A editora do site IDG Now (especializado em informática), Daniela Braum, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta quarta-feira, dia 13, que os principais responsáveis pelo crescimento da venda de computadores no Brasil são as classes B e C. Daniela Braum disse que 35% dos computadores vendidos em 2005 custavam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. Segundo ela a venda de computadores nesta faixa de preço aumentou para 39% dos vendidos neste primeiro semestre (aguarde o áudio da entrevista).
Veja os principais pontos da entrevista de Daniela Braum:
835 mil brasileiros compraram o primeiro computador em 2006. Segundo Daniela, isso significa um crescimento na venda de computadores. No geral, a venda de computadores no primeiro semestre deste ano já cresceu 43% em relação ao mesmo período de 2005.
Daniela disse que a expectativa é que dois milhões de brasileiros comprem o primeiro computador este ano. Essa soma representa 26% dos mais de sete milhões de computadores que vão ser comercializados no país em 2006.
82 mil brasileiros compraram o primeiro notebook nos primeiros seis meses deste ano. A competitividade no mercado de notebook aumentou.
O mercado paralelo de notebook diminuiu. Segundo Daniela, a parcela de notebooks comercializados no Brasil é de 48%. O número parece alto, mas é o mais baixo dos últimos oito anos, quando começou a medição. Em 1999 o mercado dos chamados “computadores clones” representavam 68% das vendas do setor.
Os notebooks que custam até R$ 3 mil têm isenção de IPI e Confins. Isso significa uma redução de mais de 9% no valor de venda.
O acesso das classes B e C ao computador aumentou muito por causa da redução dos preços dos PC’s. Daniela citou a chamada “MP do bem” que reduziu os impostos dos computadores no Brasil. Ela lembrou também a facilidade do crédito com um dos fatores para aumentar a venda de computadores entre as pessoas com menor renda.
Conversa Afiada. 13/09/2006 14:51h
quarta-feira, setembro 13, 2006
Indignação serôdia (tardia)
O Votolula abre espaço para uma manifestação polêmica de uma personalidade polêmica. Antonio Delfim Netto. Gostemos ou não dele, rejeitemos ou não sua proximidade com o governo Lula, o certo é que Delfim é um intelectual que tem influência sobre a agenda nacional. Não gostar dele é um direito. Deixar de ouvi-lo não é bom conselho.
UM DOS aspectos mais desoladores do panorama brasileiro é a manifestação explícita de desilusão revelada por destacados membros do que se supunha ser a nossa "intelligentsia". Tidos e havidos como "democratas radicais", recusam agora, raivosamente, os resultados das pesquisas eleitorais. Estas parecem revelar que o "povo" já não os escuta e não os obedece. Pior, parece dar muito pouco valor aos seus rocamboles acadêmicos e aos tardios ataques de indignação e falsa moralidade.
É claro que a política sem ética é inaceitável e que os desvios morais jamais poderão ser perdoados. Mas é claro, também, que os diferentes protagonismos desses erros tendem a nivelar, aos "olhos do povo", as diferenças éticas. A compra de votos no Congresso para a aprovação da "reeleição sem desincompatibilização" parece que foi feita sem o conhecimento do senhor ex-presidente: foram os prefeitos e governadores que "convenceram" os deputados sem que ele soubesse! O "mensalão" também parece que foi feito sem que o atual presidente soubesse. A pequena diferença é que, no primeiro caso, o governo impediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os fatos. No segundo, ela funcionou livremente...
Logo, a tardia indignação não tem origem nas igualmente condenáveis violações éticas a que a sociedade assistiu estarrecida. Esta percebe claramente que, escondidos na extemporânea indignação, estão, pura e simplesmente, o imenso narcisismo e a vaidade ferida diante da possibilidade de um triste e final "despacho" para a história... O inconformismo dos intelectuais e suas novas dúvidas sobre a inteligência do "povo" ignoram um fato elementar, estatisticamente comprovado. Recentíssima pesquisa que compara o governo de FHC com o de Lula perguntou se a economia do país (na opinião do consultado) havia melhorado, ficado igual ou piorado. Teve como resposta o seguinte:
A sociedade percebeu o infeliz nivelamento ético, que agora se tenta diferenciar por uma indignação serôdia e oportunista e levou a discussão para o campo pobre da economia. Não há, portanto, nenhuma razão objetiva para que os nossos ex-quase intelectuais deixem de confiar na intuição do "povo", agora sociologicamente classificado por eles como a "massa dos não-informados"...
Delfim Netto - Folha de São Paulo, 13/09/2006
UM DOS aspectos mais desoladores do panorama brasileiro é a manifestação explícita de desilusão revelada por destacados membros do que se supunha ser a nossa "intelligentsia". Tidos e havidos como "democratas radicais", recusam agora, raivosamente, os resultados das pesquisas eleitorais. Estas parecem revelar que o "povo" já não os escuta e não os obedece. Pior, parece dar muito pouco valor aos seus rocamboles acadêmicos e aos tardios ataques de indignação e falsa moralidade.
É claro que a política sem ética é inaceitável e que os desvios morais jamais poderão ser perdoados. Mas é claro, também, que os diferentes protagonismos desses erros tendem a nivelar, aos "olhos do povo", as diferenças éticas. A compra de votos no Congresso para a aprovação da "reeleição sem desincompatibilização" parece que foi feita sem o conhecimento do senhor ex-presidente: foram os prefeitos e governadores que "convenceram" os deputados sem que ele soubesse! O "mensalão" também parece que foi feito sem que o atual presidente soubesse. A pequena diferença é que, no primeiro caso, o governo impediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar os fatos. No segundo, ela funcionou livremente...
Logo, a tardia indignação não tem origem nas igualmente condenáveis violações éticas a que a sociedade assistiu estarrecida. Esta percebe claramente que, escondidos na extemporânea indignação, estão, pura e simplesmente, o imenso narcisismo e a vaidade ferida diante da possibilidade de um triste e final "despacho" para a história... O inconformismo dos intelectuais e suas novas dúvidas sobre a inteligência do "povo" ignoram um fato elementar, estatisticamente comprovado. Recentíssima pesquisa que compara o governo de FHC com o de Lula perguntou se a economia do país (na opinião do consultado) havia melhorado, ficado igual ou piorado. Teve como resposta o seguinte:
A sociedade percebeu o infeliz nivelamento ético, que agora se tenta diferenciar por uma indignação serôdia e oportunista e levou a discussão para o campo pobre da economia. Não há, portanto, nenhuma razão objetiva para que os nossos ex-quase intelectuais deixem de confiar na intuição do "povo", agora sociologicamente classificado por eles como a "massa dos não-informados"...
Delfim Netto - Folha de São Paulo, 13/09/2006
domingo, setembro 10, 2006
O mea culpa de FHC
O inédito mea culpa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, expresso como "Carta aos eleitores do PSDB", publicado na página do partido na internet, é emblemático. Nele se misturam as imposturas de sempre com considerações desprovidas de fundamentação lógica. O que se apresenta como exercício de reflexão não passa de prestidigitação barata. Desnecessário dizer que o texto será reverenciado por articulistas da imprensa como o "grande momento da campanha". Afinal, essa é uma afinidade eletiva que vem de dois mandatos consecutivos. E não será por adversidades eleitorais que lealdades serão rompidas.
FHC inicia sua exposição operando uma cisão conceitual entre moral e ética, cujo objetivo, não duvidem disso, é a auto-absolvição prévia do seu governo. Para ele, "há muita confusão no ar no trato das questões morais. Moral se refere a condutas individuais. Uma coisa é a discussão filosófica sobre a ética, os fins últimos ou o que seja. Outra é a responsabilidade moral". Resta indagar se há uma boa ética de moral duvidosa ou uma boa moral que comporte desvios éticos. Para os propósitos tucanos, essa parece ser uma questão bizantina. Algo que os fins últimos recomendam não aprofundar a contento.
Os desdobramentos da falácia se fazem presentes na distinção entre mensalão e caixa dois. O primeiro, segundo o ex-presidente, deve ser tratado como crime pois "a fonte do dinheiro foi pública", enquanto o segundo é apenas transgressão, "pois a fonte do dinheiro é privada". Eis o exemplo de como o "príncipe dos sociólogos" carrega princípios morais em uma bolsa a tiracolo. FHC fala com convicção sobre algo que nem a CPI nem o Ministério Público conseguiram provar: a origem dos recursos que abasteciam o suposto esquema. A partir daí o que seriam considerações de um homem público dá lugar a sofismas de um militante enraivecido com circunstâncias desfavoráveis ao seu projeto de poder.
O arrazoado do líder dos tucanos comporta construções que beiram o risível. Na tentativa de autocrítica, Cardoso resume a parte que cabe ao PSDB: "É verdade que também somos responsáveis pelo que hoje se vê: a cada dia mais corrupção, a cada dia, menor reação. Erramos, no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo". Ora, todos sabemos que a USP não comporta modéstias. Então, concedamos a FHC o que é de FHC.
Corrupção sistêmica, anomia e desconexão entre o sentimento da opinião pública e discurso eleitoral não são produtos do atual governo. E o ex-presidente bem sabe disso.
O erro do PSDB não foi querer tapar o sol com a peneira. Mas peneirar o sol desde o primeiro mandato para facilitar o sucateamento do setor produtivo, abrindo as fronteiras à pilhagem internacional. Para tanto, não hesitou em extinguir por decreto a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco, que tinha como objetivo combater a corrupção. Esse "erro" o então presidente Fernando Henrique cometeu em 1995. A banca não lhe negou aplausos e muito menos os articulistas elogios. A Controladoria Geral da União (CGU), criada no segundo mandato, era tão rosa como as pastas que continham doações ilegais de banqueiros para a base de sustentação do governo. Do Sivam à compra de votos para sua reeleição, FHC contou com dupla blindagem: ampla base congressual e boas relações com os proprietários de jornais e emissoras de televisão. Com ela, seu governo bloqueou todas as tentativas de instalação de CPI e pôde costurar negócios no "limite da irresponsabilidade".
O jornalista Franklin Martins, em entrevista à revista Caros Amigos, é categórico: "Eu não tenho dúvidas de que no processo de privatização do governo de Fernando Henrique houve coisas que se tivessem vindo à tona teriam sido extremamente desgastantes para ele. Não acredito que um processo que moveu US$80 bilhões não teve irrigação por baixo". É bom lembrar que o termo operação-abafa é um legado tucano ao vocabulário político brasileiro.
Quando afirma que "nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas. Tem história de seriedade. Por que não bradar isso com força?", Cardoso sabe que o motivo do grito parado no ar é a assepsia do chuchu ser garantida pelo sufocamento de 69 pedidos de instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito.
Mas façamos justiça ao ex-presidente. Nenhum outro usou tanto o orçamento como peça essencial para a composição de eventuais maiorias parlamentares em votações delicadas para o governo. Fato facilmente comprovável pela leitura dos jornais diários em seus dois mandatos. Nunca, no patrimonialismo, barganhas fisiológicas e terrorismo eleitoral foram usados com tamanha destreza como naquela época.
Sem planos estratégicos de médio prazo, assinamos sem disfarce uma inserção subalterna no cenário internacional. Já havíamos sido "subdesenvolvidos", "periféricos", "dependentes", "terceiro mundo", "emergentes". Com o governo neoliberal de FHC, tal como os juros, nos tornamos um "país flutuante". Um cassino administrado por um gerente poliglota com o apoio de um player que bancou a mesa do Banco Central.
É essa a biografia que emerge quando FHC se põe a deitar falação sobre o futuro do PSDB. A verdade de certos políticos só vem à tona quando o mea culpa é sincero. Ainda não foi dessa vez.
(Gilson Caroni Filho, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso - Facha, no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil, do Observatório da Imprensa e do La Insignia.)
Livres dessa raça?
"O senhor não está desencantado com tudo isso que acontece no Brasil?"
"Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos."
Assim o Senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL, analisou o quadro político brasileiro há exatamente um ano. Naquele momento, os principais cientistas, jornalistas e políticos concordavam com esse vaticínio. Roberto Freire, presidente nacional do PPS, chegou a afirmar em inserções de rádio e televisão que o Governo havia acabado e apontava sugestões para a imediata sucessão. O fato estava dado, o PT acabado e a direita se considerava de volta ao poder.
A quem me lê, adianto que este não se trata de um libelo revanchista. Nem uma lição para que os sociólogos de plantão revejam suas premissas e teses na busca por explicar o fenômeno Lula e sua reeleição iminente. O debate se pauta, sim, sobre a inversão do constrangimento e também sobre de qual campo ideológico o povo brasileiro está se libertando neste momento da luta política.
Há um ano, o constrangimento foi imposto aos petistas e aos defensores da sustentação do Governo Lula. Agora, acompanhar famosos líderes tucanos e pefelistas renegando seu candidato à presidência, e, mais que isso, disputando na Justiça o suposto direito de veicular imagens suas ao lado do Presidente Lula, causa um impacto imensamente maior do que a revolta originada nas declarações preconceituosas de Jorge Bornhausen. E não são casos isolados.
Mendonça Filho, candidato a Governador do PFL em Pernambuco; Lúcio Alcântra, do PSDB, postulante do mesmo cargo no Ceará; Roseana Sarney, PFL do Maranhão. E dezenas, centenas de candidatos ao parlamento e de prefeitos da base oposicionista sentem-se constrangidos a apoiar o Presidente que apresenta índices de aprovação e intenção de voto recordes na história de nossa democracia.
Mais que isso: Heloísa Helena, virtual terceira colocada na sucessão, é recém expulsa do PT. Cristóvam Buarque, que deve alçar o quarto lugar na disputa, recém dissidente também do PT. Perceba-se, portanto, que dos quatro possíveis primeiros colocados, três têm suas raízes justamente na "raça" cujo fim foi profetizado.
Por outro lado, aliás, muito do outro lado, Jorge Bornhausen não teve sequer condições de se candidatar à reeleição. Aproveitou para comunicar seu desligamento da vida pública, e, - que ironia! – nos livramos dele para sempre. Arthur Virgílio, que ameaçou surrar o Presidente, apanha nas urnas e não será eleito Governador do Amazonas. Roberto Freire, sem condições políticas nem votos para disputar nada pelo partido que preside, aceitou como prêmio de consolação por serviços prestados a vaga de suplente da candidatura de Jarbas Vasconcelos ao Senado em Pernambuco. Alckmim e seu alter-ego, Geraldo, seguem abandonados até por Fernando Henrique – para quem "Serra é mais preparado" - e Aécio Neves que, agora, negam a paternidade de sua candidatura.
Desde o Movimento Estudantil aprendemos que a política é dinâmica. Mas que não é mágica e, portanto, nada acontece por forças sobrenaturais. A disputa de hegemonia se dá com elementos concretos, na vida real. E a realidade, que agora estupefata a tantos, não surpreende aos que têm acompanhado sem a arrogância elitista as transformações profundas que o Governo Lula tem garantido à vida das pessoas.
O povo miserável que sempre dependeu de se subjugar ao poder coercitivo da cesta básica no período eleitoral está livre para decidir quem o representa, porque a comida chega o ano inteiro, como política pública, e não como assistencialismo eleitoreiro.
A consciência de que a classe trabalhadora pode dirigir o país de forma soberana e democrática é mais uma liberdade para os que sempre foram tratados como incapazes e "raça" inferior.
Essas conquistas são bons elementos para que os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas iniciem um novo método de análise e para que a direita brasileira aprenda a ler a realidade crua, sem os temperos de uma falsa "opinião pública" inventada por seus pares.
Liberdade, ainda que tardia!
(Louise Caroline, Vice-Presidente da UNE - artigo enviado por email por BRU no Bauru)
"Desencantado? Pelo contrário. Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos."
Assim o Senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL, analisou o quadro político brasileiro há exatamente um ano. Naquele momento, os principais cientistas, jornalistas e políticos concordavam com esse vaticínio. Roberto Freire, presidente nacional do PPS, chegou a afirmar em inserções de rádio e televisão que o Governo havia acabado e apontava sugestões para a imediata sucessão. O fato estava dado, o PT acabado e a direita se considerava de volta ao poder.
A quem me lê, adianto que este não se trata de um libelo revanchista. Nem uma lição para que os sociólogos de plantão revejam suas premissas e teses na busca por explicar o fenômeno Lula e sua reeleição iminente. O debate se pauta, sim, sobre a inversão do constrangimento e também sobre de qual campo ideológico o povo brasileiro está se libertando neste momento da luta política.
Há um ano, o constrangimento foi imposto aos petistas e aos defensores da sustentação do Governo Lula. Agora, acompanhar famosos líderes tucanos e pefelistas renegando seu candidato à presidência, e, mais que isso, disputando na Justiça o suposto direito de veicular imagens suas ao lado do Presidente Lula, causa um impacto imensamente maior do que a revolta originada nas declarações preconceituosas de Jorge Bornhausen. E não são casos isolados.
Mendonça Filho, candidato a Governador do PFL em Pernambuco; Lúcio Alcântra, do PSDB, postulante do mesmo cargo no Ceará; Roseana Sarney, PFL do Maranhão. E dezenas, centenas de candidatos ao parlamento e de prefeitos da base oposicionista sentem-se constrangidos a apoiar o Presidente que apresenta índices de aprovação e intenção de voto recordes na história de nossa democracia.
Mais que isso: Heloísa Helena, virtual terceira colocada na sucessão, é recém expulsa do PT. Cristóvam Buarque, que deve alçar o quarto lugar na disputa, recém dissidente também do PT. Perceba-se, portanto, que dos quatro possíveis primeiros colocados, três têm suas raízes justamente na "raça" cujo fim foi profetizado.
Por outro lado, aliás, muito do outro lado, Jorge Bornhausen não teve sequer condições de se candidatar à reeleição. Aproveitou para comunicar seu desligamento da vida pública, e, - que ironia! – nos livramos dele para sempre. Arthur Virgílio, que ameaçou surrar o Presidente, apanha nas urnas e não será eleito Governador do Amazonas. Roberto Freire, sem condições políticas nem votos para disputar nada pelo partido que preside, aceitou como prêmio de consolação por serviços prestados a vaga de suplente da candidatura de Jarbas Vasconcelos ao Senado em Pernambuco. Alckmim e seu alter-ego, Geraldo, seguem abandonados até por Fernando Henrique – para quem "Serra é mais preparado" - e Aécio Neves que, agora, negam a paternidade de sua candidatura.
Desde o Movimento Estudantil aprendemos que a política é dinâmica. Mas que não é mágica e, portanto, nada acontece por forças sobrenaturais. A disputa de hegemonia se dá com elementos concretos, na vida real. E a realidade, que agora estupefata a tantos, não surpreende aos que têm acompanhado sem a arrogância elitista as transformações profundas que o Governo Lula tem garantido à vida das pessoas.
O povo miserável que sempre dependeu de se subjugar ao poder coercitivo da cesta básica no período eleitoral está livre para decidir quem o representa, porque a comida chega o ano inteiro, como política pública, e não como assistencialismo eleitoreiro.
A consciência de que a classe trabalhadora pode dirigir o país de forma soberana e democrática é mais uma liberdade para os que sempre foram tratados como incapazes e "raça" inferior.
Essas conquistas são bons elementos para que os sociólogos, cientistas políticos e jornalistas iniciem um novo método de análise e para que a direita brasileira aprenda a ler a realidade crua, sem os temperos de uma falsa "opinião pública" inventada por seus pares.
Liberdade, ainda que tardia!
(Louise Caroline, Vice-Presidente da UNE - artigo enviado por email por BRU no Bauru)
quarta-feira, setembro 06, 2006
Brasil cumpre os Objetivos do Milênio na área social, avalia Patrus Ananias
(Alana Gandra para a Agência Brasil)
A avaliação do Brasil é positiva em relação ao cumprimento dos Objetivos do Milênio, definidos há um ano pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para isso, segundo o ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, contribuem programas como o Bolsa Família e o Fome Zero: "Nós estamos vencendo a luta contra a fome. Nós estamos erradicando a fome e a desnutrição no Brasil".
Após palestra na abertura do seminário internacional Desenvolvimento e Vulnerabilidade: Perspectivas para a Retomada do Desenvolvimento nos Países do Sul, o ministro revelou que de acordo com recente pesquisa do ministério, 93% das crianças de famílias atendidas pelo Bolsa Família recebem três refeições por dia. E disse estar convencido de que em 2015 o Brasil terá superado em definitivo a fome e a pobreza extrema. O país, acrescentou, trabalha hoje um conceito mais amplo de desenvolvimento, não limitado ao desenvolvimento econômico, mas incorporando o desenvolvimento social.
Durante a palestra, Patrus Ananias destacou que "não se trata de crescer para incluir ou distribuir, mas de incluir para crescer". O Brasil, informou, avança para consolidar o Sistema Único de Assistência Social (Suas), nos moldes do sistema existente na área de saúde. E lembrou que o Bolsa Família, em julho, atingiu a meta prevista para o ano, de 11,1 milhões de famílias beneficiadas, o que significa cerca de 45 milhões de pessoas pobres atendidas em todo o país. Mantido o ritmo atual - ou seja, sem expansão -, a projeção é de que até o fim do ano sejam 12,1 milhões de famílias beneficiadas.
O ministro explicou que o Bolsa Família interage com outros programas de assistência e desenvolvimento social, e políticas que asseguram o direito à alimentação. Entre eles, citou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e os Centros de Referência da Assistência Social (Cras), espaços de capacitação profissional e geração de trabalho e renda.
E informou que deverão ser ampliadas as chamadas portas de saída, "políticas estruturantes, emancipatórias, que possibilitem, através do resgate da auto-estima, da alfabetização, da inclusão digital, produtiva e da capacitação profissional, que as famílias possam ir ganhando a sua auto-suficiência".
A avaliação do Brasil é positiva em relação ao cumprimento dos Objetivos do Milênio, definidos há um ano pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para isso, segundo o ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, contribuem programas como o Bolsa Família e o Fome Zero: "Nós estamos vencendo a luta contra a fome. Nós estamos erradicando a fome e a desnutrição no Brasil".
Após palestra na abertura do seminário internacional Desenvolvimento e Vulnerabilidade: Perspectivas para a Retomada do Desenvolvimento nos Países do Sul, o ministro revelou que de acordo com recente pesquisa do ministério, 93% das crianças de famílias atendidas pelo Bolsa Família recebem três refeições por dia. E disse estar convencido de que em 2015 o Brasil terá superado em definitivo a fome e a pobreza extrema. O país, acrescentou, trabalha hoje um conceito mais amplo de desenvolvimento, não limitado ao desenvolvimento econômico, mas incorporando o desenvolvimento social.
Durante a palestra, Patrus Ananias destacou que "não se trata de crescer para incluir ou distribuir, mas de incluir para crescer". O Brasil, informou, avança para consolidar o Sistema Único de Assistência Social (Suas), nos moldes do sistema existente na área de saúde. E lembrou que o Bolsa Família, em julho, atingiu a meta prevista para o ano, de 11,1 milhões de famílias beneficiadas, o que significa cerca de 45 milhões de pessoas pobres atendidas em todo o país. Mantido o ritmo atual - ou seja, sem expansão -, a projeção é de que até o fim do ano sejam 12,1 milhões de famílias beneficiadas.
O ministro explicou que o Bolsa Família interage com outros programas de assistência e desenvolvimento social, e políticas que asseguram o direito à alimentação. Entre eles, citou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e os Centros de Referência da Assistência Social (Cras), espaços de capacitação profissional e geração de trabalho e renda.
E informou que deverão ser ampliadas as chamadas portas de saída, "políticas estruturantes, emancipatórias, que possibilitem, através do resgate da auto-estima, da alfabetização, da inclusão digital, produtiva e da capacitação profissional, que as famílias possam ir ganhando a sua auto-suficiência".
Datafolha: Lula volta a subir e atinge 51% da preferência do eleitorado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, voltou a subir na preferência do eleitorado, mesmo com toda a campanha difamatória promovida pelos adversários desde o início da semana passada.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (5) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostra Lula com 51% das intenções de voto (tinha 50% no levantamento anterior). Geraldo Alckmin (PSDB), o segundo colocado, estacionou nos 27%. Já Heloísa Helena (Psol) caiu de 10% para 9%.
Cristóvam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) aparecem com 1% cada. Os demais não pontuaram. Brancos e nulos somam 4%, enquanto os indecisos são 6%. Considerando-se apenas os votos válidos, Lula tem 57% das intenções e seria reeleito já no primeiro turno.
Ainda assim, o Datafolha voltou a simular o resultado das eleições para um eventual segundo turno. Nesse caso, Lula venceria Alckmin por 55% a 37%, mesmos índices da pesquisa anterior, divulgada no último dia 29.
A aprovação do governo Lula também continua em alta. Para 48% dos entrevistados, a administração federal é ótima ou boa. Outros 33% a consideram regular, enquanto apenas 18% acham que é ruim ou péssima.
O Datafolha ouviu 7.724 eleitores em 349 cidades entre ontem (4) e hoje. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (5) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostra Lula com 51% das intenções de voto (tinha 50% no levantamento anterior). Geraldo Alckmin (PSDB), o segundo colocado, estacionou nos 27%. Já Heloísa Helena (Psol) caiu de 10% para 9%.
Cristóvam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) aparecem com 1% cada. Os demais não pontuaram. Brancos e nulos somam 4%, enquanto os indecisos são 6%. Considerando-se apenas os votos válidos, Lula tem 57% das intenções e seria reeleito já no primeiro turno.
Ainda assim, o Datafolha voltou a simular o resultado das eleições para um eventual segundo turno. Nesse caso, Lula venceria Alckmin por 55% a 37%, mesmos índices da pesquisa anterior, divulgada no último dia 29.
A aprovação do governo Lula também continua em alta. Para 48% dos entrevistados, a administração federal é ótima ou boa. Outros 33% a consideram regular, enquanto apenas 18% acham que é ruim ou péssima.
O Datafolha ouviu 7.724 eleitores em 349 cidades entre ontem (4) e hoje. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
terça-feira, setembro 05, 2006
A ética da hipocrisia
Por Paulo Betti
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
Nos últimos dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós. Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas – das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
--
PAULO BETTI, 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Artigo publicado na edição de 05/09/2006 da Folha de S. Paulo.
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." (Fernando Pessoa, "Poema em Linha Reta")
Nos últimos dias, venho sendo submetido por setores da mídia e dos meios político, intelectual e artístico a um linchamento moral que deveria preocupar os democratas sinceros de nosso país. Ele oculta, sob a forma de protestos indignados contra minha suposta pregação do "fim da ética", uma corrente de intolerância e de farisaísmo político que se esforça para desqualificar todos aqueles que se identificam com o projeto político representado pelo presidente Lula.
Nesse episódio, tive pouquíssimas chances de defesa, de demonstrar o sentido completo da minha frase, extraída por repórteres ávidos e ansiosos à saída de um encontro entre artistas e o presidente: "Não se faz política sem sujar as mãos". "Sem pôr a mão na merda", de fato acrescentei, desnecessariamente, para delícia dos que buscavam munição para a renhida disputa eleitoral deste momento.
Embora a Folha tenha publicado minha carta aclarando o sentido das declarações, elas continuam sendo usadas como "prova" do colapso da ética entre nós. Por outra frase, também dita sob o calor das cobranças, um dos maiores e mais respeitáveis músicos brasileiros, o maestro Wagner Tiso, vem sofrendo igual massacre.
Os jornais e os jornalistas, os artistas, os intelectuais e os políticos que protagonizam esses ataques sabem de quem estão falando. Conhecem nossas trajetórias. Lembram-se de mim associado à trajetória do PT, mas também à memorável batalha de Betinho "Pela Ética na Política". Sabem que constatar as transgressões como inevitáveis não é o mesmo que defendê-las. É lamentável que o sistema político exija um pragmatismo que suja as mãos, mas é só pelo reconhecimento da existência dessas mazelas que poderemos superá-las.
Todos sabem que falei coisas óbvias, que dispensariam explicações em outro contexto e momento. Temos um sistema de financiamento privado de campanhas que a todos contamina. Com esse sistema, acaba a fronteira entre o público e o privado. Quem tiver mais acesso aos endinheirados arrecada mais, obrigando-se, nos cargos públicos, a responder com reciprocidade.
Enquanto fez campanhas vendendo bonés e estrelinhas, o PT não teve chances de chegar ao poder. Em 2002, diante do favoritismo de Lula, os cofres se abriram. E o partido se envolveu com forças das quais deveria ter guardado distância. Errou por fazer o que todos sempre fizeram.
Nem por isso devem ser linchados os que, mesmo condenando esse erro, defendem a reeleição de Lula pela qualidade do governo que vem fazendo, voltado para os mais pobres, dando-lhes mais poder de compra e alguma chance de ascensão social. Por estar vivenciando a melhora de suas vidas, e não por amoralismo, é que a maioria dos eleitores o apóiam, segundo as pesquisas. Nosso sistema político permite a eleição direta do presidente da República, mas não lhe garante a governabilidade. A profusão de partidos dispersa o voto para a Câmara. Lula teve 52% dos votos em 2002, mas o PT ficou com 17% das cadeiras.
Em busca da maioria, todos os presidentes têm sido obrigados a buscar acordos e alianças. Acabam dependendo do apoio das forças do atraso político, que, em troca, pedem cargos, verbas e mesmo recursos financeiros com a desculpa de que têm dívidas de campanha.
O PT caiu nesse antigo alçapão. Nem por isso se deve negar o direito da maioria dos eleitores de reeleger o presidente. Nem por isso é democrático e "ético" o massacre daqueles que, como eu, declaram o voto acreditando na liberdade e na democracia que construímos em jornadas de lutas – das quais também participei. Mais que hipocrisia, há na exploração de minha frase um misto de autoritarismo com oportunismo político.
É autoritária porque reproduz o germe de todos os sistemas totalitários: desqualificar os que não se alinham com o pensamento dominante. Para calar, o primeiro passo é desmoralizar. Assim fazem as ditaduras.
É oportunista porque explora minha condição de artista, e as identidades que isso acarreta, para auferir dividendos eleitorais. Há coisa mais suja que isso? Estamos chegando a um grau preocupante de intolerância. Depois das eleições, em nome da democracia, precisamos baixar as armas e recuperar a cordialidade, traço de nossa cultura.
--
PAULO BETTI, 53, é ator-diretor e produtor. Participou, entre outros, dos filmes "Lamarca" (1994) e "Guerra de Canudos" (1997). Foi professor de teatro da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Artigo publicado na edição de 05/09/2006 da Folha de S. Paulo.
segunda-feira, setembro 04, 2006
O povo está indignado
(Reproduzido do blog Por um novo Brasil)
A campanha para a eleição de 2006 começou muito antecipada, em 2005, com todos os holofotes da mídia voltados para as CPIs. A oposição feroz e virulenta pretendia definir a eleição de 2006 em 2005. Foi uma festa de esbórnia em que se locupletaram. Teve de tudo: cadeiradas, socos, tapas, palavrões, gritos histéricos, tortura psicológica, ameaças, mentiras, ilações e calúnias. Cada integrante da oposição nas CPIs queria sair melhor do que o outro na fita. O foco das CPIs era um só, enfraquecer o presidente Lula e o PT. A oposição mantém-se em horário político 24h por dia desde 2005, com a colaboração irrestrita da mídia. Esses integrantes da oposição virulenta se esqueceram de que foram eleitos para trabalhar pelo bem-estar do povo. Sentaram as bundas nas cadeiras do Congresso para disputar holofotes, esbravejando, babando e destilando todo o seu veneno.
Votar matérias importantes que iriam melhorar muito a vida das pessoas e do país, nem pensar. O presidente Lula teve que editar sucessivas Medidas Provisórias para que benefícios chegassem a milhões de pessoas. Enquanto eles promoviam um show de horrores no Congresso e ocupavam a mente em meios e modos de derrubar o presidente, Lula não se abateu e continuou fazendo o possível e o impossível para o bem do país e de milhões de brasileiros. O povo assistiu às CPIs, o povo soube distinguir o que era verdade do que era mentira, o que era fato do que era armação. Muitos hoje acham que o povo não se indignou com a corrupção, e por isso vai votar no presidente Lula. Não é verdade, foi por ter se indignado com a corrupção que o povo vai votar no presidente Lula.
Eles sabem que o presidente Lula está combatendo a corrupção no país como nunca foi feito antes por nenhum outro governo. FHC engavetou todas as CPIs para investigar a corrupção em seu governo, Alckmin engavetou 69 CPIs que iriam investigar a corrupção no governo de SP. Por que eles não querem ser investigados, o que eles estão escondendo de tão feio, sujo e corrupto, para ter tanto medo de CPIs? Eles acham que o povo não está sabendo disso, eles acham que o povo não está atento para isso. Tanto está que o senador Arthur Virgilio, feroz opositor do governo Lula, que esbravejou até que daria uma surra no presidente, tem apenas 3% das intenções de voto como candidato a governador em seu estado, Amazonas. O presidente Lula tem 75% das intenções de voto para presidente no Amazonas.
Agora há um fato novo que veio a tona para muitas pessoas: aqueles que, mesmo sem provas, acusavam petistas, acusavam o presidente Lula, estão comprovadamente envolvidos no escândalo dos sanguessugas há muito tempo, desde que FHC era presidente e Serra ministro da saúde. Um ex-deputado da era FHC, o Kapaz, que comprovadamente recebeu propina do Vedoin, o chefe dos sanguessugas, fazia parte do Transparência Brasil e cobrava ética na política. O Antero Paes de Barros, senador do PSDB, do MT, feroz nos discursos contar os petistas, está envolvido com os sanguessugas até o pescoço, a cada dia aparecem mais provas irrefutáveis do envolvimento dele.
Essa oposição acusou pessoas de corrupção sem provas, e eles mesmos roubavam dinheiro público há muitos anos. Não lhes interessa que o presidente Lula se reeleja, pois sabem que o presidente Lula vai continuar combatendo a corrupção, e eles vão continuar sendo investigados e punidos por seus atos ilícitos. A ALSP vai instalar as CPIs, com ordem do STF, para investigar a corrupção de Alckmin em SP, principalmente os desvios da Nossa Caixa que estão diretamente ligados a ele e a facilitação de Alckmin para o contrabando do luxo e sonegação de impostos da Daslu. Essa campanha sórdida antecipada, ao contrário do que eles queriam, favoreceu muito o presidente Lula. Nenhum outro presidente foi tão investigado como o presidente Lula e nada, absolutamente nada de ilícito foi encontrado contra ele.
O povo sabe disso, até quem não vota no presidente Lula por motivos ideológicos sabe disso, sabe que o presidente Lula é integro, é honrado e por isso vai se eleger novamente. Já o Alckmin não se deixou investigar, não quis se submeter às CPIs, engavetou todas, como fez FHC - que agora tem de ficar escondido, não pode participar da propaganda de seu pupilo, o que seria muito natural, afinal os dois são do PSDB, são amigos, governaram juntos por longos anos. Os oposicionistas ferozes e virulentos combinaram tudo entre eles, mas se esqueceram do principal, do povo. O povo não faz combinações espúrias e sórdidas contra o melhor presidente que o Brasil já teve, o povo não quer de volta a desgraça do governo de FHC pelas mãos de Alckmin. O povo é sabido, está atento e indignado, por isso é Lula de novo com a força do povo!
A campanha para a eleição de 2006 começou muito antecipada, em 2005, com todos os holofotes da mídia voltados para as CPIs. A oposição feroz e virulenta pretendia definir a eleição de 2006 em 2005. Foi uma festa de esbórnia em que se locupletaram. Teve de tudo: cadeiradas, socos, tapas, palavrões, gritos histéricos, tortura psicológica, ameaças, mentiras, ilações e calúnias. Cada integrante da oposição nas CPIs queria sair melhor do que o outro na fita. O foco das CPIs era um só, enfraquecer o presidente Lula e o PT. A oposição mantém-se em horário político 24h por dia desde 2005, com a colaboração irrestrita da mídia. Esses integrantes da oposição virulenta se esqueceram de que foram eleitos para trabalhar pelo bem-estar do povo. Sentaram as bundas nas cadeiras do Congresso para disputar holofotes, esbravejando, babando e destilando todo o seu veneno.
Votar matérias importantes que iriam melhorar muito a vida das pessoas e do país, nem pensar. O presidente Lula teve que editar sucessivas Medidas Provisórias para que benefícios chegassem a milhões de pessoas. Enquanto eles promoviam um show de horrores no Congresso e ocupavam a mente em meios e modos de derrubar o presidente, Lula não se abateu e continuou fazendo o possível e o impossível para o bem do país e de milhões de brasileiros. O povo assistiu às CPIs, o povo soube distinguir o que era verdade do que era mentira, o que era fato do que era armação. Muitos hoje acham que o povo não se indignou com a corrupção, e por isso vai votar no presidente Lula. Não é verdade, foi por ter se indignado com a corrupção que o povo vai votar no presidente Lula.
Eles sabem que o presidente Lula está combatendo a corrupção no país como nunca foi feito antes por nenhum outro governo. FHC engavetou todas as CPIs para investigar a corrupção em seu governo, Alckmin engavetou 69 CPIs que iriam investigar a corrupção no governo de SP. Por que eles não querem ser investigados, o que eles estão escondendo de tão feio, sujo e corrupto, para ter tanto medo de CPIs? Eles acham que o povo não está sabendo disso, eles acham que o povo não está atento para isso. Tanto está que o senador Arthur Virgilio, feroz opositor do governo Lula, que esbravejou até que daria uma surra no presidente, tem apenas 3% das intenções de voto como candidato a governador em seu estado, Amazonas. O presidente Lula tem 75% das intenções de voto para presidente no Amazonas.
Agora há um fato novo que veio a tona para muitas pessoas: aqueles que, mesmo sem provas, acusavam petistas, acusavam o presidente Lula, estão comprovadamente envolvidos no escândalo dos sanguessugas há muito tempo, desde que FHC era presidente e Serra ministro da saúde. Um ex-deputado da era FHC, o Kapaz, que comprovadamente recebeu propina do Vedoin, o chefe dos sanguessugas, fazia parte do Transparência Brasil e cobrava ética na política. O Antero Paes de Barros, senador do PSDB, do MT, feroz nos discursos contar os petistas, está envolvido com os sanguessugas até o pescoço, a cada dia aparecem mais provas irrefutáveis do envolvimento dele.
Essa oposição acusou pessoas de corrupção sem provas, e eles mesmos roubavam dinheiro público há muitos anos. Não lhes interessa que o presidente Lula se reeleja, pois sabem que o presidente Lula vai continuar combatendo a corrupção, e eles vão continuar sendo investigados e punidos por seus atos ilícitos. A ALSP vai instalar as CPIs, com ordem do STF, para investigar a corrupção de Alckmin em SP, principalmente os desvios da Nossa Caixa que estão diretamente ligados a ele e a facilitação de Alckmin para o contrabando do luxo e sonegação de impostos da Daslu. Essa campanha sórdida antecipada, ao contrário do que eles queriam, favoreceu muito o presidente Lula. Nenhum outro presidente foi tão investigado como o presidente Lula e nada, absolutamente nada de ilícito foi encontrado contra ele.
O povo sabe disso, até quem não vota no presidente Lula por motivos ideológicos sabe disso, sabe que o presidente Lula é integro, é honrado e por isso vai se eleger novamente. Já o Alckmin não se deixou investigar, não quis se submeter às CPIs, engavetou todas, como fez FHC - que agora tem de ficar escondido, não pode participar da propaganda de seu pupilo, o que seria muito natural, afinal os dois são do PSDB, são amigos, governaram juntos por longos anos. Os oposicionistas ferozes e virulentos combinaram tudo entre eles, mas se esqueceram do principal, do povo. O povo não faz combinações espúrias e sórdidas contra o melhor presidente que o Brasil já teve, o povo não quer de volta a desgraça do governo de FHC pelas mãos de Alckmin. O povo é sabido, está atento e indignado, por isso é Lula de novo com a força do povo!
DANTAS PODE TORNAR A TRANSIÇÃO MENOS “EDUCADA”
Paulo Henrique Amorim
A transição Lula/Lula vai (ou pode) ser diferente da transição FHC/Lula.
Foi o que o presidente Lula deu a entender na segunda-feira, 28 de agosto, no Hotel Sofitel, em São Paulo, ao se encontrar com intelectuais e economistas.
Logo no começo da exposição, ele disse:
- Vocês se lembram da transição “educada” que houve quando o Fernando Henrique passou o Governo para mim ? Foi “educada”, porque eu não quis “futucar” o que havia lá no Governo Fernando Henrique. A situação era de instabilidade econômica e não deu pra “futucar”. (Essa reprodução não é literal. É produto da reconstituição de um intelectual presente.)
Se Lula vencer no primeiro turno. E se não houver instabilidade econômica, é possível que a transição Lula/Lula não seja “educada”.
O que, provavelmente, explica a irrefletida reação do ex-presidente Fernando Henrique, que, nos últimos dias, pregou duas vezes o golpe de Estado: quando invocou Carlos Lacerda; e quando sugeriu a Geraldo Alckmin que fizesse como os adeptos da Ku Klux Kan, no período da Reconstrução, nos Estados Unidos, contra os abolicionistas, ou os negros “share croppers”: botar fogo no paiol, no celeiro, no palheiro – o que for mais eficaz ...
Se Lula quiser, de fato, “deseducar” a transição, basta recomendar ao Ministro da Justiça que deixe Paulo Lacerda, superintendente da Policia Federal, trabalhar em paz.
Paulo Lacerda tem em mãos documentos que permitem investigar a possibilidade de Dantas “criar”, no exterior, quantas contas de brasileiros quiser.
Nesta sexta-feira, dia 1 de setembro, um delegado da Polícia Federal ouviu Daniel Dantas, no Rio, sobre o mensalão.
Basta ouvir Daniel Dantas também sobre algumas contas que ele, segundo a revista Veja, ajudou a produzir para a Veja.
E consultá-lo sobre os melhores momentos da privatização das teles.
E sobre um encontro com o Presidente Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada, que precedeu o massacre da “Noite de São Valentim”, em que cairam fuzilados os diretores da Previ, que, se empossados, se oporiam a Daniel Dantas.
É o que Fernando Henrique mais deve temer. E é a maneira mais rápida de “deseducar” a transição: abrir a caixa-preta (quer dizer, o disco rígido) de Daniel Dantas.
01/09/2006 19:39h
A transição Lula/Lula vai (ou pode) ser diferente da transição FHC/Lula.
Foi o que o presidente Lula deu a entender na segunda-feira, 28 de agosto, no Hotel Sofitel, em São Paulo, ao se encontrar com intelectuais e economistas.
Logo no começo da exposição, ele disse:
- Vocês se lembram da transição “educada” que houve quando o Fernando Henrique passou o Governo para mim ? Foi “educada”, porque eu não quis “futucar” o que havia lá no Governo Fernando Henrique. A situação era de instabilidade econômica e não deu pra “futucar”. (Essa reprodução não é literal. É produto da reconstituição de um intelectual presente.)
Se Lula vencer no primeiro turno. E se não houver instabilidade econômica, é possível que a transição Lula/Lula não seja “educada”.
O que, provavelmente, explica a irrefletida reação do ex-presidente Fernando Henrique, que, nos últimos dias, pregou duas vezes o golpe de Estado: quando invocou Carlos Lacerda; e quando sugeriu a Geraldo Alckmin que fizesse como os adeptos da Ku Klux Kan, no período da Reconstrução, nos Estados Unidos, contra os abolicionistas, ou os negros “share croppers”: botar fogo no paiol, no celeiro, no palheiro – o que for mais eficaz ...
Se Lula quiser, de fato, “deseducar” a transição, basta recomendar ao Ministro da Justiça que deixe Paulo Lacerda, superintendente da Policia Federal, trabalhar em paz.
Paulo Lacerda tem em mãos documentos que permitem investigar a possibilidade de Dantas “criar”, no exterior, quantas contas de brasileiros quiser.
Nesta sexta-feira, dia 1 de setembro, um delegado da Polícia Federal ouviu Daniel Dantas, no Rio, sobre o mensalão.
Basta ouvir Daniel Dantas também sobre algumas contas que ele, segundo a revista Veja, ajudou a produzir para a Veja.
E consultá-lo sobre os melhores momentos da privatização das teles.
E sobre um encontro com o Presidente Fernando Henrique, no Palácio da Alvorada, que precedeu o massacre da “Noite de São Valentim”, em que cairam fuzilados os diretores da Previ, que, se empossados, se oporiam a Daniel Dantas.
É o que Fernando Henrique mais deve temer. E é a maneira mais rápida de “deseducar” a transição: abrir a caixa-preta (quer dizer, o disco rígido) de Daniel Dantas.
01/09/2006 19:39h
A anatomia da inveja
(Mauro Santayanna, para a Agência Carta Maior)
Em "Os velhos marinheiros", o clássico da literatura picaresca brasileira, Jorge Amado narra uma partida de pôquer em que o capitão Vasco Moscoso de Aragão depena o adversário. O perdedor procura insultar o ganhador de todas as formas - e um terceiro jogador observa: "inveja mata, seu Chico, inveja mata".
Há alguns meses o médico Adib Jatene, senhor dos mistérios do coração, órgão em que se presume alojar a alma dos homens, dizia a mesma coisa que disse o personagem de Jorge. A competitividade, o afã de superar os demais, a inveja do êxito alheio, são os maiores aliados da morte por infarto. Provavelmente sejam também de outras doenças fatais.
O ex-presidente Fernando Henrique deve consultar já o doutor Jatene. As suas mais recentes declarações sobre Lula, a quase apoplexia com que, no encontro com os donos do poder econômico, se referiu ao Chefe de Estado (inveja mata: trata-se de um operário na chefia do Estado) mostram que o festejado intelectual está precisando de acompanhamento cardiológico. E não fez melhor o antigo presidente, quando falou em Macunaíma. Lula não tem o perfil do anti-herói de Mário de Andrade.
O ex-presidente é homem vitorioso. Não tem por que invejar o êxito de ninguém, porque foi brindado por todos os êxitos: na cátedra, na literatura sociológica, na presença no Senado e na Presidência da República. Nunca se atrapalhou com o uso dos talheres nos salões do mundo. Sabe perfeitamente como servir-se de chá no Palácio de Buckingham e conhece as anedotas que fazem Clinton divertir-se, embora, com precavida elegância, evite as que falam de charutos. Lula, para a sua razão aristocrática, é um brega. A sua missão histórica deveria limitar-se à liderança sindical, como fez George Meany, que dominou o sindicalismo norte-americano por décadas. Lula devia trabalhar para a conciliação de classes e se satisfazer em apenas reivindicar - e sem greves, como fazia Meany - participação modesta dos trabalhadores na prosperidade do capitalismo em geral. Mas Lula foi atrevido. Fundou um partido político, liderou intelectuais (alguns com muito mais estofo do que sua ex-excelência) e acabou chegando ao Palácio do Planalto. Tratou-se, como pensa o grande sociólogo, de um desaforo de pobre.
Fernando Henrique não tem por que invejar ninguém – mas se sente incomodado fora do poder. Há pessoas que se sentem predestinadas para o mando e se ofendem quando o perdem. Falta-lhes aquela consciência de efemeridade de todas as coisas da vida – e da própria vida. O poder político é uma concessão da vontade popular, e a vontade popular nem sempre é ungida daquele tipo de sabedoria que lhe reclama o soberbo professor.
Podemos entender o direito de espernear dos tucanos. A cada dia seu candidato voa mais baixo apesar da orquestração dos ataques por parte dos outros candidatos, todos aliados "in pectore" do ex-governador de São Paulo. Mas é muito divertido – e o vocábulo é este mesmo – ouvir o Sr. Fernando Henrique falar em moralidade pública, e cobrar do presidente medidas contra os corruptos. Onde se encontrava Fernando Henrique quando seu governo beneficiou banqueiros com as inside informations do Banco Central? Em que galáxia passava férias, quando o Banco Central salvou os bancos Marka e Fontecidam, com o prejuízo de bilhões para o povo brasileiro? Por que não permitiu que se formassem várias comissões parlamentares de inquérito, que foram requeridas contra seu governo, como a do sistema financeiro e a da compra de votos para a emenda da reeleição?
O Sr. Geraldo Alckmin também tem falado muito em moralidade pública, mas ainda não explicou a solidariedade que prestou aos sonegadores e fraudulentos importadores da Daslu, nem os estranhos negócios de publicidade da Caixa Econômica de São Paulo. E o dever de cortesia nos impede de tratar de outros assuntos constrangedores.
O problema é que o país está crescendo, embora lentamente. Pela primeira vez, na história da República, as pessoas vêem os preços reais de produtos essenciais para a vida caírem nos supermercados. Pela primeira vez, em nossa história, engravatados são algemados e colocados no camburão da polícia. Não adianta o desespero: o povo já parece ter feito a escolha. Os formadores de opinião, os cientistas políticos e os clarividentes podem prever o que quiserem, mas só se houver um tsunami no Rio São Francisco ou a Mantiqueira se mover para a Patagônia, será provável a derrota de Lula.
Fernando Henrique está agora incendiário. Mao-tsé-tung dizia que quando a pradaria está seca, basta atear-lhe fogo. Fernando Henrique está pregando que se acenda fogo ao palheiro. Resta saber a que palheiro ele se refere.
O dinheiro do FAT
É estranho o esforço que parte da imprensa faz para desmoralizar os trabalhadores da Volkswagen e reclamar do governo que ajude a empresa a "modernizar-se" e a concorrer com a China. A empresa pediu 500 milhões ao BNDES a fim de instalar novos robôs. O dinheiro do BNDES é do Fundo de Amparo ao Trabalhador, ou seja, dos próprios trabalhadores. O governo se nega a usar dinheiro que pertence aos trabalhadores a fim de que sejam demitidas as pessoas. Se a razão e a justiça tivessem lugar em nosso tempo, seria o caso de a Volkswagen usar o dinheiro do FAT para reciclar seus trabalhadores ou, melhor ainda, manter-lhes o emprego e o salário, reduzindo a carga semanal de trabalho. O uso do dinheiro do FAT para reorganizar empresas com a demissão de milhares e milhares de trabalhadores era normal no governo passado. Foi com esse dinheiro que os privatizadores compraram as empresas estatais. Com esse dinheiro, muitas das novas empresas demitiram sumariamente os trabalhadores brasileiros e importaram trabalhadores estrangeiros.
Em "Os velhos marinheiros", o clássico da literatura picaresca brasileira, Jorge Amado narra uma partida de pôquer em que o capitão Vasco Moscoso de Aragão depena o adversário. O perdedor procura insultar o ganhador de todas as formas - e um terceiro jogador observa: "inveja mata, seu Chico, inveja mata".
Há alguns meses o médico Adib Jatene, senhor dos mistérios do coração, órgão em que se presume alojar a alma dos homens, dizia a mesma coisa que disse o personagem de Jorge. A competitividade, o afã de superar os demais, a inveja do êxito alheio, são os maiores aliados da morte por infarto. Provavelmente sejam também de outras doenças fatais.
O ex-presidente Fernando Henrique deve consultar já o doutor Jatene. As suas mais recentes declarações sobre Lula, a quase apoplexia com que, no encontro com os donos do poder econômico, se referiu ao Chefe de Estado (inveja mata: trata-se de um operário na chefia do Estado) mostram que o festejado intelectual está precisando de acompanhamento cardiológico. E não fez melhor o antigo presidente, quando falou em Macunaíma. Lula não tem o perfil do anti-herói de Mário de Andrade.
O ex-presidente é homem vitorioso. Não tem por que invejar o êxito de ninguém, porque foi brindado por todos os êxitos: na cátedra, na literatura sociológica, na presença no Senado e na Presidência da República. Nunca se atrapalhou com o uso dos talheres nos salões do mundo. Sabe perfeitamente como servir-se de chá no Palácio de Buckingham e conhece as anedotas que fazem Clinton divertir-se, embora, com precavida elegância, evite as que falam de charutos. Lula, para a sua razão aristocrática, é um brega. A sua missão histórica deveria limitar-se à liderança sindical, como fez George Meany, que dominou o sindicalismo norte-americano por décadas. Lula devia trabalhar para a conciliação de classes e se satisfazer em apenas reivindicar - e sem greves, como fazia Meany - participação modesta dos trabalhadores na prosperidade do capitalismo em geral. Mas Lula foi atrevido. Fundou um partido político, liderou intelectuais (alguns com muito mais estofo do que sua ex-excelência) e acabou chegando ao Palácio do Planalto. Tratou-se, como pensa o grande sociólogo, de um desaforo de pobre.
Fernando Henrique não tem por que invejar ninguém – mas se sente incomodado fora do poder. Há pessoas que se sentem predestinadas para o mando e se ofendem quando o perdem. Falta-lhes aquela consciência de efemeridade de todas as coisas da vida – e da própria vida. O poder político é uma concessão da vontade popular, e a vontade popular nem sempre é ungida daquele tipo de sabedoria que lhe reclama o soberbo professor.
Podemos entender o direito de espernear dos tucanos. A cada dia seu candidato voa mais baixo apesar da orquestração dos ataques por parte dos outros candidatos, todos aliados "in pectore" do ex-governador de São Paulo. Mas é muito divertido – e o vocábulo é este mesmo – ouvir o Sr. Fernando Henrique falar em moralidade pública, e cobrar do presidente medidas contra os corruptos. Onde se encontrava Fernando Henrique quando seu governo beneficiou banqueiros com as inside informations do Banco Central? Em que galáxia passava férias, quando o Banco Central salvou os bancos Marka e Fontecidam, com o prejuízo de bilhões para o povo brasileiro? Por que não permitiu que se formassem várias comissões parlamentares de inquérito, que foram requeridas contra seu governo, como a do sistema financeiro e a da compra de votos para a emenda da reeleição?
O Sr. Geraldo Alckmin também tem falado muito em moralidade pública, mas ainda não explicou a solidariedade que prestou aos sonegadores e fraudulentos importadores da Daslu, nem os estranhos negócios de publicidade da Caixa Econômica de São Paulo. E o dever de cortesia nos impede de tratar de outros assuntos constrangedores.
O problema é que o país está crescendo, embora lentamente. Pela primeira vez, na história da República, as pessoas vêem os preços reais de produtos essenciais para a vida caírem nos supermercados. Pela primeira vez, em nossa história, engravatados são algemados e colocados no camburão da polícia. Não adianta o desespero: o povo já parece ter feito a escolha. Os formadores de opinião, os cientistas políticos e os clarividentes podem prever o que quiserem, mas só se houver um tsunami no Rio São Francisco ou a Mantiqueira se mover para a Patagônia, será provável a derrota de Lula.
Fernando Henrique está agora incendiário. Mao-tsé-tung dizia que quando a pradaria está seca, basta atear-lhe fogo. Fernando Henrique está pregando que se acenda fogo ao palheiro. Resta saber a que palheiro ele se refere.
O dinheiro do FAT
É estranho o esforço que parte da imprensa faz para desmoralizar os trabalhadores da Volkswagen e reclamar do governo que ajude a empresa a "modernizar-se" e a concorrer com a China. A empresa pediu 500 milhões ao BNDES a fim de instalar novos robôs. O dinheiro do BNDES é do Fundo de Amparo ao Trabalhador, ou seja, dos próprios trabalhadores. O governo se nega a usar dinheiro que pertence aos trabalhadores a fim de que sejam demitidas as pessoas. Se a razão e a justiça tivessem lugar em nosso tempo, seria o caso de a Volkswagen usar o dinheiro do FAT para reciclar seus trabalhadores ou, melhor ainda, manter-lhes o emprego e o salário, reduzindo a carga semanal de trabalho. O uso do dinheiro do FAT para reorganizar empresas com a demissão de milhares e milhares de trabalhadores era normal no governo passado. Foi com esse dinheiro que os privatizadores compraram as empresas estatais. Com esse dinheiro, muitas das novas empresas demitiram sumariamente os trabalhadores brasileiros e importaram trabalhadores estrangeiros.
sábado, setembro 02, 2006
Wagner Tiso: "O vilão sou eu?"
Acho que posso dizer, com orgulho, que sou um artista com vínculos pré-históricos com o Partido dos Trabalhadores. Mas nunca ofereci, em sacrifício, a minha independência pa ra pensar. O fato é que na certidão de nascimento do PT consta o meu no me, e nos alicerces de fundação há rastros do meu esforço pessoal para coletar assinaturas de adesão ao par tido.
Participei de todas as campanhas presidenciais. Muitas vezes, lá no início, carregava o teclado nas costas para animar os comícios petistas. Nada disso impediu minha convivência com intelectuais e gente do mundo artístico com posições políticas diferentes da minha. Na democracia pela qual me bato há espaço amplo para divergências políticas.
Meu velho coração de estudante palpitou quando Lula ganhou a eleição. Essa jornada para a ascensão do PT ao poder foi longa. Conhecendo os obstáculos históricos e os preconceitos encravados na sociedade brasileira, nem pensei que pudesse estar vivo quando a faixa presidencial fosse cruzada no peito de um operário metalúrgico. Aconteceu antes do que eu esperava. Vivi o bastante para ver.
Assim, era natural a minha presença na casa do ministro Gilberto Gil, no Rio, durante o encontro de intelectuais e artistas com o presidente Lula. Naquela noite recebi uma emocionante e inesperada homenagem do presidente. Havia o calor da amizade e mui ta sinceridade nas palavras dele quando me agradeceu pela entrevista que dei ao GLOBO, em setembro de 2005. Naquela ocasião, defendi o que acre dito e critiquei o que condeno, como foi o caso do uso de caixa dois nas campanhas políticas do partido. A oposição concentrava todas as forças para abalar o governo. Havia um cheiro de golpe branco no ar, denunciado com precisão e coragem pelo professor Wanderley Guilherme dos Santos.
Convidado para aquela entrevista (do ano passado), publicada pelo Globo, defendi um governo no qual acredito. Não vacilei em dizer como via as coisas. Disse o que disse - e repetiria, se preciso fosse - exatamente por acreditar que Lula não rasgou o compromisso com a ética, uma das principais razões pelas quais eu e tantos outros artistas aderimos à causa petista.
Cercado pelos repórteres ao sair do encontro com Lula, eu disse uma frase que, no tumulto, escapou do contexto. Um erro meu e não dos repórteres. Nela vi, posteriormente, que passei a impressão de repudiar a ética. Mas não é assim que penso e ajo, conforme disse em carta publicada pelo jornal O Globo e desconsiderada na seqüência dos acontecimentos. Minha vida, com indissolúvel ligação entre as atitudes pessoais e as ações artísticas, é a ex pressão do meu compromisso com a seriedade e a lisura. Nada me fará me esquecer de quem sou!
Eu repudiei, sim, a manipulação do discurso sobre a ética, proposta pela oposição. É uma preocupação farisaica. Uma cortina de fumaça que oculta uma disputa implacável pelo poder. Olhem só para a cara dos principais porta-bandeiras do movimento. São vigaristas políticos que enriqueceram na vida pública sem qualquer preocupação com o caos social que vem se formando no Brasil. Eles dão as costas para a população carente e vomitam um discurso hipócrita sobre ética. É isso que repudio. Nesse contexto é que peço que seja inserido meu sentimento real, traído por uma frase mal colocada. A falta de traquejo para enfrentar um batalhão de perguntas - algumas muito agressivas - me fez tropeçar no meu próprio discurso.
Agora vejo a frase como alavanca de um debate no qual faço o papel de vilão. Vilão, eu? Eu que pautei toda a minha vida em atitudes éticas. O pano de fundo é atingir Lula e o PT. Um governo que tem, segundo o Datafolha, 52% de aprovação da sociedade no patamar do "ótimo e bom".
O Brasil precisa mesmo de um de bate sobre ética . Sério e fecundo. Mas, por favor, não a partir da manipulação cruel de uma frase minha.
Quando a fumaça desse momento se esvair, será possível ver em cena os vilões de sempre. Eu me refiro àqueles que, historicamente, saquearam os cofres públicos e trouxeram o país a essa complicada situação de violência e insegurança. Um país, além do mais, marcado mundialmente pela vergonhosa distribuição de renda que desenha o mapa de uma sociedade injusta. Uma injustiça que faz corar aqueles que, de fato, reverenciam a ética.
Wagner Tiso é músico.
Participei de todas as campanhas presidenciais. Muitas vezes, lá no início, carregava o teclado nas costas para animar os comícios petistas. Nada disso impediu minha convivência com intelectuais e gente do mundo artístico com posições políticas diferentes da minha. Na democracia pela qual me bato há espaço amplo para divergências políticas.
Meu velho coração de estudante palpitou quando Lula ganhou a eleição. Essa jornada para a ascensão do PT ao poder foi longa. Conhecendo os obstáculos históricos e os preconceitos encravados na sociedade brasileira, nem pensei que pudesse estar vivo quando a faixa presidencial fosse cruzada no peito de um operário metalúrgico. Aconteceu antes do que eu esperava. Vivi o bastante para ver.
Assim, era natural a minha presença na casa do ministro Gilberto Gil, no Rio, durante o encontro de intelectuais e artistas com o presidente Lula. Naquela noite recebi uma emocionante e inesperada homenagem do presidente. Havia o calor da amizade e mui ta sinceridade nas palavras dele quando me agradeceu pela entrevista que dei ao GLOBO, em setembro de 2005. Naquela ocasião, defendi o que acre dito e critiquei o que condeno, como foi o caso do uso de caixa dois nas campanhas políticas do partido. A oposição concentrava todas as forças para abalar o governo. Havia um cheiro de golpe branco no ar, denunciado com precisão e coragem pelo professor Wanderley Guilherme dos Santos.
Convidado para aquela entrevista (do ano passado), publicada pelo Globo, defendi um governo no qual acredito. Não vacilei em dizer como via as coisas. Disse o que disse - e repetiria, se preciso fosse - exatamente por acreditar que Lula não rasgou o compromisso com a ética, uma das principais razões pelas quais eu e tantos outros artistas aderimos à causa petista.
Cercado pelos repórteres ao sair do encontro com Lula, eu disse uma frase que, no tumulto, escapou do contexto. Um erro meu e não dos repórteres. Nela vi, posteriormente, que passei a impressão de repudiar a ética. Mas não é assim que penso e ajo, conforme disse em carta publicada pelo jornal O Globo e desconsiderada na seqüência dos acontecimentos. Minha vida, com indissolúvel ligação entre as atitudes pessoais e as ações artísticas, é a ex pressão do meu compromisso com a seriedade e a lisura. Nada me fará me esquecer de quem sou!
Eu repudiei, sim, a manipulação do discurso sobre a ética, proposta pela oposição. É uma preocupação farisaica. Uma cortina de fumaça que oculta uma disputa implacável pelo poder. Olhem só para a cara dos principais porta-bandeiras do movimento. São vigaristas políticos que enriqueceram na vida pública sem qualquer preocupação com o caos social que vem se formando no Brasil. Eles dão as costas para a população carente e vomitam um discurso hipócrita sobre ética. É isso que repudio. Nesse contexto é que peço que seja inserido meu sentimento real, traído por uma frase mal colocada. A falta de traquejo para enfrentar um batalhão de perguntas - algumas muito agressivas - me fez tropeçar no meu próprio discurso.
Agora vejo a frase como alavanca de um debate no qual faço o papel de vilão. Vilão, eu? Eu que pautei toda a minha vida em atitudes éticas. O pano de fundo é atingir Lula e o PT. Um governo que tem, segundo o Datafolha, 52% de aprovação da sociedade no patamar do "ótimo e bom".
O Brasil precisa mesmo de um de bate sobre ética . Sério e fecundo. Mas, por favor, não a partir da manipulação cruel de uma frase minha.
Quando a fumaça desse momento se esvair, será possível ver em cena os vilões de sempre. Eu me refiro àqueles que, historicamente, saquearam os cofres públicos e trouxeram o país a essa complicada situação de violência e insegurança. Um país, além do mais, marcado mundialmente pela vergonhosa distribuição de renda que desenha o mapa de uma sociedade injusta. Uma injustiça que faz corar aqueles que, de fato, reverenciam a ética.
Wagner Tiso é músico.
sexta-feira, setembro 01, 2006
mídia, povo e "elegância"
No afã de desqualificar a candidatura Lula, o jornal Folha de São Paulo mobiliza seu exército de articulistas com tamanha rapidez e urgência que os mesmos produzem pérolas como a que Plínio Fraga nos presenteou no domingo, 27 de agosto: segundo ele, o manual de redação do dito jornal recomenda que se evite a palavra "povo"; que deve dar preferência a "população ou sociedade. São mais exatas e elegantes."
Ele tem um mínimo de razão. O povo é inexato. Se fosse "exato" como as elites brancas de São Paulo o são, certamente votaria no conselho editorial do referido veículo para a presidência da República. Se fosse exato, o povo tomaria como verdade as distorções, os preconceitos, as manipulações abundantes na mídia conservadora, contra Lula e o PT.
Manipulações de informações estas que superaram, nos últimos meses, qualquer nível de razoabilidade. Apesar de tudo, Lula dispara nas pesquisas.
A mais recente é a do instituto Vox Populi, divulgada nesta quinta-feira pela TV Bandeirantes. Segundo a sondagem, a intenção de voto no candidato Lula subiu de 45 para 50%, enquanto Geraldo Alckmin passou de 24 para 25%. A senadora Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 11 por cento para 9 por cento.
É Lula de novo, com a força dos "deselegantes".
Ele tem um mínimo de razão. O povo é inexato. Se fosse "exato" como as elites brancas de São Paulo o são, certamente votaria no conselho editorial do referido veículo para a presidência da República. Se fosse exato, o povo tomaria como verdade as distorções, os preconceitos, as manipulações abundantes na mídia conservadora, contra Lula e o PT.
Manipulações de informações estas que superaram, nos últimos meses, qualquer nível de razoabilidade. Apesar de tudo, Lula dispara nas pesquisas.
A mais recente é a do instituto Vox Populi, divulgada nesta quinta-feira pela TV Bandeirantes. Segundo a sondagem, a intenção de voto no candidato Lula subiu de 45 para 50%, enquanto Geraldo Alckmin passou de 24 para 25%. A senadora Heloísa Helena (PSOL) oscilou de 11 por cento para 9 por cento.
É Lula de novo, com a força dos "deselegantes".
quinta-feira, agosto 31, 2006
Lula: "Pra dizer que o PT está pior, tem que dizer quem está melhor"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou, durante entrevista ao Jornal da Globo levada ao ar na madrugada desta quinta-feira (31), porque lidera todas as pesquisas de intenção de voto para as próximas eleições. Com clareza e conhecimento de causa, Lula fez um veemente relato das ações de seu governo, respondeu às perguntas com precisão, contestou equívocos de análise e conduziu a conversa para um debate de idéias sobre o país, a economia e a política.
A entrevista foi concedida aos apresentadores William Waack e Cristiane Pelajo. Waack quis saber do presidente como ele via a expectativa de o PT “piorar” seu desempenho nas eleições deste ano. Lula saiu em defesa do partido. “Pra dizer que o PT está pior, tem que dizer quem está melhor”, rebateu.
Na seqüência, lembrou que haverá eleições para vários níveis neste ano, que uns vão perder, outros vão ganhar e que “a vida continua”. Daí por diante, analisou Lula, quem tiver piorado vai ter de rever seus erros para melhorar da próxima vez.
Lula também falou sobre alianças, acordos e governabilidade. Disse ter orgulho dos apoios que recebe, entre eles uma parte do PMDB, e afirmou que não escolhe nem veta as pessoas indicadas pelos partidos para compor seu conselho político.
“Vamos ganhar a eleição, se Deus quiser, e teremos a sustentabilidade que o Brasil precisa", disse.
Carga tributária
O presidente esclareceu que o governo não aumentou a carga tributária, como afirmaram os entrevistadores. A carga tributária brasileira, lembrou, só aumentou na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto).
Ele explicou que o que subiu, de fato, foi a arrecadação, porque a Receita Federal passou a ser mais eficiente. "Diga um único imposto que eu criei ou que aumentou em meu governo", questionou Lula a seus entrevistadores, sem obter resposta.
Os jornalistas então perguntaram por que o governo não concedeu nenhum alívio fiscal, uma vez que houve aumento da arrecadação. Lula respondeu: "Mas como não houve alívio fiscal? Acabei de dizer que nós desoneramos diversos setores da economia".
O presidente informou os repórteres que os preços de arroz, feijão, farinha de mandioca, entre outros produtos alimentícios, além de areia, cimento, tijolos e demais itens da construção civil, ficaram mais baratos em seu governo justamente porque ele determinou o alívio fiscal para itens de consumo popular, beneficiando as pessoas mais pobres. "Pergunta para a dona de casa", provocou.
"No total desoneramos R$ 19 bilhões. Houve também a redução das alíquotas do Imposto de Renda", reiterou Lula, lembrando que, quando assumiu, a alíquota não era atualizada havia cinco anos.
O presidente também foi enfático ao revelar que já definiu os pontos básicos da reforma tributária com seu relator, o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG), e que a reforma só não é votada porque a oposição não quer.
"Se eles quisessem, a reforma sairia ainda neste ano. Mas não permitem que os deputados votem. E depois tem candidato que diz que o meu governo aumenta imposto e não faz a reforma", ironizou.
Crescimento econômico
Lula também refutou a afirmação de que o Brasil tem crescimento baixo se comparado à China e outros países emergentes. O presidente afirmou que seu governo construiu a infra-estrutura sobre a qual o país poderá crescer com estabilidade e distribuição de renda pelos próximos anos.
"Já vi o Brasil sendo comparado com a Índia, com a China e até com o Haiti. Mas o Brasil deve ser comparado é com o Brasil. Nunca houve uma conjuntura de fatores tão positivos para a economia brasileira. As exportações crescem, o crédito é farto, a balança comercial é positiva, as transações correntes são favoráveis", disse Lula.
O presidente explicou aos repórteres que seu governo também vai definir os marcos regulatórios das PPPs (Parcerias Público-Privadas) que permitirão o aumento do capital privado no investimento, um dos motores do crescimento econômico. Segundo Lula, seu governo estuda a expansão do Brasil em mercados em que pode assumir a liderança global, como o de papel e celulose.
"O Brasil nunca esteve tão preparado para dar o próximo passo", concluiu, defendendo um ciclo de crescimento contínuo com investimentos em educação.
Volkswagen
Lula foi questionado sobre o que esperaria de um presidente se ainda fosse líder sindical, diante da crise da Volkswagen, que demitiu 1.800 empregados de sua fábrica de São Bernardo do Campo. O presidente revelou que já chorou na porta da Mercedes-Benz no passado, quando esta anunciou a demissão de 8 mil trabalhadores.
"A Volks se precipitou ao anunciar as demissões sem discuti-las com o governo e com o sindicato", disse o petista, que informou que 27 mil empregos na indústria automotiva foram criados em sua gestão.
Lula afirmou desconhecer em profundidade a atual situação da montadora, mas afirmou que a Volks optou pelas demissões num momento em que "nunca se exportou tantos carros e o mercado interno cresce".
"Eu sei o que é a fome"
O presidente demonstrou irritação diante Waack, que perguntou por que o governo investe mais em programas sociais, "que dão o peixe", do que ações "que ensinam a pescar". Lula disse que o jornalista provavelmente “nunca foi pescador”, porque mesmo o pescador tem de comer alguma coisa enquanto o peixe não vem.
Depois informou que seu governo ataca nas duas frentes e que uma não anula a outra. "Eu sei o que é a fome. A criança que vai para a escola com fome aprende menos. Nossa política social garante três refeições diárias. Isso está na bíblia, deve estar na consciência de todo homem público", afirmou o presidente. "Eu sei o que é uma mãe ter cinco filhos pedindo comida e ela não ter nada para dar".
Na seqüência, os jornalistas abordaram as fraudes no programa Bolsa-Família. Lula respondeu que o programa é fiscalizado pelo Ministério Público e pelo conjunto da sociedade.
"Um programa que atende 11 milhões de famílias pode ter um erro. Mas isso não nos impede de expandi-lo em três frentes: ampliar o número de beneficiados, aumentar a fiscalização e gerar empregos, por meio do crescimento econômico, que seriam a porta de saída do programa".
Educação
O presidente discorreu com desenvoltura ao responder sobre a educação, enfatizando o Fundeb (Fundo para a Educação Básica), que está parado a um ano e meio no Congresso e, quando aprovado, vai destinar R$ 5 bilhões para o setor.
Os jornalistas apontaram apenas 23% das escolas públicas brasileiras com biblioteca, 10% com acesso à Internet e que somente 45% dos professores têm ensino superior completo.
"Este não é um quadro desolador?", perguntou Pelajo. “É”, respondeu Lula, ressaltando que esse quadro resulta dos 500 anos anteriores a seu mandato.
Na seqüência enumerou as ações em andamento e destacou a ampliação da Universidade Aberta, que estará presente em 80% dos municípios brasileiros, com a função de aprimorar a formação dos professores.
O presidente também informou que seu governo passou a mensurar a qualidade da educação com o Prova Brasil, testes para alunos da 4ª e da 8ª séries, em 41 mil escolas, ao contrário do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando apenas cerca de 6 mil escolas aplicavam os testes, e só para alunos da 4ª série.
Lula comentou que o único Estado que se recusou a participar da prova foi São Paulo. “Talvez temendo revelar que, embora sendo o Estado mais rico, não liderava o ranking da educação", disse Lula, que completou: "Depois o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio mostrar que São Paulo está na oitava posição no país", disse.
31/08/2006 - 03:32
A entrevista foi concedida aos apresentadores William Waack e Cristiane Pelajo. Waack quis saber do presidente como ele via a expectativa de o PT “piorar” seu desempenho nas eleições deste ano. Lula saiu em defesa do partido. “Pra dizer que o PT está pior, tem que dizer quem está melhor”, rebateu.
Na seqüência, lembrou que haverá eleições para vários níveis neste ano, que uns vão perder, outros vão ganhar e que “a vida continua”. Daí por diante, analisou Lula, quem tiver piorado vai ter de rever seus erros para melhorar da próxima vez.
Lula também falou sobre alianças, acordos e governabilidade. Disse ter orgulho dos apoios que recebe, entre eles uma parte do PMDB, e afirmou que não escolhe nem veta as pessoas indicadas pelos partidos para compor seu conselho político.
“Vamos ganhar a eleição, se Deus quiser, e teremos a sustentabilidade que o Brasil precisa", disse.
Carga tributária
O presidente esclareceu que o governo não aumentou a carga tributária, como afirmaram os entrevistadores. A carga tributária brasileira, lembrou, só aumentou na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto).
Ele explicou que o que subiu, de fato, foi a arrecadação, porque a Receita Federal passou a ser mais eficiente. "Diga um único imposto que eu criei ou que aumentou em meu governo", questionou Lula a seus entrevistadores, sem obter resposta.
Os jornalistas então perguntaram por que o governo não concedeu nenhum alívio fiscal, uma vez que houve aumento da arrecadação. Lula respondeu: "Mas como não houve alívio fiscal? Acabei de dizer que nós desoneramos diversos setores da economia".
O presidente informou os repórteres que os preços de arroz, feijão, farinha de mandioca, entre outros produtos alimentícios, além de areia, cimento, tijolos e demais itens da construção civil, ficaram mais baratos em seu governo justamente porque ele determinou o alívio fiscal para itens de consumo popular, beneficiando as pessoas mais pobres. "Pergunta para a dona de casa", provocou.
"No total desoneramos R$ 19 bilhões. Houve também a redução das alíquotas do Imposto de Renda", reiterou Lula, lembrando que, quando assumiu, a alíquota não era atualizada havia cinco anos.
O presidente também foi enfático ao revelar que já definiu os pontos básicos da reforma tributária com seu relator, o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG), e que a reforma só não é votada porque a oposição não quer.
"Se eles quisessem, a reforma sairia ainda neste ano. Mas não permitem que os deputados votem. E depois tem candidato que diz que o meu governo aumenta imposto e não faz a reforma", ironizou.
Crescimento econômico
Lula também refutou a afirmação de que o Brasil tem crescimento baixo se comparado à China e outros países emergentes. O presidente afirmou que seu governo construiu a infra-estrutura sobre a qual o país poderá crescer com estabilidade e distribuição de renda pelos próximos anos.
"Já vi o Brasil sendo comparado com a Índia, com a China e até com o Haiti. Mas o Brasil deve ser comparado é com o Brasil. Nunca houve uma conjuntura de fatores tão positivos para a economia brasileira. As exportações crescem, o crédito é farto, a balança comercial é positiva, as transações correntes são favoráveis", disse Lula.
O presidente explicou aos repórteres que seu governo também vai definir os marcos regulatórios das PPPs (Parcerias Público-Privadas) que permitirão o aumento do capital privado no investimento, um dos motores do crescimento econômico. Segundo Lula, seu governo estuda a expansão do Brasil em mercados em que pode assumir a liderança global, como o de papel e celulose.
"O Brasil nunca esteve tão preparado para dar o próximo passo", concluiu, defendendo um ciclo de crescimento contínuo com investimentos em educação.
Volkswagen
Lula foi questionado sobre o que esperaria de um presidente se ainda fosse líder sindical, diante da crise da Volkswagen, que demitiu 1.800 empregados de sua fábrica de São Bernardo do Campo. O presidente revelou que já chorou na porta da Mercedes-Benz no passado, quando esta anunciou a demissão de 8 mil trabalhadores.
"A Volks se precipitou ao anunciar as demissões sem discuti-las com o governo e com o sindicato", disse o petista, que informou que 27 mil empregos na indústria automotiva foram criados em sua gestão.
Lula afirmou desconhecer em profundidade a atual situação da montadora, mas afirmou que a Volks optou pelas demissões num momento em que "nunca se exportou tantos carros e o mercado interno cresce".
"Eu sei o que é a fome"
O presidente demonstrou irritação diante Waack, que perguntou por que o governo investe mais em programas sociais, "que dão o peixe", do que ações "que ensinam a pescar". Lula disse que o jornalista provavelmente “nunca foi pescador”, porque mesmo o pescador tem de comer alguma coisa enquanto o peixe não vem.
Depois informou que seu governo ataca nas duas frentes e que uma não anula a outra. "Eu sei o que é a fome. A criança que vai para a escola com fome aprende menos. Nossa política social garante três refeições diárias. Isso está na bíblia, deve estar na consciência de todo homem público", afirmou o presidente. "Eu sei o que é uma mãe ter cinco filhos pedindo comida e ela não ter nada para dar".
Na seqüência, os jornalistas abordaram as fraudes no programa Bolsa-Família. Lula respondeu que o programa é fiscalizado pelo Ministério Público e pelo conjunto da sociedade.
"Um programa que atende 11 milhões de famílias pode ter um erro. Mas isso não nos impede de expandi-lo em três frentes: ampliar o número de beneficiados, aumentar a fiscalização e gerar empregos, por meio do crescimento econômico, que seriam a porta de saída do programa".
Educação
O presidente discorreu com desenvoltura ao responder sobre a educação, enfatizando o Fundeb (Fundo para a Educação Básica), que está parado a um ano e meio no Congresso e, quando aprovado, vai destinar R$ 5 bilhões para o setor.
Os jornalistas apontaram apenas 23% das escolas públicas brasileiras com biblioteca, 10% com acesso à Internet e que somente 45% dos professores têm ensino superior completo.
"Este não é um quadro desolador?", perguntou Pelajo. “É”, respondeu Lula, ressaltando que esse quadro resulta dos 500 anos anteriores a seu mandato.
Na seqüência enumerou as ações em andamento e destacou a ampliação da Universidade Aberta, que estará presente em 80% dos municípios brasileiros, com a função de aprimorar a formação dos professores.
O presidente também informou que seu governo passou a mensurar a qualidade da educação com o Prova Brasil, testes para alunos da 4ª e da 8ª séries, em 41 mil escolas, ao contrário do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando apenas cerca de 6 mil escolas aplicavam os testes, e só para alunos da 4ª série.
Lula comentou que o único Estado que se recusou a participar da prova foi São Paulo. “Talvez temendo revelar que, embora sendo o Estado mais rico, não liderava o ranking da educação", disse Lula, que completou: "Depois o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) veio mostrar que São Paulo está na oitava posição no país", disse.
31/08/2006 - 03:32
quarta-feira, agosto 30, 2006
Programa de Governo prioriza crescimento com distribuição de renda
O segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá a marca do crescimento econômico com distribuição de renda. O Programa de Governo para os próximos quatro anos (2007-2010), organizado em seis eixos de ação, foi divulgado nesta terça-feira (29) pelo presidente, numa cerimônia em São Paulo. Para fazer o download, clique aqui.
Lula considera que no primeiro mandato foram criadas as condições para que o país cresça de forma sustentada durante vários anos. Para dar continuidade ao crescimento, o programa prevê a execução ou conclusão de grandes obras de infra-estrutura em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.
Na área social serão ampliados os benefícios do Programa Bolsa-Família, e será dada continuidade à política de aumentos reais para o salário mínimo.
"O segundo mandato do Governo Lula continuará avançando na erradicação da fome, manterá e ampliará as bem-sucedidas políticas sociais até agora implementadas no programa Fome Zero, especialmente o Bolsa-Família", diz o texto do programa.
A reforma política terá tratamento preferencial no próximo mandato, especialmente quanto ao financiamento de campanhas eleitorais e da fidelidade partidária.
Na área da Segurança Pública, o presidente pretende fortalecer a vigilância nas fronteiras e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública, com a interligação dos órgãos repressores nas esferas federal, estadual e municipal.
Saúde e Educação continuarão tendo especial atenção no segundo mandato. Para isso, Lula quer universalizar o ensino fundamental de nove anos e estabelecer, em parceria com o Congresso, um piso salarial para professores.
Na introdução do documento, de 30 páginas, a coligação PT, PCdoB e PRB, responsável pela elaboração do programa, faz um breve relato da situação encontrada no país em 2002 e critica duramente o que chamou de "herança negativa" deixada pelo governo passado.
As políticas implementadas pela coligação PSDB-PFL, diz o texto, frearam o crescimento, concentraram renda e riqueza, debilitaram o Estado, generalizaram a corrupção.
No texto, a coligação reconhece que, apesar dos avanços obtidos no primeiro mandato, ainda há um longo caminho pela frente e, por isso, defende a reeleição do presidente:
"A reeleição de Lula é a garantia de que não haverá retrocesso, de que a transição para um novo Brasil não terá seu curso interrompido. É certeza também de que as mudanças se farão com o fortalecimento da democracia e a renovação da cultura política do país".
O Programa de Governo ainda contesta a tese neoliberal de que o aumento dos gastos sociais prejudica as contas do país.
"A direita vê esses investimentos sociais (Bolsa Família), assim como o aumento do salário mínimo acima de inflação, como ameaças ao equilíbrio fiscal, tese que foi desmentida pela realidade nos últimos três anos. O projeto da oposição é o de voltar à era FHC, com redução dos investimentos sociais e retomada das privatizações", diz o documento.
Ainda na busca de consolidar o crescimento econômico, o plano de governo de Lula promete aprofundar a redução da taxa de juros, aproximando-a daquela praticada nos países em desenvolvimento.
Essa redução permitiria ao país elevar para a casa dos atuais 20% para 25% a taxa interna de investimentos no setor produtivo. O presidente se compromete em dar continuidade ao Plano Nacional de Reforma Agrária, mantendo a prioridade de implantar assentamentos com qualidade e recuperar os assentamentos existentes.
No caminho do desenvolvimento de longo prazo, o programa lista como prioritária a construção do Pólo Petroquímico e a Siderúrgica do Rio de Janeiro, além da construção do Gasoduto (Gasfor), responsável pelo fornecimento de gás à Siderúrgica do Ceará.
São obras prioritárias na infra-estrutura, entre outras: a continuidade da duplicação da BR-101 Sul, BR-101 Nordeste (com ampliação do trecho em direção à Bahia), construção da BR-163 no Pará, da BR-158 no Mato Grosso, da BR-364 no Acre, duplicação da BR-153 em Goiás e Minas Gerais, e da BR-040 em Minas Gerais.
O programa também prevê a conclusão das obras de recuperação e ampliação de outros eixos estruturais de escoamento de carga e passageiros, como as BR-153/010 (Belém-Brasília), BR-163 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, BR-116 entre Bahia e Minas Gerais, além da construção do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro.
O governo também vai licitar a concessão para o início da construção das hidroelétricas de Rio Madeira e Belo Monte.
Assim como aconteceu no primeiro mandato, o segundo governo do presidente Lula vai aperfeiçoar e fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde), que terá mais controle social.
A meta é identificar as necessidades da população, o atendimento ao interesse público e o combate à corrupção. O cartão SUS será universalizado e pretende ser o carro-chefe da informatização e do acesso aos atendimentos.
Ainda na saúde, serão criados Centros de Atendimentos Especializados de média complexidade, para assegurar o tratamento completo dos usuários do SUS.
Estes Centros poderão realizar consultas especializadas, exames, serviços de reabilitação com fornecimento de órteses e próteses, pequenas urgências e cirurgias eletivas que não necessitam de hospitais ou pronto-socorros e distribuição de medicamentos excepcionais.
O Programa Fome Zero continuará avançando, aprimorando a Bolsa Família e as demais iniciativas que ampliam o acesso dos mais pobres à alimentação, como os programas de alimentação escolar, aquisição de alimentos, restaurantes populares, entre outros.
O Fome Zero também continuará articulando ações estruturantes, como a reforma agrária, a agricultura familiar e os programas de geração de emprego e renda, educação alimentar, em uma política integrada.
Lula considera que no primeiro mandato foram criadas as condições para que o país cresça de forma sustentada durante vários anos. Para dar continuidade ao crescimento, o programa prevê a execução ou conclusão de grandes obras de infra-estrutura em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.
Na área social serão ampliados os benefícios do Programa Bolsa-Família, e será dada continuidade à política de aumentos reais para o salário mínimo.
"O segundo mandato do Governo Lula continuará avançando na erradicação da fome, manterá e ampliará as bem-sucedidas políticas sociais até agora implementadas no programa Fome Zero, especialmente o Bolsa-Família", diz o texto do programa.
A reforma política terá tratamento preferencial no próximo mandato, especialmente quanto ao financiamento de campanhas eleitorais e da fidelidade partidária.
Na área da Segurança Pública, o presidente pretende fortalecer a vigilância nas fronteiras e consolidar o Sistema Único de Segurança Pública, com a interligação dos órgãos repressores nas esferas federal, estadual e municipal.
Saúde e Educação continuarão tendo especial atenção no segundo mandato. Para isso, Lula quer universalizar o ensino fundamental de nove anos e estabelecer, em parceria com o Congresso, um piso salarial para professores.
Na introdução do documento, de 30 páginas, a coligação PT, PCdoB e PRB, responsável pela elaboração do programa, faz um breve relato da situação encontrada no país em 2002 e critica duramente o que chamou de "herança negativa" deixada pelo governo passado.
As políticas implementadas pela coligação PSDB-PFL, diz o texto, frearam o crescimento, concentraram renda e riqueza, debilitaram o Estado, generalizaram a corrupção.
No texto, a coligação reconhece que, apesar dos avanços obtidos no primeiro mandato, ainda há um longo caminho pela frente e, por isso, defende a reeleição do presidente:
"A reeleição de Lula é a garantia de que não haverá retrocesso, de que a transição para um novo Brasil não terá seu curso interrompido. É certeza também de que as mudanças se farão com o fortalecimento da democracia e a renovação da cultura política do país".
O Programa de Governo ainda contesta a tese neoliberal de que o aumento dos gastos sociais prejudica as contas do país.
"A direita vê esses investimentos sociais (Bolsa Família), assim como o aumento do salário mínimo acima de inflação, como ameaças ao equilíbrio fiscal, tese que foi desmentida pela realidade nos últimos três anos. O projeto da oposição é o de voltar à era FHC, com redução dos investimentos sociais e retomada das privatizações", diz o documento.
Ainda na busca de consolidar o crescimento econômico, o plano de governo de Lula promete aprofundar a redução da taxa de juros, aproximando-a daquela praticada nos países em desenvolvimento.
Essa redução permitiria ao país elevar para a casa dos atuais 20% para 25% a taxa interna de investimentos no setor produtivo. O presidente se compromete em dar continuidade ao Plano Nacional de Reforma Agrária, mantendo a prioridade de implantar assentamentos com qualidade e recuperar os assentamentos existentes.
No caminho do desenvolvimento de longo prazo, o programa lista como prioritária a construção do Pólo Petroquímico e a Siderúrgica do Rio de Janeiro, além da construção do Gasoduto (Gasfor), responsável pelo fornecimento de gás à Siderúrgica do Ceará.
São obras prioritárias na infra-estrutura, entre outras: a continuidade da duplicação da BR-101 Sul, BR-101 Nordeste (com ampliação do trecho em direção à Bahia), construção da BR-163 no Pará, da BR-158 no Mato Grosso, da BR-364 no Acre, duplicação da BR-153 em Goiás e Minas Gerais, e da BR-040 em Minas Gerais.
O programa também prevê a conclusão das obras de recuperação e ampliação de outros eixos estruturais de escoamento de carga e passageiros, como as BR-153/010 (Belém-Brasília), BR-163 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, BR-116 entre Bahia e Minas Gerais, além da construção do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro.
O governo também vai licitar a concessão para o início da construção das hidroelétricas de Rio Madeira e Belo Monte.
Assim como aconteceu no primeiro mandato, o segundo governo do presidente Lula vai aperfeiçoar e fortalecer o SUS (Sistema Único de Saúde), que terá mais controle social.
A meta é identificar as necessidades da população, o atendimento ao interesse público e o combate à corrupção. O cartão SUS será universalizado e pretende ser o carro-chefe da informatização e do acesso aos atendimentos.
Ainda na saúde, serão criados Centros de Atendimentos Especializados de média complexidade, para assegurar o tratamento completo dos usuários do SUS.
Estes Centros poderão realizar consultas especializadas, exames, serviços de reabilitação com fornecimento de órteses e próteses, pequenas urgências e cirurgias eletivas que não necessitam de hospitais ou pronto-socorros e distribuição de medicamentos excepcionais.
O Programa Fome Zero continuará avançando, aprimorando a Bolsa Família e as demais iniciativas que ampliam o acesso dos mais pobres à alimentação, como os programas de alimentação escolar, aquisição de alimentos, restaurantes populares, entre outros.
O Fome Zero também continuará articulando ações estruturantes, como a reforma agrária, a agricultura familiar e os programas de geração de emprego e renda, educação alimentar, em uma política integrada.
terça-feira, agosto 29, 2006
Novas pesquisas confirmam Lula no 1º turno!
Se as eleições fossem hoje, Lula teria 49% dos votos, contra 22% de Geraldo Alckmin e 9% de Heloísa Helena, de acordo com levantamento do Ibope encomendado pelo jornal O Estado de S.Paulo e publicado na edição deste domingo, dia 27. Em relação ao levantamento anterior (15 a 17 de agosto), Lula subiu dois pontos, Alckmin subiu um e Heloísa desceu três.
Pesquisa estimulada CNT/Sensus divulgada hoje, dia 29, aponta novo crescimento das intenções de voto no presidente Lula, que venceria no primeiro turno com 62,4% dos votos válidos. Na intenção declarada de voto, Lula subiu de 47,9% (início de agosto) para 51,4% na sondagem realizada entre os últimos dias 22 e 25. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, permaneceu estagnado. Tinha 19,7% e foi para 19,6%. A pesquisa também aponta o menor nível de rejeição de Lula desde o período pré-eleitoral de 2005 até agora: 25,5% dos entrevistados afirmam que não votariam no presidente; em relação ao candidato Alckmin, este total é de 42%. Esta é a primeira pesquisa CNT/Sensus realizada após o início da veiculação dos programas no horário eleitoral gratuito.
Já a pesquisa Datafolha realizada hoje e divulgada agorinha no Jornal Nacional confirma a preferência por Lula, que aparece com 50% das intenções de voto contra 27% de Alckmin.
Pesquisa estimulada CNT/Sensus divulgada hoje, dia 29, aponta novo crescimento das intenções de voto no presidente Lula, que venceria no primeiro turno com 62,4% dos votos válidos. Na intenção declarada de voto, Lula subiu de 47,9% (início de agosto) para 51,4% na sondagem realizada entre os últimos dias 22 e 25. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, permaneceu estagnado. Tinha 19,7% e foi para 19,6%. A pesquisa também aponta o menor nível de rejeição de Lula desde o período pré-eleitoral de 2005 até agora: 25,5% dos entrevistados afirmam que não votariam no presidente; em relação ao candidato Alckmin, este total é de 42%. Esta é a primeira pesquisa CNT/Sensus realizada após o início da veiculação dos programas no horário eleitoral gratuito.
Já a pesquisa Datafolha realizada hoje e divulgada agorinha no Jornal Nacional confirma a preferência por Lula, que aparece com 50% das intenções de voto contra 27% de Alckmin.
Marco Aurélio Mello: um juiz e vários receios
O presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, pediu que o povo não vote em candidato envolvido em escândalo e atacou a proposta de Constituinte. Estamos diante de algo inédito na história republicana do país. Uma campanha aberta por juízos de valor de quem deveria primar pela isenção.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, não é uma criação de Luiggi Pirandello, mas seus últimos pronunciamentos deixam no ar a impressão de se tratar de um personagem à procura de autor, embora com roteiro definido.
A ação política teatralizada em nada contribui para o aperfeiçoamento democrático. Revela tão somente a politização do Judiciário, colocando em risco o princípio da separação dos poderes públicos no Brasil. O que Mello tem dito destoa do papel constitucional conferido ao TSE. A esta instância cabe apenas o papel de zelar pela lisura do pleito. Qualquer tentativa de se auto-investir como "lócus da consciência da cidadã" pode reduzir o princípio de independência dos poderes republicanos a uma dimensão meramente nominal.
Marco Aurélio Mello tende a ver a si próprio como portador de uma missão social. Um "juiz militante" propenso a julgar demandas e se pronunciar orientado por configurações conjunturais e tendências ideológicas. A mídia, em última instância, é a tribuna requerida para suas ações espetaculares.
Quem viu o pronunciamento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral abrindo oficialmente a campanha assistiu à fala de um cidadão engajado. Tão contundente quanto normativo. Um juiz que solicita aos eleitores que faça dos recortes midiáticos a base de suas escolhas precisa ser examinado atentamente. Ao afirmar que "parlamentares envolvidos em escândalos não são dignos de respeito e muito menos de voto", descrevendo a atual crise "como um verdadeiro escárnio", Mello se esqueceu de um aspecto central do direito moderno. Como nenhum deputado foi punido por decisão judicial transitada em julgado, ele ignorou, em sua peroração judicativa, um princípio elementar do Estado democrático: o direito ao contraditório.
Como orador que busca formatar o senso comum de acordo com os interesses defendidos por uma das partes envolvidas no pleito, beirou à perfeição. Conseguiu o enquadramento adequado à estratégia discursiva do moralismo vazio da direita. Se cálculos políticos embutem uma matriz narrativa, as semelhanças entre suas palavras e o campo semântico da oposição são de valor pedagógico inestimável. Poucas vezes a Justiça brasileira veio a público sem qualquer veleidade de ocultar sua natureza de aparelho ideológico.
"Observe a situação de hoje a exigir de todos nós muita responsabilidade. Sim, devemos exercer a cidadania com os olhos voltados à preocupação com o bem-estar geral, com o patrimônio público". Como ler esta “orientação” ao eleitor? No bombardeio midiático a que temos assistido, ela não opera no vácuo. Elege temas e molda sentidos. Se sobra alguma dúvida quanto a tomada de posição, a crítica à proposta de um dos candidatos a dissolve inteiramente. Marco Aurélio não se esqueceu de atacar a proposta de Constituinte, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Já se falou em Constituinte. Para quê? Vamos amar um pouco a constituição moderna. Em sua opinião, o Brasil não precisa de mais leis”, mas de homens públicos e de cidadãos que se envergonhem de atos de corrupção”.
Estamos diante de algo inédito na história republicana do país. Uma campanha aberta por juízos de valor de quem deveria primar pela isenção. É muito preocupante para passar despercebido. A instrumentalização político-partidária do campo jurídico embute receios que vão das dúvidas quanto aos critérios que serão utilizados nas demandas dos concorrentes a uma eventual utilização do arcabouço legal para consecução de golpismos brancos. Pisamos no pantanoso terreno das suposições. Mas não há como negar que o cenário se vislumbra assustador
Como ignorar as afirmações abaixo?
"Os fatos que condenem os candidatos devem ser levados em consideração pelo eleitorado mesmo que não tenham sido condenados pela Justiça. Pouco importa a existência ou não da decisão condenatória";
"Gostaria de aplicar o Código de Defesa do Consumidor contra a propaganda enganosa. Isso sempre ocorrerá, mas nós não somos ingênuos”.
São trechos que falam por si. No primeiro, a Justiça é tratada como penduricalho de menor importância. No segundo, a cidadania se desloca para o campo do consumo, e é na esfera de circulação de mercadorias que Mello a vê. Nesse contexto, cabe a indagação: quem fiscalizará o TSE?
Por Gilson Caroni Filho, www.cartamaior.com.br
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, não é uma criação de Luiggi Pirandello, mas seus últimos pronunciamentos deixam no ar a impressão de se tratar de um personagem à procura de autor, embora com roteiro definido.
A ação política teatralizada em nada contribui para o aperfeiçoamento democrático. Revela tão somente a politização do Judiciário, colocando em risco o princípio da separação dos poderes públicos no Brasil. O que Mello tem dito destoa do papel constitucional conferido ao TSE. A esta instância cabe apenas o papel de zelar pela lisura do pleito. Qualquer tentativa de se auto-investir como "lócus da consciência da cidadã" pode reduzir o princípio de independência dos poderes republicanos a uma dimensão meramente nominal.
Marco Aurélio Mello tende a ver a si próprio como portador de uma missão social. Um "juiz militante" propenso a julgar demandas e se pronunciar orientado por configurações conjunturais e tendências ideológicas. A mídia, em última instância, é a tribuna requerida para suas ações espetaculares.
Quem viu o pronunciamento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral abrindo oficialmente a campanha assistiu à fala de um cidadão engajado. Tão contundente quanto normativo. Um juiz que solicita aos eleitores que faça dos recortes midiáticos a base de suas escolhas precisa ser examinado atentamente. Ao afirmar que "parlamentares envolvidos em escândalos não são dignos de respeito e muito menos de voto", descrevendo a atual crise "como um verdadeiro escárnio", Mello se esqueceu de um aspecto central do direito moderno. Como nenhum deputado foi punido por decisão judicial transitada em julgado, ele ignorou, em sua peroração judicativa, um princípio elementar do Estado democrático: o direito ao contraditório.
Como orador que busca formatar o senso comum de acordo com os interesses defendidos por uma das partes envolvidas no pleito, beirou à perfeição. Conseguiu o enquadramento adequado à estratégia discursiva do moralismo vazio da direita. Se cálculos políticos embutem uma matriz narrativa, as semelhanças entre suas palavras e o campo semântico da oposição são de valor pedagógico inestimável. Poucas vezes a Justiça brasileira veio a público sem qualquer veleidade de ocultar sua natureza de aparelho ideológico.
"Observe a situação de hoje a exigir de todos nós muita responsabilidade. Sim, devemos exercer a cidadania com os olhos voltados à preocupação com o bem-estar geral, com o patrimônio público". Como ler esta “orientação” ao eleitor? No bombardeio midiático a que temos assistido, ela não opera no vácuo. Elege temas e molda sentidos. Se sobra alguma dúvida quanto a tomada de posição, a crítica à proposta de um dos candidatos a dissolve inteiramente. Marco Aurélio não se esqueceu de atacar a proposta de Constituinte, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Já se falou em Constituinte. Para quê? Vamos amar um pouco a constituição moderna. Em sua opinião, o Brasil não precisa de mais leis”, mas de homens públicos e de cidadãos que se envergonhem de atos de corrupção”.
Estamos diante de algo inédito na história republicana do país. Uma campanha aberta por juízos de valor de quem deveria primar pela isenção. É muito preocupante para passar despercebido. A instrumentalização político-partidária do campo jurídico embute receios que vão das dúvidas quanto aos critérios que serão utilizados nas demandas dos concorrentes a uma eventual utilização do arcabouço legal para consecução de golpismos brancos. Pisamos no pantanoso terreno das suposições. Mas não há como negar que o cenário se vislumbra assustador
Como ignorar as afirmações abaixo?
"Os fatos que condenem os candidatos devem ser levados em consideração pelo eleitorado mesmo que não tenham sido condenados pela Justiça. Pouco importa a existência ou não da decisão condenatória";
"Gostaria de aplicar o Código de Defesa do Consumidor contra a propaganda enganosa. Isso sempre ocorrerá, mas nós não somos ingênuos”.
São trechos que falam por si. No primeiro, a Justiça é tratada como penduricalho de menor importância. No segundo, a cidadania se desloca para o campo do consumo, e é na esfera de circulação de mercadorias que Mello a vê. Nesse contexto, cabe a indagação: quem fiscalizará o TSE?
Por Gilson Caroni Filho, www.cartamaior.com.br
segunda-feira, agosto 28, 2006
Crise no Ceará: tucano diz que não deixará de usar imagens de Lula
Após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), não descartou a possibilidade de usar imagens da reunião em suas propagandas de campanha por reeleição. "Já coloquei o presidente uma vez, colocar agora ou não, não vai fazer diferença", disse.
Questionado se Lula é um bom puxador de votos, o governador respondeu apenas para os jornalistas olharem as pesquisas. Sobre a possibilidade de ser chamado de traidor pelo tucanato, Lúcio disse, sem citar nomes, que "se existe algum traidor, não sou eu".
Na semana passada, o governador cearense provocou polêmica ao usar imagens do presidente Lula em seu programa eleitoral.
O governador cearense alegou ainda que ele é do PSDB, e que o candidato de seu partido é o Geraldo Alckmin e, por isso, o apoiará. Lúcio afirmou também que o ex-governador de São Paulo sempre foi e será bem recebido em suas visitas ao Ceará, dando o exemplo da visita de Lu Alckmin na semana passada.
Segundo Lúcio Alcântara, o encontro com o presidente Lula desta segunda-feira foi apenas institucional, para tratar de obras no Estado. Apesar disso, no entanto, o visitante não soube precisar valores sobre as mesmas. "O encontro foi institucional e administrativo. Eu que pedi o encontro", afirmou.
"O que eu quero mostrar é que é possível administrar bem, mesmo quando há uma política de partidos diferentes, através de parcerias", completou o governador.
Terra.com.br
Questionado se Lula é um bom puxador de votos, o governador respondeu apenas para os jornalistas olharem as pesquisas. Sobre a possibilidade de ser chamado de traidor pelo tucanato, Lúcio disse, sem citar nomes, que "se existe algum traidor, não sou eu".
Na semana passada, o governador cearense provocou polêmica ao usar imagens do presidente Lula em seu programa eleitoral.
O governador cearense alegou ainda que ele é do PSDB, e que o candidato de seu partido é o Geraldo Alckmin e, por isso, o apoiará. Lúcio afirmou também que o ex-governador de São Paulo sempre foi e será bem recebido em suas visitas ao Ceará, dando o exemplo da visita de Lu Alckmin na semana passada.
Segundo Lúcio Alcântara, o encontro com o presidente Lula desta segunda-feira foi apenas institucional, para tratar de obras no Estado. Apesar disso, no entanto, o visitante não soube precisar valores sobre as mesmas. "O encontro foi institucional e administrativo. Eu que pedi o encontro", afirmou.
"O que eu quero mostrar é que é possível administrar bem, mesmo quando há uma política de partidos diferentes, através de parcerias", completou o governador.
Terra.com.br
domingo, agosto 27, 2006
Lacerdismo, doença senil do tucanismo
A Folha de S. Paulo, supostamente porta-voz da ala progressista do tucanato, publicou hoje (24/08) dois artigos criticando a reeleição de Lula.
Um dos artigos é assinado por Otávio Frias Filho, um dos proprietários da Folha. Intitulado "Anistia para Lula", o artigo diz ser "evidente que a decisão do eleitor será soberana (...) Mas se o veredicto for esse [a eleição de Lula], dispensando o segundo turno, a afoiteza do eleitor terá prejudicado a qualidade democrática desta eleição".
E por qual motivo o eleitor estaria sendo "afoito"? Porque, segundo Frias, a eleição no primeiro turno impede o debate programático, que "só existe (...) no segundo turno".
Ao contrário do que diz Frias, o "debate programático" vem acontecendo há muitos anos e se acentuou durante o governo Lula. A Folha sempre teve lado neste debate, o lado dos tucanos. Já a maioria do povo brasileiro está, hoje, do outro lado.
Frias e a maioria dos colunistas políticos não se conformam com isto e apelam para a desqualificação do povo, do voto e dos motivos que explicam o apoio da maioria do eleitorado para Lula.
Frias reconhece que "a população mais carente tem boas razões para estar satisfeita". É exatamente a partir desta experiência, mas também da experiência dos últimos 26 anos (pelo menos), que o povo brasileiro vem participando e tomando partido no debate programático sobre os rumos do país.
É claro que para o diretor de redação da Folha, a experiência vivida pelo povo, a partir do qual vem formando sua opinião política, está longe do rigor exigido de um "debate programático". É por razões semelhantes que Marco Antonio Rocha, colunista de O Estado de S. Paulo, afirmou que "até agora, e até onde é do conhecimento do comum dos mortais, não ficou nada clara qual é, de fato, a diferença entre os principais candidatos a presidente da República".
Não ficou clara para quem, cara pálida?
A impressão que passa é que Rocha e Frias, como estão perdendo a eleição e também o debate programático, começam a apelar para uma espécie de autismo intelectual: "Lula não apresentou seu programa até agora", "nenhum dos presidenciáveis têm programa", "todos os programas são iguais".
Frias chega a dizer que Lula, "no governo, traiu quase todas as idéias-feitas que pregava nas duas décadas anteriores". Suponhamos que isto fosse verdade e que Lula estaria parodiando o FHC do "esqueçam o que eu escrevi". Por qual motivo, então, toda a direita, o grande capital e os grandes meios de comunicação apoiaram a reeleição de FHC, enquanto hoje estão na sua esmagadora maioria contra a reeleição de Lula?
É evidente que, por mais que possam ter havido modificações (e elas ocorreram) nas posições de Lula e do PT, isso não alterou as posições básicas (de classe, políticas, ideológicas) que ambos ocupam na sociedade brasileira, em contraposição a partidos como o PSDB e PFL.
O preocupante, na argumentação de Frias, é que a lógica de seus argumentos o conduz para o golpismo. Vejamos o que ele diz: a "reeleição do atual presidente, se de fato ocorrer", terá um "significado sinistro", pois "a mais alta corte do país, o próprio povo, terá anistiado o escândalo do mensalão".
O cenário pós-vitória de Lula é resumido assim por Frias: "um presidente macunaímico, que se orgulha da própria falta de estudo, seria reconduzido sem trauma nem esforço. O partido que lhe serviu de alavanca, o PT, pode não sair destroçado das urnas, mas será um fantasma do que já foi. Políticos sem doutrina, a maioria, farão fila para apoiar um chefe de governo novamente forte".
Neste contexto, Frias acredita que a proposta de Constituinte para fazer uma reforma política poderia resultar na prorrogação do mandato de Lula, no direito à uma nova reeleição e - palavras de Frias - na determinação de que só poderiam concorrer candidatos "progressistas".
Trata-se de algo tão delirante, que Frias mesmo reconhece que "estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar".
Outro que resolveu "alertar os incautos" é Augusto de Franco, que foi coordenador-geral do Primeiro Congresso do PT (1991) e depois virou tucano de carteirinha.
Segundo este senhor, em artigo igualmente publicado na Folha de S. Paulo de 24 de agosto, "se a reeleição vier, ela (...) será o passo inicial para uma tentativa de mudança autoritária das regras do jogo político (...) as bases de uma hegemonia neopopulista de longa duração no país". Mais: "se consagrado pelas urnas com votação expressiva, Lula e sua tropa atropelarão aliados, adversários e instituições, falando diretamente para as massas".
Entretanto, diz Augusto de Franco, para que se possa consumar a "mudança autoritária das regras do jogo", "algumas coisas 'extraordinárias' deverão acontecer": "a descoberta de corrupção em larga escala nos Parlamentos e as ações terroristas praticadas pelo PCC", fatos "que deverão ser 'produzidos' para causar uma certa comoção na opinião pública, manipulando-a para levá-la a aceitar a adoção daquelas medidas regressivas capazes de permitir a implantação da fórmula lulista".
Leiam novamente: este senhor acusa o PT de conspiração. A nós interessaria "produzir" as ações do PCC e inclusive a "descoberta" de corrupção em larga escala nos Parlamentos, para assim desmoralizar as instituições e implantar o medo na sociedade!!!
Augusto encerra seu artigo dizendo que "a despeito do fato de essa fórmula já estar sendo parcialmente implementada, transformando 2006 em uma ante-sala de 2010 (...) é claro que ela pode não dar certo, sobretudo se encontrar resistência. Mas a insistência em aplicá-la levará o Brasil a uma crise institucional sem precedentes".
Para bom entendedor, meia-palavra basta: tanto Frias quanto Franco estão apresentando argumentos que, se forem tomados a sério, justificariam o golpismo contra Lula. Afinal, seria um governo que conspira contra a democracia.
Para os que acham que esta conclusão é exagerada, lembro das recentes declarações de FHC, que lamentou não existir no Brasil de hoje alguém como Carlos Lacerda, "com capacidade de dramatizar e cobrar", "alguém que dê nome aos bois e arrisque".
Vamos atender ao pedido de FHC e dar nome aos bois: Carlos Lacerda foi um golpista. Aliás, sua trajetória lembra em parte a de Fernando Henrique: ambos foram de esquerda, passaram para a direita e tornaram-se golpistas. A diferença é que FHC, até agora pelo menos, só fala. Lacerda agia. Ajudou a dar o golpe contra Vargas, em 1954; trabalhou pelo golpe contra JK, em 1955; e ajudou a dar o golpe contra Jango, em 1964.
Quem quiser conhecer em detalhes a biografia de Carlos Lacerda, clique aqui.
Lacerda era muito conhecido por suas frases de efeito. Em 1955, disse na televisão que "Juscelino não será candidato; se for candidato, não será eleito; se for eleito, não tomará posse; se tomar posse, não governará". A UDN, partido de Lacerda, tentou impugnar a vitória de JK nas eleições de 1955, usando como argumento que Juscelino recebera o voto dos comunistas.
Por "coincidência", já há tucanos e pefelistas importantes questionando a legitimidade da vitória de Lula, utilizando como argumento qualquer coisa: sua ausência no debate da Bandeirantes, denúncias de corrupção e até mesmo seu apoio nos setores populares, que seria produto de "ações populistas" de governo.
FHC e Frias se deixam trair pelas palavras. O primeiro confessou que está buscando alguém que "arrisque" uma atitude golpista. O segundo diz que a reeleição de Lula seria "sinistra", palavra que em italiano quer dizer exatamente "esquerda".
Este é o problema da direita brasileira: sua alma golpista não se conforma que a esquerda governe o Brasil. Muito menos que consolide uma "hegemonia de longa duração".
É exatamente isto que está em jogo, não apenas na reeleição de Lula, mas principalmente no curso do segundo mandato: a constituição das bases institucionais, sociais, econômicas, políticas e culturais de uma hegemonia democrática e popular de longa duração. Que passa pela disputa dos chamados "setores médios" e pela constituição de uma "opinião pública" de esquerda.
Um pedaço da direita brasileira acredita que uma derrota em 2006, especialmente se acontecer já no primeiro turno, pode ser a ante-sala de uma nova derrota em 2010. Daí a tentação e a retórica golpista. Com o perdão da blague, ainda "estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar". Especialmente num dia 24 de agosto, data do suicídio de Getúlio.
(Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT)
Um dos artigos é assinado por Otávio Frias Filho, um dos proprietários da Folha. Intitulado "Anistia para Lula", o artigo diz ser "evidente que a decisão do eleitor será soberana (...) Mas se o veredicto for esse [a eleição de Lula], dispensando o segundo turno, a afoiteza do eleitor terá prejudicado a qualidade democrática desta eleição".
E por qual motivo o eleitor estaria sendo "afoito"? Porque, segundo Frias, a eleição no primeiro turno impede o debate programático, que "só existe (...) no segundo turno".
Ao contrário do que diz Frias, o "debate programático" vem acontecendo há muitos anos e se acentuou durante o governo Lula. A Folha sempre teve lado neste debate, o lado dos tucanos. Já a maioria do povo brasileiro está, hoje, do outro lado.
Frias e a maioria dos colunistas políticos não se conformam com isto e apelam para a desqualificação do povo, do voto e dos motivos que explicam o apoio da maioria do eleitorado para Lula.
Frias reconhece que "a população mais carente tem boas razões para estar satisfeita". É exatamente a partir desta experiência, mas também da experiência dos últimos 26 anos (pelo menos), que o povo brasileiro vem participando e tomando partido no debate programático sobre os rumos do país.
É claro que para o diretor de redação da Folha, a experiência vivida pelo povo, a partir do qual vem formando sua opinião política, está longe do rigor exigido de um "debate programático". É por razões semelhantes que Marco Antonio Rocha, colunista de O Estado de S. Paulo, afirmou que "até agora, e até onde é do conhecimento do comum dos mortais, não ficou nada clara qual é, de fato, a diferença entre os principais candidatos a presidente da República".
Não ficou clara para quem, cara pálida?
A impressão que passa é que Rocha e Frias, como estão perdendo a eleição e também o debate programático, começam a apelar para uma espécie de autismo intelectual: "Lula não apresentou seu programa até agora", "nenhum dos presidenciáveis têm programa", "todos os programas são iguais".
Frias chega a dizer que Lula, "no governo, traiu quase todas as idéias-feitas que pregava nas duas décadas anteriores". Suponhamos que isto fosse verdade e que Lula estaria parodiando o FHC do "esqueçam o que eu escrevi". Por qual motivo, então, toda a direita, o grande capital e os grandes meios de comunicação apoiaram a reeleição de FHC, enquanto hoje estão na sua esmagadora maioria contra a reeleição de Lula?
É evidente que, por mais que possam ter havido modificações (e elas ocorreram) nas posições de Lula e do PT, isso não alterou as posições básicas (de classe, políticas, ideológicas) que ambos ocupam na sociedade brasileira, em contraposição a partidos como o PSDB e PFL.
O preocupante, na argumentação de Frias, é que a lógica de seus argumentos o conduz para o golpismo. Vejamos o que ele diz: a "reeleição do atual presidente, se de fato ocorrer", terá um "significado sinistro", pois "a mais alta corte do país, o próprio povo, terá anistiado o escândalo do mensalão".
O cenário pós-vitória de Lula é resumido assim por Frias: "um presidente macunaímico, que se orgulha da própria falta de estudo, seria reconduzido sem trauma nem esforço. O partido que lhe serviu de alavanca, o PT, pode não sair destroçado das urnas, mas será um fantasma do que já foi. Políticos sem doutrina, a maioria, farão fila para apoiar um chefe de governo novamente forte".
Neste contexto, Frias acredita que a proposta de Constituinte para fazer uma reforma política poderia resultar na prorrogação do mandato de Lula, no direito à uma nova reeleição e - palavras de Frias - na determinação de que só poderiam concorrer candidatos "progressistas".
Trata-se de algo tão delirante, que Frias mesmo reconhece que "estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar".
Outro que resolveu "alertar os incautos" é Augusto de Franco, que foi coordenador-geral do Primeiro Congresso do PT (1991) e depois virou tucano de carteirinha.
Segundo este senhor, em artigo igualmente publicado na Folha de S. Paulo de 24 de agosto, "se a reeleição vier, ela (...) será o passo inicial para uma tentativa de mudança autoritária das regras do jogo político (...) as bases de uma hegemonia neopopulista de longa duração no país". Mais: "se consagrado pelas urnas com votação expressiva, Lula e sua tropa atropelarão aliados, adversários e instituições, falando diretamente para as massas".
Entretanto, diz Augusto de Franco, para que se possa consumar a "mudança autoritária das regras do jogo", "algumas coisas 'extraordinárias' deverão acontecer": "a descoberta de corrupção em larga escala nos Parlamentos e as ações terroristas praticadas pelo PCC", fatos "que deverão ser 'produzidos' para causar uma certa comoção na opinião pública, manipulando-a para levá-la a aceitar a adoção daquelas medidas regressivas capazes de permitir a implantação da fórmula lulista".
Leiam novamente: este senhor acusa o PT de conspiração. A nós interessaria "produzir" as ações do PCC e inclusive a "descoberta" de corrupção em larga escala nos Parlamentos, para assim desmoralizar as instituições e implantar o medo na sociedade!!!
Augusto encerra seu artigo dizendo que "a despeito do fato de essa fórmula já estar sendo parcialmente implementada, transformando 2006 em uma ante-sala de 2010 (...) é claro que ela pode não dar certo, sobretudo se encontrar resistência. Mas a insistência em aplicá-la levará o Brasil a uma crise institucional sem precedentes".
Para bom entendedor, meia-palavra basta: tanto Frias quanto Franco estão apresentando argumentos que, se forem tomados a sério, justificariam o golpismo contra Lula. Afinal, seria um governo que conspira contra a democracia.
Para os que acham que esta conclusão é exagerada, lembro das recentes declarações de FHC, que lamentou não existir no Brasil de hoje alguém como Carlos Lacerda, "com capacidade de dramatizar e cobrar", "alguém que dê nome aos bois e arrisque".
Vamos atender ao pedido de FHC e dar nome aos bois: Carlos Lacerda foi um golpista. Aliás, sua trajetória lembra em parte a de Fernando Henrique: ambos foram de esquerda, passaram para a direita e tornaram-se golpistas. A diferença é que FHC, até agora pelo menos, só fala. Lacerda agia. Ajudou a dar o golpe contra Vargas, em 1954; trabalhou pelo golpe contra JK, em 1955; e ajudou a dar o golpe contra Jango, em 1964.
Quem quiser conhecer em detalhes a biografia de Carlos Lacerda, clique aqui.
Lacerda era muito conhecido por suas frases de efeito. Em 1955, disse na televisão que "Juscelino não será candidato; se for candidato, não será eleito; se for eleito, não tomará posse; se tomar posse, não governará". A UDN, partido de Lacerda, tentou impugnar a vitória de JK nas eleições de 1955, usando como argumento que Juscelino recebera o voto dos comunistas.
Por "coincidência", já há tucanos e pefelistas importantes questionando a legitimidade da vitória de Lula, utilizando como argumento qualquer coisa: sua ausência no debate da Bandeirantes, denúncias de corrupção e até mesmo seu apoio nos setores populares, que seria produto de "ações populistas" de governo.
FHC e Frias se deixam trair pelas palavras. O primeiro confessou que está buscando alguém que "arrisque" uma atitude golpista. O segundo diz que a reeleição de Lula seria "sinistra", palavra que em italiano quer dizer exatamente "esquerda".
Este é o problema da direita brasileira: sua alma golpista não se conforma que a esquerda governe o Brasil. Muito menos que consolide uma "hegemonia de longa duração".
É exatamente isto que está em jogo, não apenas na reeleição de Lula, mas principalmente no curso do segundo mandato: a constituição das bases institucionais, sociais, econômicas, políticas e culturais de uma hegemonia democrática e popular de longa duração. Que passa pela disputa dos chamados "setores médios" e pela constituição de uma "opinião pública" de esquerda.
Um pedaço da direita brasileira acredita que uma derrota em 2006, especialmente se acontecer já no primeiro turno, pode ser a ante-sala de uma nova derrota em 2010. Daí a tentação e a retórica golpista. Com o perdão da blague, ainda "estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar". Especialmente num dia 24 de agosto, data do suicídio de Getúlio.
(Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT)
Dados confirmam que PF atua mais no governo Lula
Relatório das ações da Polícia Federal aponta que nunca na história do país se combateu tanto a corrupção. De acordo com o relatório, após assumir a Presidência, em janeiro de 2003, Lula intensificou o trabalho da PF, que de agosto a dezembro de 2003 realizou 21 operações, que resultaram na prisão de 312 pessoas, das quais 223 servidores públicos. Mesmo antes, de janeiro a abril daquele ano, a polícia não ficou inoperante. Neste período foram presos 32 servidores — 22 da Polícia Federal, três da Polícia Rodoviária Federal e sete da Receita Federal.
"Esse número é provavelmente maior do que o resultado deixado por FHC em seus oito anos de governo", afirma o deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Segundo ele, "todos sabemos que o Estado brasileiro, historicamente, sempre teve em seu seio a corrupção como um mal a ser debelado. Não se trata de algo próprio do governo Lula, como quer fazer crer a elite - corrupta - brasileira. Esses servidores corruptos não se formaram no governo Lula. Já atuavam e estavam acostumados com o crime, acreditando que a impunidade fosse continuar".
Em 2004, foram desenvolvidas 42 operações e presas 513 pessoas. Desse total, 151 eram servidores públicos. Com independência e autonomia de ação sob o governo Lula, a PF quase triplica o número de operações em 2005, em relação ao ano anterior. Foram 118, com a prisão de 591 pessoas (196 servidores públicos). Até o último dia 11 de agosto, a Polícia Federal já desenvolveu neste ano 99 operações. Prendeu 532 pessoas (213 servidores públicos).
"Em resumo: as ações da PF no governo Lula já somam 280 operações, 3.740 pessoas presas, sendo 783 servidores públicos. Quando que, na história do Brasil, a corrupção e o crime organizado foram combatidos pela PF com tanta eficiência e sem perseguição política ou de classe social? Esse é o medo do PSDB, do PFL e de todos que apóiam o candidato Geraldo Alckmin (candidato do PSDB à Presidência)", afirmou Rosinha.
Segundo o deputado Mauro Passos (PT-SC), é fato que hoje há mais eficiência no combate à corrupção. "Inclusive na semana passada a Polícia Federal estourou a Operação Dilúvio, com sérias consequências para a Secretaria de Fazenda de Santa Catarina. Foi uma grande operação praticada em função de tributos que não estavam sendo pagos. Entre os presos está o consultor Aldo Hey Neto que trabalha na Secretaria da Fazenda. Na casa dele a Polícia Federal apreendeu R$ 1,9 milhão. Ele é o segundo no hierarquia da secretaria. O secretário, Max Berenhort, estava de férias nos Estados Unidos e retornou às pressas. Ele está sujeito a se afastar", disse o deputado.
"Esse número é provavelmente maior do que o resultado deixado por FHC em seus oito anos de governo", afirma o deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Segundo ele, "todos sabemos que o Estado brasileiro, historicamente, sempre teve em seu seio a corrupção como um mal a ser debelado. Não se trata de algo próprio do governo Lula, como quer fazer crer a elite - corrupta - brasileira. Esses servidores corruptos não se formaram no governo Lula. Já atuavam e estavam acostumados com o crime, acreditando que a impunidade fosse continuar".
Em 2004, foram desenvolvidas 42 operações e presas 513 pessoas. Desse total, 151 eram servidores públicos. Com independência e autonomia de ação sob o governo Lula, a PF quase triplica o número de operações em 2005, em relação ao ano anterior. Foram 118, com a prisão de 591 pessoas (196 servidores públicos). Até o último dia 11 de agosto, a Polícia Federal já desenvolveu neste ano 99 operações. Prendeu 532 pessoas (213 servidores públicos).
"Em resumo: as ações da PF no governo Lula já somam 280 operações, 3.740 pessoas presas, sendo 783 servidores públicos. Quando que, na história do Brasil, a corrupção e o crime organizado foram combatidos pela PF com tanta eficiência e sem perseguição política ou de classe social? Esse é o medo do PSDB, do PFL e de todos que apóiam o candidato Geraldo Alckmin (candidato do PSDB à Presidência)", afirmou Rosinha.
Segundo o deputado Mauro Passos (PT-SC), é fato que hoje há mais eficiência no combate à corrupção. "Inclusive na semana passada a Polícia Federal estourou a Operação Dilúvio, com sérias consequências para a Secretaria de Fazenda de Santa Catarina. Foi uma grande operação praticada em função de tributos que não estavam sendo pagos. Entre os presos está o consultor Aldo Hey Neto que trabalha na Secretaria da Fazenda. Na casa dele a Polícia Federal apreendeu R$ 1,9 milhão. Ele é o segundo no hierarquia da secretaria. O secretário, Max Berenhort, estava de férias nos Estados Unidos e retornou às pressas. Ele está sujeito a se afastar", disse o deputado.
Transferir renda e superar a pobreza
Temos tido boas oportunidades de debates sobre políticas públicas voltadas para a área social, principalmente no período mais recente, com bons e valiosos estudos e pesquisas acerca dos impactos dessas políticas relativos ao seu objetivo de reduzir a desigualdade e erradicar a pobreza no país.
Muito têm contribuído os institutos de pesquisas - governamentais e não-governamentais - com a produção de necessários indicadores sociais e também a imprensa, na sua função de divulgar esses dados acompanhados de análises críticas. Penso que esses debates refletem um processo de amadurecimento das políticas do setor que, por causa de acertadas decisões governamentais, teve suas ações mais qualificadas, o que dá mais consistência e visibilidade aos resultados.
Com o objetivo de dar minha modesta contribuição a esse debate, pretendo expor algumas considerações sobretudo sobre o impacto das políticas de transferência de renda na redução da desigualdade social, que foi objeto de estudo de reconhecidos pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Os programas de transferência de renda, assim como todas as políticas de Estado voltadas para a área social, são uma conquista da sociedade. No caso do Bolsa-Família, uma conquista que ganhou reconhecimento internacional por sua gestão e pelo papel que cumpre dentro de uma rede de proteção e promoção social.
A perspectiva de políticas integradas é fundamental para que possamos compreender uma de suas mais importantes dimensões. Na rede, cada programa, dentro de suas especificidades, cumpre funções que se complementam, orientadas pela mesma meta de combater a injustiça social.
Esses programas hoje se articulam como políticas de Estado, numa linha republicana e suprapartidária, e guardam uma relação de ações integradas entre si e entre os entes federativos - são ações governamentais orientadas pelo governo federal e que pressupõem contrapartida dos Estados e municípios.
Temos conseguido cumprir nossas metas. O estudo realizado pelo Ipea, com base nos dados divulgados pela Pnad 2004 (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar), indica que, ao lado dos benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo, as políticas de transferência de renda, considerando o Bolsa-Família e o Benefício de Prestação Continuada, têm forte impacto na redução da desigualdade. Sem eles, a proporção de pobres, que em 2004 era de 31%, corresponderia a 38% da nossa população.
Certamente, cada um desses programas tem um efeito específico: pensões e aposentadorias e o BPC repassam valores maiores do que os programas de transferência de renda e, por isso, se tomados isolados, teriam mais capacidade de retirar as pessoas da indigência e da pobreza.
Em contrapartida, o efeito de outros programas de transferência de renda, apesar do elevado potencial de reduzir a desigualdade - por terem maior cobertura -, tem mais impacto no alívio imediato da pobreza, o que não pode ser desprezado. Afinal, esse é justamente um dos objetivos do maior programa de transferência de renda: o Bolsa-Família, direcionado exatamente às famílias que não têm cobertura das políticas previdenciárias e precisam resolver problemas imediatos para poderem se reorganizar e voltar ao mercado de trabalho.
Os efeitos do programa, além do alívio imediato da pobreza, são a médio e longo prazo, pois o Bolsa-Família não existe sozinho. Articula-se com outras políticas sociais de inclusão e promoção social com o objetivo de promover a emancipação das famílias pobres. Por isso, é importante a ação do Estado ao priorizar a articulação com programas de aumento da escolaridade dos adultos das famílias beneficiárias, de geração de trabalho e renda, de apoio ao desenvolvimento regional, de apoio ao microcrédito etc.
Os estudos do Ipea mostram principalmente que os programas sociais do governo são importantes para reduzir a pobreza e a desigualdade e estão bem focalizados porque chegam aos que mais precisam. Se retirássemos a renda proveniente do piso previdenciário, a pobreza aumentaria em 36%, e a indigência, em 17%.
Essas informações fornecem uma boa idéia da estrutura da rede de proteção e promoção social que está sendo implementada no Brasil. O objetivo final é promover a emancipação de todas as famílias que hoje precisam da ajuda do Estado para superar uma situação de exclusão histórica.
(Patrus Ananias, 53, advogado, deputado federal pelo (PT-MG) licenciado, é o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996.)
Muito têm contribuído os institutos de pesquisas - governamentais e não-governamentais - com a produção de necessários indicadores sociais e também a imprensa, na sua função de divulgar esses dados acompanhados de análises críticas. Penso que esses debates refletem um processo de amadurecimento das políticas do setor que, por causa de acertadas decisões governamentais, teve suas ações mais qualificadas, o que dá mais consistência e visibilidade aos resultados.
Com o objetivo de dar minha modesta contribuição a esse debate, pretendo expor algumas considerações sobretudo sobre o impacto das políticas de transferência de renda na redução da desigualdade social, que foi objeto de estudo de reconhecidos pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Os programas de transferência de renda, assim como todas as políticas de Estado voltadas para a área social, são uma conquista da sociedade. No caso do Bolsa-Família, uma conquista que ganhou reconhecimento internacional por sua gestão e pelo papel que cumpre dentro de uma rede de proteção e promoção social.
A perspectiva de políticas integradas é fundamental para que possamos compreender uma de suas mais importantes dimensões. Na rede, cada programa, dentro de suas especificidades, cumpre funções que se complementam, orientadas pela mesma meta de combater a injustiça social.
Esses programas hoje se articulam como políticas de Estado, numa linha republicana e suprapartidária, e guardam uma relação de ações integradas entre si e entre os entes federativos - são ações governamentais orientadas pelo governo federal e que pressupõem contrapartida dos Estados e municípios.
Temos conseguido cumprir nossas metas. O estudo realizado pelo Ipea, com base nos dados divulgados pela Pnad 2004 (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar), indica que, ao lado dos benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo, as políticas de transferência de renda, considerando o Bolsa-Família e o Benefício de Prestação Continuada, têm forte impacto na redução da desigualdade. Sem eles, a proporção de pobres, que em 2004 era de 31%, corresponderia a 38% da nossa população.
Certamente, cada um desses programas tem um efeito específico: pensões e aposentadorias e o BPC repassam valores maiores do que os programas de transferência de renda e, por isso, se tomados isolados, teriam mais capacidade de retirar as pessoas da indigência e da pobreza.
Em contrapartida, o efeito de outros programas de transferência de renda, apesar do elevado potencial de reduzir a desigualdade - por terem maior cobertura -, tem mais impacto no alívio imediato da pobreza, o que não pode ser desprezado. Afinal, esse é justamente um dos objetivos do maior programa de transferência de renda: o Bolsa-Família, direcionado exatamente às famílias que não têm cobertura das políticas previdenciárias e precisam resolver problemas imediatos para poderem se reorganizar e voltar ao mercado de trabalho.
Os efeitos do programa, além do alívio imediato da pobreza, são a médio e longo prazo, pois o Bolsa-Família não existe sozinho. Articula-se com outras políticas sociais de inclusão e promoção social com o objetivo de promover a emancipação das famílias pobres. Por isso, é importante a ação do Estado ao priorizar a articulação com programas de aumento da escolaridade dos adultos das famílias beneficiárias, de geração de trabalho e renda, de apoio ao desenvolvimento regional, de apoio ao microcrédito etc.
Os estudos do Ipea mostram principalmente que os programas sociais do governo são importantes para reduzir a pobreza e a desigualdade e estão bem focalizados porque chegam aos que mais precisam. Se retirássemos a renda proveniente do piso previdenciário, a pobreza aumentaria em 36%, e a indigência, em 17%.
Essas informações fornecem uma boa idéia da estrutura da rede de proteção e promoção social que está sendo implementada no Brasil. O objetivo final é promover a emancipação de todas as famílias que hoje precisam da ajuda do Estado para superar uma situação de exclusão histórica.
(Patrus Ananias, 53, advogado, deputado federal pelo (PT-MG) licenciado, é o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996.)
quarta-feira, agosto 23, 2006
Por quê o povo vota em Lula?
"Então, companheiro, pense que há milhões de pessoas (...) que compraram seu primeiro computador, ou que estão tendo o primeiro filho completando o colegial, ou o primeiro filho de 17 anos empregado, ou recebendo o Bolsa Família. Tem intelectual que argumenta: "É tudo fruto de um momento especial da economia internacional, com reflexos no Brasil, em que os juros por aqui podem baixar à vontade porque a inflação estará sob controle e os mercados internacionais, calmos". Você pode se perguntar se isso tudo é fruto da brilhante política econômica do Antonio Palocci, à qual Guido Mantega era contrário.
Mas uma coisa é certa: o presidente da República chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Ele pode ter feito isso sem querer, ou de caso pensado. Tanto faz... Inevitavelmente, os eleitores põem a responsabilidade sobre os seus ombros. Se a economia fosse mal, a culpa era do presidente. Vai bem? Ele é o responsável! E se no país existe o mecanismo da reeleição, Lula está reeleito. Culpa de quem? "Da economia, idiota!", como disse certa vez o marqueteiro de Bill Clinton.
É a economia que está fazendo o tucano Geraldo Alckmin comer grama, sofrer tanto nas pesquisas. Tem uma dosagem de Primeiro Comando da Capital (PCC) aí. Mas o problema mesmo é a economia: como convencer um sujeito que está melhor empregado, comendo mais e até comprando computadores a votar em outro cara que não o presidente atual?"
(trecho do artigo "Comprei um computador de R$ 1 mil!", do jornalista Tales Faria, que pode ser lido na íntegra no site Congresso em Foco)
Mas uma coisa é certa: o presidente da República chama-se Luiz Inácio Lula da Silva. Ele pode ter feito isso sem querer, ou de caso pensado. Tanto faz... Inevitavelmente, os eleitores põem a responsabilidade sobre os seus ombros. Se a economia fosse mal, a culpa era do presidente. Vai bem? Ele é o responsável! E se no país existe o mecanismo da reeleição, Lula está reeleito. Culpa de quem? "Da economia, idiota!", como disse certa vez o marqueteiro de Bill Clinton.
É a economia que está fazendo o tucano Geraldo Alckmin comer grama, sofrer tanto nas pesquisas. Tem uma dosagem de Primeiro Comando da Capital (PCC) aí. Mas o problema mesmo é a economia: como convencer um sujeito que está melhor empregado, comendo mais e até comprando computadores a votar em outro cara que não o presidente atual?"
(trecho do artigo "Comprei um computador de R$ 1 mil!", do jornalista Tales Faria, que pode ser lido na íntegra no site Congresso em Foco)
FHC, LACERDA E BILL CLINTON
FHC é o rei das varadas n'água. Suas manifestações causam constrangimento até mesmo entre seus correligionários. Não por coincidência, seu nome tem sido omitido na campanha de Alkimin e duvido que um Arthur Virgílio da vida, com seus 3% de intenção de votos no Amazonas, se digne a citá-lo como modelo de administração, caso seja eleito governador. Não é que o ex-presidente voltou a se manifestar por "impeachment" do presidente Lula, no exato momento em que a avaliação da atual administração atinge os píncaros da aprovação popular? A análise abaixo consegue traduzir e dimensionar toda a pequenez deste triste personagem.
Por Paulo Henrique Amorim
“As famílias felizes são todas iguais. As infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”
Esta não é uma frase de um correligionário de Geraldo Alckmin, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta é a primeira frase do romance Ana Karenina, de Leão Tolstoi. E a mesma frase com que o ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, abriu, em Washington, uma reunião de emergência de ministros da Fazenda latino-americanos, para anunciar que o Real e o cambio fixo tinham ido para o vinagre. Isso aconteceu em setembro de 1998.
No dia 4 de outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito Presidente.
De setembro de 98 a 12 de janeiro 1999, o Real sobreviveu, segundo um jornalista americano (1), por um ato de levitação. Quando o corpo finalmente caiu e Malan voltou a Washington e ao FMI, Malan “não tinha menor idéia do que fazer”. (2)
Entre setembro de 98 e janeiro de 99, Bill Clinton reelegeu Fernando Henrique Cardoso.
Porque foram Bill Clinton e seus Secretários do Tesouro, Robert Rubin e Larry Summers, quem “persuadiram” o FMI a sustentar o Real até que Fernando Henrique fosse reeleito. (3)
Se Fernando Henrique fosse outro, teria saudades de Bill Clinton e não de Carlos Lacerda. Pelo menos por gratidão.
Lacerda foi um golpista.
Ajudou a dar o golpe em Vargas.
Trabalhou todos os dias para dar o golpe em JK, na Radio Globo (foi o que me disse JK, numa entrevista, em 1972).
Ajudou a dar o golpe contra Jango.
Lacerda faria qualquer coisa para tomar o poder.
Não fica bem um presidente eleito duas vezes pelo voto popular prever um “curto-circuito”, quando faltam menos de dois meses para uma eleição. E muito menos sentir saudades de alguém como Carlos Lacerda, “... que tinha essa capacidade de dramatizar e de cobrar. A meu ver, cobrava errado mas tinha conseqüência", disse Fernando Henrique. (4)
Que conseqüência ?, pergunta-se. As cobranças de Lacerda tinham a “conseqüência” de provocar um “curto-circuito” institucional ?
Quer dizer, então, que Fernando Henrique prega o golpe ? O curto-circuito, como conseqüência de uma cobrança à Lacerda ?
É disso o que precisamos ?
Ou de eleições, como aquelas que elegeram Fernando Henrique – e Bill Clinton ?
Clinton, como Fernando Henrique, se elegeu presidente duas vezes. Depois que deixou a presidência instalou uma fundação que tem a finalidade de fazer o bem.
Na ultima viagem que fez à África (5), esteve na África do Sul, com Mandela e Bill Gates, no Lesotho, Nigéria e Libéria para inspecionar investimentos da fundação no combate à AIDs; no Malawi e em Ruanda para ver como estão projetos de desenvolvimento.
Daqui para frente, Clinton pretende dedicar a maior parte do tempo à luta contra o aquecimento da Terra.
Desde que deixou a presidência, não se tem noticia de um ato de Fernando Henrique em beneficio do outro.
22/08/2006 14:12h
Por Paulo Henrique Amorim
“As famílias felizes são todas iguais. As infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”
Esta não é uma frase de um correligionário de Geraldo Alckmin, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta é a primeira frase do romance Ana Karenina, de Leão Tolstoi. E a mesma frase com que o ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso, Pedro Malan, abriu, em Washington, uma reunião de emergência de ministros da Fazenda latino-americanos, para anunciar que o Real e o cambio fixo tinham ido para o vinagre. Isso aconteceu em setembro de 1998.
No dia 4 de outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito Presidente.
De setembro de 98 a 12 de janeiro 1999, o Real sobreviveu, segundo um jornalista americano (1), por um ato de levitação. Quando o corpo finalmente caiu e Malan voltou a Washington e ao FMI, Malan “não tinha menor idéia do que fazer”. (2)
Entre setembro de 98 e janeiro de 99, Bill Clinton reelegeu Fernando Henrique Cardoso.
Porque foram Bill Clinton e seus Secretários do Tesouro, Robert Rubin e Larry Summers, quem “persuadiram” o FMI a sustentar o Real até que Fernando Henrique fosse reeleito. (3)
Se Fernando Henrique fosse outro, teria saudades de Bill Clinton e não de Carlos Lacerda. Pelo menos por gratidão.
Lacerda foi um golpista.
Ajudou a dar o golpe em Vargas.
Trabalhou todos os dias para dar o golpe em JK, na Radio Globo (foi o que me disse JK, numa entrevista, em 1972).
Ajudou a dar o golpe contra Jango.
Lacerda faria qualquer coisa para tomar o poder.
Não fica bem um presidente eleito duas vezes pelo voto popular prever um “curto-circuito”, quando faltam menos de dois meses para uma eleição. E muito menos sentir saudades de alguém como Carlos Lacerda, “... que tinha essa capacidade de dramatizar e de cobrar. A meu ver, cobrava errado mas tinha conseqüência", disse Fernando Henrique. (4)
Que conseqüência ?, pergunta-se. As cobranças de Lacerda tinham a “conseqüência” de provocar um “curto-circuito” institucional ?
Quer dizer, então, que Fernando Henrique prega o golpe ? O curto-circuito, como conseqüência de uma cobrança à Lacerda ?
É disso o que precisamos ?
Ou de eleições, como aquelas que elegeram Fernando Henrique – e Bill Clinton ?
Clinton, como Fernando Henrique, se elegeu presidente duas vezes. Depois que deixou a presidência instalou uma fundação que tem a finalidade de fazer o bem.
Na ultima viagem que fez à África (5), esteve na África do Sul, com Mandela e Bill Gates, no Lesotho, Nigéria e Libéria para inspecionar investimentos da fundação no combate à AIDs; no Malawi e em Ruanda para ver como estão projetos de desenvolvimento.
Daqui para frente, Clinton pretende dedicar a maior parte do tempo à luta contra o aquecimento da Terra.
Desde que deixou a presidência, não se tem noticia de um ato de Fernando Henrique em beneficio do outro.
22/08/2006 14:12h
Alckmin é pego na mentira em seu programa na TV
Após ser desmentido pelo próprio site do governo do Estado de que não havia construído 19 hospitais como afirmou em seu programa de televisão, mas apenas 2, o candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, recuou e mudou o seu programa, fazendo declarações genéricas, sem citar números. Ele fala apenas que teria melhorado a saúde.
Em 12 anos, "o Governo do Estado de São Paulo retomou as obras de 14 novos hospitais" e "construiu outros dois", além de estadualizar um que já estava pronto, afirma o texto oficial do governo de São Paulo. Isso é muito diferente de ter construído 19 novos hospitais, como afirma o candidato Alckmin. Esses dados falsos também são apresentados pelo candidato do PSDB ao governo do Estado, José Serra, em seu programa eleitoral.
Além disso, o site do tucano apresenta como uma conquista o fato de ter retomado as obras do "Instituto Doutor Arnaldo, antigo Instituto da Mulher, na Zona Oeste da capital", "integrado ao Hospital das Clínicas". Esta obra ficou paralisada até a eleição de 2002 e retomada lentamente durante o período eleitoral, mas ainda não foi concluída. Ou seja, um hospital que já estava em processo adiantado de construção ficou parado durante todo o governo tucano e agora é apresentado como uma obra a ser concluída pelo mesmo governo que a paralisou.
A lista de manipulações de dados divulgadas pelo candidato tucano é imensa – e só precisa mentir quem não fez nada. Entre outras mentiras, Alckmin afirma que seu governo construiu 225 mil casas populares. Já o site do governo do Estado afirma que "já viabilizou 165.608 moradias". Estas e outras discrepâncias são estendidas para outras supostas realizações do governo do PSDB no Estado.
(do blog Os amigos do Presidente Lula)
Em 12 anos, "o Governo do Estado de São Paulo retomou as obras de 14 novos hospitais" e "construiu outros dois", além de estadualizar um que já estava pronto, afirma o texto oficial do governo de São Paulo. Isso é muito diferente de ter construído 19 novos hospitais, como afirma o candidato Alckmin. Esses dados falsos também são apresentados pelo candidato do PSDB ao governo do Estado, José Serra, em seu programa eleitoral.
Além disso, o site do tucano apresenta como uma conquista o fato de ter retomado as obras do "Instituto Doutor Arnaldo, antigo Instituto da Mulher, na Zona Oeste da capital", "integrado ao Hospital das Clínicas". Esta obra ficou paralisada até a eleição de 2002 e retomada lentamente durante o período eleitoral, mas ainda não foi concluída. Ou seja, um hospital que já estava em processo adiantado de construção ficou parado durante todo o governo tucano e agora é apresentado como uma obra a ser concluída pelo mesmo governo que a paralisou.
A lista de manipulações de dados divulgadas pelo candidato tucano é imensa – e só precisa mentir quem não fez nada. Entre outras mentiras, Alckmin afirma que seu governo construiu 225 mil casas populares. Já o site do governo do Estado afirma que "já viabilizou 165.608 moradias". Estas e outras discrepâncias são estendidas para outras supostas realizações do governo do PSDB no Estado.
(do blog Os amigos do Presidente Lula)
Estudo da FGV reafirma importância do Bolsa Família
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas revela uma forte queda na desigualdade social do Brasil, entre 2002 e 2006, assim como um "crescimento chinês" da renda do trabalhador em 2004.
O coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, avalia que a queda da desigualdade social do país nos últimos anos é conseqüência direta do aumento das transferências de renda do Estado para a sociedade, por meio do programa Bolsa Família, do governo federal. "Um programa altamente focado, onde o dinheiro chega realmente aos mais pobres", qualifica Neri.
O estudo elaborado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação a partir da análise de microdados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, "Redistribuição à Brasileira: Ingredientes Trabalhistas", divulgado ontem (22) pela FGV, mostra que entre 2002 e 2006, a parcela da renda dos 50% mais pobres subiu de 9,95% para 12,2%. Paralelamente, a parcela referente aos 10% mais ricos caiu de 50,2% para 46,89%.
O maior avanço na redução da desigualdade nos últimos anos ocorreu entre os meses de março e junho de 2004, ano que, para Neri, foi uma espécie de "ano chinês" para os pobres brasileiros (a China manteve um ritmo de crescimento médio de 9,5% ao ano, de 1980 a 2004). "O Brasil é o país campeão da desigualdade e neste período sofreu uma forte redução dos índices de desigualdades. Foi um ano em que o bolo não só cresceu, mas cresceu com mais fermento para as classes mais pobres – o que, em se tratando de Brasil, é sem dúvida um ponto fora da curva".
O coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri, avalia que a queda da desigualdade social do país nos últimos anos é conseqüência direta do aumento das transferências de renda do Estado para a sociedade, por meio do programa Bolsa Família, do governo federal. "Um programa altamente focado, onde o dinheiro chega realmente aos mais pobres", qualifica Neri.
O estudo elaborado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação a partir da análise de microdados da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, "Redistribuição à Brasileira: Ingredientes Trabalhistas", divulgado ontem (22) pela FGV, mostra que entre 2002 e 2006, a parcela da renda dos 50% mais pobres subiu de 9,95% para 12,2%. Paralelamente, a parcela referente aos 10% mais ricos caiu de 50,2% para 46,89%.
O maior avanço na redução da desigualdade nos últimos anos ocorreu entre os meses de março e junho de 2004, ano que, para Neri, foi uma espécie de "ano chinês" para os pobres brasileiros (a China manteve um ritmo de crescimento médio de 9,5% ao ano, de 1980 a 2004). "O Brasil é o país campeão da desigualdade e neste período sofreu uma forte redução dos índices de desigualdades. Foi um ano em que o bolo não só cresceu, mas cresceu com mais fermento para as classes mais pobres – o que, em se tratando de Brasil, é sem dúvida um ponto fora da curva".
Para Tarso, FHC perdeu o equilíbrio emocional e político
O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmou nesta terça-feira (22) que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso "perdeu o equilíbrio emocional e político" ao afirmar que as irregularidades cometidas por petistas no governo justificariam o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Fernando Henrique está desequilibrado, porque vem sendo escondido por seus companheiros do PSDB, e seu governo é ignorado", rebateu Tarso, em entrevista no Palácio do Planalto. "Ele quer se vingar dos seus colegas, porque está sendo isolado. O seu governo não é defendido na campanha, sua figura não é lembrada, e sua fisionomia política é depreciada por seus companheiros", provocou.
O ministro afirmou que o candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, deveria defender Fernando Henrique em seu programa eleitoral na TV. "Mas, como isso não pode ser feito, houve uma espécie de divórcio no ninho tucano", interpretou Tarso.
"Fernando Henrique está desequilibrado, porque vem sendo escondido por seus companheiros do PSDB, e seu governo é ignorado", rebateu Tarso, em entrevista no Palácio do Planalto. "Ele quer se vingar dos seus colegas, porque está sendo isolado. O seu governo não é defendido na campanha, sua figura não é lembrada, e sua fisionomia política é depreciada por seus companheiros", provocou.
O ministro afirmou que o candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, deveria defender Fernando Henrique em seu programa eleitoral na TV. "Mas, como isso não pode ser feito, houve uma espécie de divórcio no ninho tucano", interpretou Tarso.
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