Primeiro agradeço à Clarice pelo convite para escrever aqui, retomando a amizade e a afinidade intelectual que remonta ao tempo da faculdade.
Ontem a blogosfera progressista (vamos dizer assim) foi assombrada pela revelação feita por Luiz Nassif, acerca do que lhe contou uma fonte não identificada, mas, segundo ele, de dentro dos acontecimentos.
A fonte, contou ele, disse que o governo (Lula e Dilma, mais especificamente) tinha acertado um acordo com a Veja e a Abril para levar adiante a operação-abafa da Operação Satiagraha, com o afastamento de quem fosse preciso e a desqualificação das informações até aqui juntadas ao inquérito. Seria a forma de entronizá-los, Lula e Dilma, no alto salão da elite, onde a impunidade reina e o dinheiro para campanhas presidencias verte como cachoeira.
Quem acompanhou os comentários viu que o público se dividiu, uns incrédulos, outros decepcionados com o governo. Uma coisa me chamou a atenção. A postura absolutamente segura do blogueiro, que avalizou 100% sua fonte e meio que "bateu no peito" pra dizer que o off se justifica neste caso, já que ele tem credibilidade para tanto.
Fui dormir com essas noções e acordei com o título deste post. Uma coisa é ter credibilidade, e acho que o Nassif ainda merece um voto de confiança. Mas também fica claro que embarcou - comprando barato - com uma credulidade atípica, numa versão absolutamente fantasiosa e interessada das movimentações que ocorrem nos intestinos (opa!) da Satiagraha vis a vis o governo.
Sabe-se que Lula tem horror à Veja, e não é pra menos. E que um acordo desses com um "parceiro" tão confiável como são a Veja e a Editora Abril não é um risco razoável nem para um débil mental- ainda mais para quem não precisa delas nem para governar bem, nem para ser bem popular.
Sabe-se que tem muito interesse grande em volta do que a Satiagraha já descobriu e do que pode descobrir nos HDs e documentos apreendidos na casa de Daniel Dantas (Gilmar Dantas, digo Mendes, que o diga). Para quem desconfia do presidente, supõe-se que ele tema o que virá. Para quem como nós do Votolula (obrigado, KK!) confia no presidente, Lula nada teme. Sabe-se, enfim, que existe uma distância enorme entre São Paulo e Brasília.
O fim da novela de ontem se deu com dois desmentidos: um "palaciano" (fonte não identificada) dizendo que não tem como provar que a fonte secreta de Nassif está errada, e somente o tempo dirá que o governo não fez acordão pra abafar nada. O outro, do ministro Tarso Genro, que teria ligado para Nassif para dizer que a fonte dele não tem razão, nem informação suficiente.
Ou seja, com o seu "post bomba" de ontem, Nassif, o jornalista, escudado no direito e na legitimidade do off, fez a mesmíssima coisa que a Veja (que ele tanto combate) faz diuturnamente. Assaca a opinião de alguém não identificado que, protegido pelo anonimato garantido, coloca em dúvida a reputação do presidente, invertendo o ônus da prova sem se dar o trabalho de mostrar um dado sequer que confirme a veracidade do que foi dito.
Pelo que, perguntaria, tal como perguntou à Veja sobre os grampos que a Abin teria feito no STF: "cadê o áudio", Luiz Nassif???
PS - o que ocorreu serviu para deixar claro que a luta obsessiva de Paulo Henrique Amorim contra o banqueiro DD o deixou lesado. Pediu - pasmem - o impeachment do presidente. Sem noção.
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quarta-feira, setembro 17, 2008
sexta-feira, março 28, 2008
Top, top, top, ó PIG!

Avaliação positiva do governo Lula atinge maior nível desde 2003, diz CNI/Ibope
(da Folha Online)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou avaliação positiva de 58% em março deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira. O índice é o mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência da República. Somente 11% dos entrevistados avaliaram o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto 30% consideraram a condução do governo como "regular".
Em dezembro de 2007, na última edição da pesquisa CNI/Ibope, a avaliação do governo foi de 51%. Em março de 2003, o índice de aprovação ao governo federal também foi de 51% – o que foi considerado pela CNI/Ibope como um crescimento considerável para a avaliação do governo federal.
Já a aprovação ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.
Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.
Confiança
No mesmo índice de crescimento, a confiança no presidente registrou índice de 68%, enquanto apenas 28% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula.
Em dezembro do ano passado, o índice de confiança no presidente foi de 60%. Já em abril de 2006, o índice registrou 62%.
Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula. Dos entrevistados, 42% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro para 16%.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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terça-feira, fevereiro 19, 2008
Apesar do PIG, aprovação do governo só aumenta!

Avaliação do governo é a melhor desde 2003, revela pesquisa CNT/Sensus
(Morillo Carvalho, da Agência Brasil)
Brasília - Pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje (18) aponta o maior índice de aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva desde dezembro de 2003, ano de seu primeiro mandato. Dos 2 mil entrevistados, 52,7% consideram a administração positiva (ótima ou boa), 13,7% a avaliam como negativa (ruim ou péssima) e 32,5%, como regular.
De acordo com a série histórica da pesquisa, o governo atinge agora o maior percentual de satisfação – o mais próximo que havia chegado do status atual foi 51,6%, em maio de 2003. No mesmo mês, o governo também atingiu o menor percentual de insatisfação: 7,2%. Desde então, a maior avaliação negativa foi de 29%, em novembro de 2005.
Questionado sobre o resultado antes do evento de lançamento da loteria Timemania, o presidente Lula afirmou: "Pesquisa, só vale para mim a de dezembro de 2010. Hoje o assunto é futebol".
Em entrevista coletiva, o diretor do Instituto Sensus Ricardo Guedes analisou o resultado: "São avaliações recordes em função do bom desempenho da economia e dos programas sociais. É basicamente isso que dá a base de popularidade e de legitimidade do governo Lula".
A pesquisa também analisou o desempenho pessoal do presidente. O resultado, 66,8% de aprovação, é melhor desde fevereiro de 2004. Em todas as pesquisas realizadas em 2003, a aprovação foi maior, chegando ao pico de 78% no mês de maio. Atualmente, 28,6% desaprovam o desempenho de Lula.
Para Guedes, a formação de um "pacto", com a colaboração de setores da direita e da esquerda, é a base que mantém a popularidade do presidente em alta.
"Eu acredito, particularmente, que o que vemos no Brasil é a formação do pacto social-democrata tipo europeu, onde a esquerda cede de um lado, a direita cede de outro, formando um pacto social central, onde parte dos recursos públicos são destinados aos programas sociais", afirmou o diretor do instituto. Ele também relaciona as avaliações positivas aos números da economia.
---
Azenha pergunta:
Qual será a próxima crise?
Só este ano já tivemos a "epidemia" de febre amarela, o "fantasma" do apagão elétrico, a "falência" econômica do Brasil e o escândalo da tapioca. Porém, de acordo com a pesquisa CNT/Sensus, 85,2% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo, bom ou regular. Por outro lado, 13,7% consideram o governo ruim ou péssimo. É menos que os 15,2% que acham "ótimo". Não gostou? Vai reclamar com os entrevistados. Qual é a próxima crise a ser promovida pela coligação Folha-Estadão-Veja-TV Globo?
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008
Um pernambucano, um cearense e suas histórias
(Fonte: Blog do Rovai)
Minha cidade a mil por hora
Tenho 55 anos e nunca vi nada igual ao que está acontecendo hoje meu município, cidade do Alto Sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco, com aproximadamente 27 mil habitantes. Vou enumerá-las:
1. De 2004 para cá as pessoas não temos mais pessoas pedindo esmolas. Na época de FHC eram filas de pessoas pedindo passando em nossas residências.
2. Hoje está completando aproximadamente uns dois anos que vem se registrando uma média mensal de duas mil obras (construção de casas, reformas, construção de cisternas, troca do emadeiramento e telhado, construção de banheiros, troca do piso, etc.)
3. Na zona rural pessoas que antes não podiam comprar nem sequer uma bicicleta, hoje estão comprando motocicletas, carros e outros bem de consumo.
4. Telefone celular que a bem pouco tempo era artigo de luxo, até carroceiros, engraxates e empregadas domésticas possuem. Até na Zona Rural quase todas as residências possuem telefones.
5. Eu mesmo tenho dois cunhados que na era FHC não podiam consumir nada mais do que feijão com arroz e com muita dificuldade. Esta semana cada um cavou um poço artesiano no valor de R$ 6.000, 00 (seis mil reais) cada.
6. No ano de 2006 quando o presidente partiu para reeleição, aqui em Tabira, Lula obteve 93% dos votos válidos.
7. Em Tabira se faz um dos maiores carnavais da região e a avenida só ficava completamente lotada no sábado e no domingo. Neste ano foram cinco dias de folia sem que desse pra distinguir o dia que teve mais gente. Nunca se vendeu tanta bebida, nunca se vendeu tanta fantasia, nunca se viu tanta gente usando fantasias. Este é o nordeste que está dando certo.
8. Está havendo inclusão digital, Tabira tem aproximadamente 40 Lan Houses e as pessoas estão comprando computadores.
9. Aqui na minha cidade quem ousar falar mal de Lula corre o risco de apanhar.
10. A popularidade de Lula aqui é altíssima por que a população não dá muita importância pra o que o PIG divulga ou deixa de divulgar.
11. Se o PIG não fosse uma imprensa tendenciosa e parcial e não fizessem tanto estardalhaço como fez com a queda do avião da Gol, o acidente da TAM, a febre amarela, os apagões que nem aconteceram, os índices de popularidade de Lula seriam ainda bem mais altos. Os nordestinos não estão perdendo nada em não se informar com esta mídia golpista. Acho que este país só precisa de uma só CPI, uma CPI para investigar as maracutaias da mídia brasileira.
12. A guerra que a mídia vem travando com o PT e o governo só vai servir pra uma coisa: Para diminuir o tamanho da surra que esses Demos-tucanos vão levar nas próximas eleições.
(Antonio Moreira do Amaral)
Cadê o Tasso Jereissati?
Sou cearense e moro em Fortaleza. Há pouco tempo o inclui entre os meus favoritos, depois de ver o link no blogspot Amigos do Presidente Lula. Sabendo que você é muito bem informado gostaria de saber por onde anda o senador Tasso Jereissati. Ainda é vivo? Está passeando?
A pergunta é pertinente sim. Aqui os órgãos de imprensa onde ele é dono (TV Jangadeiro dentre outros) ou exerce influência (TV Verdes Mares, TV Diário, Rádio Verdes Mares, Jornal Diário do Nordeste – Grupo Edson Queiroz, da sogra dele – e o jornal o Povo, enfim quase toda mídia) não publicam uma mísera nota sobre o libanês cearense. Incrível. Tem uma coincidência: o sumiço aconteceu depois das notícias sobre a BrOi, onde um dos prováveis "compradores" é o irmão dele Carlos Jereissati. Nem no blog de política do jornal o Povo não se vê uma ínfima menção ao poderoso dono do Iguatemi de Fortaleza, onde, por sinal constrói um Centro Empresarial, um luxuoso prédio no mangue do Rio Cocó, à beira do seu leito. Sim, talvez não tenha nem 20 metros da margem do pequeno rio.
(Nonato Barboza)
Minha cidade a mil por hora
Tenho 55 anos e nunca vi nada igual ao que está acontecendo hoje meu município, cidade do Alto Sertão do Pajeú, no interior de Pernambuco, com aproximadamente 27 mil habitantes. Vou enumerá-las:
1. De 2004 para cá as pessoas não temos mais pessoas pedindo esmolas. Na época de FHC eram filas de pessoas pedindo passando em nossas residências.
2. Hoje está completando aproximadamente uns dois anos que vem se registrando uma média mensal de duas mil obras (construção de casas, reformas, construção de cisternas, troca do emadeiramento e telhado, construção de banheiros, troca do piso, etc.)
3. Na zona rural pessoas que antes não podiam comprar nem sequer uma bicicleta, hoje estão comprando motocicletas, carros e outros bem de consumo.
4. Telefone celular que a bem pouco tempo era artigo de luxo, até carroceiros, engraxates e empregadas domésticas possuem. Até na Zona Rural quase todas as residências possuem telefones.
5. Eu mesmo tenho dois cunhados que na era FHC não podiam consumir nada mais do que feijão com arroz e com muita dificuldade. Esta semana cada um cavou um poço artesiano no valor de R$ 6.000, 00 (seis mil reais) cada.
6. No ano de 2006 quando o presidente partiu para reeleição, aqui em Tabira, Lula obteve 93% dos votos válidos.
7. Em Tabira se faz um dos maiores carnavais da região e a avenida só ficava completamente lotada no sábado e no domingo. Neste ano foram cinco dias de folia sem que desse pra distinguir o dia que teve mais gente. Nunca se vendeu tanta bebida, nunca se vendeu tanta fantasia, nunca se viu tanta gente usando fantasias. Este é o nordeste que está dando certo.
8. Está havendo inclusão digital, Tabira tem aproximadamente 40 Lan Houses e as pessoas estão comprando computadores.
9. Aqui na minha cidade quem ousar falar mal de Lula corre o risco de apanhar.
10. A popularidade de Lula aqui é altíssima por que a população não dá muita importância pra o que o PIG divulga ou deixa de divulgar.
11. Se o PIG não fosse uma imprensa tendenciosa e parcial e não fizessem tanto estardalhaço como fez com a queda do avião da Gol, o acidente da TAM, a febre amarela, os apagões que nem aconteceram, os índices de popularidade de Lula seriam ainda bem mais altos. Os nordestinos não estão perdendo nada em não se informar com esta mídia golpista. Acho que este país só precisa de uma só CPI, uma CPI para investigar as maracutaias da mídia brasileira.
12. A guerra que a mídia vem travando com o PT e o governo só vai servir pra uma coisa: Para diminuir o tamanho da surra que esses Demos-tucanos vão levar nas próximas eleições.
(Antonio Moreira do Amaral)
Cadê o Tasso Jereissati?
Sou cearense e moro em Fortaleza. Há pouco tempo o inclui entre os meus favoritos, depois de ver o link no blogspot Amigos do Presidente Lula. Sabendo que você é muito bem informado gostaria de saber por onde anda o senador Tasso Jereissati. Ainda é vivo? Está passeando?
A pergunta é pertinente sim. Aqui os órgãos de imprensa onde ele é dono (TV Jangadeiro dentre outros) ou exerce influência (TV Verdes Mares, TV Diário, Rádio Verdes Mares, Jornal Diário do Nordeste – Grupo Edson Queiroz, da sogra dele – e o jornal o Povo, enfim quase toda mídia) não publicam uma mísera nota sobre o libanês cearense. Incrível. Tem uma coincidência: o sumiço aconteceu depois das notícias sobre a BrOi, onde um dos prováveis "compradores" é o irmão dele Carlos Jereissati. Nem no blog de política do jornal o Povo não se vê uma ínfima menção ao poderoso dono do Iguatemi de Fortaleza, onde, por sinal constrói um Centro Empresarial, um luxuoso prédio no mangue do Rio Cocó, à beira do seu leito. Sim, talvez não tenha nem 20 metros da margem do pequeno rio.
(Nonato Barboza)
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domingo, novembro 11, 2007
a origem do terceiro mandato
Vira e mexe, recebo em meu e-mail um ou outro texto repudiando a pretensa intenção do Presidente Lula de se manter no poder por meio de um terceiro mandato. Não adianta ele próprio já ter negado infinitas vezes que é contra. Segundo os paranóicos de plantão, a negativa "faz parte do plano" para "dar o bote" na hora certa. É incrível como algumas pessoas só enxergam aquilo que querem. Afinal, quem começou com essa história de terceiro mandato? Quem teria poder para inventar e alimentar uma trama conspiratória tão descabida? Só consigo imaginar que a falta motivos reais – ou no mínimo verossímeis – para falar mal do governo Lula tenha afetado por demais a capacidade de discernimento da grande mídia...
A deformação é tamanha que até uma suposta consulta popular que porventura aprovasse a candidatura de lula novamente – e não nos esqueçamos que, mesmo assim, para exercer um terceiro mandato, ele deveria ser eleito novamente pelo povo –, até isso é considerado uma das estratégias previstas no "plano golpista". Golpe com o apoio popular e sacramentado nas urnas! Um golpe de democracia! Isso é tão ridículo que eu nem me dou ao trabalho de responder quem vem me atazanar com esse tipo de argumento.
Se toco nesse assunto aqui é porque, hoje, li um post no Blog do Mello que traz algumas informações diferentes sobre o assunto. Informações cuja total ausência na grande mídia não me causa o menor espanto, e que exatamente por isso me sinto no dever de reproduzir. São elas:
"(...) a origem [do projeto do terceiro mandato] – como antes a do mensalão – está no ninho tucano.
O projeto que foi recolocado em pauta na Câmara dos Deputados garante a reeleição não apenas para um segundo ou terceiro mandato, mas uma reeleição infinita para cargos majoritários – a exemplo do que já ocorre no Senado e nas Câmaras e Assembléias.
Este projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E não é de um petista, mas do deputado paraibano Inaldo Leitão. Partido dele na época: PSDB, onde era líder. Foi apresentado em 1999 e aprovado pela CCJ no ano 2000.
Quem era o presidente da República em 1999 e 2000? - FHC.
Portanto, o projeto era para garantir a possibilidade de reeleição infinita de FHC. Por que ninguém fala nisso? É bom não esquecer que o ex-ministro Sérgio Mota, o Serjão, cansou de afirmar que o projeto de poder dos tucanos era para 30 anos (imagine se Lula afirmasse tal coisa...).
Agora, a pergunta que faço é: Por que o projeto foi criado e apresentado naquela época, aprovado pela CCJ e em seguida engavetado? Será que isso só aconteceu porque a popularidade de FHC despencou ladeira abaixo, junto com o fiasco que foi seu segundo governo, cercado de escândalos?"
mas hein?
será que os que só enxergam o que querem entenderam ou preciso desenhar?
A deformação é tamanha que até uma suposta consulta popular que porventura aprovasse a candidatura de lula novamente – e não nos esqueçamos que, mesmo assim, para exercer um terceiro mandato, ele deveria ser eleito novamente pelo povo –, até isso é considerado uma das estratégias previstas no "plano golpista". Golpe com o apoio popular e sacramentado nas urnas! Um golpe de democracia! Isso é tão ridículo que eu nem me dou ao trabalho de responder quem vem me atazanar com esse tipo de argumento.
Se toco nesse assunto aqui é porque, hoje, li um post no Blog do Mello que traz algumas informações diferentes sobre o assunto. Informações cuja total ausência na grande mídia não me causa o menor espanto, e que exatamente por isso me sinto no dever de reproduzir. São elas:
"(...) a origem [do projeto do terceiro mandato] – como antes a do mensalão – está no ninho tucano.
O projeto que foi recolocado em pauta na Câmara dos Deputados garante a reeleição não apenas para um segundo ou terceiro mandato, mas uma reeleição infinita para cargos majoritários – a exemplo do que já ocorre no Senado e nas Câmaras e Assembléias.
Este projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. E não é de um petista, mas do deputado paraibano Inaldo Leitão. Partido dele na época: PSDB, onde era líder. Foi apresentado em 1999 e aprovado pela CCJ no ano 2000.
Quem era o presidente da República em 1999 e 2000? - FHC.
Portanto, o projeto era para garantir a possibilidade de reeleição infinita de FHC. Por que ninguém fala nisso? É bom não esquecer que o ex-ministro Sérgio Mota, o Serjão, cansou de afirmar que o projeto de poder dos tucanos era para 30 anos (imagine se Lula afirmasse tal coisa...).
Agora, a pergunta que faço é: Por que o projeto foi criado e apresentado naquela época, aprovado pela CCJ e em seguida engavetado? Será que isso só aconteceu porque a popularidade de FHC despencou ladeira abaixo, junto com o fiasco que foi seu segundo governo, cercado de escândalos?"
mas hein?
será que os que só enxergam o que querem entenderam ou preciso desenhar?
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terça-feira, abril 10, 2007
63% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal de Lula, diz pesquisa
Cerca de 63,7% dos brasileiros aprovam o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado foi divulgado nesta terça-feira em pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Foram entrevistas 2 mil pessoas em 136 municípios de 24 Estados, entre os dias 2 e 6 deste mês de abril.
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
Segundo a pesquisa, cerca de 28% desaprovam o desempenho pessoal de Lula.
Já a aceitação do governo ficou em 49,5%. Quase 15% dos entrevistados acham o governo ruim ou péssimo e 34,3%, regular. Esta aprovação é a maior do presidente desde janeiro de 2003 (quando Lula tomou posse). Na época, o índice apontava 56,6%. Antes a aprovação mais elevada havia sido em agosto de 2003, com 48,3%.
Segundo mandato
Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato será melhor que o primeiro governo do presidente Lula. Cerca de 19% acreditam que o segundo mandato será pior e 18,7% avaliam que os dois períodos serão iguais.
Violência
Um dado que chama a atenção foi o da percepção da violência. Nove em cada dez entrevistados (90,9%) acreditam que a violência aumentou. Cerca de 60% acham que a segurança pública piorou nos últimos seis meses. Para 21,1%, ficou igual e melhorou para 16,5%.
A maioria dos entrevistados atribuem a violência à pobreza e à miséria (24,1%). Em seguida, vêm as falhas na Justiça (19,1%), o tráfico de drogas (19%), as leis brandas (15%), a corrupção policial (11%) e a falta de policiamento (7,6%).
A ação de bandidos é apontada como de maior risco à segurança dos entrevistados (71,7%) e em segundo lugar vem a ação de policiais (20%).
Quase 30% atribuem a responsabilidade pela segurança pública ao governo federal e 16,7% aos governos estaduais. As administrações municipais são responsabilizadas por 12,6% dos entrevistados.
Sobre pena de morte, a aprovação subiu de 43,7% em maio de 2003 para 49% em abril de 2007. Apesar da exposição do assunto na mídia, a redução da maioridade penal perdeu defensores. Ainda assim, a medida é aprovada por um grande número de pessoas. Dos 88,1% favoráveis em dezembro de 2003, a aprovação caiu para 81,5% dos ouvidos. Os contrários à mudança na lei subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e economia
Na avaliação de 35,5% dos entrevistados, a situação do emprego piorou; ficou igual para 31,1% deles e melhorou para 29,7%. Em relação à renda, esta ficou igual para 49,7% deles, diminuiu para 28,4% e aumentou para 20,3%.
O atendimento à saúde piorou para 46,1% e à educação, para 29,8% dos entrevistados.
Já a expectativa geral para os próximos seis meses é melhor nos cinco itens. A maioria dos entrevistados acha que vai melhorar a situação do emprego (50,3%), da renda mensal (49,2%), do atendimento à saúde (47,7%), da educação (53,5%) e até da segurança pública, que também deve melhorar para 42,1% dos entrevistados, contra 26,5% que acham que vai piorar.
Índice do Cidadão
Um novo ítem foi incluído na pesquisa deste ano. O Índice do Cidadão reúne emprego, renda, saúde, educação e segurança pública e se divide entre avaliação dos último seis meses e expectativa para os próximos seis meses.
Numa escala de 0 a 100, a avaliação dos últimos seis meses ficou em 42,48 e a expectativa para o próximo semestre ficou em 66,58. O destaque nesse último quesito é que pelo menos 40% da população acredita que todos os cinco itens pesquisados apresentarão melhora nos próximos seis meses.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido e apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que ele vai ajudar o Brasil a crescer. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados não ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Crise aérea
A Pesquisa CNT/Sensus apresenta ainda o sentimento do cidadão brasileiro em relação à crise na aviação, ao identificar, na opinião da população, quem são os responsáveis pelos problemas no setor. Segundo a pesquisa, 54,9% dos entrevistados têm acompanhado o assunto e 27,1% apenas ouviram falar.
Quase um quarto dos ouvidos pela pesquisa (25,8%) atribuem a responsabilidade ao governo federal e 15,1%, aos controladores. As companhias aéreas são responsáveis pela crise aérea para 10,9% dos entrevistados.
Para 9,9% a Aeronáutica é a culpada pelos atrasos nos vôos e 9,3% atribuem a crise à Infraero.
Do IG
quarta-feira, abril 04, 2007
Defenda-se
A você, caro compatriota, que está pouco se lixando para o Serra, para o Lula, para as famílias midiáticas (Marinho, Frias, Civita, Mesquita etc) ou para os interesses políticos de qualquer poderoso, pois o que quer, de verdade, é que sua vida melhore, quero sugerir que não dê bola para o noticiário sobre a crise (fabricada) no setor aéreo. Tudo não passa de uma tentativa dos inimigos políticos (deixaram de ser adversários há muito tempo) do Lula de impedirem que ele tente melhorar sua vida. E Lula está tentando. No mínimo, porque isso o favorece e ao seu grupo político. E não é só o atual presidente que quer melhorar sua vida. Nenhum presidente quer ver o país piorar - ou deixar de melhorar - sob seu comando.
Sem limites
Claro que não se pode esperar colaboração de oposicionistas. O papel deles é sempre o de tentarem mostrar à sociedade que quem está no poder é incompetente e até desonesto. Em países mais desenvolvidos, politizados e civilizados, contudo, a oposição sabe que há limites para a luta política, pois se exagerar pode se mostrar sabotadora para uma sociedade mais esclarecida e, assim, pode colocá-la contra si. Mas sempre que houver uma brechinha para impedir que medidas e projetos do governo melhorem as vidas dos cidadãos, os oposicionistas de qualquer parte não perderão a chance.
O que ameaça gravemente um país é quando oposicionistas e mídia se aliam com vistas não somente a desgastar o governo perante à sociedade, mas a impedir que governe. Aliada aos meios de comunicação, por mais minoritária que uma oposição seja ela ganha um poder adicional para atrapalhar a governabilidade. E pode até gerar convulsões sociais e crises institucionais. Vejam só esse caso da crise no setor aéreo. Você provavelmente não sabe que políticos da oposição a Lula se reuniram com o comando de greve dos controladores de vôo poucos dias antes de eles se amotinarem. Você não sabe disso porque a mídia escondeu. Está claro e límpido como água mineral que o PSDB e o PFL (que agora se travestiu de "Democratas") insuflaram os sargentos da Aeronáutica para fazerem uma greve que prejudicou milhares de pessoas. E a mídia esconde isso de você.
O governo propôs ao Congresso um programa ambicioso para acelerar o crescimento do país, o PAC. Se Lula já é popular, se lograr aumentar a geração de empregos, enfim, o ritmo econômico do país, se conseguir beneficiar mais consistentemente os brasileiros, PSDB e PFL poderão ir dando adeus a qualquer perspectiva de voltarem ao poder em 2011. E mais distante ainda ficará o sonho de oposicionistas e donos de jornais e TVs de derrubarem Lula e voltarem ao poder antes que ele conclua seu segundo mandato. Por isso, assim como não hesitaram em provocar uma greve que torturou milhares de pessoas nos aeroportos, tampouco hesitarão em sabotar o Brasil o tanto e em tudo quanto puderem.
Você é quem pagará a conta dessa guerra política se der apoio à oposição e ela tiver êxito. Não será Lula nem o PT que passarão pelas piores dificuldades. O máximo que acontecerá com eles será voltarem para a oposição. Mas quem ficará exposto aos efeitos de uma eventual crise econômica advinda da guerra política sem limites, seremos nós, a sociedade. Assim, em seu próprio interesse exija da oposição e da mídia que exerçam seu papel fiscalizador com seriedade e pensando no interesse de todos e não só em seu próprios interesses políticos. Você deve isso a você mesmo e aos seus, bem como ao seu país.
Blog Cidadania
Sem limites
Claro que não se pode esperar colaboração de oposicionistas. O papel deles é sempre o de tentarem mostrar à sociedade que quem está no poder é incompetente e até desonesto. Em países mais desenvolvidos, politizados e civilizados, contudo, a oposição sabe que há limites para a luta política, pois se exagerar pode se mostrar sabotadora para uma sociedade mais esclarecida e, assim, pode colocá-la contra si. Mas sempre que houver uma brechinha para impedir que medidas e projetos do governo melhorem as vidas dos cidadãos, os oposicionistas de qualquer parte não perderão a chance.
O que ameaça gravemente um país é quando oposicionistas e mídia se aliam com vistas não somente a desgastar o governo perante à sociedade, mas a impedir que governe. Aliada aos meios de comunicação, por mais minoritária que uma oposição seja ela ganha um poder adicional para atrapalhar a governabilidade. E pode até gerar convulsões sociais e crises institucionais. Vejam só esse caso da crise no setor aéreo. Você provavelmente não sabe que políticos da oposição a Lula se reuniram com o comando de greve dos controladores de vôo poucos dias antes de eles se amotinarem. Você não sabe disso porque a mídia escondeu. Está claro e límpido como água mineral que o PSDB e o PFL (que agora se travestiu de "Democratas") insuflaram os sargentos da Aeronáutica para fazerem uma greve que prejudicou milhares de pessoas. E a mídia esconde isso de você.
O governo propôs ao Congresso um programa ambicioso para acelerar o crescimento do país, o PAC. Se Lula já é popular, se lograr aumentar a geração de empregos, enfim, o ritmo econômico do país, se conseguir beneficiar mais consistentemente os brasileiros, PSDB e PFL poderão ir dando adeus a qualquer perspectiva de voltarem ao poder em 2011. E mais distante ainda ficará o sonho de oposicionistas e donos de jornais e TVs de derrubarem Lula e voltarem ao poder antes que ele conclua seu segundo mandato. Por isso, assim como não hesitaram em provocar uma greve que torturou milhares de pessoas nos aeroportos, tampouco hesitarão em sabotar o Brasil o tanto e em tudo quanto puderem.
Você é quem pagará a conta dessa guerra política se der apoio à oposição e ela tiver êxito. Não será Lula nem o PT que passarão pelas piores dificuldades. O máximo que acontecerá com eles será voltarem para a oposição. Mas quem ficará exposto aos efeitos de uma eventual crise econômica advinda da guerra política sem limites, seremos nós, a sociedade. Assim, em seu próprio interesse exija da oposição e da mídia que exerçam seu papel fiscalizador com seriedade e pensando no interesse de todos e não só em seu próprios interesses políticos. Você deve isso a você mesmo e aos seus, bem como ao seu país.
Blog Cidadania
quarta-feira, março 28, 2007
8 milhões de brasileiros deixam a baixa renda, diz pesquisa
Inflação controlada, crédito e salário maior explicam ascensão de trabalhadores
(Márcia De Chiara, para o Estadão - ó!)
SÃO PAULO - Em apenas um ano, mais de 8 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população com maior poder de consumo. Isto é o que revela a pesquisa O Observador 2007, feita pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs.
De acordo com a pesquisa, as camadas D e E reuniram 84,8 milhões de pessoas no ano passado ou 46% da população. Em 2005, o contingente dessas classes sociais era de 92,9 milhões ou mais da metade da população brasileira (51%). Foram ouvidas 1.200 famílias no fim de 2006 em 70 cidades do País. Elas foram avaliadas não só pela renda recebida, mas também pela posse de bens.
Os dados mostram ainda que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. Com isso, a classe C, que reunia 62,7 milhões habitantes em 2005, encerrou o ano passado com 66,7 milhões de brasileiros. O topo da pirâmide, isto é, as classes A e B, recebeu nesse período 6,3 milhões de pessoas.
"2006 foi um ano extremamente bom para as classes menos favorecidas", afirma o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Cetelem, Franck Vignard Rosez.
Segundo ele, uma combinação favorável de fatores contribuiu para a mobilidade social da população. Entre esses fatores, ele aponta o aumento da massa salarial, a inflação controlada e, especialmente, o crescimento do crédito. Por meio de prazos esticados e juros cadentes, o crédito fez o dinheiro render mais nas mãos do consumidor.
Virada
Prova disso é que, pela primeira vez, sobrou dinheiro no bolso do brasileiro de baixa renda no ano passado. Em 2006, as famílias das classes D e E conseguiram ter um troco de R$ 2,49 no fim do mês, depois de quitar todas as despesas, mostra a pesquisa.
O saldo parece insignificante, mas indica o começo de uma virada no poder de compra da baixa renda. Em 2005, faltavam para essas mesmas famílias R$ 16,56 para fechar as contas no fim do mês.
Também nesse período, a situação melhorou para a classe C. A renda familiar disponível, isto é, os recursos que sobram após cobrir as despesas do mês, que era de R$ 122,34 em 2005, subiu para R$ 191,41 em 2006. O ganho foi de 56%.
Em contrapartida, as classes A e B viram a renda disponível cair 18% no período, de R$ 631,79 em 2005 para R$ 518,29 em 2006. O recuo é reflexo da renda líquida familiar desse estrato social, que teve queda de 6%. Além disso, gastos que não são essenciais, como combustível, telefone, TV por assinatura, entre outros, consomem 44% da renda dos mais ricos.
O grande destaque da pesquisa é o Nordeste, que reúne 25% dos brasileiros. Foi a região do País que registrou, no ano passado, o maior crescimento da renda média familiar disponível. A alta foi 38%. Rosez destaca que, dos 12 itens de compra analisados em 2005 e no ano passado, a intenção de adquirir esses itens aumentou em 11 deles. "Tudo melhorou no Nordeste".
A intenção de ter computador em casa mais que dobrou em um ano, de 7% para 15%. O interesse de comprar a casa própria passou de 6% para 10%.
(Márcia De Chiara, para o Estadão - ó!)
SÃO PAULO - Em apenas um ano, mais de 8 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda e ascenderam para níveis da população com maior poder de consumo. Isto é o que revela a pesquisa O Observador 2007, feita pela financeira francesa Cetelem, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos Public Affairs.
De acordo com a pesquisa, as camadas D e E reuniram 84,8 milhões de pessoas no ano passado ou 46% da população. Em 2005, o contingente dessas classes sociais era de 92,9 milhões ou mais da metade da população brasileira (51%). Foram ouvidas 1.200 famílias no fim de 2006 em 70 cidades do País. Elas foram avaliadas não só pela renda recebida, mas também pela posse de bens.
Os dados mostram ainda que a população de mais baixa renda migrou para as classes imediatamente superiores. Com isso, a classe C, que reunia 62,7 milhões habitantes em 2005, encerrou o ano passado com 66,7 milhões de brasileiros. O topo da pirâmide, isto é, as classes A e B, recebeu nesse período 6,3 milhões de pessoas.
"2006 foi um ano extremamente bom para as classes menos favorecidas", afirma o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Cetelem, Franck Vignard Rosez.
Segundo ele, uma combinação favorável de fatores contribuiu para a mobilidade social da população. Entre esses fatores, ele aponta o aumento da massa salarial, a inflação controlada e, especialmente, o crescimento do crédito. Por meio de prazos esticados e juros cadentes, o crédito fez o dinheiro render mais nas mãos do consumidor.
Virada
Prova disso é que, pela primeira vez, sobrou dinheiro no bolso do brasileiro de baixa renda no ano passado. Em 2006, as famílias das classes D e E conseguiram ter um troco de R$ 2,49 no fim do mês, depois de quitar todas as despesas, mostra a pesquisa.
O saldo parece insignificante, mas indica o começo de uma virada no poder de compra da baixa renda. Em 2005, faltavam para essas mesmas famílias R$ 16,56 para fechar as contas no fim do mês.
Também nesse período, a situação melhorou para a classe C. A renda familiar disponível, isto é, os recursos que sobram após cobrir as despesas do mês, que era de R$ 122,34 em 2005, subiu para R$ 191,41 em 2006. O ganho foi de 56%.
Em contrapartida, as classes A e B viram a renda disponível cair 18% no período, de R$ 631,79 em 2005 para R$ 518,29 em 2006. O recuo é reflexo da renda líquida familiar desse estrato social, que teve queda de 6%. Além disso, gastos que não são essenciais, como combustível, telefone, TV por assinatura, entre outros, consomem 44% da renda dos mais ricos.
O grande destaque da pesquisa é o Nordeste, que reúne 25% dos brasileiros. Foi a região do País que registrou, no ano passado, o maior crescimento da renda média familiar disponível. A alta foi 38%. Rosez destaca que, dos 12 itens de compra analisados em 2005 e no ano passado, a intenção de adquirir esses itens aumentou em 11 deles. "Tudo melhorou no Nordeste".
A intenção de ter computador em casa mais que dobrou em um ano, de 7% para 15%. O interesse de comprar a casa própria passou de 6% para 10%.
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segunda-feira, março 26, 2007
Entrevista de Márcio Thomas Bastos para a Folha revela o que pensa a Folha
O teor das perguntas formuladas por Kennedy Alencar ao ex-ministro da Justiça revela o que pensa e como se orienta politicamente o maior jornal do país. É uma chuva de lugares-comuns e de preconceitos enraizados contra a pessoa de Lula, seu governo, sua trajetória. O cara não tem o menor respeito e tampouco - o que é pior - a menor noção da importância de Lula para a história do nosso país. Não obstante, o ex-ministro dá um show de bola.
Após 50 meses no governo, ex-ministro da Justiça defende ações da polícia, nega ter atuado como advogado do presidente e caracteriza Lula como um "democrata"
O EX-MINISTRO Márcio Thomaz Bastos revela que ouviu "reclamações de todos os lados", do governo e da oposição, a respeito das operações da Polícia Federal em seus 50 meses à frente do Ministério da Justiça. "É uma questão de resistir às pressões e tocar numa linha republicana", diz.
Um dos auxiliares mais próximos do presidente no primeiro mandato, ele nega ter sido mais advogado do que ministro, acusação que críticos lhe atribuem. Aos 71 anos, Bastos retoma a atividade de advogado criminalista -uma carreira de 50 anos só interrompida na passagem pelo governo. Escreveu 17 cadernos com um diário do primeiro ao último dia de governo "só colocando os fatos tal como os via, equilibrando objetividade e subjetividade". Não sabe ainda que "uso" fará deles. Falou à Folha em seu novo escritório em São Paulo, na quinta-feira passada.
FOLHA - A PF fez grandes operações em sua gestão, mas críticos apontam um viés de marketing. Ela também não elucidou o dossiegate e o caso da violação do sigilo do caseiro, que envolviam figuras do governo e do PT.
MÁRCIO THOMAZ BASTOS - A PF trabalha de uma maneira impessoal. Não persegue e não protege. Foi reconstruída em equipamentos, em treinamento de pessoal, em motivação, em liderança e em planejamento estratégico. Houve uso intenso de inteligência. Atingiu gente de todos os partidos. Gente próxima ao governo, gente de oposição ao governo. Os dois casos citados foram esclarecidos, relatados e enviados ao Ministério Público.
FOLHA - Não se sabe a origem do dinheiro de compra do dossiê até hoje nem o mandante.
THOMAZ BASTOS - Talvez nem se saiba. Existem casos em que a investigação tem um limite.
FOLHA - Em reuniões reservadas, o presidente e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, reclamaram das ações da PF que atingiram o governo e o PT, suspeitando de uso de setores dela pela oposição. O sr. recebia pressão para controlar a PF?
THOMAZ BASTOS - Não. Sempre disse que não controlava a PF nem queria controlá-la. Houve reclamações? Houve reclamações de todos os lados. Do mesmo jeito quando atingia gente ligada ao PSDB e ao PFL.
FOLHA - O presidente e José Dirceu reclamaram?
THOMAZ BASTOS - O Lula nunca reclamou.
FOLHA - Questionava?
THOMAZ BASTOS - Nunca questionou, mas eu explicava e contava as operações para ele, sobretudo as que atingiam muita gente. Em alguns casos, ele ficou chocado.
FOLHA - Por exemplo?
THOMAZ BASTOS - Aquele do dólar na cueca. Contei para ele logo após uma cerimônia no Palácio do Planalto, após uma solenidade. A primeira reação foi não acreditar, achar que era um pesadelo. Nunca houve uma ordem "não faça isso, não faça aquilo", apesar de muitas vezes ele ter recebido pressões enormes do partido dele, de aliados e da oposição.
FOLHA - E Dirceu, reclamava?
THOMAZ BASTOS - Comigo não. Agora, ninguém gosta de ser investigado pela PF. O sujeito mais culpado do mundo não gosta. É uma questão de resistir às pressões e tocar em uma linha republicana. Paulo Lacerda [diretor-geral da PF] é inegavelmente a maior vocação de policial que conheço.
FOLHA - O sr. defende que Tarso Genro [novo ministro da Justiça] o mantenha em definitivo?
THOMAZ BASTOS - Deveria continuar o resto da vida pela probidade, pelo brilho e pela liderança. Uma liderança dos atos e não do que diz.
FOLHA - Uma crítica ao sr. é que teria agido mais como advogado do governo, impedindo que Lula fosse acusado de crimes de responsabilidade, do que como ministro da Justiça. É atribuída ao sr. a tese de que o mensalão foi crime eleitoral -forma de admitir um delito menos grave e minimizar danos políticos.
THOMAZ BASTOS - Não sou advogado do presidente. Eu era antes de assumir o Ministério da Justiça. Como ministro, eu era ouvido a respeito das questões. Não articulei nem criei essa tese de crime eleitoral. Foi se criando uma lenda.
FOLHA - Por quê?
THOMAZ BASTOS - Uma série de circunstâncias. Havia uma oposição encarniçada, para a qual não era má idéia derrubar o ministro da Justiça. Por outro lado, me superavaliavam como advogado. Achavam que eu era um Maquiavel, um sujeito capaz de organizar coisas e montar versões. Quando assumi o Ministério da Justiça, sabia que devia duas lealdades. Uma lealdade com o presidente e uma lealdade maior com as instituições. Depois de quatro anos, posso afirmar que minha lealdade ao presidente não toldou minha lealdade às instituições.
FOLHA - No episódio do jornalista Larry Rohter, essas duas lealdades estiveram em choque? Se Lula tivesse insistido na decisão de cassar o visto de permanência do correspondente do "New York Times" [por ter escrito texto no qual citava comentários sobre suposto uso de álcool por Lula], o que equivaleria politicamente à expulsão, teria cruzado o limite da democracia?
THOMAZ BASTOS - A reconsideração foi uma decisão sábia do presidente. Me orgulho de tê-lo ajudado a tomar essa decisão. Naquele caso, o jornalista foi enormemente injusto. Não checou suas fontes. Fez uma matéria altamente equivocada. Entretanto, a decisão de expulsá-lo teve um estrépito tão grande que obscureceu o erro dele e criou a imagem de um governo prepotente. A reconsideração atendeu àquela lição da Suprema Corte americana e que está na nossa Constituição.
A Constituição não quer que a imprensa seja justa. Quer que a imprensa seja livre.
FOLHA - Por que é ruim a relação de Lula e do PT com a imprensa?
THOMAZ BASTOS - Desconfiança recíproca. O governo desconfiava da isenção da imprensa brasileira. E a imprensa desconfiava dos caminhos que o governo queria tomar e das lisuras das intenções do governo em relação à própria imprensa. Acredito que o presidente aprendeu, e a imprensa aprendeu. No segundo mandato, poderão ser corrigidos os erros que sombrearam a relação com a imprensa.
FOLHA - O PT e o governo não têm uma visão autoritária sobre o papel da imprensa? Não a vêem como instituição, mas como instrumento, contra ou a favor?
THOMAZ BASTOS - Todo governo tem essa visão, com diferentes níveis de tolerância. Todo governo tende a achar que a imprensa está errando porque um dos papéis da imprensa é criticar o governo. A crítica à oposição é "en passant". E aqueles partidos e grupos políticos que têm a certeza de que estão trabalhando pelo bem da nação e que têm um grande fim a ser atingido muitas vezes tendem a achar que tudo que atrapalhe aquilo é inimigo.
FOLHA - O sr. é a favor da rede pública de TV que Lula deseja criar?
THOMAZ BASTOS - Depende muito de como isso será colocado. Uma TV de governo, não. TV "Voz do Brasil", de jeito nenhum. Mas uma TV pública, como nas democracias avançadas, pode ser considerada com muito cuidado e estruturada após longo debate. Com gestão independente, conselho curador, de modo que não possa ser manipulada.
FOLHA - O estilo do presidente, de dizer "nosso Delúbio", de se referir aos petistas envolvidos no dossiê como "meninos", não transmitiu excesso de cordialidade e informalidade que contribuiu para que ocorresse o mensalão e o dossiegate?
THOMAZ BASTOS - Não. Conheço o Lula bem. Ele me conhece bem. Gosto muito dele. Ele gosta muito de mim. Ele demonstra afetividade. Esse estilo cordial faz parte da natureza dele.
FOLHA - O homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda?
THOMAZ BASTOS - Nem um pouco. Ele tem um respeito pelas instituições republicanas que foi adquirindo na prática. Aprendeu no sindicato, na vida política na oposição e no governo. Nas crises, vários ministros ligadíssimos a ele saíram do governo. Eram sujeitos que faziam parte da vida afetiva dele, mas ele não hesitou em tomar as decisões que precisava. O discurso de posse de Milton Campos no governo de Minas em 1947 parece um tratado de política republicana. Ele disse "um governo mais da lei do que dos homens". O governo Lula é também dos homens, mas é muito mais da lei.
FOLHA - Não houve momentos de tentação autoritária?
THOMAZ BASTOS - Queria fazer uma biografia do Lula com suas três ressurreições. No primeiro momento, superou os obstáculos da saga de um nordestino pobre que migra para o Sul e melhora de vida. A segunda saga é a política. Funda o PT. E perde quatro eleições majoritárias, uma atrás da outra. Perde em 1982, para o governo de São Paulo. Em 1989, 1994 e 1998 perdeu três disputas presidenciais. Ninguém na história das repúblicas ocidentais perdeu quatro eleições seguidas e sobreviveu. François Mitterrand [presidente da França entre 1981 e 1995] perdeu duas. Há casos de políticos que perderam uma ou duas e ganharam a seguinte. Lula perdeu quatro, renasceu e se elegeu em 2002. Imaginou que tivesse chegado ao paraíso. Aí veio a crise de 2005, na qual ele perdeu a liderança nas pesquisas, sofreu baixa de popularidade e se recuperou em 2006. Enfrentou uma crise no primeiro turno, a do dossiê, e se reelegeu com mais de 60% dos votos no segundo turno porque fez um governo bom, que distribuiu renda com uma política macroeconômica consistente. Nessas sagas, ele sempre agiu como um democrata. Lula nunca cruzou as linhas democráticas e institucionais.
FOLHA - Esse discurso inaugural, do "nunca antes neste país", não é injusto com as conquistas acumuladas em outros governos e que ajudam a gestão Lula?
THOMAZ BASTOS - Claro que ele trabalha em cima de conquistas. Mas é o entusiasmo de quem está empolgado pelo trabalho que faz.
FOLHA - Não soa gabola?
THOMAZ BASTOS - Pode soar gabola. Mas passei 50 meses ao lado dele e vi como ele aprendeu a governar, como nós todos. Eu era uma coisa em 2003. Ele era uma coisa em 2003. Ele é outra. Em 2007, tem o governo na mão. Sabe o que quer. Tem um ceticismo saudável em relação à máquina pública. É um homem maduro para fazer um grande mandato.
FOLHA - Lula tem se comparado a JK e Getúlio, muitas vezes dizendo que seu governo foi melhor do que o deles. Não é exagero?
THOMAZ BASTOS - Lula é uma grande liderança política, como talvez nunca tenha havido no Brasil. Daqui a alguns anos, a era Lula será citada como a mais nítida e a mais importante do Brasil. Vai obscurecer muitos outros presidentes. Será um marco tão importante que provocará efeitos nas outras gerações, como Getúlio provocou. Lula sabe que, nesse mandato, ele joga a sua sorte de grande líder e presidente.
FOLHA - Lula pode ser candidato em 2014?
THOMAZ BASTOS - Tem chance de ser. É uma liderança com nitidez e prestígio no mundo inteiro. A figura do Lula e o seu governo provocam admiração no Brasil e lá fora. É um homem saudável, que se cuida mais no governo. Está mais vaidoso.
Após 50 meses no governo, ex-ministro da Justiça defende ações da polícia, nega ter atuado como advogado do presidente e caracteriza Lula como um "democrata"
O EX-MINISTRO Márcio Thomaz Bastos revela que ouviu "reclamações de todos os lados", do governo e da oposição, a respeito das operações da Polícia Federal em seus 50 meses à frente do Ministério da Justiça. "É uma questão de resistir às pressões e tocar numa linha republicana", diz.
Um dos auxiliares mais próximos do presidente no primeiro mandato, ele nega ter sido mais advogado do que ministro, acusação que críticos lhe atribuem. Aos 71 anos, Bastos retoma a atividade de advogado criminalista -uma carreira de 50 anos só interrompida na passagem pelo governo. Escreveu 17 cadernos com um diário do primeiro ao último dia de governo "só colocando os fatos tal como os via, equilibrando objetividade e subjetividade". Não sabe ainda que "uso" fará deles. Falou à Folha em seu novo escritório em São Paulo, na quinta-feira passada.
FOLHA - A PF fez grandes operações em sua gestão, mas críticos apontam um viés de marketing. Ela também não elucidou o dossiegate e o caso da violação do sigilo do caseiro, que envolviam figuras do governo e do PT.
MÁRCIO THOMAZ BASTOS - A PF trabalha de uma maneira impessoal. Não persegue e não protege. Foi reconstruída em equipamentos, em treinamento de pessoal, em motivação, em liderança e em planejamento estratégico. Houve uso intenso de inteligência. Atingiu gente de todos os partidos. Gente próxima ao governo, gente de oposição ao governo. Os dois casos citados foram esclarecidos, relatados e enviados ao Ministério Público.
FOLHA - Não se sabe a origem do dinheiro de compra do dossiê até hoje nem o mandante.
THOMAZ BASTOS - Talvez nem se saiba. Existem casos em que a investigação tem um limite.
FOLHA - Em reuniões reservadas, o presidente e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, reclamaram das ações da PF que atingiram o governo e o PT, suspeitando de uso de setores dela pela oposição. O sr. recebia pressão para controlar a PF?
THOMAZ BASTOS - Não. Sempre disse que não controlava a PF nem queria controlá-la. Houve reclamações? Houve reclamações de todos os lados. Do mesmo jeito quando atingia gente ligada ao PSDB e ao PFL.
FOLHA - O presidente e José Dirceu reclamaram?
THOMAZ BASTOS - O Lula nunca reclamou.
FOLHA - Questionava?
THOMAZ BASTOS - Nunca questionou, mas eu explicava e contava as operações para ele, sobretudo as que atingiam muita gente. Em alguns casos, ele ficou chocado.
FOLHA - Por exemplo?
THOMAZ BASTOS - Aquele do dólar na cueca. Contei para ele logo após uma cerimônia no Palácio do Planalto, após uma solenidade. A primeira reação foi não acreditar, achar que era um pesadelo. Nunca houve uma ordem "não faça isso, não faça aquilo", apesar de muitas vezes ele ter recebido pressões enormes do partido dele, de aliados e da oposição.
FOLHA - E Dirceu, reclamava?
THOMAZ BASTOS - Comigo não. Agora, ninguém gosta de ser investigado pela PF. O sujeito mais culpado do mundo não gosta. É uma questão de resistir às pressões e tocar em uma linha republicana. Paulo Lacerda [diretor-geral da PF] é inegavelmente a maior vocação de policial que conheço.
FOLHA - O sr. defende que Tarso Genro [novo ministro da Justiça] o mantenha em definitivo?
THOMAZ BASTOS - Deveria continuar o resto da vida pela probidade, pelo brilho e pela liderança. Uma liderança dos atos e não do que diz.
FOLHA - Uma crítica ao sr. é que teria agido mais como advogado do governo, impedindo que Lula fosse acusado de crimes de responsabilidade, do que como ministro da Justiça. É atribuída ao sr. a tese de que o mensalão foi crime eleitoral -forma de admitir um delito menos grave e minimizar danos políticos.
THOMAZ BASTOS - Não sou advogado do presidente. Eu era antes de assumir o Ministério da Justiça. Como ministro, eu era ouvido a respeito das questões. Não articulei nem criei essa tese de crime eleitoral. Foi se criando uma lenda.
FOLHA - Por quê?
THOMAZ BASTOS - Uma série de circunstâncias. Havia uma oposição encarniçada, para a qual não era má idéia derrubar o ministro da Justiça. Por outro lado, me superavaliavam como advogado. Achavam que eu era um Maquiavel, um sujeito capaz de organizar coisas e montar versões. Quando assumi o Ministério da Justiça, sabia que devia duas lealdades. Uma lealdade com o presidente e uma lealdade maior com as instituições. Depois de quatro anos, posso afirmar que minha lealdade ao presidente não toldou minha lealdade às instituições.
FOLHA - No episódio do jornalista Larry Rohter, essas duas lealdades estiveram em choque? Se Lula tivesse insistido na decisão de cassar o visto de permanência do correspondente do "New York Times" [por ter escrito texto no qual citava comentários sobre suposto uso de álcool por Lula], o que equivaleria politicamente à expulsão, teria cruzado o limite da democracia?
THOMAZ BASTOS - A reconsideração foi uma decisão sábia do presidente. Me orgulho de tê-lo ajudado a tomar essa decisão. Naquele caso, o jornalista foi enormemente injusto. Não checou suas fontes. Fez uma matéria altamente equivocada. Entretanto, a decisão de expulsá-lo teve um estrépito tão grande que obscureceu o erro dele e criou a imagem de um governo prepotente. A reconsideração atendeu àquela lição da Suprema Corte americana e que está na nossa Constituição.
A Constituição não quer que a imprensa seja justa. Quer que a imprensa seja livre.
FOLHA - Por que é ruim a relação de Lula e do PT com a imprensa?
THOMAZ BASTOS - Desconfiança recíproca. O governo desconfiava da isenção da imprensa brasileira. E a imprensa desconfiava dos caminhos que o governo queria tomar e das lisuras das intenções do governo em relação à própria imprensa. Acredito que o presidente aprendeu, e a imprensa aprendeu. No segundo mandato, poderão ser corrigidos os erros que sombrearam a relação com a imprensa.
FOLHA - O PT e o governo não têm uma visão autoritária sobre o papel da imprensa? Não a vêem como instituição, mas como instrumento, contra ou a favor?
THOMAZ BASTOS - Todo governo tem essa visão, com diferentes níveis de tolerância. Todo governo tende a achar que a imprensa está errando porque um dos papéis da imprensa é criticar o governo. A crítica à oposição é "en passant". E aqueles partidos e grupos políticos que têm a certeza de que estão trabalhando pelo bem da nação e que têm um grande fim a ser atingido muitas vezes tendem a achar que tudo que atrapalhe aquilo é inimigo.
FOLHA - O sr. é a favor da rede pública de TV que Lula deseja criar?
THOMAZ BASTOS - Depende muito de como isso será colocado. Uma TV de governo, não. TV "Voz do Brasil", de jeito nenhum. Mas uma TV pública, como nas democracias avançadas, pode ser considerada com muito cuidado e estruturada após longo debate. Com gestão independente, conselho curador, de modo que não possa ser manipulada.
FOLHA - O estilo do presidente, de dizer "nosso Delúbio", de se referir aos petistas envolvidos no dossiê como "meninos", não transmitiu excesso de cordialidade e informalidade que contribuiu para que ocorresse o mensalão e o dossiegate?
THOMAZ BASTOS - Não. Conheço o Lula bem. Ele me conhece bem. Gosto muito dele. Ele gosta muito de mim. Ele demonstra afetividade. Esse estilo cordial faz parte da natureza dele.
FOLHA - O homem cordial de Sérgio Buarque de Holanda?
THOMAZ BASTOS - Nem um pouco. Ele tem um respeito pelas instituições republicanas que foi adquirindo na prática. Aprendeu no sindicato, na vida política na oposição e no governo. Nas crises, vários ministros ligadíssimos a ele saíram do governo. Eram sujeitos que faziam parte da vida afetiva dele, mas ele não hesitou em tomar as decisões que precisava. O discurso de posse de Milton Campos no governo de Minas em 1947 parece um tratado de política republicana. Ele disse "um governo mais da lei do que dos homens". O governo Lula é também dos homens, mas é muito mais da lei.
FOLHA - Não houve momentos de tentação autoritária?
THOMAZ BASTOS - Queria fazer uma biografia do Lula com suas três ressurreições. No primeiro momento, superou os obstáculos da saga de um nordestino pobre que migra para o Sul e melhora de vida. A segunda saga é a política. Funda o PT. E perde quatro eleições majoritárias, uma atrás da outra. Perde em 1982, para o governo de São Paulo. Em 1989, 1994 e 1998 perdeu três disputas presidenciais. Ninguém na história das repúblicas ocidentais perdeu quatro eleições seguidas e sobreviveu. François Mitterrand [presidente da França entre 1981 e 1995] perdeu duas. Há casos de políticos que perderam uma ou duas e ganharam a seguinte. Lula perdeu quatro, renasceu e se elegeu em 2002. Imaginou que tivesse chegado ao paraíso. Aí veio a crise de 2005, na qual ele perdeu a liderança nas pesquisas, sofreu baixa de popularidade e se recuperou em 2006. Enfrentou uma crise no primeiro turno, a do dossiê, e se reelegeu com mais de 60% dos votos no segundo turno porque fez um governo bom, que distribuiu renda com uma política macroeconômica consistente. Nessas sagas, ele sempre agiu como um democrata. Lula nunca cruzou as linhas democráticas e institucionais.
FOLHA - Esse discurso inaugural, do "nunca antes neste país", não é injusto com as conquistas acumuladas em outros governos e que ajudam a gestão Lula?
THOMAZ BASTOS - Claro que ele trabalha em cima de conquistas. Mas é o entusiasmo de quem está empolgado pelo trabalho que faz.
FOLHA - Não soa gabola?
THOMAZ BASTOS - Pode soar gabola. Mas passei 50 meses ao lado dele e vi como ele aprendeu a governar, como nós todos. Eu era uma coisa em 2003. Ele era uma coisa em 2003. Ele é outra. Em 2007, tem o governo na mão. Sabe o que quer. Tem um ceticismo saudável em relação à máquina pública. É um homem maduro para fazer um grande mandato.
FOLHA - Lula tem se comparado a JK e Getúlio, muitas vezes dizendo que seu governo foi melhor do que o deles. Não é exagero?
THOMAZ BASTOS - Lula é uma grande liderança política, como talvez nunca tenha havido no Brasil. Daqui a alguns anos, a era Lula será citada como a mais nítida e a mais importante do Brasil. Vai obscurecer muitos outros presidentes. Será um marco tão importante que provocará efeitos nas outras gerações, como Getúlio provocou. Lula sabe que, nesse mandato, ele joga a sua sorte de grande líder e presidente.
FOLHA - Lula pode ser candidato em 2014?
THOMAZ BASTOS - Tem chance de ser. É uma liderança com nitidez e prestígio no mundo inteiro. A figura do Lula e o seu governo provocam admiração no Brasil e lá fora. É um homem saudável, que se cuida mais no governo. Está mais vaidoso.
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quarta-feira, março 21, 2007
IBGE: novo cálculo do PIB vê economia 11% maior
O recálculo do PIB, com nova metodologia aplicada pelo IBGE, mostra que a economia brasileira é muito maior do que se imaginava. Em 2005, o PIB estimado pelo novo cálculo foi de R$ 2,148 trilhões - 10,9% acima do valor calculado anteriormente.
Também foi muito maior o crescimento da economia no governo Lula. Em 2003, 2004 e 2005, respectivamente, o crescimento em relação ao ano anterior foi de 1,1%, 5,7% e 2,9% - pelo cálculo anterior, as taxas eram de 0,5%, 4,9% e 2,3%.
O PIB é a soma de todas as riquezas geradas em um país. Uma fábrica de sapatos que vende um lote por R$ 1 milhão após gastar R$ 800 mil na produção, por exemplo, contribui para o PIB com R$ 200 mil. O trabalho do IBGE é coletar e organizar estatísticas dos mais variados setores econômicos para tentar somar todas essas contribuições e, com isso, traçar um quadro o mais fiel possível do tamanho da economia do país.
O cálculo do PIB feito anteriormente não estava errado - obedecia a uma metodologia aceita internacionalmente, normatizada pela ONU. Ao retratar a evolução de uma economia com milhões de atores e fatores de influência, porém, é impossível atingir precisão absoluta. Com a nova metodologia, o IBGE dá um passo em direção a uma maior precisão. "O cálculo vai melhorar, vai ficar muito mais referenciado na realidade", afirmou, no mês passado, Roberto Luís Olinto Ramos, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, que chefia a equipe responsável por mensurar a geração de riquezas no país.
As mudanças metodológicas são complicadas para os leigos. Em termos gerais, pode-se dizer que a nova contabilidade detecta de forma mais precisa o peso do governo na economia - estima-se hoje que o setor público responda por cerca de 15% do Produto Interno Bruto.
Houve uma mudança considerável na base de dados do PIB, com a incorporação de levantamentos anuais do IBGE até então desprezados, como Pesquisa Anual da Indústria, Pesquisa Anual de Serviços, Pesquisa Anual de Comércio e Pesquisa Anual da Indústria da Construção.
O PIB antigo não media com grande acuidade a contribuição das pequenas empresas para o PIB. Essa lacuna foi preenchida com a inclusão de dados do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no cálculo. Os dados foram cedidos pela Receita Federal - em forma bruta e não individulizada, para não ferir o sigilo dos contribuintes.
Do Terra Magazine
Também foi muito maior o crescimento da economia no governo Lula. Em 2003, 2004 e 2005, respectivamente, o crescimento em relação ao ano anterior foi de 1,1%, 5,7% e 2,9% - pelo cálculo anterior, as taxas eram de 0,5%, 4,9% e 2,3%.
O PIB é a soma de todas as riquezas geradas em um país. Uma fábrica de sapatos que vende um lote por R$ 1 milhão após gastar R$ 800 mil na produção, por exemplo, contribui para o PIB com R$ 200 mil. O trabalho do IBGE é coletar e organizar estatísticas dos mais variados setores econômicos para tentar somar todas essas contribuições e, com isso, traçar um quadro o mais fiel possível do tamanho da economia do país.
O cálculo do PIB feito anteriormente não estava errado - obedecia a uma metodologia aceita internacionalmente, normatizada pela ONU. Ao retratar a evolução de uma economia com milhões de atores e fatores de influência, porém, é impossível atingir precisão absoluta. Com a nova metodologia, o IBGE dá um passo em direção a uma maior precisão. "O cálculo vai melhorar, vai ficar muito mais referenciado na realidade", afirmou, no mês passado, Roberto Luís Olinto Ramos, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, que chefia a equipe responsável por mensurar a geração de riquezas no país.
As mudanças metodológicas são complicadas para os leigos. Em termos gerais, pode-se dizer que a nova contabilidade detecta de forma mais precisa o peso do governo na economia - estima-se hoje que o setor público responda por cerca de 15% do Produto Interno Bruto.
Houve uma mudança considerável na base de dados do PIB, com a incorporação de levantamentos anuais do IBGE até então desprezados, como Pesquisa Anual da Indústria, Pesquisa Anual de Serviços, Pesquisa Anual de Comércio e Pesquisa Anual da Indústria da Construção.
O PIB antigo não media com grande acuidade a contribuição das pequenas empresas para o PIB. Essa lacuna foi preenchida com a inclusão de dados do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica no cálculo. Os dados foram cedidos pela Receita Federal - em forma bruta e não individulizada, para não ferir o sigilo dos contribuintes.
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sexta-feira, março 16, 2007
Lula: Plano para educação vai recuperar décadas de atraso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (15) que o governo pretende fazer uma grande reforma na educação brasileira, cujo objetivo é dar um salto de qualidade no ensino e recuperar o atraso das últimas décadas.
A afirmação foi feita durante cerimônia com educadores, professores, reitores, pedagogos e ex-secretários de Educação, no Palácio do Planalto.
O encontro debateu as linhas do Plano de Desenvolvimento da Educação, que prevê investimentos de R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos na melhoria da qualidade do ensino.
"A experiência acumulada mostra que o Estado brasileiro, ao longo das últimas décadas, não deu respostas (para os problemas da educação). Houve a universalização do ensino, mas não houve um acompanhamento da melhoria da qualidade da educação. Então, estamos entre os piores do mundo", declarou o presidente.
O presidente afirmou que diversas pessoas foram chamadas para colaborar na elaboração do Plano de Desenvolvimento da Educação, como os ex-ministros Cristovam Buarque (PDT – DF) e Paulo Renato (PSDB-SP). Segundo ele, o governo quer ouvir quem pode contribuir, independentemente de partido.
Violência
Em seu discurso, Lula mais uma vez vinculou a questão da violência e da criminalidade à precariedade do ensino e destacou a importância da educação de qualidade como elemento de combate ao crime.
"Nós temos um estoque de 3 milhões de jovens, de 15 a 24 anos, que pararam de estudar e estão à mercê do crime organizado, de cometer barbaridades que vemos na televisão", disse.
O presidente afirmou, mais uma vez, que é contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. "Ao invés de ficarmos discutindo apenas as exceções, que devem ser punidas, precisamos cuidar dos que representam a regra: jovens pobres que precisam estudar", disse.
Prova Brasil
Lula defendeu que o exame Prova Brasil seja aplicado antes da 4ª série como forma de mapear as condições do ensino fundamental.
“Não temos como esperar quatro anos para fazer uma prova. Ou medimos essas crianças mensalmente, quinzenalmente, semanalmente, diariamente, ou não tem jeito.”
O Prova Brasil é desenvolvido e realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A primeira edição ocorreu em novembro de 2005, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de educação.
O exame aconteceu em 5.398 municípios de todas as unidades da federação, avaliando 3,3 milhões de alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental.
A afirmação foi feita durante cerimônia com educadores, professores, reitores, pedagogos e ex-secretários de Educação, no Palácio do Planalto.
O encontro debateu as linhas do Plano de Desenvolvimento da Educação, que prevê investimentos de R$ 8 bilhões nos próximos quatro anos na melhoria da qualidade do ensino.
"A experiência acumulada mostra que o Estado brasileiro, ao longo das últimas décadas, não deu respostas (para os problemas da educação). Houve a universalização do ensino, mas não houve um acompanhamento da melhoria da qualidade da educação. Então, estamos entre os piores do mundo", declarou o presidente.
O presidente afirmou que diversas pessoas foram chamadas para colaborar na elaboração do Plano de Desenvolvimento da Educação, como os ex-ministros Cristovam Buarque (PDT – DF) e Paulo Renato (PSDB-SP). Segundo ele, o governo quer ouvir quem pode contribuir, independentemente de partido.
Violência
Em seu discurso, Lula mais uma vez vinculou a questão da violência e da criminalidade à precariedade do ensino e destacou a importância da educação de qualidade como elemento de combate ao crime.
"Nós temos um estoque de 3 milhões de jovens, de 15 a 24 anos, que pararam de estudar e estão à mercê do crime organizado, de cometer barbaridades que vemos na televisão", disse.
O presidente afirmou, mais uma vez, que é contra a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. "Ao invés de ficarmos discutindo apenas as exceções, que devem ser punidas, precisamos cuidar dos que representam a regra: jovens pobres que precisam estudar", disse.
Prova Brasil
Lula defendeu que o exame Prova Brasil seja aplicado antes da 4ª série como forma de mapear as condições do ensino fundamental.
“Não temos como esperar quatro anos para fazer uma prova. Ou medimos essas crianças mensalmente, quinzenalmente, semanalmente, diariamente, ou não tem jeito.”
O Prova Brasil é desenvolvido e realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A primeira edição ocorreu em novembro de 2005, em parceria com as secretarias estaduais e municipais de educação.
O exame aconteceu em 5.398 municípios de todas as unidades da federação, avaliando 3,3 milhões de alunos de 4ª e 8ª séries do ensino fundamental.
sábado, março 10, 2007
Lula quer criar rede pública de TV e tirar do papel projeto do PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está determinado a criar uma rede pública nacional de TV, nos moldes da britânica BBC, em seu segundo mandato. Essa foi uma das medidas discutidas por Lula quando fez o convite ao jornalista Franklin Martins para assumir a área de imprensa do governo.
No Planalto, dá-se como certo que Franklin ocupará o cargo que pode ter status ministerial e deverá ser anunciado na próxima semana com a reforma ministerial. Segundo a Folha apurou, a idéia de Lula é tirar do papel um debate que vem sendo travado no PT e no governo a respeito de uma rede pública de TV.
No governo, há expectativa de que órgãos de comunicação e a oposição se manifestarão contrários à idéia, temendo que a rede pública possa ser instrumentalizada por Lula, Daí o presidente ter mencionado em conversa com auxiliares que a rede deveria ter autonomia em sua gestão. Mais: o governo discutiria com variados setores da sociedade o modelo administrativo e jurídico da rede.
Da Folha de S.Paulo de 10/03/07
No Planalto, dá-se como certo que Franklin ocupará o cargo que pode ter status ministerial e deverá ser anunciado na próxima semana com a reforma ministerial. Segundo a Folha apurou, a idéia de Lula é tirar do papel um debate que vem sendo travado no PT e no governo a respeito de uma rede pública de TV.
No governo, há expectativa de que órgãos de comunicação e a oposição se manifestarão contrários à idéia, temendo que a rede pública possa ser instrumentalizada por Lula, Daí o presidente ter mencionado em conversa com auxiliares que a rede deveria ter autonomia em sua gestão. Mais: o governo discutiria com variados setores da sociedade o modelo administrativo e jurídico da rede.
Da Folha de S.Paulo de 10/03/07
quarta-feira, março 07, 2007
Senador diz que Lula teve seu dia de glória com governadores
Ao comentar o comportamento do presidente Lula, ontem, [o senador] Camata usou a metáfora futebolística: o Presidente Lula... implodiu o PMDB, dominou o PMDB, deu uma rasteira nos sábios do PMDB. Enquanto isso, Sua Excelência (Lula) estava com os Governadores. Baseio-me no depoimento dos Governadores considerados fora da base (de apoio), os Governadores de oposição, que saíram maravilhados, porque, de catorze reivindicações, o presidente não atendeu nenhuma, prometeu quatro e S. Exªs saíram maravilhados, tecendo loas, chegando o Governador de Minas a dizer que “O Lula vai entrar na História”. ... então, politicamente, foi um dia de glória, em que o Presidente da República, numa partida de futebol decisiva no campeonato ... cobrou o corner, cabeceou e fez o gol”.
Do blog do ET
Do blog do ET
segunda-feira, março 05, 2007
A questão agrária no governo Lula
Importante e esclarecedor o artigo "A atualidade da reforma agrária", do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, na Folha de hoje (só para assinantes), prestando contas das ações do governo Lula nessa área.
Entre outras informações, o artigo mostra que nos últimos quatro anos, o governo federal assentou 381.419 famílias e destinou para a reforma agrária uma área de 32 milhões de hectares. Área maior do que a de Suíça, Portugal, Bélgica, Dinamarca e Holanda juntos. Só em obtenção de terras, o governo investiu R$ 4 bilhões. Nunca tantas famílias foram assentadas em tão pouco tempo. Além da terra, garante-se o acesso a crédito, assistência técnica, educação, seguro e políticas de agroindustrialização e comercialização.
O artigo é uma precisa resposta às críticas que vira e mexe aparecem na imprensa sobre a ação do governo Lula no setor agrário.
Do blog do Zé Dirceu
Entre outras informações, o artigo mostra que nos últimos quatro anos, o governo federal assentou 381.419 famílias e destinou para a reforma agrária uma área de 32 milhões de hectares. Área maior do que a de Suíça, Portugal, Bélgica, Dinamarca e Holanda juntos. Só em obtenção de terras, o governo investiu R$ 4 bilhões. Nunca tantas famílias foram assentadas em tão pouco tempo. Além da terra, garante-se o acesso a crédito, assistência técnica, educação, seguro e políticas de agroindustrialização e comercialização.
O artigo é uma precisa resposta às críticas que vira e mexe aparecem na imprensa sobre a ação do governo Lula no setor agrário.
Do blog do Zé Dirceu
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Bolsa Família: um passo rumo à cidadania
“O programa não é assistencialista. Ele é um exercício de direito e provoca ações integradas”. É desta forma que Lúcia Modesto, diretora do Cadastro Único do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) defende o Bolsa Família. O programa, que já ultrapassou a marca de 11 milhões de famílias atendidas, destinou 7,5 bilhões de reais no ano passado para as camadas mais pobres da população. Embora não haja uma pesquisa do ministério que meça o impacto do programa – a primeira deverá ser realizada ainda neste ano – , é possível dizer que houve avanços desde outubro de 2003, quando foi implantado.
O Bolsa Família está dividido em três eixos fundamentais: o alívio imediato à pobreza, o investimento nas gerações futuras por meio do acompanhamento das condicionalidades e o desenvolvimento das famílias com a inclusão produtiva. A diretora do Cadastro Único lembra que na prática a universalização de serviços básicos – como saúde, educação e saneamento básico, por exemplo – não é real. “As famílias mais pobres são mais vulneráveis e acabam tendo maior dificuldade de acesso a tudo isso. E o programa tem conseguido aproximar as pessoas desses serviços”. Ela destacou ainda que “houve melhora no padrão alimentar das famílias. E em geral, as crianças atendidas pelo Bolsa Família estão melhor no que diz respeito à nutrição, o que muitas vezes é uma questão crítica na primeira infância”, disse Lúcia.
A posição de Lúcia tem respaldo em pesquisa feita pelo próprio MDS na “Chamada Nutricional”, em 2005. Na pesquisa, 17 mil crianças de até cinco anos, da região do semi-árido nordestino, foram pesadas e medidas. Dentre as famílias pesquisadas, 35,3% declararam ser beneficiadas pelo Bolsa Família. O levantamento mostrou que 92% das crianças avaliadas faziam ao menos três refeições diárias e apenas 6,6% apresentaram quadro de desnutrição crônica.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que entre as crianças atendidas pelo Bolsa Família o déficit altura/idade é de 4,8%, índice que aumenta para 6,8% entre os que ainda não são beneficiadas pelo programa. No mesmo levantamento, concluiu-se que crianças de seis a 11 meses de idade, caso não fossem atendidas pelo programa, teriam mais de 60% de risco de apresentar desnutrição crônica. “Isso é importante pois a faixa etária até um ano de idade é uma etapa bastante delicada que, se tiver déficit nutricional, poderá comprometer as outras fases da criança”, afirmou Rômulo Paes, secretário de Avaliação e Gestão da Informação do MDS quando da divulgação da pesquisa.
Segue a mesma linha avaliação feita pela Universidade Federal Fluminense em março do ano passado. Segundo as informações colhidas pelo DataUFF, por meio de entrevistas com 4 mil beneficiados, 66,9% do total declararam que a alimentação melhorou depois que passaram a receber o benefício; 18,7% disseram ter melhorado muito; 14,2%, responderam que continua igual e apenas 0,2% disseram ter piorado.
Mudança real
Mais do que estatísticas, levantamentos como esses revelam a realidade de pessoas com nome e endereço. Uma delas, que não participou destas pesquisas, mas que exemplifica bem os resultados obtidos pelo Bolsa Família é Maria Cristina Goes Santos. Aos 37 anos, com três filhos, é moradora de uma favela situada na avenida Ulisses Guimarães, em Diadema, na Grande São Paulo. Cristina vive num pequeno barraco de madeira. Quando chove, pinga água e por vezes ela teme que possa haver deslizamentos, já que sua casa fica na parte superior de um barranco. Além dela e das crianças, moram na casa seu marido, a irmã dela e seus dois meninos. Ela tinha direito a 95 reais, o máximo que o programa oferece por pessoa. Mas, abriu mão de parte dele depois que o marido arrumou emprego como ajudante-geral. Hoje, Cristina recebe 45 reais.
“Fiz isso porque acho que as coisas não devem ser feitas na base da mentira”, diz, explicando que com o salário do marido, a família passou a receber acima do máximo exigido pelo programa. Cristina também foi uma das participantes dos cursos de capacitação do programa e aprendeu a fazer bijuterias e sabonetes, que a ajudam a sustentar a família. Enquanto termina um colar e cuida da filha menor, Jennifer, de dois anos, Cristina conta que fez o curso de sabonetes no final de 2005. “Foi o que me salvou no final do ano. Ganhei um dinheiro e graças a deus pudemos ter um Natal melhor”.
O caso de Cristina se encaixa no que Lúcia Modesto chama de “inclusão produtiva”. Conforme explicou a diretora do Cadastro Único do MDS, a pobreza tem características muito distintas e para cada região é pensada uma alternativa diferente. “A renda de uma família deriva de vários fatores. Não é só questão de ter ou não ter trabalho porque muitas vezes as famílias não têm perfil de empregabilidade. Há famílias que não têm escolaridade nenhuma, então, terão dificuldades de criar mecanismos de autodesenvolvimento”. Para ela, está aí um dos pontos cruciais do programa. “A pobreza tem diversas dimensões e acho que essa forma mais integrada de enxergar o problema – tanto do ponto de vista da forma como se vê a realidade das famílias, quanto do ponto de vista da união de diversos atores públicos – é o maior mérito e o maior desafio do Bolsa Família”.
Embora o programa não tenha ainda conseguido mudar estruturalmente o problema da desigualdade social no Brasil, há pontos bastante positivos que devem ser lembrados ao se abordar o benefício. No livro “Bolsa Família – avanços, limites e possibilidades do programa que está transformando a vida de milhões de famílias no Brasil” (Perseu Abramo, 2006) o autor Marco Aurélio Weissheimer salienta que “no período entre 2001 e 2004, a renda dos 10% mais pobres subiu 23,3%, puxada pelos benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo e por programas sociais como o Bolsa Família”. Ele se refere à pesquisa feita pelo economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas.
Já o economista da Unicamp, Márcio Pochmann, em entrevista concedida à revista Terceiro Setor em 2006 afirmou que “há 25 anos temos tido baixo crescimento econômico, em torno de apenas 2% ao ano. Este governo é mais sensível à questão da pobreza, promovendo programas que amenizam, mas não superam a miséria no país. Deve haver uma política estratégica para fazer com que a população mais pobre deixe de depender dos programas de transferência de renda”.
Visão elitista
Lúcia Modesto refuta as teses de assistencialismo em torno do programa afirmando que “as elites no Brasil manifestam seu preconceito de várias maneiras. Argumentam que se deve investir apenas em educação, que é transformadora. Há uma série de suposições que a elite usa e que acabam definindo a linha de argumentação de cada um deles. O que temos dito é que não somos dogmáticos. Nossa única religião aqui é a do combate à pobreza nas suas mais variadas dimensões”. No mesmo sentido, Cristina, beneficiária do programa, diz que “existe muito preconceito dos ricos. Eles acham que a pessoa que ganha o Bolsa Família usa o dinheiro para beber, para fazer o que não deve, para não trabalhar. Eu, e outros que conheço e que recebem o dinheiro, gastamos com comida e material escolar”, relata Cristina.
Os números levantados pela UFF vão ao encontro do que a beneficiária diz com relação ao uso dos recursos. Entre os pesquisados atendidos, 76,4% disseram gastar o benefício com alimentação. Em segundo lugar, vêm os gastos com material escolar, que fica em 11%. Roupas/calçados e remédios vêm em seguida, com 5,4% e 1,5%, respectivamente.
Também contrariando a visão de que o programa poderia não atingir o público ao qual se destinaria, a medição feita pela UFF mostra que dentre os beneficiários entrevistados, 65% são negros e pardos. Segundo avaliação dos pesquisadores, publicada por Weissheimer, “estes resultados apontam já de início para o fato de que o Bolsa Família vem elegendo de forma acertada os seus beneficiários, na medida em que, como vários estudos têm apontado, a proporção de pobres no Brasil é muito mais elevada entre os pardos e pretos do que entre os brancos”.
Ainda merece destaque a questão da melhoria da auto-estima dos beneficiados, algo subjetivo mas que tem gerado alguns incômodos. No ano passado, o então candidato a senador por Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, chegou a declarar que o Bolsa Família estava retirando mão-de-obra dos canaviais, o que estaria prejudicando os usineiros. Mais recentemente, fazendeiros do interior de Minas Gerais se queixaram de que estariam tendo dificuldades em arrumar trabalhadores rurais. “Ninguém quer ficar mendigando a vida inteira um benefício e falar que prefere a bolsa a uma carteira assinada é fazer pouco caso do trabalhador”, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, em contraposição à afirmação dos ruralistas.
Para Lúcia Modesto, o questionamento à exploração é um dos pontos nodais do Bolsa Família. “O programa tem suscitado, entre seus beneficiários, maior clareza quantos a seus direitos e sua cidadania”. Ela explica que o fato de o trabalhador receber o benefício dá a ele maior segurança para questionar as condições de trabalho e renda a que são submetidos. “O Bolsa Família dá às famílias um contra-ponto para reivindicar salários mais justos e dignos”.
Por possibilitar mudanças importantes nas vidas daqueles que recebem mensalmente o dinheiro é que o programa é bem avaliado por seus favorecidos. Segundo os 4 mil entrevistados pelo DataUFF, 38,8% avaliaram o Bolsa Família como ótimo e 49,9% como bom, ou seja, aprovação de mais de 88% do total, sem contar os que julgaram regular (9,8%). Apenas 1,6% julgaram o programa como ruim e péssimo. “Para mim, a vida melhorou muito depois que pude receber essa ajuda”, relata Cristina. Ela conta que está aguardando a demarcação dos lotes da favela, que está sendo urbanizada, para abrir um pequeno comércio dentro de casa. “Meu desejo é que as coisas continuem melhorando porque assim eu posso devolver o meu cartão para ajudar outras famílias”, finalizou Cristina.
Por Priscila Lobregatte, do www.vermelho.org.br
O Bolsa Família está dividido em três eixos fundamentais: o alívio imediato à pobreza, o investimento nas gerações futuras por meio do acompanhamento das condicionalidades e o desenvolvimento das famílias com a inclusão produtiva. A diretora do Cadastro Único lembra que na prática a universalização de serviços básicos – como saúde, educação e saneamento básico, por exemplo – não é real. “As famílias mais pobres são mais vulneráveis e acabam tendo maior dificuldade de acesso a tudo isso. E o programa tem conseguido aproximar as pessoas desses serviços”. Ela destacou ainda que “houve melhora no padrão alimentar das famílias. E em geral, as crianças atendidas pelo Bolsa Família estão melhor no que diz respeito à nutrição, o que muitas vezes é uma questão crítica na primeira infância”, disse Lúcia.
A posição de Lúcia tem respaldo em pesquisa feita pelo próprio MDS na “Chamada Nutricional”, em 2005. Na pesquisa, 17 mil crianças de até cinco anos, da região do semi-árido nordestino, foram pesadas e medidas. Dentre as famílias pesquisadas, 35,3% declararam ser beneficiadas pelo Bolsa Família. O levantamento mostrou que 92% das crianças avaliadas faziam ao menos três refeições diárias e apenas 6,6% apresentaram quadro de desnutrição crônica.
Outro dado apontado pela pesquisa mostra que entre as crianças atendidas pelo Bolsa Família o déficit altura/idade é de 4,8%, índice que aumenta para 6,8% entre os que ainda não são beneficiadas pelo programa. No mesmo levantamento, concluiu-se que crianças de seis a 11 meses de idade, caso não fossem atendidas pelo programa, teriam mais de 60% de risco de apresentar desnutrição crônica. “Isso é importante pois a faixa etária até um ano de idade é uma etapa bastante delicada que, se tiver déficit nutricional, poderá comprometer as outras fases da criança”, afirmou Rômulo Paes, secretário de Avaliação e Gestão da Informação do MDS quando da divulgação da pesquisa.
Segue a mesma linha avaliação feita pela Universidade Federal Fluminense em março do ano passado. Segundo as informações colhidas pelo DataUFF, por meio de entrevistas com 4 mil beneficiados, 66,9% do total declararam que a alimentação melhorou depois que passaram a receber o benefício; 18,7% disseram ter melhorado muito; 14,2%, responderam que continua igual e apenas 0,2% disseram ter piorado.
Mudança real
Mais do que estatísticas, levantamentos como esses revelam a realidade de pessoas com nome e endereço. Uma delas, que não participou destas pesquisas, mas que exemplifica bem os resultados obtidos pelo Bolsa Família é Maria Cristina Goes Santos. Aos 37 anos, com três filhos, é moradora de uma favela situada na avenida Ulisses Guimarães, em Diadema, na Grande São Paulo. Cristina vive num pequeno barraco de madeira. Quando chove, pinga água e por vezes ela teme que possa haver deslizamentos, já que sua casa fica na parte superior de um barranco. Além dela e das crianças, moram na casa seu marido, a irmã dela e seus dois meninos. Ela tinha direito a 95 reais, o máximo que o programa oferece por pessoa. Mas, abriu mão de parte dele depois que o marido arrumou emprego como ajudante-geral. Hoje, Cristina recebe 45 reais.
“Fiz isso porque acho que as coisas não devem ser feitas na base da mentira”, diz, explicando que com o salário do marido, a família passou a receber acima do máximo exigido pelo programa. Cristina também foi uma das participantes dos cursos de capacitação do programa e aprendeu a fazer bijuterias e sabonetes, que a ajudam a sustentar a família. Enquanto termina um colar e cuida da filha menor, Jennifer, de dois anos, Cristina conta que fez o curso de sabonetes no final de 2005. “Foi o que me salvou no final do ano. Ganhei um dinheiro e graças a deus pudemos ter um Natal melhor”.
O caso de Cristina se encaixa no que Lúcia Modesto chama de “inclusão produtiva”. Conforme explicou a diretora do Cadastro Único do MDS, a pobreza tem características muito distintas e para cada região é pensada uma alternativa diferente. “A renda de uma família deriva de vários fatores. Não é só questão de ter ou não ter trabalho porque muitas vezes as famílias não têm perfil de empregabilidade. Há famílias que não têm escolaridade nenhuma, então, terão dificuldades de criar mecanismos de autodesenvolvimento”. Para ela, está aí um dos pontos cruciais do programa. “A pobreza tem diversas dimensões e acho que essa forma mais integrada de enxergar o problema – tanto do ponto de vista da forma como se vê a realidade das famílias, quanto do ponto de vista da união de diversos atores públicos – é o maior mérito e o maior desafio do Bolsa Família”.
Embora o programa não tenha ainda conseguido mudar estruturalmente o problema da desigualdade social no Brasil, há pontos bastante positivos que devem ser lembrados ao se abordar o benefício. No livro “Bolsa Família – avanços, limites e possibilidades do programa que está transformando a vida de milhões de famílias no Brasil” (Perseu Abramo, 2006) o autor Marco Aurélio Weissheimer salienta que “no período entre 2001 e 2004, a renda dos 10% mais pobres subiu 23,3%, puxada pelos benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo e por programas sociais como o Bolsa Família”. Ele se refere à pesquisa feita pelo economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas.
Já o economista da Unicamp, Márcio Pochmann, em entrevista concedida à revista Terceiro Setor em 2006 afirmou que “há 25 anos temos tido baixo crescimento econômico, em torno de apenas 2% ao ano. Este governo é mais sensível à questão da pobreza, promovendo programas que amenizam, mas não superam a miséria no país. Deve haver uma política estratégica para fazer com que a população mais pobre deixe de depender dos programas de transferência de renda”.
Visão elitista
Lúcia Modesto refuta as teses de assistencialismo em torno do programa afirmando que “as elites no Brasil manifestam seu preconceito de várias maneiras. Argumentam que se deve investir apenas em educação, que é transformadora. Há uma série de suposições que a elite usa e que acabam definindo a linha de argumentação de cada um deles. O que temos dito é que não somos dogmáticos. Nossa única religião aqui é a do combate à pobreza nas suas mais variadas dimensões”. No mesmo sentido, Cristina, beneficiária do programa, diz que “existe muito preconceito dos ricos. Eles acham que a pessoa que ganha o Bolsa Família usa o dinheiro para beber, para fazer o que não deve, para não trabalhar. Eu, e outros que conheço e que recebem o dinheiro, gastamos com comida e material escolar”, relata Cristina.
Os números levantados pela UFF vão ao encontro do que a beneficiária diz com relação ao uso dos recursos. Entre os pesquisados atendidos, 76,4% disseram gastar o benefício com alimentação. Em segundo lugar, vêm os gastos com material escolar, que fica em 11%. Roupas/calçados e remédios vêm em seguida, com 5,4% e 1,5%, respectivamente.
Também contrariando a visão de que o programa poderia não atingir o público ao qual se destinaria, a medição feita pela UFF mostra que dentre os beneficiários entrevistados, 65% são negros e pardos. Segundo avaliação dos pesquisadores, publicada por Weissheimer, “estes resultados apontam já de início para o fato de que o Bolsa Família vem elegendo de forma acertada os seus beneficiários, na medida em que, como vários estudos têm apontado, a proporção de pobres no Brasil é muito mais elevada entre os pardos e pretos do que entre os brancos”.
Ainda merece destaque a questão da melhoria da auto-estima dos beneficiados, algo subjetivo mas que tem gerado alguns incômodos. No ano passado, o então candidato a senador por Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, chegou a declarar que o Bolsa Família estava retirando mão-de-obra dos canaviais, o que estaria prejudicando os usineiros. Mais recentemente, fazendeiros do interior de Minas Gerais se queixaram de que estariam tendo dificuldades em arrumar trabalhadores rurais. “Ninguém quer ficar mendigando a vida inteira um benefício e falar que prefere a bolsa a uma carteira assinada é fazer pouco caso do trabalhador”, disse o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, em contraposição à afirmação dos ruralistas.
Para Lúcia Modesto, o questionamento à exploração é um dos pontos nodais do Bolsa Família. “O programa tem suscitado, entre seus beneficiários, maior clareza quantos a seus direitos e sua cidadania”. Ela explica que o fato de o trabalhador receber o benefício dá a ele maior segurança para questionar as condições de trabalho e renda a que são submetidos. “O Bolsa Família dá às famílias um contra-ponto para reivindicar salários mais justos e dignos”.
Por possibilitar mudanças importantes nas vidas daqueles que recebem mensalmente o dinheiro é que o programa é bem avaliado por seus favorecidos. Segundo os 4 mil entrevistados pelo DataUFF, 38,8% avaliaram o Bolsa Família como ótimo e 49,9% como bom, ou seja, aprovação de mais de 88% do total, sem contar os que julgaram regular (9,8%). Apenas 1,6% julgaram o programa como ruim e péssimo. “Para mim, a vida melhorou muito depois que pude receber essa ajuda”, relata Cristina. Ela conta que está aguardando a demarcação dos lotes da favela, que está sendo urbanizada, para abrir um pequeno comércio dentro de casa. “Meu desejo é que as coisas continuem melhorando porque assim eu posso devolver o meu cartão para ajudar outras famílias”, finalizou Cristina.
Por Priscila Lobregatte, do www.vermelho.org.br
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segunda-feira, fevereiro 05, 2007
De volta, a Lei Ricupero às avessas
5 de Fevereiro de 2007 @ 18:21 por Alceu Nader, do blog Contrapauta
Veja distorce entrevista com ex-embaixador para reforçar sua idéia pré-concebida sobre política externa do governo Lula
Um dos instrumentos costumeiros que a grande mídia utiliza para impor sua opinião é destacar aquilo que pretende transferir ao público nas partes mais visíveis e lidas de uma reportagem, como título, subtítulo, legendas etc.
Pesquisas, de circulação restrita entre os diretores de redação e editores, confirmam: quase a totalidade dos leitores pesquisados lê o que se destaca nesses campos da página, ao passo que o percentual de leitores que lê as reportagens propriamente diminui na medida em que avança o texto da matéria.
O truque de realçar a informação conveniente ou encomendada pela diretoria, na maior parte das vezes, provoca distorce o que é a pura verdade. Além disso, exige malabarismos extras dos editores que, muitas vezes, entregam-se nas contradições evidentes que surgem depois de uma leitura mais ou menos atenta.
Poucas publicações desempenham essa prestidigitação com a mesma desenvoltura da revista Veja, quando o tema é adesão à Alca. A vítima da semana é a política externa do governo Lula, sobre a qual a empresa e a direção responsáveis pela revista têm opinião formada. Para enfatizar o que já publicou inúmeras vezes nos últimos anos – a idéia de que a política externa dos últimos quatro anos é um rosário de fracassos – a revista traz o embaixador Roberto Abdenur, aposentado na semana passada, na entrevista das páginas amarelas.
O diplomata serviu aos propósitos da revista, embora tenha sido peça importante da mesma política externa que parece condenar– era embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O primeiro truque aparece já na capa:
“’Nem na ditadura’ – embaixador denuncia doutrinação no Itamaraty”.
A violência embutida na “denúncia” desconhece a história. Durante a ditadura, diplomatas foram cassados e presos, não faltando, inclusive, a presença de pelo menos um filho de diplomata nas listas de desaparecidos políticos.
Nos campos privilegiados das páginas mencionados no início desse comentário, voltam os demais truques mencionados. O título, na falta de um argumento mais sólido para a “denúncia”, repete a mentira da capa: “Nem na ditadura”. No subtítulo, a “doutrinação” é aprofundada, segundo palavras atribuídas ao entrevistado: “O diplomata diz que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica”.
Na legenda da foto do entrevistado, o reforço da idéia pré-concebida baseia-se em uma impressão pessoal do entrevistado: “’Há um sentimento generalizado de que hoje os diplomatas ao promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência’”.
Os truques se repetem nos dois olhos que se destacam nas perguntas e respostas.
O primeiro intertítulo diz:
“A minha maior crítica está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Isso é um substrato ideológico, vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado”.
O segundo:
“Existe um elemento ideológico muito forte na política externa brasileira. Está havendo um esforço de doutrinação. Diplomatas de categoria são forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília. É uma coisa vexatória”.
Não é bem isso o que o ex-embaixador enfatizou, como se verá na reprodução fiel das perguntas e respostas publicadas. Para facilitar a visualização das conclusões manipuladas da revista, os trechos que desmentem o que a revista ressalta estão em recuo.
Veja – Substantivamente, houve pontos positivos na política externa brasileira no primeiro mandato do presidente Lula?
Abdenur – Sim, sem dúvida. O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos…
(Perceberam o truque do “enfim, houve acertos”? Parece até que o entrevistado reconheceu apenas um ou dois avanços da política externa. Mas tem mais:)
Veja – E os erros substantivos?
Abdenur – A minha maior crítica à atuação do Itamaraty está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Com a queda do Muro de Berlim, desapareceu completamente o paralelo que dividia o mundo em Ocidente e Oriente. O meridiano Norte-Sul não desapareceu de todo, mas se desvaneceu. O diálogo Norte-Sul é uma realidade. A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado. A nossa relação com a China e com a Índia também apresenta equívocos. É preciso ter parceria com os dois países, mas eles não podem ser considerados nossos aliados.
(…)
Veja – Como o senhor avalia a relação do Brasil com os Estados Unidos nos três anos em que serviu como embaixador em Washington?
Abdenur – Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil.
Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: “Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países”. Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.
Veja – O senhor não deixou o cargo de embaixador espontaneamente, correto?
Abdenur – Há no Brasil setores, embora minoritários, que têm aversão aos Estados Unidos, inclusive dentro do governo e do Itamaraty. Há esse ranço, mas isso não atrapalhou meu trabalho. A relação Brasil-Estados Unidos nunca esteve tão bem. Lula inclusive deve visitar o presidente Bush nos próximos meses.
Veja – Apesar dessa relação forte com os Estados Unidos, a Alca está em compasso de espera.
Abdenur – O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro.
Veja – Qual é a imagem do presidente Lula nos Estados Unidos? Ele ainda é um político respeitado ou sua imagem foi deteriorada pelos escândalos de corrupção?
Abdenur – É uma imagem positiva, os escândalos de corrupção não repercutiram muito por lá. Ele é o líder de uma democracia estável, um governante que tem uma biografia louvável. O governo Lula tem merecido respeito mundo afora por conciliar uma política econômica pragmática com políticas sociais efetivas e uma política externa séria. Isso começou com Fernando Henrique, mas o governo Lula avançou.
A íntegra da entrevista – que desqualifica o título que lhe foi dado, assim como a denúncia de “doutrinação” – pode ser lida, pelos assinantes, no site da revista. Aliás, com o patrocínio do BNDES, do mesmo governo federal que, segundo a revista, persegue os diplomatas com mais violência do que na ditadura
Veja distorce entrevista com ex-embaixador para reforçar sua idéia pré-concebida sobre política externa do governo Lula
Um dos instrumentos costumeiros que a grande mídia utiliza para impor sua opinião é destacar aquilo que pretende transferir ao público nas partes mais visíveis e lidas de uma reportagem, como título, subtítulo, legendas etc.
Pesquisas, de circulação restrita entre os diretores de redação e editores, confirmam: quase a totalidade dos leitores pesquisados lê o que se destaca nesses campos da página, ao passo que o percentual de leitores que lê as reportagens propriamente diminui na medida em que avança o texto da matéria.
O truque de realçar a informação conveniente ou encomendada pela diretoria, na maior parte das vezes, provoca distorce o que é a pura verdade. Além disso, exige malabarismos extras dos editores que, muitas vezes, entregam-se nas contradições evidentes que surgem depois de uma leitura mais ou menos atenta.
Poucas publicações desempenham essa prestidigitação com a mesma desenvoltura da revista Veja, quando o tema é adesão à Alca. A vítima da semana é a política externa do governo Lula, sobre a qual a empresa e a direção responsáveis pela revista têm opinião formada. Para enfatizar o que já publicou inúmeras vezes nos últimos anos – a idéia de que a política externa dos últimos quatro anos é um rosário de fracassos – a revista traz o embaixador Roberto Abdenur, aposentado na semana passada, na entrevista das páginas amarelas.
O diplomata serviu aos propósitos da revista, embora tenha sido peça importante da mesma política externa que parece condenar– era embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O primeiro truque aparece já na capa:
“’Nem na ditadura’ – embaixador denuncia doutrinação no Itamaraty”.
A violência embutida na “denúncia” desconhece a história. Durante a ditadura, diplomatas foram cassados e presos, não faltando, inclusive, a presença de pelo menos um filho de diplomata nas listas de desaparecidos políticos.
Nos campos privilegiados das páginas mencionados no início desse comentário, voltam os demais truques mencionados. O título, na falta de um argumento mais sólido para a “denúncia”, repete a mentira da capa: “Nem na ditadura”. No subtítulo, a “doutrinação” é aprofundada, segundo palavras atribuídas ao entrevistado: “O diplomata diz que a política externa do governo Lula é contaminada pelo antiamericanismo e pela orientação ideológica”.
Na legenda da foto do entrevistado, o reforço da idéia pré-concebida baseia-se em uma impressão pessoal do entrevistado: “’Há um sentimento generalizado de que hoje os diplomatas ao promovidos de acordo com sua afinidade política e ideológica, e não por competência’”.
Os truques se repetem nos dois olhos que se destacam nas perguntas e respostas.
O primeiro intertítulo diz:
“A minha maior crítica está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Isso é um substrato ideológico, vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado”.
O segundo:
“Existe um elemento ideológico muito forte na política externa brasileira. Está havendo um esforço de doutrinação. Diplomatas de categoria são forçados a certas leituras quando entram ou saem de Brasília. É uma coisa vexatória”.
Não é bem isso o que o ex-embaixador enfatizou, como se verá na reprodução fiel das perguntas e respostas publicadas. Para facilitar a visualização das conclusões manipuladas da revista, os trechos que desmentem o que a revista ressalta estão em recuo.
Veja – Substantivamente, houve pontos positivos na política externa brasileira no primeiro mandato do presidente Lula?
Abdenur – Sim, sem dúvida. O Brasil engatou uma parceria com Índia, Japão e Alemanha para obter uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU. É luta válida, que vai trazer resultados. Acho muito bom o que o governo tem feito para abrir novas frentes de comércio com países árabes, com o Sudeste Asiático, com a Ásia Central, com a África. Acho muito positiva também a forma inovadora de trabalho com o Ibas (grupo que reúne Índia, Brasil e África do Sul). É a primeira vez que três países grandes, de três continentes diferentes, se unem para buscar iniciativas conjuntas. Acho que o Brasil tem conduzido com amplo equilíbrio e proficiência as negociações da Rodada de Doha. O Brasil é um jogador decisivo, tem uma atuação de liderança no G20 muito importante. Há ainda a questão do Haiti, onde lideramos pela primeira vez uma ação de países latino-americanos em favor da paz. Enfim, houve acertos…
(Perceberam o truque do “enfim, houve acertos”? Parece até que o entrevistado reconheceu apenas um ou dois avanços da política externa. Mas tem mais:)
Veja – E os erros substantivos?
Abdenur – A minha maior crítica à atuação do Itamaraty está na dimensão exagerada dada à cooperação entre os países menos desenvolvidos como eixo básico da nossa diplomacia. Com a queda do Muro de Berlim, desapareceu completamente o paralelo que dividia o mundo em Ocidente e Oriente. O meridiano Norte-Sul não desapareceu de todo, mas se desvaneceu. O diálogo Norte-Sul é uma realidade. A esta altura da vida, com o mundo em transformação vertiginosa, não vale mais valorizar tanto a dimensão Sul-Sul. Isso é um substrato ideológico vagamente anticapitalista, antiglobalização, antiamericano, totalmente superado. A nossa relação com a China e com a Índia também apresenta equívocos. É preciso ter parceria com os dois países, mas eles não podem ser considerados nossos aliados.
(…)
Veja – Como o senhor avalia a relação do Brasil com os Estados Unidos nos três anos em que serviu como embaixador em Washington?
Abdenur – Pode parecer paradoxal, mas a relação do Brasil com os Estados Unidos prosperou significativamente nos últimos anos. Graças a uma pessoa que manda muito no governo brasileiro, uma pessoa de extremo pragmatismo e lucidez, que é o presidente Lula. Ele não esconde seu desagrado com algumas coisas que o governo Bush tem feito, particularmente no Iraque. Mas Lula sabe que uma relação melhor com os Estados Unidos é de interesse do Brasil.
Quando fui assumir a embaixada, ele me disse: “Roberto, quero deixar como legado para o futuro bases ainda mais sólidas e mais amplas na relação entre os dois países”. Como embaixador, tive algumas dificuldades, mas nada que fosse impeditivo.
Veja – O senhor não deixou o cargo de embaixador espontaneamente, correto?
Abdenur – Há no Brasil setores, embora minoritários, que têm aversão aos Estados Unidos, inclusive dentro do governo e do Itamaraty. Há esse ranço, mas isso não atrapalhou meu trabalho. A relação Brasil-Estados Unidos nunca esteve tão bem. Lula inclusive deve visitar o presidente Bush nos próximos meses.
Veja – Apesar dessa relação forte com os Estados Unidos, a Alca está em compasso de espera.
Abdenur – O Brasil está, na melhor das hipóteses, deixando de ganhar dinheiro. O mercado americano está se aproximando dos 2 trilhões de dólares. Seria vital para o Brasil ter vantagens preferenciais, de parceria, com os Estados Unidos. Não estou dizendo que deveríamos ter assinado a Alca de qualquer jeito, mas deveríamos ter seguido com a negociação. Os Estados Unidos têm assinado vários acordos de comércio bilaterais, e nós temos perdido competitividade no mercado americano. Nós estamos estacionados há dez anos em 1,4% do mercado americano. Há vinte anos, nossa participação era de 2,2%. Eu lamento que o único aspecto da relação Brasil-Estados Unidos em que não houve progresso tenha sido o comércio. Foram mínimos os recursos alocados para promoção comercial nos Estados Unidos pelo governo brasileiro.
Veja – Qual é a imagem do presidente Lula nos Estados Unidos? Ele ainda é um político respeitado ou sua imagem foi deteriorada pelos escândalos de corrupção?
Abdenur – É uma imagem positiva, os escândalos de corrupção não repercutiram muito por lá. Ele é o líder de uma democracia estável, um governante que tem uma biografia louvável. O governo Lula tem merecido respeito mundo afora por conciliar uma política econômica pragmática com políticas sociais efetivas e uma política externa séria. Isso começou com Fernando Henrique, mas o governo Lula avançou.
A íntegra da entrevista – que desqualifica o título que lhe foi dado, assim como a denúncia de “doutrinação” – pode ser lida, pelos assinantes, no site da revista. Aliás, com o patrocínio do BNDES, do mesmo governo federal que, segundo a revista, persegue os diplomatas com mais violência do que na ditadura
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