(por Miguel do Rosário)
Um dos senadores da oposição subiu ao palanque com cópia do site do Globo Online, onde aparece pesquisa com apoio esmagador ao fim da CPMF, o que comprova o poder, de fato, que a imprensa possui de influenciar o voto dos senadores, através da manipulação de estatísticas que não correspondem, nem de longe, a critérios democráticos que espelhem de fato a opinião pública nacional. Se pesquisa por telefone tradicionalmente conduz a um grande elitismo em seus resultados, uma pesquisa realizada exclusivamente por internet, dentro de um jornal cuja linha editorial tem sido a de uma oposição intransingente ao governo Lula e a tudo que ele defende, apenas distorce o debate político, fazendo prevalecer a opinião de um percentual insignificante da sociedade brasileira.
Os tucanos fizeram ouvidos de mercador aos apelos dos governadores de seus próprios partidos sobre a importância da CPFM. Os senadores tucanos se importam mais com a opinião de setores da imprensa de direita do que com governadores que representam uma quantidade de votos infinitamente maior que a deles.
O povo brasileiro foi derrotado, mas não é a primeira vez. A história do Brasil é uma história de derrotas inflingidas à parte pobre da população.
Acompanhei a votação da CPMF pela internet. Escutei discursos inflamados de senadores de todos os partidos. De fato, foi um belo dia para o senado brasileiro. Mas um péssimo dia para o país. A oposição agiu de forma absolutamente radical e irresponsável ao eliminar um imposto com o qual governadores e prefeitos contavam para 2008, e que, segundo a proposta do governo federal, seria integralmente destinado à saúde pública.
A votação mostra mais uma vez como o Senado se tornou o grande bastião do conservadorismo brasileiro. Com mandato de oito anos, os senadores eleitos há seis, sete, oito anos não refletem o Brasil de hoje. Eles querem produzir uma crise para causar erosão na popularidade do presidente Lula. Tiraram-lhe agora a verba que o governo usava para bancar o aumento nos investimentos em saúde, no bolsa família e no pagamento das aposentadorias rurais.
O impressionante nesta votação foi que todos os secretários de saúde dos estados e os quase seis mil prefeitos do país encaminharam pedidos aos parlamentares pedindo a prorrogação da CPMF. Os mesmos senadores que votaram contra a CPMF são os mesmos que vem praticando oposição sistemática, sempre com ajuda da imprensa, contra o governo Lula.
O ex-presidente José Sarney fez um excelente pronunciamento, alertando que se tratava de uma questão de Estado, não de luta partidária. Estamos a poucos dias de 2008 e a extinção de R$40 bilhões em receitas gerará, certamente, enorme confusão administrativa e financeira para o país. É lamentável, mas a história de um país também se constrói com derrotas e momentos tristes. Outros países já viveram guerras, intestinas ou com outros países, onde morreram milhões de pessoas. Há países que vivem guerras.
O crescimento de 5,3% do PIB nacional, no terceiro trimestre de 2007, aponta para um cenário extremamente positivo para a economia nacional. A popularidade de Lula tem crescido em todos os segmentos sociais. Continua absoluta entre os mais pobres e agora cresce também na classe média.
Não acredito que o governo Lula irá dar a batalha por perdida. A alternativa do governo será encontrar receitas em outros canais, que não passem pelo legislativo. A oposição fala em aumento da arrecadação como se fosse uma coisa negativa. Se o Brasil cresce, aumentam também as necessidades de investimentos em saúde, educação e infra-estrutura. A arrecadação precisa crescer. O governo pode economizar em muitos setores, mas é preciso primeiro reduzir despesas para, depois, cortar receitas.
A oposição ganhou essa batalha, mas pesará em sua consciência a imagem de ter se posicionado contra a esmagadora maioria da classe política executiva (prefeitos, governadores, executivo federal). De nossa parte, ficou explícita, mais uma vez, a falta de compromisso de alguns setores políticos-midiáticos com a justiça social.
Muitas mentiras foram levantadas para aprovar a CPMF. A alegação de que seria um imposto que incidiria, percentualmente, mais no pobre do que no rico e, portanto, seria um imposto injusto e nocivo aos pobres, constituiu uma falsidade das mais torpes, logo chanceladas pelos jornais, a começar pelo Globo. Ora, os pobres ganham tão pouco, que qualquer imposto que paguem, mesmo mínimo, incide sobre suas economias. Mas os serviços de saúde prestados ao pobre, na forma de tratamentos médicos de alta complexidade, programas sociais ou aposentadorias rurais, compensam sobejamente qualquer percentual (ínfimo) que o imposto represente na renda do pobre. Além do mais, se o imposto representa 2% da renda do pobre e 0,4% da renda dos muito ricos e empresas, esse 0,4% sobre a renda dos mais ricos corresponde a valores infinitamente mais altos que os pagos pelos pobres. Quase 80% da CPMF vem de empresas, portanto foi realmente falacioso o estudo da USP divulgado pelo Globo e amplamente usado pela oposição como forma de chancelar a teoria esdrúxula de que o imposto prejudicava o pobre.
A saúde brasileira ainda é de péssima qualidade, mas tem melhorado expressivamente. O programa governamental de assistência contra a Aids tem sido admirado e citado freqüentemente por governos e organizações internacionais como um dos melhores do mundo. Quero ver se esses senadores que votaram contra a CPMF terão a coragem de visitar os hospitais públicos brasileiros e conversar com os médicos, cuja maioria esmagadora deverá ter uma péssima noite de sono, depois de dias de glória com a aprovação, pelos deputados, de nova lei que destina mais R$24 bilhões para a saúde brasileira em quatro anos.
O debate sobre a questão tributária também tem sido conduzido de maneira hipócrita pela oposição. O senador Sérgio Guerra falou que o Brasil precisaria ter um regime tributário de primeiro mundo, procurando com esse argumento justificar sua posição contra a CPMF, mas não informou aos telespectadores que a carga tributária dos países de primeiro mundo é muito superior à do Brasil.
Também falaram que o Brasil cresce pouco, apenas superado pelo Haiti. Bem, primeiro que agora estamos crescendo a 5,6%, o que é um dos crescimentos mais vigorosos entre países em desenvolvimentos e se torna mais signicativo se considerarmos que ele vem acompanhado de um forte movimento de distribuição de renda, inflação baixa e expansão da capacidade produtiva. Segundo que os que acusam o baixo crescimento do Brasil, esquecem que a comparação com pequenos países centro-americanos é falaciosa. O Brasil cresceu o mesmo que o México, único país com população e o PIB parecidos com o nosso. E vem crescendo bem mais que os países de primeiro mundo, que apresentam crescimentos pífios.
A senadora Katia Abreu disse que o Brasil perdeu para China exportações para os Estados Unidos, omitindo que o seu cálculo é abstrato. Em termos reais, as exportações brasileiras para os EUA aumentaram fortemente nos últimos anos e o Brasil hoje exporta muito mais para os EUA do que nos tempos fernandinos. O que aconteceu foi uma gigantesca expansão das exportações nacionais para mercados diversos, como Oriente Médio, Ásia, Leste Europeu e muito para o próprio Mercosul. O que significa que o Brasil diversificou seu leque de clientes, deixando de ficar refém de um só país, o que é perigoso, imprudente e causa instabilidade comercial para o país.
Por fim, o cancelamento da CPMF cheira a corrupção bancada pela Fiesp, ou a setores específicos da entidade, com vínculos estreitos com determinadas lideranças partidárias. Os profissionais da saúde amanhecerão preocupados nesta quinta-feira, e o governo terá que ser criativo para encerrar dignamente seu mandato.
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quinta-feira, dezembro 13, 2007
quarta-feira, novembro 28, 2007
Para quem ainda não entendeu...
Para quem ainda não entendeu que a imprensa trabalha contra o governo Lula
(do blog do Mello)
A notícia é que, pela primeira vez na história, o Brasil sobe de patamar e passa para o primeiro grupo, entre os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), graças, principalmente – como frisa a ONU – ao programa Bolsa Família.
Manchete de O Globo:
- Na 'lanterna' da elite mundial
---
Li isso e lembrei na hora do início do Bom Dia Brasil de Hoje. Pela cara de velório dos apresentadores, parecia que o éfe-agá tinha morrido!
(do blog do Mello)
A notícia é que, pela primeira vez na história, o Brasil sobe de patamar e passa para o primeiro grupo, entre os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), graças, principalmente – como frisa a ONU – ao programa Bolsa Família.
Manchete de O Globo:
- Na 'lanterna' da elite mundial
---
Li isso e lembrei na hora do início do Bom Dia Brasil de Hoje. Pela cara de velório dos apresentadores, parecia que o éfe-agá tinha morrido!
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sexta-feira, outubro 05, 2007
Carta da ex-mulher de Zé Dirceu
A ex-mulher do ex-deputado José Dirceu, Clara Becker, 66, decidiu tornar pública uma carta que pretende enviar a Aguinaldo Silva, autor da novela "Duas Caras", da TV Globo. Em entrevista à Folha (exclusiva para assinantes), Aguinaldo disse que a história de Dirceu e Clara inspirou a criação do protagonista da novela, que se casa por interesse, foge com o dinheiro da mulher e faz plástica para mudar de vida: "Tenho horror", afirmou Silva. Clara diz que Dirceu nunca foi vilão na vida real.
Confira abaixo a íntegra da carta:
"Senhor Aguinaldo Silva,
Quem lhe escreve, antes de tudo, é uma fã. Não sou militante política e nunca fui. Como milhões de brasileiros, sou uma telespectadora assídua de novelas e foi assim que aprendi a admirá-lo, como grande autor que é.
Permita-me, no entanto, transmitir uma enorme decepção que senti provocada por algumas declarações suas que envolvem fatos que conheço de perto. Que o senhor queira criar um ambiente de ficção em suas novelas, não é apenas direito seu, assim como merece todo aplauso. Mas que o senhor queira criar um universo paralelo à realidade em algo que pertence à minha vida, a algo que vivi, a algo que nada tem a ver com a ficção, pois faz parte de meu passado, sinceramente, acho que o senhor deveria ter mais cuidado.
Não me sinto preparada para tecer considerações sobre seus relacionamentos pessoais. Não me sinto preparada para julgar uma relação amorosa sua ocorrida há décadas. Isso pertence à sua intimidade e tenho algo muito claro para mim: como poderia eu, que não vivi os seus relacionamentos, sair por aí avaliando esse ou aquele aspecto da sua vida? Se fizesse isso, certamente o senhor teria toda a razão de me chamar de leviana.
Infelizmente, foi isso que ocorreu comigo, a partir de suas declarações sobre o relacionamento afetivo que mantive com José Dirceu. Se o senhor não gosta do político José Dirceu, se tem uma impressão negativa dele, esse é um direito sagrado que respeito integralmente. Agora, por favor, não extravase sua raiva ou preconceito contra ele, falando de coisas que não são de seu conhecimento, como a relação que tivemos. Pois isso não atinge apenas a ele: atinge a mim e sobre tudo a verdade.
Realmente, acredito que existe um José Dirceu de duas caras. A cara verdadeira, de quem o conhece, com suas falhas e virtudes, com seus acertos e erros, com suas qualidades e imperfeições. Há, porém, uma outra cara: uma cara inventada pelos seus adversários e por aqueles que, cegos pelo preconceito ou pela discordância, acabam produzindo uma imagem estapafúrdia. Permita-me dizer que, para minha imensa e infeliz surpresa, suas declarações acabaram colocando-o nesse triste rol.
Pela primeira e última vez, quero falar sobre detalhes de minha vida com José Dirceu, expondo minha intimidade em público, à minha revelia. É que não suporto mais ver repetidas as mentiras, as distorções, as agressões sobre algo que somente eu e ele podemos dizer, com clareza, o que aconteceu.
Sendo assim, quero deixar claro de uma vez por todas alguns pontos que considero cruciais em toda essa história. Que a imprensa, se voltar a esse assunto novamente, não queira se fazer de desinformada sobre o tema, repetindo mentiras e suposições, pois aqui eu apresento os fatos tal como os vivi:
1) O autor da novela "Duas Caras", Aguinaldo Silva, desconhece a verdade em relação à vida de José Dirceu em Cruzeiro do Oeste, cidade que ele escolheu para morar e trabalhar diante da perseguição movida pela ditadura militar, sendo obrigado a usar outra identidade e modificar sua aparência.
2) É caluniosa a comparação, feita pelo autor da novela, entre José Dirceu e um personagem que se casa por interesse e foge com o dinheiro da esposa. Nos anos em que vivi com José Dirceu nós dividíamos todas as contas. Era tudo anotado em um caderno e cada um pagava as suas contas. José Dirceu pagava a empregada e o aluguel e eu pagava as despesas de casa e a comida. Ele nunca me roubou e nunca dependeu do meu dinheiro, pois tinha a sua loja e eu a tinha a minha. Tanto que quando José Dirceu voltou para São Paulo, sua loja ainda tinha dinheiro para receber aqui em Cruzeiro do Oeste e ele me pediu que recebesse e ficasse com o dinheiro.
3) Quanto à omissão da sua identidade na época, todos, agora, sabem que era uma necessidade, pois a vida de José Dirceu estava em perigo. Certa vez fui chamada pelo então prefeito para uma conversa na Prefeitura. O prefeito e outras pessoas desconfiavam daquele homem recém-chegado à cidade e que tinha um estilo diferente. Em casa, conversei com José Dirceu e perguntei se ele escondia alguma coisa, se era casado ou se era bandido. A resposta foi imediata: não era casado e nem era bandido, mas havia algo, sim, que não podia revelado naquele momento. Senti sinceridade. Ele era bom, vivíamos bem e continuamos juntos, mesmo sem saber todos os detalhes da vida dele. Foi uma opção minha.
4) Afirmo que nunca conheci um homem tão íntegro e honesto como José Dirceu e considero que a omissão de sua real identidade foi uma necessidade naquelas circunstâncias.
5) É preciso esclarecer ainda que, ao contrário do que insinua a reportagem, não fui abandonada por José Dirceu. Com a anistia, ele pediu que eu e meu filho fossemos com ele para São Paulo. Chegamos a viver algum tempo juntos na capital paulista, mas eu tinha aqui em Cruzeiro do Oeste uma família que dependia de mim (pai, mãe, duas irmãs e meu filho) e a vida em São Paulo era muito dura. Eu tomei a iniciativa de voltar para Cruzeiro do Oeste.
6) Por fim, reafirmo que o José Dirceu foi um companheiro ideal. Mesmo depois de nossa separação mantém contato, preocupa-se com meu bem-estar e vem a Cruzeiro do Oeste, cidade hoje administrada por nosso filho.
Por fim, a todos aqueles que gostam ou não gostam de José Dirceu; a todos aqueles que concordam ou não com as idéias dele; a todos, enfim, que acreditam ou não acreditam na política, a todos eu peço apenas um favor: não usem os fatos de minha vida, não usem o meu passado, como matéria prima para suas divergências. Respeitem a minha vida, como gostariam de ter as suas respeitadas. Sou apenas uma brasileira, totalmente fora da vida pública e acho que mereço que esse direito meu seja preservado.
Cruzeiro do Oeste, 1º de outubro de 2007
Clara Becker"
(pela colunista Mônica Bergamo, da Folha)
Confira abaixo a íntegra da carta:
"Senhor Aguinaldo Silva,
Quem lhe escreve, antes de tudo, é uma fã. Não sou militante política e nunca fui. Como milhões de brasileiros, sou uma telespectadora assídua de novelas e foi assim que aprendi a admirá-lo, como grande autor que é.
Permita-me, no entanto, transmitir uma enorme decepção que senti provocada por algumas declarações suas que envolvem fatos que conheço de perto. Que o senhor queira criar um ambiente de ficção em suas novelas, não é apenas direito seu, assim como merece todo aplauso. Mas que o senhor queira criar um universo paralelo à realidade em algo que pertence à minha vida, a algo que vivi, a algo que nada tem a ver com a ficção, pois faz parte de meu passado, sinceramente, acho que o senhor deveria ter mais cuidado.
Não me sinto preparada para tecer considerações sobre seus relacionamentos pessoais. Não me sinto preparada para julgar uma relação amorosa sua ocorrida há décadas. Isso pertence à sua intimidade e tenho algo muito claro para mim: como poderia eu, que não vivi os seus relacionamentos, sair por aí avaliando esse ou aquele aspecto da sua vida? Se fizesse isso, certamente o senhor teria toda a razão de me chamar de leviana.
Infelizmente, foi isso que ocorreu comigo, a partir de suas declarações sobre o relacionamento afetivo que mantive com José Dirceu. Se o senhor não gosta do político José Dirceu, se tem uma impressão negativa dele, esse é um direito sagrado que respeito integralmente. Agora, por favor, não extravase sua raiva ou preconceito contra ele, falando de coisas que não são de seu conhecimento, como a relação que tivemos. Pois isso não atinge apenas a ele: atinge a mim e sobre tudo a verdade.
Realmente, acredito que existe um José Dirceu de duas caras. A cara verdadeira, de quem o conhece, com suas falhas e virtudes, com seus acertos e erros, com suas qualidades e imperfeições. Há, porém, uma outra cara: uma cara inventada pelos seus adversários e por aqueles que, cegos pelo preconceito ou pela discordância, acabam produzindo uma imagem estapafúrdia. Permita-me dizer que, para minha imensa e infeliz surpresa, suas declarações acabaram colocando-o nesse triste rol.
Pela primeira e última vez, quero falar sobre detalhes de minha vida com José Dirceu, expondo minha intimidade em público, à minha revelia. É que não suporto mais ver repetidas as mentiras, as distorções, as agressões sobre algo que somente eu e ele podemos dizer, com clareza, o que aconteceu.
Sendo assim, quero deixar claro de uma vez por todas alguns pontos que considero cruciais em toda essa história. Que a imprensa, se voltar a esse assunto novamente, não queira se fazer de desinformada sobre o tema, repetindo mentiras e suposições, pois aqui eu apresento os fatos tal como os vivi:
1) O autor da novela "Duas Caras", Aguinaldo Silva, desconhece a verdade em relação à vida de José Dirceu em Cruzeiro do Oeste, cidade que ele escolheu para morar e trabalhar diante da perseguição movida pela ditadura militar, sendo obrigado a usar outra identidade e modificar sua aparência.
2) É caluniosa a comparação, feita pelo autor da novela, entre José Dirceu e um personagem que se casa por interesse e foge com o dinheiro da esposa. Nos anos em que vivi com José Dirceu nós dividíamos todas as contas. Era tudo anotado em um caderno e cada um pagava as suas contas. José Dirceu pagava a empregada e o aluguel e eu pagava as despesas de casa e a comida. Ele nunca me roubou e nunca dependeu do meu dinheiro, pois tinha a sua loja e eu a tinha a minha. Tanto que quando José Dirceu voltou para São Paulo, sua loja ainda tinha dinheiro para receber aqui em Cruzeiro do Oeste e ele me pediu que recebesse e ficasse com o dinheiro.
3) Quanto à omissão da sua identidade na época, todos, agora, sabem que era uma necessidade, pois a vida de José Dirceu estava em perigo. Certa vez fui chamada pelo então prefeito para uma conversa na Prefeitura. O prefeito e outras pessoas desconfiavam daquele homem recém-chegado à cidade e que tinha um estilo diferente. Em casa, conversei com José Dirceu e perguntei se ele escondia alguma coisa, se era casado ou se era bandido. A resposta foi imediata: não era casado e nem era bandido, mas havia algo, sim, que não podia revelado naquele momento. Senti sinceridade. Ele era bom, vivíamos bem e continuamos juntos, mesmo sem saber todos os detalhes da vida dele. Foi uma opção minha.
4) Afirmo que nunca conheci um homem tão íntegro e honesto como José Dirceu e considero que a omissão de sua real identidade foi uma necessidade naquelas circunstâncias.
5) É preciso esclarecer ainda que, ao contrário do que insinua a reportagem, não fui abandonada por José Dirceu. Com a anistia, ele pediu que eu e meu filho fossemos com ele para São Paulo. Chegamos a viver algum tempo juntos na capital paulista, mas eu tinha aqui em Cruzeiro do Oeste uma família que dependia de mim (pai, mãe, duas irmãs e meu filho) e a vida em São Paulo era muito dura. Eu tomei a iniciativa de voltar para Cruzeiro do Oeste.
6) Por fim, reafirmo que o José Dirceu foi um companheiro ideal. Mesmo depois de nossa separação mantém contato, preocupa-se com meu bem-estar e vem a Cruzeiro do Oeste, cidade hoje administrada por nosso filho.
Por fim, a todos aqueles que gostam ou não gostam de José Dirceu; a todos aqueles que concordam ou não com as idéias dele; a todos, enfim, que acreditam ou não acreditam na política, a todos eu peço apenas um favor: não usem os fatos de minha vida, não usem o meu passado, como matéria prima para suas divergências. Respeitem a minha vida, como gostariam de ter as suas respeitadas. Sou apenas uma brasileira, totalmente fora da vida pública e acho que mereço que esse direito meu seja preservado.
Cruzeiro do Oeste, 1º de outubro de 2007
Clara Becker"
(pela colunista Mônica Bergamo, da Folha)
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sexta-feira, março 23, 2007
Franklin Martins assume a comunicação do governo com missão espinhosa
O jornalista Franklin Martins aceitou (quinta, 22) o convite do presidente Lula para ser o ministro encarregado da área de comunicação social do governo. "Tive hoje uma segunda conversa com o presidente e aceitei o convite", disse Franklin ao jornalista Ricardo Amaral, da agência Reuters.
O jornalista vai cuidar de relações com a imprensa, publicidade e também do projeto de uma rede nacional pública de TV, com status de ministro. No entanto, Franklin não será o porta-voz do governo. Atualmente, ele é comentarista da TV Bandeirantes e mantém um blog no portal iG.
A escolha revela uma ligeira audácia de Lula em relação às poderosas Organizações Globo.
Um dos mais prestigiados jornalistas de Brasília, Franklin perdeu o emprego de comentarista político da TV Globo pouco depois de ter sido atacado pelo colunista Diogo Mainardi, na revista Veja. Mainardi o acusou de fazer jornalismo chapa-branca, movido, entre outras coisas, pela conquista de boas posições para parentes seus no serviço público federal.
O jornalista foi brindado com a solidariedade dos colegas e dos políticos (inclusive da oposição), que não compraram a interpretação do colunista para a trajetória profissional de integrantes da sua família. Filho do ex-senador Mário Martins (MDB-RJ), cassado pela ditadura militar, Franklin é irmão da premiada escritora Ana Maria Machado, recentemente contemplada com uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, e de Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Mas não teve a mesma solidariedade da Globo, que logo em seguida o demitiu. Em entrevistas a veículos especializados da área, embora de modo elegante, o jornalista manifestou publicamente sua estranheza com a coincidência entre a crítica ofensiva de Mainardi – a quem ele processa na Justiça – e seu afastamento da Globo. A emissora, como costuma fazer em situações do tipo, não se pronunciou. Mas, obviamente, não gostou.
Ex-militante do MR-8, Franklin Martins foi um dos principais responsáveis pelo seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969. Assim como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que também participou da operação, até hoje Franklin é proibido de entrar nos Estados Unidos.
O jornalista nasceu em 1948, em Vitória (ES), mas foi criado no Rio de Janeiro. Estudou na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRJ e foi vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes do Rio de Janeiro, no período de maior enfrentamento entre o movimento estudantil e o regime militar. (Site Congresso em Foco - Sylvio Costa e Rodolfo Torres).
O jornalista vai cuidar de relações com a imprensa, publicidade e também do projeto de uma rede nacional pública de TV, com status de ministro. No entanto, Franklin não será o porta-voz do governo. Atualmente, ele é comentarista da TV Bandeirantes e mantém um blog no portal iG.
A escolha revela uma ligeira audácia de Lula em relação às poderosas Organizações Globo.
Um dos mais prestigiados jornalistas de Brasília, Franklin perdeu o emprego de comentarista político da TV Globo pouco depois de ter sido atacado pelo colunista Diogo Mainardi, na revista Veja. Mainardi o acusou de fazer jornalismo chapa-branca, movido, entre outras coisas, pela conquista de boas posições para parentes seus no serviço público federal.
O jornalista foi brindado com a solidariedade dos colegas e dos políticos (inclusive da oposição), que não compraram a interpretação do colunista para a trajetória profissional de integrantes da sua família. Filho do ex-senador Mário Martins (MDB-RJ), cassado pela ditadura militar, Franklin é irmão da premiada escritora Ana Maria Machado, recentemente contemplada com uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, e de Victor Martins, diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Mas não teve a mesma solidariedade da Globo, que logo em seguida o demitiu. Em entrevistas a veículos especializados da área, embora de modo elegante, o jornalista manifestou publicamente sua estranheza com a coincidência entre a crítica ofensiva de Mainardi – a quem ele processa na Justiça – e seu afastamento da Globo. A emissora, como costuma fazer em situações do tipo, não se pronunciou. Mas, obviamente, não gostou.
Ex-militante do MR-8, Franklin Martins foi um dos principais responsáveis pelo seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969. Assim como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que também participou da operação, até hoje Franklin é proibido de entrar nos Estados Unidos.
O jornalista nasceu em 1948, em Vitória (ES), mas foi criado no Rio de Janeiro. Estudou na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRJ e foi vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes do Rio de Janeiro, no período de maior enfrentamento entre o movimento estudantil e o regime militar. (Site Congresso em Foco - Sylvio Costa e Rodolfo Torres).
quarta-feira, março 14, 2007
Emenda 3, também conhecida como “Emenda Globo”, opõe empresários e trabalhadores
A discussão em torno da Emenda 3 ao projeto do governo da Super-Receita, é daquelas que tornam cristalina a visão sobre quem está do lado de quem. Nesta semana temos lido anúncios de jornal defendendo um lado e outro, e a grande mídia claramente desinteressada em esclarecer, mas apenas bombardear a intenção do governo de vetar a danada.
“A emenda 3 proíbe que o Poder Executivo possa, por meio de ações de fiscalização, julgar se há vínculo empregatício entre duas pessoas mesmo que formalmente isso não aconteça. Este impedimento ataca diretamente casos de maquiagem na contratação de um empregado quando este se utiliza de uma pessoa jurídica (PJ) para formalmente aparentar uma relação de prestação de serviços. A autuação em situações como estas só seriam possíveis no âmbito do Judiciário.”
Ou seja: os deputados incorporaram um dispositivo ao projeto do governo que – ao fim e ao cabo – inviabiliza a fiscalização dentro das empresas. A relação entre patrão e empregado passa a ser entre pessoas jurídicas – daí o termo “pejotização” das relações trabalhistas – e o trabalhador fica sem décimo-terceiro, férias, previdência etc.
Ao mesmo tempo, o empregador tem mais facilidade de contratar, posto que o custo social é menor. Explica-se o interesse das empresas de mídia: este é o modelo por excelência que vigora nas redações dos jornalões e nas TVs, de modo geral, e há anos é intensamente combatido por sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais.
“O receio das centrais é que, com a medida, uma maioria esmagadora dos empregadores passe a usar contratos com pessoas jurídicas pelo fato de ser mais barato – os impostos sobre esta forma são menores do que os encargos existentes para empregados de carteira assinada. Como pessoas jurídicas, os trabalhadores perderiam os direitos conquistados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Constituição Federal de 1988, tais como férias, 13º salário e recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).”
Com Agência Carta Maior
“A emenda 3 proíbe que o Poder Executivo possa, por meio de ações de fiscalização, julgar se há vínculo empregatício entre duas pessoas mesmo que formalmente isso não aconteça. Este impedimento ataca diretamente casos de maquiagem na contratação de um empregado quando este se utiliza de uma pessoa jurídica (PJ) para formalmente aparentar uma relação de prestação de serviços. A autuação em situações como estas só seriam possíveis no âmbito do Judiciário.”
Ou seja: os deputados incorporaram um dispositivo ao projeto do governo que – ao fim e ao cabo – inviabiliza a fiscalização dentro das empresas. A relação entre patrão e empregado passa a ser entre pessoas jurídicas – daí o termo “pejotização” das relações trabalhistas – e o trabalhador fica sem décimo-terceiro, férias, previdência etc.
Ao mesmo tempo, o empregador tem mais facilidade de contratar, posto que o custo social é menor. Explica-se o interesse das empresas de mídia: este é o modelo por excelência que vigora nas redações dos jornalões e nas TVs, de modo geral, e há anos é intensamente combatido por sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais.
“O receio das centrais é que, com a medida, uma maioria esmagadora dos empregadores passe a usar contratos com pessoas jurídicas pelo fato de ser mais barato – os impostos sobre esta forma são menores do que os encargos existentes para empregados de carteira assinada. Como pessoas jurídicas, os trabalhadores perderiam os direitos conquistados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Constituição Federal de 1988, tais como férias, 13º salário e recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).”
Com Agência Carta Maior
sexta-feira, março 09, 2007
Lula dá olé em Bush
O Presidente Lula demonstrou que tinha muito mais a dizer que George Bush na coletiva de hoje à tarde.
Foi o presidente Lula quem deu a direção aos dois pontos cruciais da relação Brasil-EUA, no momento: o acordo de biocombustíveis e a reabertura da Rodada de Doha.
Bush não saiu do lugar em que já estava.
Lula deu o caminho por onde os dois devem caminhar – tanto os projetos de biocombustíveis quanto a Rodada de Doha têm como objetivo a inclusão dos pobres.
Devem ser instrumentos de corrigir desequilíbrios sociais.
Lula usou a bandeira de seu governo doméstico para traçar a trilha que pode ajudar as operações de Brasil e Estados Unidos em projetos conjuntos de biocombustíveis no Caribe e na América Central, e na África.
E, na Rodada de Doha, dentro do Grupo dos 20 de que o Brasil é um dos líderes, a forma de mobilizar ricos e pobres em torno de concessões mútuas é a mesma: promover a justiça social, dar educação, moradia e saúde.
Esta é uma forma de comprometer os Estados Unidos e os paises ricos numa causa que transcende a simples retórica do “comércio livre”.
Sobre as “vivandeiras” do “anti-americanismo” da política externa brasileira, as palavras de Bush falam por si próprias: Lula é um líder, todo mundo presta atenção ao que ele diz, ele defende causas nobres, Brasil e Estados Unidos pode liderar no bio-combustível e em Doha ...
E Lula disse o que sempre diz: o negocio dele é com os pobres.
E quem diz que isso é ser contra os Estados Unidos?
Quem não gosta de ouvir isso é “a elite branca”...
Bush também disse a Lula: "Você ganhou a eleição de forma esmagadora (landslide)". A imprensa conservadora parece que não percebeu isso ainda. José Serra, que estava na primeira fila, na coletiva, sabe o sabor disso: ele e Alckmin perderam de Lula da mesma forma "esmagadora": 61% a 39%.
Em tempo 1: Convém prestar atenção à coincidência de o assessor de imprensa do Presidente Lula, André Singer, oferecer o privilégio de fazer a primeira pergunta ao Presidente Bush ao repórter Celso Teixeira, da TV Record.
Em tempo 2: Ao contrário da TV Record, a Globo não considerou importante dar o plantão no pronunciamento do Presidente Lula e do Presidente Bush, antes da coletiva.
Até a CNN entrou.
Em tempo 3: A Globo só não entrou porque não quis: a Globo foi a emissora geradora de sinal do evento para todas as emissoras americanas.
Ah, se o presidente fosse o FHC a Globo teria dado o plantão.
Por PHA, do Conversa Afiada
Foi o presidente Lula quem deu a direção aos dois pontos cruciais da relação Brasil-EUA, no momento: o acordo de biocombustíveis e a reabertura da Rodada de Doha.
Bush não saiu do lugar em que já estava.
Lula deu o caminho por onde os dois devem caminhar – tanto os projetos de biocombustíveis quanto a Rodada de Doha têm como objetivo a inclusão dos pobres.
Devem ser instrumentos de corrigir desequilíbrios sociais.
Lula usou a bandeira de seu governo doméstico para traçar a trilha que pode ajudar as operações de Brasil e Estados Unidos em projetos conjuntos de biocombustíveis no Caribe e na América Central, e na África.
E, na Rodada de Doha, dentro do Grupo dos 20 de que o Brasil é um dos líderes, a forma de mobilizar ricos e pobres em torno de concessões mútuas é a mesma: promover a justiça social, dar educação, moradia e saúde.
Esta é uma forma de comprometer os Estados Unidos e os paises ricos numa causa que transcende a simples retórica do “comércio livre”.
Sobre as “vivandeiras” do “anti-americanismo” da política externa brasileira, as palavras de Bush falam por si próprias: Lula é um líder, todo mundo presta atenção ao que ele diz, ele defende causas nobres, Brasil e Estados Unidos pode liderar no bio-combustível e em Doha ...
E Lula disse o que sempre diz: o negocio dele é com os pobres.
E quem diz que isso é ser contra os Estados Unidos?
Quem não gosta de ouvir isso é “a elite branca”...
Bush também disse a Lula: "Você ganhou a eleição de forma esmagadora (landslide)". A imprensa conservadora parece que não percebeu isso ainda. José Serra, que estava na primeira fila, na coletiva, sabe o sabor disso: ele e Alckmin perderam de Lula da mesma forma "esmagadora": 61% a 39%.
Em tempo 1: Convém prestar atenção à coincidência de o assessor de imprensa do Presidente Lula, André Singer, oferecer o privilégio de fazer a primeira pergunta ao Presidente Bush ao repórter Celso Teixeira, da TV Record.
Em tempo 2: Ao contrário da TV Record, a Globo não considerou importante dar o plantão no pronunciamento do Presidente Lula e do Presidente Bush, antes da coletiva.
Até a CNN entrou.
Em tempo 3: A Globo só não entrou porque não quis: a Globo foi a emissora geradora de sinal do evento para todas as emissoras americanas.
Ah, se o presidente fosse o FHC a Globo teria dado o plantão.
Por PHA, do Conversa Afiada
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Acidente da Gol: Globo minimiza erros de pilotos do Legacy
Desculpa do "Bom Dia": conjunto de erros
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 163
. Ontem, domingo, dia 18, discutimos aqui no Conversa Afiada a importante reportagem de Eliane Catanhêde na Folha de S. Paulo sobre a transcrição das conversas a bordo do Legacy (clique aqui para ler “Por que o transponder estava desligado”).
. O ângulo da reportagem de Catanhêde – o desastre foi provocado por um “conjunto de erros” pode ser atribuído à prudência de uma repórter respeitada como ela, que não quer se precipitar e chegar a uma conclusão antes de a investigação acabar.
. Há uma outra hipótese: o ângulo é apenas a repetição do tipo de cobertura da imprensa brasileira – inclusive o de Catanhêde, antes – que foi, sempre, responsabilizar os cretinos dos brasileiros e relevar os erros dos eficientes americanos.
. Esse mesmo ângulo – “conjunto de erros” – se repetiu na cobertura do “Bom Dia (?) Brasil” de hoje, segunda, ao tratar da reportagem de Catanhêde.
. O VT – ou seja, a reportagem propriamente dita – deu a ênfase que o texto de Catanhêde impõe: os americanos não sabiam pilotar o Legacy e o mais importante: O TRANSPONDER, QUE EVITA COLISÃO, ESTAVA DESLIGADO.
. Renato Machado e a vice-líder da Oposição ao Governo, em Brasília, Cláudia Bontempo, porém, colocaram as coisas no trilho de sempre – foi um “conjunto de erros”.
. (Lamentavelmente, não contamos com a contribuição de Miriam Leitão, que certamente nos ofereceria uma explicação sobre a importância do “conjunto de erros” no iminente fracasso do PAC).
. É mais ou menos assim: a fabricação e a condução do Titanic revelaram “um conjunto de erros”.
. Porém, um erro foi fatal: o comandante não viu o iceberg.
. O conjunto de todos os outros erros não teria provocado a tragédia.
. Mas não ver o iceberg provocou.
. Não ligar o transponder foi o erro que provocou a tragédia.
. Não foi “um conjunto de erros”.
. Um é mais importante que os outros – e decisivo.
. Não precisa esperar o relatório final: basta ler a importante reportagem de Cantanhêde.
Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 163
. Ontem, domingo, dia 18, discutimos aqui no Conversa Afiada a importante reportagem de Eliane Catanhêde na Folha de S. Paulo sobre a transcrição das conversas a bordo do Legacy (clique aqui para ler “Por que o transponder estava desligado”).
. O ângulo da reportagem de Catanhêde – o desastre foi provocado por um “conjunto de erros” pode ser atribuído à prudência de uma repórter respeitada como ela, que não quer se precipitar e chegar a uma conclusão antes de a investigação acabar.
. Há uma outra hipótese: o ângulo é apenas a repetição do tipo de cobertura da imprensa brasileira – inclusive o de Catanhêde, antes – que foi, sempre, responsabilizar os cretinos dos brasileiros e relevar os erros dos eficientes americanos.
. Esse mesmo ângulo – “conjunto de erros” – se repetiu na cobertura do “Bom Dia (?) Brasil” de hoje, segunda, ao tratar da reportagem de Catanhêde.
. O VT – ou seja, a reportagem propriamente dita – deu a ênfase que o texto de Catanhêde impõe: os americanos não sabiam pilotar o Legacy e o mais importante: O TRANSPONDER, QUE EVITA COLISÃO, ESTAVA DESLIGADO.
. Renato Machado e a vice-líder da Oposição ao Governo, em Brasília, Cláudia Bontempo, porém, colocaram as coisas no trilho de sempre – foi um “conjunto de erros”.
. (Lamentavelmente, não contamos com a contribuição de Miriam Leitão, que certamente nos ofereceria uma explicação sobre a importância do “conjunto de erros” no iminente fracasso do PAC).
. É mais ou menos assim: a fabricação e a condução do Titanic revelaram “um conjunto de erros”.
. Porém, um erro foi fatal: o comandante não viu o iceberg.
. O conjunto de todos os outros erros não teria provocado a tragédia.
. Mas não ver o iceberg provocou.
. Não ligar o transponder foi o erro que provocou a tragédia.
. Não foi “um conjunto de erros”.
. Um é mais importante que os outros – e decisivo.
. Não precisa esperar o relatório final: basta ler a importante reportagem de Cantanhêde.
domingo, fevereiro 11, 2007
Revista Época terá que indenizar bispos da Renascer
Notícia deste tipo é de uma raridade tamanha no Brasil que resolvemos publicar aqui. Não que tenhamos qualquer simpatia pelos famosos bispo e bispa da Igreja Renascer, mas porque se trata da condenação de um importante veículo por causa de abuso na utilização da liberdade de imprensa. Imaginem se a punição imposta à Editora Globo se torna mais comum. Imaginem se a Veja começar a pagar pelas calúnias que publica?
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que condenou a Editora Globo a pagar indenização por dano moral de R$ 410,6 mil ao casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, foi mantida. O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Peçanha Martins, negou nesta segunda-feira pedido de liminar para que a execução da sentença fosse suspensa.
A ação, ajuizada em 2002, diz respeito a matérias publicada pela revista Época. O casal alega que foi atingido em sua honra pelo conteúdo de reportagens publicadas nas edições de números 209 e 210. Com a medida cautelar, a Editora Globo pretendia suspender o pagamento da multa até o julgamento definitivo do recurso.
Intimada a pagar a indenização no prazo de 15 dias, sob o risco de multa de 10% por inadimplência, a Editora Globo recorreu ao STJ alegando que será submetida a riscos de "danos irreparáveis" caso efetue o pagamento e o TJ-SP mude de decisão posteriormente. A empresa sustentou ainda o interesse público da matéria, uma vez que seus repórteres apenas exerceram a "crítica inspirada pelo interesse público" e legalmente prevista na Lei de Imprensa.
Ao negar o pedido de liminar, o ministro Peçanha Martins ressaltou que o efeito suspensivo em recurso especial só é concedido em "casos excepcionalíssimos, quando manifestadamente contaminados por flagrante ilegalidade ou para evitar dano irreparável".
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que condenou a Editora Globo a pagar indenização por dano moral de R$ 410,6 mil ao casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, foi mantida. O presidente em exercício do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Peçanha Martins, negou nesta segunda-feira pedido de liminar para que a execução da sentença fosse suspensa.
A ação, ajuizada em 2002, diz respeito a matérias publicada pela revista Época. O casal alega que foi atingido em sua honra pelo conteúdo de reportagens publicadas nas edições de números 209 e 210. Com a medida cautelar, a Editora Globo pretendia suspender o pagamento da multa até o julgamento definitivo do recurso.
Intimada a pagar a indenização no prazo de 15 dias, sob o risco de multa de 10% por inadimplência, a Editora Globo recorreu ao STJ alegando que será submetida a riscos de "danos irreparáveis" caso efetue o pagamento e o TJ-SP mude de decisão posteriormente. A empresa sustentou ainda o interesse público da matéria, uma vez que seus repórteres apenas exerceram a "crítica inspirada pelo interesse público" e legalmente prevista na Lei de Imprensa.
Ao negar o pedido de liminar, o ministro Peçanha Martins ressaltou que o efeito suspensivo em recurso especial só é concedido em "casos excepcionalíssimos, quando manifestadamente contaminados por flagrante ilegalidade ou para evitar dano irreparável".
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