêde e Josias de Souza, entre tantos outros.

Como ficam os analistas políticos que, na última pesquisa do Ibope, afirmavam que a oscilação negativa, dentro da margem de erro, sinalizava para uma inequívoca tendência de perda de popularidade do governo? O que tem a dizer, agora, a distinta Lúcia Hipólito, uma das mais falantes "meninas do Jô"? São "momentos dramáticos" para jornalistas e acadêmicos de inclinação tucana.

A pesquisa sai quando soa o alarme para os jornalões. Há movimentos significativos na superfície na política econômica do governo. Já se fala em redução do superávit primário, queda nos juros e intervenção no câmbio. São coisas intragáveis para colunistas que tanto exaltam as virtudes de arrocho fiscal e choque de gestão.

No mais, o que o Datafolha revela quanto a intenções de voto para 2010, é absolutamente previsível. Que os nomes que disputaram a última eleição presidencial fossem mais lembrados não é surpresa. Isso explica a liderança de Serra e, principalmente, o fato de as intenções de voto em Heloísa Helena serem quase o triplo do percentual alcançado por ela no ano passado. Mas seria interessante, do ponto de vista metodológico, incluir Lula em um dos cenários. Apenas como exercício projetivo. E se ele ficasse à frente do governador paulista, como se sustentaria a manchete dominical?

Estamos diante de uma primeira página emblemática. Expôs disputa entre as frações do PIG. Mostrando uma insuspeita desenvoltura, a Folha rebolou em trajes íntimos, alcançando a pole dance do cabaré demo-tucano. Não demora muito e o Globo a desbanca. É uma questão de tempo.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Para quem ainda não entendeu...

Para quem ainda não entendeu que a imprensa trabalha contra o governo Lula
(do blog do Mello)

A notícia é que, pela primeira vez na história, o Brasil sobe de patamar e passa para o primeiro grupo, entre os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), graças, principalmente – como frisa a ONU – ao programa Bolsa Família.

Manchete de O Globo:

- Na 'lanterna' da elite mundial

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Li isso e lembrei na hora do início do Bom Dia Brasil de Hoje. Pela cara de velório dos apresentadores, parecia que o éfe-agá tinha morrido!

quinta-feira, julho 05, 2007

FHC, o invejoso, vai surtar com números da economia



FHC ressuscitou.

Está em todas.

Nunca um ex-presidente foi tão citado pela mídia.

A mídia golpista adora o FHC.

Teriam sido as "negociatas" da privataria?

A base de Alcântara, que FHC queria "entregar" aos americanos?

Ou teria sido o ministro da Justiça de FHC, um certo Renan Calheiros?

FHC palpita sobre tudo, mas nenhum repórter tem coragem de perguntar a ele quem é que pagou as contas do filho do senador com a jornalista da Globo.

Se não foi o próprio FHC, quem foi?

E o que recebeu em troca?

Eu juro para vocês: se eu encontrar o FHC na rua ou em algum evento público eu vou fazer essa pergunta.

Não devemos admitir a hipocrisia: se o Lula teve de responder e o Renan Calheiros também, devemos poupar FHC?

Devemos poupar as crianças, que não têm nada com isso.

Digo, antes de prosseguir, que o fato de que Lula desperdiça sua taxa de aprovação apoiando Renan Calheiros é nojento.

Nada justifica isso, nem a tal "governabilidade".

Renan, ACM, Sarney, Roriz - essa gente deveria ser enterrada.

É o atraso do atraso do atraso do atraso.

Pior que a elite brasileira, que é apenas o atraso do atraso do atraso.

O problema do Lula é que ele tem medo.

O sonho de Lula é ser o FHC.

E o sonho do FHC é ser tão popular quanto o Lula.

À revista Economist, que o considera presidente-em-exercício, FHC papagaiou um bordão que deve ter sido produzido no mesmo laboratório de onde saiu o Pan do Brasil.

Alguma coisa do gênero: chega de fazer comparações com o passado, devemos fazer comparações com os nossos competidores.

É óbvio que FHC não quer mais comparações com o passado.

O governo Lula dá de dez a zero em todos os sentidos, inclusive no número de CPIs instaladas e em atividade, no combate à corrupção, na defesa dos interesses nacionais, na economia, na distribuição de renda e por aí afora.

FHC comprou a sua reeleição e a mídia abafou o escândalo.

O problema do sociólogo é que a comparação do Brasil com os competidores é favorável... ao Brasil.

Se você isolar o número do PIB - que é o que fazem os puxa-sacos de FHC -, o Brasil sai perdendo.

Mas você gostaria de morar na China, país de partido único, sem democracia, com a imprensa amordaçada, problemas gravíssimos no meio ambiente, falta de terras, de água e 200 milhões de camponeses miseráveis que detonam o seu salário?

E na Índia, em pé de guerra com um vizinho, com graves problemas entre hindus e muçulmanos, terrorismo, fome, falta de água e a divisão da sociedade em castas?

E na Rússia, com um regime autocrático, em guerra com uma de suas províncias, "cercada" pelos americanos, com centenas de mísseis nucleares apontados em sua direção?

Dos BRICs o Brasil é a melhor opção para os investidores estrangeiros.

Ou é por acaso que está chovendo dinheiro no Brasil?

Que o dólar só faz despencar?

O Brasil oferece uma plataforma razoavelmente segura para investimentos, sem comoções internas, com ótimas perspectivas de crescimento, terra e água à vontade e um monte de brasileiros dentro.

É o lugar ideal para se instalar e disputar um mercado em crescimento, o da América Latina.


Sim, temos um gravíssimo problema de violência, uma guerra civil não declarada por causa de uma distribuição de renda criminosa.

Mas o governo que está no poder está enfrentando o problema, com resultados visíveis.

Em que país do mundo as vendas pela internet têm aumento de 49% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior?

Eu não vou ficar aqui desfiando todos os números da economia.

Faça isso você mesmo e vai ver que o governo Lula, ainda que enrolado com todo tipo de trapaceiro, dá de dez a zero no de FHC.

Se o Lula ousasse um pouquinho mais e usasse a autoridade que tem com mais de 60 por cento de aprovação popular poderia passar feito um rolo compressor sobre FHC e sua turma... politicamente.

Mas o Lula é de negociar, busca sempre o consenso, o que dá a impressão de paralisia.

O Lula é melhor presidente e melhor político que FHC.

E eu imagino o quanto deva doer, num professor da Sorbonne oriundo da aristocracia paulistana, o fato de perder para um nordestino que se formou no SENAI.


(Publicado em 3 de julho de 2007)


Estou com preguiça de ajudar os tucanos.

Por isso fico no caderno Dinheiro, da Folha, de 5 de julho.

Entrada de dólares no Brasil até 17 de junho de 2007: U$ 42,9 bilhões. Em todo o ano de 2006: U$ 37,3 bilhões - e não é tudo capital especulativo, não.

Brasil deve zerar o déficit nominal em 2008.

Brasil deve criar 1,451 milhão de empregos em 2007, 18% a mais que em 2006.

Estrangeiros vendem ações no país, mas compram de novo.

Compraram, os estrangeiros, 74% do volume de novas ações emitidas por companhias brasileiras na primeira metade do ano.

Venda de motos cresce 25,83% no primeiro semestre em relação ao ano passado.

Indústria cresce 1,3% em maio.

Para Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, esse perfil de crescimento, liderado por máquinas e equipamentos (19,4% em relação a abril) é "bastante saudável", pois indica o aumento dos investimentos.

'Choque agrícola' eleva inflação em SP (acumulado de 4,88% em 12 meses)

Ainda sobre as bolsas da valores, Carlos Miranda, sócio da Ernst & Young para a área de transações, vê dados positivos no cenário do país.

Para ele, ao contrário do que acontece com os outros Brics (Rússia, Índia e China), o investidor estrangeiro que aplica nas Bolsas brasileiras prioriza investimentos de longo prazo, apostando menos em ganhos rápidos.

Tudo isso chupei de apenas um caderno da Folha.

(Publicado em 5 de julho de 2007)

Reproduzido do site Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha.

segunda-feira, abril 09, 2007

Carta a Danuza Leão

Por Osvaldo Bertolino

Cara Danuza:

Você diz em sua coluna de domingo (1) que está precisando só da opinião de Fernando Gabeira. Mas espero, humildemente, que você também leia a minha. Senão pelo compromisso jornalístico, por uma questão de civilidade. Começo lembrando que há algum tempo a Folha de S.Paulo publicou uma sugestiva carta de um leitor. ''Desculpe, mas acabou a minha capacidade de absorver só notícias negativas. A Folha há muito deixou de praticar um jornalismo investigativo e entrou firme no jornalismo denunciativo, que não leva a nada'', disse ele.

O leitor estava comunicando a perda da paciência com um determinado tipo de jornalismo. Ele não é o único. Nem a Folha de S.Paulo é a única publicação a colocar como prioridade de sua estratégia editorial a busca do pior em tudo. É um caso em que se aplica a grande frase de Eça de Queiroz: ou é má-fé cínica ou obtusidade córnea.

Esse tipo de política editorial dá cartaz, mas não consegue ocultar algo fundamental: poucas vezes um governo brasileiro teve a sorte de enfrentar inimigos tão desqualificados como os que enfrenta hoje. De fato, um dos trunfos mais poderosos de Lula é o tipo de gente que profere bravos discursos clamando por princípios e pureza, como ACM, Bornhausen, FHC...

Assim fica difícil! Munidos de um visto temporário para o mundo da ética, esses personagens só podem levar a opinião pública a uma conclusão: se eles estão contra o governo, este só pode estar certo. Disso decorre uma constatação que vale a pena anotar: a mídia é de fato golpista.

Outro exemplo é um entrevista concedida por Gabeira (PV-RJ) - já que você o elegeu como seu único interlocutor nesta questão - à Folha tempos atrás. A linhas tantas, o entrevistador, Josias de Souza, pergunta: ''Se (José) Dirceu fosse preso hoje, o senhor seqüestraria um embaixador americano para libertá-lo?''. Essa formulação pode ser definida como a síntese da mentalidade idiota que prevalece na maioria das redações.

Já Gabeira abusou do que se pode chamar de histrionismo. A gabolice de Gabeira lhe rendeu uma superexposição na mídia e foi elogiada até por colunistas sociais. Gabeira estava sendo conduzido ao picadeiro. O circo não podia parar. Como o deputado Roberto ''Dinamite'' Jefferson praticamente já havia cumprido seu papel, entrou em cena Gabeira e seus traques.

Com o clima de fim de festa instalado nas CPIs, puseram o travesso deputado para de vez em quando gritar: ''Lobo, lobo!''. Assim ele mantinha o aparato da direita mobilizado para combater qualquer indício de flagrante nas mal escondidas intenções contra o governo Lula.

O que se via na mídia era um panorama de ruínas. Os prognósticos mais tenebrosos eram atirados ao público de todas as formas possíveis - pela televisão, pelas rádios, pelos jornais, pelas revistas, pela internet. (Quem haverá, por exemplo, de esquecer as expressões faciais de pânico indignado de William Wack no Jornal da Globo?) Nesse ambiente que premia sistematicamente a indignação, pouco importando se ela se baseia ou não em fatos, tornou-se regra conferir respeitabilidade à opinião desinformada.

Outro exemplo é a carta de José Dirceu aos deputados. ''A mídia me julgou e me condenou no dia em que um deputado corrupto resolveu se vingar por eu ter negado qualquer proteção para livrá-lo do processo que viria'', escreveu Dirceu, referindo-se ao ex-deputado Roberto Jefferson. E conclui: ''Quando a mídia escolhe alguém para crucificar, justa ou injustamente, não há reputação que resista incólume''.

Até aí não há novidade: essa mídia serve para isso mesmo. Se alguém está contrariado com alguma decisão do poder público; insatisfeito com o resultado de alguma eleição, seleção, licitação ou critério para qualquer coisa definido por algum órgão de governo; disposto a azucrinar algum desafeto, apenas, esse alguém tem uma avenida aberta pela frente; munido de alguns argumentos - podem ser merecedores de consideração ou pura fanfarronada -, esse alguém pode exercitar suas manobras politiqueiras, barrar o prosseguimento de um processo legítimo que não o beneficiou, levantar suspeitas contra um administrador que não atendeu aos seus interesses ou apenas dar a sua colaboração para atulhar um pouco mais os tribunais do país. O caminho é este mesmo: recorra à mídia.

O que se passou no caso Dirceu mostra como é fácil, e isento de quaisquer ônus, atentar contra os fatos por interesses politiqueiros. Devoto daquilo que o cineasta Billy Wilder chamou de Big Carnival (grande carnaval) - filme que no Brasil recebeu o nome de A Montanha dos Sete Abutres e que retrata o caso de um repórter especialista na arte da trapaça -, o noticiário atingiu o auge das previsões tétricas. Nesse tipo de noticiário que culpa o governo por tudo, aparecem os que criticam o presidente da República, os revoltados com o socialismo, com o MST, com a MPB, bem como os insatisfeitos em geral, seja com o campeonato brasileiro de futebol ou com o atraso do trem, a acne juvenil, a aftosa e o bicho-do-pé. Ou seja: tudo é culpa do governo.

Esse comportamento não é, absolutamente, irrelevante, porque inclui a mentira. Trata-se de um noticiário - melhor seria dizer bagunçário - que cumpre papel bem definido no jogo político que se estabeleceu no país. Ele serve aos velhos coronéis, muitos deles modernos, que usam os meios de comunicação como arma principal na luta política. E isso tem um perverso efeito colateral: a corrosão do caráter do jornalista.

Um jovem que chegue a uma redação e seja confrontado com a realidade cotidiana de trapaças de variadas espécies para a obtenção de notícias - mentiras sobre a natureza da reportagem para conseguir entrevistas e gravadores escondidos para colher flagrantes, para ficar apenas em dois exemplos comuns - é rápida e inevitavelmente engolfado pela frouxidão dos valores. A conclusão é inescapável: por mais defeitos que tenha, por mais problemas por resolver que acumule, o governo brasileiro - incluindo Franklin Martins - é, hoje, infinitamente melhor do que a mídia.

Cordialmente,

Osvaldo Bertolino, em www.vermelho.org.br

quarta-feira, abril 04, 2007

Defenda-se

A você, caro compatriota, que está pouco se lixando para o Serra, para o Lula, para as famílias midiáticas (Marinho, Frias, Civita, Mesquita etc) ou para os interesses políticos de qualquer poderoso, pois o que quer, de verdade, é que sua vida melhore, quero sugerir que não dê bola para o noticiário sobre a crise (fabricada) no setor aéreo. Tudo não passa de uma tentativa dos inimigos políticos (deixaram de ser adversários há muito tempo) do Lula de impedirem que ele tente melhorar sua vida. E Lula está tentando. No mínimo, porque isso o favorece e ao seu grupo político. E não é só o atual presidente que quer melhorar sua vida. Nenhum presidente quer ver o país piorar - ou deixar de melhorar - sob seu comando.

Sem limites


Claro que não se pode esperar colaboração de oposicionistas. O papel deles é sempre o de tentarem mostrar à sociedade que quem está no poder é incompetente e até desonesto. Em países mais desenvolvidos, politizados e civilizados, contudo, a oposição sabe que há limites para a luta política, pois se exagerar pode se mostrar sabotadora para uma sociedade mais esclarecida e, assim, pode colocá-la contra si. Mas sempre que houver uma brechinha para impedir que medidas e projetos do governo melhorem as vidas dos cidadãos, os oposicionistas de qualquer parte não perderão a chance.

O que ameaça gravemente um país é quando oposicionistas e mídia se aliam com vistas não somente a desgastar o governo perante à sociedade, mas a impedir que governe. Aliada aos meios de comunicação, por mais minoritária que uma oposição seja ela ganha um poder adicional para atrapalhar a governabilidade. E pode até gerar convulsões sociais e crises institucionais. Vejam só esse caso da crise no setor aéreo. Você provavelmente não sabe que políticos da oposição a Lula se reuniram com o comando de greve dos controladores de vôo poucos dias antes de eles se amotinarem. Você não sabe disso porque a mídia escondeu. Está claro e límpido como água mineral que o PSDB e o PFL (que agora se travestiu de "Democratas") insuflaram os sargentos da Aeronáutica para fazerem uma greve que prejudicou milhares de pessoas. E a mídia esconde isso de você.

O governo propôs ao Congresso um programa ambicioso para acelerar o crescimento do país, o PAC. Se Lula já é popular, se lograr aumentar a geração de empregos, enfim, o ritmo econômico do país, se conseguir beneficiar mais consistentemente os brasileiros, PSDB e PFL poderão ir dando adeus a qualquer perspectiva de voltarem ao poder em 2011. E mais distante ainda ficará o sonho de oposicionistas e donos de jornais e TVs de derrubarem Lula e voltarem ao poder antes que ele conclua seu segundo mandato. Por isso, assim como não hesitaram em provocar uma greve que torturou milhares de pessoas nos aeroportos, tampouco hesitarão em sabotar o Brasil o tanto e em tudo quanto puderem.

Você é quem pagará a conta dessa guerra política se der apoio à oposição e ela tiver êxito. Não será Lula nem o PT que passarão pelas piores dificuldades. O máximo que acontecerá com eles será voltarem para a oposição. Mas quem ficará exposto aos efeitos de uma eventual crise econômica advinda da guerra política sem limites, seremos nós, a sociedade. Assim, em seu próprio interesse exija da oposição e da mídia que exerçam seu papel fiscalizador com seriedade e pensando no interesse de todos e não só em seu próprios interesses políticos. Você deve isso a você mesmo e aos seus, bem como ao seu país.

Blog Cidadania

segunda-feira, abril 02, 2007

Crise aérea: a receita para não ler a mídia conservadora

A melhor maneira de evitar a mídia conservadora (e golpista) do Brasil é ler outra coisa. Veja só:

Manchete do Globo (e sua renovada fúria contra o Governo, especialmente depois que Franklin Martins se tornou ministro): “Crise pós motim deixa controle aéreo sem chefia”.

Ué, mas não está decidido que a Aeronáutica não manda mais, depois da desmilitarização?

E que os controladores é que mandam?

Manchete da Folha: “FAB abandona controle do tráfego aéreo”.

Trata-se, como se vê, de incitar a crise militar e – como na queda de Jango – acelerar a queda de Lula.

Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira.

Recomendo nessa manhã de segunda feira, às vésperas da queda do Presidente Lula, dois textos em língua espanhola:

O primeiro, no jornal argentino Clarín:

REALISMO
Paula Lugones
plugones@clarin.com


Lula enfureció a las Fuerzas Armadas al embestir contra varios pilares de la vida militar. Rompió el tabú de la "disciplina y jerarquía" y prefirió negociar con los controladores en lugar de llevarlos a la cárcel, como dicta el reglamento de los uniformados. En un puro ejercicio de realismo político, el presidente comprendió que el diálogo era la única salida: la Aeronáutica no tenía hombres entrenados para reemplazar a los controladores, si iban presos. Así, si acataba el manual militar, el caos iba a ser aún mayor. La crisis en los aeropuertos ya alcanzaba una dimensión incontrolable, con impacto en el turismo, en los negocios y en el humor de los brasileños. Mal que les pese a las Fuerzas Armadas, que manejaron con ineficiencia el sector, las opciones eran pocas.

O segundo, no jornal espanhol El País, de título “Lula ganha uma batalha no caos aéreo”:
Clique aqui para ler.

O Clarín e o El País não podem ser considerados jornal esquerdista, trabalhista ou coisa parecida.

Por Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada

quarta-feira, março 14, 2007

Emenda 3, também conhecida como “Emenda Globo”, opõe empresários e trabalhadores

A discussão em torno da Emenda 3 ao projeto do governo da Super-Receita, é daquelas que tornam cristalina a visão sobre quem está do lado de quem. Nesta semana temos lido anúncios de jornal defendendo um lado e outro, e a grande mídia claramente desinteressada em esclarecer, mas apenas bombardear a intenção do governo de vetar a danada.

“A emenda 3 proíbe que o Poder Executivo possa, por meio de ações de fiscalização, julgar se há vínculo empregatício entre duas pessoas mesmo que formalmente isso não aconteça. Este impedimento ataca diretamente casos de maquiagem na contratação de um empregado quando este se utiliza de uma pessoa jurídica (PJ) para formalmente aparentar uma relação de prestação de serviços. A autuação em situações como estas só seriam possíveis no âmbito do Judiciário.”

Ou seja: os deputados incorporaram um dispositivo ao projeto do governo que – ao fim e ao cabo – inviabiliza a fiscalização dentro das empresas. A relação entre patrão e empregado passa a ser entre pessoas jurídicas – daí o termo “pejotização” das relações trabalhistas – e o trabalhador fica sem décimo-terceiro, férias, previdência etc.

Ao mesmo tempo, o empregador tem mais facilidade de contratar, posto que o custo social é menor. Explica-se o interesse das empresas de mídia: este é o modelo por excelência que vigora nas redações dos jornalões e nas TVs, de modo geral, e há anos é intensamente combatido por sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais.

“O receio das centrais é que, com a medida, uma maioria esmagadora dos empregadores passe a usar contratos com pessoas jurídicas pelo fato de ser mais barato – os impostos sobre esta forma são menores do que os encargos existentes para empregados de carteira assinada. Como pessoas jurídicas, os trabalhadores perderiam os direitos conquistados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Constituição Federal de 1988, tais como férias, 13º salário e recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).”

Com Agência Carta Maior

sexta-feira, março 09, 2007

Notas esparsas sobre uma visita polêmica

1. São Paulo - ou o amálgama entre os entes estadual e municipal - bem que tentou sair bonito na foto, fazendo, no hotel onde Bush se hospedou, uma decoração de fundo de palco muito bacana. Mas a tentativa de agradar esteve em evidente divórcio com o ânimo do paulistano, que ficou furibundo com o enorme transtorno urbano causado pelo pesado esquema de segurança.

2. Os grandes veículos abriram largo espaço para os protestos. Afinal, com uma pauta pró-governo que se auto-impôs de modo tão forte, era preciso buscar alguma coisa pra contrabalançar e desgastar a imagem do governo. Nem que pra isso fosse preciso mostrar as mais batidas cenas de anti-americanismo. Coisa que, em geral, merece indiferença e pouco caso da mídia.

3. O avião do Bush Jr. é pelo menos 10 vezes maior do que o nosso bem conhecido Aerolula. As TVs, para mostrar o casal presidencial embarcando e desembarcando, focalizaram de longe a aeronave; mesmo assim, foi possível ter dimensão exata do exagero. Por certo, não deve haver um Arthur Virgílio no Congresso norte-americano para dizer que aquilo é fruto da vaidade ou deslumbramento do presidente.

4. Ironicamente, apenas a Globo foi enfática ao informar que Bush não tem poderes para derrubar as barreiras protecionistas contra o álcool do Brasil. As demais se esforçaram para colocar a manutenção do mecanismo na conta de um "fracasso" da visita. Fracasso que mais parece dor-de-cotovelo mesmo.

5. A gravata de Lula, na entrevista coletiva, tinha o mesmo vermelho das bandeiras que protestaram na avenida Paulista e picharam consulados e lanchonetes aqui e ali. Que o presidente opera com maestria os elementos simbólicos, disso já sabíamos. Mas daí ele dizer que o acordo para destravar a Rodada de Doha "depende apenas de se encontrar o ponto G", aí já é arrasar, é quebrar paradigmas!

6. Será que depois de encontrar o "ponto G" das negociações bilateriais, EUA e Brasil voltarão a ter as relações carnais que mantiveram durante anos, em passado não muito longínquo?

7. Quer saber da honestidade de propósitos do governo americano em relação à América Latina? Ou o quanto os EUA se sente à vontade falando de ajuda, de solidariedade, de combate à pobreza e cuidado com o meio ambiente? É fácil. Basta ver a desenvoltura e a naturalidade com que Bush tocou o chucalhinho lá na ONG do Morumbi. "Integração total" é aquilo.

8. E o anti-americanismo da política externa brasileira? Com a palavra, a revista Veja.

quinta-feira, março 08, 2007

Até que enfim, mais democracia na comunicação

Boa notícia para quem está preocupado em democratizar a comunicação no Brasil: Telefônica obtém licença para lançar empresa de TV paga

Por Renata de Freitas


SÃO PAULO (Reuters, Quarta-feira 7 de Março, 2007 8:45 GMT138) - A Telefônica obteve nesta quarta-feira uma muito aguardada licença nacional que permitirá ao grupo espanhol lançar no Brasil uma operação própria de TV por assinatura em um momento de forte convergência tecnológica no mercado local. A Telefônica aguardava desde maio a autorização concedida nesta tarde pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a nova empresa que prestará o serviço de TV paga com a tecnologia por satélite, conhecida como DTH. O novo presidente do grupo, Antônio Carlos Valente, esclareceu que a operadora de telefonia fixa de São Paulo, a Telesp, terá uma subsidiária para este fim, que pode ou não ser a atual A Telecom, que obteve a licença nacional de DTH. "Estamos bastante otimistas para contribuir com o desenvolvimento do mercado e oferecer mais opções aos consumidores", afirmou Valente à Reuters, por telefone. (Continua...)

Toda novidade que possa representar algum grau de desoligopolização das comunicações no Brasil ajuda a luta por uma comunicação mais democrática. A Anatel acaba de prestar um serviço ao país. É matemático: quanto mais veículos competindo entre si, melhor para o produtor de informação e melhor para o consumidor de informação. Há, claro, a preocupação sobre o tamanho do mercado. Haverá mercado para todos? Bem, talvez esteja na hora de os propagandistas do liberalismo acostumarem-se à idéia de que eles próprios precisarão concorrer, aperfeiçoar produtos e prestar serviços cada vez melhores ao consumidor, se quiserem sobreviver. Finalmente, o capitalismo brasileiro parece estar começando a penetrar num dos últimos cinturões de resistência à sua expansão.

quarta-feira, março 07, 2007

JB não tem mais o que inventar pra desgastar o governo

"EUA insultam o Brasil", é a manchete que tenta fazer cortina de fumaça para o encontro desta quinta-feira entre Lula e Bush, em Sampa. Vejam se tem novidade no texto da primeira página:

"Um relatório de 23 páginas, divulgado ontem, acusa as forças de segurança de cometerem "inúmeros e sérios" abusos. O país, por onde Bush começará uma cruzada latina contra Hugo Chávez, é criticado por não respeitar os direitos humanos e discriminar mulheres e crianças."

Estadão


Outro que também tenta desviar a atenção do leitor da exitosa aproximação de Brasil e EUA em torno de interesses econômicos concretos é O Estadão. Tudo porque Lula já disse que não aceita falar de Venezuela no encontro. O foco é outro, é o etanol e estamos conversados. Na manchete, carrega: "Estatismo de Chávez só traz mais miséria, diz Bush" O que evidentemente, sabemos, é mentira.

O Globo

Por sua vez, o carioca O Globo vê chifre em cabeça de cavalo com a oportuna decisão do governo federal, de permitir que estados negociem seus passivos - dívidas com o próprio governo, inclusive - com os bancos comerciais, indo à praça em busca de condições mais favoráveis para cumprir seus compromissos. O jornal vê aí tentativa de driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não cola. Afinal não se trata de "dinheiro novo", mas de "dinheiro em melhores condições", tal qual o cidadão que refinancia seu cheque especial, por meio de empréstimo pessoal, e desafoga seu orçamento com a redução dos juros sobre a dívida.

Correio Braziliense


Já o xiita (do contra) Correio Braziliense, tenta por que tenta desqualificar o ótimo saldo, para o governo, das conversas de ontem com os 27 governadores. Como sempre, prefere enfatizar os pontos divergentes - o governo não abre mão da CPMF e da Cide - a reconhecer a habilidade do governo, que agradou até mesmo a turma tucana, que saiu elogiando. Coisa que também a Folha de S.Paulo não conseguiu esconder.


E assim segue a mídia conservadora.

segunda-feira, março 05, 2007

Se o presidente fosse FHC, tudo seria diferente

Convido os amigos a um exercício (inútil) de ficção.

Vamos imaginar que o presidente Bush chegasse ao Brasil esta semana para tratar de uma parceria dos produtores de 70% do etanol do mundo – EUA e Brasil.

Vamos imaginar que em lugar do presidente que ocupa o cargo provisoriamente (até a posse do presidente eleito José Serra em 2010), o presidente fosse Fernando Henrique Cardoso, o Farol de Alexandria, aquele que lança luzes sobre o passado.

E que a situação econômica fosse exatamente a que é hoje.

Quer dizer: seria tudo igual, só que o presidente seria FHC.

Vamos ver o que faria a mídia conservadora:

A Miriam Leitão, a Controladora Geral da Republica, escreveria não sobre florestas – como faz hoje no Globo (clique aqui para ler sobre florestas), mas sobre a parceria do etanol. E diria: “Isto só se tornou possível por causa da consistência e da austeridade da política econômica do atual Governo.” E concluiria: “Uma política econômica tão responsável é obra, sobretudo, de um presidente que tem noção das virtudes de arrumar a casa das finanças públicas. Já imaginaram se o presidente eleito fosse o do PT ?”

A Veja colocaria na capa FHC e Bush abraçados e o titulo ufanistico: “A aliança de gigantes – Brasil – EUA”. No sub-título: “”Bye-bye Chávez!”

A Folha de São Paulo: “Acordo do etanol: Brasil e EUA podem dominar o mundo”. Uma pesquisa do Datafolha mostraria que a popularidade de FHC é maior que a do Alemão do Big Brother.

Estadão
: “Visita de Bush: FHC é o líder da América Latina”. Um editorial demonstraria de forma cabal que essa aliança só se tornou possível porque FHC respeita o marco regulatório e coibiu de forma exemplar as invasões no Portal do Paranapanema. Um artigo da colunista Dora Kramer traria o seguinte titulo: “FHC – terceiro mandato – por que não?”

IstoÉ
, sob inspiração de Daniel Dantas: “Acordo do etanol com EUA mostra que a privatização das telefônicas foi um sucesso”.

O Jornal Nacional faria uma reportagem em Nova York sobre o posto que já vende gasolina misturada ao álcool brasileiro e um “povo fala” de consumidores entusiasmados: “We love gas Made in Brazil!”

Paulo Henrique Amorim

sábado, março 03, 2007

Folha defende, para a tevê, remédio que se recusa a tomar: a auto-regulamentação

Nada como um dia após o outro. A Folha de S. Paulo, defende, hoje, em seu editorial “Contra o abuso”, a aplicação do mesmo remédio que recusa-se a aceitar para coibir os abusos cometidos pela imprensa. O jornal classifica como “hipócrita” a resistência das emissoras de televisão em adequar sua programação por faixas de horário, como solução para evitar a exibição de cenas de baixaria explícita ou de violência para crianças e adolescentes. Diz o jornal que as tevês, “agitam a bandeira da liberdade de expressão, mas pretendem apenas obter salvo-conduto para continuar tratando crianças e adolescentes de forma discriminatória”.

O nó da questão é o horário de verão, que deixa cerca de 26 milhões de jovens e crianças do Norte e do Leste do Brasil “suscetíveis a programas inadequados para sua idade já no início da noite”. Asas emissoras negam-se a adequar sua programação por “dificuldades técnicas”. Essa argumentação, diz o editorial, tem interesse comercial e não se justifica aos “olhos da lei”.

Depois de apresentar os instrumentos que a Justiça oferece para coibir - e punir - os abusos, prossegue afirmando que as empresas controladoras das emissoras estão tentando passar à sociedade a impressão de que o setor padece de regulamentação. Não é bem isso, explica. “A legislação confere à sociedade poder para exercer um controle ativo e até severo -em nome, principalmente, dos direitos da criança a uma proteção especial”, diz a Folha

Finalmente, no último parágrafo, receita o remédio que não só ela mas todos os jornais, em bloco, recusam, acusando-o da mesma ameaça à liberdade de expressão. “As emissoras deveriam mudar a conduta e investir em mecanismos de auto-regulação”, recomenda.

Esse blog defende o mesmo para a imprensa em geral, assim como ocorre em países onde a sociedade tem maior poder de expressão e defesa, como a Grã-Bretanha, por exemplo, onde funciona o mais bem acabado órgão auto-regulamentador contra os prejuízos que notícias falsas, incompletas, mal-apuradas ou desonestas provocam.

Como o Contrapauta publicou, em 7 de novembro do ano passado, lá funciona sem travas o PCC - Press Complaint Commission, ou Comissão de Queixas à Imprensa, cuja maior sacada não é criar fantasmas censórios do Estado, mas sim exibir o castigo a qualquer notícia mal-intencionada ou mal-produzida que provoque prejuízo a uma única pessoa, a um segmento da sociedade, ou até mesmo ao país ou ao governo.

Consta na postagem desse dia:

A Press Complaint Commission, Comissão de Queixas à Imprensa, da Grã-Bretanha, é modelo e referência para países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que decidiram criar comissões auto-reguladoras que funcionam como órgão ouvidor e de conciliação aos pedidos de reparação e correção apresentados pela sociedade. Trata-se de um órgão não ligado ao governo, mas bancado pela própria indústria de mídia, com distribuição de poder e voto que neutraliza o poder de influência da mídia nas decisões que são tomadas a partir de um Código de Conduta comum a todas os veículos de informação.

Aqui, por ora, qualquer iniciativa no sentido de coibir os abusos continua sendo derrotada pela vaga ameaça de censura e coerção aos direitos de expressão. Nem mesmo a lei que tipifica o crime de imprensa consegue passar pelo senado, onde sempre aparece um senador com interesses diretamente ligados à indústria de mídia para bloquear o projeto.

Também em novembro passado, o projeto voltou à pauta, mas foi bloqueado pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que cricou um relatório alternativo para derrubar a matéria a ser votada. Na época, a Folha noticiou a artimanha do senador na reportagem “Senado debate lei que tutela reportagem”.

Nada como um dia após o outro.

3 de Março de 2007 @ 08:45 por Alceu Nader - http://blog.contrapauta.com.br/