(do jornalista Franklin Martins, publicado no dia 26/9 no Observatório de Imprensa)
Pretendia escrever a coluna de hoje sobre as discrepâncias entre as mais recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha. Mas mudei de idéia ao ler matéria publicada no Estadão desta segunda-feira sob o título "Rigor com a corrupção na política varia com região e condição social" e o subtítulo "Eleitor do Nordeste expressa maior tolerância com desvios do que o do Sudeste". É séria candidata ao primeiro lugar da campanha "Vamos envenenar este País" em curso em muitos jornalões brasileiros.
Jogando com números de uma pesquisa do Ibope que não prova nada, a matéria tenta sustentar a tese de que os nordestinos, os pobres e os negros dão menor valor à questão ética do que os habitantes do "Sul Maravilha", os ricos e os pobres. Diz o Estadão: "No Nordeste, 10% dos eleitores declaram que votariam em político acusado de corrupção - índice próximo do Norte/Centro-Oeste, que é de 9%. No Sul e no Sudeste, esses índices são de 6% e 7%, respectivamente".
Na realidade, as variações são mínimas, estão dentro da margem de erro da pesquisa e não indicam absolutamente nada. Aliás, se alguma coisa pode se depreender desses números é que, na valoração da questão ética, há um padrão razoavelmente homogêneo nas diferentes regiões do País - e não o contrário.
Mas há mais. O Estadão avalia também que a pesquisa do Ibope permite estabelecer relação entre cor de pele e rigor moral: "Os que se autodeclaram brancos são mais implacáveis com a ética: 88% não votariam num corrupto; os que se autodeclaram pardos cobram menos e 85% não votariam em indiciados por corrupção; mas os que se autodeclaram pretos são os menos rígidos com a ética: só 82% negam o voto a corruptos". Queira-se ou não, a idéia que se passa é de que, quanto mais escurinha for a cor da pele, maior será a frouxidão com valores éticos.
Tenha a santa paciência. Está claro que o jornal tinha uma tese. Encomendou a pesquisa para dar-lhe sustentação, digamos, científica. O levantamento, porém, não comprovou o postulado (ou o preconceito). Se houvesse bom senso, arquivava-se o assunto. Mas, como alguém quer provar, sabe-se lá por quê, que o povão não "está nem aí" para a corrupção e que nossa elite tem padrões morais dignos de Catão, a pesquisa rendeu matéria.
Mais um pouco e descobriremos que os pobres, os nordestinos e os negros são os responsáveis pela corrupção no país, que os ricos não têm nada a ver com isso, que em São Paulo nunca se pagou nem se recebeu propina e que os brancos sempre repeliram com veemência a idéia de pagar ou de levar um "por fora".
Não sei por quê, mas lembrei-me do samba "Não é conselho", de Dário Augusto e Nilcéia Gomes, gravado em 1993 pelo grande Bezerra da Silva, que pode ser ouvido aqui. A letra diz o seguinte:
É, doutor, isso é um alô,
Não é um conselho,
Mas não foi o preto quem botou
O meu Brasil no vermelho
Quando a coisa não vai bem
Eles dizem logo que está preta
Mas não foi o preto que travou
A grana da caderneta
Juro alto, inflação,
Mutretagem, mordomia
Mão não foi o preto
Quem botou o povão nessa agonia...
Como a maioria dos sambas cantados por Bezerra da Silva nessa fase, ele pega pesado. Pessoalmente, acho o voto nulo um erro. Sempre há um nome melhor (ou menos pior) do que os outros nas eleições majoritárias. E há muitos candidatos a deputado que merecem nossos votos.
Mas que tem gente pegando pesado demais nessa campanha, tem. Como dizem os jovens: "menos, gente, menos". É muito fácil envenenar um país, e muito difícil desintoxicá-lo depois. É como o adolescente que cai na droga. Para entrar na onda, bastam meses (e alguma revolta). Para sair dela, às vezes, são necessários anos (e muito sofrimento).
sábado, outubro 07, 2006
sexta-feira, outubro 06, 2006
Delegado que vazou fotos pede a repórteres: "Tem que sair no Jornal Nacional"
(por Luiz Carlos Azenha, jornalista, em seu site Vi o mundo - o que você nunca pôde ver na TV)
O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, deu entrevista diante do prédio da PF paulista. Negou que tivesse sido o responsável pelo vazamento das fotos do dinheiro que seria usado por petistas para comprar um dossiê contra candidatos tucanos.
Algumas horas antes, ele havia se encontrado reservadamente com repórteres para dar um CD que continha as fotos. Pediu que cópias fossem feitas e distribuídas.
Pelo menos dois dos repórteres que conversaram com o delegado gravaram a conversa sigilosa. Tive acesso ao conteúdo da gravação.
Os peritos tiraram fotos e eu também tirei, explicou Edmilson aos jornalistas.
No dia anterior, ele tinha participado da perícia feita por agentes da Polícia Federal nos reais e dólares apreendidos com dois petistas em um hotel de São Paulo. O delegado usou sua própria máquina para fazer as fotos que divulgou.
Edmilson contou aos jornalistas como pretendia explicar ao chefe a aparição das fotos na mídia: Alguém que roubou e deu para vocês, disse ele. E mais: O que vai parecer? Que alguém roubou e vazou na imprensa.
O delegado disse aos repórteres que o superintendente da PF em São Paulo e o delegado encarregado do caso não sabiam da existência das fotos.
O delegado revelou preocupação com a aparição do nome da empresa encarregada de guardar o dinheiro nas fotografias.
Tira o nome Protege e tira essa data aqui, disse ele. Depois: Protege pode deixar.
Em seguida, o delegado deu aos repórteres a sugestão de usar o Photoshop, um programa de edição de fotos, para eliminar o nome da empresa das fotos.
O delegado Edmilson voltou a contar qual a justificativa daria ao chefe: Doutor, me furtaram. Sabe como é que é, não dá para confiar em repórter...
Um dos jornalistas riu da brincadeira.
O delegado disse que tinha feito as fotos no dia anterior, às cinco da tarde. Demonstrou preocupação com as conversas telefônicas, uma vez que ligava para repórteres que acompanhavam o caso: Tô grampeado, o telefone que eu ligo, eu tô desesperado.
Não havia repórter da TV Globo entre os jornalistas que se reuniram informalmente com o delegado, numa calçada. Ao discutir com os jornalistas sobre o momento certo para divulgar as fotos, o delegado foi enfático: Tem que sair hoje à noite na TV. Tem que sair no Jornal Nacional.
O delegado faz referência a um certo André, empresário que ele suspeitava ser a fonte do dinheiro apreendido. Tudo o que o PT precisa de dinheiro ele dá, diz o delegado.
Ele faz menção a José Dirceu, sem explicar o papel que o ex-ministro de Lula teria tido.
Explica que André e o irmão teriam feito fortuna ao vender uma empresa por 400 milhões. Tem umas pessoas investigando. É um nome (o de André) que voces podem jogar para ser investigado, sugeriu Edmilson aos repórteres.
O delegado não explicou se as pessoas a que se referiu eram colegas da Polícia Federal. Não fica claro se Edmilson Bruno estava fazendo uma investigação paralela dos petistas.
Ele estava de plantão na noite em que as prisões foram feitas e o dinheiro foi apreendido num hotel de São Paulo.
A grana tá vindo, o André banca e depois eles devolvem, explicou o delegado.
"Eles" seriam os petistas. Pelo que sugere o delegado, André fazia empréstimos ao PT, pagos mais tarde com dinheiro trazido de fora.
Me tiraram, me tiraram, me sacanearam, disse Edmilson aos repórteres, numa aparente referência ao afastamento dele do caso.
Antes de voltar ao prédio da Polícia Federal, o delegado insiste com os repórteres. Quer a garantia deles de que as imagens chegarão às emissoras de tevê: Globo e Band, fico tranqüilo?
Ele queria ter certeza de que os repórteres cumpririam o compromisso de distribuir cópias do CD. Ao se despedir, o delegado fez uma referência a Tiradentes, como se fosse este o papel que ele desejava desempenhar.
Mais tarde, o próprio Edmilson desceu para dar entrevista sobre o caso.
Negou que tivesse participado do vazamento das fotos. Disse aos repórteres: Estão ligando aí [na Polícia Federal de São Paulo] dizendo que o delegado Bruno desceu de manhã e saiu distribuindo fotos para todo mundo. Isso não é fato, afirmou - falando dele mesmo na terceira pessoa. Vocês estão prejudicando um profissional que tem dez anos de carreira e muito a zelar pela PF ainda.
Entre os repórteres que entrevistavam o delegado, na porta da Polícia Federal, estavam alguns dos que tinham recebido dele, secretamente, as fotos do dinheiro.
As imagens foram divulgadas com destaque nos telejornais daquela noite e ocuparam a primeira página dos principais jornais do Brasil, no dia seguinte.
Imagens que podem ter tido influência decisiva no resultado do primeiro turno das eleições presidenciais."
O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, deu entrevista diante do prédio da PF paulista. Negou que tivesse sido o responsável pelo vazamento das fotos do dinheiro que seria usado por petistas para comprar um dossiê contra candidatos tucanos.
Algumas horas antes, ele havia se encontrado reservadamente com repórteres para dar um CD que continha as fotos. Pediu que cópias fossem feitas e distribuídas.
Pelo menos dois dos repórteres que conversaram com o delegado gravaram a conversa sigilosa. Tive acesso ao conteúdo da gravação.
Os peritos tiraram fotos e eu também tirei, explicou Edmilson aos jornalistas.
No dia anterior, ele tinha participado da perícia feita por agentes da Polícia Federal nos reais e dólares apreendidos com dois petistas em um hotel de São Paulo. O delegado usou sua própria máquina para fazer as fotos que divulgou.
Edmilson contou aos jornalistas como pretendia explicar ao chefe a aparição das fotos na mídia: Alguém que roubou e deu para vocês, disse ele. E mais: O que vai parecer? Que alguém roubou e vazou na imprensa.
O delegado disse aos repórteres que o superintendente da PF em São Paulo e o delegado encarregado do caso não sabiam da existência das fotos.
O delegado revelou preocupação com a aparição do nome da empresa encarregada de guardar o dinheiro nas fotografias.
Tira o nome Protege e tira essa data aqui, disse ele. Depois: Protege pode deixar.
Em seguida, o delegado deu aos repórteres a sugestão de usar o Photoshop, um programa de edição de fotos, para eliminar o nome da empresa das fotos.
O delegado Edmilson voltou a contar qual a justificativa daria ao chefe: Doutor, me furtaram. Sabe como é que é, não dá para confiar em repórter...
Um dos jornalistas riu da brincadeira.
O delegado disse que tinha feito as fotos no dia anterior, às cinco da tarde. Demonstrou preocupação com as conversas telefônicas, uma vez que ligava para repórteres que acompanhavam o caso: Tô grampeado, o telefone que eu ligo, eu tô desesperado.
Não havia repórter da TV Globo entre os jornalistas que se reuniram informalmente com o delegado, numa calçada. Ao discutir com os jornalistas sobre o momento certo para divulgar as fotos, o delegado foi enfático: Tem que sair hoje à noite na TV. Tem que sair no Jornal Nacional.
O delegado faz referência a um certo André, empresário que ele suspeitava ser a fonte do dinheiro apreendido. Tudo o que o PT precisa de dinheiro ele dá, diz o delegado.
Ele faz menção a José Dirceu, sem explicar o papel que o ex-ministro de Lula teria tido.
Explica que André e o irmão teriam feito fortuna ao vender uma empresa por 400 milhões. Tem umas pessoas investigando. É um nome (o de André) que voces podem jogar para ser investigado, sugeriu Edmilson aos repórteres.
O delegado não explicou se as pessoas a que se referiu eram colegas da Polícia Federal. Não fica claro se Edmilson Bruno estava fazendo uma investigação paralela dos petistas.
Ele estava de plantão na noite em que as prisões foram feitas e o dinheiro foi apreendido num hotel de São Paulo.
A grana tá vindo, o André banca e depois eles devolvem, explicou o delegado.
"Eles" seriam os petistas. Pelo que sugere o delegado, André fazia empréstimos ao PT, pagos mais tarde com dinheiro trazido de fora.
Me tiraram, me tiraram, me sacanearam, disse Edmilson aos repórteres, numa aparente referência ao afastamento dele do caso.
Antes de voltar ao prédio da Polícia Federal, o delegado insiste com os repórteres. Quer a garantia deles de que as imagens chegarão às emissoras de tevê: Globo e Band, fico tranqüilo?
Ele queria ter certeza de que os repórteres cumpririam o compromisso de distribuir cópias do CD. Ao se despedir, o delegado fez uma referência a Tiradentes, como se fosse este o papel que ele desejava desempenhar.
Mais tarde, o próprio Edmilson desceu para dar entrevista sobre o caso.
Negou que tivesse participado do vazamento das fotos. Disse aos repórteres: Estão ligando aí [na Polícia Federal de São Paulo] dizendo que o delegado Bruno desceu de manhã e saiu distribuindo fotos para todo mundo. Isso não é fato, afirmou - falando dele mesmo na terceira pessoa. Vocês estão prejudicando um profissional que tem dez anos de carreira e muito a zelar pela PF ainda.
Entre os repórteres que entrevistavam o delegado, na porta da Polícia Federal, estavam alguns dos que tinham recebido dele, secretamente, as fotos do dinheiro.
As imagens foram divulgadas com destaque nos telejornais daquela noite e ocuparam a primeira página dos principais jornais do Brasil, no dia seguinte.
Imagens que podem ter tido influência decisiva no resultado do primeiro turno das eleições presidenciais."
Alkmin e seu portifólio de fracassos e desvios - I
Cansei de ouvir tucano estes dias de ressaca pós-primeiro turno. O debate agora fica mais focado. Vamos examinar um pouco da "obra" do chuchu à frente do estado de São Paulo e torcer para que o povo brasileiro não caia na mistificação que os setores da grande mídia tentam fazer, como se fosse possível esquecer o que é um país sob governo tucano.
Banespa
Originalmente, todo o valor auferido com a privatização do Banespa seria deduzido da dívida de São Paulo com a União. No entanto, o acordo entre os governos paulista e federal, pactuado em 1999, reduziu essa estimativa a R$ 2,07 bilhões. Resultado: como a instituição foi arrematada por R$ 7,05 bilhões, São Paulo abriu mão da bagatela de R$ 4,98 bilhões em favor da União.
Privatizações
Entre 1997 e 2000 foram entregues à iniciativa privada seis empresas do setor elétrico, uma de gás canalizado, dezoito unidades da Ceagesp, do transporte ferroviário, além de outras concessões públicas. Em todo o período, o Programa de Desestatização, criado em 1996 por Covas e coordenado por Alkmin, já transferiu R$ 34,4 bilhões, em valores nominais, do patrimônio público paulista, representando 51,6% da atual dívida pública. Em 2005 já atinge R$ 138 bilhões. No caso do Banespa a renúncia foi de quase R$ 5 bi. Já no da Nossa Caixa, o governo vem implementando uma nova forma de privatização, criando empresas subsidiárias privadas dentro do banco e alienando parte de seu capital para grupos estrangeiros. Em outubro de 2004 foi vendida boa parte das ações da Sabesp.
Energia elétrica
Processo comandado pela União (leia-se FHC), sob os argumentos de buscar investimentos privados, instituir algum nível de competitividades e, assim supostamente, otimizar os serviços prestados. De 1994 a 2001 os aumentos de tarifas para a faixa de consumo de 31 a 100 kWh mensais somaram 342,6%, ao passo que nesse mesmo período a inflação ficou no patamar de 92,06%. O "apagão" de 2001 e o racionamento de energia foram a síntese do fracasso dessa política, que teve como consequência a formação de cartéis, a baixa qualidade na prestação do serviço e tarifas aviltantes, além da inexistência de mecanismos de controle social sobre permissionários e concessionários.
Saúde
Situação paradoxal foi criada com o não repasse do previsto, por lei, aos municípios. Cada vez mais o estado vem se desresponsabilizando ante a formulação de políticas públicas e a gestão do sistema. Em São Paulo, o estado é crescentemente financiado pela União, com os recursos desta tendo evoluído de R$ 383 milhões em 2003 para R$ 2,457 bilhões em 2006. A qualidade do atendimento ao cidadão e a dificuldade de acesso, a má gestão dos leitos do SUS e a insuficiência da política de medicamentos são todos problemas que se perpetuam em decorrência dos baixos gastos e da omissão do governo estadual.
Habitação
O déficit habitacional é de 1,2 milhão de moradias. Considerando-se os domicílios com precárias condições de infra-estrutura, o déficit é de 3,7 milhões. Desde 2000 o governo descumpre a lei estadual que destina 1% do ICMS a moradias populares. Os recursos não aplicados já chegam a 548 milhões, o que explica o fato de apenas 18% das 390 mil unidades previstas para o período de 2000 a 2004 terem sido construídas. Ano passado, o estado entregou apenas 14 mil unidades. E apesar de a Grande São Paulo representar 46,62% do total do estado, somente 284 (!) das 10.455 novas moradias anunciadas este ano pelo governador serão construídas nas cidades da Região Metropolitana de São Paulo.
Segurança Pública
Resumidamente: a marca de Alkmin nesta área é a ausência de investimentos nas atividades de prevenção e investigação. Prova disto é que neste ano se reduziram em 26% os recursos do orçamento do setor. No seu governo se registrou o crescimento do crime organizado, o surgimento do PCC, expondo a população à fragilidade e à omissão do governo tucano. Pra não espichar a conversa, pois aqui a incúria é inconcebível, galática, infinitesimal.
Febem
A Febem é o maior símbolo do fracasso da forma de gestão implantada pelos tucanos em São Paulo. Estão sob responsabilidade do estado 19.089 adolescentes, dos quais 6.300 em regime fechado, um projeto herdado do regime militar, para o qual os 12 anos de governo tucano não produziram qualquer política alternativa. Incapaz de formular uma resposta para o problema, insistindo no modelo Febem, o governo Alkmin descumpriu sistematicamente o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Os números são eloquentes: de 2000 a 2005 foram 151 rebeliões, 67 tumultos, 599 fugas, com 4.327 fugitivos e 7 mortes, além de vários casos de estupros e inúmeros outros de tortura.
Agronegócio
Apesar da importância econômica do agronegócio e da agricultura familiar, a dotação orçamentária da Secretaria de Agricultura teve um decréscimo nominal de 0,94% em 2006, acentuando sua trajetória de queda em relação ao Orçamento do estado – passou de 0,92% em 2002 para 0,70% em 2006. Enquanto isso a regularização fundiária tem tido um enfoque estritamente urbano – apenas 10% dos títulos emitidos são de área rural -, e a arrecadação de terras devolutas para assentamentos está quase paralisada. O Instituto de Terras do Estado de São Paulo enfrenta ainda sérios problemas na negociação com seus funcionários e técnicos.
Funcionalismo público
A situação não poderia ser pior. Nestes anos de administração tucana, toda negociação salarial é sinônimo de greve. O governo sempre oferece reajustes baixos, que não repõem nem de longe as perdas acumuladas. Demitidos foram 195 mil, apesar do aumento da demanda por serviços em aparelhos públicos. O processo de terceirização foi o maior da história, com perda na qualidade da prestação de serviços. Os gastos com terceirizados já representam 9% sobre a despesa total, considerando o Orçamento do estado, que tem previsão de R$ 80 bilhões para este ano.
Dedicado ao Públio Athayde, que se cegou e não enxerga mais. Extraído de Frateschi. Paulo. "O fracasso do governo Alkmin". In: Teoria e Debate. Fundação Perseu Abramo. Ano 19, n.66, abril, maio, junho de 2006.
Banespa
Originalmente, todo o valor auferido com a privatização do Banespa seria deduzido da dívida de São Paulo com a União. No entanto, o acordo entre os governos paulista e federal, pactuado em 1999, reduziu essa estimativa a R$ 2,07 bilhões. Resultado: como a instituição foi arrematada por R$ 7,05 bilhões, São Paulo abriu mão da bagatela de R$ 4,98 bilhões em favor da União.
Privatizações
Entre 1997 e 2000 foram entregues à iniciativa privada seis empresas do setor elétrico, uma de gás canalizado, dezoito unidades da Ceagesp, do transporte ferroviário, além de outras concessões públicas. Em todo o período, o Programa de Desestatização, criado em 1996 por Covas e coordenado por Alkmin, já transferiu R$ 34,4 bilhões, em valores nominais, do patrimônio público paulista, representando 51,6% da atual dívida pública. Em 2005 já atinge R$ 138 bilhões. No caso do Banespa a renúncia foi de quase R$ 5 bi. Já no da Nossa Caixa, o governo vem implementando uma nova forma de privatização, criando empresas subsidiárias privadas dentro do banco e alienando parte de seu capital para grupos estrangeiros. Em outubro de 2004 foi vendida boa parte das ações da Sabesp.
Energia elétrica
Processo comandado pela União (leia-se FHC), sob os argumentos de buscar investimentos privados, instituir algum nível de competitividades e, assim supostamente, otimizar os serviços prestados. De 1994 a 2001 os aumentos de tarifas para a faixa de consumo de 31 a 100 kWh mensais somaram 342,6%, ao passo que nesse mesmo período a inflação ficou no patamar de 92,06%. O "apagão" de 2001 e o racionamento de energia foram a síntese do fracasso dessa política, que teve como consequência a formação de cartéis, a baixa qualidade na prestação do serviço e tarifas aviltantes, além da inexistência de mecanismos de controle social sobre permissionários e concessionários.
Saúde
Situação paradoxal foi criada com o não repasse do previsto, por lei, aos municípios. Cada vez mais o estado vem se desresponsabilizando ante a formulação de políticas públicas e a gestão do sistema. Em São Paulo, o estado é crescentemente financiado pela União, com os recursos desta tendo evoluído de R$ 383 milhões em 2003 para R$ 2,457 bilhões em 2006. A qualidade do atendimento ao cidadão e a dificuldade de acesso, a má gestão dos leitos do SUS e a insuficiência da política de medicamentos são todos problemas que se perpetuam em decorrência dos baixos gastos e da omissão do governo estadual.
Habitação
O déficit habitacional é de 1,2 milhão de moradias. Considerando-se os domicílios com precárias condições de infra-estrutura, o déficit é de 3,7 milhões. Desde 2000 o governo descumpre a lei estadual que destina 1% do ICMS a moradias populares. Os recursos não aplicados já chegam a 548 milhões, o que explica o fato de apenas 18% das 390 mil unidades previstas para o período de 2000 a 2004 terem sido construídas. Ano passado, o estado entregou apenas 14 mil unidades. E apesar de a Grande São Paulo representar 46,62% do total do estado, somente 284 (!) das 10.455 novas moradias anunciadas este ano pelo governador serão construídas nas cidades da Região Metropolitana de São Paulo.
Segurança Pública
Resumidamente: a marca de Alkmin nesta área é a ausência de investimentos nas atividades de prevenção e investigação. Prova disto é que neste ano se reduziram em 26% os recursos do orçamento do setor. No seu governo se registrou o crescimento do crime organizado, o surgimento do PCC, expondo a população à fragilidade e à omissão do governo tucano. Pra não espichar a conversa, pois aqui a incúria é inconcebível, galática, infinitesimal.
Febem
A Febem é o maior símbolo do fracasso da forma de gestão implantada pelos tucanos em São Paulo. Estão sob responsabilidade do estado 19.089 adolescentes, dos quais 6.300 em regime fechado, um projeto herdado do regime militar, para o qual os 12 anos de governo tucano não produziram qualquer política alternativa. Incapaz de formular uma resposta para o problema, insistindo no modelo Febem, o governo Alkmin descumpriu sistematicamente o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Os números são eloquentes: de 2000 a 2005 foram 151 rebeliões, 67 tumultos, 599 fugas, com 4.327 fugitivos e 7 mortes, além de vários casos de estupros e inúmeros outros de tortura.
Agronegócio
Apesar da importância econômica do agronegócio e da agricultura familiar, a dotação orçamentária da Secretaria de Agricultura teve um decréscimo nominal de 0,94% em 2006, acentuando sua trajetória de queda em relação ao Orçamento do estado – passou de 0,92% em 2002 para 0,70% em 2006. Enquanto isso a regularização fundiária tem tido um enfoque estritamente urbano – apenas 10% dos títulos emitidos são de área rural -, e a arrecadação de terras devolutas para assentamentos está quase paralisada. O Instituto de Terras do Estado de São Paulo enfrenta ainda sérios problemas na negociação com seus funcionários e técnicos.
Funcionalismo público
A situação não poderia ser pior. Nestes anos de administração tucana, toda negociação salarial é sinônimo de greve. O governo sempre oferece reajustes baixos, que não repõem nem de longe as perdas acumuladas. Demitidos foram 195 mil, apesar do aumento da demanda por serviços em aparelhos públicos. O processo de terceirização foi o maior da história, com perda na qualidade da prestação de serviços. Os gastos com terceirizados já representam 9% sobre a despesa total, considerando o Orçamento do estado, que tem previsão de R$ 80 bilhões para este ano.
Dedicado ao Públio Athayde, que se cegou e não enxerga mais. Extraído de Frateschi. Paulo. "O fracasso do governo Alkmin". In: Teoria e Debate. Fundação Perseu Abramo. Ano 19, n.66, abril, maio, junho de 2006.
SANTINHOS MOSTRAM FOTO DE LULA COM O NÚMERO DO CHUCHU
No dia 04/10, foi publicada no portal Supramax uma denúncia que, se comprovada, poderá custar um processo na justiça eleitoral contra alguns candidatos do PFL de Pernambuco.
Segundo o site, na tentativa de enganar alguns eleitores menos esclarecidos, foram distribuídos panfletos, também conhecidos como "Santinhos", na zona rural e em algumas cidades do sertão pernambucano, nos santinhos estavam impressas as fotos, nomes e números dos seguintes candidatos: Osvaldo Coelho federal 2530, Geraldo Coelho estadual 25230, Jarbas Senador 156, Mendonça governador 25 e, pasmem, Lula presidente 45. Isso, mesmo, colocaramn o número do adversário de Lula, Geraldo Alckmin, junto da foto do presidente que disputa a reeleição.
Não se sabe quantos eleitores foram vítimas desta marota fraude eleitoral, mas ela se explica pelo fato do presidente Lula ter aparecido em todas as pesquisas que antecederam a votação do primeiro turno com índices superiores a 70% das intenções de voto entre os eleitores pernambucanos. Os números finais da apuração do primeiro turno confirmaram este favoritismo. Lula obteve 70,93% dos votos válidos no estado contra 22,86% de Geraldo Alckmin.
Osvaldo Coelho, que aparecia no panfleto, obteve 72.109 mas não se reelegeu para a Câmara dos Deputados. Já seu colega de partido e sobrenome, Geraldo Coelho, foi reeleito para a Assembléia Legislativa de Pernambuco com 41.472 votos. O senador Jarbas Vasconcelos, que também figura no folheto, foi eleito senador com 56,14% dos votos válidos e o candidato ao governo de Pernambuco pelo PFL, Mendonça Filho, obteve 39,32% dos votos e disputará o segundo turno com o candidato do PSB, Eduardo Campos.
Veja as fotos dos santinhos:


isso foi divulgado anteontem. eu soube por e-mail ontem no fim da tarde. não vi em capas de jornais impressos muito menos ganhando destaque nos telejornais.
será que nossa mídia não acha que um ato desses é ABSURDO, IMORAL, IMUNDO, SALAFRÁRIO e tantos outros adjetivos menos publicáveis???? por que uma fato como esse não merece aqueles blocos de 20 minutos em cada jornal da globo com especulações e investigações profundas, aquela sanha pela busca e punição dos culpados por ato tão baixo??? cadê a foto do dinheiro que pagou a impressão do santinho??? cadê a desmoralização eterna da grafiqueta de fundo de quintal que deve ter rodado isso??? cadê a punição do PSDB pelo TSE??? cadê a míriam leitão ironizando o fato do geraldo não saber disso??? cadê a impugnação da candidatura de geraldo coelho (eleito!), jarbas vasconcelo (eleito!) e mendonça filho (foi pro segundo turno)???
EU QUERO VER O SANTINHOGATE NA CAPA DA VEJA!!!
alguém quer bater uma aposta comigo que, se bobear, nem notinha vai ter?
Segundo o site, na tentativa de enganar alguns eleitores menos esclarecidos, foram distribuídos panfletos, também conhecidos como "Santinhos", na zona rural e em algumas cidades do sertão pernambucano, nos santinhos estavam impressas as fotos, nomes e números dos seguintes candidatos: Osvaldo Coelho federal 2530, Geraldo Coelho estadual 25230, Jarbas Senador 156, Mendonça governador 25 e, pasmem, Lula presidente 45. Isso, mesmo, colocaramn o número do adversário de Lula, Geraldo Alckmin, junto da foto do presidente que disputa a reeleição.
Não se sabe quantos eleitores foram vítimas desta marota fraude eleitoral, mas ela se explica pelo fato do presidente Lula ter aparecido em todas as pesquisas que antecederam a votação do primeiro turno com índices superiores a 70% das intenções de voto entre os eleitores pernambucanos. Os números finais da apuração do primeiro turno confirmaram este favoritismo. Lula obteve 70,93% dos votos válidos no estado contra 22,86% de Geraldo Alckmin.
Osvaldo Coelho, que aparecia no panfleto, obteve 72.109 mas não se reelegeu para a Câmara dos Deputados. Já seu colega de partido e sobrenome, Geraldo Coelho, foi reeleito para a Assembléia Legislativa de Pernambuco com 41.472 votos. O senador Jarbas Vasconcelos, que também figura no folheto, foi eleito senador com 56,14% dos votos válidos e o candidato ao governo de Pernambuco pelo PFL, Mendonça Filho, obteve 39,32% dos votos e disputará o segundo turno com o candidato do PSB, Eduardo Campos.
Veja as fotos dos santinhos:
isso foi divulgado anteontem. eu soube por e-mail ontem no fim da tarde. não vi em capas de jornais impressos muito menos ganhando destaque nos telejornais.
será que nossa mídia não acha que um ato desses é ABSURDO, IMORAL, IMUNDO, SALAFRÁRIO e tantos outros adjetivos menos publicáveis???? por que uma fato como esse não merece aqueles blocos de 20 minutos em cada jornal da globo com especulações e investigações profundas, aquela sanha pela busca e punição dos culpados por ato tão baixo??? cadê a foto do dinheiro que pagou a impressão do santinho??? cadê a desmoralização eterna da grafiqueta de fundo de quintal que deve ter rodado isso??? cadê a punição do PSDB pelo TSE??? cadê a míriam leitão ironizando o fato do geraldo não saber disso??? cadê a impugnação da candidatura de geraldo coelho (eleito!), jarbas vasconcelo (eleito!) e mendonça filho (foi pro segundo turno)???
EU QUERO VER O SANTINHOGATE NA CAPA DA VEJA!!!
alguém quer bater uma aposta comigo que, se bobear, nem notinha vai ter?
Carta aberta aos eleitores cristãos
(Frei Betto, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais)
A 29 de outubro escolheremos quem governará o Brasil nos próximos 4 anos: Lula ou Alckmin. Os dois são cristãos. Os dois nunca deram mostras de tendência fundamentalista, a de querer submeter a política à autoridade de uma Igreja ou religião.
A política é laica, ou seja, neutra em matéria de religião. Ela visa ao conjunto da população, sem levar em conta as convicções religiosas do cidadão ou cidadã. A todos o governo tem a obrigação de servir, assegurando-lhes direitos, proteção e o mínimo de bens para que possam viver com dignidade.
Se nenhuma religião tem o direito de tutelar a política, isso não significa que a política deva se confinar no pragmatismo do jogo de poder. A política se apóia em valores éticos. E nós, cristãos, temos como fonte de valores a Palavra de Jesus. É à luz do Evangelho que avaliamos todas as esferas da atividade humana, inclusive a política que é a mais importante delas, pois influi em todas as outras.
Para Jesus, o dom maior de Deus é a vida. Está mais próxima do Evangelho a política que favorece condições dignas de vida à maioria da população. É neste ponto que as políticas do PSDB e do PT ganham contornos diferentes. Os dois partidos tiveram desvios éticos? Sem dúvida. Como ironiza Jesus, atire a primeira pedra quem não tem pecado! Errar é humano. Persistir no erro é abominável. Se um membro da família erra, não se pode condenar por isso toda a família. O grave é quando a família toda abraça o caminho do erro.
Este foi o caso do PSDB, partido de Alckmin, nos 8 anos em que FHC (Fernando Henrique Cardoso) governou o Brasil (1994-2002). Empresas públicas foram privatizadas. Grandes empresas brasileiras - Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás, Usiminas etc - patrimônios do povo brasileiro, cujos lucros engordavam os cofres do Estado, foram vendidas a preço de banana, e os lucros passaram a ser embolsados por corporações privadas, muitas delas estrangeiras.
Lula não privatizou o patrimônio público. Eleger Alckmin pode ser o primeiro passo para a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios.
No governo FHC, as políticas sociais eram tímidas e assistencialistas. O Comunidade Solidária era uma iniciativa nanica comparada à grandiosidade do Bolsa Família, que hoje distribui renda para mais de 40 milhões de pessoas. Graças a isso, de cada 100 brasileiros que viviam na miséria, nos últimos 4 anos 19 passaram à classe média.
No governo Lula houve, sim, desvios éticos: o caso Waldomiro Diniz; o "mensalão" e os "sanguessugas"; a quebra do sigilo bancário do caseiro de Brasília; o dossiê contra Serra. Não há nenhuma prova de que o presidente soubesse antecipadamente dessas operações inescrupulosas. E ao virem a público, ele tratou de demitir os envolvidos.
No governo FHC, dinheiro público foi usado para tentar socorrer bancos privados: o Proer. O Banco Econômico recebeu R$9,6 bilhões. Instalou-se uma CPI que, controlada pelo Planalto, justificou a maracutaia e nunca investigou a Pasta Rosa que continha os nomes de 25 deputados federais subornados pelo Econômico.
Houve ainda os casos dos precatórios; da compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC; do socorro aos bancos Marka e FonteCidam no valor de R$1,6 bilhão (os tucanos impediram a instalação da CPI para investigar o caso); as falcatruas na Sudam etc. Nada foi apurado, porque o Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, conhecido como "engavetador-geral", engavetou, até maio de 2001, 242 processos contra o governo e arquivou outros 217, livrando os suspeitos de qualquer investigação: 194 deputados federais, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros, e o próprio presidente da República.
O governo FHC tratou os movimentos populares como caso de polícia, e não de política. Remeteu o Exército para reprimir o MST e os petroleiros em greve. Lula jamais criminalizou movimentos sociais e, sob o seu governo, a Polícia Federal levou à prisão gente graúda, dos donos de uma grande cervejaria a juízes, e inclusive petistas envolvidos no caso do dossiê anti-Serra.
O governo Lula reforçou a soberania do Brasil. Repudiou a Alca proposta pelo governo Bush; condenou a invasão do Iraque; visitou a cada ano países da África; abriu as portas de nossas universidades a negros e indígenas; estendeu energia elétrica aos mais distantes rincões; manteve a inflação sob controle; impediu a alta do dólar; reduziu os preços dos gêneros de primeira necessidade; ampliou o poder aquisitivo dos mais pobres, através do aumento do salário mínimo.
Lula ainda nos deve muito do que prometeu ao longo de suas campanhas presidenciais, como a reforma agrária. Porém, o Brasil e a América Latina serão melhores com ele do que sem ele. Se você está convencido disso, trate de convencer também outros eleitores.
Vamos votar na vida e "vida para todos" (João 10,10).
Vamos reeleger Lula presidente!
A 29 de outubro escolheremos quem governará o Brasil nos próximos 4 anos: Lula ou Alckmin. Os dois são cristãos. Os dois nunca deram mostras de tendência fundamentalista, a de querer submeter a política à autoridade de uma Igreja ou religião.
A política é laica, ou seja, neutra em matéria de religião. Ela visa ao conjunto da população, sem levar em conta as convicções religiosas do cidadão ou cidadã. A todos o governo tem a obrigação de servir, assegurando-lhes direitos, proteção e o mínimo de bens para que possam viver com dignidade.
Se nenhuma religião tem o direito de tutelar a política, isso não significa que a política deva se confinar no pragmatismo do jogo de poder. A política se apóia em valores éticos. E nós, cristãos, temos como fonte de valores a Palavra de Jesus. É à luz do Evangelho que avaliamos todas as esferas da atividade humana, inclusive a política que é a mais importante delas, pois influi em todas as outras.
Para Jesus, o dom maior de Deus é a vida. Está mais próxima do Evangelho a política que favorece condições dignas de vida à maioria da população. É neste ponto que as políticas do PSDB e do PT ganham contornos diferentes. Os dois partidos tiveram desvios éticos? Sem dúvida. Como ironiza Jesus, atire a primeira pedra quem não tem pecado! Errar é humano. Persistir no erro é abominável. Se um membro da família erra, não se pode condenar por isso toda a família. O grave é quando a família toda abraça o caminho do erro.
Este foi o caso do PSDB, partido de Alckmin, nos 8 anos em que FHC (Fernando Henrique Cardoso) governou o Brasil (1994-2002). Empresas públicas foram privatizadas. Grandes empresas brasileiras - Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás, Usiminas etc - patrimônios do povo brasileiro, cujos lucros engordavam os cofres do Estado, foram vendidas a preço de banana, e os lucros passaram a ser embolsados por corporações privadas, muitas delas estrangeiras.
Lula não privatizou o patrimônio público. Eleger Alckmin pode ser o primeiro passo para a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios.
No governo FHC, as políticas sociais eram tímidas e assistencialistas. O Comunidade Solidária era uma iniciativa nanica comparada à grandiosidade do Bolsa Família, que hoje distribui renda para mais de 40 milhões de pessoas. Graças a isso, de cada 100 brasileiros que viviam na miséria, nos últimos 4 anos 19 passaram à classe média.
No governo Lula houve, sim, desvios éticos: o caso Waldomiro Diniz; o "mensalão" e os "sanguessugas"; a quebra do sigilo bancário do caseiro de Brasília; o dossiê contra Serra. Não há nenhuma prova de que o presidente soubesse antecipadamente dessas operações inescrupulosas. E ao virem a público, ele tratou de demitir os envolvidos.
No governo FHC, dinheiro público foi usado para tentar socorrer bancos privados: o Proer. O Banco Econômico recebeu R$9,6 bilhões. Instalou-se uma CPI que, controlada pelo Planalto, justificou a maracutaia e nunca investigou a Pasta Rosa que continha os nomes de 25 deputados federais subornados pelo Econômico.
Houve ainda os casos dos precatórios; da compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC; do socorro aos bancos Marka e FonteCidam no valor de R$1,6 bilhão (os tucanos impediram a instalação da CPI para investigar o caso); as falcatruas na Sudam etc. Nada foi apurado, porque o Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, conhecido como "engavetador-geral", engavetou, até maio de 2001, 242 processos contra o governo e arquivou outros 217, livrando os suspeitos de qualquer investigação: 194 deputados federais, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros, e o próprio presidente da República.
O governo FHC tratou os movimentos populares como caso de polícia, e não de política. Remeteu o Exército para reprimir o MST e os petroleiros em greve. Lula jamais criminalizou movimentos sociais e, sob o seu governo, a Polícia Federal levou à prisão gente graúda, dos donos de uma grande cervejaria a juízes, e inclusive petistas envolvidos no caso do dossiê anti-Serra.
O governo Lula reforçou a soberania do Brasil. Repudiou a Alca proposta pelo governo Bush; condenou a invasão do Iraque; visitou a cada ano países da África; abriu as portas de nossas universidades a negros e indígenas; estendeu energia elétrica aos mais distantes rincões; manteve a inflação sob controle; impediu a alta do dólar; reduziu os preços dos gêneros de primeira necessidade; ampliou o poder aquisitivo dos mais pobres, através do aumento do salário mínimo.
Lula ainda nos deve muito do que prometeu ao longo de suas campanhas presidenciais, como a reforma agrária. Porém, o Brasil e a América Latina serão melhores com ele do que sem ele. Se você está convencido disso, trate de convencer também outros eleitores.
Vamos votar na vida e "vida para todos" (João 10,10).
Vamos reeleger Lula presidente!
quarta-feira, outubro 04, 2006
Aliança com Garotinho desmonta discurso de Alckmin
(Maurício Thuswohl, na Agência Carta Maior)
RIO DE JANEIRO – O PSDB também sabe dar tiro no próprio pé. Ou, como disse o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, um "tiro na cabeça". Assim está sendo considerada, até mesmo por aliados, a decisão do candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, de aceitar o apoio do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, e de sua mulher, a atual governadora Rosinha Matheus, nesse segundo turno. A aliança com o casal Garotinho - atingido por diversas denúncias de desvio de dinheiro público e outras práticas políticas condenáveis - joga por terra a tentativa do PSDB de construir um discurso "pela ética" na disputa presidencial. Outro efeito bombástico dessa aliança é sacramentar o racha no PMDB do Rio, já que o candidato do partido ao Governo, Sérgio Cabral Filho, fechou acordo com o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tiro no pé de Alckmin começou a sangrar com mais intensidade na manhã dessa quarta-feira (4), depois que a adversária de Cabral Filho no segundo turno, Denise Frossard (PPS), declarou publicamente que, em caso de confirmação da aliança com Garotinho, prefere "retirar o apoio" ao tucano: "Eu rejeito o apoio do Geraldo Alckmin e não autorizo que ele utilize minha imagem em sua campanha. Depois que o vi sentado ao lado do casal Garotinho e aceitando o apoio deles, cheguei à conclusão de que Alckmin não gosta do Rio", disse a candidata em entrevista à rádio CBN. Frossard voltou a qualificar os governos de Garotinho e Rosinha como "desastrosos" do ponto de vista ético: "O [Mário] Covas deve estar se revirando no túmulo com essa aliança fechada pelo Alckmin".
Ao anunciar o rompimento com a candidatura do PSDB à Presidência, Denise Frossard confirmou uma tendência que já havia sido desenhada na véspera por Cesar Maia, que é o principal avalista de sua candidatura ao Governo do Rio. Principal liderança do PFL da Região Sudeste, Cesar não escondeu a perplexidade com o gesto político de Alckmin. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo nessa quarta-feira, o prefeito do Rio diz que os eleitores podem ver em Alckmin "uma Dona Flor" e que nem ele nem Frossard "querem ser um dos dois maridos de Dona Flor" frente ao eleitorado fluminense.
"Do ponto de vista político, no Rio, a aliança com Garotinho é um tiro na cabeça. Parece que Alckmin não entendeu a eleição no Rio. É uma boa justificativa para o eleitor da Heloísa Helena, que não consegue digerir o Garotinho, votar no Lula", disse Cesar. O pefelista também garantiu que não vai subir em palanques com o tucano: "Agora vou ter cuidado. Se eu estiver junto com o Alckmin e o meu eleitor perceber o Garotinho dentro da campanha do Alckmin, esse beijo da morte pode pegar em mim. O Rio é o meu espaço político. Nesse momento, essa proximidade pode ser virótica. Preciso tomar muito cuidado. Tomar banho de sal, como dizia o [Leonel] Brizola".
O recado de Cesar à direção do PSDB foi claro. Sua conseqüência imediata foi a intervenção do presidente nacional tucano, Tasso Jereissati, na reunião da Executiva estadual do partido que caminhava para aprovar o apoio a Cabral Filho no segundo turno. Esse apoio seria possível devido à hostilidade com que Cesar passou a tratar o ex-pupilo Eduardo Paes e parte da direção estadual do PSDB depois que estes bancaram candidatura própria em vez de apoiar Frossard no primeiro turno. Esse afastamento aproximava os tucanos fluminenses de Cabral Filho, mas um telefonema de Tasso mudou os rumos da reunião como que por milagre: "A prioridade é eleger Geraldo Alckmin", disse Paes ao fim do encontro, resumindo a orientação passada por Tasso.
Alckmin sem palanque
O tiro no pé de Geraldo Alckmin pode sangrar ainda mais, pois, com a debandada de Cesar Maia e Denise Frossard de sua candidatura, é provável que ele fique sem um palanque forte no Rio durante toda a campanha do segundo turno. A situação deve divertir Lula, pois há duas semanas atrás todos os grandes jornais fluminenses apostavam que Alckmin poderia ter os dois palanques no Rio. Agora, com o acordo firmado entre Cabral Filho e Lula e a nova posição de Frossard, periga acontecer o contrário. O próprio Garotinho tenta minimizar esse problema: "Faremos palanques nossos para o Alckmin. Palanques do Garotinho e da Rosinha", disse.
Apesar das inúmeras pressões, Alckmin parece disposto a não voltar atrás na aliança com Garotinho. Resta saber o que isso significará em termos de votos. Ex-prefeito de Piraí e vice na chapa de Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, que também coordena a campanha do PMDB no interior, nos dá uma pista: "O Alckmin vai perder mais do que ganhar no interior do Estado. Todos os prefeitos que apóiam o Sérgio já estão fechados com o Lula. O candidato a governador é o Sérgio, não é o Garotinho", resume.
RIO DE JANEIRO – O PSDB também sabe dar tiro no próprio pé. Ou, como disse o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, um "tiro na cabeça". Assim está sendo considerada, até mesmo por aliados, a decisão do candidato tucano à Presidência da República, Geraldo Alckmin, de aceitar o apoio do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, e de sua mulher, a atual governadora Rosinha Matheus, nesse segundo turno. A aliança com o casal Garotinho - atingido por diversas denúncias de desvio de dinheiro público e outras práticas políticas condenáveis - joga por terra a tentativa do PSDB de construir um discurso "pela ética" na disputa presidencial. Outro efeito bombástico dessa aliança é sacramentar o racha no PMDB do Rio, já que o candidato do partido ao Governo, Sérgio Cabral Filho, fechou acordo com o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tiro no pé de Alckmin começou a sangrar com mais intensidade na manhã dessa quarta-feira (4), depois que a adversária de Cabral Filho no segundo turno, Denise Frossard (PPS), declarou publicamente que, em caso de confirmação da aliança com Garotinho, prefere "retirar o apoio" ao tucano: "Eu rejeito o apoio do Geraldo Alckmin e não autorizo que ele utilize minha imagem em sua campanha. Depois que o vi sentado ao lado do casal Garotinho e aceitando o apoio deles, cheguei à conclusão de que Alckmin não gosta do Rio", disse a candidata em entrevista à rádio CBN. Frossard voltou a qualificar os governos de Garotinho e Rosinha como "desastrosos" do ponto de vista ético: "O [Mário] Covas deve estar se revirando no túmulo com essa aliança fechada pelo Alckmin".
Ao anunciar o rompimento com a candidatura do PSDB à Presidência, Denise Frossard confirmou uma tendência que já havia sido desenhada na véspera por Cesar Maia, que é o principal avalista de sua candidatura ao Governo do Rio. Principal liderança do PFL da Região Sudeste, Cesar não escondeu a perplexidade com o gesto político de Alckmin. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo nessa quarta-feira, o prefeito do Rio diz que os eleitores podem ver em Alckmin "uma Dona Flor" e que nem ele nem Frossard "querem ser um dos dois maridos de Dona Flor" frente ao eleitorado fluminense.
"Do ponto de vista político, no Rio, a aliança com Garotinho é um tiro na cabeça. Parece que Alckmin não entendeu a eleição no Rio. É uma boa justificativa para o eleitor da Heloísa Helena, que não consegue digerir o Garotinho, votar no Lula", disse Cesar. O pefelista também garantiu que não vai subir em palanques com o tucano: "Agora vou ter cuidado. Se eu estiver junto com o Alckmin e o meu eleitor perceber o Garotinho dentro da campanha do Alckmin, esse beijo da morte pode pegar em mim. O Rio é o meu espaço político. Nesse momento, essa proximidade pode ser virótica. Preciso tomar muito cuidado. Tomar banho de sal, como dizia o [Leonel] Brizola".
O recado de Cesar à direção do PSDB foi claro. Sua conseqüência imediata foi a intervenção do presidente nacional tucano, Tasso Jereissati, na reunião da Executiva estadual do partido que caminhava para aprovar o apoio a Cabral Filho no segundo turno. Esse apoio seria possível devido à hostilidade com que Cesar passou a tratar o ex-pupilo Eduardo Paes e parte da direção estadual do PSDB depois que estes bancaram candidatura própria em vez de apoiar Frossard no primeiro turno. Esse afastamento aproximava os tucanos fluminenses de Cabral Filho, mas um telefonema de Tasso mudou os rumos da reunião como que por milagre: "A prioridade é eleger Geraldo Alckmin", disse Paes ao fim do encontro, resumindo a orientação passada por Tasso.
Alckmin sem palanque
O tiro no pé de Geraldo Alckmin pode sangrar ainda mais, pois, com a debandada de Cesar Maia e Denise Frossard de sua candidatura, é provável que ele fique sem um palanque forte no Rio durante toda a campanha do segundo turno. A situação deve divertir Lula, pois há duas semanas atrás todos os grandes jornais fluminenses apostavam que Alckmin poderia ter os dois palanques no Rio. Agora, com o acordo firmado entre Cabral Filho e Lula e a nova posição de Frossard, periga acontecer o contrário. O próprio Garotinho tenta minimizar esse problema: "Faremos palanques nossos para o Alckmin. Palanques do Garotinho e da Rosinha", disse.
Apesar das inúmeras pressões, Alckmin parece disposto a não voltar atrás na aliança com Garotinho. Resta saber o que isso significará em termos de votos. Ex-prefeito de Piraí e vice na chapa de Cabral Filho, Luiz Fernando Pezão, que também coordena a campanha do PMDB no interior, nos dá uma pista: "O Alckmin vai perder mais do que ganhar no interior do Estado. Todos os prefeitos que apóiam o Sérgio já estão fechados com o Lula. O candidato a governador é o Sérgio, não é o Garotinho", resume.
Lula de novo, com a força do povo!
A campanha Lula dirige um profundo agradecimento aos milhões de homens e mulheres que, neste domingo, votaram a favor da reeleição do Presidente; e aos milhares de militantes que, em todo o país, trabalharam incansavelmente pela nossa campanha. Chamamos todos a, no segundo turno, reeleger o presidente da República e eleger os governadores comprometidos com nosso projeto.
O segundo turno será um confronto entre dois projetos de Nação. De um lado, as forças progressistas comprometidas com um Brasil democrático, popular e soberano. De outro lado, o bloco conservador que governou o Brasil na década de noventa e nos primeiros anos deste século.
Lula é candidato à reeleição, porque seu governo foi extremamente positivo para o Brasil: desenvolvimento econômico, redução da vulnerabilidade externa, ampliação do mercado interno, crescimento do emprego, aumento da massa salarial, redução da fome, da miséria e da desigualdade social. O segundo mandato aprofundará isto. Como diz o presidente, "o nome do meu segundo mandato será desenvolvimento, com distribuição de renda e educação de qualidade".
No último domingo de outubro, o povo brasileiro dirá um não ao retrocesso, ao atraso, ao neoliberalismo. Não voltaremos aos tempos de descalabro que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso e os 12 anos de governo tucano em São Paulo.
Para derrotar o atraso, a campanha Lula buscará, com firmeza e com humildade, ganhar a confiança e o voto dos eleitores que, no primeiro turno, se abstiveram, votaram em branco e nulo, votaram em outras candidaturas e inclusive os eleitores que optaram por nosso adversário. Apresentaremos nossos acertos, reconhecendo e corrigindo nossos erros, reafirmando o que será nosso segundo mandato e desmascarando de maneira clara e didática as mentiras que foram lançadas contra nós, especialmente nas últimas semanas.
Como no primeiro turno, a vitória dependerá principalmente do entusiasmo do povo, dos militantes, dos apoiadores de nossa candidatura: as lideranças dos movimentos sociais e dos partidos, nossos candidatos de primeiro turno, os nossos governadores, parlamentares e prefeitos, a intelectualidade democrática e a juventude. Conclamamos o povo brasileiro a ocupar a linha de frente da campanha.
Lula de novo, com a força do povo.
À vitória!
(Nota da coordenação nacional da campanha Lula presidente)
O segundo turno será um confronto entre dois projetos de Nação. De um lado, as forças progressistas comprometidas com um Brasil democrático, popular e soberano. De outro lado, o bloco conservador que governou o Brasil na década de noventa e nos primeiros anos deste século.
Lula é candidato à reeleição, porque seu governo foi extremamente positivo para o Brasil: desenvolvimento econômico, redução da vulnerabilidade externa, ampliação do mercado interno, crescimento do emprego, aumento da massa salarial, redução da fome, da miséria e da desigualdade social. O segundo mandato aprofundará isto. Como diz o presidente, "o nome do meu segundo mandato será desenvolvimento, com distribuição de renda e educação de qualidade".
No último domingo de outubro, o povo brasileiro dirá um não ao retrocesso, ao atraso, ao neoliberalismo. Não voltaremos aos tempos de descalabro que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso e os 12 anos de governo tucano em São Paulo.
Para derrotar o atraso, a campanha Lula buscará, com firmeza e com humildade, ganhar a confiança e o voto dos eleitores que, no primeiro turno, se abstiveram, votaram em branco e nulo, votaram em outras candidaturas e inclusive os eleitores que optaram por nosso adversário. Apresentaremos nossos acertos, reconhecendo e corrigindo nossos erros, reafirmando o que será nosso segundo mandato e desmascarando de maneira clara e didática as mentiras que foram lançadas contra nós, especialmente nas últimas semanas.
Como no primeiro turno, a vitória dependerá principalmente do entusiasmo do povo, dos militantes, dos apoiadores de nossa candidatura: as lideranças dos movimentos sociais e dos partidos, nossos candidatos de primeiro turno, os nossos governadores, parlamentares e prefeitos, a intelectualidade democrática e a juventude. Conclamamos o povo brasileiro a ocupar a linha de frente da campanha.
Lula de novo, com a força do povo.
À vitória!
(Nota da coordenação nacional da campanha Lula presidente)
O PSOL em silêncio obsequioso?
(Flávio Aguiar, Agência Carta Maior)
A noite de ontem e a manhã desta quarta-feira foi rica de notícias, em contraste com os dois dias anteriores, em que as partes em disputa pareciam contar mortos, feridos, sobreviventes e vitoriosos.
Ganhou manchetes a incômoda notícia de que Garotinho e Rosinha Matheus deram apoio a Geraldo Alckmin e este aceitou agradecido. Também deu manchete a estranha declaração do ex-governador de S. Paulo de que Lula estaria à sua direita, e que ele (Alckmin) seria "mais à esquerda no apreço à democracia e no sentido econômico". Mesmo levando em conta que Lula não fez um governo de esquerda na política econômica, é difícil o ex-governador de S. Paulo reivindicar qualquer passo à esquerda nesse campo, herdeiro que é do campeão de privatizações FHC, sem falar nas específicas de S. Paulo, enquanto Lula estancou esse processo.
A Polícia Federal revelou que não encontrou indícios da participação de Freud Godoy na operação Tabajara em torno do dossiê Vedoin/Serra/Barjas Negri. Quando da menção feita pelo ex-PF Gedimar Passos - que também precisa ser explicada - de que o assessor do Planalto estaria envolvido, a foto dele foi parar nas meanchetes. A notícia da PF escorregou sorrateira para as páginas interiores. O destaque ia para a suposição de que a PF deve ou pode pedir a prisão de Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha de Mercadante em São Paulo.
Mas a nota mais curiosa do momento foi o pronunciamento da senadora Heloisa Helena na tribuna do Senado, proibindo os seus correligionários de partido de se pronunciarem publicamente sobre sua preferência entre Lula ou Alckmin, e ainda ameaçando os que o fizerem de exclusão (repetindo o que o PT fez com ela). E ainda permitiu: "Lá na urna tudo bem".
Ora, sabe-se que há um processo de debate muito intenso no PSOL em torno da possibilidade de dar ou não um apoio crítico a Lula, numa visão de repúdio à uma candidatura claramente direitista - pecha que Alckmin deseja evitar, assim como fez de tudo no passado para evitar a pecha de que pertenceria ou seria simpatizante da Opus Dei. No PSOL a declaração de Heloisa Helena provocou perplexidade, inclusive nos deputados reeleitos Chico de Alencar e Ivan Valente que, na Folha de S. Paulo, manifestaram desconforto com a idéia de se manterem numa "neutralidade insossa" ou na impossibilidade de mostrar "o que é mais nocivo para o país" (declaração de Valente).
A noite de ontem e a manhã desta quarta-feira foi rica de notícias, em contraste com os dois dias anteriores, em que as partes em disputa pareciam contar mortos, feridos, sobreviventes e vitoriosos.
Ganhou manchetes a incômoda notícia de que Garotinho e Rosinha Matheus deram apoio a Geraldo Alckmin e este aceitou agradecido. Também deu manchete a estranha declaração do ex-governador de S. Paulo de que Lula estaria à sua direita, e que ele (Alckmin) seria "mais à esquerda no apreço à democracia e no sentido econômico". Mesmo levando em conta que Lula não fez um governo de esquerda na política econômica, é difícil o ex-governador de S. Paulo reivindicar qualquer passo à esquerda nesse campo, herdeiro que é do campeão de privatizações FHC, sem falar nas específicas de S. Paulo, enquanto Lula estancou esse processo.
A Polícia Federal revelou que não encontrou indícios da participação de Freud Godoy na operação Tabajara em torno do dossiê Vedoin/Serra/Barjas Negri. Quando da menção feita pelo ex-PF Gedimar Passos - que também precisa ser explicada - de que o assessor do Planalto estaria envolvido, a foto dele foi parar nas meanchetes. A notícia da PF escorregou sorrateira para as páginas interiores. O destaque ia para a suposição de que a PF deve ou pode pedir a prisão de Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha de Mercadante em São Paulo.
Mas a nota mais curiosa do momento foi o pronunciamento da senadora Heloisa Helena na tribuna do Senado, proibindo os seus correligionários de partido de se pronunciarem publicamente sobre sua preferência entre Lula ou Alckmin, e ainda ameaçando os que o fizerem de exclusão (repetindo o que o PT fez com ela). E ainda permitiu: "Lá na urna tudo bem".
Ora, sabe-se que há um processo de debate muito intenso no PSOL em torno da possibilidade de dar ou não um apoio crítico a Lula, numa visão de repúdio à uma candidatura claramente direitista - pecha que Alckmin deseja evitar, assim como fez de tudo no passado para evitar a pecha de que pertenceria ou seria simpatizante da Opus Dei. No PSOL a declaração de Heloisa Helena provocou perplexidade, inclusive nos deputados reeleitos Chico de Alencar e Ivan Valente que, na Folha de S. Paulo, manifestaram desconforto com a idéia de se manterem numa "neutralidade insossa" ou na impossibilidade de mostrar "o que é mais nocivo para o país" (declaração de Valente).
segunda-feira, outubro 02, 2006
O que está em causa
(Mauro Santayana, na Agência Carta Maior)
Como é bom manter a prudência, devemos esperar o encerramento das apurações, a fim de saber se o presidente Lula será ou não eleito no primeiro turno, neste domingo. Discutia-se, sexta-feira, se ele fez bem, ou não, em comparecer ao debate realizado nos estúdios da maior emissora de televisão do país. Todas as decisões desta natureza são arriscadas. Se Lula comparecesse, perderia; se não comparecesse, perderia também.
Se comparecesse, estaria confrontando-se a uma coligação ocasional de todos os outros candidatos com o propósito de o acossar. Foi uma decisão pessoal, como pessoal foi a decisão de Aécio Neves em não comparecer ao debate com seu adversário Nilmário Miranda. Tanto assim que o governador de Minas, ao ser interpelado pelos jornalistas, disse que Lula agira de acordo com sua consciência, e deve ser respeitado em sua decisão.
Os candidatos que se encontram bem colocados nas pesquisas costumam esquivar-se desses confrontos, que nada podem acrescentar ao seu desempenho. Relembre-se que Fernando Henrique também não compareceu a debates para os quais foi convidado. Mas não foi em razão disso que Lula deixou de comparecer. Com certeza ele ganharia o debate, já que dispõe de números contra o desempenho de seus opositores - por oito anos no governo federal, e por doze anos no Estado de São Paulo - que os esmagaria.
Mas Lula parece preocupado com a governabilidade do País, e não desejar que o clima de confronto chegue a um ponto sem volta, como querem, entre outros, Fernando Henrique. Para o ex-presidente, hoje gozando do ócio, o dilúvio seria a glória.
Mais do que o debate em si, o que alguns de seus conselheiros temiam era a edição da matéria pelos noticiários da televisão. Lembro-me, e muito bem, do que foi o debate de 1989, entre o atual presidente e Fernando Collor, pela Rede Globo. Assisti ao debate em companhia de Pimenta da Veiga - que então apoiava Lula - e ambos, veteranos no acompanhamento dos fatos políticos, concluímos que Lula havia vencido a disputa, não obstante as terríveis pressões emocionais daquelas horas.
Mas, no dia seguinte, a versão do debate, com sua edição, depois confessadamente manipulada por conhecidos jornalistas da emissora, fez do claro, escuro, ao suprimir frases, desviá-las de seu contexto, explorar as imagens, cortá-las, mesclá-las. Lula foi visto como um pobre coitado, acabrunhado, diante de um Collor flamejante, inteligente e - quem diria? - irretocável moralista. Essa manipulação foi decisiva para que Lula perdesse aquela eleição.
Ficou muito claro, nesta etapa final da campanha, que os inimigos não descansam, nem mandam flores. Os tucanos, que não explicaram, nem nunca explicarão o que fizeram do patrimônio nacional, nem os casos conhecidos e evidentes de corrupção e de desvio de dinheiro do Estado, durante os oito anos de Fernando Henrique, valem-se de episódios, ainda não muito esclarecidos, que estão sendo investigados pela Polícia Federal, por iniciativa do próprio governo, para tentar desmoralizar o atual Presidente da República.
Já é notório que todos os casos clamorosos ocorridos no âmbito do Ministério da Saúde começaram no governo anterior, tanto assim que a imensa maioria das ambulâncias superfaturadas foram fornecidas pela Planam antes do atual mandato, e que o maior número de prefeituras envolvidas (128) eram, ou são, do PSDB.
O mais grave foi a violação do segredo de justiça e a divulgação das fotos do dinheiro apreendido (cuja origem ainda não foi identificada). Confirmou-se, no episódio, o facciosismo do TSE, ao permitir essa divulgação, com notórios fins de confusão da opinião pública, além de haver notificado apenas uma parte dos envolvidos, preservando os ligados ao PSDB, como o Sr. Abel Pereira.
Lula cometeu erros políticos lamentáveis ao imaginar que a vitória de há quatro anos era sobretudo a de seu grupo do ABC, aos quais se juntaram, em sua ascensão política, recém-chegados de todas as procedências. É provável que se tenha dado conta de que seus eleitores não são os sindicalistas do ABC, mas, sim, os injustiçados e oprimidos do Brasil inteiro.
Além disso foi compelido, pela necessidade de obter maioria parlamentar, a aliar-se a determinados partidos, alguns deles chefiados por personalidades controvertidas. O PT, sempre conturbado por divisões internas, não planejou, estratégica e taticamente, sua ação político-eleitoral nestes quatro anos de poder. E planejamento foi o que não faltou aos seus adversários.
Por isso eles puderam organizar-se, mantendo a iniciativa para solapar o governo e corroer, em tudo o que puderam, o prestígio do Presidente junto à classe média - já que atingir a população mais pobre, e diretamente beneficiada pelo Presidente, era mais difícil.
Assim, tendo em vista os seus objetivos essenciais, o que os tradicionais donos do Brasil, não queriam admitir, e tudo farão para impedir, é o processo, que se intensifica, de construção de uma nova cidadania. Os cidadãos se fazem na mesma medida em que se libertam das peias da fome, do medo da morte, do desconforto da falta de assistência médica digna, do terror de sair de casa de madrugada, em busca do ônibus que o levará ao trabalho, ser assaltado e, muitas vezes, morto, pelo próprio vizinho da favela em que reside.
Lula pensou nessa gente. Para dizer a verdade, poucos têm sido os que nela pensam. Na Presidência da República, só dois dos antecessores de Lula pensaram prioritariamente nos pobres, Vargas e Juscelino - e Vargas, façamos justiça histórica, mais do que Juscelino. Vargas, pensando nos pobres, também não descuidou da boa administração pública, instituindo o sistema de concursos que dava oportunidade a todos.
Um dos mais lamentáveis delitos sociais do passado recente foi a terceirização de serviços públicos, incluídos os da segurança, agravado durante o governo neoliberal do Sr. Fernando Henrique Cardoso. Os trabalhadores são tratados como se fossem "escravos de ganho", do Império, que eram alugados pelos seus senhores. Tal como os escravocratas do segundo reinado, esses nouveaux riches, muitos deles com mandatos parlamentares, reúnem seus esforços contra a decisão de Lula de acabar com esse sistema odioso de exploração do trabalho.
É isso que faz a aliança de setores das elites com uma parcela alienada da classe média, que se informa pela televisão, entrega sua emoção às telenovelas e sua formação a porta-vozes do pensamento conservador, aos quais se abrem muitos dos principais meios de comunicação, no seu desesperado empenho contra Lula. Não lhes importa que a política econômica venha tendo êxito que os beneficia.
Eles não têm um projeto positivo para a nação, mas um projeto negativo, um projeto de classe. Eles esperavam, de alguma forma, que, no poder, Lula se comportasse como um cooptado, como se têm comportado muitos dos que se proclamaram esquerdistas no passado, entre eles Fernando Henrique Cardoso.
Lula, com habilidade e a intuição dos que não renegam sua classe, manteve-se no compromisso com a maioria do povo brasileiro. Sim, houve corrupção e é lamentável que tenha havido, embora comprometendo uma ínfima parcela de petistas e cifras modestas (quando comparadas com as envolvidas nos escândalos anteriores, como os das privatizações). Mas ninguém fala mais na compra dos votos para a aprovação da emenda da reeleição de Fernando Henrique.
Tampouco se fala mais na Daslu, com suas empresas fantasmas, intransigentemente defendida pelo Sr. Geraldo Alckmin, quando a Polícia Federal e os fiscais da Receita invadiram aquele templo de ostentação e humilhação aos pobres brasileiros, para ali colher provas de contrabando e sonegação tributária. Ninguém fala tampouco no rombo monumental que o ex-governador Geraldo Alckmin deixou nas contas públicas, o que transgride a famosa Lei de Responsabilidade Fiscal criada pelos próprios tucanos, e está levando o honrado governador Cláudio Lembo a esforços consideráveis para não se tornar réu de uma transgressão de seu antecessor. Mas os adversários de Lula e do povo são os senhores do poder econômico e controlam a maioria dos meios de comunicação.
Os eleitores tiveram a sua consciência esmagada pelos interessados em que o povo permaneça ignorante, oferecendo a sua mão de obra barata aos donos do poder, como os antigos servos da gleba se apresentavam aos barões da terra com a corda no pescoço. Mas, se todas essas coisas fossem conhecidas, e levassem o povo a pensar com calma, a vitória de Lula já estaria assegurada domingo.
Como é bom manter a prudência, devemos esperar o encerramento das apurações, a fim de saber se o presidente Lula será ou não eleito no primeiro turno, neste domingo. Discutia-se, sexta-feira, se ele fez bem, ou não, em comparecer ao debate realizado nos estúdios da maior emissora de televisão do país. Todas as decisões desta natureza são arriscadas. Se Lula comparecesse, perderia; se não comparecesse, perderia também.
Se comparecesse, estaria confrontando-se a uma coligação ocasional de todos os outros candidatos com o propósito de o acossar. Foi uma decisão pessoal, como pessoal foi a decisão de Aécio Neves em não comparecer ao debate com seu adversário Nilmário Miranda. Tanto assim que o governador de Minas, ao ser interpelado pelos jornalistas, disse que Lula agira de acordo com sua consciência, e deve ser respeitado em sua decisão.
Os candidatos que se encontram bem colocados nas pesquisas costumam esquivar-se desses confrontos, que nada podem acrescentar ao seu desempenho. Relembre-se que Fernando Henrique também não compareceu a debates para os quais foi convidado. Mas não foi em razão disso que Lula deixou de comparecer. Com certeza ele ganharia o debate, já que dispõe de números contra o desempenho de seus opositores - por oito anos no governo federal, e por doze anos no Estado de São Paulo - que os esmagaria.
Mas Lula parece preocupado com a governabilidade do País, e não desejar que o clima de confronto chegue a um ponto sem volta, como querem, entre outros, Fernando Henrique. Para o ex-presidente, hoje gozando do ócio, o dilúvio seria a glória.
Mais do que o debate em si, o que alguns de seus conselheiros temiam era a edição da matéria pelos noticiários da televisão. Lembro-me, e muito bem, do que foi o debate de 1989, entre o atual presidente e Fernando Collor, pela Rede Globo. Assisti ao debate em companhia de Pimenta da Veiga - que então apoiava Lula - e ambos, veteranos no acompanhamento dos fatos políticos, concluímos que Lula havia vencido a disputa, não obstante as terríveis pressões emocionais daquelas horas.
Mas, no dia seguinte, a versão do debate, com sua edição, depois confessadamente manipulada por conhecidos jornalistas da emissora, fez do claro, escuro, ao suprimir frases, desviá-las de seu contexto, explorar as imagens, cortá-las, mesclá-las. Lula foi visto como um pobre coitado, acabrunhado, diante de um Collor flamejante, inteligente e - quem diria? - irretocável moralista. Essa manipulação foi decisiva para que Lula perdesse aquela eleição.
Ficou muito claro, nesta etapa final da campanha, que os inimigos não descansam, nem mandam flores. Os tucanos, que não explicaram, nem nunca explicarão o que fizeram do patrimônio nacional, nem os casos conhecidos e evidentes de corrupção e de desvio de dinheiro do Estado, durante os oito anos de Fernando Henrique, valem-se de episódios, ainda não muito esclarecidos, que estão sendo investigados pela Polícia Federal, por iniciativa do próprio governo, para tentar desmoralizar o atual Presidente da República.
Já é notório que todos os casos clamorosos ocorridos no âmbito do Ministério da Saúde começaram no governo anterior, tanto assim que a imensa maioria das ambulâncias superfaturadas foram fornecidas pela Planam antes do atual mandato, e que o maior número de prefeituras envolvidas (128) eram, ou são, do PSDB.
O mais grave foi a violação do segredo de justiça e a divulgação das fotos do dinheiro apreendido (cuja origem ainda não foi identificada). Confirmou-se, no episódio, o facciosismo do TSE, ao permitir essa divulgação, com notórios fins de confusão da opinião pública, além de haver notificado apenas uma parte dos envolvidos, preservando os ligados ao PSDB, como o Sr. Abel Pereira.
Lula cometeu erros políticos lamentáveis ao imaginar que a vitória de há quatro anos era sobretudo a de seu grupo do ABC, aos quais se juntaram, em sua ascensão política, recém-chegados de todas as procedências. É provável que se tenha dado conta de que seus eleitores não são os sindicalistas do ABC, mas, sim, os injustiçados e oprimidos do Brasil inteiro.
Além disso foi compelido, pela necessidade de obter maioria parlamentar, a aliar-se a determinados partidos, alguns deles chefiados por personalidades controvertidas. O PT, sempre conturbado por divisões internas, não planejou, estratégica e taticamente, sua ação político-eleitoral nestes quatro anos de poder. E planejamento foi o que não faltou aos seus adversários.
Por isso eles puderam organizar-se, mantendo a iniciativa para solapar o governo e corroer, em tudo o que puderam, o prestígio do Presidente junto à classe média - já que atingir a população mais pobre, e diretamente beneficiada pelo Presidente, era mais difícil.
Assim, tendo em vista os seus objetivos essenciais, o que os tradicionais donos do Brasil, não queriam admitir, e tudo farão para impedir, é o processo, que se intensifica, de construção de uma nova cidadania. Os cidadãos se fazem na mesma medida em que se libertam das peias da fome, do medo da morte, do desconforto da falta de assistência médica digna, do terror de sair de casa de madrugada, em busca do ônibus que o levará ao trabalho, ser assaltado e, muitas vezes, morto, pelo próprio vizinho da favela em que reside.
Lula pensou nessa gente. Para dizer a verdade, poucos têm sido os que nela pensam. Na Presidência da República, só dois dos antecessores de Lula pensaram prioritariamente nos pobres, Vargas e Juscelino - e Vargas, façamos justiça histórica, mais do que Juscelino. Vargas, pensando nos pobres, também não descuidou da boa administração pública, instituindo o sistema de concursos que dava oportunidade a todos.
Um dos mais lamentáveis delitos sociais do passado recente foi a terceirização de serviços públicos, incluídos os da segurança, agravado durante o governo neoliberal do Sr. Fernando Henrique Cardoso. Os trabalhadores são tratados como se fossem "escravos de ganho", do Império, que eram alugados pelos seus senhores. Tal como os escravocratas do segundo reinado, esses nouveaux riches, muitos deles com mandatos parlamentares, reúnem seus esforços contra a decisão de Lula de acabar com esse sistema odioso de exploração do trabalho.
É isso que faz a aliança de setores das elites com uma parcela alienada da classe média, que se informa pela televisão, entrega sua emoção às telenovelas e sua formação a porta-vozes do pensamento conservador, aos quais se abrem muitos dos principais meios de comunicação, no seu desesperado empenho contra Lula. Não lhes importa que a política econômica venha tendo êxito que os beneficia.
Eles não têm um projeto positivo para a nação, mas um projeto negativo, um projeto de classe. Eles esperavam, de alguma forma, que, no poder, Lula se comportasse como um cooptado, como se têm comportado muitos dos que se proclamaram esquerdistas no passado, entre eles Fernando Henrique Cardoso.
Lula, com habilidade e a intuição dos que não renegam sua classe, manteve-se no compromisso com a maioria do povo brasileiro. Sim, houve corrupção e é lamentável que tenha havido, embora comprometendo uma ínfima parcela de petistas e cifras modestas (quando comparadas com as envolvidas nos escândalos anteriores, como os das privatizações). Mas ninguém fala mais na compra dos votos para a aprovação da emenda da reeleição de Fernando Henrique.
Tampouco se fala mais na Daslu, com suas empresas fantasmas, intransigentemente defendida pelo Sr. Geraldo Alckmin, quando a Polícia Federal e os fiscais da Receita invadiram aquele templo de ostentação e humilhação aos pobres brasileiros, para ali colher provas de contrabando e sonegação tributária. Ninguém fala tampouco no rombo monumental que o ex-governador Geraldo Alckmin deixou nas contas públicas, o que transgride a famosa Lei de Responsabilidade Fiscal criada pelos próprios tucanos, e está levando o honrado governador Cláudio Lembo a esforços consideráveis para não se tornar réu de uma transgressão de seu antecessor. Mas os adversários de Lula e do povo são os senhores do poder econômico e controlam a maioria dos meios de comunicação.
Os eleitores tiveram a sua consciência esmagada pelos interessados em que o povo permaneça ignorante, oferecendo a sua mão de obra barata aos donos do poder, como os antigos servos da gleba se apresentavam aos barões da terra com a corda no pescoço. Mas, se todas essas coisas fossem conhecidas, e levassem o povo a pensar com calma, a vitória de Lula já estaria assegurada domingo.
domingo, outubro 01, 2006
o lado negro da força
são 00h, foram apuradas quase 98% das urnas e tudo indica que haverá segundo turno. 1989 se repete. com golpes baixos, armações e a cumplicidade irrestrita da mídia, a direita elitista e criminosa tanto fez que conseguiu o que tentou a campanha inteira. todo mundo já sabia da existência dos R$1,7 milhões. todo mundo já estava cansado de saber que há petistas envolvidos na compra do dossiê. mas todo mundo viu na capa de todos os jornais uma foto do dinheiro que deveria estar guardada em segredo de justiça. ninguém deu muita atenção ao conteúdo do dossiê. serra já está eleito governador de são paulo. será que alguém vai querer saber quem divulgou a foto sigilosa, e, principalmente, por quê (e por quanto) fez isso?
não é o segundo turno que me incomoda. em tese, caso estivéssemos num jogo limpo, acho até muito válida a oportunidade de se aprofundar o debate. o que me revolta e me enoja profundamente é a constatação de que ainda hoje manda nesse país quem tem dinheiro. não importa se a vida do pobre melhorou, não importa se o país tem conquistado soberania internacional, não importa se estamos tendo mais emprego, saúde, educação e uma distribuição de renda mais justa. o que importa é que os donos do poder - detentores do dinheiro e dos meios de comunicação - ainda fazem desse país o que eles bem entendem. eles compram, manipulam, mentem, não medem esforços para defender seus próprios intere$$e$.
não é o segundo turno que me incomoda. em tese, caso estivéssemos num jogo limpo, acho até muito válida a oportunidade de se aprofundar o debate. o que me revolta e me enoja profundamente é a constatação de que ainda hoje manda nesse país quem tem dinheiro. não importa se a vida do pobre melhorou, não importa se o país tem conquistado soberania internacional, não importa se estamos tendo mais emprego, saúde, educação e uma distribuição de renda mais justa. o que importa é que os donos do poder - detentores do dinheiro e dos meios de comunicação - ainda fazem desse país o que eles bem entendem. eles compram, manipulam, mentem, não medem esforços para defender seus próprios intere$$e$.
LULA LÁ!
Em cima da hora, texto enviado no dia 28, quinta-feira, no último Boletim de Campanha Lula Presidente:
Quem participou dos nossos comícios sabe que, espontaneamente, o povo canta a música "sem medo de ser feliz". Essa música está no inconsciente de milhões de pessoas em todo o país. Nos acompanhou desde a heróica campanha de 1989, passando pelas derrotas de 1994 e 1998, até a vitória de 2002.
Todas essas eleições, decididas ora no primeiro, ora no segundo turno, foram protagonizadas, mais que por duas candidaturas, por dois blocos políticos e sociais. De um lado, a candidatura que representava a direita, as forças conservadoras, as oligarquias, as elites, os poderosos, a dependência externa e o neoliberalismo.
De outro lado, a candidatura que representava a esquerda, as forças progressistas, os democratas, os trabalhadores, a soberania nacional e o projeto popular.
O lado de lá lançou vários candidatos: Collor, FHC, Serra e, agora, Alckmin.
O candidato do nosso lado foi, sempre, Lula.
Muita coisa mudou, desde 1989. Mas o significado geral do que está em jogo continua o mesmo.
É por isso que as atitudes da direita, nesta reta final, lembram tanto o que fizeram contra nós em 1989.
Manipulação do noticiário, denúncias mentirosas, calúnias, histeria, golpismo, boatos de que haverá locaute no transporte coletivo em regiões onde Lula tem grande maioria de votos.
Nas próximas 72 horas, mais do que nunca, é preciso manter a mente esperta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Muita atenção, em especial, com aquilo que setores da mídia ainda podem inventar contra nós. É preciso conquistar votos até o último momento. E fiscalizar a votação e a apuração.
A vitória está ao nosso alcance. É preciso conquistá-la. Sem medo de ser feliz.
Boa sorte, boa luta, boa votação, boa vitória para nós e para todo o povo brasileiro.
É Lula de novo, com a força do povo!
Quem participou dos nossos comícios sabe que, espontaneamente, o povo canta a música "sem medo de ser feliz". Essa música está no inconsciente de milhões de pessoas em todo o país. Nos acompanhou desde a heróica campanha de 1989, passando pelas derrotas de 1994 e 1998, até a vitória de 2002.
Todas essas eleições, decididas ora no primeiro, ora no segundo turno, foram protagonizadas, mais que por duas candidaturas, por dois blocos políticos e sociais. De um lado, a candidatura que representava a direita, as forças conservadoras, as oligarquias, as elites, os poderosos, a dependência externa e o neoliberalismo.
De outro lado, a candidatura que representava a esquerda, as forças progressistas, os democratas, os trabalhadores, a soberania nacional e o projeto popular.
O lado de lá lançou vários candidatos: Collor, FHC, Serra e, agora, Alckmin.
O candidato do nosso lado foi, sempre, Lula.
Muita coisa mudou, desde 1989. Mas o significado geral do que está em jogo continua o mesmo.
É por isso que as atitudes da direita, nesta reta final, lembram tanto o que fizeram contra nós em 1989.
Manipulação do noticiário, denúncias mentirosas, calúnias, histeria, golpismo, boatos de que haverá locaute no transporte coletivo em regiões onde Lula tem grande maioria de votos.
Nas próximas 72 horas, mais do que nunca, é preciso manter a mente esperta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Muita atenção, em especial, com aquilo que setores da mídia ainda podem inventar contra nós. É preciso conquistar votos até o último momento. E fiscalizar a votação e a apuração.
A vitória está ao nosso alcance. É preciso conquistá-la. Sem medo de ser feliz.
Boa sorte, boa luta, boa votação, boa vitória para nós e para todo o povo brasileiro.
É Lula de novo, com a força do povo!
Meu nome é Muitos
(recebi o texto abaixo, da Profª Ivana Bentes, pesquisadora de Comunicação da UFRJ, em um e-mail, que explicava que o texto foi encomendado pela Folha de São Paulo, para ser publicado no Caderno Mais, e deveria simular a volta de um antigo Presidente da República, já morto, para comentar os fatos políticos de agora. Ivana escolheu Jango, produziu e enviou o texto para a Folha, mas foi-lhe comunicado que ele não será publicado porque "estava fora do foco", Jango virou Lula! Então, se a Falha, com seu conceito relativo de liberdade de expressão, não publica, publicamos nós!)
Play it again, Jango!
(Profª Ivana Bentes)
Morri no exílio, na província argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976,sozinho, vítima de ataque cardíaco, numa fazenda da fronteira. Tentava voltar para o Brasil, de onde me expulsaram com o Golpe Militar depois que anunciei, no dia 13 de março de 1964 num comício para 150 mil pesssoas na Central do Brasil que iria fazer a Reforma Agrária, Urbana, as reformas na Educação, a Reforma Eleitoral, Tributária...
Não deixaram fazer nada e me derrubaram! As forças mais conservadoras da sociedade Brasileira se uniram e foram convocadas a me depor, toda a imprensa ficou contra mim, Esse já era o terceiro golpe midiático-militar, botaram a classe média horrorizada na rua, as senhoras da TFP, editoriais alarmistas e moralistas, páginas e páginas de jornais, rádio, Tv. Assustaram todos até que caí no dia 1º de abril de 1964.
Não adiantou, estou de volta! Não sei como, só sei que eu João Jango Goulart, ex-presidente deposto, retornei, é dia de eleição e estou concorrendo de novo para Presidente do Brasil. Mudei de partido. Estou grisalho, perdi um dedo da mão (onde?) e me dou conta que as forças que me derrubaram em 1964 estão quase todas ai. Continuo com apoio popular, estou com enorme vantagem nas pesquisas, mas por que os jornais dos últimos meses são todos contra mim e meu partido? Estou sendo de novo linchado? Em 64 diziam que eu ia implantar o Comunismo no Brasil e agora que estou implantando a Corrupção em Pindorama!
Meu assessor me informa que vamos assistir a fita com o meu debate na Televisão. Estou reconhecendo o pessoal da pesada de 64. Então tenho uma visão exata de quem eu sou e o que represento no Brasil de 2006, me vendo pelos olhos dos meus inquisidores. Roda o VT. Não, dá um Play. Play it again, Jango! Ouço, e então presente, passado e futuro se dobram na tela da TV.
Entrevistador e dono de uma empresa de TV:
Sr, Presidente, de todas as reformas que o senhor propôs, uma é a mais perigosa de todas, é um acinte aos empresários da Comunicação, de Rádio e TV. Sr. Presidente, o senhor tentou entrar na nossa caixa preta, regular nossas empresas com uma Agência. Nos somos contra, Sr. Presidente! Onde já se viu? Deu está dado! Não queremos ninguém novo no negócio. Canal de TV pra Ong, pra Universidade, pra favela? Eles não precisam de nada disso e ainda fazem uns vídeos que são umas porcarias. Qualidade temos nós com essa imagem plastificada, atrizes esticadas digitalmente, programas incitando à delação. Eles a gente emprega pra figuração, usa para vender celular e fazer propaganda da nossa diversidade cultural. Os pobres tem estilo, são vibe, hiper, mob, servem pra vender quinquilharia e show. Mas dar canal de Tv pra essa gente, Presidente?
Jango:
Eu tenho um ministro da cultura que é músico e negro e quer botar ilha de edição, câmeras de vídeo e internet de graça por onde der. É o início da Reforma da Cultura, da Educação, da Comunicação, junto com o Fundeb, o Fundo para a Educação, que eu criei lá em 62, e reeditamos agora. Por que ninguém fala do FUNDEB?! Eu tenho orgulho de estar implantando o Fundeb!! As cotas no Brasil! Estou botando os negros e os pobres dentro da Universidade. Temos que acabar o vestibular, tornar o acesso universal. Além disso eu criei o Bolsa Família, tirando um contingente da miséria, é a maior transferência de renda já feita nesse país. Eu apoio o MST, os Sem-Terto! Me deixem fazer as Reformas! As novas e aquelas, que vocês abortaram em 64!
Professor-Doutor-Pesquisador:
Desculpe, sr. Presidente. Eu fiz mestrado com bolsa Capes, doutorado com bolsa sandwich em Paris VIII, CNPQ, e tive bolsa de pós-doutorado em Oxford. Meus alunos têm bolsa de iniciação artística, científica, extensão... Mas eu sou CONTRA a Bolsa Família!!! É assistencialismo dar 50 reais (é muito, acostuma mal) para pobre. Populismo, sr. Presidente! Minhas bolsas eu ganhei todas por mérito. MÉRITO! E olhe que sou bolsista há 10 anos! Deus me livre perder minha bolsa!
Antropóloga, antes de entrar na roda de debate:
Ô diretor, chama um negro ai para aparecer no programa, mas tem que ser contra as cotas. A gente é branco, professor-doutor, não vale. É pro povo entender que é uma merda, que eles tem que entrar para a Universidade sozinhos, por mérito, se não vai cair o nível da universidade. Botar um antropólogo branco, louro de olhos azuis falando mal das cotas não vale, vão cair de pau na gente. Tem que ser negro falando mal das conquistas dos negros.
Diretor de TV:
Você sabe, a gente detona as cotas diariamente nos editoriais, colunas, manchetes, mas nas novelas tem que ser a garota negra com o galã branco. Botamos na tela uns negros limpinhos, bonitos, cheios de dignidade. Provamos que eles vão vencer sozinhos. COTA pra que? Nunca fomos racistas! Querem criar o racismo no Brasil, senhor presidente, O senhor está muito mal assessorado nessa área. Aliás, não vai ter cota para negros em empresas de TV, vai? Deus me livre! Não dá pra fazer Escrava Isaura no Leblon.
Entrevistador-cronista-consultor:
Sr. Candidato, o senhor está na frente das pesquisas, mas como esse povo ignorante, desdentado, feio, pode decidir por mim? EU que frequentava o Palácio do Planalto, que era amigo e confidente do sociólogo, seu cronista-conselheiro. EU que sou especialista em pornografia política. Achei que poderia ser de direita mas escrever genialmente como o Nelson, mas não tenho esse talento. Estou aqui me olhando na TV e só vejo um publicitário mal sucedido, porque o MEU candidato a presidência vai perder as eleições e meus amigos vão ficar fora do poder. Sou a encarnação das forças do ressentimento. Pelo menos sou psicanalizado, me acho um crápula, mas tudo bem. Os empresários me pagam 10, 20 mil por palestra ou consultoria para EU anunciar o Apocalipse. Não tenho o que perguntar só queria dizer olhando bem na sua cara. Eu te odeio, Sr. Presidente e morrerei escrevendo contra tudo o que o senhor significa (baba).
Apresentadora de TV:
Então Sr Jango, depois de ouvir isso tudo sobre o seu governo, o que significará a sua reeleição?
Jango:
"O triunfo da beleza e da justiça". E não me chamem mais de Jango, o ex-presidente morreu, no golpe de 64, exilado na fronteira, em 1974. O novo presidente nasceu das crises que vocês criaram, tentando me derrubar uma, duas, três, quantas vezes? Não estou mais só, em 2006, tenho 55% das intenções de votos, atingi o coração do Brasil, sou uma radicalização da democracia. Meu nome é Muitos. Sou uma potência da Multidão.
Play it again, Jango!
(Profª Ivana Bentes)
Morri no exílio, na província argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976,sozinho, vítima de ataque cardíaco, numa fazenda da fronteira. Tentava voltar para o Brasil, de onde me expulsaram com o Golpe Militar depois que anunciei, no dia 13 de março de 1964 num comício para 150 mil pesssoas na Central do Brasil que iria fazer a Reforma Agrária, Urbana, as reformas na Educação, a Reforma Eleitoral, Tributária...
Não deixaram fazer nada e me derrubaram! As forças mais conservadoras da sociedade Brasileira se uniram e foram convocadas a me depor, toda a imprensa ficou contra mim, Esse já era o terceiro golpe midiático-militar, botaram a classe média horrorizada na rua, as senhoras da TFP, editoriais alarmistas e moralistas, páginas e páginas de jornais, rádio, Tv. Assustaram todos até que caí no dia 1º de abril de 1964.
Não adiantou, estou de volta! Não sei como, só sei que eu João Jango Goulart, ex-presidente deposto, retornei, é dia de eleição e estou concorrendo de novo para Presidente do Brasil. Mudei de partido. Estou grisalho, perdi um dedo da mão (onde?) e me dou conta que as forças que me derrubaram em 1964 estão quase todas ai. Continuo com apoio popular, estou com enorme vantagem nas pesquisas, mas por que os jornais dos últimos meses são todos contra mim e meu partido? Estou sendo de novo linchado? Em 64 diziam que eu ia implantar o Comunismo no Brasil e agora que estou implantando a Corrupção em Pindorama!
Meu assessor me informa que vamos assistir a fita com o meu debate na Televisão. Estou reconhecendo o pessoal da pesada de 64. Então tenho uma visão exata de quem eu sou e o que represento no Brasil de 2006, me vendo pelos olhos dos meus inquisidores. Roda o VT. Não, dá um Play. Play it again, Jango! Ouço, e então presente, passado e futuro se dobram na tela da TV.
Entrevistador e dono de uma empresa de TV:
Sr, Presidente, de todas as reformas que o senhor propôs, uma é a mais perigosa de todas, é um acinte aos empresários da Comunicação, de Rádio e TV. Sr. Presidente, o senhor tentou entrar na nossa caixa preta, regular nossas empresas com uma Agência. Nos somos contra, Sr. Presidente! Onde já se viu? Deu está dado! Não queremos ninguém novo no negócio. Canal de TV pra Ong, pra Universidade, pra favela? Eles não precisam de nada disso e ainda fazem uns vídeos que são umas porcarias. Qualidade temos nós com essa imagem plastificada, atrizes esticadas digitalmente, programas incitando à delação. Eles a gente emprega pra figuração, usa para vender celular e fazer propaganda da nossa diversidade cultural. Os pobres tem estilo, são vibe, hiper, mob, servem pra vender quinquilharia e show. Mas dar canal de Tv pra essa gente, Presidente?
Jango:
Eu tenho um ministro da cultura que é músico e negro e quer botar ilha de edição, câmeras de vídeo e internet de graça por onde der. É o início da Reforma da Cultura, da Educação, da Comunicação, junto com o Fundeb, o Fundo para a Educação, que eu criei lá em 62, e reeditamos agora. Por que ninguém fala do FUNDEB?! Eu tenho orgulho de estar implantando o Fundeb!! As cotas no Brasil! Estou botando os negros e os pobres dentro da Universidade. Temos que acabar o vestibular, tornar o acesso universal. Além disso eu criei o Bolsa Família, tirando um contingente da miséria, é a maior transferência de renda já feita nesse país. Eu apoio o MST, os Sem-Terto! Me deixem fazer as Reformas! As novas e aquelas, que vocês abortaram em 64!
Professor-Doutor-Pesquisador:
Desculpe, sr. Presidente. Eu fiz mestrado com bolsa Capes, doutorado com bolsa sandwich em Paris VIII, CNPQ, e tive bolsa de pós-doutorado em Oxford. Meus alunos têm bolsa de iniciação artística, científica, extensão... Mas eu sou CONTRA a Bolsa Família!!! É assistencialismo dar 50 reais (é muito, acostuma mal) para pobre. Populismo, sr. Presidente! Minhas bolsas eu ganhei todas por mérito. MÉRITO! E olhe que sou bolsista há 10 anos! Deus me livre perder minha bolsa!
Antropóloga, antes de entrar na roda de debate:
Ô diretor, chama um negro ai para aparecer no programa, mas tem que ser contra as cotas. A gente é branco, professor-doutor, não vale. É pro povo entender que é uma merda, que eles tem que entrar para a Universidade sozinhos, por mérito, se não vai cair o nível da universidade. Botar um antropólogo branco, louro de olhos azuis falando mal das cotas não vale, vão cair de pau na gente. Tem que ser negro falando mal das conquistas dos negros.
Diretor de TV:
Você sabe, a gente detona as cotas diariamente nos editoriais, colunas, manchetes, mas nas novelas tem que ser a garota negra com o galã branco. Botamos na tela uns negros limpinhos, bonitos, cheios de dignidade. Provamos que eles vão vencer sozinhos. COTA pra que? Nunca fomos racistas! Querem criar o racismo no Brasil, senhor presidente, O senhor está muito mal assessorado nessa área. Aliás, não vai ter cota para negros em empresas de TV, vai? Deus me livre! Não dá pra fazer Escrava Isaura no Leblon.
Entrevistador-cronista-consultor:
Sr. Candidato, o senhor está na frente das pesquisas, mas como esse povo ignorante, desdentado, feio, pode decidir por mim? EU que frequentava o Palácio do Planalto, que era amigo e confidente do sociólogo, seu cronista-conselheiro. EU que sou especialista em pornografia política. Achei que poderia ser de direita mas escrever genialmente como o Nelson, mas não tenho esse talento. Estou aqui me olhando na TV e só vejo um publicitário mal sucedido, porque o MEU candidato a presidência vai perder as eleições e meus amigos vão ficar fora do poder. Sou a encarnação das forças do ressentimento. Pelo menos sou psicanalizado, me acho um crápula, mas tudo bem. Os empresários me pagam 10, 20 mil por palestra ou consultoria para EU anunciar o Apocalipse. Não tenho o que perguntar só queria dizer olhando bem na sua cara. Eu te odeio, Sr. Presidente e morrerei escrevendo contra tudo o que o senhor significa (baba).
Apresentadora de TV:
Então Sr Jango, depois de ouvir isso tudo sobre o seu governo, o que significará a sua reeleição?
Jango:
"O triunfo da beleza e da justiça". E não me chamem mais de Jango, o ex-presidente morreu, no golpe de 64, exilado na fronteira, em 1974. O novo presidente nasceu das crises que vocês criaram, tentando me derrubar uma, duas, três, quantas vezes? Não estou mais só, em 2006, tenho 55% das intenções de votos, atingi o coração do Brasil, sou uma radicalização da democracia. Meu nome é Muitos. Sou uma potência da Multidão.
Engraçado, o PT
(texto de Jean Scharlau)
Engraçado, quando o PT governa não há déficit fiscal, não surgem "rombos" no orçamento, as estatais passam a fazer lucros recordes, são criadas milhares de novas vagas para pobres nas escolas e universidades, os salários aumentam acima da inflação, o salário mínimo aumenta MAIS QUE TODOS, a inflação diminui, os juros diminuem (ainda que em ritmo lento, mas diminuem em vez de aumentar), o dólar baixa e fica estável, possibilitando aos pobres comprarem coisas que de outra forma não poderiam, como computadores e outros eletro-eletrônicos, por exemplo, a gasolina não sobe de preço, embora o petróleo tenha subido muito no mercado internacional, energia elétrica é instalada de graça para os pobres moradores dos grotões, alimentação é garantida para as famílias abaixo da linha da pobreza.
Quando o PT governa NÃO VENDE, NÃO DÁ PARA UNS POUCOS O QUE É DE TODOS. As empresas públicas, em vez de distribuídas aos comparsas são tornadas produtivas e lucrativas e fazem aumentar a riqueza de todos, do povo, que é o legítimo e inalienável dono dessas empresas, como Petrobras, Correios, CEF e BB. O PT quando é governo aumenta as áreas de preservação ambiental (aumentou 50% no governo Lula). O PT quando é governo demite quem se envolve em ilícitos, torna a polícia eficiente e atuante, coisa que nenhum governador ou presidente de outros partidos fez nem faz. O PT quando é governo se interessa e faz coisas pelos menores, pelos mais fracos, pelos mais pobres, pelas minorias e pelas maiorias oprimidas, aqueles que mais sofrem diariamente e que menos têm condições de reagir e, caso ninguém os auxilie, descaso de outros governos, vão simplesmente morrendo em silêncio e discretamente, de tiro, fome, doença, desgosto.
O PT quando é governo é fiscalizado com binóculo, lupa e microscópio pela mídia, pois toda ela é da oposição oligarca e retrógrada, acostumada a vender mentiras e acobertar as falcatruas do quando o governo é das oligarquias e com elas bem se acerta, por isto o PT ser governo faz bem à democracia, à legalidade. Quando o PT é governo se discute muito mais sobre todas as suas ações, é chamada e comparece uma muito maior participação cidadã e o governo não pode errar, pois para qualquer erro há 200 poderes prontos para cair de porrete em cima. Quando o PT é governo são pagas as dívidas, são pagos aqueles empréstimos que a oposição fez e até hoje não se sabe em que foram usados. Para pagar esses empréstimos o Lula andou pelo mundo apresentando o Brasil e seus produtos e DOBROU o tamanho dos negócios do Brasil, assim, no governo do PT, os empréstimos feitos pela turma do Alckmim, do Borguináusea, do Serra, do Rigotto, da Yeda, Lula tem pago com a venda dos produtos brasileiros para o mundo e não do PATRIMÔNIO nacional, como fez o nauseabundo FhD, sem que tenha ainda aparecido o dinheiro da privataria que promoveu, nem o dinheiro dos empréstimos que tomou e o dinheiro que deu para suspeitíssimos e falidos através do BNDES.
Quando o PT é governo não há mágicas, não há planos mirabolantes, não há confiscos, não há golpes para tomar o dinheiro de todos e distribuir a alguns como fez Rigotto (PMDB=PSDB) no Rio Grande do Sul, que aumentou em 20% o imposto sobre as contas de telefone, energia elétrica e sobre combustíveis, e concedeu isenções e subsídios para grandes empresas, portanto tirando de todos (os mais pobres) e dando para alguns (os mais ricos).
O engraçado, eu dizia, quando o PT é governo, é que toda a oposição escravocrata cai de porrete, toda a mídia casa grande cai de chibata em cima do PT senzala, mas também grande parte da esquerda, pois quem é de esquerda tem o saudável hábito de ser crítico,de discutir, de reivindicar, porém muitos não têm a sabedoria de se reagrupar quando necessário, de relevar diferenças menores quando uma causa maior de interesse comum está sendo questionada.
Os que apóiam a direita libertina não questionam nada, nunca, apenas apóiam e se contentam em repetir a meia dúzia de bordões dogmáticos e confortáveis que são a base do "pensamento" direitista libertino - assim toda a direita se move orientada por uns poucos líderes e a esquerda, por causa de sua base muito mais ampla e participativa é esta balbúrdia democrática, esta maravilhosa balbúrdia democrática, onde a voz de TODOS os presentes é importante e a de cada um conta. Quando os escravocratas estão no governo a casa grande da mídia vive em confortabilíssimo silêncio ouve-se uns gritinhos de vez em quando, mas é de faz de conta, ou puro prazer mesmo.
Por isto vou votar no PT, de cabo a general da banda, porque é engraçado quando o PT está no governo, e quando não estava, era invariavelmente triste.
Engraçado, quando o PT governa não há déficit fiscal, não surgem "rombos" no orçamento, as estatais passam a fazer lucros recordes, são criadas milhares de novas vagas para pobres nas escolas e universidades, os salários aumentam acima da inflação, o salário mínimo aumenta MAIS QUE TODOS, a inflação diminui, os juros diminuem (ainda que em ritmo lento, mas diminuem em vez de aumentar), o dólar baixa e fica estável, possibilitando aos pobres comprarem coisas que de outra forma não poderiam, como computadores e outros eletro-eletrônicos, por exemplo, a gasolina não sobe de preço, embora o petróleo tenha subido muito no mercado internacional, energia elétrica é instalada de graça para os pobres moradores dos grotões, alimentação é garantida para as famílias abaixo da linha da pobreza.
Quando o PT governa NÃO VENDE, NÃO DÁ PARA UNS POUCOS O QUE É DE TODOS. As empresas públicas, em vez de distribuídas aos comparsas são tornadas produtivas e lucrativas e fazem aumentar a riqueza de todos, do povo, que é o legítimo e inalienável dono dessas empresas, como Petrobras, Correios, CEF e BB. O PT quando é governo aumenta as áreas de preservação ambiental (aumentou 50% no governo Lula). O PT quando é governo demite quem se envolve em ilícitos, torna a polícia eficiente e atuante, coisa que nenhum governador ou presidente de outros partidos fez nem faz. O PT quando é governo se interessa e faz coisas pelos menores, pelos mais fracos, pelos mais pobres, pelas minorias e pelas maiorias oprimidas, aqueles que mais sofrem diariamente e que menos têm condições de reagir e, caso ninguém os auxilie, descaso de outros governos, vão simplesmente morrendo em silêncio e discretamente, de tiro, fome, doença, desgosto.
O PT quando é governo é fiscalizado com binóculo, lupa e microscópio pela mídia, pois toda ela é da oposição oligarca e retrógrada, acostumada a vender mentiras e acobertar as falcatruas do quando o governo é das oligarquias e com elas bem se acerta, por isto o PT ser governo faz bem à democracia, à legalidade. Quando o PT é governo se discute muito mais sobre todas as suas ações, é chamada e comparece uma muito maior participação cidadã e o governo não pode errar, pois para qualquer erro há 200 poderes prontos para cair de porrete em cima. Quando o PT é governo são pagas as dívidas, são pagos aqueles empréstimos que a oposição fez e até hoje não se sabe em que foram usados. Para pagar esses empréstimos o Lula andou pelo mundo apresentando o Brasil e seus produtos e DOBROU o tamanho dos negócios do Brasil, assim, no governo do PT, os empréstimos feitos pela turma do Alckmim, do Borguináusea, do Serra, do Rigotto, da Yeda, Lula tem pago com a venda dos produtos brasileiros para o mundo e não do PATRIMÔNIO nacional, como fez o nauseabundo FhD, sem que tenha ainda aparecido o dinheiro da privataria que promoveu, nem o dinheiro dos empréstimos que tomou e o dinheiro que deu para suspeitíssimos e falidos através do BNDES.
Quando o PT é governo não há mágicas, não há planos mirabolantes, não há confiscos, não há golpes para tomar o dinheiro de todos e distribuir a alguns como fez Rigotto (PMDB=PSDB) no Rio Grande do Sul, que aumentou em 20% o imposto sobre as contas de telefone, energia elétrica e sobre combustíveis, e concedeu isenções e subsídios para grandes empresas, portanto tirando de todos (os mais pobres) e dando para alguns (os mais ricos).
O engraçado, eu dizia, quando o PT é governo, é que toda a oposição escravocrata cai de porrete, toda a mídia casa grande cai de chibata em cima do PT senzala, mas também grande parte da esquerda, pois quem é de esquerda tem o saudável hábito de ser crítico,de discutir, de reivindicar, porém muitos não têm a sabedoria de se reagrupar quando necessário, de relevar diferenças menores quando uma causa maior de interesse comum está sendo questionada.
Os que apóiam a direita libertina não questionam nada, nunca, apenas apóiam e se contentam em repetir a meia dúzia de bordões dogmáticos e confortáveis que são a base do "pensamento" direitista libertino - assim toda a direita se move orientada por uns poucos líderes e a esquerda, por causa de sua base muito mais ampla e participativa é esta balbúrdia democrática, esta maravilhosa balbúrdia democrática, onde a voz de TODOS os presentes é importante e a de cada um conta. Quando os escravocratas estão no governo a casa grande da mídia vive em confortabilíssimo silêncio ouve-se uns gritinhos de vez em quando, mas é de faz de conta, ou puro prazer mesmo.
Por isto vou votar no PT, de cabo a general da banda, porque é engraçado quando o PT está no governo, e quando não estava, era invariavelmente triste.
sexta-feira, setembro 29, 2006
A cortina de fumaça do falso moralismo
E-mail enviado para este blog por Gustavo Ferreira Santos, Professor de Direito Constitucional da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade Católica de Pernambuco (os grifos são meus):
Caros amigos,
Estou muito preocupado com a radicalização do discurso moral, que tem arrebatado setores muito amplos da classe média, que havia apoiado Lula na outra eleição. Vejo que muitos são impactados pela cortina de fumaça que novo lacerdismo tem produzido.
Reafirmo a todos que encontro, na rua, na família, na universidade, que voto em Lula. Não tenho evitado o debate ético.
Não posso negar os problemas éticos que nos surpreenderam em diversos momentos. Muitas dessas denúncias levarão a processos nos quais pessoas serão inocentadas e outras condenadas. É isso que se espera do Estado Democrático de Direito: transparência no Estado e respeito a direitos fundamentais. Clamo pela punição de culpados e pelo direito de defesa de todos.
Mas sempre lembro às pessoas que, para além dessa onda moralista, estão em jogo concepções de mundo distintas. A ética é um pré-requisito. Todos os jogadores, na política, precisam observar um patrimônio comum de valores. Os que violam tais limites devem ser punidos. Mas a disputa política não se faz entre éticos e não éticos. Essa discussão produz uma política sem política. Com ela, poderíamos legitimar um nazista honesto.
O lacerdismo, de uma direita moralista, infernizou a vida de JK, que saiu do governo com a pecha de ladrão. A alternativa moralista, na época, foi Jânio.
Sendo eu um liberal e esmurrando minha esposa, não ficaria o socialismo mais legitimado. Não seriam as idéias liberais mais convincentes se eu, como socialista, espancasse meus filhos. Esses absurdos no campo pessoal são condenados e merecem punições, sem que as posições políticas em colisão sejam afetadas.
Temos um governo que com todas a dificuldades foi qualitativamente mais próximo de nossas idéias do que todos os anteriores. Discordemos ou não pontualmente sobre algumas medidas tomadas, o balanço é positivo para o governo. Por que então haveríamos de escolher outro candidato e outro partido para governar o país?
Reafirmemos os compromissos éticos, submetamos a julgamento os que se desviam das condutas esperadas, mas tenhamos consciência do que efetivamente está em jogo.
Espero que todos que ainda confiamos na afirmação das mudanças tenhamos ânimo suficiente para, domingo, levarmos a nossa visão de mundo à vitória, com Lula de novo.
Um abraço a todos,
Gustavo Ferreira Santos
Caros amigos,
Estou muito preocupado com a radicalização do discurso moral, que tem arrebatado setores muito amplos da classe média, que havia apoiado Lula na outra eleição. Vejo que muitos são impactados pela cortina de fumaça que novo lacerdismo tem produzido.
Reafirmo a todos que encontro, na rua, na família, na universidade, que voto em Lula. Não tenho evitado o debate ético.
Não posso negar os problemas éticos que nos surpreenderam em diversos momentos. Muitas dessas denúncias levarão a processos nos quais pessoas serão inocentadas e outras condenadas. É isso que se espera do Estado Democrático de Direito: transparência no Estado e respeito a direitos fundamentais. Clamo pela punição de culpados e pelo direito de defesa de todos.
Mas sempre lembro às pessoas que, para além dessa onda moralista, estão em jogo concepções de mundo distintas. A ética é um pré-requisito. Todos os jogadores, na política, precisam observar um patrimônio comum de valores. Os que violam tais limites devem ser punidos. Mas a disputa política não se faz entre éticos e não éticos. Essa discussão produz uma política sem política. Com ela, poderíamos legitimar um nazista honesto.
O lacerdismo, de uma direita moralista, infernizou a vida de JK, que saiu do governo com a pecha de ladrão. A alternativa moralista, na época, foi Jânio.
Sendo eu um liberal e esmurrando minha esposa, não ficaria o socialismo mais legitimado. Não seriam as idéias liberais mais convincentes se eu, como socialista, espancasse meus filhos. Esses absurdos no campo pessoal são condenados e merecem punições, sem que as posições políticas em colisão sejam afetadas.
Temos um governo que com todas a dificuldades foi qualitativamente mais próximo de nossas idéias do que todos os anteriores. Discordemos ou não pontualmente sobre algumas medidas tomadas, o balanço é positivo para o governo. Por que então haveríamos de escolher outro candidato e outro partido para governar o país?
Reafirmemos os compromissos éticos, submetamos a julgamento os que se desviam das condutas esperadas, mas tenhamos consciência do que efetivamente está em jogo.
Espero que todos que ainda confiamos na afirmação das mudanças tenhamos ânimo suficiente para, domingo, levarmos a nossa visão de mundo à vitória, com Lula de novo.
Um abraço a todos,
Gustavo Ferreira Santos
E Lula não foi ao debate...
Nota de Lula à Rede Globo, comunicando que não iria ao debate:
"Venho agradecer, respeitosamente, o convite desta emissora para participar do debate sobre as eleições presidenciais, marcado para hoje. Sou um dos políticos que mais participou de debates eleitorais neste país. No entanto, é fato público e notório o grau de virulência e desespero de alguns adversários, que estão deixando em segundo plano o debate de propostas e idéias, para se dedicar, quase exclusivamente, aos ataques gratuitos e agressões pessoais.
Tenho demonstrado, em toda a minha vida, compromisso com os princípios democráticos e disposição para enfrentar qualquer tipo de debate. Somente na TV Globo, participei de três entrevistas ao vivo - no 'Jornal Nacional', no 'Jornal da Globo' e no 'Bom Dia Brasil' – com perguntas livres e contundentes. O tom polêmico destas entrevistas, e a maneira como me comportei, demonstram que não tenho receio de enfrentar o debate franco e democrático. Não posso, porém, render-me à ação premeditada e articulada de alguns adversários que pretendiam transformar o debate desta noite em uma arena de grosserias e agressões, em um jogo de cartas marcadas.
Aproveito para reafirmar o meu respeito à TV Globo e parabenizá-la pelo trabalho isento que vem fazendo na cobertura destas eleições.
Atenciosamente,
Luiz Inácio Lula da Silva"
Eu, particularmente, estava torcendo para Lula ir. Achava que, se os ataques eram inevitáveis, que pelo menos ele estivesse lá para se defender. Mas não o condeno por não ter ido, principalmente com o histórico de "isenção" que a TV Globo carrega... Em time que está ganhando não se mexe, e talvez a estratégia de não ir tenha sido mesmo a melhor. Não vi o debate, fui dormir. Soube que foi morno e previsível.
É curioso ver a tucanalha descendo a lenha por ele não ter ido quando essa sempre foi uma prática deles. O chuchu chegou a dizer que a decisão de Lula mostrou "uma visão arbitrária, de não querer prestar contas. É ser fraco". Ele só esqueceu que seu colega Aécio Neves, candidato à reeleição em Minas, também não foi ao debate da Globo na última terça-feira. A grande diferença é que Lula tem sofrido diversos ataques de todas as frentes e nunca se furtou a respondê-los, em diversas entrevistas ao vivo, como ele próprio bem lembrou. Enquanto isso, aqui nas Alterosas Aecinho manda e desmanda nas redações, censura notícias negativas e demite jornalistas não "enquadrados".
Se foi bom ou ruim Lula não ter ido só as urnas dirão. Hoje, eu acho que não fez muita diferença. Reproduzo abaixo o texto de Flávio Aguiar publicado hoje na Agência Carta Maior, que achei bem interessante:
Lula não foi ao debate: erro ou acerto?
SÃO PAULO – Lembram do poema do Manuel Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Lá sou amigo do rei", etc.?
Lembrei-me dele ontem ao assistir o debate da eleição presidencial na TV Globo. Os personagens ali presentes, William Bonner, Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque lembravam o quarteto de personagens da peça "Esperando Godot", de Samuel Beckett. Eles esperam um Godot que não veio, não vem e não virá. Só Godot pode redimi-los, ou condená-los. Suas vidas, suas palavras perderam o sentido. Eles se limitam a passar o tempo. A peça termina, e eles dizem que continuarão a esperar Godot amanhã.
Mas na peça da Globo o andamento era diverso. Godot não veio, malha-se Godot. Que se viesse, seria linchado também. Acontece que Godot tinha ido para outra freguesia. Estava em seu berço político, a sua Pasárgada, no comício de São Bernardo, frente a frente com o povo que lá foi.
A percepção era nítida: de um lado, três atores meio perdidos, excedendo-se às vezes no tempo, uma ou outra se atrapalhando para caminhar das cadeirinhas (pareciam esperar o ônibus) até o microfone, que mais pareciam detidos no aquário da Globo. Do outro, o personagem se esbaldando em praça pública, como nos velhos tempos em que os comícios eram as armas principais de campanhas.
Não sei como vai se traduzir em votos dentro da urna, mas havia um jogo muito forte ali, um jogo entre o simulacro e o simbólico, entre o puramente virtual e o concreto das ruas.
Repito que não sei o que isso trará para as urnas. Os marqueteiros e os pesquisadores dos institutos que se debatam. Mas achei que Lula teve mais acerto do que erro em não ir. Ele não foi jogar o jogo na casa, no campo, no estádio dos adversários, com as camisetas do adversário. Jogou no seu próprio campo.
Se vai ganhar o jogo, só saberemos no domingo à noite.
"Venho agradecer, respeitosamente, o convite desta emissora para participar do debate sobre as eleições presidenciais, marcado para hoje. Sou um dos políticos que mais participou de debates eleitorais neste país. No entanto, é fato público e notório o grau de virulência e desespero de alguns adversários, que estão deixando em segundo plano o debate de propostas e idéias, para se dedicar, quase exclusivamente, aos ataques gratuitos e agressões pessoais.
Tenho demonstrado, em toda a minha vida, compromisso com os princípios democráticos e disposição para enfrentar qualquer tipo de debate. Somente na TV Globo, participei de três entrevistas ao vivo - no 'Jornal Nacional', no 'Jornal da Globo' e no 'Bom Dia Brasil' – com perguntas livres e contundentes. O tom polêmico destas entrevistas, e a maneira como me comportei, demonstram que não tenho receio de enfrentar o debate franco e democrático. Não posso, porém, render-me à ação premeditada e articulada de alguns adversários que pretendiam transformar o debate desta noite em uma arena de grosserias e agressões, em um jogo de cartas marcadas.
Aproveito para reafirmar o meu respeito à TV Globo e parabenizá-la pelo trabalho isento que vem fazendo na cobertura destas eleições.
Atenciosamente,
Luiz Inácio Lula da Silva"
Eu, particularmente, estava torcendo para Lula ir. Achava que, se os ataques eram inevitáveis, que pelo menos ele estivesse lá para se defender. Mas não o condeno por não ter ido, principalmente com o histórico de "isenção" que a TV Globo carrega... Em time que está ganhando não se mexe, e talvez a estratégia de não ir tenha sido mesmo a melhor. Não vi o debate, fui dormir. Soube que foi morno e previsível.
É curioso ver a tucanalha descendo a lenha por ele não ter ido quando essa sempre foi uma prática deles. O chuchu chegou a dizer que a decisão de Lula mostrou "uma visão arbitrária, de não querer prestar contas. É ser fraco". Ele só esqueceu que seu colega Aécio Neves, candidato à reeleição em Minas, também não foi ao debate da Globo na última terça-feira. A grande diferença é que Lula tem sofrido diversos ataques de todas as frentes e nunca se furtou a respondê-los, em diversas entrevistas ao vivo, como ele próprio bem lembrou. Enquanto isso, aqui nas Alterosas Aecinho manda e desmanda nas redações, censura notícias negativas e demite jornalistas não "enquadrados".
Se foi bom ou ruim Lula não ter ido só as urnas dirão. Hoje, eu acho que não fez muita diferença. Reproduzo abaixo o texto de Flávio Aguiar publicado hoje na Agência Carta Maior, que achei bem interessante:
Lula não foi ao debate: erro ou acerto?
SÃO PAULO – Lembram do poema do Manuel Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Lá sou amigo do rei", etc.?
Lembrei-me dele ontem ao assistir o debate da eleição presidencial na TV Globo. Os personagens ali presentes, William Bonner, Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque lembravam o quarteto de personagens da peça "Esperando Godot", de Samuel Beckett. Eles esperam um Godot que não veio, não vem e não virá. Só Godot pode redimi-los, ou condená-los. Suas vidas, suas palavras perderam o sentido. Eles se limitam a passar o tempo. A peça termina, e eles dizem que continuarão a esperar Godot amanhã.
Mas na peça da Globo o andamento era diverso. Godot não veio, malha-se Godot. Que se viesse, seria linchado também. Acontece que Godot tinha ido para outra freguesia. Estava em seu berço político, a sua Pasárgada, no comício de São Bernardo, frente a frente com o povo que lá foi.
A percepção era nítida: de um lado, três atores meio perdidos, excedendo-se às vezes no tempo, uma ou outra se atrapalhando para caminhar das cadeirinhas (pareciam esperar o ônibus) até o microfone, que mais pareciam detidos no aquário da Globo. Do outro, o personagem se esbaldando em praça pública, como nos velhos tempos em que os comícios eram as armas principais de campanhas.
Não sei como vai se traduzir em votos dentro da urna, mas havia um jogo muito forte ali, um jogo entre o simulacro e o simbólico, entre o puramente virtual e o concreto das ruas.
Repito que não sei o que isso trará para as urnas. Os marqueteiros e os pesquisadores dos institutos que se debatam. Mas achei que Lula teve mais acerto do que erro em não ir. Ele não foi jogar o jogo na casa, no campo, no estádio dos adversários, com as camisetas do adversário. Jogou no seu próprio campo.
Se vai ganhar o jogo, só saberemos no domingo à noite.
quinta-feira, setembro 28, 2006
Vitória do povo brasileiro
(Jussara Seixas, no blog Por 1 novo Brasil)
Domingo, dia 1º de outubro, vou votar em Lula, o melhor presidente que o Brasil já teve. Vou votar como em 2002, sem medo de ser feliz, com a certeza que estou elegendo o melhor para o meu país. Vou votar na queda da desigualdade social, na diminuição da miséria, na geração de emprego e renda. Vou votar no crescimento sustentável, na solidez econômica. Vou votar no combate à exclusão social, vou votar pela dignidade de um povo. Vou votar em quem pensou e fez o possível e o impossível para melhorar a vida das pessoas e do país. Vou votar para que o PROUNI não acabe, vou votar para que o Bolsa Família não acabe, vou votar para que o crédito consignado não acabe, vou votar para que o Brasil continue auto-suficiente em petróleo.
Vou votar no Lula. Vou votar para que cada vez mais as pessoas tenham oportunidades, tenham um presente e um futuro com dignidade. Vou votar para que cada vez mais pessoas tenham energia elétrica e acesso a crédito para aquisição da casa própria. Vou votar em quem vai fazer a Transposição do Rio São Francisco e, com isso, levar dignidade ao povo nordestino, gerar milhares de empregos e acabar com a seca no Sertão. Voto em quem gerou 6 milhões de empregos, voto em quem acabou com a inflação, voto em quem deu o maior aumento real para o salário mínimo, melhorando o poder de compra do povo.
Voto em quem derrubou os preços dos alimentos, para que as pessoas possam comer mais e melhor. Voto em quem combateu a corrupção como nunca foi feito antes neste país. Voto contra a desigualdade social, voto contra o apagão, voto contra a fome e a miséria, voto contra a elite. Voto contra a volta do FHC, que desgraçou este país, pelas mãos de Alckmin. Voto contra Alckmin, o discípulo de FHC. Voto contra a volta do FMI, contra os juros altos, voto contra a instabilidade econômica, contra o desemprego, contra a privatização da Petrobras, da Caixa Federal, do Banco do Brasil.
Voto contra quem deixou o meu estado, SP, ser dominado pelo crime organizado. Voto contra quem faz acordos com bandidos. Voto contra quem engavetou 70 CPIs para investigar a corrupção em seu governo, voto contra quem protege, apóia e acoberta o contrabando de luxo e a sonegação fiscal. Voto contra quem não repassa verba para a educação e manda a PM bater em estudantes e professores. Voto contra quem faz uso do dinheiro publico, como da Nossa Caixa, para se autopromover, pagando sites e revistas de aliados de FHC, do PSDB. Voto contra quem quer desgraçar o meu país, trazer de volta o caos econômico e social, a miséria e a fome. Os filhos do Brasil não fogem à luta, por isso é Lula de novo com a força do povo.
Domingo, dia 1º de outubro, vou votar em Lula, o melhor presidente que o Brasil já teve. Vou votar como em 2002, sem medo de ser feliz, com a certeza que estou elegendo o melhor para o meu país. Vou votar na queda da desigualdade social, na diminuição da miséria, na geração de emprego e renda. Vou votar no crescimento sustentável, na solidez econômica. Vou votar no combate à exclusão social, vou votar pela dignidade de um povo. Vou votar em quem pensou e fez o possível e o impossível para melhorar a vida das pessoas e do país. Vou votar para que o PROUNI não acabe, vou votar para que o Bolsa Família não acabe, vou votar para que o crédito consignado não acabe, vou votar para que o Brasil continue auto-suficiente em petróleo.
Vou votar no Lula. Vou votar para que cada vez mais as pessoas tenham oportunidades, tenham um presente e um futuro com dignidade. Vou votar para que cada vez mais pessoas tenham energia elétrica e acesso a crédito para aquisição da casa própria. Vou votar em quem vai fazer a Transposição do Rio São Francisco e, com isso, levar dignidade ao povo nordestino, gerar milhares de empregos e acabar com a seca no Sertão. Voto em quem gerou 6 milhões de empregos, voto em quem acabou com a inflação, voto em quem deu o maior aumento real para o salário mínimo, melhorando o poder de compra do povo.
Voto em quem derrubou os preços dos alimentos, para que as pessoas possam comer mais e melhor. Voto em quem combateu a corrupção como nunca foi feito antes neste país. Voto contra a desigualdade social, voto contra o apagão, voto contra a fome e a miséria, voto contra a elite. Voto contra a volta do FHC, que desgraçou este país, pelas mãos de Alckmin. Voto contra Alckmin, o discípulo de FHC. Voto contra a volta do FMI, contra os juros altos, voto contra a instabilidade econômica, contra o desemprego, contra a privatização da Petrobras, da Caixa Federal, do Banco do Brasil.
Voto contra quem deixou o meu estado, SP, ser dominado pelo crime organizado. Voto contra quem faz acordos com bandidos. Voto contra quem engavetou 70 CPIs para investigar a corrupção em seu governo, voto contra quem protege, apóia e acoberta o contrabando de luxo e a sonegação fiscal. Voto contra quem não repassa verba para a educação e manda a PM bater em estudantes e professores. Voto contra quem faz uso do dinheiro publico, como da Nossa Caixa, para se autopromover, pagando sites e revistas de aliados de FHC, do PSDB. Voto contra quem quer desgraçar o meu país, trazer de volta o caos econômico e social, a miséria e a fome. Os filhos do Brasil não fogem à luta, por isso é Lula de novo com a força do povo.
terça-feira, setembro 26, 2006
Por que não votar em Alckmin
(AVISO: recebi por e-mail sem o nome do autor do texto. Reproduzo porque concordo, mas peço que se alguém saiba a autoria me informe para que eu possa dar os devidos créditos. Obrigada.)
MANIFESTO
Sobretudo, não votar em Alckmin
Diante da proximidade do final do primeiro turno das eleições presidenciais, faz-se necessário vir a público a fim de dizer que não há razão alguma para votar no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.
Fatos recentes relativos a dossiês e novos personagens envolvidos com o escândalo das sanguessugas aumentaram a temperatura da, até então, mais morna das eleições entre tantas ocorridas desde a redemocratização. Editoriais, diretores de redação de jornais e revistas, articulistas que se apresentam como formadores de opinião pública, todos comprometidos com o chamado jornalismo investigativo e independente, têm vindo a público defender o voto em Alckmin para que o mesmo seja içado ao segundo turno. No entanto, vale a pena lembrar que a forma mais cínica de totalitarismo é a moralidade seletiva.
Desde a eclosão do escândalo dos sanguessugas pairam enormes dúvidas sobre a conivência ou não dos ex-ministros da saúde com o esquema de superfaturamento das ambulâncias. Nesse caso, o tucano José Serra aparece com indícios fortes de implicação direta ou, no mínimo, conivência. Mais de 70% das ambulâncias superfaturadas foram liberadas em sua gestão no Ministério, várias para o Estado de São Paulo, do então governador Geraldo Alckmin. Estranho, para não dizer surpreendente, que o jornalismo investigativo e independente de nosso país não tenha se atentado para essas questões na última semana. Será que estão satisfeitos com a nota publicada por Serra nos jornais se inocentando e dizendo que nada sabia? Por que para o jornalismo independente e investigativo o peso do nada sabia de Serra vale como declaração de idoneidade? Esta "dupla medida" em relação à corrupção tucana indica o que acontecerá em um eventual governo Alckmin.
Pois, a respeito de Alckmin, não seria difícil lembrar aqui que, durante toda a campanha, o candidato tucano contentou-se em remixar um discurso arcaico de direita, com direito a bravata contra impostos, gastança pública, promessa de redução do Estado, de reformismo infinito da previdência e laivos de indignação contra a corrupção (na qual seu próprio partido está organicamente envolvido). Ou seja, nada mais do que um candidato de direita em qualquer parte do mundo faria desde o início do século XX. Acrescenta-se a isto uma simpatia temerária por entidades proto-fascistas como a Opus Dei. Mas vale a pena tecer algumas considerações demoradas sobre os seus dois maiores pilares: ética e competência.
Podemos claramente imaginar o que acontecerá se Geraldo Alckmin ganhar a eleição. Ele irá impor uma lógica de abafamento e impedimento de CPIs que funcionou maravilhosamente bem na Assembléia Estadual de SP. Uma lógica a respeito da qual seu partido é especialista, já que os oito anos FHC foram marcados pela impossibilidade de investigar a fundo todos os escândalos que marcaram o governo. Quem não se lembra da presteza do chamado engavetador-geral da República, Geraldo Brindeiro?
Alckmin aprendeu muito bem esta lógica, tanto que nada foi investigado a respeito das suspeitas de compra de deputados estaduais via Nossa Caixa, das suspeitas de corrupção em órgão públicos como a CDHU, o Rodoanel, as privatizações de São Paulo, as doações de vestidos à sua mulher, a subvenção à revista de seu acupunturista, entre outros tantos. São mais de 60 CPIs arquivadas. Número dificilmente superável. O Brasil quer voltar a esta época da corrupção silenciosa e profissional?
Basta ver que sempre quando um tucano está em linha de mira, quando um mensaleiro tucano é descoberto (Azeredo), quando uma ligação com os sanguessugas é desvendada (Serra, Antero Paes de Barros), quando esquemas de financiamento ilegal são apontados (Furnas), as investigações param, tomam outro rumo e a imprensa perde gradativamente o interesse. Ou seja, nenhuma indignação ética pode justificar um voto em Geraldo Alckmin e seu partido. Alckmin é aquele que, diante do fato de até mesmo FHC reconhecer que seu partido não teve a mínima dignidade ética ao fazer tudo para livrar a cara de Eduardo Azeredo, respondeu nada querer falar sobre o assunto. É com este silêncio que ele tratará todos os escândalos que envolveram seu partido nos últimos dez anos.
Por outro lado, sua alegada competência não resiste a uma análise isenta. Sua política desastrada de segurança pública alimentou a criação do PCC. Ao ver o resultado desastroso de sua política de segurança, baseada apenas na truculência, no encarceramento e no extermínio, Alckmin foi sequer capaz de uma mínima auto-crítica: "se houvesse algum problema, eu já teria identificado", foi o que ele disse a este respeito. Retrato clássico da arrogância de quem não consegue aprender com os próprios erros. Ao contrário, ele preferiu transferir responsabilidades dizendo que o culpado era o governo federal, chegando a insinuar que algo como o PCC só poderia existir devido a algum conluio eleitoral, como se ele nada tivesse a ver com o problema. Isto a ponto de um jornalista ter-lhe dito: "então tudo deu errado porque o senhor fez tudo certo?"
Como se não bastasse, este tocador de obras conseguiu atrasar as datas de entrega de todas suas grandes obras. Sua política de educação colocou as universidades estaduais à míngua, algumas não têm sequer condição de pagar contas correntes. Seu secretário de Educação (Chalita) chegou mesmo a maquiar números a fim de tentar esconder os resultados calamitosos de sua política. Não é por outra razão que, mesmo em seu Estado, Alckmin passou toda a campanha política em segundo lugar. Quem conhece Alckmin não parece disposto a votar em Alckmin.
As razões acima e as dúvidas não respondidas nem pelos candidatos nem pelo jornalismo investigativo e independente dão a certeza de que o voto em Alckmin, de modo algum, representa o resgate da moralidade pública e, muito menos, o avanço das instituições democráticas republicanas. Ao contrário, ele representa a volta da corrupção silenciosa, da complacência da mídia, da criminalização dos movimentos sociais e da agenda direitista mais pura e dura. Por isto, vários movimentos sociais, como o MST, a UNE e a CUT, dizem: sobretudo, não votar em Alckmin.
MANIFESTO
Sobretudo, não votar em Alckmin
Diante da proximidade do final do primeiro turno das eleições presidenciais, faz-se necessário vir a público a fim de dizer que não há razão alguma para votar no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.
Fatos recentes relativos a dossiês e novos personagens envolvidos com o escândalo das sanguessugas aumentaram a temperatura da, até então, mais morna das eleições entre tantas ocorridas desde a redemocratização. Editoriais, diretores de redação de jornais e revistas, articulistas que se apresentam como formadores de opinião pública, todos comprometidos com o chamado jornalismo investigativo e independente, têm vindo a público defender o voto em Alckmin para que o mesmo seja içado ao segundo turno. No entanto, vale a pena lembrar que a forma mais cínica de totalitarismo é a moralidade seletiva.
Desde a eclosão do escândalo dos sanguessugas pairam enormes dúvidas sobre a conivência ou não dos ex-ministros da saúde com o esquema de superfaturamento das ambulâncias. Nesse caso, o tucano José Serra aparece com indícios fortes de implicação direta ou, no mínimo, conivência. Mais de 70% das ambulâncias superfaturadas foram liberadas em sua gestão no Ministério, várias para o Estado de São Paulo, do então governador Geraldo Alckmin. Estranho, para não dizer surpreendente, que o jornalismo investigativo e independente de nosso país não tenha se atentado para essas questões na última semana. Será que estão satisfeitos com a nota publicada por Serra nos jornais se inocentando e dizendo que nada sabia? Por que para o jornalismo independente e investigativo o peso do nada sabia de Serra vale como declaração de idoneidade? Esta "dupla medida" em relação à corrupção tucana indica o que acontecerá em um eventual governo Alckmin.
Pois, a respeito de Alckmin, não seria difícil lembrar aqui que, durante toda a campanha, o candidato tucano contentou-se em remixar um discurso arcaico de direita, com direito a bravata contra impostos, gastança pública, promessa de redução do Estado, de reformismo infinito da previdência e laivos de indignação contra a corrupção (na qual seu próprio partido está organicamente envolvido). Ou seja, nada mais do que um candidato de direita em qualquer parte do mundo faria desde o início do século XX. Acrescenta-se a isto uma simpatia temerária por entidades proto-fascistas como a Opus Dei. Mas vale a pena tecer algumas considerações demoradas sobre os seus dois maiores pilares: ética e competência.
Podemos claramente imaginar o que acontecerá se Geraldo Alckmin ganhar a eleição. Ele irá impor uma lógica de abafamento e impedimento de CPIs que funcionou maravilhosamente bem na Assembléia Estadual de SP. Uma lógica a respeito da qual seu partido é especialista, já que os oito anos FHC foram marcados pela impossibilidade de investigar a fundo todos os escândalos que marcaram o governo. Quem não se lembra da presteza do chamado engavetador-geral da República, Geraldo Brindeiro?
Alckmin aprendeu muito bem esta lógica, tanto que nada foi investigado a respeito das suspeitas de compra de deputados estaduais via Nossa Caixa, das suspeitas de corrupção em órgão públicos como a CDHU, o Rodoanel, as privatizações de São Paulo, as doações de vestidos à sua mulher, a subvenção à revista de seu acupunturista, entre outros tantos. São mais de 60 CPIs arquivadas. Número dificilmente superável. O Brasil quer voltar a esta época da corrupção silenciosa e profissional?
Basta ver que sempre quando um tucano está em linha de mira, quando um mensaleiro tucano é descoberto (Azeredo), quando uma ligação com os sanguessugas é desvendada (Serra, Antero Paes de Barros), quando esquemas de financiamento ilegal são apontados (Furnas), as investigações param, tomam outro rumo e a imprensa perde gradativamente o interesse. Ou seja, nenhuma indignação ética pode justificar um voto em Geraldo Alckmin e seu partido. Alckmin é aquele que, diante do fato de até mesmo FHC reconhecer que seu partido não teve a mínima dignidade ética ao fazer tudo para livrar a cara de Eduardo Azeredo, respondeu nada querer falar sobre o assunto. É com este silêncio que ele tratará todos os escândalos que envolveram seu partido nos últimos dez anos.
Por outro lado, sua alegada competência não resiste a uma análise isenta. Sua política desastrada de segurança pública alimentou a criação do PCC. Ao ver o resultado desastroso de sua política de segurança, baseada apenas na truculência, no encarceramento e no extermínio, Alckmin foi sequer capaz de uma mínima auto-crítica: "se houvesse algum problema, eu já teria identificado", foi o que ele disse a este respeito. Retrato clássico da arrogância de quem não consegue aprender com os próprios erros. Ao contrário, ele preferiu transferir responsabilidades dizendo que o culpado era o governo federal, chegando a insinuar que algo como o PCC só poderia existir devido a algum conluio eleitoral, como se ele nada tivesse a ver com o problema. Isto a ponto de um jornalista ter-lhe dito: "então tudo deu errado porque o senhor fez tudo certo?"
Como se não bastasse, este tocador de obras conseguiu atrasar as datas de entrega de todas suas grandes obras. Sua política de educação colocou as universidades estaduais à míngua, algumas não têm sequer condição de pagar contas correntes. Seu secretário de Educação (Chalita) chegou mesmo a maquiar números a fim de tentar esconder os resultados calamitosos de sua política. Não é por outra razão que, mesmo em seu Estado, Alckmin passou toda a campanha política em segundo lugar. Quem conhece Alckmin não parece disposto a votar em Alckmin.
As razões acima e as dúvidas não respondidas nem pelos candidatos nem pelo jornalismo investigativo e independente dão a certeza de que o voto em Alckmin, de modo algum, representa o resgate da moralidade pública e, muito menos, o avanço das instituições democráticas republicanas. Ao contrário, ele representa a volta da corrupção silenciosa, da complacência da mídia, da criminalização dos movimentos sociais e da agenda direitista mais pura e dura. Por isto, vários movimentos sociais, como o MST, a UNE e a CUT, dizem: sobretudo, não votar em Alckmin.
segunda-feira, setembro 25, 2006
armação tucana?
Essa saiu no Globo Online: "...Em entrevista na tarde de sexta-feira, o delegado Edmilson Pereira Bruno, da PF, insinuou a possibilidade de armação dos tucanos, visto que uma equipe da campanha de José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo, estaria aguardando na sede da PF, antes mesmo de qualquer órgão de imprensa, a prisão de Valdebran Padilha e Gedimar Passos. Momentos depois da prisão e antes mesmo da chegada da imprensa, já havia dois carros da produtora dos programas de TV do PSDB, atingido pela divulgação do dossiê. Na coletiva desta sexta, a equipe de filmagem também estava presente. O delegado Bruno, que conduziu as investigações e as prisões, disse não saber por que a equipe tucana já estava na sede da PF em São Paulo antes da chegada da imprensa. O delegado disse que, como não está mais no caso, não vai apurar se houve algum tipo de informação privilegiada. Em Brasília circula a hipótese de que o dossiê tenha sido um armação para atrair os petistas..."
(reproduzido do Blog da Reeleição)
HELLO, VEJA??? JORNAL NACIONAL??? ESTADÃO???
CADÊ VOCÊS PRA COMENTAREM ISSO???
(reproduzido do Blog da Reeleição)
HELLO, VEJA??? JORNAL NACIONAL??? ESTADÃO???
CADÊ VOCÊS PRA COMENTAREM ISSO???
Watergate não é aqui
A edição 1975 da revista Veja é um panfleto eleitoral a serviço da candidatura Geraldo Alckmin. Um panfleto, não: 1.252.978 panfletos dedicados a atacar a candidatura Lula.
Segundo Veja, Lula pode ganhar as eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno; mas também pode vir a ter sua candidatura, sua posse ou seu mandato cassados.
Para tentar sustentar esta conclusão golpista, Veja compara a divulgação do dossiê Serra/Vedoin com o caso Watergate, que levou à cassação do presidente norte-americano Richard Nixon.
Esta comparação é historicamente incorreta. No caso Watergate, ficou provado que o presidente dos EUA, Nixon, obstruiu com mentiras e destruição de documentos a investigação de um crime.
No caso do dossiê Serra/Vedoin, as instituições do governo estão na vanguarda das investigações, tendo todo o apoio e o estímulo do presidente da República.
A revista Veja chega a afirmar que "Lula pode ser eleito" e "não poderá ser diplomado presidente e ficará inelegível por três anos. Novas eleições serão convocadas". Ou, ainda, que Lula poderá ter "o seu diploma cassado e não poderá exercer mais a presidência".
Noutras palavras: uma semana antes do primeiro turno, a revista semanal de maior circulação do país estimula abertamente um golpe contra a vontade popular.
Aquilo que não teve coragem ou disposição de fazer, em 2005, um setor da oposição parece estar disposto a tentar agora.
Ou porque sabe que eleitoralmente não há como nos derrotar. Ou porque acredita que, agindo desta forma, pode levar a eleição para o segundo turno. Ou, ainda, porque quer criar o máximo de dificuldades para o segundo mandato de Lula.
Como se vê, não está em jogo apenas a eleição de Lula, ou de nossos candidatos majoritários e proporcionais em todo o país. Está em jogo a democracia, que inclui o elementar direito do povo escolher o presidente da República.
Em defesa da democracia, precisamos ampliar ao máximo a mobilização em favor da reeleição de Lula. Reforçar as nossas candidaturas ao governo, senado, deputados federais e estaduais. E ficar vigilantes, pois a oposição conservadora tentará lançar mão de todos os meios contra nós.
Contra o golpismo da direita, a força do povo.
(Boletim da campanha Lula Presidente)
Segundo Veja, Lula pode ganhar as eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno; mas também pode vir a ter sua candidatura, sua posse ou seu mandato cassados.
Para tentar sustentar esta conclusão golpista, Veja compara a divulgação do dossiê Serra/Vedoin com o caso Watergate, que levou à cassação do presidente norte-americano Richard Nixon.
Esta comparação é historicamente incorreta. No caso Watergate, ficou provado que o presidente dos EUA, Nixon, obstruiu com mentiras e destruição de documentos a investigação de um crime.
No caso do dossiê Serra/Vedoin, as instituições do governo estão na vanguarda das investigações, tendo todo o apoio e o estímulo do presidente da República.
A revista Veja chega a afirmar que "Lula pode ser eleito" e "não poderá ser diplomado presidente e ficará inelegível por três anos. Novas eleições serão convocadas". Ou, ainda, que Lula poderá ter "o seu diploma cassado e não poderá exercer mais a presidência".
Noutras palavras: uma semana antes do primeiro turno, a revista semanal de maior circulação do país estimula abertamente um golpe contra a vontade popular.
Aquilo que não teve coragem ou disposição de fazer, em 2005, um setor da oposição parece estar disposto a tentar agora.
Ou porque sabe que eleitoralmente não há como nos derrotar. Ou porque acredita que, agindo desta forma, pode levar a eleição para o segundo turno. Ou, ainda, porque quer criar o máximo de dificuldades para o segundo mandato de Lula.
Como se vê, não está em jogo apenas a eleição de Lula, ou de nossos candidatos majoritários e proporcionais em todo o país. Está em jogo a democracia, que inclui o elementar direito do povo escolher o presidente da República.
Em defesa da democracia, precisamos ampliar ao máximo a mobilização em favor da reeleição de Lula. Reforçar as nossas candidaturas ao governo, senado, deputados federais e estaduais. E ficar vigilantes, pois a oposição conservadora tentará lançar mão de todos os meios contra nós.
Contra o golpismo da direita, a força do povo.
(Boletim da campanha Lula Presidente)
domingo, setembro 24, 2006
Estadão continua na torcida por Alckmin
Essa é muito boa, e retiramos do blog do Zé Dirceu. O Estadão está fazendo a festa, e muita figa também, por causa de sua pesquisa que vê redução da distância que separa as intenções de voto em Lula e Geraldo. Pois não é que Dirceu nos lembra que a pesquisa é mais antiga do que a Datafolha de sábado? E com maior margem de erro também? E menor amostra? Vejam só a que ponto o jornalão chegou - e a CBN só fala nisso neste domingo...
O Estadão continua na torcida: "Dossiê Vedoin tira 2 pontos de Lula e cresce chance de 2º turno" – e até se dá ao luxo de mudar o nome do caso atual, que começou sendo chamado de "dossiê Serra, para não citar o candidato tucano ao governo de São Paulo.
A pesquisa destacada pelo Estadão é do Ibope e mostra Lula com 47%, 3 pontos à frente da soma dos demais – Alckmin subiu 3 pontos e tem 33%. Mas o jornal lembra que "Vantagem é maior em outra pesquisa sobre Presidência", sobre os resultados do Datafolha divulgados no sábado. Neste levantamento, Lula tem 49%, 8 a mais do que a soma dos demais – Alckmin tem 31%.
A pesquisa do Ibope foi feita ao longo de três dias, com 2.002 eleitores e em 141 municípios brasileiros, entre os dias 20 e 22 de setembro, com margem de erro de 2 pontos. A do Datafolha é mais recente, foi feita na sexta, e tem uma abrangência maior.
Fonte: http://blogdodirceu.blig.ig.com.br/
O Estadão continua na torcida: "Dossiê Vedoin tira 2 pontos de Lula e cresce chance de 2º turno" – e até se dá ao luxo de mudar o nome do caso atual, que começou sendo chamado de "dossiê Serra, para não citar o candidato tucano ao governo de São Paulo.
A pesquisa destacada pelo Estadão é do Ibope e mostra Lula com 47%, 3 pontos à frente da soma dos demais – Alckmin subiu 3 pontos e tem 33%. Mas o jornal lembra que "Vantagem é maior em outra pesquisa sobre Presidência", sobre os resultados do Datafolha divulgados no sábado. Neste levantamento, Lula tem 49%, 8 a mais do que a soma dos demais – Alckmin tem 31%.
A pesquisa do Ibope foi feita ao longo de três dias, com 2.002 eleitores e em 141 municípios brasileiros, entre os dias 20 e 22 de setembro, com margem de erro de 2 pontos. A do Datafolha é mais recente, foi feita na sexta, e tem uma abrangência maior.
Fonte: http://blogdodirceu.blig.ig.com.br/
sábado, setembro 23, 2006
Mobilização popular contra o golpe

A oposição criminosa de Jereissati e ACM, os fanáticos onanistas da extrema direita e os barões da imprensa movem neste momento uma ação explícita de golpe contra a democracia e o Estado de Direito. O ridículo "escândalo do dossiê" contra José Serra e o PSDB está sendo utilizado como pretexto para melar a eleição e criar um clima de desordem institucional, inclusive com a promoção da baderna nas duas casas do Parlamento.
O momento é gravíssimo, marcado por uma agressiva ação coordenada de toda a grande mídia. Quem assistiu hoje ao Jornal Nacional, da Rede Globo, testemunhou um estarrecedor show de deturpações, exageros e de propaganda golpista. O mesmo está ocorrendo ininterruptamente nos canais das mídias digitais. Todo o sistema de comunicação da maior agência do País, a Agência Estado, por exemplo, está sendo utilizado para desestabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O site oficial e os canais particulares de notícia do Grupo Estado estão mobilizados 24 horas por dia nessa missão destrutiva, repetindo o modus operandi dos veículos de informação que prepararam o golpe contra o presidente venezuelano Hugo Chavez.
O fenômeno se repete em outras fontes informativas. A ordem geral, segundo o "consenso de mídia", grupo fortemente influenciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é explorar ao máximo tudo que seja desfavorável ao governo. Simultaneamente, trabalha-se pela santificação da oposição, desenhada como vítima das "vilanias" petistas.
Vale nos conscientizarmos todos de quatro pontos fundamentais nesta guerra:
1) A compra pura e simples de informação não se constitui em crime. Pode-se admitir a prática de delito apenas em caso de uso ilegal do conteúdo, e desde que se configure em injúria, calúnia ou difamação contra instituição ou cidadão. O material supostamente oferecido pelos Vedoin comprova, sim, a coexistência pacífica entre José Serra e os sanguessugas. Há duas opções: ou ele era partícipe do esquema ou foi incompetente para detectar os graves desvios cometidos no Ministério da Saúde.
2) Todo o esquema para a compra do dossiê foi abortado pela própria PF, o que mostra que o governo não tem utilizado os aparatos policiais do Estado em benefício próprio.
3) O grande réu neste caso é José Serra e seu partido, o PSDB. Depoimentos do criminoso Comendador Arcanjo e dos donos da Planam atestam a parceria entre o PSDB de Mato Grosso e as máfias locais. A manipulação vergonhosa da imprensa brasileira está desviando o foco do debate. É Serra e seu partido de delinqüentes que devem explicações à sociedade brasileira.
4) O Excelentíssimo Senhor Marco Aurélio de Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, extrapola suas funções ao emitir pareceres pessoais e políticos sobre os casos levados a sua magistratura. É de se espantar a alegre e sinistra reunião que fez com os líderes da oposição, no dia 18, desprezando a isenção que deveria nortear seu trabalho.
Portanto, neste momento, é importantíssimo que escrevamos imediatamente para todas as redações de jornais, revistas, TVs e emissoras de rádio para mostrar que não nos calaremos diante da tentativa de golpe. O mesmo se aplica do TSE, que deve saber de nosso alarme com o desvirtuamento da instituição.
Nesta hora, cada um tem assumir a luta em sua trincheira. Cada um tem que oferecer sua parcela de contribuição. Escrever para todos os amigos e familiares, especialmente para aqueles que não se ligam diretamente na luta política. São eles os principais alvos da campanha do golpe.
Esta é uma tarefa para ontem. É começar já!
Lula é muitos!!!
(Mauro Carrara, jornalista)
Eleições no Brasil: os fatos contra os preconceitos
(Antônio Fattore, traduzido do semanal La Rinascita, no site O informante)
As ultimas pesquisas dizem que Lula poderia ganhar já no primeiro turno das eleições de 1 de Outubro.Parecia impossível depois o fogo de barragem que todas as mídias abriram contra ele a partir do mês de Maio do ano passado. Claro! Algumas das acusações de corrupção contra dirigentes do PT e do Governo eram verdadeiras, mas pela maior parte revelaram-se ou simples hipóteses ou verdadeiras invenções.
Em todo caso, verdadeiras ou falsas, todas as acusações foram usadas e abusadas com um só objetivo: acabar o mais rápido possível e sem muitos escrúpulos institucionais com o primeiro governo popular na história do Brasil. E a oposição parlamentar nos seus ataques contínuos e indiscriminados não ficou sozinha porque uma ajuda sistemática veio não somente das mídias, mas também das grandes corporações que dominam a vida cultural e política do Brasil.
Associações dos advogados, dos juristas, dos jornalistas, dos comerciantes, dos professores universitários: todos em nome da tal de "sociedade civil" (identificada sempre nas classes médias) a gritar aos escândalos e ignorando o fato que as denúncias proviam dos partidos historicamente mais corruptos e mais comprometidos nos grandes desvios dos anos 90 ligados as privatizações.
E depois a tal da "justiça mediática", com jornais e televisões agindo como um verdadeiro super partido de oposição, transformaram sistematicamente os inocentes em suspeitos e os suspeitos em culpados. Tudo isso para "dar a satisfação a opinião pública" no mais completo desprezo das regras da civilização jurídica e da deontologia profissional.
Também a Igreja católica oficial não deu um grande exemplo de coerência democrática e de sensibilidade social. Ficou calada frente às numerosas violações dos direitos políticos e das garantias constitucionais e ignorou as melhorias reais nas condições de vida de dezenas de milhões de brasileiros, quais resultaram dos programas sociais do governo Lula.
Quem sabe?! Prevaleceu provavelmente nas altas hierarquias eclesiásticas a vontade de adequar-se aos humores conservadores das classes médias que constituem hoje o ponto forte da presença católica no Brasil (um país no qual a palavra aborto ainda é tabu). A igreja brasileira, é preciso lembrar, é aquela que ajudou o PT a nascer e a crescer nos anos 80 e 90, mas é também aquela que, em nome do anti-comunismo, apoiou nos anos 60 até o inicio dos anos 70 a ditadura militar.
Em relação aos padres progressistas que trabalham nos movimentos sociais de base, tem alguns que com pouco realismo pedem que o governo Lula dê uma forte acelerada no processo de transformações sociais e apóiam as posições radicais de alguns desses movimentos.
Na realidade, tudo foi usado nos meses passados para conseguir a renúncia ou até o impeachment de Lula: campanhas de cartas aos jornais, greves de fome, mini-invasões do parlamento, agressões físicas a dirigentes do PT, falsos "scoops" na imprensa, gravações forjadas, talk shows televisivos com insultos contínuos ao presidente. Porque não é formado, porque não fala inglês, porque se orgulha de ser filho de família pobre, porque é um imigrante nordestino, porque favorece na universidade os negros, porque viaja demais, porque é amigo de Fidel Castro, porque não quer brigar com a Bolívia, etc... Em suma, um concentrado de preconceitos e de verdadeiro desprezo de classe.
E depois também a acusação de preparar um "golpe branco" porque propõe uma lei de regulamentação de todo o sistema da informação. Um sistema que permite atualmente que governadores, deputados e senadores apropriam-se das freqüências e gerenciem a informação televisiva e radiofônica a fins puramente individuais e que gratifica as grandes emissoras com um "bolo" de 300 milhões de euros de isenção fiscal para tal de "horário eleitoral gratuito". E ainda Lula é atacado porque propõe ao congresso uma nova constituinte e que aprovem leis por uma reforma política eleitoral. Reforma absolutamente necessária para colocar fim ao escândalo de deputados que trocam de partidos a cada legislatura (são mais de 40%), e para reduzir as despesas de publicidade eleitoral (a eleição de um senador custa mais de 1 milhão de euros).
Em Agosto surgiu também uma nova acusação: o PT estaria atrás do PCC (Primeiro Comando da Capital) que organizou nos últimos meses rebeliões nos presídios e ataques a polícia nas ruas de São Paulo com dezenas de mortos. Lula havia proposto a utilização do exército, mas a proposta foi recusada pelo governo local comandado pela direita. Vice-versa, ficou claro que as acusações foram armadas pelos mesmos personagens que são envolvidos nos assassinatos de massa nas favelas, e na prática da tortura.
Apesar de tudo isso Lula resistiu e provavelmente será reeleito presidente do Brasil.
A pergunta é: como conseguiu?
Primeiro precisamos considerar que num sistema presidencialista é mais difícil mudar o chefe de governo do que num sistema parlamentar. E depois nesta vez a diferença de alguns de seus antecessores (Vargas, Kubistchek e Goulart) Lula pode contar com a lealdade dos comandos militares que respeitaram rigorosamente as próprias prerrogativas institucionais e que evitaram se envolverem na luta política. Mas importante também foi a não hostilidade do conjunto do mundo empresarial, seja em nível nacional ou no nível das multinacionais.
O que o "establishment" econômico apreciou foi o respeito aos acordos com o FMI , a luta contra a inflação , o apoio as exportações (com abertura de grandes mercados como Índia, China, países árabes), os grandes investimentos na área da energia tradicional (com o Governo Lula a produção interna do petróleo superou pela primeira vez a demanda), as pesquisas na área das energias alternativas (álcool, biodisel), o crédito barato para consumos populares, o câmbio livre.
Mas, sobretudo foi importante o método da negociação nas grandes questões econômicas e sociais. Nisso Lula cumpriu a promessa antes das eleições: aquela de enfrentar sempre todas as questões com a vontade de achar os pontos comuns entre os interesses contrastantes. Em suma o verdadeiro estilo de governo de um presidente ex-sindicalista.
Mas tudo isso não teria sido suficiente para impedir que Lula fosse triturado pela máquina do denuncismo e de uma oposição rancorosa e iliberal. Evidentemente teve algo mais. Primeiro: a personalidade de Lula. Lula reagiu sempre com calma, argumentando e recusando aceitar descer ao nível dos insultos que seu adversários usaram sistematicamente. Ele já havia falado disso no início de seu mandato. Ele não iria cair nas "baixarias" dos ataques pessoais e pedia somente para ser julgado ao fim de seu mandato e na base dos resultados de seu governo. E os resultados não faltaram!
Alguns dos resultados não foram particularmente positivos. É o caso do aumento do PIB que foi inferior em relação aos outros países da América Latina (porém superior ao do governo anterior).
Mas o que foi mais importante em relação ao consenso eleitoral foram os índices de melhoramento das condições sociais e econômicas das classes pobres. Essas classes fizeram a conta no bolso e constataram que nesses anos melhoraram os seus consumos alimentares, diminuiu o desemprego, cresceram os salários, melhorou o acesso a educação e ao sistema de saúde. E em algumas áreas historicamente marginalizadas chegaram finalmente os serviços de água encanada, da eletricidade, dos telefones e dos transportes. Por isso não é o tal de "cinismo dos pobres", que seriam insensíveis a exigência da ética na vida pública e que por isso continuariam a apoiar Lula.
Uma teoria essa, um pouco racista, que continua a ser divulgada na mídia depois que as pesquisas revelaram uma preferência por Lula entre os negros e os habitantes do nordeste que supera os 75%.
A realidade é que as classes pobres e marginalizadas que sempre foram as primeiras vítimas do clientelismo e da corrupção não acreditaram e não acreditam, apesar do contínuo martelamento da mídia, que os corruptos de ontem pudessem ser os moralizadores de hoje. E essas classes reconheceram também que Lula soube afastar rapidamente das próprias funções os que no partido e no governo erraram. E foi com Lula que a Polícia Federal e o sistema judiciário começaram agir com firmeza não somente contra os peixes pequenos do narcotráfico e do contrabando de armas, mas também contra os que através desses negócios enriquecem, corrompem políticos, compram jornais e se infiltram nas instituições.
É por isso que no auge da crise (quando o PT vacilava, os aliados se distanciavam e muitos intelectuais ficavam em cima do muro) o consenso ao Lula entre as classes populares nunca caiu, ao contrário, cresceu progressivamente. E foi esse consenso que levantou uma barreira contra todas as manobras que queriam acabar com o escândalo de um Brasil governado por um operário.
E essa nova unidade e "senso de classe" unidade das classes populares que hoje tiram o sono de uma parte da classe média e da elite. Por isso a maioria da população não vê nenhuma razão para votar no candidato de direita, Geraldo Alkmim, cuja característica principal, além de ser um convicto conservador, é de fazer parte do Opus Dei.
Em relação à candidatura da senadora Heloisa Helena do PSOL (o novo partido nascido de um racha da esquerda do PT) parece caracterizada mais de um espírito de revanche que de um coerente programa de alternativa à esquerda e a demonstração disso é a declaração da senadora contra a despenalização do aborto como prevista no programa de Lula para próximo governo.
Claro os jogos ainda estão abertos e nessas últimas semanas de campanha eleitoral na base de centenas de milhões de euros tudo pode mudar, assim como manobras destabilizadoras são sempre possíveis. Mas uma coisa é clara: se Lula ganha, será a vitória da razão e dos fatos contra a lógica dos preconceitos e das intrigas.
As ultimas pesquisas dizem que Lula poderia ganhar já no primeiro turno das eleições de 1 de Outubro.Parecia impossível depois o fogo de barragem que todas as mídias abriram contra ele a partir do mês de Maio do ano passado. Claro! Algumas das acusações de corrupção contra dirigentes do PT e do Governo eram verdadeiras, mas pela maior parte revelaram-se ou simples hipóteses ou verdadeiras invenções.
Em todo caso, verdadeiras ou falsas, todas as acusações foram usadas e abusadas com um só objetivo: acabar o mais rápido possível e sem muitos escrúpulos institucionais com o primeiro governo popular na história do Brasil. E a oposição parlamentar nos seus ataques contínuos e indiscriminados não ficou sozinha porque uma ajuda sistemática veio não somente das mídias, mas também das grandes corporações que dominam a vida cultural e política do Brasil.
Associações dos advogados, dos juristas, dos jornalistas, dos comerciantes, dos professores universitários: todos em nome da tal de "sociedade civil" (identificada sempre nas classes médias) a gritar aos escândalos e ignorando o fato que as denúncias proviam dos partidos historicamente mais corruptos e mais comprometidos nos grandes desvios dos anos 90 ligados as privatizações.
E depois a tal da "justiça mediática", com jornais e televisões agindo como um verdadeiro super partido de oposição, transformaram sistematicamente os inocentes em suspeitos e os suspeitos em culpados. Tudo isso para "dar a satisfação a opinião pública" no mais completo desprezo das regras da civilização jurídica e da deontologia profissional.
Também a Igreja católica oficial não deu um grande exemplo de coerência democrática e de sensibilidade social. Ficou calada frente às numerosas violações dos direitos políticos e das garantias constitucionais e ignorou as melhorias reais nas condições de vida de dezenas de milhões de brasileiros, quais resultaram dos programas sociais do governo Lula.
Quem sabe?! Prevaleceu provavelmente nas altas hierarquias eclesiásticas a vontade de adequar-se aos humores conservadores das classes médias que constituem hoje o ponto forte da presença católica no Brasil (um país no qual a palavra aborto ainda é tabu). A igreja brasileira, é preciso lembrar, é aquela que ajudou o PT a nascer e a crescer nos anos 80 e 90, mas é também aquela que, em nome do anti-comunismo, apoiou nos anos 60 até o inicio dos anos 70 a ditadura militar.
Em relação aos padres progressistas que trabalham nos movimentos sociais de base, tem alguns que com pouco realismo pedem que o governo Lula dê uma forte acelerada no processo de transformações sociais e apóiam as posições radicais de alguns desses movimentos.
Na realidade, tudo foi usado nos meses passados para conseguir a renúncia ou até o impeachment de Lula: campanhas de cartas aos jornais, greves de fome, mini-invasões do parlamento, agressões físicas a dirigentes do PT, falsos "scoops" na imprensa, gravações forjadas, talk shows televisivos com insultos contínuos ao presidente. Porque não é formado, porque não fala inglês, porque se orgulha de ser filho de família pobre, porque é um imigrante nordestino, porque favorece na universidade os negros, porque viaja demais, porque é amigo de Fidel Castro, porque não quer brigar com a Bolívia, etc... Em suma, um concentrado de preconceitos e de verdadeiro desprezo de classe.
E depois também a acusação de preparar um "golpe branco" porque propõe uma lei de regulamentação de todo o sistema da informação. Um sistema que permite atualmente que governadores, deputados e senadores apropriam-se das freqüências e gerenciem a informação televisiva e radiofônica a fins puramente individuais e que gratifica as grandes emissoras com um "bolo" de 300 milhões de euros de isenção fiscal para tal de "horário eleitoral gratuito". E ainda Lula é atacado porque propõe ao congresso uma nova constituinte e que aprovem leis por uma reforma política eleitoral. Reforma absolutamente necessária para colocar fim ao escândalo de deputados que trocam de partidos a cada legislatura (são mais de 40%), e para reduzir as despesas de publicidade eleitoral (a eleição de um senador custa mais de 1 milhão de euros).
Em Agosto surgiu também uma nova acusação: o PT estaria atrás do PCC (Primeiro Comando da Capital) que organizou nos últimos meses rebeliões nos presídios e ataques a polícia nas ruas de São Paulo com dezenas de mortos. Lula havia proposto a utilização do exército, mas a proposta foi recusada pelo governo local comandado pela direita. Vice-versa, ficou claro que as acusações foram armadas pelos mesmos personagens que são envolvidos nos assassinatos de massa nas favelas, e na prática da tortura.
Apesar de tudo isso Lula resistiu e provavelmente será reeleito presidente do Brasil.
A pergunta é: como conseguiu?
Primeiro precisamos considerar que num sistema presidencialista é mais difícil mudar o chefe de governo do que num sistema parlamentar. E depois nesta vez a diferença de alguns de seus antecessores (Vargas, Kubistchek e Goulart) Lula pode contar com a lealdade dos comandos militares que respeitaram rigorosamente as próprias prerrogativas institucionais e que evitaram se envolverem na luta política. Mas importante também foi a não hostilidade do conjunto do mundo empresarial, seja em nível nacional ou no nível das multinacionais.
O que o "establishment" econômico apreciou foi o respeito aos acordos com o FMI , a luta contra a inflação , o apoio as exportações (com abertura de grandes mercados como Índia, China, países árabes), os grandes investimentos na área da energia tradicional (com o Governo Lula a produção interna do petróleo superou pela primeira vez a demanda), as pesquisas na área das energias alternativas (álcool, biodisel), o crédito barato para consumos populares, o câmbio livre.
Mas, sobretudo foi importante o método da negociação nas grandes questões econômicas e sociais. Nisso Lula cumpriu a promessa antes das eleições: aquela de enfrentar sempre todas as questões com a vontade de achar os pontos comuns entre os interesses contrastantes. Em suma o verdadeiro estilo de governo de um presidente ex-sindicalista.
Mas tudo isso não teria sido suficiente para impedir que Lula fosse triturado pela máquina do denuncismo e de uma oposição rancorosa e iliberal. Evidentemente teve algo mais. Primeiro: a personalidade de Lula. Lula reagiu sempre com calma, argumentando e recusando aceitar descer ao nível dos insultos que seu adversários usaram sistematicamente. Ele já havia falado disso no início de seu mandato. Ele não iria cair nas "baixarias" dos ataques pessoais e pedia somente para ser julgado ao fim de seu mandato e na base dos resultados de seu governo. E os resultados não faltaram!
Alguns dos resultados não foram particularmente positivos. É o caso do aumento do PIB que foi inferior em relação aos outros países da América Latina (porém superior ao do governo anterior).
Mas o que foi mais importante em relação ao consenso eleitoral foram os índices de melhoramento das condições sociais e econômicas das classes pobres. Essas classes fizeram a conta no bolso e constataram que nesses anos melhoraram os seus consumos alimentares, diminuiu o desemprego, cresceram os salários, melhorou o acesso a educação e ao sistema de saúde. E em algumas áreas historicamente marginalizadas chegaram finalmente os serviços de água encanada, da eletricidade, dos telefones e dos transportes. Por isso não é o tal de "cinismo dos pobres", que seriam insensíveis a exigência da ética na vida pública e que por isso continuariam a apoiar Lula.
Uma teoria essa, um pouco racista, que continua a ser divulgada na mídia depois que as pesquisas revelaram uma preferência por Lula entre os negros e os habitantes do nordeste que supera os 75%.
A realidade é que as classes pobres e marginalizadas que sempre foram as primeiras vítimas do clientelismo e da corrupção não acreditaram e não acreditam, apesar do contínuo martelamento da mídia, que os corruptos de ontem pudessem ser os moralizadores de hoje. E essas classes reconheceram também que Lula soube afastar rapidamente das próprias funções os que no partido e no governo erraram. E foi com Lula que a Polícia Federal e o sistema judiciário começaram agir com firmeza não somente contra os peixes pequenos do narcotráfico e do contrabando de armas, mas também contra os que através desses negócios enriquecem, corrompem políticos, compram jornais e se infiltram nas instituições.
É por isso que no auge da crise (quando o PT vacilava, os aliados se distanciavam e muitos intelectuais ficavam em cima do muro) o consenso ao Lula entre as classes populares nunca caiu, ao contrário, cresceu progressivamente. E foi esse consenso que levantou uma barreira contra todas as manobras que queriam acabar com o escândalo de um Brasil governado por um operário.
E essa nova unidade e "senso de classe" unidade das classes populares que hoje tiram o sono de uma parte da classe média e da elite. Por isso a maioria da população não vê nenhuma razão para votar no candidato de direita, Geraldo Alkmim, cuja característica principal, além de ser um convicto conservador, é de fazer parte do Opus Dei.
Em relação à candidatura da senadora Heloisa Helena do PSOL (o novo partido nascido de um racha da esquerda do PT) parece caracterizada mais de um espírito de revanche que de um coerente programa de alternativa à esquerda e a demonstração disso é a declaração da senadora contra a despenalização do aborto como prevista no programa de Lula para próximo governo.
Claro os jogos ainda estão abertos e nessas últimas semanas de campanha eleitoral na base de centenas de milhões de euros tudo pode mudar, assim como manobras destabilizadoras são sempre possíveis. Mas uma coisa é clara: se Lula ganha, será a vitória da razão e dos fatos contra a lógica dos preconceitos e das intrigas.
quinta-feira, setembro 21, 2006
Pesquisa falsa tenta ludibriar o eleitor
A manipulação de informações continua sendo a estratégia dos opositores da campanha do presidente Lula para criar suspeitas sobre a veracidade das pesquisas eleitorais feitas por institutos brasileiros. Circula por aí um e-mail com supostos dados do Ibope em que o presidente Lula estaria com 40% das intenções de voto e Alckmin com 31%, "comprovando" uma redução drástica na preferência popular do candidato Lula.
O texto tem a função clara de propagar a contra-informação. O eleitor, ao se deparar com esses números, presume que os partidos citados tenham informações privilegiadas e que portanto a pesquisa seria fraudada.
Sobre este assunto o gerente de comunicação do Ibope, Marcelo Alvarenga, divulgou uma nota oficial no dia 15/9/2006 para repudiar as informações, afirmando que "não existem, até o momento, pesquisas nacionais do Ibope Opinião com resultados que apontem a vitória do candidato Geraldo Alckmin". O comunicado oficial pode lido logo abaixo:
Esclarecimento público
Comunicado do Grupo IBOPE sobre pesquisas eleitorais
Com relação ao e-mail distribuído via internet, em que a origem de um boletim com supostos resultados de pesquisas eleitorais é atribuída ao IBOPE, o Grupo esclarece que:
Não existem, até o momento, pesquisas nacionais do IBOPE Opinião com resultados que apontem a vitória do candidato Geraldo Alckmin. Esse e-mail é mentiroso.
Todas as pesquisas do IBOPE Opinião realizadas para divulgação estão à disposição para consulta no TSE e também em nosso portal www.ibope.com.br, como rege a legislação eleitoral.
O IBOPE é reconhecido pela imparcialidade, precisão e qualidade das informações divulgadas, não havendo, portanto, qualquer tipo de manipulação das pesquisas. O IBOPE rechaça qualquer acusação desse gênero, pois não se presta a esse papel.
São Paulo, 15 de setembro de 2006.
Marcello Alvarenga
Gerente de Comunicação do Grupo IBOPE
Enquanto isso, pesquisas verídicas confirmam vitória de Lula
As pesquisas dos institutos Vox Populi e Ibope, divulgadas no início da noite de hoje (21) confirmam que, se as eleições fossem hoje, o presidente Luis Inácio Lula da Silva seria reeleito no primeiro turno. Ambas as pesquisas mostraram um quadro de estabilidade, com variações acontecendo dentro da margem de erro.
Na análise do Vox Populi, divulgada no Jornal da Band, Lula obteve 51% das intenções de voto, ante 50% da pesquisa anterior, divulgada em 1º de setembro. Já Geraldo Alckmin (PSDB) passou de 25% para 27%. A variação mais expressiva foi a da senadora Heloísa Helena (PSOL) que caiu fora da margem de erro, de 9% para 5%. Cristovam Buarque (PDT) saiu de 2% para 1%. A sondagem foi realizada nos dias 16 e 19 de setembro, com 2.000 eleitores de todo o país, e tem uma margem de erro de 2,2%.
Na pesquisa Ibope, divulgada no Jornal Nacional, o presidente oscilou de 50% para 49%. Geraldo Alckmin oscilou de 29% para 30%, enquanto Heloísa Helena permaneceu com 9%. Num eventual segundo turno, os números também se mantiveram inalterados: Lula oscilou de 53% para 52%, enquanto o tucano manteve-se com 37%. O instituto ouviu 3.010 pessoas entre os últimos dias 18 e 20. A margem de erro da pesquisa é de 2%.
O texto tem a função clara de propagar a contra-informação. O eleitor, ao se deparar com esses números, presume que os partidos citados tenham informações privilegiadas e que portanto a pesquisa seria fraudada.
Sobre este assunto o gerente de comunicação do Ibope, Marcelo Alvarenga, divulgou uma nota oficial no dia 15/9/2006 para repudiar as informações, afirmando que "não existem, até o momento, pesquisas nacionais do Ibope Opinião com resultados que apontem a vitória do candidato Geraldo Alckmin". O comunicado oficial pode lido logo abaixo:
Esclarecimento público
Comunicado do Grupo IBOPE sobre pesquisas eleitorais
Com relação ao e-mail distribuído via internet, em que a origem de um boletim com supostos resultados de pesquisas eleitorais é atribuída ao IBOPE, o Grupo esclarece que:
Não existem, até o momento, pesquisas nacionais do IBOPE Opinião com resultados que apontem a vitória do candidato Geraldo Alckmin. Esse e-mail é mentiroso.
Todas as pesquisas do IBOPE Opinião realizadas para divulgação estão à disposição para consulta no TSE e também em nosso portal www.ibope.com.br, como rege a legislação eleitoral.
O IBOPE é reconhecido pela imparcialidade, precisão e qualidade das informações divulgadas, não havendo, portanto, qualquer tipo de manipulação das pesquisas. O IBOPE rechaça qualquer acusação desse gênero, pois não se presta a esse papel.
São Paulo, 15 de setembro de 2006.
Marcello Alvarenga
Gerente de Comunicação do Grupo IBOPE
Enquanto isso, pesquisas verídicas confirmam vitória de Lula
As pesquisas dos institutos Vox Populi e Ibope, divulgadas no início da noite de hoje (21) confirmam que, se as eleições fossem hoje, o presidente Luis Inácio Lula da Silva seria reeleito no primeiro turno. Ambas as pesquisas mostraram um quadro de estabilidade, com variações acontecendo dentro da margem de erro.
Na análise do Vox Populi, divulgada no Jornal da Band, Lula obteve 51% das intenções de voto, ante 50% da pesquisa anterior, divulgada em 1º de setembro. Já Geraldo Alckmin (PSDB) passou de 25% para 27%. A variação mais expressiva foi a da senadora Heloísa Helena (PSOL) que caiu fora da margem de erro, de 9% para 5%. Cristovam Buarque (PDT) saiu de 2% para 1%. A sondagem foi realizada nos dias 16 e 19 de setembro, com 2.000 eleitores de todo o país, e tem uma margem de erro de 2,2%.
Na pesquisa Ibope, divulgada no Jornal Nacional, o presidente oscilou de 50% para 49%. Geraldo Alckmin oscilou de 29% para 30%, enquanto Heloísa Helena permaneceu com 9%. Num eventual segundo turno, os números também se mantiveram inalterados: Lula oscilou de 53% para 52%, enquanto o tucano manteve-se com 37%. O instituto ouviu 3.010 pessoas entre os últimos dias 18 e 20. A margem de erro da pesquisa é de 2%.
A força do povo: alerta total
As forças conservadoras do país, capitaneadas pela coalizão PSDB-PFL e por setores da mídia, sabem que Lula vencerá as eleições presidenciais. Mas querem impedir, a todo custo, que isto aconteça já no primeiro turno. Querem, também, que a vitória de Lula não seja acompanhada pelo crescimento das candidaturas a governador, senador e deputados do campo democrático e popular.
Além disso, a direita pretende macular nossa vitória, com acusações de todo tipo, com o nítido propósito de criar dificuldades para o segundo mandato Lula.
A acusação do momento tenta vincular nossa campanha e nosso candidato com a negociação e a divulgação de um dossiê contendo informações que já são de conhecimento público, a saber: que a quadrilha dos Vedoin operava no ministério da Saúde desde a época de José Serra, Barjas Negri e FHC.
Para sustentar suas acusações, a direita precisa desconhecer vários fatos. Entre eles, o comportamento de nosso candidato a presidente, que nunca lançou mão deste tipo de expediente, tendo inclusive repudiado publicamente o procedimento. Segundo, a atuação da Polícia Federal, graças a qual o caso veio à tona e os responsáveis estão sendo investigados. Terceiro, o afastamento dos envolvidos, que reconheceram publicamente que exorbitaram.
A apuração rigorosa dos fatos, que já está sendo feita pela Polícia Federal, revelará a exata responsabilidade de cada um dos envolvidos.
Infelizmente, o rigor que a direita cobra de nossa campanha, ela não adota diante dos supostos vínculos entre cardeais do PSDB e a quadrilha dos sanguessugas. O correto é que todos os denunciados sejam rigorosamente investigados, incluindo o ex-ministro da Saúde e o ex-governador de São Paulo.
A direita brasileira reagiu histericamente frente à divulgação do chamado dossiê "Serra/Vedoin", produzindo um discurso golpista e irresponsável. Abatidas pelo favoritismo do presidente Lula no pleito que se aproxima, manobram para reverter o amplo apoio ao presidente, tentando criar no país um clima de confronto.
Repudiamos esse comportamento antidemocrático e convocamos a militância e todos os ativistas da coligação "A Força do Povo" para intensificar os esforços para a reeleição do presidente Lula. Mostremos nas ruas, com nossos panfletos e bandeiras, que o povo brasileiro está decidido a dar continuidade à construção de uma pátria justa, livre e soberana e assim livremente se manifestará nas eleições do dia 1º de outubro.
(Boletim da campanha Lula Presidente)
Além disso, a direita pretende macular nossa vitória, com acusações de todo tipo, com o nítido propósito de criar dificuldades para o segundo mandato Lula.
A acusação do momento tenta vincular nossa campanha e nosso candidato com a negociação e a divulgação de um dossiê contendo informações que já são de conhecimento público, a saber: que a quadrilha dos Vedoin operava no ministério da Saúde desde a época de José Serra, Barjas Negri e FHC.
Para sustentar suas acusações, a direita precisa desconhecer vários fatos. Entre eles, o comportamento de nosso candidato a presidente, que nunca lançou mão deste tipo de expediente, tendo inclusive repudiado publicamente o procedimento. Segundo, a atuação da Polícia Federal, graças a qual o caso veio à tona e os responsáveis estão sendo investigados. Terceiro, o afastamento dos envolvidos, que reconheceram publicamente que exorbitaram.
A apuração rigorosa dos fatos, que já está sendo feita pela Polícia Federal, revelará a exata responsabilidade de cada um dos envolvidos.
Infelizmente, o rigor que a direita cobra de nossa campanha, ela não adota diante dos supostos vínculos entre cardeais do PSDB e a quadrilha dos sanguessugas. O correto é que todos os denunciados sejam rigorosamente investigados, incluindo o ex-ministro da Saúde e o ex-governador de São Paulo.
A direita brasileira reagiu histericamente frente à divulgação do chamado dossiê "Serra/Vedoin", produzindo um discurso golpista e irresponsável. Abatidas pelo favoritismo do presidente Lula no pleito que se aproxima, manobram para reverter o amplo apoio ao presidente, tentando criar no país um clima de confronto.
Repudiamos esse comportamento antidemocrático e convocamos a militância e todos os ativistas da coligação "A Força do Povo" para intensificar os esforços para a reeleição do presidente Lula. Mostremos nas ruas, com nossos panfletos e bandeiras, que o povo brasileiro está decidido a dar continuidade à construção de uma pátria justa, livre e soberana e assim livremente se manifestará nas eleições do dia 1º de outubro.
(Boletim da campanha Lula Presidente)
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