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terça-feira, dezembro 04, 2007

O strip-tease da Folha de S.Paulo

A manchete deste domingo revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras.

(Gilson Caroni Filho, para a Agência Carta Maior)

Que não existem manchetes inocentes todos sabemos. A da primeira página da Folha de S.Paulo de domingo, 2/12/2007 ("65% rejeitam 3º mandato para Lula"), além de não ser exceção, tem dois méritos: revela a pretensão do jornal paulista em distorcer fatos e números de acordo com seus sagrados desígnios, além de evidenciar o papel da grande imprensa como elemento central das articulações das forças conservadoras.

O editorial ("Mania de mudança") justifica o expediente ilusionista da capa. Trata-se de "dar por encerrado o capítulo das grandes reformas que envolvem ciclos eleitorais. O apaziguamento dos partidos a esse respeito é passo crucial para que instituições mais específicas da política, como a fidelidade partidária e o sistema de voto, possam ser aperfeiçoados". Belas palavras para um exercício tão pobre de tergiversação.

Não consta que o governo Lula tenha qualquer vocação autocrática, como gostam de afirmar seus detratores. E muito menos que os processos em curso na América Latina apontem para autocracias. É bom lembrar ao desavisados que o antônimo de oligarquia não é tirania. E as reformas no país venezuelano não significam ditadura à vista.

Confundir, deliberadamente, proposição de um parlamentar para que o presidente possa convocar plebiscitos com aspiração a terceiro mandato faz parte da estratégia política de um projeto derrotado nas urnas. Sem projeto alternativo, vive na lógica enviesada dos factóides que redações prestimosas logo inserem na pauta das discussões políticas. Mas o que título oculta? Na página A-4, é revelado que para 63% dos entrevistados nenhum presidente deve ter esse direito. "O percentual sobe para 66% quando se trata de governadores e vai a 67% no caso de prefeitos". A rejeição a um terceiro mandato não é, portanto, exclusividade do presidente, como é sugerido na esmerada capa.

Se o que define uma manchete é seu caráter remissivo ao que há de mais importante dentre as notícias contidas numa edição, os editores da Folha, numa hipótese tão ingênua quanto remota, não conhecem o ofício.

Se aceitarmos que todo procedimento que falseia a realidade é de ordem ideológica, precisamos folhear o diário da família Frias para chegarmos ao que se busca ocultar. Somente na décima segunda página descobrimos o que produziu o conteúdo estampado na vitrine do produto: em relação à pesquisa anterior, houve uma oscilação positiva de dois pontos percentuais na avaliação do governo. E, fato crucial para redatores zelosos do seu dever de classe, "a aprovação do governo subiu na região Sudeste, entre brasileiros que integram famílias com renda acima de dez salários mínimos, e os que vivem em capitais, e também os mais escolarizados". Ou seja, o aumento de popularidade de Lula também se dá no universo dos leitores da Folha. Um baque para os combatentes Clóvis Rossi, Eliane Catanhêde e Josias de Souza, entre tantos outros.

Como ficam os analistas políticos que, na última pesquisa do Ibope, afirmavam que a oscilação negativa, dentro da margem de erro, sinalizava para uma inequívoca tendência de perda de popularidade do governo? O que tem a dizer, agora, a distinta Lúcia Hipólito, uma das mais falantes "meninas do Jô"? São "momentos dramáticos" para jornalistas e acadêmicos de inclinação tucana.

A pesquisa sai quando soa o alarme para os jornalões. Há movimentos significativos na superfície na política econômica do governo. Já se fala em redução do superávit primário, queda nos juros e intervenção no câmbio. São coisas intragáveis para colunistas que tanto exaltam as virtudes de arrocho fiscal e choque de gestão.

No mais, o que o Datafolha revela quanto a intenções de voto para 2010, é absolutamente previsível. Que os nomes que disputaram a última eleição presidencial fossem mais lembrados não é surpresa. Isso explica a liderança de Serra e, principalmente, o fato de as intenções de voto em Heloísa Helena serem quase o triplo do percentual alcançado por ela no ano passado. Mas seria interessante, do ponto de vista metodológico, incluir Lula em um dos cenários. Apenas como exercício projetivo. E se ele ficasse à frente do governador paulista, como se sustentaria a manchete dominical?

Estamos diante de uma primeira página emblemática. Expôs disputa entre as frações do PIG. Mostrando uma insuspeita desenvoltura, a Folha rebolou em trajes íntimos, alcançando a pole dance do cabaré demo-tucano. Não demora muito e o Globo a desbanca. É uma questão de tempo.

terça-feira, agosto 07, 2007

Um pouco de lucidez em meio ao caos — da mídia

Vendo as inúmeras manifestações que circulam na internet sobre a crise aérea, nos perguntamos: será que tanta gente assim também se deixou enganar por essa conversa pra boi dormir que quer fazer a gente acreditar que o nosso país piorou com Lula no governo? Tudo bem que um país se engane uma vez, como foi com o Collor, mas desta vez Lula foi reeleito. Tantos não poderiam estar errados, não é mesmo?

Ao receber mais um desses contundentes textos, em forma de "desabafo" de um comandante (que estava no Oriente Médio e soube do acidente da TAM pela CNN), resolvemos responder ao remetente (ou "repetinte").

Essa revolta quase histérica é fruto da influência que exerce a opinião de meia dúzia de empresários do ramo de comunicação, que publicam as Vejas da vida e tratam a classe média como "Homer Simpson", como é o caso do Willian Bonner, do JN. Fazem mesmo a cabeça de quem lê pouco, conhece pouco a história do país e que ainda não viu
a vantagem para si da estabilização DE FATO do Real, do pagamento da dívida, da redução da miséria (7 milhões de famílias deixaram a miséria em 4 anos!), da crescente capacidade de compra e de participação política dos pobres...

Temos trocentos números, testemunhos de vida, testemunhos políticos, análises de gente daqui e de fora, das universidade, de governos outros que não o nosso - para atestar que NÃO SOMOS precisamente o que afirma um dos "desabafantes", "respaldado" pela autoridade de comandante, mas lunático ao afirmar que somos "um país sem identidade política, sem atitudes cívicas e de cidadania, sempre pensando em nós mesmos e nunca no próximo." Nada mais falso. Nada mais forçado. Isso é desconhecer o que a nossa geração e a seguinte fizeram nos últimos 20 anos...

Tampouco é lícito esses mequetrefes dizerem que o presidente nos envergonha. Nós do VOTOLULA, particularmente, (e uns 63 milhões de brasileiros recém consultados sobre o assunto) temos orgulho de ter nosso país governado por um "prático", uma pessoa honesta, que com muita habilidade política tem levado o país a crescer novamente, solucionando problemas que, sim senhores, "nunca na história deste país" foram resolvidos, por incompetência.

Lembrem-se do último sociólogo no poder, por exemplo. Lembrem a merda que deu: em nome de equacionar a dívida, vendeu - mal e porcamente vendido, esse é o problema - o patrimônio público, para, segundo ele, diminuir o estado, porque, segundo ele, o estado era grande e gastava mal... No final da história, o doutor não fez nem uma coisa nem outra: multiplicou por 10 a dívida e os setores mal privatizados avançaram sobre a pobre renda do brasileiro. Ou vocês acham as tarifas de celular e elétrica baratas?

O tal comandante já fez a investigação dele, ele certamente já leu e degravou a fita e os dados da caixa-preta e tudo mais e já conseguiu o que o Cenipa - responsável oficial pela investigação - ainda não nos forneceu, que é uma versão consistente para o triste acidente, embasada em fatos (e não em especulações alçadas à condição de verdade).

Quanto a deixar o comando do país na mão de políticos da base de sustentação do governo, é natural que, vencidas as eleições, o presidente do PT governe com gente do PT e dos partidos que apoiaram. Quanto a os chamar de assassinos, a vontade é de meter um processo nele pedindo para provar o que diz. A propósito, há uma revista dizendo que o acidente foi culpa do piloto. Como ficará a extensa argumentação desse sem-moral se isso for verdade? Vai continuar chamando o Lula de assassino?

Quanto a falar de incompetência, é e não é, TEM RAZÃO E NÃO TEM AO MESMO TEMPO. O crescimento do país é um fato. O aumento do poder de compra é outro fato. A incapacidade dos poderes públicos de acompanhar o crescimento da malha aérea é outro fato. Todos eles são de competência do governo. Mas a liberalização do mercado, que provocou a concentração em Congonhas, não. É mais antiga. O governo errou feio por não ter mexido nisso - nos interesses todos ali - antes.

Na nossa modesta opinião, partidarizar o debate sobre o acidente (notem, falamos do acidente, não da crise aérea) é - isso sim - de uma irresponsabilidade que beira à má-fé.

Quanto à corrupção, vamos dar graças a Deus (e ao governo do PT, do Lula) porque atualmente a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, com o Ministério Público independente e as CPIs de quebra, todos existem e podem funcionar com liberdade, podem investigar e mandar ver contra! Mas isso, repetimos, também é de competência deste governo - é inédito e foi sob o governo do presidente Lula (e não de outro) que se fez!

Por fim, o sujeito que escreveu tanta besteira deve estar muito mal informado sobre o que se passa no país (lembrem-se de que ele ficou sabendo do acidente pela CNN...), para estar tão desesperançoso. Esqueceu-se de que fazia 20 anos que não havia crescimento, não havia ambiente de investimentos nem confiabilidade externa, não havia planejamento estratégico, não havia responsabilidade cambial e que não havia ganho salarial para 86% das categorias, não havia reajuste para funcionalismo público, não havia crédito, não havia juros tão baixos, não havia lei de pequena e micro empresa, não havia investimento em infra-estrutura, não havia tratamento de dente para pobre de graça pelo SUS, não havia SAMU...

Então, pra terminar: o Lula fez uma declaração à imprensa 4 horas depois do acidente, por meio do porta-voz. Um pronunciamento à nação, medidas drásticas, mudança do ministro etc. Em 22 de junho, os amotinados do controle aéreo tinham sido afastados. Que mais precisa fazer? Quem souber, mande para nós, vamos publicar e espalhar. E ainda vamos dizer que "tava demorando".

quinta-feira, julho 05, 2007

FHC, o invejoso, vai surtar com números da economia



FHC ressuscitou.

Está em todas.

Nunca um ex-presidente foi tão citado pela mídia.

A mídia golpista adora o FHC.

Teriam sido as "negociatas" da privataria?

A base de Alcântara, que FHC queria "entregar" aos americanos?

Ou teria sido o ministro da Justiça de FHC, um certo Renan Calheiros?

FHC palpita sobre tudo, mas nenhum repórter tem coragem de perguntar a ele quem é que pagou as contas do filho do senador com a jornalista da Globo.

Se não foi o próprio FHC, quem foi?

E o que recebeu em troca?

Eu juro para vocês: se eu encontrar o FHC na rua ou em algum evento público eu vou fazer essa pergunta.

Não devemos admitir a hipocrisia: se o Lula teve de responder e o Renan Calheiros também, devemos poupar FHC?

Devemos poupar as crianças, que não têm nada com isso.

Digo, antes de prosseguir, que o fato de que Lula desperdiça sua taxa de aprovação apoiando Renan Calheiros é nojento.

Nada justifica isso, nem a tal "governabilidade".

Renan, ACM, Sarney, Roriz - essa gente deveria ser enterrada.

É o atraso do atraso do atraso do atraso.

Pior que a elite brasileira, que é apenas o atraso do atraso do atraso.

O problema do Lula é que ele tem medo.

O sonho de Lula é ser o FHC.

E o sonho do FHC é ser tão popular quanto o Lula.

À revista Economist, que o considera presidente-em-exercício, FHC papagaiou um bordão que deve ter sido produzido no mesmo laboratório de onde saiu o Pan do Brasil.

Alguma coisa do gênero: chega de fazer comparações com o passado, devemos fazer comparações com os nossos competidores.

É óbvio que FHC não quer mais comparações com o passado.

O governo Lula dá de dez a zero em todos os sentidos, inclusive no número de CPIs instaladas e em atividade, no combate à corrupção, na defesa dos interesses nacionais, na economia, na distribuição de renda e por aí afora.

FHC comprou a sua reeleição e a mídia abafou o escândalo.

O problema do sociólogo é que a comparação do Brasil com os competidores é favorável... ao Brasil.

Se você isolar o número do PIB - que é o que fazem os puxa-sacos de FHC -, o Brasil sai perdendo.

Mas você gostaria de morar na China, país de partido único, sem democracia, com a imprensa amordaçada, problemas gravíssimos no meio ambiente, falta de terras, de água e 200 milhões de camponeses miseráveis que detonam o seu salário?

E na Índia, em pé de guerra com um vizinho, com graves problemas entre hindus e muçulmanos, terrorismo, fome, falta de água e a divisão da sociedade em castas?

E na Rússia, com um regime autocrático, em guerra com uma de suas províncias, "cercada" pelos americanos, com centenas de mísseis nucleares apontados em sua direção?

Dos BRICs o Brasil é a melhor opção para os investidores estrangeiros.

Ou é por acaso que está chovendo dinheiro no Brasil?

Que o dólar só faz despencar?

O Brasil oferece uma plataforma razoavelmente segura para investimentos, sem comoções internas, com ótimas perspectivas de crescimento, terra e água à vontade e um monte de brasileiros dentro.

É o lugar ideal para se instalar e disputar um mercado em crescimento, o da América Latina.


Sim, temos um gravíssimo problema de violência, uma guerra civil não declarada por causa de uma distribuição de renda criminosa.

Mas o governo que está no poder está enfrentando o problema, com resultados visíveis.

Em que país do mundo as vendas pela internet têm aumento de 49% em relação aos primeiros seis meses do ano anterior?

Eu não vou ficar aqui desfiando todos os números da economia.

Faça isso você mesmo e vai ver que o governo Lula, ainda que enrolado com todo tipo de trapaceiro, dá de dez a zero no de FHC.

Se o Lula ousasse um pouquinho mais e usasse a autoridade que tem com mais de 60 por cento de aprovação popular poderia passar feito um rolo compressor sobre FHC e sua turma... politicamente.

Mas o Lula é de negociar, busca sempre o consenso, o que dá a impressão de paralisia.

O Lula é melhor presidente e melhor político que FHC.

E eu imagino o quanto deva doer, num professor da Sorbonne oriundo da aristocracia paulistana, o fato de perder para um nordestino que se formou no SENAI.


(Publicado em 3 de julho de 2007)


Estou com preguiça de ajudar os tucanos.

Por isso fico no caderno Dinheiro, da Folha, de 5 de julho.

Entrada de dólares no Brasil até 17 de junho de 2007: U$ 42,9 bilhões. Em todo o ano de 2006: U$ 37,3 bilhões - e não é tudo capital especulativo, não.

Brasil deve zerar o déficit nominal em 2008.

Brasil deve criar 1,451 milhão de empregos em 2007, 18% a mais que em 2006.

Estrangeiros vendem ações no país, mas compram de novo.

Compraram, os estrangeiros, 74% do volume de novas ações emitidas por companhias brasileiras na primeira metade do ano.

Venda de motos cresce 25,83% no primeiro semestre em relação ao ano passado.

Indústria cresce 1,3% em maio.

Para Sílvio Sales, coordenador de indústria do IBGE, esse perfil de crescimento, liderado por máquinas e equipamentos (19,4% em relação a abril) é "bastante saudável", pois indica o aumento dos investimentos.

'Choque agrícola' eleva inflação em SP (acumulado de 4,88% em 12 meses)

Ainda sobre as bolsas da valores, Carlos Miranda, sócio da Ernst & Young para a área de transações, vê dados positivos no cenário do país.

Para ele, ao contrário do que acontece com os outros Brics (Rússia, Índia e China), o investidor estrangeiro que aplica nas Bolsas brasileiras prioriza investimentos de longo prazo, apostando menos em ganhos rápidos.

Tudo isso chupei de apenas um caderno da Folha.

(Publicado em 5 de julho de 2007)

Reproduzido do site Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Brasil indica Paulo Nogueira Batista Jr, um crítico do BC, para o FMI

O governo vai substituir um economista da linhagem ortodoxa – identificada com as teses do “mercado” – por uma das principais vozes da corrente oposta (heterodoxa) como representante do Brasil e mais oito nações latino-americanas no Fundo Monetário Internacional (FMI). O novo indicado é Paulo Nogueira Batista Júnior, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. Ele entrará no lugar de Eduardo Loyo, que fez carreira na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e foi diretor do Banco Central (BC) no início do primeiro governo Lula.

A troca foi comunicada nesta sexta-feira (23) pelo Ministério da Fazenda, a quem cabe fazer a indicação em nome do Brasil e seus oito parceiros (Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname, Trinidad e Tobago). Os nove países formam uma espécie de bloco de atuação conjunta no FMI. Os interesses do grupo são representados junto ao Fundo, em Washington (EUA), por um diretor-executivo.

Em nota distribuída à imprensa, a Fazenda informou que Loyo pediu para sair por motivos pessoais – voltará a trabalhar no Brasil. Ele foi diretor por dois anos, até setembro de 2006, quando o ministro Guido Mantega o reconduziu para outro mandato. Como diretor do BC, Loyo integrava a tropa conservadora, junto com o diretor de Política Econômica, Afonso Beviláqua, que em breve deve deixar o cargo. Os dois foram colegas na PUC-Rio, tida como maior referência da ortodoxia no meio acadêmico.

Paulo Nogueira, que deve assumir em abril, cumprirá o resto do mandato iniciado por Loyo. A Fazenda não informou por que o escolheu para a função. O professor da FGV é conhecido por sua visão crítica da política econômica produzida no governo Fernando Henrique e preservada na gestão Lula, de juros altos, liberdade de fluxo de dólares pelo país e pagamento de quantias elevadas de juros com dinheiro de impostos (superávit primário). Também critica a globalização e é contra à criação da Área e Livre Comércio das Américas (Alça), tema sobre o qual já escreveu um livro (A Alca e o Brasil).

Paulo Nogueira acredita, no entanto, que a chegada de Mantega ao comando da equipe econômica serviu para arejar um pouco a ortodoxia dos tempos de Pedro Malan e Antonio Palocci, ao menos no que diz respeito à política fiscal baseada em superávit primário. Ele foi uma das vozes ouvidas pelo ministro durante a elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento – os dois conversaram no ministério antes do anúncio do PAC.

O economista foi negociador da dívida externa brasileira no governo de José Sarney (1985-1990), ocasião em que o país declarou moratória. Entre as nove nações que representará no FMI, duas ainda têm acordo com o Fundo (ou seja, ainda submetem suas decisões de política econômica à instituição): Haiti e República Dominicana.


André Barrocal – Carta Maior

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Suicídio de países

Por Luis Nassif

Ano de 2002. O presidente do Banco Central Armínio Fraga me telefona, para reclamar de coluna em que apontei erros graves na condução da política monetária em 2002. A conversa envereda para a Argentina, poucas semanas antes de explodir o Plano Cavallo:

Diz Armínio:

- A Argentina resolverá seus problemas rapidamente com a dolarização.

- Dolarizar nesse nível de paridade cambial significará liquidar com toda a indústria argentina.

- Eles têm bom nível educacional. Terão que se conformar em serem exportadores de grãos e carne, e produtores de serviços.

- Você já combinou isso com eles?

Moral da história: apesar de todas as acusações de onda populista na América Latina, apesar de todas as desqualificações contra os políticos, é a política que têm impedido países de se suicidarem.