GILBERTO DIMENSTEIN
A explicação do enigma Lula - Folha de São Paulo, 4 de junho de 2006
Como alguém é capaz de apanhar tanto por tanto tempo e ainda ficar mais forte eleitoralmente?
UM DOS mais respeitados estudiosos da realidade social brasileira, o economista Ricardo Paes de Barros fez uma série de cálculos matemáticos que ajudam a esclarecer o enigma de Lula. Como alguém é capaz de apanhar tanto por tanto tempo e ainda ficar mais forte eleitoralmente, como mostraram mais uma vez, na semana passada, Ibope e Vox Populi?
Sabemos que boa parte desse prestígio se deve a programas como o Bolsa-Família, à estabilidade da moeda -o preço dos alimentos cresce abaixo da inflação-, ao aumento do salário mínimo e à geração de empregos. Ricardo Paes de Barros vai mais longe e detalha o impacto dessas ações entre os 20% mais pobres da população. "É como se essas pessoas, sem nenhum exagero, estivessem na China."
Em 2004, por exemplo, nesse segmento mais pobre, o aumento da renda per capita foi de 12%, para um crescimento médio, no país, de 3% -é um movimento que, embora em menor intensidade, vem desde 2000 e perdura até agora.
Os cálculos dele são baseados nas amostragens oficiais realizadas pelo IBGE e se baseiam na redução da desigualdade combinada com o crescimento econômico. "Em geral, as pessoas não percebem o efeito dessa combinação porque não se traduzem os indicadores", diz ele.
É difícil, de fato, entender o que significa uma redução do coeficiente de Gini (medida de concentração de renda), que, de 2000 a 2004, caiu de 0,597 para 0,574. É uma redução de 4%, o que, ainda assim, não diz muita coisa -1% menos ao ano. Parece também não dizer nada que, nesse período, a renda dos 20%, em relação ao total do bolo, subiu de 2,2% para 2,7%.
Supondo-se que o crescimento econômico fosse zero e mantida a redução da desigualdade de 1%, a evolução da renda per capita dos mais pobres chegaria a 4%; daí se vê o peso da distribuição de renda.
A tradução desses amontoados de números é o padrão "chinês", ou seja, um aumento médio, nesses quatro anos, de quase 8%. Para os 10% mais pobres, no ano de 2004, o poder aquisitivo subiu 16%.
Em nenhum momento, nem indiretamente, Ricardo Paes de Barros vincula esses dados ao desempenho eleitoral de Lula. Mas é como pode ser entendido o significado do anúncio, na quarta-feira, do aumento de 1,4% do PIB do primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso indica que, no final do ano, a economia terá crescido algo em torno de 4%.
Na tradução de Paes de Barros, supondo (como ele imagina provável) que a distribuição de renda continue evoluindo, devido à ampliação, por exemplo, dos programas de renda e do salário mínimo, aquela faixa dos 20% mais pobres continuará acima do "padrão chinês". "Esse segmento está na euforia. Ao contrário do que acontece nas camadas mais altas, onde a renda está estagnada ou, em determinadas faixas, caindo", diz. É algo que as pessoas que estão no topo não conseguem sentir e, talvez por isso, tenha sido mais difícil vislumbrar a força de Lula nas camadas mais pobres.
Tal intimidade com os mais pobres explica, pelo menos em parte, por que tanta gente experiente tenha decretado antecipadamente o fim de Lula, a tal ponto que se supunha que o escolhido pelo PSDB já estaria com um pé na Presidência.
Aponta-se, e com certa razão, que boa parte da população não entende as notícias sobre corrupção. Muitos dizem que, no fundo, os brasileiros aceitam o rouba-mas-faz. Fala-se que os mais pobres, segundo pesquisas qualitativas, se recusam a acreditar que Lula - um deles"- esteja vinculado à bandalheira.
Nada disso, porém, teria muita influência se boa parte dos eleitores não sentissem melhoria em suas vidas. Os cálculos de Ricardo Barros, um economista independente, estão mostrando que, em determinado segmento, essa melhoria é muito maior do que se imaginava, daí a resiliência presidencial. Diante disso, termos como choque de gestão, ajuste fiscal, bandeiras de Alckmin, embora relevantes, são, até aqui, abstrações.
domingo, junho 04, 2006
sexta-feira, junho 02, 2006
Lula venceria no primeiro turno com 60% dos votos válidos, diz Vox Populi
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria no primeiro turno as eleições à Presidência da República com 60% dos votos válidos -excluindo brancos e nulos-, caso o PMDB não estivesse na disputa, informa pesquisa do instituto Vox Populi divulgada nesta sexta-feira pela revista "Carta Capital".
Lula teria 49% das intenções de voto, contra 23% do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Neste mesmo cenário, sem o PMDB, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) teria 6% das intenções de voto.
Com o PMDB na disputa, Lula teria 47% das intenções de voto, contra 21% de Alckmin, 6% do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) e 5% de Heloísa Helena.
Se o senador Pedro Simon (RS) fosse o escolhido pelo PMDB, Lula ganharia dois pontos e teria 49% dos votos, seguido por 23% de Alckmin e 6% de Heloísa Helena.
A pesquisa ouviu 2.001 eleitores entre os dias 27 e 28 de maio, em 121 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Da Folha Online
Lula teria 49% das intenções de voto, contra 23% do candidato tucano, Geraldo Alckmin. Neste mesmo cenário, sem o PMDB, a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) teria 6% das intenções de voto.
Com o PMDB na disputa, Lula teria 47% das intenções de voto, contra 21% de Alckmin, 6% do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) e 5% de Heloísa Helena.
Se o senador Pedro Simon (RS) fosse o escolhido pelo PMDB, Lula ganharia dois pontos e teria 49% dos votos, seguido por 23% de Alckmin e 6% de Heloísa Helena.
A pesquisa ouviu 2.001 eleitores entre os dias 27 e 28 de maio, em 121 municípios. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.
Da Folha Online
Juros para população são os menores em 12 anos, diz BC
Os juros para a pessoa física registraram em abril queda na maioria das modalidades, segundo balanço divulgado hoje pelo Banco Central. A taxa média cobrada pelos bancos da população caiu 1,2 ponto percentual, para 57,8% ao ano. Assim como no mês anterior, essa é a menor taxa desde o início da série, em julho de 1994.
A maior queda ocorreu no crédito pessoal, modalidade em que as taxas recuaram de 67,8% em março para 65,3% em abril.
Dentro dessa modalidade está o crédito consignado --desconto em folha de pagamento--, cujos juros caíram de 37% para 34,3% em abril.
'A queda nos juros persiste há um bom tempo. Em linha com a descompressão da política monetária', avaliou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
Da Folha Online
A maior queda ocorreu no crédito pessoal, modalidade em que as taxas recuaram de 67,8% em março para 65,3% em abril.
Dentro dessa modalidade está o crédito consignado --desconto em folha de pagamento--, cujos juros caíram de 37% para 34,3% em abril.
'A queda nos juros persiste há um bom tempo. Em linha com a descompressão da política monetária', avaliou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
Da Folha Online
Lula comemora o crescimento do PIB
No último dia 31, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como excelente o resultado do crescimento do PIB no primeiro trimestre. Lula destacou o crescimento da importação de máquinas e equipamentos e o creditou ao aumento da confiança dos empresários. "O resultado do PIB neste primeiro trimestre é uma excelente notícia. O produto cresceu de forma generalizada: na agropecuária, na indústria e no setor de serviços. E o que é mais importante: cresceu a importação de máquinas e equipamentos. Isso indica que os empresários estão apostando no crescimento sustentável".
Segundo anunciou o IBGE, a economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três últimos meses de 2005. Trata-se do melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2004, quando a expansão foi de 1,5%. Em relação ao primeiro trimestre de 2005, houve expansão de 3,4% na economia. Nos últimos 12 meses, o PIB cresceu 2,4%.
Segundo anunciou o IBGE, a economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três últimos meses de 2005. Trata-se do melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2004, quando a expansão foi de 1,5%. Em relação ao primeiro trimestre de 2005, houve expansão de 3,4% na economia. Nos últimos 12 meses, o PIB cresceu 2,4%.
quinta-feira, junho 01, 2006
Sobre o mito da gastança com pessoal em ano eleitoral
O canto contra o gasto público, principalmente contra o aumento de gastos do governo federal com sua folha de pagamento, vem se repetindo há dias. Hoje (1/6/2006) o assunto expande-se em coro por quase todos grandes jornais, com a honesta exceção da Gazeta Mercantil que, apesar de também criticar "a bondade de boca-de-urna" em editorial, mostra, em reportagem à parte, recorre à história recente para dizer, sozinha, que não se trata propriamente de uma novidade.
Todas as reportagens conduzem para o "comportamento irresponsável" da Presidência da República, motivado unicamente por razões eleitoreiras, a ameaçar o equilíbrio das contas públicas.
A Gazeta Mercantil, no entanto, dissolve essa imagem ao situar a gastança do Executivo em anos eleitorais no tempo quando compara com as medidas anunciadas por Lula com as do último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, e lembra que a economia não mostrava os sinais de recuperação e crescimento como os apresentados ontem pelo IBGE.
A reportagem "Prática é usual em ano eleitoral" lembra::
"As despesas com o funcionalismo saltaram de R$ 71,9 bilhões em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, para R$ 105,1 bilhões em 2006, em valores nominais, de acordo com as últimas estimativas oficiais."
"Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), entretanto, esses números representam queda – de 5,34% para 4,99%. O recorde histórico de 5,34% do PIB foi registrado no último ano do governo tucano por causa dos reajustes quase indiscriminados concedidos no final do governo FHC."
"Prática semelhante, de aumento dos salários do funcionalismo público ao final do mandato, também foi adotada pelo ex-presidente Itamar Franco em 1994, quando deixou o Planalto."
"Em 1998, todavia, esses reajustes salariais foram moderados porque a reeleição de FHC estava praticamente garantida e o País estava à beira da crise cambial.
"Os reajustes concedidos a quatro meses da eleição em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é forte candidato a um segundo mandato – com pesquisas indicando até uma vitória já no primeiro turno – não prejudica, porém, a meta mínima de superávit primário das contas públicas neste ano, de 4,25% do PIB".
"A economia de 4,84% do PIB no ano passado para pagamento dos juros da dívida pública, contudo, muito dificilmente será repetida por causa da evolução crescente dos gastos de pessoal e outros, com a manutenção da máquina administrativa do governo federal."
Nota deste blog: a choramingação da oposição e de seus representantes midiáticos é um espasmo dor-de-cotovelo. O governo do Presidente Lula apenas e tão somente usa – com rara competência – dos mecanismos que a nossa governança presidencialista põe à disposição do Executivo. E o faz com a devida moderação, dentro do bom-senso e da legalidade, mas sem receio da instrumentalização eleitoral, que assume tranquilamente como parte do jogo. Estranho mesmo é PSDB e PFL advogarem a ilegitimidade das regras do jogo que eles própios inventaram. "Abaixo a reeleição" - este é o bordão da hora para os oportunistas-casuístas-golpistas desta curriola. Ibope neles, Lula!
Todas as reportagens conduzem para o "comportamento irresponsável" da Presidência da República, motivado unicamente por razões eleitoreiras, a ameaçar o equilíbrio das contas públicas.
A Gazeta Mercantil, no entanto, dissolve essa imagem ao situar a gastança do Executivo em anos eleitorais no tempo quando compara com as medidas anunciadas por Lula com as do último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, e lembra que a economia não mostrava os sinais de recuperação e crescimento como os apresentados ontem pelo IBGE.
A reportagem "Prática é usual em ano eleitoral" lembra::
"As despesas com o funcionalismo saltaram de R$ 71,9 bilhões em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, para R$ 105,1 bilhões em 2006, em valores nominais, de acordo com as últimas estimativas oficiais."
"Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), entretanto, esses números representam queda – de 5,34% para 4,99%. O recorde histórico de 5,34% do PIB foi registrado no último ano do governo tucano por causa dos reajustes quase indiscriminados concedidos no final do governo FHC."
"Prática semelhante, de aumento dos salários do funcionalismo público ao final do mandato, também foi adotada pelo ex-presidente Itamar Franco em 1994, quando deixou o Planalto."
"Em 1998, todavia, esses reajustes salariais foram moderados porque a reeleição de FHC estava praticamente garantida e o País estava à beira da crise cambial.
"Os reajustes concedidos a quatro meses da eleição em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é forte candidato a um segundo mandato – com pesquisas indicando até uma vitória já no primeiro turno – não prejudica, porém, a meta mínima de superávit primário das contas públicas neste ano, de 4,25% do PIB".
"A economia de 4,84% do PIB no ano passado para pagamento dos juros da dívida pública, contudo, muito dificilmente será repetida por causa da evolução crescente dos gastos de pessoal e outros, com a manutenção da máquina administrativa do governo federal."
Nota deste blog: a choramingação da oposição e de seus representantes midiáticos é um espasmo dor-de-cotovelo. O governo do Presidente Lula apenas e tão somente usa – com rara competência – dos mecanismos que a nossa governança presidencialista põe à disposição do Executivo. E o faz com a devida moderação, dentro do bom-senso e da legalidade, mas sem receio da instrumentalização eleitoral, que assume tranquilamente como parte do jogo. Estranho mesmo é PSDB e PFL advogarem a ilegitimidade das regras do jogo que eles própios inventaram. "Abaixo a reeleição" - este é o bordão da hora para os oportunistas-casuístas-golpistas desta curriola. Ibope neles, Lula!
saiu a nova pesquisa do ibope...
sessenta e três por cento!

leia mais na folha, na veja (rarará!) ou no site do jornal nacional (a notícia tava tão escondidinha que quase nem achei) - e depois não digam que eu não tenho bom humor! ;-)

leia mais na folha, na veja (rarará!) ou no site do jornal nacional (a notícia tava tão escondidinha que quase nem achei) - e depois não digam que eu não tenho bom humor! ;-)
Por que Lula: manifesto anônimo
Não vou fazer parte dessa campanha!
Não vou fazer parte dessa campanha anti PT/Lula!
Acredito que somente uma pessoa que nada aprendeu, não muda suas opiniões.
Passei a vida toda lutando contra a Ditadura Militar e políticos da Arena; PDS; PFL; PSDB... Vivi a era FHC e vi o país ser posto à venda. Vi Mais de 100 empresas públicas serem "privatizadas", sem que o produto da venda tenha sido utilizado em favor do País. Fiquei 8 anos sem nenhum centavo de reajuste salarial. Vi colegas de trabalho, concursados, serem demitidos, através do malsinado RH 008. Vi todo o processo de desmonte da Caixa para a privatização.
Vi dezenas e dezenas de CPIs serem abortadas a custa de muita grana. Vi o Procurador Geral da União ser chamado de Engavetador Geral da União. Vi a Polícia Federal de mãos amarradas. Vi o FMI mandando e desmandando e os Governos dizendo amém. Vi um país que gerou apenas 8 mil empregos mensais durante 8 longos anos. Vi trabalhadores escravos.
Vi e vivi. Participei de dezenas de passeatas. Vi o "pensamento único" do PSDB calando jornais, rádios e tvs. Vi o Banco Central "doando" milhões de dólares para os banqueiros falidos salvarem suas peles. Vi milhares de micros e pequenas empresas fechando suas portas para dar lugar aos importados pela paridade do dólar. Vi o escândalo do SIVAM...
Agora que o Brasil gera mais de 120 mil empregos mensais; que as indústrias batem recordes de produção; que o comércio bate recordes de venda; que o país bate recordes de exportações; que dispensamos a tutela do FMI; que o banco onde trabalho contrata milhares de novos empregados concursados; que estamos entrando em período de deflação; que 9 milhões de famílias são atendidas pelos programas sociais do Governo; que em apenas 2 anos mais de 200 mil estudantes vindos de escola pública entraram para uma universidade; que a agricultura familiar está tendo acesso ao crédito; que as pequenas e micros empresas voltam a abrir portas; que a Polícia Federal atua sem amarras e desbarata uma quadrilha atrás da outra, como nunca em toda a sua história; que pela 1ª vez vejo os maus políticos sendo presos e denunciados; que a fiscalização da Receita Federal está fazendo as grandes empresas (Daslu) e bancos recolherem impostos (tanto que a Receita Federal também bate recordes de arrecadação); que o Ministério do Trabalho fiscaliza as empresas (o FGTS também bate recordes históricos de arrecadação) e está erradicando o trabalho escravo no campo...
Agora vem alguém me pedir para ir às ruas contra LULA e o governo popular???!!!
Meu amigo: TÔ FORA!!!
Estou pronto para ir às ruas pedir investigação de quaisquer atos de corrupção praticados por quem quer que seja. Que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e outras instituições sérias investiguem com total isenção, e que a Justiça puna exemplarmente todo aquele que tenha praticado irregularidade.
Fazer o jogo e servir de instrumento de pessoas como ACM, Bornhausen, FHC, Arthur Virgilio, Álvaro Dias, Jefersons da vida e outros, que todos sabemos bem quem são, JAMAIS!
É preciso conhecer para poder opinar!
Não vou fazer parte dessa campanha anti PT/Lula!
Acredito que somente uma pessoa que nada aprendeu, não muda suas opiniões.
Passei a vida toda lutando contra a Ditadura Militar e políticos da Arena; PDS; PFL; PSDB... Vivi a era FHC e vi o país ser posto à venda. Vi Mais de 100 empresas públicas serem "privatizadas", sem que o produto da venda tenha sido utilizado em favor do País. Fiquei 8 anos sem nenhum centavo de reajuste salarial. Vi colegas de trabalho, concursados, serem demitidos, através do malsinado RH 008. Vi todo o processo de desmonte da Caixa para a privatização.
Vi dezenas e dezenas de CPIs serem abortadas a custa de muita grana. Vi o Procurador Geral da União ser chamado de Engavetador Geral da União. Vi a Polícia Federal de mãos amarradas. Vi o FMI mandando e desmandando e os Governos dizendo amém. Vi um país que gerou apenas 8 mil empregos mensais durante 8 longos anos. Vi trabalhadores escravos.
Vi e vivi. Participei de dezenas de passeatas. Vi o "pensamento único" do PSDB calando jornais, rádios e tvs. Vi o Banco Central "doando" milhões de dólares para os banqueiros falidos salvarem suas peles. Vi milhares de micros e pequenas empresas fechando suas portas para dar lugar aos importados pela paridade do dólar. Vi o escândalo do SIVAM...
Agora que o Brasil gera mais de 120 mil empregos mensais; que as indústrias batem recordes de produção; que o comércio bate recordes de venda; que o país bate recordes de exportações; que dispensamos a tutela do FMI; que o banco onde trabalho contrata milhares de novos empregados concursados; que estamos entrando em período de deflação; que 9 milhões de famílias são atendidas pelos programas sociais do Governo; que em apenas 2 anos mais de 200 mil estudantes vindos de escola pública entraram para uma universidade; que a agricultura familiar está tendo acesso ao crédito; que as pequenas e micros empresas voltam a abrir portas; que a Polícia Federal atua sem amarras e desbarata uma quadrilha atrás da outra, como nunca em toda a sua história; que pela 1ª vez vejo os maus políticos sendo presos e denunciados; que a fiscalização da Receita Federal está fazendo as grandes empresas (Daslu) e bancos recolherem impostos (tanto que a Receita Federal também bate recordes de arrecadação); que o Ministério do Trabalho fiscaliza as empresas (o FGTS também bate recordes históricos de arrecadação) e está erradicando o trabalho escravo no campo...
Agora vem alguém me pedir para ir às ruas contra LULA e o governo popular???!!!
Meu amigo: TÔ FORA!!!
Estou pronto para ir às ruas pedir investigação de quaisquer atos de corrupção praticados por quem quer que seja. Que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e outras instituições sérias investiguem com total isenção, e que a Justiça puna exemplarmente todo aquele que tenha praticado irregularidade.
Fazer o jogo e servir de instrumento de pessoas como ACM, Bornhausen, FHC, Arthur Virgilio, Álvaro Dias, Jefersons da vida e outros, que todos sabemos bem quem são, JAMAIS!
É preciso conhecer para poder opinar!
quarta-feira, maio 31, 2006
Crianças com Lula

O presidente Lula tem se desdobrado para atender aos inúmeros pedidos – vindos de gente de todo o país e de todas as idades – para cumprimentos. Na tarde de hoje, após receber o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, fez um rápido intervalo em sua agenda para receber Hugo Pereira Maia, 9 anos, aluno da Escola das Nações, de Brasília. Hugo pôde dizer ao presidente que o admira por causa do trabalho de redução da fome no Brasil. Na saída, o pré-adolescente encontrou-se com o ministro Patrus, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e com o vice-presidente José Alencar. (Fotos: Ricardo Stuckert)
terça-feira, maio 30, 2006
OIT vai homenagear Brasil por combate ao trabalho infantil
Brasil será homenageado durante a 95ª Conferência Internacional do Trabalho, como modelo na erradicação ao trabalho infantil. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, receberá as homenagens nos dias 7 e 8 de junho.A delegação brasileira que participa da reunião, que começa hoje (30) em Genebra, na Suíça, é composta por 20 integrantes, além dos membros observadores. O evento termina no dia 16 de junho e tem como objetivo aprovar as novas normas internacionais do trabalho que passarão a ter validade jurídica nos 200 países membros da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo informou o Ministério do Trabalho, serão discutidos este ano temas como as novas convenções na área de saúde e segurança no trabalho; a possível adoção de nova recomendação na área de relação de trabalho; a distribuição de recursos para a cooperação técnica no período 2006/2007. A Inspeção do Trabalho entra no contexto da comissão de aplicação de normas.
Fonte: Agência Brasil
(Do blog da reeleição)
Crédito para setor agropecuário atinge R$ 60 bilhões
O governo federal vai destinar R$ 60 bilhões para o Plano Safra 2006-2007, um aumento de 12,5% do volume de recursos programados para o período 2005-2006. Além disso, o governo anunciou a redução de juros para a concessão de crédito de investimento, a prorrogação de dívidas, o aumento dos limites de crédito de custeio e de comercialização, a reformulação do Seguro Rural e a criação de um fundo que atenda aos agricultores em momentos de crise.
"As medidas vão fortalecer o setor agropecuário e resolver a maioria dos problemas causados pela crise. Haverá diminuição dos custos de produção, maior liquidez e estabilidade para o setor", disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues.
O pacote anunciado está dividido em três grupos: o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a próxima safra, ações emergenciais, como a renegociação de dívidas e medidas estruturais que vão garantir maior estabilidade e previsibilidade ao setor.
Clique aqui para saber mais detalhes sobre cada um dos grupos de ações anunciadas.
Principais medidas
- Aumento de 12,5% no valor dos recursos destinados ao Plano Safra 2006-2007, que alcançou R$ 60 bilhões;
- crescimento de 25% do crédito aplicado em custeio e comercialização;
- prorrogação de automática de dívidas da Safra 2005-2006 num prazo de quatro anos, variando conforme o produto e a região do país;
- redução das taxas de juros para crédito de investimento (a queda vai de 13,75% para 8,75%, de acordo com a linha de financiamento);
- destinação de R$ 2,8 bilhões para garantia dos preços dos produtos na Safra 2006-2007;
- criação de Fundo de Catástrofe com gestão privada para atender o produtor nos momentos de crise.
"As medidas vão fortalecer o setor agropecuário e resolver a maioria dos problemas causados pela crise. Haverá diminuição dos custos de produção, maior liquidez e estabilidade para o setor", disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues.
O pacote anunciado está dividido em três grupos: o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a próxima safra, ações emergenciais, como a renegociação de dívidas e medidas estruturais que vão garantir maior estabilidade e previsibilidade ao setor.
Clique aqui para saber mais detalhes sobre cada um dos grupos de ações anunciadas.
Principais medidas
- Aumento de 12,5% no valor dos recursos destinados ao Plano Safra 2006-2007, que alcançou R$ 60 bilhões;
- crescimento de 25% do crédito aplicado em custeio e comercialização;
- prorrogação de automática de dívidas da Safra 2005-2006 num prazo de quatro anos, variando conforme o produto e a região do país;
- redução das taxas de juros para crédito de investimento (a queda vai de 13,75% para 8,75%, de acordo com a linha de financiamento);
- destinação de R$ 2,8 bilhões para garantia dos preços dos produtos na Safra 2006-2007;
- criação de Fundo de Catástrofe com gestão privada para atender o produtor nos momentos de crise.
segunda-feira, maio 29, 2006
ps: mais mainardi, o inacreditável!
Depois de escrever o texto abaixo foi que eu li a coluna do Mainardi, aquela em que ele choraminga a desconfiança de que seja ele o malfeitor, bandido e mentiroso citado por Lula. Logo no primeiro parágrafo, quando diz que Lula ataca o mensageiro em vez do emissor da mensagem, conclui brilhantemente: "O presidente sabe que sempre dá pra negociar com Daniel Dantas. Com Veja não dá."
Ãn? Comequié? Com Veja não dá? Com Veja não dá para o presidente negociar (não que eu ache que ele queira...), isso é fato, mas para o Daniel Dantas negociar dá, né? Afinal, não era isso que vinha acontecendo há meses, segundo seu próprio retrospecto?
Pelo visto as quadrilhas têm um código de ética, só negociam entre si.
Ãn? Comequié? Com Veja não dá? Com Veja não dá para o presidente negociar (não que eu ache que ele queira...), isso é fato, mas para o Daniel Dantas negociar dá, né? Afinal, não era isso que vinha acontecendo há meses, segundo seu próprio retrospecto?
Pelo visto as quadrilhas têm um código de ética, só negociam entre si.
domingo, maio 28, 2006
Mais sobre veja: falta de ética é pouco!
Hoje eu tive a oportunidade de ter em mãos a última veja, do dia 24/05, em que ela justifica a "não-denúncia" da edição anterior e desce a um nível ainda mais baixo do que poderíamos acreditar possível ao "noticiar" a reação do presidente Lula à tal matéria. Eu já tinha lido e ouvido diversos comentários decorrentes da reportagem, mas só hoje respirei fundo e fui lá, conferir a palhaçada. Não pretendo desfiar aqui novamente muito do que já foi falado, inclusive neste mesmo blog. A falta de ética e de vergonha, o antijornalismo a serviço de intere$$es particulares, a podridão que exala daquele semanário já é assunto mais que dissecado. Mas me chamou atenção o fato de não ter visto (o que não significa que não existiu...) nenhum comentário sobre um aspecto particular. Acompanhem comigo.
Na "matéria" Dantas fez, entregou e continua operando(!), a revista faz um retrospecto da sua "apuração exemplar" (sic) do caso, sempre deixando claro que tem tudo registrado. Veja conta que seu contato com o banqueiro teve início em 15 de agosto de 2005, a convite deste, que começou aí a soltar pequenas pistas. No dia 13 de setembro, "chega à redação de Veja um envelope da Federal Express contendo dezoito páginas: dezessete com detalhes sobre a investigação da Kroll sobre o escândalo da Parmalat; a última traz um quadro com supostas contas bancárias em paraísos fiscais associadas a 'Paulo', 'Márcio' e 'Romeu' (...)" [p.53]. Em 21 de setembro, Veja recebeu outra lista, com dezessete supostas contas. Novos documentos são entregues à revista nos dias 25 de outubro e 10 de novembro.
Finalmente, em maio de 2006, "diante da versão de vítima apresentada por Dantas e para impedir que o banqueiro do Opportunity viesse a utilizar os dados como instrumento de chantagem - o que de fato já estava fazendo - Veja decide quebrar o acordo feito com o banqueiro e publica o dossiê." [p.55]
O último parágrafo da reportagem diz (grifos meus): "É tudo fantasia? Na esperança de que agora a apuração caminhe pelas vias oficiais, Veja, na semana passada, entregou todos os 41 documentos de que dispunha ao procurador-geral da República – única autoridade com estofo ético e poderes para investigar o caso."
Agora eu pergunto: não sou advogada, mas ou eu muito me engano ou qualquer cidadão comum que tenha conhecimento e acesso a provas de crimes e não os entregue à polícia pode ser considerado cúmplice e indiciado também. Isso não vale para órgãos da imprensa? A veja pode admitir que tinha um acordo com o acusado e demorar OITO MESES para entregar documentos importantes à, segundo ela mesma, "única autoridade com estofo ético e poderes para investigar o caso" e tudo fica por isso mesmo? Não estou falando de processo sobre violação da ética jornalística, como bem sugeriu Venício de Lima no texto abaixo, estou falando de processo criminal mesmo! Por quê veja fez acordo com um "cidadão com o histórico policial de Daniel Dantas"? Por quê veja desfez esse acordo? E por quê o desfez agora? Alguém acreditou mesmo que seu único interesse era jornalístico, além da nobreza de evitar que o governo, coitado, fosse chantageado?
Manipulação dissimulada de fatos infelizmente não é novidade no nosso país, mas isso aí pra mim, sinceramente, é bandidagem mesmo, sem eufemismos!
Na "matéria" Dantas fez, entregou e continua operando(!), a revista faz um retrospecto da sua "apuração exemplar" (sic) do caso, sempre deixando claro que tem tudo registrado. Veja conta que seu contato com o banqueiro teve início em 15 de agosto de 2005, a convite deste, que começou aí a soltar pequenas pistas. No dia 13 de setembro, "chega à redação de Veja um envelope da Federal Express contendo dezoito páginas: dezessete com detalhes sobre a investigação da Kroll sobre o escândalo da Parmalat; a última traz um quadro com supostas contas bancárias em paraísos fiscais associadas a 'Paulo', 'Márcio' e 'Romeu' (...)" [p.53]. Em 21 de setembro, Veja recebeu outra lista, com dezessete supostas contas. Novos documentos são entregues à revista nos dias 25 de outubro e 10 de novembro.
Finalmente, em maio de 2006, "diante da versão de vítima apresentada por Dantas e para impedir que o banqueiro do Opportunity viesse a utilizar os dados como instrumento de chantagem - o que de fato já estava fazendo - Veja decide quebrar o acordo feito com o banqueiro e publica o dossiê." [p.55]
O último parágrafo da reportagem diz (grifos meus): "É tudo fantasia? Na esperança de que agora a apuração caminhe pelas vias oficiais, Veja, na semana passada, entregou todos os 41 documentos de que dispunha ao procurador-geral da República – única autoridade com estofo ético e poderes para investigar o caso."
Agora eu pergunto: não sou advogada, mas ou eu muito me engano ou qualquer cidadão comum que tenha conhecimento e acesso a provas de crimes e não os entregue à polícia pode ser considerado cúmplice e indiciado também. Isso não vale para órgãos da imprensa? A veja pode admitir que tinha um acordo com o acusado e demorar OITO MESES para entregar documentos importantes à, segundo ela mesma, "única autoridade com estofo ético e poderes para investigar o caso" e tudo fica por isso mesmo? Não estou falando de processo sobre violação da ética jornalística, como bem sugeriu Venício de Lima no texto abaixo, estou falando de processo criminal mesmo! Por quê veja fez acordo com um "cidadão com o histórico policial de Daniel Dantas"? Por quê veja desfez esse acordo? E por quê o desfez agora? Alguém acreditou mesmo que seu único interesse era jornalístico, além da nobreza de evitar que o governo, coitado, fosse chantageado?
Manipulação dissimulada de fatos infelizmente não é novidade no nosso país, mas isso aí pra mim, sinceramente, é bandidagem mesmo, sem eufemismos!
sexta-feira, maio 26, 2006
Os fundamentos do Coliseu pós-moderno
Por Venício A. de Lima em 23/5/2006 – Observatório de Imprensa
Jornalistas estão na ordem do dia. A disputa de poder político e a violência urbana impuseram a própria mídia como tema na agenda pública ao longo da última semana. Não que os problemas não existissem antes. Eles existiam. É que parece que agora se tornou inevitável sua discussão e a busca de soluções em nome do interesse público.
1. Não há registro de reação tão incisiva de um presidente da República como a manifestada pelo presidente Lula à publicação pela Veja (edição nº 1956, de 17/5 2006) de acusações graves contra ele e outros integrantes do seu governo, que a própria revista reconhece não ter conseguido comprovar: "Mentira, irresponsabilidade, leviandade, jornalismo de podridão", foram alguns dos adjetivos e expressões utilizados pelo presidente.
2. O fato foi devidamente tratado neste OI [ver remissões abaixo] e teve repercussão inédita na própria mídia provocando, inclusive, um raro editorial do Estado de S.Paulo que condena Veja por denuncismo, por ter como objetivo "desintegrar o governo" e pela "agressão às normas éticas".
3. A violência urbana explodiu em São Paulo. Os programas de televisão – ditos policiais – exploraram a crise à exaustão. No meio da confusão o Jornal da Band divulga uma entrevista com o criminoso que chefiou a desordem. Só que o entrevistado não é o bandido. Um telejornal da RedeTV! provoca pânico na população e congestiona o ramal 190 da polícia.
4. Qual o papel da mídia em situações como essa? Qual a melhor maneira de cumprir a sua missão principal que é servir ao interesse público? A Folha de S.Paulo tratou do assunto em duas matérias e o Estado de S.Paulo dedicou página inteira ao tema.
5. Falando em evento sobre a TV digital, o presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad, referindo-se à fusão entre a Sky e a DirectTV a à compra de parte da NET pela Embratel, afirmou: "Se elas [a fusão e a compra] passarem [pelo CADE, do Ministério da Justiça], todo o conteúdo veiculado pela TV paga dependerá da opinião de uma única família do Jardim Botânico [os Marinho, da Globo]".
6. O ex-deputado e ex-presidente do PT, José Genoino, divulga longa carta anunciando seu retorno à militância política depois de meses de silêncio e reclusão voluntária. Ele, que durante anos manteve excelentes relações com os jornalistas que cobriam o Congresso Nacional – e era o membro da oposição necessariamente ouvido em todas as matérias – faz agora ácida crítica à mídia. Escrevei Genoino:
"Assim como o predador persegue sua caça, a mídia busca obsessivamente o espetáculo. Seu alimento predileto são as crises, sejam elas reais ou não. E, para sobreviver, julga e condena sumariamente, mistura público e privado, promove o vale-tudo. Transforma o mundo em um Coliseu pós-moderno, tão sanguinário e horrendo quanto o romano"
Responsabilidade profissional
Esses fatos e essas denúncias – ao lado da indiscutível centralidade que a mídia ocupa no cotidiano de todos nós – não estariam a revelar que algum tipo de responsabilização formal é necessário em relação à prática profissional do jornalismo, às atividades e à concentração das empresas de mídia?
Se advogados suspeitos de colaborarem com os criminosos são passíveis de processo pelos conselhos da Ordem dos Advogados do Brasil, não deveria haver mecanismo semelhante que tratasse dos casos óbvios de violação da ética por parte de jornalistas profissionais e empresas de mídia?
Sistemas de responsabilização da mídia (media accountability systems, MAS) existem e funcionam nas democracias de todo o mundo. Não, isso não tem nada a ver com censura. Não, isso não tem nada a ver com autoritarismo, stalinismo ou outros rótulos do gênero.
Jornalistas e empresas de mídia não são inimputáveis. É preciso que tenham a responsabilidade profissional e ética que a sua atividade exige em nome do interesse público. Ou José Genoino tem razão e nossa mídia de fato se transformou no "coliseu pós-moderno"?
:: Venício de Lima é a grande referência teórica sobre mídia e comunicacão hoje no Brasil.
Jornalistas estão na ordem do dia. A disputa de poder político e a violência urbana impuseram a própria mídia como tema na agenda pública ao longo da última semana. Não que os problemas não existissem antes. Eles existiam. É que parece que agora se tornou inevitável sua discussão e a busca de soluções em nome do interesse público.
1. Não há registro de reação tão incisiva de um presidente da República como a manifestada pelo presidente Lula à publicação pela Veja (edição nº 1956, de 17/5 2006) de acusações graves contra ele e outros integrantes do seu governo, que a própria revista reconhece não ter conseguido comprovar: "Mentira, irresponsabilidade, leviandade, jornalismo de podridão", foram alguns dos adjetivos e expressões utilizados pelo presidente.
2. O fato foi devidamente tratado neste OI [ver remissões abaixo] e teve repercussão inédita na própria mídia provocando, inclusive, um raro editorial do Estado de S.Paulo que condena Veja por denuncismo, por ter como objetivo "desintegrar o governo" e pela "agressão às normas éticas".
3. A violência urbana explodiu em São Paulo. Os programas de televisão – ditos policiais – exploraram a crise à exaustão. No meio da confusão o Jornal da Band divulga uma entrevista com o criminoso que chefiou a desordem. Só que o entrevistado não é o bandido. Um telejornal da RedeTV! provoca pânico na população e congestiona o ramal 190 da polícia.
4. Qual o papel da mídia em situações como essa? Qual a melhor maneira de cumprir a sua missão principal que é servir ao interesse público? A Folha de S.Paulo tratou do assunto em duas matérias e o Estado de S.Paulo dedicou página inteira ao tema.
5. Falando em evento sobre a TV digital, o presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad, referindo-se à fusão entre a Sky e a DirectTV a à compra de parte da NET pela Embratel, afirmou: "Se elas [a fusão e a compra] passarem [pelo CADE, do Ministério da Justiça], todo o conteúdo veiculado pela TV paga dependerá da opinião de uma única família do Jardim Botânico [os Marinho, da Globo]".
6. O ex-deputado e ex-presidente do PT, José Genoino, divulga longa carta anunciando seu retorno à militância política depois de meses de silêncio e reclusão voluntária. Ele, que durante anos manteve excelentes relações com os jornalistas que cobriam o Congresso Nacional – e era o membro da oposição necessariamente ouvido em todas as matérias – faz agora ácida crítica à mídia. Escrevei Genoino:
"Assim como o predador persegue sua caça, a mídia busca obsessivamente o espetáculo. Seu alimento predileto são as crises, sejam elas reais ou não. E, para sobreviver, julga e condena sumariamente, mistura público e privado, promove o vale-tudo. Transforma o mundo em um Coliseu pós-moderno, tão sanguinário e horrendo quanto o romano"
Responsabilidade profissional
Esses fatos e essas denúncias – ao lado da indiscutível centralidade que a mídia ocupa no cotidiano de todos nós – não estariam a revelar que algum tipo de responsabilização formal é necessário em relação à prática profissional do jornalismo, às atividades e à concentração das empresas de mídia?
Se advogados suspeitos de colaborarem com os criminosos são passíveis de processo pelos conselhos da Ordem dos Advogados do Brasil, não deveria haver mecanismo semelhante que tratasse dos casos óbvios de violação da ética por parte de jornalistas profissionais e empresas de mídia?
Sistemas de responsabilização da mídia (media accountability systems, MAS) existem e funcionam nas democracias de todo o mundo. Não, isso não tem nada a ver com censura. Não, isso não tem nada a ver com autoritarismo, stalinismo ou outros rótulos do gênero.
Jornalistas e empresas de mídia não são inimputáveis. É preciso que tenham a responsabilidade profissional e ética que a sua atividade exige em nome do interesse público. Ou José Genoino tem razão e nossa mídia de fato se transformou no "coliseu pós-moderno"?
:: Venício de Lima é a grande referência teórica sobre mídia e comunicacão hoje no Brasil.
Alckmin quer usar bordão "Geraldo paz, amor e trabalho"
O pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse hoje, em Belo Horizonte, que deverá adotar o bordão "Geraldo paz, amor e trabalho", em referência à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetir o slogan "Lulinha paz e amor" que utilizou na última campanha presidencial. Na avaliação de Alckmin, trabalho é o que está faltando no Brasil. "Nós precisamos de menos discurso, menos história e mais eficiência em gestão, trabalho, desenvolvimento e emprego, porque o Brasil não pode mais continuar perdendo oportunidades", disse.
Eu, particularmente, estou com pena do chuchu aguado. Perdeu o senso, está pancadinha da silva. Também, obrigaram-no a carregar um estadista chamado José Jorge como vice da sua chapa... Lá em Valadares, hoje, falou que vai "colar no Aécio". Não acho uma boa, vai dar 'pobrema' em casa – a madame vai chiar.
PS – Cacá, a testeira ficou joínha, joínha.
Eu, particularmente, estou com pena do chuchu aguado. Perdeu o senso, está pancadinha da silva. Também, obrigaram-no a carregar um estadista chamado José Jorge como vice da sua chapa... Lá em Valadares, hoje, falou que vai "colar no Aécio". Não acho uma boa, vai dar 'pobrema' em casa – a madame vai chiar.
PS – Cacá, a testeira ficou joínha, joínha.
Educação é o destaque do programa do PT
O programa nacional partidário do PT, exibido em rede de rádio e TV nesta quinta-feira, 25/05, foi inteiramente focado na educação, que segundo o presidente, é a única forma de reduzir ao máximo as injustiças e desigualdades no país.
Foi mostrado muito do que já foi feito neste sentido durante o governo do PT: o Bolsa-Família, que já atende 9 milhões de famílias e condiciona a bolsa à permanência dos filhos na escola; os investimentos em transporte escolar, que chegaram a R$ 570 milhões e atendem a 3,3 milhões de alunos; a ampliação da merenda escolar; a distribuição de 12,5 milhões de livros didáticos, inédita na história do país.
Segundo o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, cuidar da educação é construir em bases sólidas e sustentáveis o futuro do Brasil, e governo do PT começou a corrigir erros históricos, investindo até para que centenas de jovens pobres tenham acesso à universidade.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, criticou a opção dos governos anteriores por focar em ensino fundamental, deixando de lado a educação infantil, o ensino médio e superior. Segundo ele, essa opção prejudica as universidades e alimenta a carência de bons professores.
O governo federal está construindo 10 novas universidades, 40 novos campi e contratando 5.000 professores para as universidades federais. Nos próximos anos, as vagas vão dobrar para 250 mil. Com o ProUni, 200 mil estudantes carentes passaram a estudar em universidades privadas e, em dois anos, o Programa beneficiará 400 mil jovens.
"Há mais recursos para a universidade, mas também há uma tentativa de levar essa realidade para o interior, recuperando a estrutura das instituições, com mais laboratórios, mais livros e mais vagas", diz Paulo Speller, reitor da Universidade Federal do Mato Grosso. "Este governo está fazendo uma importante diferença. Nossa expectativa é de que isso continue nos próximos anos."
O programa ainda falou da ampliação do Fundef para o Fundeb, dos Consórcios da Juventude, do Jovem Empreendedor, do Pronaf Jovem e do Agente da Juventude, entre outros.
O líder do PT no governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), lembrou também que agora, é a vez de investir nos professores.
Ao final do programa, o presidente Lula indica um dos motivos da escolha do tema: "o custo mensal de um preso chega a ser 10 vezes mais alto que o custo de cada aluno no ensino fundamental. Não há investimento melhor e de retorno mais rápido e garantido do que o em educação", afirma o presidente. Para ele, ainda há muito a fazer. "Cada jovem que tem condições de se especializar é um subempregado a menos no futuro", lembra. "Meu compromisso, antes de tudo, é com os que mais sofrem".
Foi mostrado muito do que já foi feito neste sentido durante o governo do PT: o Bolsa-Família, que já atende 9 milhões de famílias e condiciona a bolsa à permanência dos filhos na escola; os investimentos em transporte escolar, que chegaram a R$ 570 milhões e atendem a 3,3 milhões de alunos; a ampliação da merenda escolar; a distribuição de 12,5 milhões de livros didáticos, inédita na história do país.
Segundo o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, cuidar da educação é construir em bases sólidas e sustentáveis o futuro do Brasil, e governo do PT começou a corrigir erros históricos, investindo até para que centenas de jovens pobres tenham acesso à universidade.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, criticou a opção dos governos anteriores por focar em ensino fundamental, deixando de lado a educação infantil, o ensino médio e superior. Segundo ele, essa opção prejudica as universidades e alimenta a carência de bons professores.
O governo federal está construindo 10 novas universidades, 40 novos campi e contratando 5.000 professores para as universidades federais. Nos próximos anos, as vagas vão dobrar para 250 mil. Com o ProUni, 200 mil estudantes carentes passaram a estudar em universidades privadas e, em dois anos, o Programa beneficiará 400 mil jovens.
"Há mais recursos para a universidade, mas também há uma tentativa de levar essa realidade para o interior, recuperando a estrutura das instituições, com mais laboratórios, mais livros e mais vagas", diz Paulo Speller, reitor da Universidade Federal do Mato Grosso. "Este governo está fazendo uma importante diferença. Nossa expectativa é de que isso continue nos próximos anos."
O programa ainda falou da ampliação do Fundef para o Fundeb, dos Consórcios da Juventude, do Jovem Empreendedor, do Pronaf Jovem e do Agente da Juventude, entre outros.
O líder do PT no governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), lembrou também que agora, é a vez de investir nos professores.
Ao final do programa, o presidente Lula indica um dos motivos da escolha do tema: "o custo mensal de um preso chega a ser 10 vezes mais alto que o custo de cada aluno no ensino fundamental. Não há investimento melhor e de retorno mais rápido e garantido do que o em educação", afirma o presidente. Para ele, ainda há muito a fazer. "Cada jovem que tem condições de se especializar é um subempregado a menos no futuro", lembra. "Meu compromisso, antes de tudo, é com os que mais sofrem".
Por que Lula resiste
As pesquisas vão, as pesquisas vêm. A malta conservadora late. Mas a caravana Lula passa, com aprovações em alta. Por quê?
(Por Flávio Aguiar, professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.)
Há um link entre o presidente Lula e a maioria do povo brasileiro que o ataque cerrado das oposições e de jornalistas conservadores na mídia não conseguiu abalar, muito menos desfazer. As tentativas de desestabilizá-lo são evidentes, falando-se até na possibilidade de impeachment. Mas a popularidade do presidente não cai. Ou se cai em breves momentos, se recupera a seguir.
Em recente declaração (http://terramagazine.terra.com.br/interna/) o diretor do Ibope Augusto Montenegro ressaltou:
"Há quase onze meses Lula e seu governo sofrem uma investigação midiática incomparável em relação a outros presidentes do Brasil."
Mas acrescenta que entre as causas da sustentação de Lula está o simbolismo de sua história pessoal:
"Ele criou a maior central sindical da América Latina, um dos maiores partidos da mesma região, e vindo das camadas mais pobres, de uma família de pau-de-arara, se tornou presidente. O simbolismo disso é poderosíssimo e nem sempre pode ser medido em toda a sua extensão. Quando ele entrou na carruagem da Rainha da Inglaterra, todo esse povo, o Nordeste inteiro, entrou com ele."
Na mesma reportagem, diz Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi: "O lulista, o lulismo, é um retrato quase exato da população brasileira; se parece, com algumas exceções, a um corte transversal da sociedade brasileira."
Traduzindo: Lula tem cara, jeito de povo. Por isso é aceito por uns, e é detestado por outros, os que acham que política é coisa só para gente graúda.
Lula passa a imagem de um homem sincero, bem intencionado, esforçado, ainda que por vezes inexperiente. Mas a imagem de completo despreparo para a presidência, que os conservadores tentaram e ainda tentam grudar nele, não colou.
De qualquer modo, em meio à torrente de acusações sobre corrupção contra seu governo e o PT, sua imagem foi de fato preservada. As acusações não o atingiram.
Também não parece ter dado resultado o argumento de que o petismo teria inaugurado um sistema de corrupção inédito no Brasil; a maioria do povo acha que a corrupção existe sim, mas que ela vem de longe.
Entretanto só uma história forte, ou apenas o fato das acusações não terem atingido o presidente, não justificariam a manutenção da popularidade do presidente. A maioria do povo tem uma percepção positiva das políticas e dos programas sociais iniciados ou intensificados pelo governo Lula e também do seu conjunto. Programas como o Bolsa Família, o Fome Zero, as Farmácias Populares (que barateiam muito o custo dos remédios de doenças crônicas), o Brasil Alfabetizado, o Luz para Todos, a Reforma Agrária, o Computador para Todos são pelo menos bem conhecidos pela população, e muitos deles são bem avaliados.
Outros, como o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), o Prouni (para facilitar o acesso de jovens carentes à universidade), são bem conhecidos pelo menos pelas populações que deles necessitam. Outras ações do governo também garantem essa popularidade que até mesmo seus adversários são forçados a reconhecer. Entre elas está o estímulo à carteira assinada das empregadas domésticas; também o crédito para a casa própria, aliado à redução dos preços do material de construção.
Certos programas ganharam popularidade junto a populações específicas, como o da melhora no cadastramento de pescadores, por exemplo. Essas ações impressionam pelo seu conjunto, e também por terem melhorado muito quanto à eficiência, com cadastramentos unificados, embora nisso, como em muitas áreas, ainda haja muito por fazer.
Entre as iniciativas mais recentes, a proposta de ampliação do Farmácia Popular chamou a atenção, pois faz muita diferença para os orçamentos familiares baratear o custo de um remédio que se deve comprar todo mês.
(clique aqui para ler o artigo completo)
(Por Flávio Aguiar, professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.)
Há um link entre o presidente Lula e a maioria do povo brasileiro que o ataque cerrado das oposições e de jornalistas conservadores na mídia não conseguiu abalar, muito menos desfazer. As tentativas de desestabilizá-lo são evidentes, falando-se até na possibilidade de impeachment. Mas a popularidade do presidente não cai. Ou se cai em breves momentos, se recupera a seguir.
Em recente declaração (http://terramagazine.terra.com.br/interna/) o diretor do Ibope Augusto Montenegro ressaltou:
"Há quase onze meses Lula e seu governo sofrem uma investigação midiática incomparável em relação a outros presidentes do Brasil."
Mas acrescenta que entre as causas da sustentação de Lula está o simbolismo de sua história pessoal:
"Ele criou a maior central sindical da América Latina, um dos maiores partidos da mesma região, e vindo das camadas mais pobres, de uma família de pau-de-arara, se tornou presidente. O simbolismo disso é poderosíssimo e nem sempre pode ser medido em toda a sua extensão. Quando ele entrou na carruagem da Rainha da Inglaterra, todo esse povo, o Nordeste inteiro, entrou com ele."
Na mesma reportagem, diz Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi: "O lulista, o lulismo, é um retrato quase exato da população brasileira; se parece, com algumas exceções, a um corte transversal da sociedade brasileira."
Traduzindo: Lula tem cara, jeito de povo. Por isso é aceito por uns, e é detestado por outros, os que acham que política é coisa só para gente graúda.
Lula passa a imagem de um homem sincero, bem intencionado, esforçado, ainda que por vezes inexperiente. Mas a imagem de completo despreparo para a presidência, que os conservadores tentaram e ainda tentam grudar nele, não colou.
De qualquer modo, em meio à torrente de acusações sobre corrupção contra seu governo e o PT, sua imagem foi de fato preservada. As acusações não o atingiram.
Também não parece ter dado resultado o argumento de que o petismo teria inaugurado um sistema de corrupção inédito no Brasil; a maioria do povo acha que a corrupção existe sim, mas que ela vem de longe.
Entretanto só uma história forte, ou apenas o fato das acusações não terem atingido o presidente, não justificariam a manutenção da popularidade do presidente. A maioria do povo tem uma percepção positiva das políticas e dos programas sociais iniciados ou intensificados pelo governo Lula e também do seu conjunto. Programas como o Bolsa Família, o Fome Zero, as Farmácias Populares (que barateiam muito o custo dos remédios de doenças crônicas), o Brasil Alfabetizado, o Luz para Todos, a Reforma Agrária, o Computador para Todos são pelo menos bem conhecidos pela população, e muitos deles são bem avaliados.
Outros, como o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), o Prouni (para facilitar o acesso de jovens carentes à universidade), são bem conhecidos pelo menos pelas populações que deles necessitam. Outras ações do governo também garantem essa popularidade que até mesmo seus adversários são forçados a reconhecer. Entre elas está o estímulo à carteira assinada das empregadas domésticas; também o crédito para a casa própria, aliado à redução dos preços do material de construção.
Certos programas ganharam popularidade junto a populações específicas, como o da melhora no cadastramento de pescadores, por exemplo. Essas ações impressionam pelo seu conjunto, e também por terem melhorado muito quanto à eficiência, com cadastramentos unificados, embora nisso, como em muitas áreas, ainda haja muito por fazer.
Entre as iniciativas mais recentes, a proposta de ampliação do Farmácia Popular chamou a atenção, pois faz muita diferença para os orçamentos familiares baratear o custo de um remédio que se deve comprar todo mês.
(clique aqui para ler o artigo completo)
quarta-feira, maio 24, 2006
Datafolha: Lula amplia vantagem sobre Alckmin
E com uma porcentagem de votos ainda maior que a da pesquisa do CNT/Sensus: 43%! Isso seria vitória no primeiro turno!
Só não sei o que é mais legal: a notícia em si ou ela estar estampada na capa da Folha! :p
Só não sei o que é mais legal: a notícia em si ou ela estar estampada na capa da Folha! :p
CNT/Sensus aponta 40,5% para Lula
Lula lidera com folga e pode vencer já no 1o turno - CNT/Sensus
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a liderança folgada na disputa da eleição presidencial e poderia vencer já no primeiro turno, mostrou uma pesquisa do instituto Sensus nesta quarta-feira.
A vantagem do petista sobre o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aumentou.
No principal cenário da pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, que ainda conta com o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) como candidato, Lula aparece com 40,5 por cento, seguido por Alckmin, com 18,7 por cento, e o peemedebista com 11,4 por cento. Em abril, o presidente tinha 37,5 por cento, o tucano, 20,6 por cento e Garotinho, 15,0 por cento.
Num eventual segundo turno entre Lula e Alckmin, o petista bateria o tucano por 48,8 por cento a 31,3 por cento, se a eleição fosse hoje. Em abril, o presidente tinha 45 por cento das intenções de voto contra a 33,2 por cento do ex-governador de São Paulo.
A margem de erro da pesquisa CNT/Sensus é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo. Foram entrevistadas 2.000 pessoas entre os dias 18 e 21 de maio, em 195 municípios do país.
(Por Natuza Nery, do site do Yahoo Notícias)
Obvio que é uma notícia para se comemorar, mas não podemos esquecer que a partida só acaba quando termina! Ainda vem muito chumbo grosso por aí!
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve a liderança folgada na disputa da eleição presidencial e poderia vencer já no primeiro turno, mostrou uma pesquisa do instituto Sensus nesta quarta-feira.
A vantagem do petista sobre o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, aumentou.
No principal cenário da pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, que ainda conta com o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PMDB) como candidato, Lula aparece com 40,5 por cento, seguido por Alckmin, com 18,7 por cento, e o peemedebista com 11,4 por cento. Em abril, o presidente tinha 37,5 por cento, o tucano, 20,6 por cento e Garotinho, 15,0 por cento.
Num eventual segundo turno entre Lula e Alckmin, o petista bateria o tucano por 48,8 por cento a 31,3 por cento, se a eleição fosse hoje. Em abril, o presidente tinha 45 por cento das intenções de voto contra a 33,2 por cento do ex-governador de São Paulo.
A margem de erro da pesquisa CNT/Sensus é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo. Foram entrevistadas 2.000 pessoas entre os dias 18 e 21 de maio, em 195 municípios do país.
(Por Natuza Nery, do site do Yahoo Notícias)
Obvio que é uma notícia para se comemorar, mas não podemos esquecer que a partida só acaba quando termina! Ainda vem muito chumbo grosso por aí!
Imagem de Alckmin não transmite nada
Por Antonio Risério
Dias atrás, um amigo me explicava, bem-humorado, a razão de seu infortúnio. Ia andando pela orla do mar, entre o fim da tarde e o começo da noite, quando viu uma jovem senhora vindo em sua direção. Segundo ele, uma mulher mignon, morena, extraordinariamente sedutora, exalando sensualidade, fogosa, tesão da cabeça aos pés. Enfim, um vulcão em miniatura. Como a Tereza Collor, nos dias do seu esplendor - disse, em comparação tipicamente geracional.
Bem. Ela passou por ele, que, paralisado, mal conseguiu virar a cabeça para acompanhar os movimentos corporais, a dança, o erotismo muscular daquela mulher fazendo a sua caminhada cotidiana. Pensou então para si mesmo - minhas amigas feministas que me perdoem, mas, se encontro essa mulher numa praia deserta, ela vai me dar de qualquer jeito. Bem, no dia seguinte, ele estava na cama. Não com a presa cobiçada, infelizmente. Mas derrubado por uma virose. Concluiu, então, que foi castigo divino. Deus também deveria estar contemplando aquela fêmea e, enchendo-se de ciúmes, tirou o rival de cena.
Dei menos sorte. Estou aqui, de cama, também flechado por uma virose, sem ao menos ter passado pela experiência estética que desnorteou o meu querido amigo. Pelo contrario, esta estranha virose (seja lá o que isto signifique; os médicos sabem cada vez menos do que falam), sem tosse e sem catarro, mas me deixando com a sensação de ter sido atropelado por um trator, parece ter vindo do nada.
Ou talvez pior. De não ter conseguido evitar, ultimamente, a visão - não de coloridas terezas - mas de políticos seriosos e cinzentos, com as poses, palavras e paletós de sempre. Nesse caso, admito, meu castigo foi pequeno, muito pequeno. E olha que, deixando expressões bem pavorosas de lado, eu tinha me concentrado, e apenas por instantes, numa aparição do Geraldo Alckmin na televisão. Ou seja, me concentrado em algo inteiramente inexpressivo. Numa figura insípida, inodora e incolor - como dizíamos nos velhos tempos do ginásio. O celebre picolé de chuchu, de que fala meu amigo Jose Simão.
Sei que a candidatura do Alckmin patina. E que os últimos acontecimentos em São Paulo abriram um tremendo rombo no casco de seu navio - cujos comandantes, de resto, parecem não se entender nem por gestos, deixando o César Maia a beira de um ataque de nervos. Mas não é sobre isso que quero falar. Acho que o Alckmin não vai para lugar nenhum, a partir do seu próprio corpo. De seu travamento no chão. De seus gestos. De suas inexpressões faciais.
Ele não consegue transmitir absolutamente nada. É incapaz de afetar o meu humor, mesmo no meio de uma virose, que tem me deixado, ao mesmo tempo, entediado e irascível. E acho que nem dez anos de curso intensivo de molejo e traquejo corporal com Lázaro Ramos podem dar um jeito nisso. Estranhíssima esta capacidade que um sujeito pode ter, de não carregar consigo qualquer significado próprio, qualquer cor distintiva, qualquer traço mais saliente, qualquer carga elétrica.
Tasso Jereissatti diz que, como o candidato não tem nenhum carisma, sua campanha terá de ser agressiva. Claro que não vai dar certo. Não conheço Alckmin pessoalmente. Pode até ser que, dentro de quatro paredes, ele seja do tipo que grita e bate na mesa. Mas estou falando de sua imagem pública. Do que ela transmite - ou melhor, intransmite. O marketing pode puxar para uma ou outra direção a imagem de um candidato. Mas não é capaz de transformar em cowboy quem a cegonha trouxe ao mundo para ser pároco, por exemplo.
Numa campanha agressiva, Alckmin vai soar postiço. Ainda menos convicto do que mostra ser. Mas isto ainda não é o mais grave. Pelo menos para mim, a figura de Alckmin não passa o mais leve traço de confiança. No "Grande Sertão", Guimarães Rosa diz que confiança é algo que você adquire no quente da pessoa. E o que a figura de Alckmin me sugere, em suas aparições públicas, tem mais a ver com a frieza esquisita das rãs. (grifo do blog)
Esse ensaio foi publicado hoje no site Terra Magazine, onde Antonio Risério, poeta e antropólogo, é colunista.

Orlando Brito/Divulgação
Risério: figura de Alckmin é inexpressiva
Dias atrás, um amigo me explicava, bem-humorado, a razão de seu infortúnio. Ia andando pela orla do mar, entre o fim da tarde e o começo da noite, quando viu uma jovem senhora vindo em sua direção. Segundo ele, uma mulher mignon, morena, extraordinariamente sedutora, exalando sensualidade, fogosa, tesão da cabeça aos pés. Enfim, um vulcão em miniatura. Como a Tereza Collor, nos dias do seu esplendor - disse, em comparação tipicamente geracional.
Bem. Ela passou por ele, que, paralisado, mal conseguiu virar a cabeça para acompanhar os movimentos corporais, a dança, o erotismo muscular daquela mulher fazendo a sua caminhada cotidiana. Pensou então para si mesmo - minhas amigas feministas que me perdoem, mas, se encontro essa mulher numa praia deserta, ela vai me dar de qualquer jeito. Bem, no dia seguinte, ele estava na cama. Não com a presa cobiçada, infelizmente. Mas derrubado por uma virose. Concluiu, então, que foi castigo divino. Deus também deveria estar contemplando aquela fêmea e, enchendo-se de ciúmes, tirou o rival de cena.
Dei menos sorte. Estou aqui, de cama, também flechado por uma virose, sem ao menos ter passado pela experiência estética que desnorteou o meu querido amigo. Pelo contrario, esta estranha virose (seja lá o que isto signifique; os médicos sabem cada vez menos do que falam), sem tosse e sem catarro, mas me deixando com a sensação de ter sido atropelado por um trator, parece ter vindo do nada.
Ou talvez pior. De não ter conseguido evitar, ultimamente, a visão - não de coloridas terezas - mas de políticos seriosos e cinzentos, com as poses, palavras e paletós de sempre. Nesse caso, admito, meu castigo foi pequeno, muito pequeno. E olha que, deixando expressões bem pavorosas de lado, eu tinha me concentrado, e apenas por instantes, numa aparição do Geraldo Alckmin na televisão. Ou seja, me concentrado em algo inteiramente inexpressivo. Numa figura insípida, inodora e incolor - como dizíamos nos velhos tempos do ginásio. O celebre picolé de chuchu, de que fala meu amigo Jose Simão.
Sei que a candidatura do Alckmin patina. E que os últimos acontecimentos em São Paulo abriram um tremendo rombo no casco de seu navio - cujos comandantes, de resto, parecem não se entender nem por gestos, deixando o César Maia a beira de um ataque de nervos. Mas não é sobre isso que quero falar. Acho que o Alckmin não vai para lugar nenhum, a partir do seu próprio corpo. De seu travamento no chão. De seus gestos. De suas inexpressões faciais.
Ele não consegue transmitir absolutamente nada. É incapaz de afetar o meu humor, mesmo no meio de uma virose, que tem me deixado, ao mesmo tempo, entediado e irascível. E acho que nem dez anos de curso intensivo de molejo e traquejo corporal com Lázaro Ramos podem dar um jeito nisso. Estranhíssima esta capacidade que um sujeito pode ter, de não carregar consigo qualquer significado próprio, qualquer cor distintiva, qualquer traço mais saliente, qualquer carga elétrica.
Tasso Jereissatti diz que, como o candidato não tem nenhum carisma, sua campanha terá de ser agressiva. Claro que não vai dar certo. Não conheço Alckmin pessoalmente. Pode até ser que, dentro de quatro paredes, ele seja do tipo que grita e bate na mesa. Mas estou falando de sua imagem pública. Do que ela transmite - ou melhor, intransmite. O marketing pode puxar para uma ou outra direção a imagem de um candidato. Mas não é capaz de transformar em cowboy quem a cegonha trouxe ao mundo para ser pároco, por exemplo.
Numa campanha agressiva, Alckmin vai soar postiço. Ainda menos convicto do que mostra ser. Mas isto ainda não é o mais grave. Pelo menos para mim, a figura de Alckmin não passa o mais leve traço de confiança. No "Grande Sertão", Guimarães Rosa diz que confiança é algo que você adquire no quente da pessoa. E o que a figura de Alckmin me sugere, em suas aparições públicas, tem mais a ver com a frieza esquisita das rãs. (grifo do blog)
Esse ensaio foi publicado hoje no site Terra Magazine, onde Antonio Risério, poeta e antropólogo, é colunista.
Orlando Brito/Divulgação
Risério: figura de Alckmin é inexpressiva
terça-feira, maio 23, 2006
Alimentação, direito nº 1
Por Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)
Meta é construir um país sem fome e menos desigual. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o texto da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), encaminhado pelo presidente Lula. Isso representa um grande e profundo avanço na estratégia elaborada pelo governo, em diálogo permanente com os entes federados e com a sociedade, para erradicar a fome, a desnutrição e a pobreza no país. Dentro da perspectiva do Fome Zero, é um passo decisivo para consolidar no Brasil a idéia de trabalhar o direito à alimentação no campo dos direitos e conquistas sociais.
O conceito de segurança alimentar e nutricional implica promover o direito de todos os cidadãos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. E isso tem de ser feito de forma articulada, por meio de ações intersetoriais que assegurem o acesso a outras necessidades essenciais. O direito previsto pela Losan tem como base práticas alimentares que promovam a saúde, respeitem a diversidade cultural e também devem ser sustentáveis do ponto de vista social, econômico e ambiental.
Ao assumir a responsabilidade na defesa do direito à alimentação, o governo brasileiro coloca um fim na tradição paternalista que historicamente tratou esse mesmo tema como assunto de caridade. Os movimentos e iniciativas populares de caráter filantrópico cumprirem um papel importante para mobilizar a sociedade e chamar atenção para a questão da fome. Mas esbarram na limitação da falta de unidade, planejamento a longo prazo e continuidade. O Estado está assumindo seu papel de implementar uma política pública na área, num processo de construção conjunta com a sociedade, de modo que os programas e ações de combate à fome tenham caráter permanente. Coloca-se também o desafio de manter a soberania alimentar do País, viabilizando estoques de alimentos para enfrentar situações emergenciais.
A orientação da Losan para as políticas da área reforçam a proposta protagonizada pela estratégia do Fome Zero de trabalhar num sistema de rede. Na mesma linha do Suas (Sistema Único de Assistência Social), propõe um trabalho integrado entre as políticas que viabilizem o acesso à alimentação da população brasileira. Implica comprometer o Estado na produção, comercialização e abastecimento de alimentos, na promoção da educação alimentar, na distribuição de água e alimentos em momentos de crise, entre outras ações.
Nesse sentido, a segurança alimentar engloba as políticas direcionadas à agricultura familiar, como o Pronaf, e, numa linha complementar, o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, até equipamentos na ponta para facilitar o acesso aos alimentos, como restaurantes populares, hortas e cozinhas comunitárias. O programa de alimentação escolar é outro ponto importante dessa política.
Mas os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, também contribuem para conformar as condições de segurança alimentar no País, pois permite a famílias pobres uma renda básica para uma alimentação melhor e mais regular. Nesse sentido, também se enquadram os programas de inclusão produtiva, de desenvolvimento local e regional e de geração de trabalho e renda, na medida em que promovem a produção regional, estimulam o crescimento e melhoram a condição de vida das pessoas. Entra também na formulação dessas políticas a responsabilidade de elaboração de indicadores consistentes para avaliar e direcionar o foco das políticas. Vale aqui o registro que, pela primeira vez na história do Brasil, o governo elaborou o Suplemento Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Essa é uma demonstração do esforço governamental para criar as condições ideais para consolidar as políticas públicas na área.
Estamos trabalhando na perspectiva de construirmos um país sem fome, menos desigual e mais justo. E a segurança alimentar, porque é diretamente ligada ao direito do primeiro degrau da dignidade humana, está na base desse projeto.
Meta é construir um país sem fome e menos desigual. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o texto da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), encaminhado pelo presidente Lula. Isso representa um grande e profundo avanço na estratégia elaborada pelo governo, em diálogo permanente com os entes federados e com a sociedade, para erradicar a fome, a desnutrição e a pobreza no país. Dentro da perspectiva do Fome Zero, é um passo decisivo para consolidar no Brasil a idéia de trabalhar o direito à alimentação no campo dos direitos e conquistas sociais.
O conceito de segurança alimentar e nutricional implica promover o direito de todos os cidadãos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade em quantidade suficiente. E isso tem de ser feito de forma articulada, por meio de ações intersetoriais que assegurem o acesso a outras necessidades essenciais. O direito previsto pela Losan tem como base práticas alimentares que promovam a saúde, respeitem a diversidade cultural e também devem ser sustentáveis do ponto de vista social, econômico e ambiental.
Ao assumir a responsabilidade na defesa do direito à alimentação, o governo brasileiro coloca um fim na tradição paternalista que historicamente tratou esse mesmo tema como assunto de caridade. Os movimentos e iniciativas populares de caráter filantrópico cumprirem um papel importante para mobilizar a sociedade e chamar atenção para a questão da fome. Mas esbarram na limitação da falta de unidade, planejamento a longo prazo e continuidade. O Estado está assumindo seu papel de implementar uma política pública na área, num processo de construção conjunta com a sociedade, de modo que os programas e ações de combate à fome tenham caráter permanente. Coloca-se também o desafio de manter a soberania alimentar do País, viabilizando estoques de alimentos para enfrentar situações emergenciais.
A orientação da Losan para as políticas da área reforçam a proposta protagonizada pela estratégia do Fome Zero de trabalhar num sistema de rede. Na mesma linha do Suas (Sistema Único de Assistência Social), propõe um trabalho integrado entre as políticas que viabilizem o acesso à alimentação da população brasileira. Implica comprometer o Estado na produção, comercialização e abastecimento de alimentos, na promoção da educação alimentar, na distribuição de água e alimentos em momentos de crise, entre outras ações.
Nesse sentido, a segurança alimentar engloba as políticas direcionadas à agricultura familiar, como o Pronaf, e, numa linha complementar, o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, até equipamentos na ponta para facilitar o acesso aos alimentos, como restaurantes populares, hortas e cozinhas comunitárias. O programa de alimentação escolar é outro ponto importante dessa política.
Mas os programas de transferência de renda, como o Bolsa-Família, também contribuem para conformar as condições de segurança alimentar no País, pois permite a famílias pobres uma renda básica para uma alimentação melhor e mais regular. Nesse sentido, também se enquadram os programas de inclusão produtiva, de desenvolvimento local e regional e de geração de trabalho e renda, na medida em que promovem a produção regional, estimulam o crescimento e melhoram a condição de vida das pessoas. Entra também na formulação dessas políticas a responsabilidade de elaboração de indicadores consistentes para avaliar e direcionar o foco das políticas. Vale aqui o registro que, pela primeira vez na história do Brasil, o governo elaborou o Suplemento Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Essa é uma demonstração do esforço governamental para criar as condições ideais para consolidar as políticas públicas na área.
Estamos trabalhando na perspectiva de construirmos um país sem fome, menos desigual e mais justo. E a segurança alimentar, porque é diretamente ligada ao direito do primeiro degrau da dignidade humana, está na base desse projeto.
Brasil bate recorde de geração de empregos
O Brasil bateu o recorde de geração de empregos com carteira assinada nos primeiros quatro meses deste ano. De janeiro a abril, segundo dados do Caged divulgados nesta terça-feira (23) pelo ministro Luiz Marinho, foram criados 569.506 postos formais de trabalho - o melhor resultado já obtido no período. Entre janeiro de 2003 e abril de 2006, período do governo Lula, o total chega a 3.992.196. A pesquisa identificou crescimento em todos os setores de atividades, com destaque para a indústria e serviços.
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Mainardi vai ao STF para saber quem é
Diogo Mainardi está angustiado, corroído por dúvidas existenciais: será ele o "bandido, mau-caráter, malfeitor e mentiroso" referido pelo presidente Lula?
Em vez de procurar um psicanalista, psicólogo ou psiquiatra escolheu o STF para tirar as dúvidas sobre a sua índole. O caso é fascinante, tem tudo para criar jurisprudência e/ou ser relatado num colóquio científico sobre a perda de identidade.
Não é todo dia que aparece na suprema corte um cidadão que reclama um atestado de maus antecedentes e maus bofes para habilitá-lo a ganhar algumas moedinhas numa ação para defender o seu bom nome na praça. Se o STF considerar que o reclamante não é aquilo que foi dito sobre ele, perde os 38.500 dólares que pretendia cobrar do presidente. Mas se os meritíssimos forem justos e reconhecerem que o parajornalista cabe perfeitamente no retrato falado, habilita-se à uma indenização.
Bingo!
(Por Alberto Dines, no Observatório da Imprensa. Vale a pena ler também a promoção do delirante colunista de amenidades a uma seção mais nobre daquele amontoado de letrinhas semanais que dedica sua existência a a elaborar ataques baixos contra Lula e o PT. Aqui.)
Pergunta que não quer calar: e se o STF decidir que ele é mesmo o Bolsonaro? Qual dos dois é o ofendido?
Em vez de procurar um psicanalista, psicólogo ou psiquiatra escolheu o STF para tirar as dúvidas sobre a sua índole. O caso é fascinante, tem tudo para criar jurisprudência e/ou ser relatado num colóquio científico sobre a perda de identidade.
Não é todo dia que aparece na suprema corte um cidadão que reclama um atestado de maus antecedentes e maus bofes para habilitá-lo a ganhar algumas moedinhas numa ação para defender o seu bom nome na praça. Se o STF considerar que o reclamante não é aquilo que foi dito sobre ele, perde os 38.500 dólares que pretendia cobrar do presidente. Mas se os meritíssimos forem justos e reconhecerem que o parajornalista cabe perfeitamente no retrato falado, habilita-se à uma indenização.
Bingo!
(Por Alberto Dines, no Observatório da Imprensa. Vale a pena ler também a promoção do delirante colunista de amenidades a uma seção mais nobre daquele amontoado de letrinhas semanais que dedica sua existência a a elaborar ataques baixos contra Lula e o PT. Aqui.)
Pergunta que não quer calar: e se o STF decidir que ele é mesmo o Bolsonaro? Qual dos dois é o ofendido?
BRASIL MENOS DESIGUAL
Renda do trabalho, Bolsa Família e mínimo explicam fenômeno
De acordo com o Ipea, o nível de renda do trabalho, aliado a programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo determinam uma tendência de desconcentração de renda no Brasil.
Maurício Hashizume – Carta Maior
BRASÍLIA – Uma combinação "virtuosa" de vários fatores já produziu um fenômeno social sem paralelos na história brasileira. De acordo com estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão ligado ao Ministério de Planejamento, o nível de renda do trabalho (estimulado pelos níveis de absroção da mão-de-obra), aliado ao Programa Bolsa Família - bem como a influência de outros programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto pela Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) - e o aumento real para aposentadorias e pensões indexadas ao salário mínimo vêm determinando um viés de desconcentração no perfil da distribuição da renda no Brasil.
Pesquisadores do Ipea constataram essa influência diferenciada no quadro historicamente desigual da sociedade brasileira por meio da depuração de dados apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2004, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A renda do trabalho – escorada no crescimento considerável de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2004 - assume grande peso na inflexão pró-desconcentração: 73%, de acordo com estimativas feitas pelos técnicos do instituto. Outro item que tem forte traço distributivo é o Programa Bolsa Família. Os benefícios do programa de transferência de renda não ultrapassam o nível de 2% do total da renda contabilizada pela PNAD, mas são responsáveis em aproximadamente 30% pela redução da desigualdade. Aposentadorias e pensões indexadas pelo salário mínimo também teriam peso importante no movimento de desconcentração, com 28% de participação. A somatória dos índices ultrapassa a marca dos 100% porque outras fontes de renda – como os juros de investimentos financeiros, a renda de aluguéis e as polpudas aposentadorias não indexadas pelo salário mínimo, por exemplo – são altamente concentradores e influenciam no sentido inverso. “A soma de todas as porcentagens de influência é que dá 100%”, explica Sergei Soares, pesquisador do Ipea.
A evolução do índice de Gini – indicador comumente utilizado para aferir o grau de desigualdade na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita – nos últimos anos permite, segundo Soares, notar uma clara diferenciação do perfil de concentração nos anos mais recentes. De meados dos anos 70 até 1994, quando se iniciou o processo de estabilização econômica, os dados utilizados para a composição do índice de Gini do Brasil revelam picos e depressões, mas não são muito confiáveis. De 1995 a 2000, verifica-se um nível constante de desigualdade constante. “Foi o período em que participávamos de uma competição mundial de desigualdade, ano após ano, com a África do Sul”, pontua Soares. A partir de 2001, no entanto, coincidentemente o ano em que foi adotado o Bolsa-Escola - programa predecessor do Bolsa-Família - inicia-se uma queda gradativa e ininterrupta do índice de concentração de renda. "Ainda somos campeões disparados na América Latina", mas ele grante que a redução "não é pouco". "Parece óbvio, mas demoramos para perceber que para diminuir a desigualdade era preciso transferir renda aos pobres”, brinca o pesquisador.
Fábio Veras, outro estudioso do Ipea que trabalha junto à unidade do Centro Internacional da Pobreza do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), enfatiza também a importância de programas como o BPC, que não exige condicionalidades (como a presença nas escolas para as crianças das famílias cadastradas no Bolsa Família), mas produz alto efeito no combate à desigualdade. Ele vê problemas na “obsessão” pela “eficiência” dos programas, que muitas vezes demanda um cuidado excessivo com a “focalização”.
NADA DE NOVO
As considerações dos pesquisadores do Ipea foram feitas durante seminário de lançamento do relatório “Redução da Pobreza e Crescimento: Círculos virtuosos e viciosos”, elaborado pelo escritório de estudos de América Latina e Caribe do Banco Mundial. Em mais de 300 páginas, pesquisadores do organismo financeiro multilateral desenvolvem a tese de que a pobreza da região tem impedido patamares maiores de crescimento – que por sua vez determinam um círculo vicioso que mantém famílias, regiões e países pobres. O documento estima que um incremento de 10% nos níveis de pobreza pode reduzir o crescimento em 1% do PIB e achatar os investimentos em até 8% do PIB. O recado por trás do relatório é bastante óbvio: “investir nos pobres é um bom negócio para a sociedade como um todo, não apenas para os pobres”.
Para Veras, o Banco Mundial tenta inovar ao apresentar uma abordagem diferenciada que busca combinar o combate à pobreza com enfoque no crescimento econômico, mas acaba, no fundo, defendendo o mesmo receituário – de conseqüências trágicas – de sempre. Para países mais pobres e mais homogêneos, como Haiti, Bolívia e Honduras, o importante, defende o relatório, é crescer, repetindo a lógica “do bolo que precisa crescer para depois ser distribuído”. A prerrogativa de políticas de distribuição de renda é mais indicada para países um pouco mais desenvolvidos e mais heterogêneos, como Brasil, México e Colômbia. “Isso é justamente o que as pessoas que não se preocupam com a pobreza gostariam de ouvir”. Ele lembrou ainda que a população de países como o Peru desaprovam sistematicamente governos que não avançam na transformação social independentemente de índices consideráveis de crescimento.
Em adição, o relatório do Banco Mundial pede mais investimentos em educação e infra-estrutura, mas pouco se avança na questão do financiamento e não estabelece um vínculo mais estreito no que tange à colaboração internacional mobilizada pelas Metas do Milênio estipuladas no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). A questão da proteção social também segue, na análise do pesquisador do Ipea, o modelo europeu e dá ênfase no acesso à formação humana (educação e capacitação), mas não trata de questões importantes na América Latina como o acesso à terra.
Matéria publicada em 18/05 no site Agência Carta Maior
Estranhamente, não vi destaque para essa notícia na Folha. Veja que coisa.
De acordo com o Ipea, o nível de renda do trabalho, aliado a programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo determinam uma tendência de desconcentração de renda no Brasil.
Maurício Hashizume – Carta Maior
BRASÍLIA – Uma combinação "virtuosa" de vários fatores já produziu um fenômeno social sem paralelos na história brasileira. De acordo com estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), órgão ligado ao Ministério de Planejamento, o nível de renda do trabalho (estimulado pelos níveis de absroção da mão-de-obra), aliado ao Programa Bolsa Família - bem como a influência de outros programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto pela Lei Orgânica de Assistência Social (Loas) - e o aumento real para aposentadorias e pensões indexadas ao salário mínimo vêm determinando um viés de desconcentração no perfil da distribuição da renda no Brasil.
Pesquisadores do Ipea constataram essa influência diferenciada no quadro historicamente desigual da sociedade brasileira por meio da depuração de dados apresentados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2004, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A renda do trabalho – escorada no crescimento considerável de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2004 - assume grande peso na inflexão pró-desconcentração: 73%, de acordo com estimativas feitas pelos técnicos do instituto. Outro item que tem forte traço distributivo é o Programa Bolsa Família. Os benefícios do programa de transferência de renda não ultrapassam o nível de 2% do total da renda contabilizada pela PNAD, mas são responsáveis em aproximadamente 30% pela redução da desigualdade. Aposentadorias e pensões indexadas pelo salário mínimo também teriam peso importante no movimento de desconcentração, com 28% de participação. A somatória dos índices ultrapassa a marca dos 100% porque outras fontes de renda – como os juros de investimentos financeiros, a renda de aluguéis e as polpudas aposentadorias não indexadas pelo salário mínimo, por exemplo – são altamente concentradores e influenciam no sentido inverso. “A soma de todas as porcentagens de influência é que dá 100%”, explica Sergei Soares, pesquisador do Ipea.
A evolução do índice de Gini – indicador comumente utilizado para aferir o grau de desigualdade na distribuição de indivíduos segundo a renda domiciliar per capita – nos últimos anos permite, segundo Soares, notar uma clara diferenciação do perfil de concentração nos anos mais recentes. De meados dos anos 70 até 1994, quando se iniciou o processo de estabilização econômica, os dados utilizados para a composição do índice de Gini do Brasil revelam picos e depressões, mas não são muito confiáveis. De 1995 a 2000, verifica-se um nível constante de desigualdade constante. “Foi o período em que participávamos de uma competição mundial de desigualdade, ano após ano, com a África do Sul”, pontua Soares. A partir de 2001, no entanto, coincidentemente o ano em que foi adotado o Bolsa-Escola - programa predecessor do Bolsa-Família - inicia-se uma queda gradativa e ininterrupta do índice de concentração de renda. "Ainda somos campeões disparados na América Latina", mas ele grante que a redução "não é pouco". "Parece óbvio, mas demoramos para perceber que para diminuir a desigualdade era preciso transferir renda aos pobres”, brinca o pesquisador.
Fábio Veras, outro estudioso do Ipea que trabalha junto à unidade do Centro Internacional da Pobreza do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), enfatiza também a importância de programas como o BPC, que não exige condicionalidades (como a presença nas escolas para as crianças das famílias cadastradas no Bolsa Família), mas produz alto efeito no combate à desigualdade. Ele vê problemas na “obsessão” pela “eficiência” dos programas, que muitas vezes demanda um cuidado excessivo com a “focalização”.
NADA DE NOVO
As considerações dos pesquisadores do Ipea foram feitas durante seminário de lançamento do relatório “Redução da Pobreza e Crescimento: Círculos virtuosos e viciosos”, elaborado pelo escritório de estudos de América Latina e Caribe do Banco Mundial. Em mais de 300 páginas, pesquisadores do organismo financeiro multilateral desenvolvem a tese de que a pobreza da região tem impedido patamares maiores de crescimento – que por sua vez determinam um círculo vicioso que mantém famílias, regiões e países pobres. O documento estima que um incremento de 10% nos níveis de pobreza pode reduzir o crescimento em 1% do PIB e achatar os investimentos em até 8% do PIB. O recado por trás do relatório é bastante óbvio: “investir nos pobres é um bom negócio para a sociedade como um todo, não apenas para os pobres”.
Para Veras, o Banco Mundial tenta inovar ao apresentar uma abordagem diferenciada que busca combinar o combate à pobreza com enfoque no crescimento econômico, mas acaba, no fundo, defendendo o mesmo receituário – de conseqüências trágicas – de sempre. Para países mais pobres e mais homogêneos, como Haiti, Bolívia e Honduras, o importante, defende o relatório, é crescer, repetindo a lógica “do bolo que precisa crescer para depois ser distribuído”. A prerrogativa de políticas de distribuição de renda é mais indicada para países um pouco mais desenvolvidos e mais heterogêneos, como Brasil, México e Colômbia. “Isso é justamente o que as pessoas que não se preocupam com a pobreza gostariam de ouvir”. Ele lembrou ainda que a população de países como o Peru desaprovam sistematicamente governos que não avançam na transformação social independentemente de índices consideráveis de crescimento.
Em adição, o relatório do Banco Mundial pede mais investimentos em educação e infra-estrutura, mas pouco se avança na questão do financiamento e não estabelece um vínculo mais estreito no que tange à colaboração internacional mobilizada pelas Metas do Milênio estipuladas no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). A questão da proteção social também segue, na análise do pesquisador do Ipea, o modelo europeu e dá ênfase no acesso à formação humana (educação e capacitação), mas não trata de questões importantes na América Latina como o acesso à terra.
Matéria publicada em 18/05 no site Agência Carta Maior
Estranhamente, não vi destaque para essa notícia na Folha. Veja que coisa.
segunda-feira, maio 22, 2006
Universidade para Todos
Podem concorrer às bolsas os estudantes que fizeram todo o ensino médio em escolas públicas, os que cursaram em escolas particulares com bolsas integrais e os professores das redes públicas sem curso de graduação. Os candidatos devem, ainda, ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2005 e ter obtido nota mínima de 45 pontos. Outro critério é ter renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 525,00), para concorrer à bolsa integral, e de até três salários mínimos por pessoa da família (R$ 1.050,00), para concorrer à bolsa parcial. As inscrições vão até 16 de junho.
Criado no final de 2004, o ProUni está no seu terceiro processo seletivo e ofereceu 250 mil bolsas de estudos a estudantes de baixa renda. Esta é a primeira vez que o MEC abre as inscrições do ProUni no segundo semestre. A implementação do Programa, somada à criação de 9 universidades federais e 42 novos campi, amplia significativamente o número de vagas na educação superior, interioriza a educação pública e gratuita e combate as desigualdades regionais.
Todas essas ações vão ao encontro das metas do Plano Nacional de Educação que prevê a presença, até 2011, de pelo menos 30% da população na faixa etária de 18 a 24 anos na educação superior, hoje restrita a aproximadamente 10%.
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